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Acervo textual da Revista AstroNova

Edição 04 — páginas 1 a 20

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Assuntos identificados: filtro, astronomia, terra, velocidade, filtros, ciência, massa, planeta, sistema, escape.

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Astronáutica Espaçonaves tripuladas Astronáutica Espaçonaves tripuladas Velocidade de Escape O conceito e sua importância na Astronomia e na Astronáutica Velocidade de Escape O conceito e sua importância na Astronomia e na Astronáutica Ano 01 - Nº 04 - Nov/2014 REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA Tour pelo Sistema Solar Terra, a vida em átomos de carbono Tour pelo Sistema Solar Terra, a vida em átomos de carbono ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS CONSIDERAÇÕES SOBRE O 11º EPAST TECNOLOGIAS NO ENSINO ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS METEORÍTICA REDESCOBRINDO O CÉU FILTROS PARA TELESCÓPIOS DIVULGAÇÃO DE CIÊNCIA NA INTERNET Parabéns, professor Carl Sagan O grande divulgador de Ciência estaria completando 80 anos Parabéns, professor Carl Sagan O grande divulgador de Ciência estaria completando 80 anos Parabéns, professor Carl Sagan O grande divulgador de Ciência estaria completando 80 anos Parabéns, professor Carl Sagan O grande divulgador de Ciência estaria completando 80 anos

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Uma das vantagens de trabalhar com divulgação de Ciência é a possibilidade de fazer algo pouco comum nos dias atuais: nós trazemos sempre boas notícias. Nessa época de final de ano, enquanto muitos estão se preparando para as férias, as festividades de dezembro, fim de ano letivo, recuperação e exames escolares, nós estamos focados em entregar a vocês uma edição recheada de assuntos novos e empolgantes. Todos nós sabemos que astrônomos amadores adoram ficar acordados nas madrugadas, e foram nessas madrugadas que a quarta edição da revista foi forjada. Um presente aos amantes das estrelas. A Astronomia, a mais antiga das ciências, que foi indispensável para a fundação da sociedade, seja pelo conhecimento do calendário, pela contribuição dos céus para a origem da agricultura, onde o céu era referência para a preparação, semeadura da terra e determinação das colheitas, ou pela orientação das grandes navegações, sempre cumpriu uma função de sistematizar a máquina do mundo. Assim contribuiu, e ainda contribui, para a ordenação simbólica das diferentes sociedades humanas. Nessa edição conheceremos mais o nosso planeta Terra, e suas características, indicaremos softwares voltados a astronomia, que facilitam o aprendizado e a familiarização com a astronomia, e falaremos sobre velocidade de escape gravitacional. Também traçaremos um panorama sobre a história da meteorítica que entusiasmará o leitor a conhecer mais sobre essas rochas extraterrestres, e daremos dicas de filtros para uso astronômicos. Nesta edição finalizamos nossa revista com uma breve homenagem a Carl Sagan, inspirador de muitos de nós. E como já é tradição, fornecemos a agenda de lançamento de alguns foguetes e um resumo das principais atividades na Estação Espacial Internacional (ISS). Uma boa leitura a todos, e boas horas de céus limpos pela frente. AstroNova . N.04 . 2014 Editores: Maico A. Zorzan maicozorzan@outlook.com Wilson Guerra wilsonguerra@gmail.com Colaboradores: Alline Alves alline_alvesuem@hotmail.com Augusto Adams superflankercba@gmail.com Cristian Westphal cienciaeastronomia@gmail.com Michel Corsi profcorci@hotmail.com Rafael Junior eletrorafa@gmail.com Rodrigo Sato meteoritos@spacerocks.com.br Revisão: Wilson Guerra wilsonguerra@gmail.com Arte e Diagramação: Wilson Guerra wilsonguerra@gmail.com Capa ISS+Space Shuttle www.nasa.gov Maico Zorzan CAEH - Marialva/PR EXPEDIENTE EDITORIAL

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SUMÁRIO Ensino de Astronomia Redescobrindo o Céu Espaçonaves Tripuladas Os automóveis do Cosmos Tour pelo Sistema Solar TERRA, a vida em átomos de carbono 07 09 15 19 35 Homenagem Parabéns, professor Carl Sagan 43 Meteorítica um breve histórico Tecnologias para o Ensino da Astronomia 23 Astronomia Amadora O colorido mundo dos filtros 28 Velocidade de Escape Nem tudo que sobe, desce! 33 A Inclusão Digital na Divulgação da Astronomia Ano 1 | Edição nº 04 | 2014

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Rodrigo Sato Geólogo pela UFPR Coordenador da Spacerocks Michel Corsi Batista Graduado em Física Doutorando em Educação Científica Professor na UTFPR (Campo Mourão) Augusto Adams Astrônomo Amador Engenheiro Elétrico, com ênfase em Eletrônica e Telecomunicações Alline Alves Graduada em Ciências/Matemática Mestranda em Educação Científica Rafael Cândido Jr. Engenheiro Químico Doutorando em Eng. Aeroespacial Membro do GCAA, CAEH e ARCAA Cristian Whestpal Graduando em Engenharia Química Coordenador do Ciência e Astronomia Maico Zorzan Graduado em Matemática Membro fundador do CAEH Professor de Matemática Contribuiram com esta edição: Wilson Guerra Graduado em Física Pós-graduado em Astrobiologia Membro fundador do CGAA e CAEH Professor de Física no Ensino Médio

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Principais Lançamentos PrevistosPrincipais Lançamentos Previstos ASTRONÁUTICA Lançador: SOYUZ FG (Roscosmos) Carga: Soyuz TMA-15M (Expedição 42/ISS) Lançamento: Cosmódromo de Baikonur Data prevista: 23/11/2014 Lançador: ANGARA 5 (Roscosmos) Carga: teste com carga útil simulada no estágio superior Breezer M Lançamento: Cosmódromo de Plesetsky Data prevista: 25/12/2014 Lançador: VEGA (ESA) Carga: teste com futuro veículo tripulado europeu, o iXV. Lançamento: Centro de Kourou Data prevista: novembro/2014 Lançador: SOYUZ FG (Roscosmos) Carga: satélites de geoposicionamento do sistema europeu Galileo Lançamento: Centro de Kourou Data prevista: novembro/2014 EUROPA/ GUIANA FRANCESA EUROPA/ GUIANA FRANCESA CHINACHINA Lançador: LONGA MARCHA 3C (CNSA) Carga: precursor da Chang'e 5 (teste de reentrada do sistema que trará amostras lunares) Lançamento: Centro de Lançamentos de Xichang Data prevista: final de 2014 RÚSSIA/ CASAQUISTÃO RÚSSIA/ CASAQUISTÃO Lançador: H-2A (Jaxa) Carga: sonda Hayabusa 2, que irá trazer à Terra fragmentos do asteroide 1999 JU3 Lançamento: Centro Espacial de Tanegashima Data prevista: dezembro/2014 JAPÃOJAPÃO Lançador: FALCON 9 (SpaceX) Carga: cagueiro Dragon; equipamentos e mantimentos para a ISS Lançamento: Cabo Canaveral Data prevista: 01/12/2014 Lançador: DELTA 4-HEAVY (NASA) Carga: cápsula multifuncional Órion (teste de vôo) Lançamento: Cabo Canaveral Data prevista: 05/12/2014 ESTADOS UNIDOS ESTADOS UNIDOS ÍNDIAÍNDIA Lançador: GSLV Mark III (ISRO) Carga: teste de futura cápsula tripulada Lançamento: espaçoporto de Sriharikota Data prevista: dezembro/2014

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Principais atividades do período (agosto-outubro/2014)Principais atividades do período (agosto-outubro/2014) Cosmonautas Alexander Skvortsov e Oleg Artemyev instalam equipamentos científicos na parte externa da Estação. Cosmonautas Alexander Skvortsov e Oleg Artemyev instalam equipamentos científicos na parte externa da Estação. Estação Espacial Internacional (ISS)Estação Espacial Internacional (ISS) ASTRONÁUTICA Tripulação atual - Expedição 41Tripulação atual - Expedição 41 Próxima Expedição - Soyuz TMA-15M (23/11)Próxima Expedição - Soyuz TMA-15M (23/11) Os cosmonautas também arremessaram um par de nano satélites CubSat. Os cosmonautas também arremessaram um par de nano satélites CubSat. Astronauta Reid Wiseman realiza manutenção no (MDCA), aparelho onde se faz experiências envolvendo combustão no módulo científico da Nasa. Multi-user Drop CombustionApparatus Destiny Astronauta Reid Wiseman realiza manutenção no Multi-user Drop Combustion Apparatus (MDCA), aparelho onde se faz experiências envolvendo combustão no módulo científico Destiny da Nasa. Cosmonautas apresentam logotipo da Copa do Mundo da Rússia de 2018 Cosmonautas apresentam logotipo da Copa do Mundo da Rússia de 2018

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Da Nasa A Terra, nosso planeta natal, é o único de nosso Sistema Solar que abriga vida, até onde sabemos -e vida extremamente diversificada. Todas as coisas de que precisamos para sobreviver são fornecidas sob uma fina camada atmosférica que nos separa do inabitável vazio do espaço. A Terra é feita de sistemas complexos e interativos, que muitas vezes são imprevisíveis. Ar, água, terra e vida -incluindo a vida humana- combinam forças para criar um mundo que muda constantemente e que estamos nos esforçando por 05 SISTEMA SOLAR 07 compreender. Ver a Terra da perspectiva única que o espaço oferece nos dá a oportunidade de ver o planeta como um todo. Cientistas de todo o mundo descobriram muitas coisas sobre o nosso planeta por meio do trabalho em equipe e dos resultados compartilhados. Alguns fatos são bem conhecidos. Por exemplo, a Terra é o terceiro planeta em termos de distância para o Sol, e o quinto maior do Sistema Solar. O diâmetro da Terra é apenas algumas centenas de quilômetros maior que o de Vênus. As quatro estações de nosso clima resultam do fato de que o eixo de rotação do planeta tem inclinação superior a 23 graus. Oceanos de pelo menos quatro quilômetros de profundidade cobrem cerca de 70% da superfície do planeta. A água fresca só existe em fase líquida em regiões dentro de uma faixa estreita de flutuação de temperatura (de 0 a 100 graus). Essa faixa de temperatura é especialmente estreita quando contrastada com a plena gama de temperaturas encontradas Um Tour pelo TERRA Sistema Solar Um Tour pelo Sistema Solar A VIDA EM ÁTOMOS DE CARBONO

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magnético, que o vento solar distorce e faz com que assuma um formato de lágrima. O vento solar é uma corrente de partículas dotadas de carga elétrica e ejetadas continuamente pelo Sol. O campo magnético não desaparece rumo ao espaço -tem fronteiras definidas. Quando partículas dotadas de carga elétrica geradas pelo vento solar são aprisionadas pelo campo magnético terrestre, elas colidem com as moléculas de ar acima dos pólos de nosso planeta. Essas moléculas de ar começam a brilhar e criam as auroras polares. A superfície terrestre da Terra também está em movimento. Por exemplo, o continente norte-americano continua a se mover para oeste, em direção à bacia do oceano Pacífico, a um ritmo semelhante ao do crescimento de nossas unhas. Terremotos 08 no interior do Sistema Solar. A presença e a distribuição de vapor d'água na atmosfera responde por boa parte do clima do planeta. Perto da superfície, um oceano de ar que consiste de 78% de nitrogênio, 21% de oxigênio e 1% de outros ingredientes nos envolve. Essa atmosfera afeta o clima da Terra, em longo prazo, e o clima local de curto prazo, nos protege contra quase todas as radiações perigosas emitidas pelo Sol e nos defende contra meteoros, igualmente -já que a maior parte deles se queima antes de atingir a superfície. Satélites revelaram que a camada superior da atmosfera na verdade se infla durante o dia e se contrai à noite em função da atividade solar. O rápido giro do nosso planeta e seu núcleo de ferroníquel derretido dão origem a um campo acontecem quando placas tectônicas se roçam, se sobrepõem, colidem e formam montanhas ou se dividem e separam. Esses movimentos são conhecidos como movimentos tectônicos. Desenvolvida ao longo dos últimos 30 anos, essa explicação unificou os resultados de centenas de anos de estudo do nosso planeta, que durante muito tempo era considerado imóvel. Do posto de observação privilegiado que o espaço nos proporciona, podemos observar o nosso planeta como um todo, da mesma forma que fazemos com outros astros, usando instrumentos igualmente sensíveis para tentar compreender o equilíbrio entre seus oceanos, ar, terra e vida. www.nasa.gov Tradução: George El Khouri TERRA: dados mais relevantes · Distância do Sol: 149.597.890 km 3 · Raio equatorial: 6,37814 x 10 km 12 3 · Volume: 1,0832 x 10 km 24 · Massa: 5,9737 x 10 kg 8 2 · Área: 5,100657 x 10 km 2 · Gravidade média na superfície: 9,766 m/s · Temperatura: de -88 a 58 °C · Atmosfera: nitrogênio (77%), oxigênio (21%), outros (2%) AstroNova . N.04 . 2014

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09 Espaçonaves Tripuladas ASTRONÁUTICAASTRONÁUTICA Espaçonaves Tripuladas Os automóveis do cosmosOs automóveis do cosmos Wilson Guerra wilsonguerra@gmail.com Levar pessoas para fora do planeta Terra talvez seja uma das maiores demonstrações da capacidade da Ciência de transformar sonhos em realidade. Da literatura de Julio Verne aos projetos de Tsiolkovisk, de uma corrida militar aos laboratórios espaciais com fins totalmente científicos, as espaçonaves tripuladas são agora uma realidade que começa a se tornar cotidiana. Hoje há viagens regulares de pesquisadores para a Estação Internacional e, as vezes, de visitantes que podem desembolsar algums milhares de dólares para a Agência Espacial da Rússia e conhecer este grande complexo orbital. Provavelmente na próxima década o turismo espacial já estará disponível a preços, digamos, menos astronômicos, mesmo que ainda proibitivos para a maioria de nós. ENTRANDO EM ÓRBITA Para se entender como qualquer satélite (seja ele tripulado ou não) é lançado e permanece em órbita da Terra, devemos começar como fez Sir Isaac Newton, o formulador da teoria clássica da gravidade e uma das maiores mentes científicas da história. Na época de Newton havia um grande problema tecnológico relacionado com as Grandes Navegações: como navegar pelos sete mares com precisão? A orientação se fazia pela astronomia, medindo-se a posição das estrelas, dos planetas, do Sol e da Lua a fim de conseguir dados para se realizar uma série de cálculos que permitiriam determinar a posição das embarcações e das novas terras descobertas. Por isso entender o movimento dos planetas e prevê-los era importante. Newton raciocinou que,

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10 AstroNova . N.04 . 2014 soltando-se do alto de uma montanha uma bala de canhão a partir do repouso (velocidade=zero), esta cai em uma linha reta devido ao seu peso. Se o projétil for lançado horizontalmente com uma pequena velocidade, a trajetória de queda passa a ser uma curva, que chamamos de parábola. Quanto maior a velocidade que imprimimos à bala do canhão, mais "aberta" vai se tornando esta parábola, e maior é o alcance do projétil. Acontece que a Terra também é curva e tem forma praticamente esférica. Portanto, para uma certa velocidade, a bala de canhão vai continuar fazendo uma trajetória curva devido ao peso, mas já não alcança mais a superfície da Terra, que também é curva. Permanece assim em uma queda infinita. Quando isto acontece dizemos que a bala de canhão entrou em órbita (figura 1 e 2). O que Newton concluiu com este raciocínio é que aquilo que mantém a Lua na órbita da Terra e o que faz os corpos caírem são expressões diferentes de uma mesma força: o peso. Embasado na herança matemática que Galileu Galilei deu ao método científico, à concepção heliocêntrica de Copérnico e as três leis planetárias de Johanes Kepler, Newton desenvolveu toda uma matemática (o Cálculo) para demonstrar sua nova teoria e entendeu que não só o movimento da Lua em torno da Terra, mas também os planetas em torno do Sol obedecem o mesmo princípio. E que, enfim, sua Lei da Gravidade vale para todo o universo. Pois bem, para colocar qualquer objeto em órbita é necessário então que este objeto atinja a altura desejada na velocidade correta. Esta é a função dos foguetes propusores (figura 3, 4 e 5). Eles substituem tanto a altura de nossa hipotética montanha quanto o canhão de nosso exemplo. h v ov 1v 2 v 3 v 4 v=0 m/s o << < < h h h h Figura 1 Figura 4 Figura 2 Figura 3 Figura 5

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Cápsula espacial MERCURY Mercury: os EUA entram na corrida espacial Em maio de 1961, os EUA lançam a Mercury, uma minúscula cápsula que levou seu primeiro astronauta, John Gleen, a um vôo orbital que deu três voltas na Terra. A Mercury foi lançada de um foguete Atlas, tinha massa de 1.900 kg, media 3,51m de altura e 1,89m de diâmetro, com volume interno de 1,7m³. Retornou com o astronauta em um sistema de pára- quedas, caindo no oceano Atlântico, onde a equipe de resgate aguardava. Houveram mais quatro lançamentos de cápsulas Mercury, o último deles em maio de 1963, onde o astronauta Gordon Cooper permaneceu 34 horas em órbita. 13 Lara Susan 3 premiações no concurso de Astrofotografia do 11º EPAST 11 O PASSADO Vostok, a pioneira A primeira espaçonave tripulada veio da União Soviética. Era a Vostok. A AstroNova . N.04 . 2014 bordo, um jovem cosmonauta que se tornou o primeiro humano a ir ao espaço: Yuri Gagarin. "A Terra é azul", disse em órbita. A pequena cápsula Vostok tinha 2.460kg, mas o sistema completo (escudo térmico, equipamentos, etc) chegava 4.700kg. Tinha um comprimento de 5m e diâmetro interno de cerca de 2m. Partiu no topo de um foguete Semiorka em abril de 1961. A Vostok deu uma volta em torno da Terra. Retornou com um sistema de pára-quedas. Antes do pouso lançou o cosmonauta Yuri Gagarin para fora, ainda a 7km de altura, que também chegou ao solo com um sistema de pára-quedas. A sexta e última versão da Vostok levou a primeira mulher ao espaço, a cosmonauta Valentina Tereshkova, em 1963. Cápsula espacial VOSTOK Voskhod Em 1964 a União Soviética entra com a sua segunda geração de espaçonaves tripuladas: a Voskhod. Era uma versão melhorada da Vostok. Podia levar até 3 cosmonautas. Tinha uma massa de 5.600kg. Em março de 1965 o cosmonauta Aleksei Leonov tornou-se o primeiro humano a realizar uma "caminhada espacial" a bordo da Voskhod 2. Flutuou para fora da nave durante dez minutos. Permaneceu ligado à nave por um cabo conectado ao seu traje espacial. As naves Voskhod eram lançadas do topo de um foguete com o mesmo nome, uma versão mais potente que seu antecessor. Gemini Em 1965 a Nasa apresenta a Gemini, um progresso em relação à Mercury. Nela dois astronautas poderiam estar a bordo. A primeira missão com a cápsula Gemini foi lançada em março daquele ano. Foi com esta nave, de 3.850kg e 8,3m por 5m, que o astronauta Edward White fez uma caminhada espacial. Cápsula VOSKHOD Cápsula GEMINI

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AstroNova . N.04 . 2014 12 Escuto térmico Células de combustível Tanques de O 2 Antenas de alto ganho Motor principal Módulo de pouso Módulo orbital PROJETO APOLO Apollo Foram nas históricas cápsulas Apollo que os seres humanos pisaram em outro astro: a Lua. Com capacidade para três astronautas no módulo de comando (em formato cônico), acoplado ao módulo de serviço, formavam o módulo orbital. O módulo lunar, feito para efetivamente pousar na Lua, levava dois astronautas. O terceiro astronauta aguardava o retorno do módulo lunar ficando em órbita de nosso satélite natural. Foram 6 missões Apollo que chegaram à Lua: da 11 à 17. A Apollo 13 sofreu danos decorrentes da explosão de tanques no módulo de serviço e não pode pousar na Lua. A Apollo 18 foi cancelada e as anteriores foram testes preliminares, incluindo circunavegação da Lua, mas sem pouso em sua superfície. É interessante notar que apenas em uma das missões à Lua, a Apollo 17, que um cientista esteve a bordo: o geólogo Harrison Schmitt. Ônibus Espacial Sem dúvida a espaçonave mais famosa de todos os tempos. Contava com uma cabine frontal para os astronautas e um compartimento de carga. A nave parece um "avião- foguete" preto e branco, com 37 metros de comprimento, 17 metros de altura e asas triangulares de 23 metros de base. Os tripulantes ficam numa cabine pressurizada dianteira, que suporta até sete astronautas e possui 74 3 m de volume interno dividida em dois andares. O compartimento de carga tem 18 metros de comprimento e 4,5 metro de altura, com um teto que abre-se por duas portas compridas de uma ponta a outra deste compartimento. Pode carregar 26 toneladas de carga ao espaço, mas não pode superar 14 toneladas na reentrada à Terra.

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AstroNova . N.04 . 2014 13 Foram cinco ônibus espaciais funcionais, fabricados nos Estados Unidos e utilizados pela Nasa de 1982 até 2011: Atlantis, Challanger, Columbia, Discovery e Endeavour.Em 1986 o Challanger foi perdido em uma explosão durante seu lançamento. Seus 7 tripulantes morreram. Em 2003 o Columbia foi destruído na reentrada, depois de cumprir uma missão de uma semana da Estação Espacial Internacional. O programa dos ônibus espaciais foi encerrado em 2011. O PRESENTE: A COSMONAVE SOYUZ Atualmente apenas a nave russa Soyuz (União, em russo) está operando para viagens espaciais disponíveis para astronautas de diferentes nações. A nave Soyuz foi criada na ex-União Soviética em 1967, como parte de um projeto para a ida dos russos à Lua. O feito nunca se concretizou, mas o aparelho mostrou-se muito versátil para as mais variadas expedições espaciais. A Soyuz leva até três cosmonautas e é lançada por um foguete de mesmo nome. A Soyuz passou por uma série de atualizações desde 1967, mas continua basicamente com o mesmo design, que consiste de três partes: !Um módulo orbital esférico !Um aerodinâmico e compacto módulo de reentrada; !Um módulo de serviço cilíndrico, com painéis solares acoplados e sistemas de propulsão. CHINA O pujante programa espacial chinês conta com uma espaçonave tripulada chamada Shenzhou (nave divina). Ela é na verdade uma variação da russa Soyuz, com algumas adaptações para as missões espaciais específicas dos chineses. Provavelmente é com a Shenzhou que os chineses irão à Lua. Espaçonave russa Soyuz, fotografada pelos astronautas na Estação Espacial Internacional Referências: Astronomia e Astronáutica: Ronaldo Rogério de Freitas Mourão. Propulsão e Controle de Veículos Aeroespaciais: Emerson Paubel Nasa: www.nasa.gov ESA: www.esa.int Roscosmos: www.roscosmos.ru

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SOL, por LUCAS SOUZA 04/2012 Telescópio 150mm F/D5 com teleconverter 2x Filtro Baader Camera EOS Rebel Xsi (450D) Iso800 1/160s ASTROFOTOGRAFIAASTROFOTOGRAFIA 14

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METEORÍTICA O QUE É METEORÍTICA? Rodrigo Sato meteoritos@spacerocks.com.br Chama-se METEORÍTICA a ciência que estuda os meteoritos e outros corpos correlatos em relação a sua origem, composição e classificação. Evidências de avistamentos de quedas de meteoros existem desde a Pré-história e se considerarmos os registros rupestres como pinturas em cavernas podemos encontrar evidências com mais de 5.000 anos de idade. Não seria de se espantar se populações primitivas inteiras se apavorassem de repente com uma gigantesca bola-de-fogo, brilhante como um sol, seguido por um estrondo hipersônico cruzando os céus de maneira nunca vista; se uma imagem dessas ainda hoje causa espanto, em uma época em que a ciência já desvendou grande parte desses enigmas, imaginem o que esses povos primitivos não teriam pensado ao vê-la. Alguns Meteoritos foram encontrados em regiões nitidamente fora de seus locais de queda e seguramente foram usadas como peças de adoração ou de grande importância como fonte de metal, pois provavelmente tiveram suas quedas avistadas e foram considerados objetos divinos, como podem ser vistos em alguns casos abaixo: 1. Meteorito Winona descoberto em um agrupamento humano pré- colombiano próximo a Elden Pueblo, em 1928, sob um pequeno nicho feito de rochas planas. 2. Peças feitas com ferro meteorítico no povoado de Hopewell, EUA, de uma cultura que viveu entre 400AEC a 400EC; 3. Várias tribos norte americanas cultuam ainda hoje fragmentos do Meteorito Siderito Canyon Diablo que produziu uma das mais espetaculares crateras do planeta. 4. O Meteorito Willamette é cultuado como divino pela Tribo Clackama do Estado do Oregon, EUA, sendo que muitas de suas armas e pontas de flechas foram feitas com fragmentos deste O QUE É METEORÍTICA? 15

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meteorito. 5. Esquimós já usavam facas e arpões feitos com fragmentos do Cape York no início do séc. XIX na Groelândia, este fato levou a descoberta da massa principal. Várias tribos ao redor do mundo veneravam meteoritos sobre a epítome do sacro, e são encontrados registro muito semelhantes na Groelândia, Tibet, índia, Mongólia, Norte América e Austrália. Pela natureza de alguns meteoritos como os Sideritos que são compostos essencialmente por Ferro e Níquel, fizeram com que esse tipo de achado fosse na antiguidade algo especial, pois são raras as formações ferríferas puras no mundo. Por isso não seria de se 16 AstroNova . N.04 . 2014 duvidar que a indústria metalúrgica primitiva usasse esse tipo de material nas primeiras civilizações com domínio sobre os metais, principalmente as do crescente fértil. HISTÓRIA DA METEORÍTICA NA EUROPA Antiguidade Anaxágoras de Clazômenas (500 a.e.c - 428 a.e.c), já discorria sobre a natureza cósmica de alguns tipos de rochas. Observou que alguns tipos de meteoritos possuiam frações metálicas fundidas, então deduziu que esses poderiam ser fragmentos do sol. Na grécia essas estranhas rochas negras eram chamadas de Bethyl  ou Baitylia , nome que veio do hebraico Bethel  ou Beth- el , que significa residência/casa de deus . Algumas referências a essas Bethyl  são encontradas em Troia, Éfesos, Emesa, Delphi e em muitas outras regiões da grécia antiga. Plínio, o Velho (23 a.e.c 79 e.c), discorre sobre alguns meteoritos adorados em alguns Templos antigos e fala sobre uma previsão feita por Anaxágoras em 465 a.e.c sobre um fragmento do sol  que cairia em Aegos Potamo, distrito da Tracia, e que teria se confirmado. Na Roma antiga encontram- se relatos do historiado Titus Livius que nos fala de um meteorito avistado em Pessinunt, região da Frígia, que apresentava um formato cônico e ficou conhecido como A Agulha de Cibele", a deusa Frígia da fertilidade. Após a dominação romana na Frígia, o meteorito teria sido levado para Roma e lá teria permanecido por mais de 500 anos até desparecer. Aliás, praticamente nenhum desses meteoritos sacros  sobreviveu até nossos dias, restando conhecida apenas a rocha negra de Paphos, em Chipre, onde é venerada Meteorito Winona em seu nicho de rochas Rocha negra de Paphos

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17 desde 1.300 a.e.c e apareceu em dezenas de moedas cunhadas na antiguidade, principalemente pelos Imperadores Romanos Caracalla, Trajano, Drusus, Vespasiano. Hoje ela encontra-se no Museu Nacional de Nikosia Chipre. Porém nunca foi permitido o seu exame, e sua superfície por ter sido durante séculos manuseada, está gasta. Em um exame feito visualmente por Norbert Classen, um renomado e experiente colecionador, durante uma visita sua ao Museu de Nikosia, em abril de 2006, constatou não ser magnetico, pois teve a oportunidade de aproximar um forte imã da qual não houve reação, ou seja, a rocha já não poderia pertencer à grande maioria dos Meteoritos existentes, pois a maior parte possui alguma fração de ferro metálico em sua composição. Classen também pode examinar a superfície atrás de indícios como Côndrulos, fraturas de impactos ou qualquer indício que pudesse indicar uma origem meteorítica a rocha negra de Paphos , mas nada encontrou, chegando a conclusão que ao menos visualmente, a rocha é na verdade um pedaço de Andesito, rocha vulcânica extrusiva comum. Se um dia a rocha negra de Paphos  foi um meteorite, provavelmente foi trocada por uma roha comum a muitos séculos, o que é perfeitamente possível, tendo em vista a idade da descoberta e a sua natureza sacra . Idade Média Na Idade Média da Europa, temos poucos relatos relativos a meteoritos porque nessa época se disseminou uma ideia de que meteoritos seriam maus presságios e essa ideia teria sido difundida por um clero sem nenhum conhecimento científico e calcado em superstições e medos tolos criados por eles mesmos para dominar uma massa de camponeses sem terras oriundos do fim do Império Romano. Existem relatos que ao ver um meteoro ou bólido, os camponeses gritavam Amém  ou deus me ajude , como forma de apaziguar a Ira divina . Há um relato de um famoso médico árabe residente em Córdoba Espanha, de nome Abul Walid Muhammad Ibn Achmed Ibn Mohammad Ibn Ruschd ou simplesmente Averroes , (1.125 e.c 1.198 a.e), que descreve um meteorito de cerca de 40,0- 45,0 kg, da qual ele teria feito uma espada. Na próxima edição trataremos da história da meteorítica da Europa na Idade Moderna. Exemplos de moedas romanas do Imperador Caracalla (198-217 e.c) onde aparecem a rocha sagrada de Paphos. AstroNova . N.04 . 2014

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PLÊIADES, por MATHEUS CASTANHEIRA 08/2013 ASTROFOTOGRAFIAASTROFOTOGRAFIA 18

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19 O uso das tecnologias O uso das tecnologias no ensino da ASTRONOMIA no ensino da ASTRONOMIA Alline Alves alline_alvesuem@hotmail.com Murilo Ferro muriloferro@gmail.com É cada vez mais fácil percebermos em vários segmentos da sociedade, inclusive na escola, um número crescente de adeptos ao uso de várias tecnologias da informação. Objetos como notebooks, tablets, smartphones e telefones celulares são cada vez mais comuns, mesmo que não utilizados para a aprendizagem, nas salas de aula. As TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação) correspondem a todas as tecnologias que interferem na vida dos seres. O uso dessas ferramentas vem sendo debatido de forma intensa em todos os segmentos do conhecimento humano, como na indústria, comércio, no setor de investimentos e na educação, sendo representada pelos novos meios de ensino a fim de potencializar o processo de ensino e aprendizagem presencial e principalmente a distância. Este debate se deve principalmente ao aparente desinteresse que boa parte de nossos alunos tem demonstrado diante de nossas aulas e que, geralmente, possuem fortes características da educação tradicional, modelo educacional pertencente às gerações anteriores a qual pertencemos e que não atendem mais as expectativas dos alunos atuais. ENSINO DE ASTRONOMIAENSINO DE ASTRONOMIA

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Stellarium, software livre para PC 20 Devido a esse impasse, recaímos em um dilema profundamente debatido e conhecido por todos que estão diretamente envolvidos ao âmbito educacional: a formação inicial, continuada e a prática pedagógica dos profissionais da educação. Diante essa disparidade entre as gerações, o professor de hoje deve se adequar as novas tendências tecnológicas, uma vez que sua formação inicial pode não ter privilegiado o uso de tais recursos e que a realidade educacional atual anseia por profissionais mais flexíveis, reflexivos e que busquem abordagens metodológicas mais dinâmicas para com o processo de ensino e aprendizagem. Quanto mais mergulhamos na sociedade da informação, mais rápidas são as demandas por respostas instantâneas. As pessoas, principalmente as crianças e os jovens, não apreciam a demora, querem resultados imediatos. Adoram as pesquisas síncronas, as que acontecem em tempo real e que oferecem respostas quase instantâneas (MORAN, 2000, p. 20).·. Deste modo, Marques e Caetano (2002) salientam AstroNova . N.04 . 2014 que a utilização da informática pode ajudar os professores em sua prática pedagógica no processo de construção de conhecimentos, propiciando uma maneira diferenciada de se ensinar, tornando o processo mais dinâmico, o que pode auxiliar em novas descobertas e investigações. Santos e Moraes (2003) afirmam que: A educação tem um papel crucial na chamada 'sociedade tecnológica' pois é um dos meios pelos quais os indivíduos serão capazes de compreender e de se situar na contemporaneidade, como cidadãos partícipes e responsáveis. E as novas tecnologias devem ser compreendidas e utilizadas como elementos mediadores para a superação da opressão na sociedade (SANTOS; MORAES, 2003, p.11) É com o auxilio do Stellarium que professores estão levando aos alunos uma nova forma de olhar para o céu. Este programa pode ser baixado em notebooks, tablets e smartphone. O Stellarium é um software livre de astronomia para visualização do céu, nos moldes de um planetário. Com excelente qualidade técnica e gráfica, o programa é capaz de simular o céu diurno, noturno e os crepúsculos de forma muito realista. É capaz ainda de simular planetas, luas,

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