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Acervo textual da Revista AstroNova

Edição 08 — páginas 1 a 20

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Assuntos identificados: espacial, poluição, astronomia, marte, planeta, luminosa, terra, urano, universo, superfície.

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Poluição Luminosa O desafio da Astronomia Amadora Poluição Luminosa O desafio da Astronomia Amadora Ano 02 - Nº 08 - Novembro/2015 REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS Vida em Marte? O que as atuais pesquisas dizem sobre a Vida no planeta vermelho Vida em Marte? O que as atuais pesquisas dizem sobre a Vida no planeta vermelho Tour pelo Sistema Solar Urano, o pai dos titãs Tour pelo Sistema Solar Urano, o pai dos titãs Astronáutica Cinco "quase desastres" no espaço Astronáutica Cinco "quase desastres" no espaço Vida em Marte? O que as atuais pesquisas dizem sobre a Vida no planeta vermelho Vida em Marte? O que as atuais pesquisas dizem sobre a Vida no planeta vermelho Tour pelo Sistema Solar Urano, o pai dos titãs Tour pelo Sistema Solar Urano, o pai dos titãs Astronáutica Cinco "quase desastres" no espaço Astronáutica Cinco "quase desastres" no espaço Poluição Luminosa O desafio da Astronomia Amadora Poluição Luminosa O desafio da Astronomia Amadora A ROCHA QUE ENCONTREI É UM METEORITO? EDWIN HUBBLE E A EXPANSÃO DO UNIVERSO OS PRODUTOS DA TECNOLOGIA ESPACIAL O CÉU COMO UM "GPS" NATURAL

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Em memória de Gisele Moreira

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Chegou a hora de darmos mais uma volta no nosso sistema solar, e também nos confins do universo visível, e apreciarmos o conhecimento que a astronomia nos proporciona. Após sete edições, retornamos com a oitava edição da revista AstroNova, pra fecharmos o ano de 2015 com a sensação de missão cumprida, e já fazendo planos para entrarmos 2016 com muitas atividades, e ampliando os horizontes da revista para trazermos ainda mais conteúdo. Nessa edição trataremos também de um assunto pertinente não só aos apaixonados pelo céu noturno, mas a toda a vida do planeta Terra, que é o problema tão frequente nos dias atuais, da poluição luminosa. É um maravilhoso dossiê dos riscos, do impacto e de como poderemos mudar esse cenário de desperdício e poluição que está tornando os céus em um cinza alaranjado, sem graça e triste. Também pensamos nos inúmeros produtos provenientes da corrida espacial, que estão espalhados nesse momento em sua casa, e que talvez você nem se dê conta. E por falar em corrida espacial, falaremos mais sobre ela também. Assim como não esquecemos também do nosso vizinho Marte, que está nos presenteando com tantas novidades recentemente. E nesse momento de nascimento de uma nova edição, não poderíamos nos esquecer das dificuldades. Esse ano as greves fizeram com que nossos colaboradores (sobretudo os professores) chegassem nesse final de 2015 com muita correria em suas vidas profissionais. Mas nada se compara a perda que tivemos recentemente, onde uma amiga que nos deixou para voltar a ser poeira de estrelas, ficando-nos as saudades. Todos nós da equipe AstroNova desejamos a todos um 2016 repleto de céu limpo, pouca poluição luminosa e muita disposição para noites em claro. Maico Zorzan/CAEH AstroNova . N.08 . 2015 Editores: Maico A. Zorzan maicozorzan@outlook.com Wilson Guerra wilsonguerra@gmail.com Redatores: Cristian Reis Westphal cienciaeastronomia@gmail.com Maico A. Zorzan maicozorzan@outlook.com Rafael Junior eletrorafa@gmail.com Wilson Guerra wilsonguerra@gmail.com Yara Laiz Souza mandesuapautaprayara@gmail.com Revisão: Rafael Junior eletrorafa@gmail.com Arte e Diagramação: Wilson Guerra wilsonguerra@gmail.com Astrofotos: Adriano de Oliveira Augusto César Newton Florencio EXPEDIENTE EDITORIAL Capa Nebulosa Soul apod.nasa.gov/apod/ap151029.html Maico Zorzan CAEH

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SUMÁRIO Tour pelo Sistema Solar URANO, o pai dos titãs 08 11 19 25 Poluição luminosa O desafio da Astronomia Amadora ASTRONÁUTICA Momentos tensos da exploração espacial O céu como um GPS natural ASTRONOMIA DE POSIÇÃO 31 Vida em Marte? Das especulações à Astrobiologia Ano 2 | Edição nº 08 | 2015 37 COSMOLOGIA Edwin Hubble e a Expansão do Universo 41 Meteorítica DESCUBRA SE A ROCHA QUE VOCÊ ENCONTROU É UM METEORITO! 10 NOTÍCIAS METEÓRICAS Astro-resumo rápido da Yara Souza! 42 TECNOLOGIA ESPACIAL Os subprodutos da tecnologia espacial no nosso cotidiano

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Principais Lançamentos do TrimestrePrincipais Lançamentos do Trimestre ASTRONÁUTICA EUROPA/ GUIANA FRANCESA EUROPA/ GUIANA FRANCESA Foguete: FALCON 9 (SpaceX) Carga: SES 9 (satélite de comunicações) Local: Base do Cabo Canaveral Data: dezembro/2015 ESTADOS UNIDOS ESTADOS UNIDOS Foguete: ROCKOT (Roscosmos) Carga: Sentinel 3A (satélite de observação da Terra) Local: Cosmódromo de Plesetsk Data: 10/12/2015 Foguete: VEGA (ESA) Carga: LISA Pathfinder, satélite p/ detecção de ondas gravitacionais Local: Espaçoporto de Kourou Data: 01 ou 02/12/2015 Foguete: ARIANE 5 (ESA) Carga: Intelsat29e (satélite de comunicação 100% digital) Local: Espaçoporto de Kourou Data: janeiro/2016 Foguete: SOYUZ (Roscosmos) Tripulação da Expedição 45S da Estação Espacial Internacional Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 15/12/2015 Foguete: SOYUZ 2.1b (Roscosmos) Carga: Satélites Galileo 11 e 12 / Sistema europeu de posicionamento global) Local: Base de Sinnamary (Guiana Fr) Data: 17/12/2015 RÚSSIARÚSSIA Foguete: FALCON 9 (SpaceX) Carga: Jason 3 (satélite de topografia e oceanografia) Local: Base do Cabo Canaveral Data: dezembro/2015 Foguete: ATLAS 5 (Nasa/ULA) Carga: Cygnus (mantimentos e equipamentos para a ISS) Local: Base do Cabo Canaveral Data: 05/12/2015 Foguete: FALCON 9 (SpaceX) Carga: Dragon (mantimentos e equipamentos para a ISS) Local: Base do Cabo Canaveral Data: 03/01/2016 Foguete: PROTON (Roscosmos) Carga: Progress (mantimentos e equipamentos para a ISS) Local: cosmódromo de Baikonur Data: 19/12/2015 Foguete: SOYUZ (Roscosmos) Carga: Glonass M (satélite do sistema russo de posicionamento global) Local: Base de Plesetsky Data: 29/12/2015 Foguete: ZENIT Carga: Elektro-L 2 (satélite geoestacionário meteorológico) Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 11/12/2015

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Principais Lançamentos do TrimestrePrincipais Lançamentos do Trimestre ASTRONÁUTICA ÍNDIAÍNDIA Foguete: PSLS (ISRO) Carga: IRNSS 1E, satélite de navegação Local: Base de Sriharikota Data: início de 2016 Foguete: H-2A (Jaxa) Carga: Telstar 12V (satélite de comunicação) Lançamento: Centro de Tanegashima Data prevista: 24/11/2015 JAPÃOJAPÃO Foguete: H-2A (Jaxa) Carga: Astro-H (telescópio espacial operando em raios-x) Lançamento: Centro de Tanegashima Data prevista: janeiro/2016 Foguete: VSM-40 (AEB) Carga: SARA, Satélite de Reentrada Atmosférica (vôo suborbital) Local: Centro de Lançamentos de Alcântara Data: 2ª semana de novembro/2015 Foguete: PSLS (ISRO) Carga: TeLEOS 1 (satélite de observação da Terra e do clima) Local: Centro Espacial Satish Dhawan Data: 16/12/2015 CHINACHINA Foguete: LONGA MARCHA 2D (CNSA) Carga: DAMPE (satélite de pesquisas em Matéria Escura) Lançamento: Base de Jiuquan Data prevista: dezembro/2015 Foguete: LONGA MARCHA 3B (CNSA) Carga: LaoSat 1 (satélite de comunicação) Lançamento: Centro de Xichang Data prevista: 21/11/2015 BRASILBRASIL

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Cosmonauta Oleg Kononenko realiza experimentos com cristais líquidos e magnéticos no laboratório Destiny. Cosmonauta Oleg Kononenko realiza experimentos com cristais líquidos e magnéticos no laboratório Destiny. Principais atividades do período (maio a agosto/2015)Principais atividades do período (maio a agosto/2015) Próxima Expedição - Soyuz TMA-19M (15/12)Próxima Expedição - Soyuz TMA-19M (15/12)Tripulação atual - Expedição 45Tripulação atual - Expedição 45 Cargueiro japonês HTV-5 acoplada com sucesso, levando mantimentos e equipamentos. Cargueiro japonês HTV-5 acoplada com sucesso, levando mantimentos e equipamentos. Tripulação realiza experimento conjunto russo-americano sobre fluidos em movimento. Tripulação realiza experimento conjunto russo-americano sobre fluidos em movimento. Astronautas Scott Kelly e Kjell Lindgren realizam caminhada espacial para instalar atualização em sistema de resfriamento. Astronautas Scott Kelly e Kjell Lindgren realizam caminhada espacial para instalar atualização em sistema de resfriamento. Estação Espacial Internacional (ISS)Estação Espacial Internacional (ISS) ASTRONÁUTICA Astronauta Kjell Lindgren substitui peças em equipamento para experimentos com combustíveis. Astronauta Kjell Lindgren substitui peças em equipamento para experimentos com combustíveis. Mais um cubsat lançado do mecanismo fixado no laboratório Kibo. Ao todo foram lançados 16 cubsats para navegação, comunicação e observação da Terra. Mais um cubsat lançado do mecanismo fixado no laboratório Kibo. Ao todo foram lançados 16 cubsats para navegação, comunicação e observação da Terra.

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URANO O pai dos Titãs Da Nasa Outrora considerado um dos planetas de aspecto mais ameno, Urano revelou-se um mundo dinâmico, com algumas das nuvens mais brilhantes do sistema solar exterior e 11 anéis. Urano recebe sua cor azul- esverdeada do gás metano acima das camadas de nuvens mais profundas (o metano absorve a luz vermelha e reflete a luz azul). Urano foi descoberto em 1781 pelo astrônomo 0508 William Herschel, que no início pensou tratar-se de um cometa. Esse sétimo planeta do Sol está tão distante que leva 84 anos para completar uma órbita. Urano é classificado como um planeta "gigante gasoso", porque não tem superfície sólida. A atmosfera é composta de hidrogênio e hélio, com uma pequena quantidade de metano e vestígios de água e amônia. O grosso (80% ou mais) da massa de Urano está contido em um núcleo líquido extenso, que consiste basicamente em materiais "gelificáveis" (água, metano e amônia), com material de maior densidade nas profundidades. Em 1986, a Voyager 2 observou marcas tênues de nuvens nas latitudes meridionais, deslocando-se para oeste entre 100 e 600 quilômetros por hora. Em 1998, o Telescópio Espacial Hubble observou até 20 nuvens brilhantes em diversas altitudes da atmosfera de Urano. As nuvens brilhantes provavelmente são formadas Um Tour pelo Sistema Solar SISTEMA SOLAR

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por cristais de metano, que se condensam como bolhas de gás quente que sobe das profundezas da atmosfera de Urano. Urano se desloca ao redor do Sol com seu eixo de rotação quase horizontal em relação ao plano elíptico. Essa orientação incomum pode ser conseqüência de uma colisão com um corpo de dimensões planetárias no início de sua história, o que parece ter modificado radicalmente a rotação de Urano. O campo magnético do planeta é incomum, pois seu eixo magnético tem uma inclinação de 60° em relação ao eixo de rotação, e está deslocado do centro do planeta em um terço de seu raio. Distância do Sol: 2.870.972.200 km 4 Raio equatorial: 2.5559 x 10 km 13 Volume: 5.9142 x 10 km³ 25 Massa: 8.6849 x 10 kg 9 Área: 8.1156 x 10 km² Gravidade: 8,43 m/s² Temperatura: -216 °C Atmosfera: hidrogênio (83%), hélio (15%), metano (2%) URANO: dados mais relevantes Urano está tão distante do Sol que, embora inclinado para um lado e experimentando estações que duram mais de 20 anos, as temperaturas nos lados verão e inverno do planeta não diferem muito. Próximo ao topo das nuvens, a temperatura de Urano é de cerca de -215° C. Os anéis de Urano foram descobertos em 1977. Estão no plano equatorial do planeta, perpendiculares a sua órbita ao redor do Sol. Os dez anéis externos são escuros, finos e estreitos, enquanto o 11º fica por dentro dos outros dez e é amplo e difuso. Os anéis de Urano são muito diferentes daqueles que envolvem Júpiter e Saturno. Quando visto com o Sol atrás dos anéis, pode-se distinguir uma fina poeira que se espalha por todos. Urano recebeu o nome de um antigo deus grego do céu. Ele tem 22 luas conhecidas, cujos nomes vêm principalmente de personagens das obras de Shakespeare e Alexander Pope. Miranda é a lua mais estranha de Urano. Seus altos penhascos e vales sinuosos talvez indiquem um derretimento parcial do interior, com material gelificável escorrendo ocasionalmente para a superfície. www.nasa.gov Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves O sistema de anéis de Urano é escuro e fino, exceto pelo mais interno, que é espesso, porém difuso 09 AstroNova . N.08 . 2015

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Mars Reconnaissance Orbiter - MRO, e Curiosity Rover A missão MRO foi lançada pela Nasa em 12 de agosto de 2005 e tem como principal objetivo procurar por evidências de água em Marte. O MRO analisa imagens com super zoom, minerais, traça a quantidade de poeira na atmosfera e monitora o clima global diariamente. O Curiosity Rover é o simpático robô que está em solo marciano e, além de nos enviar selfies e cartões postais, também ajuda na análise geografia, geológica e fotográfica do planeta vermelho. O robô trabalha com o princípio de que a história da geologia e do clima no planeta está escrito nas rochas e no solo  em sua formação, estrutura e composição química. Além disso, seus estudos envolvem a detecção de blocos de construções químicas da vida em Marte, além da avaliação de como era o planeta no passado. Competição entre planetas 2015 irá entrar para o ano da ciência por diversas razões. Entre elas, estão as descobertas envolvendo Plutão e Marte, que tem sido um verdadeiro prato cheio para os amantes da astronomia e uma corrida para os pesquisadores. A importância de cada descoberta significa compreender melhor o nosso sistema solar. T AMEEÓRICST AMEEÓRICST AMEEÓRICS YaraYara Laiz SouzaLaiz Souza NotíciasNotícias POR:POR: Evidências de água líquida A Nasa convocou a mídia para anunciar que o MRO forneceu evidências de que água líquida corre no planeta vermelho. Usando um espectrômetro de imagem, os pesquisadores detectaram minerais hidratados em estrias escuras, que parecem ser fluxo e refluxo de água ao longo do tempo. Ao que tudo indica, a água flui durante as estações quentes e desaparece nas estações frias. Lagos antigos O robô Curiosity, juntamente com a equipe que trabalha na analise das informações que ele envia de Marte, confirmou que, há bilhões de anos atrás, Marte abrigou lagos em sua superfície. Os dados mostram que a água ajudou no depósito de sedimentos na cratera Gale, onde o robô está há três anos. Os sedimentos depositado em camadas formam a base do monte Sharp, encontrado no meio da cratera. Vidro em Marte O MRO detectou a presença de depósitos de vidro dentro de crateras de impacto em Marte. Esses depósitos podem fornecer uma janela sobre a possibilidade de vida no passado do planeta. Aqui na Terra, pesquisas já mostraram que evidências de vidas passadas preservadas foram encontradas em vidro impactado.

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New Horizons A missão New Horizons foi lançada em 19 de janeiro de 2006 com o objetivo de fazer o primeiro reconhecimento do planeta Plutão, além de ajudar na compreensão dos mundos na borda do sistema solar e se aventurar no misterioso Cinturão de Kuiper. Ele fez o reconhecimento de Plutão e suas luas no dia 14 de Julho de 2015, quase dez anos depois do seu lançamento. Céu azul e gelo As imagens coloridas da atmosfera de Plutão mostram que as neblinas são azuis por conta da reação de partículas presentes na atmosfera com radiação UV. Uma análise de imagens também mostra várias manchas no solo de Plutão. Segundo os dados, grandes extensões de Plutão não apresentam tais manchas. Os pesquisadores agora tentam entender o que faz essa água aparecer em determinados locais. Eles também esperam encontrar alguma ligação entre a água e os corantes avermelhados no solo do planeta. Mapa de metano O espectrômetro infravermelho da sonda New Horizons mapeou toda a composição do planeta. Os dados mostram uma grande quantidade de metano congelado em diferentes locais. As áreas em roxo mais forte são as áreas com mais metano congelado e as em preto são áreas com menos abundância de metano congelado. Primeira compilação de informações Plutão foi capa da revista Science com a primeira compilação de dados enviados pela sonda New Horizons. Entre os dados curiosos, são suas montanhas com 3km de extensão provavelmente a base água congelada e suas rochas envernizadas por cabono, metano e nitrogênio congelado. O seu 'coração' é fruto de diversos processos geológicos e de resíduos orgânicos chamados thollins, que são formadas por radiação UV ou radiação carregada de partículas de nitrogênio e metano gasos e congelados. Esses thollins são responsáveis pelas colorações que vão do amarelo ao vermelho escuro. Pele de cobra A superfície de Plutão deslumbrou os pesquisadores por apresentar tantas multiplicidades de detalhes de composição e relevo. Apelidada de 'pele de cobra', as fotos são de tirar o fôlego. As imagens também capturaram em alta resolução mais sobre as cores de plutão, detalhes que deixaram os membros da equipe New Horizons atônitos.

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13º ENCONTRO PARANAENSE DE ASTRONOMIA MAIS INFORMAÇÕES EM BREVE 13º ENCONTRO PARANAENSE DE ASTRONOMIA MAIS INFORMAÇÕES EM BREVE 13º ENCONTRO PARANAENSE DE ASTRONOMIA MAIS INFORMAÇÕES EM BREVE 13º ENCONTRO PARANAENSE DE ASTRONOMIA MAIS INFORMAÇÕES EM BREVE

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Rafael Cândido Jr. eletrorafa@gmail.com Sempre que falamos de poluição pensamos quase que invariavelmente na contaminação do ar e da água. Pensamos também que é algo recente na História, ou que, pelo menos, iniciou- se na Revolução Industrial. Sabe-se que há registros de antigas cidades, como Roma, na qual um dos problemas mais graves era a fumaça da queima de lenha nas casas e da sujeira acumulada pelo lixo nas ruas, que dependendo da época do ano demorava a ser incinerado. Neste artigo discutiremos sobre uma poluição que avança ASTRONOMIA AMADORA POLUIÇÃO LUMINOSA O desafio da Astronomia Amadora continuamente e poucos notam o quanto ela é nociva. Definição de poluição A palavra poluição vem do latim poluere, que significa sujar. Define-se como a introdução de substâncias ou energia no meio ambiente provocando efeitos negativos em seu equilíbrio, feita por um agente humano de forma direta ou indireta. Assim, tem-se poluições que são causadas por substâncias: atmosférica, hídrica, do solo, radioativa; e as que são causadas por energias: térmica, sonora, visual e luminosa. E o que é a poluição luminosa? Poluição luminosa é a alteração nos níveis de iluminação do meio ambiente causada pelas fontes de luz artificiais. Um fator importante é estabelecer a diferença entre poluição luminosa e poluição visual. Para estabelecer melhor esta diferença, nada melhor que um exemplo de comparação. Na figura 1, temos a Times Square na cidade de Nova York e na figura 2, temos uma vista do centro de Caxias do Sul. Perceba algumas diferenças nas fotos. 11

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Em ambas as fotos, vê-se um excesso de anúncios. Em ambos os casos temos uma poluição visual muito forte. Entretanto, os cartazes do centro de Caxias do Sul não são emissores de luz (embora possam ser iluminados à noite). Desta forma, a poluição luminosa pode estar ligada à poluição visual, como em letreiros de neon e telões. Porém o contrário nem sempre ocorre, como no exemplo dos cartazes comuns de anúncios comerciais em uma cidade menor ou num subúrbio, temos poluição visual, mas não a poluição luminosa. Os tipos de poluição luminosa - skyglow: é o tipo mais comum nos grandes centros urbanos. Percebe-se bem em noites de céu enevoado, pois a luz artificial lançada para o céu reflete nas nuvens. (Figura 3) - luz intrusa (light tresspassing): Quando a iluminação de um ambiente invade outro, tem-se a luz intrusa. É muito comum quando a iluminação pública invade uma casa e não permite que a mesma fique totalmente escura de noite. (Figura 4) - ofuscamento (glare): Quando há excesso de luz, o observador não consegue distinguir a imagem. Atenuando a luz, tem-se uma melhor observação. Isto acontece muito em locais onde colocam luz muito intensa supondo que isso vai dar uma melhor visão por questões de segurança. - super iluminação (over ilumination): É o uso de luz desnecessária em excesso. (Figura 6) - luz desordenada (light clutter): o agrupamento de Figura 1. Times Square, Nova York. Figura 2. Centro de Caxias do Sul (Fonte: Gazeta de Caxias). AstroNova . N.08 . 2015 1212 Figura 3. Vista de Nova York com o Empire State Building. O céu alaranjado mostra o skyglow nesta foto de longa exposição. A Figura 4 ilustra um exemplo de luz intrusa.

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13 Lara Susan 3 premiações no concurso de Astrofotografia do 11º EPAST 13 luzes em excesso num espaço relativamente pequeno podem gerar confusão e distração de obstáculos. (Figura 7) AstroNova . N.08 . 2015 Quantificação da poluição luminosa Com base em suas observações realizadas entre 1977 a 1994, o astrônomo amador John Bortle (Figura 8) construiu uma escala de avaliação do céu limpo dividida em classes e relacionada ao índice NELM (Naked eye limit magnitude) que define qual o maior valor de magnitude que se pode observar a olho nu. A escala Bortle tem 9 classes, sendo a classe 1 o céu limpo e totalmente escuro, sem nenhuma poluição luminosa e a classe 9 é o pior céu, ou seja, céu urbano de grandes metrópoles. A tabela 1 apresenta as correlações entre as classes da escala Bortle e o índice NELM. Para uma melhor visualização, a figura 9 mostra as variações do céu para algumas classes. Figura 8. John Bortle, astrônomo amador. Figura 5. Diferenças na observação da pessoa presente no portão causadas pelo ofuscamento (glare) do observador devido ao excesso de luz. Foto de George Fleenor. Figura 6. Exemplo de excesso de iluminação. Fato muito comum em época de festas de fim de ano. Figura 7. Exemplo de luz desordenada em Dotonbori, Osaka. Consequências da poluição luminosa - gasto energético: os gastos com iluminação correspondem a 25% dos gastos mundiais de eletricidade. O consumo extra provém principalmente de super iluminação de exteriores e dispersão de luz para o céu. - aumento na poluição atmosférica: Em um estudo apresentado pela União Geofísica Americana descobriu-se que devido à poluição luminosa não ocorre a diminuição da concentração do smog

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AstroNova . N.08 . 2015 1214 atmosférico durante o período noturno. - efeitos na Astronomia: a Astronomia é muito sensível à poluição luminosa. A vista do céu em uma cidade é muito diferente que a vista em um lugar sem nenhuma poluição luminosa. (Figura 10) - destruição de ecossistemas: a poluição luminosa é uma séria ameaça à vida selvagem noturna, tendo impactos negativos na fisiologia de animais e plantas. Dentre os efeitos, tem-se: - confusão na navegação animal (Figura 11) - alteração de interações competitivas - danos fisiológicos - explosão populacional de algas em lagos - interferência em ciclos de abertura de flores - efeitos na saúde humana: Em 2007 a OMS (Organização Mundial da Saúde) cita que a alteração do ciclo circadiano pode ser uma das causas de diversos tipos de tumores. A supressão da melatonina pode causar falhas na recuperação da pele, tecidos neurais e vasculares. Citam- se também os seguintes efeitos: - fadiga visual - mudança na frequência cardíaca - alterações hormonais - ansiedade e insônia Classe BortleTipo de céuÍndice NELM 1 excelente céu escuro7,6 - 8,0 2 céu escuro típico7,1 - 7,5 3 céu rural 6,6 - 7,0 4 transição rural urbana 6,1 - 6,5 5 céu suburbano5,6 - 6,0 6 céu suburbano brilhante 5,1 - 5,5 7 transição urbana/suburbana 4,6 - 5,0 8 céu da cidade4,1 - 4,5 9 céu de metrópole4,0 Tabela 1. Escala Bortle, suas classes e o índice NELM. Figura 9. Visualizações do céu nas diferentes classes da escala Bortle. Figura 10. Constelação de Órion em foto de longa exposição. À esquerda, sem poluição luminosa (deep dark sky) e à direita, visto a partir do centro urbano de Provo/Orem, Utah. Figura 11. Exemplo de confusão na orientação de tartarugas recém eclodidas causadas por luz artificial.

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AstroNova . N.08 . 2015 1315 E então... tem solução? Sim, vamos conhecer algumas das soluções simples. - Utilização de fontes de luz com a intensidade mínima necessária aos seus propósitos. - Evitar lâmpadas de mercúrio, haleto metálico e de LED pois devido à sua luz branco-azulada produzem muito mais poluição luminosa (esta luz dispersa mais pela atmosfera). - Na iluminação pública, luminárias mais eficientes podem direcionar a luz de modo a iluminar apenas onde realmente é necessário. (Figura 12) Ações pelo mundo Existem movimentos pelo céu escuro em vários lugares do mundo e muitos surgiram de associações de Astronomia amadora. Um exemplo de ação é a Hora da Terra, na qual as luzes são apagadas por 1 hora em um determinado dia. Campaign for Dark Skies Grupo antipoluição luminosa do Reino Unido. Auxiliaram o Parlamento inglês na elaboração da legislação sobre a poluição luminosa. www.britastro.org/darkskies Cielo Buio Criada em 1997 na Lombardia, Itália; a partir de uma associação de Astronomia amadora. Suas ações legislativas em províncias italianas levaram países como a Eslovênia e República Tcheca a ter uma Figura 12. Tipo de luminária que direciona a luz, evitando a dispersão para o céu ou as laterais. legislação específica sobre a poluição luminosa. Destaca- se que a República Tcheca foi o primeiro país do mundo a ter uma legislação desse tipo em nível nacional. http://cielobuio.org Association Nationale pour la Protection du Ciel et de l'Environnement Nocturnes (ANPCEN) As ações da ANPCEN se concentram no planejamento da iluminação urbana e rural em aldeias francesas. Além disso, realizam palestras entre estudantes sobre a poluição luminosa. www.anpcen.fr International Dark-Sky Association (IDA) Fundada nos EUA em 1988, a IDA atua diretamente com legisladores, fabricantes, planejamento de iluminação de cidades e administração de parques para prover soluções e informação sobre

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AstroNova . N.08 . 2015 16 a poluição luminosa. http://darksky.org Ações no Brasil Destacam-se duas páginas que informam sobre a poluição luminosa. Uma é do Laboratório Nacional de Astrofísica, que inclusive tem uma apostila muito boa sobre o assunto. Segue o link de acesso: www.lna.br/lp/index.html Outra página é do Luz em Foco, trabalho feito por alunos de graduação do IAG USP, sob orientação da Profa. Dra. Jane Gregorio-Hetem; que foi destaque na Olimpíada USP de Conhecimento. www.iag.usp.br/astronomia/ luzemfoco Conclusão O problema da poluição luminosa a princípio parece algo simples, pode-se pensar que primordialmente só afeta a observação dos astrônomos, sejam profissionais ou amadores. Entretanto, como todas as poluições, percebe-se que o problema é muito grave, afetando ecossistema, saúde humana e consumo de energia. Como visto, muitas das associações de luta pelo céu escuro surgiram de grupos amadores de Astronomia. Assim, o nosso desafio como astrônomos amadores é informar-se, divulgar este assunto ao público em geral e estar presente junto aos seus representantes para a atenuação ou eliminação da poluição luminosa. O desafio está lançado! Seguem dois vídeos sobre o assunto. Borrowed Light, uma animação realizada pela International Dark-Sky Association. www.youtube.com/watch?t- 239&v=YLXKxJccZx0 Entrevista no jornal da Globo News durante o ENAST 2011 realizado em São Paulo. www.youtube.com/watch?v= EX1J9mpELXE Links Resumo breve dos trabalhos de John Bortle (em inglês): www.astroleague.org/conten t/john-e-bortle-2013-leslie- peltier-award-0 Links de artigos de sobre a poluição luminosa: Light pollution and Astronomy: The Bortle dark- sky scale; John Bortle, Sky and Telescope, jul/2006. www.skyandtelescope.com/a stronomy-resources/light- pollution-and-astronomy- the-bortle-dark-sky-scale Our vanisihing night; Verlyn Klinkenborg, National Geographic, nov/2008. http://ngm.nationalgeograp hic.com/2008/11/light- polution/klinkenborg-text Mapa mundial da poluição luminosa: www.lightpollutionmap.info Sobre os problemas ecológicos da poluição luminosa, há uma lista de referências em Escotobiologia (Biologia da escuridão): www.urbanwildlands.org/ni ghtlightbiblio.html Dica de leitura Ecological consequences of artificial night lighting Catherine Rich e Travis Longcore Island Press. Rafael Cândido Jr. é graduado e mestre em Eng. Química pela USP, e doutorando em Eng. Aeroespacial (ITA)

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ASTRONOMIA NA ÉPOCA DAS GRANDES NAVEGAÇÕES Wilson Guerra wilsonguerra@gmail.com Ao se aventurar nos mares, os primeiros navegantes, ainda na antiguidade, se orientavam pelas estrelas. Foi compreendendo o movimento da esfera celeste e sistematizando seu estudo que o céu foi transformado em um "GPS natural". Na época dos descobrimentos, fazer esta leitura do céu para se localizar no globo era tão importante que cada embarcação levava pelo menos um profissional especializado nisso, chamado cosmógrafo. Esses estudos deram origem à Astronomia de Posição. Antes dos sistemas espaciais de posicionamento (o popular aparelho de GPS e similares) todo o nosso planeta foi mapeado com incrível precisão por meio da observação minunciosa do céu. Uma breve introdução de como isso funciona é nosso objetivo nesta matéria. LOCALIZANDO-SE NO MAPA A Terra é praticamente esférica, mas para representá-la em um mapa é mais prático fazê-lo em uma superfície plana. Para localizar um ponto em um plano, precisamos de apenas duas informações. Na Matemática, este é o plano cartesiano, e as informações necessárias para localizar um ponto nele são as coordenadas. O mapa, portanto, é o plano cartesiano, e as coordenadas para localizar um ponto (local) no mapa são as coordenadas geográficas. Para localizar um local no mapa precisamos de duas apenas coordenadas geográficas: a latitude e a longitude (figura 1). ASTRONOMIA DE POSIÇÃO ASTRONOMIA NA ÉPOCA DAS GRANDES NAVEGAÇÕES O céu como um "GPS" natural O céu como um "GPS" natural O céu como um "GPS" natural O céu como um "GPS" natural 19

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EQUADOR (latitude 0º) MERIDIANO DE GREENWISH (longitude 0º) A latitute determina as linhas horizontais: são os paralelos. Por simetria, a origem da latitude (o 'zero') está na linha do equador. Acima do equador está o hemisfério norte e abaixo está o hemisfério sul. Já a longitude determina as linhas verticais: são os meridianos. Por razões históricas a origem da longitude fica no meridiano de Greenwish. Este meridiano "corta" a cidade de Londres no meio. Mas devemos lembrar que essa é a representação plana de uma esfera. Voltando à forma esférica da Terra notamos que as coordenadas geográficas são medidas angulares. Assim latitude parte da linha do Equador e varia de 0 a 90 graus para o norte, e de 0 para 90 graus para o sul (figura 2a). De forma análoga a longitude parte do meridiano de Greenwish e varia de 0 a 180 graus para o oeste (lado esquerdo do mapa) e de 0 a 180 graus para o leste (figura 2b). Com estas duas coordenadas, podemos "varrer" todo o globo terrestre. 20 AstroNova . N.08 . 2015 Equador Meridiano de referência Figura 1 Figura 2a Figura 2b NORTE SUL Latitude norte Latitude sul OESTE LESTE

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