Acervo textual da Revista AstroNova
Edição 17 — páginas 21 a 40
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Assuntos identificados: montagem, estrelas, elementos, instrumentos, aglomerados, astronomia, carga, local, telescópio, sistema.
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21 AstroNova . N.17 . 2018 pesados são sintetizados e se distribuem em camadas, do tipo “cebola” (figura 8). Como o núcleo é sempre mais quente, os novos elementos são sintetizados do centro para fora. Nas estrelas de baixa massa, o aumento da temperatura interna expulsa as camadas superiores para o espaço interestelar, formando as chamadas nebulosas planetárias (figura 9). Para estrelas de grande massa, com mais de 25 massas solares, com sua reserva de “combustível nuclear” quase se esgotando, a estrutura de camadas se configura como na figura 8a. Entre uma camada e outra é onde predominam os processos de fusão e a síntese de novos elementos químicos. Supernova: presente químico para o Universo Diferente das estrelas de baixa massa como o Sol, cujo fim é sinalizado com uma bela nebulosa planetária, as estrelas de grande massa tem um destino bem mais extremo: uma explosão supernova! Como já citado, a partir do Ferro as reações no núcleo da estrela passam a ser endoérgicas (consomem energia ao invés de produzi- la). A pressão resultante de sua temperatura interna começa a perder a queda de braço para o peso da colossal estrela sobre si mesma. O núcleo ou “caroço” passa a ser pressionado pela estrela, que entra em colapso. A matéria mais externa “cai” no caroço, recocheteia e recebe ondas de choque de processos violentos do seu interior. Estas ondas de choque reverberam até as camadas mais superficiais Figura 9: nebulosa Dumbble, a primeira nebulosa planetária, descoberta em 1764 (fonte: Hubble Telescope - NASA/ESA) Hidrogênio e Hélio (H, He) Hélio, Carbono e Oxigênio (He, C, O) Carbono e Neônio (C, Ne) Neônio e Oxigênio (Ne, O) Oxigênio e Silício (O, Si) Silício e Níquel (Si, Ni) Ferro e Níquel (Fe, Ni) Figura 8 A estrutura em camadas com material sintetizado nas estrelas, já quase esgotando seu “combustível” nuclear. Figura 8a - Estrela de grande massa Figura 8b - Estrelas de pequena massa H He H He C
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AstroNova . N.17 . 2018 2022 que iniciam a explosão de supernova. Isso aumenta as temperaturas destas camadas a novas fusões termonucleares ocorrem, denominadas queimas nucleares explosivas. Num processo conhecido de processo-r (”r” de “rápido”), muitos nêutrons são produzidos nas regiões da altas temperaturas do caroço central. Uma sequência muita grande de capturas de nêutrons acontece (mais rápidas que os decaimentos beta). O Ferro no caroço é o principal “combustível” dessas reações. É neste processo extremo e rápido que se produz todo o restante de elementos da Tabela Periódica, até o número atômico do Urânio (Z=92) e provavelmente além dele também! Nesta explosão de supernova toda a matéria química sintetizada no interior da estrela por milhões de anos é expelida para o espaço, enriquecendo quimicamente as nuvens interestelares! Poeira das estrelas Toda a riqueza química expelida pela supernova preencherá nuvens de gás e poeira que formarão outra geração de estrelas. Mas desta vez história é diferente. Com uma diversidade química tão grande, a formação de planetas em torno das novas estrelas poderá ser (e tudo indica que é) inevitável. Novos sistemas planetários se formarão, com planetas tão belos como Marte e outros, quem sabe, com condições semelhantes às da Terra. Nós somos herdeiros de supernovas de mais de 5 bilhões de anos atrás. Os átomos que constituem tudo que vemos, tudo que nos cerca e a nós mesmos vieram do coração de estrelas gigantes. Na Terra essa matéria encontrou condições de expressar uma propriedade muito especial: a Vida. Nossa galáxia está cheia de nuvens interestelares enriquecidas quimicamente por supernovas antigas e atuais. A todo momento estas regiões são reabastecidas, inclusive com a química da Vida. Será que a Vida que presenciamos aqui se formou ou está se formando em outros locais do Universo? É possível, pois não somos só nós que somos feitos da poeira das estrelas. Wilson Guerra é professor. Graduou-se em Física, tem especialização em Astrobiologia e atualmente é mestrando em Educação Científica. Bibliografia: Introdução à Física Nuclear Schechter, Bertulani; Editora UFRJ Astronomia e Astrofísica Oliveira; Saraiva; Livraria da Física Link recomendado: http://astro.if.ufrgs.br/evol/node42.htm A Nebulosa do Carangueijo são os restos de uma supernova ocorrida em 1054. (Fonte: ESO) O sistema Eta Carinae (na verdade um sistema duplo) está prestes a explodir, provavelmente em uma supernova. Muito da matéria das estrelas do sistema já foi ejetada. (fonte: NASA)
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AGLOMERADOS ESTELARES Rafael Cândido Jr. [email protected] O escritor João Guimarães Rosa apresenta em suas obras descrições de eventos astronômicos no linguajar dos sertanejos do interior de Minas Gerais. Dentre elas, destaca-se uma narração presente em sua magnífica obra Grande Sertão Veredas: “Decidi o tempo – espiando para cima, para esse céu: nem o setestrelo, nem as três-marias, já tinha afundado; mas o cruzeiro ainda rebrilhava a dois palmos...” As referências cruzeiro e três-marias são bem conhecidas (espera-se); mas o que é o setestrelo? Seriam sete estrelas? Alguma interpretação poética? Em qual constelação se localiza? À procura de cometas Alguns aglomerados estelares são conhecidos desde a Antiguidade. Porém eram considerados ou um ajuntamento de algumas estrelas ou uma estrela difusa. Nos anos 1750, devido ao esperado retorno do cometa Halley em 1758; iniciou-se uma busca nos céus por cometas. E é aí que começa a trajetória de um auxiliar de astrônomo: Charles Messier. Messier começou sua carreira procurando por cometas, mas nessa procura, ao analisar registros de outros astrônomos verificou que não havia mudança da posição de alguns objetos difusos em relação às estrelas de fundo. Com o intuito de sinalizar em uma carta celeste aquilo que não fosse cometa, Messier iniciou a catalogação desses objetos, os quais foram posteriormente classificados ASTROFÍSICA AGLOMERADOSAGLOMERADOS 23
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AstroNova . N.17 . 2018 24 em nebulosas, galáxias e aglomerados. Estes últimos apresentam-se em três arranjos: globulares, intermediários e abertos. Aglomerados globulares Os aglomerados globulares possuem formato aproximadamente esférico com diâmetro de 10 a 30 anos-luz contendo entre 10.000 a milhões de estrelas muito velhas ligadas gravitacionalmente. Possuem massa entre 1 e 2 vezes a massa do Sol e tem a cor amarela ou vermelha. Porém há aglomerados com presença de estrelas azuis, denominadas estrelas retardatárias azuis, as quais foram geradas nas densas regiões internas do aglomerado. Antes de medidas mais precisas da constante de Hubble com o uso de satélites, como o Hipparcos, estimava-se que as estrelas mais velhas destes aglomerados pudessem ser mais velhas que o Universo, gerando assim um paradoxo. Atualmente sabe-se que estas estrelas formaram a apenas centenas de milhões de anos após o Big Bang. A Via Láctea tem aproximadamente 150 destes aglomerados orbitando o centro galáctico em órbitas elípticas acentuadas. Baseado na distribuição dos aglomerados globulares, o astrônomo HarlowShapley conseguiu estimar a distância do sol ao centro galáctico e sua localização na Galáxia. Dois aglomerados globulares podem ser vistos a olho nu: OmegaCentauri e o Grande Aglomerado Globular de Hércules. Aglomerados intermediários Também denominado aglomerado globular estendido, foram descobertosem 2005 na galáxia de Andrômeda. Tem o aspecto semelhante ao globular, porém com uma densidade muito baixa. Até o momento nenhum deste Charles Messier (1730 – 1817) Aglomerado globular de OmegaCentauri[NGC 5139, GCI 24] (Astronomy picture of the day – 01/05/2013). Aglomeradoglobular de Hércules[M13] (Astronomy picture of the day – 12/05/2017).
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1325 Figura 11 A cratera Herschel, em Mimas. tipo foi encontrado na Via Láctea. Possuem centenas de milhares de estrelas, entretanto seu diâmetro e da ordem de centenas de anos-luz, o que causa densidade muito baixa. Ainda não há uma explicação para a formação deste tipo de aglomerado e também não se sabe por qual razão este tipo de aglomerado se encontra presente em Andrômeda e não na Via Láctea. Estes aglomerados foram denominados M31WFS C1, M31WFS C2 e M31WFS C3. Aglomerados abertos São formados por milhares de estrelas originárias da mesma nuvem molecular gigante, desta forma, todas as estrelas de um aglomerado aberto possuem aproximadamente a mesma idade. A atração gravitacional mútua entre as estrelas deste aglomerado é menor que no aglomerado globular, dado que possui muito menos estrelas e consequentemente é muito menos densa. Com isso, ao aproximar-se de outros aglomerados ou nuvens moleculares gigantes a aglomerado pode ser rompido durante sua órbita em torno do centro galáctico. Como visto, os aglomerados globulares possuem estrelas Aglomerado aberto Alfa Persei, [Mel 20, Cr 39]. Fonte: www.ne.jp/asahi/stellar/scenes/object_e/palpha.htm Foto dos aglomerados estelares abertos Híades (à esquerda) e Plêiades (à direita). As Híades têm formato de V no qual a estrela vermelha Aldebaran aparece na ponta. As Plêiades são um grupo mais compacto. Astrofoto de Akira Fujii. Localização dos aglomerados abertos (star cluster) das Híades e das Plêiades. Fonte: www.thoughtco.com/the-hyades-star-cluster-4025029 AstroNova . N.17 . 2018
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26 muito antigas e por terem uma atração gravitacional mútua alta conseguem permanecer por bilhões de anos. Já os aglomerados abertos, geralmente se mantém por centenas de milhões de anos, somente os mais massivos se mantém existindo por alguns bilhões de anos. São encontrados em galáxias espirais e elípticas nas quais a formação de novas estrelas ainda está ocorrendo. Na Via Láctea até o momento foram encontrados 1100 aglomerados abertos. Como as estrelas constituintes provém da mesma nuvem molecular, os aglomerados abertos têm grande importância no estudo da evolução estelar, pois ao ter a mesma idade e mesma composição química, suas propriedades como distância, idade, metalicidade e extinção são mais facilmente determinadas do que se estivessem isoladas. Os aglomerados abertos das Híades, Alfa Persei e as Plêiades são inclusive vistos a olho nu, e desde a Antiguidade tem motivado historias em diversas culturas. As Plêiades nas culturas Conhecidas desde a Antiguidade, as Plêiades têm as mais diversas representações culturais. Como citado inicialmente, os sertanejos o chamavam de setestrelo, por conta das sete estrelas visíveis muito próximas. Vamos conhecer algumas das mais interessantes mitologias. Entre os indígenas tupi- guarani, seu aparecimento no céu indicava o início de um novo ano. Conforme a lenda, as sete estrelas eram sete crianças que foram abandonadas e se tornaram estrelas. Os astecas a denominavam Tianquiztli, literalmente, a feira; e a usavam também para balizar seu calendário. Conforme a mitologia deste povo, as estrelas representavam uma feira e seus mercadores. Interessante que esta visão é um tanto parecida com a dos incas. A aparição da Qullga, ou seja, o armazém em quéchua, indicava o período de colheita. Na cultura chinesa, são denominadas mao e são os cabelos do tigre branco celeste. Já entre os japoneses são denominadas subaru, que significa ajuntar-se; sendo este nome inclusive o de uma empresa japonesa cujo logotipo tem apenas 6 estrelas, porém o significado não é astronômico, foram 5 empresas que se juntaram em uma. Vínculos com a agricultura também aparecem no idioma sesotho do sul da África. A expressão Seleme se setshehadi significa mulher que planta porque a aparição do agrupamento no céu está ligada ao período da colheita. Aglomeradoaberto das Plêiades [M45] (Astronomy picture of the day – 19/10/2016). AstroNova . N.17 . 2018
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Os vikings e os magiares, povo antecessor dos atuais húngaros, tinham uma mitologia semelhante entre si. Os vikings diziam que eram as galinhas da deusa Freyja. Os magiares consideravam que era a galinha com seus filhotes. E na cultura grega, que deu o nome atual ao aglomerado, as Plêiades eram sete irmãs filhas de Atlas e Pleione, são elas: Alcíone, Asterope, Celeno, Electra, Maia, Mérope e Taigete. Todas casaram-se com deuses, exceto Mérope, que se casou com um mortal, por isso seu brilho menor se comparado com as irmãs. A representação mais antiga das Plêiades foi descoberta no Disco de Nebra, que data de 1600 a.C. Encontrado na cidade de Nebra na Alemanha, o disco da idade do bronze apresenta a Lua, a barca onde o Sol era carregado entre os lados indicando nascente e poente e as sete estrelas que formam as Plêiades. Rafael Cândido Jr. é membro fundador do grupo Arcturus. É graduado e mestre em Engenharia Química (USP) e doutorando em Engenharia Aeroespacial (ITA). 1327 AstroNova . N.17 . 2018 As Plêiades, pintura simbolista de ElihuVedder, 1885. As principais estrelas das Plêiades e suas denominações. Atlas e Pleione são os pais das sete irmãs. Disco de Nebra (Museu Pré-Histórico de Sachsen-Anhalt, Alemanha)
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Educação científica 24 horas por dia! Biologia, Ecologia, Geologia, Astronomia, Evolução, Genética e muito mais! Educação científica 24 horas por dia! Biologia, Ecologia, Geologia, Astronomia, Evolução, Genética e muito mais! www.facebook.com/academiadecienciasnaturaiswww.facebook.com/academiadecienciasnaturais Academia de Ciências Naturais Academia de Ciências Naturais Academia de Ciências Naturais Academia de Ciências Naturais
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Lua sob núvens Astrofotógrafo: Sérgio Mendonça Jr. Fazenda Cainã/São Luiz do Purunã - PR 26/02/2018
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ARTE E CIÊNCIAENTREVISTA 30 Instrumentos Astronômicos Instrumentos Astronômicos GRUPO 1) Como começou o grupo Instrumentos Astronômicos? Consideramos o Instrumentos Astronômicos como um dos muitos frutos de um processo iniciado no ano 2006, em Medellín, Colômbia: as Aulas Taller. Estes espaços de formação, onde se abordam as ciências a partir de material e experiências concretas, permitem aos estudantes de educação básica e superior compartilhar com professores ao redor de um tema de interesse. Inicialmente foram criadas Aulas Taller nas universidades públicas e posteriormente nas escolas, onde fomos atraídos por sua metodologia diferenciada que gera paixão por aprender e compartilhar saberes. Depois de termos nos formado em nossos cursos universitários, continuamos com o desejo de trabalhar e estudar a astronomia a partir da história, do mesmo jeito que tínhamos feito nas Aulas Taller: a partir da reconstrução de observatórios solares antigos e de instrumentos astronómicos pre- telescópicos. No ano 2013 viajamos a Brasil, e em parceria com a UFSC, SESC, CNPq e a oficina do aprendiz se desenvolveram os projetos de extensão: “A Astronomia e Física vao à escola e à Comunidade” e “Observar e experimentar: astronomia e física ao alcance de todos”, onde se hibridaram a metodologia da oficina do aprendiz com a das Aulas Taller, gerando uma didática de ensino-aprendizagem focada no diálogo e na mediação, e criando um novo e atrativo acervo em madeira de instrumentos astronómicos históricos e GRUPO
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31 AstroNova . N.17 . 2018 brinquedos físicos. Viajamos com estes instrumentos em forma de exposição itinerante pelo estado de Santa Catarina e pela rede de escolas públicas de Florianópolis, realizando oficinas, palestras e formação de professores e de mediadores no processo. Posteriormente, no ano 2016 surge a necessidade de estabelecermos como empresa particular, com o objetivo de ampliar o público alvo, visitando outros espaços e assim favorecer a oportunidade para que todos possamos voltar a observar e experimentar. 2) Como divulgam este trabalho? Comumente contatamos diretamente as escolas e outras entidades com as quais queremos trabalhar. Também, por meio de nosso site e fanpage de facebook divulgamos os eventos abertos que realizamos. 3) Quais eventos vocês já participaram? Desde a criação da empresa temos continuado as participações em eventos que já conhecíamos. Temos exposto o acervo de instrumentos em diversos encontros de astronomia no Brasil, Colômbia, Argentina e Chile: Simpósio Catarinense de Astronomia, Encontro Rio-grandense de Astronomia, Simpósio Nacional de Educação em II WDEA – Segundo Workshop de Difusión y Enseñanza de la Astronomía. El Universo en el Museo, Museo de Historia Natural de Concepción, Concepción, Chile. Palestra Instrumentos Astronómicos: una mirada al cielo. Planetario de Chile, Universidad de Santiago de Chile. Congresso da CAP - Commnicating Astronomy with the Public,Medellín, Colômbia. IXV Congresso Bienal da RedPOP – Rede de popularização das ciências, Medellín, Colômbia. Também, celebramos as efemérides como equinócios e solstícios em praças públicas e no planetário da UFSC, aproveitando o evento para replicar os experimentos de antigos astrônomos, como a medida da circunferência da terra por Erastóstenes ou o cálculo da latitude do lugar, Projeto: “A Astronomia e Física vão à escola e à Comunidade”. Mediação da esfera armilar, Florianópolis, Brasil 2014. “Aula Taller Arquimedes” da Universidade Nacional de Colômbia, visitando o Colegio San José de la Salle, Medellin, 2014.
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32 AstroNova . N.03 . 2014AstroNova . N.17 . 2018 medida a partir da altitude solar. Fazemos públicos estas efemérides, compartilhando a fascinação pelo céu, reconstruindo a história e dialogando sobre conceitos a partir de problemas concretos. Também, temos observado eclipses, como o eclipse solar do 26 de fevereiro do 2017 na Patagônia! 4) Que tipos de instrumentos vocês constroem? Em nossa caminhada temos nos focado nos instrumentos pre-telescópicos, pelo que redescobrimos e reconstruímos os instrumentos desenvolvidos pelas distintas civilizações antes da aparição e uso do telescópio refrator. Como instrumento principal temos a Esfera Armilar copernicana, artefato muito apropriado para o ensino dos principais elementos astronómicos: os pontos cardeais, os trópicos e o equador celeste, assim como de eventos astronômicos: nascer e pôr do sol, as estacoes, e as temporadas de chuva e seca em diferentes locais do globo. Também construímos astrolábios, diferentes tipos de calendários, instrumentos para medir o horário, observar a lua, etc. 5) Além de instrumentos voltados para a Astronomia, também tem instrumentos didáticos para física? Sim, também temos estudado e reconstruído brinquedos e experimentos históricos da física, como os pêndulos de Galileu Galilei ou a balança de Arquimedes. Os instrumentos facilitam na compreensão de conceitos físicos, astronômicos, geométricos, matemáticos, biológicos, entre outros e sua inter- relação, aproximando o público aos conceitos relacionados com a cinemática e a dinâmica dos corpos. 6) O grupo realiza palestras Palestra no IV Simpósio Catarinense de Astronomia, IFSC Araranguá, 2015. Oficina de construção da Esfera Armilar. Planetário de Medellín, 2016
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33 AstroNova . N.17 . 2018 www.instrumentosastronomicos.com sobre os instrumentos, explicando a utilização, o histórico? Sim, além da celebração das efemérides em espaços públicos e das oficinas nas escolas, expomos os instrumentos a maneira de museu iterativo e realizamos palestras onde abordamos temas específicos apoiados no uso dos instrumentos. Os instrumentos astronômicos históricos e físicos contidos na exposição foram selecionados por seu valor histórico no desenvolvimento das ciências. Levam ao público questionamentos e conhecimentos básicos sobre Astronomia e Física, reforçando a importância dessas ciências para a história de diversas civilizações. 7) Qual o instrumento mais trabalhoso de se fazer? A Esfera Armilar é até o momento um dos instrumentos mais laboriosos de produzir. Embora as peças sejam fabricadas por uma máquina laser, tem bastante trabalho manual, porque na montagem passamos de peças bidimensionais a um modelo tridimensional do céu e a terra. Este é um dos instrumentos que mais temos aperfeiçoado ao longo do nosso trabalho, costumamos dizer que é a “rainha” da exposição, sempre posicionamos ela no meio do acervo. É a que mais gera ricas discussões com o público sobre nosso lugar no mundo e o que observamos no nosso entorno, nos permite enlaçar ideias com muitos outros instrumentos. 8) Como se pode entrar em contato com vocês? Há palestras para escolas ou Universidades? Sim, durante o ano 2016 e 2017 estivemos visitando escolas, prefeituras e universidades no Brasil. Embora atualmente moramos na Colômbia, planejamos continuar o processo no brasil no futuro. No site linkado abaixo se encontra nossa informação de contato e os links para nossas redes sociais e o blog onde podem conhecer mais sobre nossas atividades.A Balança de Arquimedes e o “bicone”, instrumentos de física para compreender os conceitos a torção e o centro de massa.
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Marte Astrofotógrafos: Fábio e Gabriela Carvalho Ribeirão Preto - SP 2016 Marte Astrofotógrafos: Fábio e Gabriela Carvalho Ribeirão Preto - SP 2016
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Nebulosas M42 e Rosetta Astrofotógrafo: Eduardo Ziller Belo Horizonte - MG Dezembro/2017 Nebulosas M42 e Rosetta Astrofotógrafo: Eduardo Ziller Belo Horizonte - MG Dezembro/2017
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36 Maico Zorzan [email protected] A óptica de um telescópio é muito importante, mas mesmo o tubo de telescópio mais caro e preciso não é muito útil se não estiver em um suporte sólido que o aponte com precisão em qualquer lugar do céu noturno. A montagem é tão importante quanto a óptica de um telescópio e deve ser sólida e estável. Se você tiver uma ótima óptica mas sem uma montagem precisa, você ainda não verá muito, porque a imagem no campo de exibição irá saltar e agitar e tornar impossível para você ver qualquer detalhe do objeto alvo. A maioria dos telescópios, especialmente aqueles voltados para iniciantes, incluem uma montagem no kit quando você os compra. Já alguns, especialmente refratores high-end, podem ter apenas anéis de montagem ou placas, o que permite que eles estejam conectados a um suporte que você compra separadamente. Todas as montagens para telescópio podem ser classificadas como alt- azimutal ou equatorial. Vamos dar uma olhada em cada uma delas e em suas variações: Montagem alt-azimutal: Uma montagem alt-azimutal permite que o telescópio mude para cima (altitude), e esquerda-direita (azimute). Com estes dois movimentos, você pode apontar um telescópio para qualquer objeto no céu. Mas um "alt- az", como são chamados, ASTRONOMIA AMADORA MONTAGENS DE TELESCÓPIOS MONTAGENS DE TELESCÓPIOS
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37 AstroNova . N.17 . 2018 não segue o movimento natural do céu. As estrelas e os planetas parecem se deslocar ao redor do céu em círculos centrados sobre uma linha imaginária através dos pólos celestiais norte e sul. Eles seguem um caminho no céu que é uma combinação de altitude e azimute. Então, para manter um alcance montado em alt- az centrado em um objeto celestial, você terá que mover o telescópio em ambos os eixos, o que pode ser incômodo para observação visual e completamente inaceitável para a astrofotografia. Dentre as montagens alt- azimutal, destacamos as montagens dobsonianas e as forqulhas muito usadas em cassegrains. a) montagem dobsoniana A montagem dobsoniana foi proposta pelo astrônomo amador John Dobson. Dobson propôs um telescópio refletor compacto, com montagem azimutal de baixo custo, de fácil construção e fácil de usar. Nesse telescópio, a montagem dobsoniana substituiu o tripé clássico e a montagem é construída com material simples e de baixo custo: madeira tipo compensado, tubos de PVC, outras peças de PVC. O tubo do telescópio também apresentava construção bem simples, é até hoje um projeto muito popular entre os astrônomos amadores. b) montagem forquilha A montagem forquilha também é muito utilizada em observatórios e por astrônomos amadores. Esta montagem possui uma estrutura de dois braços semelhante à letra "U" e o tubo do telescópio é colocado entre esses braços. O tubo faz o movimento de declinação dentro da forquilha e na base dessa estrutura encontra-se o eixo polar e também é onde se fazo movimento de direita- esquerda. Esta montagem pode ser montada em tripés ou em estruturas mais robustas e pesadas como é o caso da montagem chamada disco polar que é usada com mais freqüência em telescópios profissionais e de grande porte. Neste caso toda a estrutura da montagem é Montagem dobsoniana Montagem forquilha
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apoiada diretamente no chão e com isso é preciso deixar o telescópio fixo no local e protegido por uma cúpula ou outro tipo de estrutura. Montagem equatorial: Um suporte mais envolvente, projetado para rastrear o movimento das estrelas, girando um único eixo, é chamado de montagem equatorial. Quando o "eixo polar" de uma montagem equatorial está alinhado ao pólo celeste, os objetos podem ser rastreados com o movimento apenas do eixo polar. Como apenas um eixo precisa ser movido, montagens equatoriais podem ser mais facilmente motorizadas para rastrear objetos celestiais e mantê-los no campo de visão. Claro, para obter um objeto no campo de visão em primeiro lugar, o telescópio ainda deve ser movido em ambos os eixos. Uma montagem equatorial costuma ser um pouco, ou muito mais cara que uma montagem alt-azimutal, mas é uma ferramenta poderosa para mover um telescópio sobre o céu e é indispensável para astrofotografia. Dentre as montagens equatoriais, podemos destacar: a) montagem equatorial alemã A montagem equatorial possui dois eixos ortogonais entre si, ou seja, formando um ângulo de 90 graus. Um desses eixos, chamado de eixo de ascensão reta ou polar, é posicionado de forma paralela ao eixo de rotação da Terra permitindo assim o acompanhamento dos astros por meio de um único movimento. O outro eixo chamado de declinação é colocado perpendicularmente ao eixo polar. Esse tipo de montagem apresenta uma construção bem mais complexa que a azimutal, pois exige grande precisão nos eixos, no sistema de engrenagens e motorização. A montagem deve ser sustentada por uma estrutura bem robusta e pesada como tripés apropriados ou mesmo pedestais fixados ao solo. Para funcionar corretamente a montagem deve apresentar um posicionamento preciso com o eixo polar voltado para o sul (para os países do hemisfério sul) e a inclinação do eixo de ascensão reta correspondente com a latitude no local. Esta montagem também trabalha com círculos graduados (ascensão reta e declinação) que permitem a localização de objetos por meio de coordenadas. b) montagem em chassi A principal característica da montagem equatorial tipo chassi são dois braços AstroNova . N.17 . 2018 38 Montagem equatorial alemã
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paralelos entre si responsáveis pela sustentação de toda a óptica. O tubo é colocado entre os dois braços realizando o movimento de declinação. Nas extremidades dos braços encontramos as estruturas que proporcionam à montagem a inclinação necessária para que o movimento de acompanhamento se processe de forma correta. Essa inclinação é feita de acordo com a latitude do local onde o telescópio é instalado. Por ser uma montagem pesada, complexa e de grandes dimensões a montagem tipo chassi é encontrada com freqüência em grandes observatórios sendo pouco popular entre os amadores. c) montagem em berço A montagem equatorial tipo berço possui muitas semelhanças com a montagem em chassi. Esta montagem também possui os mesmos braços que suportam o tubo e os componentes ópticos. Temos também as estruturas que dão à inclinação ideal para o movimento de acompanhamento. A principal diferença é que este tipo de montagem possibilita a observação de astros próximos ao pólo celeste. Na montagem tipo chassi os dois braços são separados por uma barra que impede de apontar o telescópio para a região polar. Este problema foi resolvido na montagem tipo berço com a colocação de uma barra com forma semelhante a uma ferradura. Um exemplo clássico dessa montagem é o grande telescópio Hale de Monte Palomar. Maico Zorzan é astrônomo amador em membro fundador do Clube de Astronomia Edmond Halley (CAEH). Graduou-se em Matemática pela UEM. 39 AstroNova . N.17 . 2018 Grande telescópio Hale de Monte Palomar. Montagem em chassi
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AstroNova é uma colaboração de estudantes, professores, astrônomos amadores e profissionais para a divulgação de Astronomia e Ciências da Natureza. Tem lançamento trimestral e divulgação pública e gratuita. Disponível em: www.caeh.com.br www.grupocentauro.org/astronova Acompanhe nossa página no Fabebook www.facebook.com/AstroNovaBrasil REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA
