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Acervo textual da Revista AstroNova

Edição 24 — páginas 1 a 20

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Assuntos identificados: elementos, mecanismo, carbono, terra, forma, partir, engrenagens, sistema, foguete, local.

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REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS Ano 06 - Nº 24 - Dezembro/2019 Tour pelo Sistema Solar Titã, a maior lua de Saturno Tour pelo Sistema Solar Titã, a maior lua de Saturno Medicina EspacialMedicina Espacial 150 anos da TABELA PERIÓDICA 150 anos da TABELA PERIÓDICA ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS O CICLO DO CARBONO NA ASTROBIOLOGIA O CONCEITO DE VIDA O Mecanismo de ANTIKYTHERA O Mecanismo de ANTIKYTHERA UM COSMOS PORTÁTIL Pele humana e a radiação UVPele humana e a radiação UV

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Editores: Rafael Cândido Junior [email protected] Wilson Guerra [email protected] Redatores: Júlia Catarina Araújo [email protected] Melissa Gregório [email protected] Vitor André Rodrigues [email protected] Rafael Cândido Junior [email protected] Wilson Guerra [email protected] Arte e Diagramação: Wilson Guerra [email protected] Na última edição de 2019, nós, amantes das Ciências Espaciais, podemos estar presenciando uma nova fase astronáutica: muitas novas naves feitas por empresas e agências espaciais espalhadas pelo mundo devem decolar, mesmo em fase de teste, ainda em dezembro. Certamente 2020 será um ano com desfiles de carros cósmicos. Mas ainda estamo em 2019 e, neste quase fim de década, a AstroNova traz uma matéria sobre um artefato arqueológico que levou quase um século para ser compreendido: o Mecanismo de Antikythera. A matéria feita por mim trata de alguns dos aspectos fascinantes das capacidades preditivas deste aparelho que, até a um tempo atrás, não concebíamos para os antigos. O artigo é uma pequena parte de meu projeto de Mestrado concluído este ano, e que propõe a construição de réplicas didáticas do aparelho. Neste fim de ano o prof. Rafael Cândido nos lembra do aniversário dos 150 anos da Tabela Periódica, essa revolucionária visão sobre os elementos do químico Dmitri Mendeleiv. Melissa Gregório nos traça os desafios médicos de se viver nas estações espaciais, especialmente do efeito das radiações fora da atmosfera sobre a pele humana. Júlia Araújo traz ao leitor uma desafiadora discussão sobre o conceito de Vida na Ciência, algo longe de ser trivial, e Vitor finaliza nossa edição com uma discussão sobre o ciclo do carbono ampliado para as dimensões da Astrobiologia. Mas no início, como sempre, trazemos o resumo de atividades da ISS neste fim de ano e uma agenda bem movimentada dos lançamentos de foguetes previstos nesse trimestre. Uma ótima leitura e boas festas! Wilson Guerra GCAA AstroNova . N.24 . 2019 EXPEDIENTE EDITORIAL Capa: aglomerado de Galáxias da Fornalha Wilson Guerra GCAA Wilson Guerra GCAA Wilson Guerra GCAA Wilson Guerra GCAA Wilson Guerra GCAA Wilson Guerra GCAA Fonte: ESO

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SUMÁRIO Tour pelo Sistema Solar Os anéis de Saturno 08 19 23150 anos da Tabela Periódica Ano 6 | Edição nº 24 | 2019 11 31 A subjetividade do CONCEITO DE VIDA 37 O ciclo no carbono num CONTEXTO ASTROBIOLÓGICO O Mecanismo de Antikythera Medicina Espacial

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Principais Lançamentos do TrimestrePrincipais Lançamentos do Trimestre ASTRONÁUTICA Foguete: Falcon9 (SpaceX) Carga: cargueiro Dragon CRS 19 mantimentos para ISS Local: base do Cabo Canaveral Data: 05/12/2019 Foguete: Atlas 5 (ULA) Carga: cápsula Starliner (Boeing) teste não tripulado Local: base do Cabo Canaveral Data: 17/12/2019 Foguete: Soyuz (RKK Energiya) Carga: cargueiro Progress com equipamentos emantinmentos (ISS) Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 06/12/2019 RÚSSIARÚSSIA ESTADOS UNIDOS ESTADOS UNIDOS Foguete: Proton (RKK Energiya) Carga: Elektro-L 3, satélite geoestacionário meteorológico Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 24/12/2019 Foguete: Rockot (RKK Energiya) Carga: Gonets M, satélite de comunicação Local: Cosmódromo de Plesetsk Data: 25/12/2019 Foguete: Falcon 9 (SpaceX) Carga: conjunto de satélites Starlink2 comunicação e internet Local: base do Cabo Canaveral Data: dezembro/2019 Foguete: Delta 4 (ULA) Carga: GPS 3 Sv03, satélite de posicionamento global Local: base do Cabo Canaveral Data: janeiro/20250 Foguete: Soyuz 2.1b (RKK Energiya) Carga: Glonass M, satélite de sistema de posicionamento global Local: Cosmódromo de Plesetsk Data: 10/12/2019 Foguete: Atlas 5 (ULA) Carga: Solar Orbiter - sonda para estudo do Sol (NASA/ESA) Local: base do Cabo Canaveral Data: 05 ou 06/02/2020 Foguete: Antares (Northrop Grumman) Carga: cargueiro Cygnus com mantimentos e equipamentos (ISS) Local: base da ilha Wallops Data: 07/02/2020

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Principais Lançamentos do TrimestrePrincipais Lançamentos do Trimestre ASTRONÁUTICA ÍNDIAÍNDIA Foguete: PSLV Carga: RISAT 2BR1, satélite polar de observação da Terra Local: base de Sriharikota Data: dezembro/2019 Foguete: Soyuz Carga: CSG 1 - satélite radar, e CHEOPS - telescópio espacial Local: Base de Kourou Data: 17/12/2019 Foguete: Vega 5 (ArianeSpace) Carga: Eutelsat Konnect & GSAT 30, satélites de comunicação Local: Base de Kourou Data: 15/01/2020 EUROPAEUROPA CHINACHINA Foguete: Longa Marcha 5 (CNSA) Carga: Shijian 20, constelação de satélites de comunicação Local: Base Wenchang Data: dezembro/2019 Foguete: Longa Marcha 4B (CNSA) Carga: CBERS 4A, satélite brasileiro de sensoriamento remoto Local: Base de Taiyuan Data: 16 ou 17/dezembro/2019 Foguete: PSLV Carga: RISAT 2BR2, satélite polar de observação da Terra Local: base de Sriharikota Data: dezembro/2019 Foguete: SSLV Vôo de demonstração: foguete para pequenas cargas Local: base de Sriharikota Data: janeiro/2020 Foguete: SSLV Carga: BlackSky Global, satélite comercial de observação da Terra Local: base de Sriharikota Data: 1º trimestre/2020 Foguete: Longa Marcha 3B (CNSA) Carga: Beidou - satélite para sistema de navegação Local: Base Wenchang Data: dezembro/2019 Foguete: Longa Marcha 5 (CNSA) Carga: Chang’e 5, sonda lunar que enviará rochas da Lua para a Terra Local: Base Wenchang Data: 1º trimestre/2020

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Principais atividades - setembro a novembro/2019Principais atividades - setembro a novembro/2019 Tripulação atualTripulação atual ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONALESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL Próxima Expedição - Soyuz MS-16 (09/04/2020)Próxima Expedição - Soyuz MS-16 (09/04/2020) Os astronautas Christina Koch e Andrew Morgan guardam amostras de pesquisas biológicas em um freezer científico localizado dentro do módulo de laboratório Destiny, da NASA. Os astronautas Christina Koch e Andrew Morgan guardam amostras de pesquisas biológicas em um freezer científico localizado dentro do módulo de laboratório Destiny, da NASA. Astronatua Luca Parmitano (ESA) realizando manutenção de rotina. Astronatua Luca Parmitano (ESA) realizando manutenção de rotina. Astronautas Christina Koch e Jessica Meir realizam manutenção e atualização de equipamentos na parte externa da Estação. Astronautas Christina Koch e Jessica Meir realizam manutenção e atualização de equipamentos na parte externa da Estação. Astronauta Jessica Meir trabalha no experimento Veg-04B, que pesquisa a produção de alimentos frescos no espaço. Astronauta Jessica Meir trabalha no experimento Veg-04B, que pesquisa a produção de alimentos frescos no espaço.

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PELA PRODUÇÃO E DIFUSÃO CIENTÍFICAPELA PRODUÇÃO E DIFUSÃO CIENTÍFICA CEARÁ - BRASILCEARÁ - BRASIL

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A maior lua de Saturno, Titã, é um mundo extraordinário e excepcional. Entre as mais de 150 luas conhecidas do nosso sistema solar, Titã é o único com uma atmosfera substancial. E de todos os lugares do sistema solar, Titã é o único, além da Terra, conhecido por ter líquidos na forma de rios, lagos e mares na superfície. 08 Titã é maior que o planeta Mercúrio e é a segunda maior lua do nosso sistema solar. A lua de Júpiter, Ganimedes, é apenas um pouco maior (cerca de 2%). A atmosfera de Titã é composta principalmente de nitrogênio, como o da Terra, mas com uma pressão superficial 50% maior que em nosso planeta. Titã tem nuvens, chuva, rios, lagos e mares - mas não de água, e sim de hidrocarbonetos líquidos, como o metano e a etano. Os maiores mares têm centenas de metros de profundidade e centenas de quilômetros de largura. Há água em Titã, mas sob a forma de gelo, um gelo rígido como rocha, devido às baixíssimas temperaturas. Abaixo da crosta espessa de Um Tour pelo Sistema Solar SISTEMA SOLAR TITÃ A maior lua de Saturno Um Tour pelo Sistema Solar

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gelo de água de Titã, há mais líquido - um oceano composto principalmente de água. A água subterrânea de Titã pode ser um lugar para abrigar a Vida como a conhecemos, enquanto seus lagos e mares de hidrocarbonetos líquidos podem abrigar alguma forma de Vida exótica, que usa uma química diferente da que estamos acostumados - ou seja, Vida que não conhecemos! Mas... Titã também pode ser um AstroNova . N.24 . 2019 09 mundo sem vida. As futuras pesquisas responderão estas intrigantes indagações. Fonte: NASA Tradução: AstroNova Ao centro, Titã fotografado em luz visível Ao redor, imagens feitas por infravermelho. https://solarsystem.nasa.gov/moons/ saturn-moons/titan/overview/

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www.grupocentauro.org Grupo Centauro de Astronomia Amadora Dois Vizinhos - Maringá (PR) Divulgando a Beleza do Universo revelada pela Ciência 4Anos1

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11 Wilson Guerra [email protected] O Mecanismo de Antikythera (ou Anticítera, em português) é um de inúmeros artefatos arqueológicos encontrados no começo do século XX em uma embarcação romana naufragada próximo à ilha grega que deu o nome à máquina. Estudos das inscrições presentes no aparelho apontam que sua construção deve ter ocorrido por volta de 205 AEC. O objetivo e funcionamento do mecanismo só começaram a ser entendidos a partir da metade do século XX, quando imagens de dentro dos fragmentos começaram O MECANISMO DE ANTIKYTHERAANTIKYTHERAANTIKYTHERA HISTÓRIA DA ASTRONOMIA a ser realizadas por meio de radiografias. As imagens mostraram engrenagens internas de bronze, revelando uma sofisticação técnica surpreendente para a época em que a máquina foi construída. Atualmente se sabe que o Mecanismo de Antikythera era uma máquina de concepção geocêntrica composta por um complexo sistema de engrenagens capaz de prever posições celestes, fases da lua, eclipses e calcular calendários. Suas medidas eram similares as de uma caixa de sapatos, o que lhe garantia mobilidade e facilidade de transporte não muito diferente de um "laptop". Sua face frontal apresentava um painel com ponteiros que indicavam posição do Sol e da Lua em relação às constelações. Há indícios de que os cinco planetas conhecidos na época (Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno) também tinham seus ponteiros correspondentes. A precisão do aparelho incluía os movimentos retrógrados deste planetas (epiciclos) e as irregularidades da órbita lunar. A face posterior contemplava dois calendários dispostos em inscrições em espiral e seus respectivos ponteiros indicadores: um correspondia a um calendário anual e outro a UM CÓSMOS PORTÁTIL EM ENGRENAGENS DE BRONZE

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AstroNova . N.24 . 2019 12 um calendário de eclipses. A autoria do Mecanismo poder ser de Arquimedes, mas isto ainda não é consenso entre os pesquisadores. Os fragmentos originais, juntamente com propostas de réplicas modernas da máquina, estão no Museu Arqueológico Nacional de Atenas. A DESCOBERTA Em 1901, quando mergulhadores gregos encontraram uma embarcação naufragada, não se tinha idéia dos tesouros que ali se encontravam: estátuas de mármore e bronze, jóias, moedas, ornamentos. Estima-se que a embarcação (que podia ser um navio comercial ou até piratas), afundou entre 60-50 tempos. Mas quando identificaram a inscrição de uma expressão em grego escrito “raio de Sol”, percebeu-se que se tratava de um dispositivo da antiguidade. As primeiras especulações era que fosse um instrumento astronômico ou náutico usado pelos antigos. Mas as suspeitas de que se tratava de algo muito mais complexo não demoraram a aparecer. AS ENGRENAGENS As surpresas surgiram na década de 1950 quando radiografias feitas pelo pesquisador Karakalos mostraram inúmeras engrenagens de bronze nos fragmentos do Mecanismo. Derek Price lançou um estudo detalhado que revolucionou nossa compreensão sobre esta AEC. Mas o que chamou a atenção era uma peça petrificada que expunha claramente uma grande engrenagem. Chegou-se a pensar que se tratava de um relógio mecânico moderno que, por acaso, caiu no mesmo local de alguma embarcação de nossos Os 82 fragmentos do Mecanismo, que se encontram no Museu Nacional de Atenas. Réplica do Mecanismo de Antikythera, construída por Michael Wright: painel frontal (à esquerda) e painel posterior.

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Haviam cerca de 30 engrenagens de bronze no Mecanismo encontrado no mar, mas conjectura-se mais de 60 originalmente. impressionante máquina, em 1974. Eram ao menos 31 engrenagens de bronze que indicavam a posição do Sol e da Lua em relação às consteções, na parte frontal do aparelho. Na parte de trás haviam dois mostradores em forma de espiral: o superior era um calendário e o inferior, um previsor de eclipses! O CICLO 19x254 O painel frontal do Mecanismo tinha dois círculos concêntricos totalizando cerca de 16cm de diâmetro. O círculo mais externo tinha a contagem dos 365 dias do ano, já usados no calendário egípcio. O círculo interno continha as dose constelações zodiacais, aquelas que são ocupadas pelo Sol durante seu movimento anual aparente. Atualmente o Sol percorre 13 constelações devido a um fenômeno que muda a posição do eixo de rotação da Terra (mas não o ângulo), denominado precessão dos equinócios. Mas na antiguidade as constelações zodiacais eram apenas 12. Na reveladora pesquisa de Derek Solla Price, publicado na década de 1970, o pesquisador propôs que havia um ponteiro que indicava a data e, ao mesmo tempo, mostrava a posição do Sol nas constelações. Outro ponteiro menor indicava a posição da Lua. Havia uma manivela na lateral da máquina conectada a uma engrenagem em forma de coroa com cerca de 48 dentes. Esta por sua vez transmitia o movimento para a grande engrenagem claramente visível no fragmento maior do Mecanismo. Chamada de B1, esta engrenagem devia ter 226 dentes. Rigidamente conectada a ela estava B2, com 64 dentes, e a partir dela o trem de engrenagens principal fazia girar todo o sistema. A relação de transmissão (taxas de rotação) desse trem de engrenagens era composto 1313 AstroNova . N.24 . 2019 O maior fragmento do Mecanismo, chamado de fragmento A (direta), e sua radiografia revelando um complexo sistema de engrenagens (esquerda).

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de tal forma que a cada 19 voltas em B1 produzia 254 voltas no ponteiro lunar. Isto representa exatamente o 19 anos (ciclos siderais solares) por 254 ciclos siderais da Lua, ou mês sideral (figura 1). Desta forma a máquina reproduzia com precisão o ciclo do Sol e da Lua no fundo de constelações! Porteriormente a Price, Michael Wright, engenheiro mecânico e curador de museus de ciência do Reino Unido, descobriu em 2005 mais uma engrenagem de 32 dentes entre D2 e B4, que tinha a função de fazer com que o ponteiro lunar girasse no mesmo sentido do ponteiro solar. AS DESCOBERTAS MAIS RECENTES A partir de 2000, com a técnica da tomografia computadorizada, foram encontrados detalhes nas engrenagens no Mecanismo. Com a técnica de mapeamento de texturas as descobertas mais recentes incluíram inscrições na superfície do fragmento que permitiram entender mais sobre o mecanismo. Ao todo são mais de 3.500 glifos encontrados. Para o pesquisador e matemático Tony Freeth, membro de um grupo de pesquisas internacional do Mecanismo (AMRP - Antikythera Mechanism Research Project), o aparelho já estaria completamente compreendido. Mas nem todos os pesquisadores tem a mesma opinião. Fases da Lua Michael Wright descobriu nos anos 2000 que o Mecanismo de Antikythera tinha um recurso para indicar as fases da Lua: uma esfera giratória metade branca e metade preta que mostrava a fase lunar na data apontada pelo ponteiro do Sol. Wright chegou a reconstruir uma réplica do Mecanismo, em bronze, incluindo o dispostivo e engrenagens da fase lunar. Anomalia lunar Devido a órbita lunar não ser perfeitamente circular, mas se aproxima muito de uma elipse, seu movimento pelo céu em relação às estrelas fixas (constelações) não se dá de maneira regular. Ora o movimento da Lua se acelera, ora desacelera, até completar um ciclo e repetir o movimento. Esta AstroNova . N.24 . 2019 14 Ponteiro lunar B2(64) C1(38) C2(48) D1(24) D2(127) B4(32) Ponteiro solar Fig. 1 Trem de engrenagens principal, que reproduz 254 ciclos lunares siderais a cada 19 anos. O ponteiro solar é ligado a engrenagem B2 e o ponteiro lunar à engrenagem B4. O eixo do ponteiro lunar passa por dentro do eixo do ponteiro solar, que é constituído por um tubo. Uma esfera girante com os dois hemisférios de cores diferentes indicam a fase da Lua. Réplica construída por Michael Wrght.

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15 irregularidade no movimendo da Lua é chamada de anomalia lunar, e é conhecida desde a antiguidade. Tony Freeth percebeu que havia um conjunto de engrenagens no Mecanismo original que eram idênticas em número de dentes, estavam tocadas uma na outra mas com uma pequena descentralização. Uma delas possuía um pino e a outra, uma fenda, de modo que se encaixavam. Assim, a rotação da engrenagem com o pino era transmitida de maneira diferencial para e engrenagem com a fenda: o pino na parte mais externa transmitia um movimento desacelerado, e o pino na posição oposta, ficava na parte mais interna, transmitindo uma rotação mais acelerada (figura 2). O conjunto era construído de tal forma que esse sistema simulava exatamente a anomalia lunar! Este conjunto recebeu o nome de engrenagens epicíclicas, e se mostrou tão promissor que os pesquisadores cogitaram que os ponteiros do painel frontal que representavam o movimento dos planetas poderiam usar uma técnica semelhante (figura 3). As engrenagens para os planetas foram perdidas, mas sabemos que existiram porque as inscrições recuperadas indicam isto, descrevendo inclusive os epiciclos (momentos que o movimento de determinado planeta no céu se “inverte”, visto da perspectiva da Terra). Outra evidência de que haviam engrenagens epicíclicas para os planetas são hastes e orifícios de encaixe nos braços da grande engrenagem B1. OS CALENDÁRIOS Na parte posterior do Mecanismo de Antikytera haviam dois calendários elegantemente dispostos em espiral, com relógios auxiliares na parte interna do layout destes painéis. Calendário Metônico É um calendário lunissolar, ou seja, que leva em consideração tanto o movimento do Sol como da Lua. O calendário judaico é um tipo de calendário lunissoar. Ele distribuía 235 meses sinódicos (período da fase lunar) dispostos ao longo de 19 anos em uma espiral de 5 voltas. Em seu interior haviam dois relógios auxiliares. O Calíptico indicava quando se deveria descontar algum dia da leitura do calendário, o AstroNova . N.24 . 2019 Fig. 2 Sistema pin and slot (pino e fenda) revelado por imagens usando técnica PTM (FREETH, 2013). Fig. 3 Acima: Marte e Júpiter. Abaixo: Saturno e Lua. Os números representam a quantidade de dentes das engrenagens (FREETH, 2013).

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16 AstroNova . N.24 . 2019 que lhe dava uma precisão de séculos. E o Olímpico, que indicava os locais dos jogos Pan-Helênicos, de grande importância cultural para os gregos. Calendário Saros O Saros era um previsor de eclipses. Distribuía 223 meses sinódicos (ciclo de fases da Lua) em 18 anos, período de repetição de ocorrência de eclipses. Era dispostos em uma espiral de 4 voltas. Nele haviam inscrições que indicavam se o eclipse apontado era solar ou lunar. No caso dos eclipses lunares, indicava se ocorreria de dia ou de noite, e se era parcial ou total. Também apontava uma estimativa do horário de ocorrência do eclipse. No interior do layout do Saros havia um relógio auxiliar chamado Exeligmos. Ele indicava se era necessário ou não acrescentar 8h ou 16h na leitura do horário apontado no ponteiro do Saros. O MECANISMO COMPLETO A figura 4 traz a aparência final do Mecanismo: na frente o planetário, com ponteiros indicando Sol, Lua, e os 5 planetas conhecidos na antiguidade (Mercúcio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno). Atrás os calendários Metônico e Saros, com seus respectivos relógios auxiliares. O movimento era iniciado pela manivela lateral “A”. AUTORIA DO MECANISMO DE ANTIKYTERA Escritos de historiadores antigos relatam que Arquimedes estaria trabalhando na construção de uma “magnífica máquina do Cosmos”. Inscrições e datas dos eclipses recuperados indicam que o Mecanismo foi construído por volta de 205 AEC, data compatível com a vida de Arquimedes. O sábio é assim o principal candidato a projetista da máquina. Há possibilidade de que discípulos de uma escola inciada por Arquimedes possam ser os construtores da máquina. Alguns autores apontam a chance de que a construção do Mecanismo deve ser atribuída a Apolônio de Perga ou a Hiparco de Nicéia. Os calendário Metônico (acima) e Saros (abaixo). Fig. 4 A aparência completa do Mecanismo de Antikytera (JONES, 2018)

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1317 AstroNova . N.24 . 2019 ASPECTOS EDUCACIONAIS A encantadora sofisticação do Mecanismo de Antikythera o torna um recurso de potencial educacional, e um meio de engajar estudantes e o público geral para as Ciências e a Tecnologia (tabela 1). Tudo isso o tornou objeto de estudo que culminou em um projeto no âmbito de Mestrado do autor deste texto, resultando na construção de réplicas didáticas simplificadas do Mecanismo. Devido ao alto grau de complexidade da máquina original, as réplicas propostas reproduzem apenas o painel frontal, com ponteiros do Sol, Lua (e um modelo com Mercúrio), sem o conjunto pin and slot. As engrenagens foram feitas em MDF no sistema de corte a laser. O invólucro, em acrílico. A dissertação pode ser obtida em www.pcm.uem.br ou na páginaRecurso de Física. Nesta página também estão disponíveis os arquivos para confecção das engrenagens. Ou neste link alternativo. Wilson Guerra é professor e astrônomo amador. Graduou-se em Física (UEM), tem especialização em Astrobiologia (UEL) e é mestre em Educação Científica (UEM) Referências: BANDEIRA, B;Mecanismo de Anticítera: desvendando seus enigmas, 2014 FREETH, T., Building the Cosmos in the Antikythera Mechanism, 2013 GUERRA, W.; O Mecanismo de Antikythera: possibilidades para o Ensino e a Divulgação da Astronomia (dissertação), 2019 JONES, A.,Like Opening a Pyramid and Finding an Atomic Bomb, 2018 WRIGHT, M.T., The Antikythera Mechanism and The Early History of the Moon-phase Display, 2006 Mecanismo Conceito abordado Área do conhecimento Engrenagens Relações de rotação/torque Física/Engenharia Círculos do painel frontal Constelações Astronomia Indicador da Lua Fase da Lua Astronomia Indicadores dos Planetas Epiciclos Astronomia Painel posterior Eclipses Astronomia Movimento dos Planetas Corpos celestes errantes Astronomia Ausência da Terra no painelGeocentrismo/Heliocentrismo Astronomia/História Sol /Lua Ciclos de tempo Astronomia/Geografia Constelações zodiacais Astronomia versusastrologia Filosofia da Ciência Tabela 1 Alguns aspectos da máquina e os conceitos subjacentes a eles. Fig 5 Réplicas didáticas simplificadas do Mecanismo de Antikythera, em 3 diferentes níveis de complexidade: Sol e Lua com painel alternativo (A), Sol e Lua com painel e engrenagens que seguem o layout do mecanismo original (B) e com engrenagens de Mercúrio (C). A B C www.pcm.uem.br Recurso de Física AMRP - Antikythera Mechanism Research Project www.antikythera-mechanism.gr link alternativo

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Arcturus é uma estrela alaranjada a cerca de 37 anos-luz de distância de nós, localizada na constelação do Boieiro. O Clube de Astronomia Arcturus, fundado em 2015, está com uma nova identidade visual. Somos estudantes e professores da UFABC unidos por uma vontade em comum: divulgar Astronomia. Hoje somos focados na divulgação dessa ciência, e damos espaço a não-membros que queiram contribuir com conteúdo digital para a nossa página no facebook e site. Tem interesse em escrever sobre Astronomia? Fale conosco! facebook.com/clubearcturus clubearcturus.wordpress.com [email protected]

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19 MELISSA GREGORIO [email protected] Quando se pensa em Medicina Espacial, pensa-se principalmente sobre os danos que a microgravidade causa na estrutura corpórea. Neste artigo vamos avaliar especificamente o que pode ocorrer com a pele humana quando submetida à radiação ultravioleta presente no espaço e quais as consequências. Ao longo desta última década, o assunto sobre a possível colonização de outros planetas voltou a ser tema de notícias e debates. Porém, apesar do grande avanço em termos tecnológicos, ainda existem muitas questões sem uma resposta definitiva. Dentre estas questões, a forma como o corpo humano, que evoluiu em meio terrestre, responderia a um novo cenário: o meio espacial, seja numa estação espacial em órbita da Terra, na Lua ou em Marte. A pele é o maior órgão do corpo humano, correspondendo a 15% da massa corporal. Seguem as funções realizadas pela pele. - Proteção: atuando como barreira para patógenos e danos entre o organismo e o ambiente. As células de Langerhans na pele são parte do sistema imunológico adaptativo. Nosso suor contém lisozima, que atua como antibiótico quebrando as ligações das paredes celulares das bactérias. - Percepção: contém uma extensa rede de sensores para o calor, o frio, vibração, MEDICINA ESPACIAL Pele humana e a radiação UV BIOMEDICINA

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pressão de toque e dano do tecido. A pele é parte do sistema somatosensorial. - Termorregulação: através de variação hemodinâmica, ou seja, variando o fluxo de circulação sanguínea no tecido da pele, controla-se a perda de energia térmica por condução, convecção e radiação. Vasos sanguíneos dilatados aumentam a perda de calor enquanto que vasos contraídos reduzem o fluxo de sangue cutâneo e, consequentemente, conserva-se o calor. - Controle da evaporação: A pele é relativamente seca e impermeável à perda de fluidos. Isso explica a desidratação que ocorre quando alguém sofre queimaduras muito graves. - Armazenamento e síntese: atua como centro de armazenamento de lipídeos e água e sintetiza vitamina D pela ação dos raios UV. - Excreção: Suor contém ureia, porém em uma concentração muito mais baixa que a da urina. Além disso, a sudorese atua como uma função secundária da termorregulação. - Absorção: a pele atua como membrana à passagem de substâncias, inclusive oxigênio. Isso explica por qual razão certos medicamentos são aplicados na forma de adesivos à pele. - Barreira à água: a pele atua como uma barreira resistente à água, evitando a perda de nutrientes para o ambiente. É importante lembrar que a pele humana também é um ambiente rico em vida microbiana, e você não precisa estar sem banho para que isso ocorra. Nossa 20 AstroNova . N.24 . 2019 Camadas da pele humana e receptores de superfície. Fonte: https://afh.bio.br/sistemas/tegumentar/1.php Astronauta Jack Lousma realizando a higienização da pele, equivalente ao banho na Terra. Skylab 3, 1973 (NASA). Astronauta Luca Parmitano (ESA) mostrando como lavar a cabeça no espaço. Fonte: https://youtu.be/DoKJPwkNKw8

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