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Acervo textual da Revista AstroNova

Edição 39 — páginas 21 a 40

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Assuntos identificados: solar, eclipse, terra, plutão, astronomia, rádio, superfície, planeta, sistema, caronte.

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22 AstroNova . N.39 . 2023 nitrogênio é 10000 vezes menor que o esperado. Além disso, verificou-se que um pequeno aumento na temperatura da superfície pode levar a aumentos exponenciais da pressão atmosférica, alcançando valores de até 280 hPa (aproximadamente 28% da pressão da Terra ao nível do mar). Nessa pressão, o nitrogênio pode fluir sobre a superfície como um líquido. Assim como o suor esfria a pele à medida que evapora, o nitrogênio líquido ao evaporar esfria a superfície, fazendo a temperatura e a pressão caírem. Caronte De forma diferente da superfície de Plutão, que é composta por gelos de nitrogênio e metano, a superfície de Caronte é composta por gelo de água e amônia. A região polar norte é dominada por uma grande área escura na qual a substância orgânica tolina (lembrando que orgânico em Química significa composto contendo átomos de carbono) é majoritária na superfície. Uma possível explicação para a presença de tolina na região polar Norte de Caronte está relacionada à temperatura da superfície, que alcança o valor mínimo de -260 °C, temperatura na qual nitrogênio, metano e monóxido de carbono ressublimam-se, ou seja, passam do estado gasoso para o sólido. Ao serem submetidos à radiação solar esses gelos reagem quimicamente formando tolinas. Ao “meio-dia” de Caronte, a temperatura da superfície alcança -213 °C, o que provoca a sublimação dos gelos de volta para a tênue atmosfera, podendo inclusive escapar para o espaço. Ao longo de milhões de anos, as camadas de tolina acumularam-se nessa região polar setentrional de Caronte, denominada informalmente de Mordor (uma referência a "Senhor dos Anéis", de J.R.R. Tolkien). Caronte tem uma série de extensos cânions. Um deles, denominado Serenity Chasma, estende-se pela faixa equatorial por quase 1000 km. O cânion Argo Chasma alcança uma profundidade de até 9 km, com penhascos muito íngremes, rivalizando com o Imagem da superfície de Caronte, em cores verdadeiras, realizada pela New Horizons em 14/07/2015 a 74178 km de altitude. A superfície do polo Norte tem coloração marrom-avermelhada devido à presença de tolina.

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23 AstroNova . N.39 . 2023 penhasco mais alto do Sistema Solar, Verona Rupes, em Miranda, satélite de Urano. A atmosfera de Caronte é extremamente tênue, tanto que uma hipótese é que a atmosfera de Caronte seja gases que escapam de Plutão durante alguma erupção de criovulcão ou durante o aquecimento da superfície. Luas plutonianas Embora Caronte seja considerado como um satélite, na verdade Plutão e Caronte formam um binário de planetas anões. Os 4 satélites desse sistema: Estige, Nix, Cérbero e Hidra orbitam em torno do baricentro desse binário. Estas luas são muito pequenas, de formato irregular e orbitam em torno do baricentro. Antes da missão New Horizons, estimava-se que Nix, Hidra, Estige e Cérbero apresentassem uma rotação caótica. No entanto, imagens obtidas nesta missão mostraram que há um período de rotação, porém o “caminho” da rotação é caótico. Em Nix, por exemplo, seria possível passar um dia (ou seja, um período de 1 dia, 19 horas 53 minutos e 46 segundos) vendo o Sol nascer no lado leste e se pôr no lado norte. Nos planetas, apenas Hiperion, satélite de Saturno, apresenta essa característica. A tabela 3 apresenta alguns dados dos satélites do sistema Plutão- Caronte. Estas luas muito provavelmente são corpos do Cinturão de Kuiper que foram gravitacionalmente capturadas pelo sistema Plutão-Caronte. Meio-dia de Plutão na Terra Quando pensamos em Plutão e sua enorme distância do Sol, logo nos vem à mente a imagem de uma superfície imersa numa noite com uma estrela muito brilhante, porém distante, no céu. Apesar da tênue atmosfera, o céu do meio-dia de Plutão é bem iluminado. Inclusive, há dois momentos no dia da Terra cuja luminosidade, estando o céu limpo, é a mais próxima da luminosidade do meio-dia de Plutão. Um dos momentos é um pouco antes do amanhecer e outro é um pouco depois do anoitecer. Em ambos os momentos, o Sol se encontra abaixo do horizonte. Há um site da Nasa em que você pode entrar as coordenadas do seu lugar, ou escrever o nome da sua cidade e país e obter qual será o próximo horário em que a iluminação solar é equivalente ao meio-dia plutoniano. O URL é https://solarsystem.nasa.gov/ planets/dwarf- planets/pluto/plutotime/ Rafael Cândido Jr. é graduado e mestre em Engenharia Química. Integra o grupo de astronomia Arcturus, da UFABC. União Astronômica Internacional: Definição de Planeta-Anão. Links para saber mais: Nasa: Missão Dawn Nasa: Missão New Horizons Tabela 3. Dados dos satélites do sistema Plutão-Caronte.

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Lua Cheia 01/08/2023 Sarandi - PR - Brasil Astrofotógrafo: Carlos Aparecido Domingues

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25 Ricardo Francisco Pereira [email protected] A Gravitação é uma das quatro Forças Fundamentais da Natureza, juntamente com a Força Eletromagnética, a Força Nuclear Fraca e a Força Nuclear Forte, é a área da Física responsável por explicar a interação entre os corpos celestes no Universo, permitindo compreender como a atração gravitacional influencia a queda dos objetos, as órbitas dos planetas, Asteroides e Cometas e a dinâmica das Galáxias e dos aglomerados de Galáxias. A gravidade é um conceito abstrato, que pode ser desafiador e frequentemente considerada como uma área da Física que é baseada em fórmulas matemáticas complexas. Isso pode tornar o aprendizado da Gravitação um desafio para muitos alunos, por isso é importante integrar exemplos práticos e visualmente atraentes, como o estudo dos Cometas, para ajudar a tornar o ensino da Gravitação mais atraente e compreensível. A imagem popular e simples que se tem da Gravitação é de que é a força da gravidade mantem os planetas em suas órbitas, no entanto, ela é importante em muitos outros fenômenos, como o estudo das marés, as órbitas dos satélites, as órbitas dos objetos celestes do Sistema Solar e muito mais. Embora ela seja uma força que age em escalas cósmicas, seus princípios também se aplicam ao nosso dia-a-dia. É a gravidade que nos mantém firmemente plantados na superfície da Terra, que permite que objetos caiam quando soltos e influencia a forma como os líquidos fluem. Esses exemplos simples ilustram como o entendimento da Gravitação é relevante para a vida cotidiana. Segundo o Referencial Curricular para o Ensino Médio do Paraná (2021), ENSINO DE ASTRONOMIAENSINO DE ASTRONOMIA COMETASCOMETAS E O ENSINO DE GRAVITAÇÃO COMO POTENCIAL PARA DESPERTAR O INTERESSE DOS ALUNOS E O ENSINO DE GRAVITAÇÃO COMO POTENCIAL PARA DESPERTAR O INTERESSE DOS ALUNOS

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26 documento elaborado pela Secretaria de Educação e do Esporte do Estado do Paraná a partir das orientações da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o conteúdo de Gravitação está alocado no primeiro ano do Novo Ensino Médio, na Unidade Temática 01 Movimento: Conservações e Variações, especificado na seguinte Habilidades de Área do Conhecimento: (EM13CNT204) Elaborar explicações e previsões a respeitodos movimentos de objetos na Terra, no Sistema Solar e noUniverso com base na análise das interações gravitacionais (PARANÁ, 2021, pág. 409). O ensino de Gravitação pode proporcionar aos alunos a oportunidade de entender e aplicar os princípios fundamentais da Lei da Gravitação Universal de Newton, além de compreenderem a relação entre a massa dos objetos, a distância que os separa e a força gravitacional que atua entre eles, permitindo que explorem as forças fundamentais que governam o comportamento dos corpos celestes e apliquem esses conceitos em uma variedade de contextos práticos, corroborando o que é apresentado sobre o tema no Referencial Curricular para o Ensino Médio do Paraná: A Lei da Gravitação Universal desenvolvida por Newton tem um impacto grande sobre a ciência, pois unifica fenômenos ocorridos na superfície da Terra, com os fenômenos ocorridos fora dela(PARANÁ, 2021, pág. 407- 408). Sobre os fenômenos ocorridos fora da Terra, os Cometas e suas órbitas apresentam bom potencial para serem aproveitados no ensino de Gravitação. O estudo de suas órbitas não apenas permite compreender melhor a formação do Sistema Solar, mas também podem servir como um catalisador para despertar a curiosidade científica nos alunos. Cometas são formados por gelo, rochas e poeira, por isso são considerados objetos primitivos e sua composição oferece pistas valiosas sobre os materiais que existiam durante a formação do Sistema Solar. Suas órbitas são intrigantes e oferecem uma oportunidade única para os alunos explorarem os princípios da Mecânica Celeste, como a gravidade. Eles geralmente seguem órbitas elípticas ao redor do Sol, com comprimentos e inclinações variáveis e esses padrões orbitais complexos podem ser analisados para entender a dinâmica do Sistema Solar, as interações gravitacionais e as forças AstroNova . N.39 . 2023 Núcleo do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, fotografado pela sonda Rosetta (ESA).

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27 que influenciam o movimento desses corpos celestes. Isso pode permitir que os estudantes visualizem e compreendam a aplicação prática da lei da Gravitação Universal de Isaac Newton. Os alunos podem explorar conceitos matemáticos, como a geometria das elipses e investigar a influência da gravidade nas órbitas dos cometas. Além disso, os Cometas têm implicações práticas em áreas como a exploração espacial e a detecção de objetos próximos da Terra, tornando o ensino desses tópicos particularmente relevantes para campos como a Engenharia Aeroespacial e a Astronomia. A visibilidade ocasional dos cometas a olho nu oferece uma oportunidade única para envolver os estudantes em observações astronômicas e despertar seu interesse pela Ciência. A observação direta de um cometa no céu noturno pode inspirar a curiosidade sobre o funcionamento do Universo e estimular a exploração de tópicos relacionados à Física e à Astronomia. Na atualidade, com um desinteresse muito grande dos alunos pela Física e pela escola de um modo geral, uma abordagem dos Cometas no Ensino de Gravitação tem o potencial de atrair o interesse dos alunos porque é um conteúdo com alto grau de contextualização, ou seja, com forte relação com o cotidiano, podendo permitir aos alunos fazerem conexões entre os conceitos teóricos estudados em sala de aula e sua aplicação prática no mundo real. Ao situar a Física em um contexto significativo e relevante para eles, é possível despertar o interesse e a motivação, além de facilitar a compreensão dos conteúdos. A contextualização também ajuda a tornar o ensino de Física mais interdisciplinar, mostrando as conexões dessa Ciência com outras disciplinas e áreas de conhecimento, como Matemática, Química, Biologia, Engenharia, entre outras. Isso potencializa os alunos perceberem a interdependência dos diferentes saberes e a compreenderem a importância da Física como uma base para outras áreas do conhecimento. Ricardo Francisco Pereira é professor do Departamento de Física da UEM. Graduado em Física, é mestre e doutor em Educação para a Ciência e Matemática. Mantém a página Recursos de Física. Leitura recomedada: PARANÁ.Secretaria de Estado da Educação e do Esporte.Referencial Curricular para o Ensino Médio, Curitiba, PR: SEED/PR, 2021. AstroNova . N.39 . 2023 Cometa McNaught, fotografado do observatório Paranal (ESO), no Chile, em 2007.

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Nebulosa planetária IC 1295 agosto/2023 Maringá - PR - Brasil Astrofotógrafo: Bruno Bonicontro

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29 LUALUA A Lua também fica colorida... Maico Zorzan [email protected] Pelo menos três ou quadro vezes ao ano, é comum vermos em portais de notícias, e nas nossas redes sociais, algo sobre a próxima Lua azul, Lua lilás, Lua de sangue, Super Lua etc. Todas essas notícias vêm associadas a adjetivos como “A maior do século”, “a raríssima”, entre outros termos sensacionalistas, além de indicativos de raridade como: “A próxima Lua dessas só vai ocorrer daqui a um zilhão de anos”. Isso claramente é um excelente chamativo para A HISTÓRIA DA LUA "AZUL", E PORQUE NÃO DEVEMOS PROPAGAR UM ERRO ... de vergonha! atrair pessoas a olhar o céu, a procurar a Lua sobre suas cabeças e a ter um interesse momentâneo sobre astronomia. Mas a que custo isso é feito? É realmente benéfico usar a astronomia dessa forma enganadora e sensacionalista? E astrônomos amadores, grupos de astronomia e observatórios realmente tem algum benefício com isso? Primeiramente é necessário deixar claro o que são essas Luas coloridas, e de onde vem essa origem. Uma "Lua Azul" não se refere realmente à cor da lua naquela noite tão esperada por quem viu a notícia, mas sim a um termo usado para descrever uma situação específica que ocorre no calendário lunar. A expressão "Lua Azul" é usada quando ocorrem duas luas cheias no mesmo mês.Normalmente, um mês lunar, que é como chamamos o tempo que a Lua leva para passar por todas as suas fases, dura aproximadamente 29,5 dias. Isso significa que geralmente há uma lua cheia por mês. No entanto, devido às diferenças entre o calendário lunar e o calendário gregoriano que usamos, às vezes podem

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ocorrer duas luas cheias em um único mês. A segunda Lua Cheia dentro do mesmo mês é chamada de "Lua Azul" e diferente do que a mídia adora dizer, e muitos divulgadores de astronomia aproveitadores adoram dizer, é algo que acontece com frequência. As Luas Azuis não têm uma cor especial; elas têm a mesma aparência de uma Lua Cheia comum, que geralmente é uma tonalidade de branco ou amarelado (como ocorre com a Lua próxima do horizonte) no céu noturno. Portanto, a expressão "Lua Azul" é mais uma curiosidade relacionada ao calendário e à astronomia do que uma descrição da cor real da lua. O termo "azul" nesse contexto não se refere à cor da lua, mas é usado metaforicamente para descrever algo raro ou incomum, pois a ocorrência de duas luas cheias no mesmo mês não é fixa todos os meses. Então podemos dizer que possui uma certa raridade, mesmo não sendo tão distante uma da outra como dizem por aí. O termo Lua Azul, remete a uma história de mais de 400 anos, quando no hemisfério norte, em pleno século XVI, dizer que a Lua era azul significava exprimir algum tipo de exagero típico de histórias de pescadores ou de participantes de podcasts no Youtube. Dizia-se: “fulano é tão desligado que diria que a Lua é azul!” Esse conceito levou a outra expressão, ou ditado popular que indicava uma probabilidade bem remota de algo acontecer. Por exemplo, no século XVIII, dizia-se: “eu pagarei minha dívida com você quando a Lua estiver azul”. Porém a Lua já realmente ficou azul no céu. Raro, mas já aconteceu realmente, como no ano de 1883, quando o vulcão Krakatoa entrou em atividade na Indonésia, a atmosfera ficou carregada por partículas de poeira que fizeram o pôr do Sol ficar esverdeado e deixaram a Lua azul no mundo todo por quase dois anos. Aliás, sempre que há uma grande quantidade de poeira na atmosfera, esse efeito se repete. Foi assim em 1927, na Índia, quando uma tempestade depois de uma enorme seca levantou toneladas de poeira na atmosfera. Ou em 1951, quando um enorme incêndio florestal no Canadá lançou uma quantidade de cinzas que deixou a Lua azul. Também é comum o campo das artes, principalmente da literatura e da música, a associação do Termo Lua Azul a tristeza, melancolia e sentimentos confusos. Como na popular música Blue Moon, que conta a história de um amor mal resolvido e uma pessoa solitária. E em algumas músicas de Elvis Presley, mas esse não é o real motivo para usarem essa forma sensacionalista para a segunda Lua cheia do mês. Já na década de 1980, com a popularidade de uma série de TV originalmente chamada Moonlighting, que significa o brilho da Lua, e que aqui no Brasil foi muito popular com o nome de “A gata e o rato”, onde um Bruce Willis jovem e com cabelo, fazia parte de uma agência de detetives chamada Blue Moon, ou Lua Azul em nossa língua. Foi uma febre que deu nome a 30 AstroNova . N.39 . 2023 Moonlighting, seriado dos anos 1980 apresentado no Brasil com o título "A gata e o rato".

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milhares de restaurantes e mostras de arte no país. E foi nessa época que tentaram popularizar o termo Lua Azul para a segunda Lua cheia do mês, o que viria a se popularizar no começo da década de 2010. Mas e aí? De onde realmente vem esse costume de chamar a segunda Lua cheia em um mês de Lua Azul? Esse é um daqueles casos em que uma definição nasce de um erro. A definição de Lua azul aparece em um livro chamado “Almanaque do Fazendeiro do Maine” nas edições anuais entre 1819 e 1962. Em nenhum destes exemplares a definição é esta que conhecemos, mas sim aquela do exagero e raridade que usavam no século XVI. Essa definição que aparece neste almanaque é bem diferente e tem mais a ver com as estações do ano, do que com os meses. É assim: “Em primeiro lugar considera-se o ano tropical, aquele que começa em um solstício de inverno (mais ou menos no dia 21 de dezembro para o Hemisfério Norte) e vai até o solstício de inverno seguinte. A maioria dos anos tropicais consegue conter 12 Luas cheias, três em cada estação do ano. Cada uma delas tem um nome específico para a atividade humana da época. Ocasionalmente, temos um ano tropical com 13 Luas cheias, o que significa que uma das estações do ano deverá ter quatro delas, ao invés de três. Nesta estação com quatro Luas cheias, a terceira a acontecer é chamada de Lua azul”, diz o almanaque, remetendo ao ditado popular do século XVI que usava a raridade o exagero de quem dizia ver uma Lua Azul. Essa definição começou a se moldar em 1943 em uma coluna de perguntas e respostas da revista Sky & Telescope. Laurence J. Lafleur citou o fato de ocasionalmente haver 13 Luas cheias em um ano, mas não disse que se tratava de um ano tropical. Ainda assim, ele não falou nada de duas Luas cheias em um mesmo mês. Mas a coisa piorou muito, muito mesmo, em março de 1946. Na página 3 da edição deste mês, James Pruett, um astrônomo amador, que escrevia costumeiramente para a revista, em um especial sobre meteoros, resolveu falar sobre Luas Azuis. Ele repetiu uma conclusão do tal almanaque, que dizia que: “Em 19 anos, sete vezes aconteceu (e ainda acontece) de haver 13 Luas cheias em um ano. Isto dá 11 meses com uma Lua cheia em cada um e um mês com duas”. Mas concluiu muito erroneamente: “Esta segunda Lua cheia do mês, assim eu interpreto, foi 31 AstroNova . N.39 . 2023

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chamada de Lua Azul.” Causando assim esse cenário que vivenciamos hoje onde jornais, sites, blogs, e divulgadores científicos pouco responsáveis com a qualidade da informação chamam toda segunda Lua cheia mensal por uma Lua colorida. Assim como Lua de Sangue é usado para Eclipses lunares, Lua de Morango para a Lua Cheia de junho, remetendo a uma tribo indígena norte americana, que usava essa Lua Cheia para saber quando os morangos estavam amadurecendo, e que recentemente tentaram (E parece estarem conseguindo) usar esse nome para essa Lua Cheia anual. E muitas outras Luas coloridas que tentam enfiar em nossas goelas todos os anos. O que fica dessa situação toda, é o debate do quanto é saudável usar esses termos, e o quanto essas Luas coloridas são benéficas para a astronomia amadora. Eu sinceramente não acho que seja algo bom, muito pelo contrário, é algo que deveria ser combatido por todos que tem a astronomia como hobby, como divulgação científica e principalmente como profissão. Mas o que se vê é uma chuva de pessoas ligadas a ciência se aproveitando dessas Luas coloridas para satisfazer seus egos e ganhar seguidores. Que diferença tem entre uma pseudociência e uma desinformação? Porque permitir algo tão nocivo, como se fosse uma forma inteligente de fazer alguém olhar para o céu? Fica a reflexão. Maico Zorzan é graduado em Matemática e em Tecnologia da informação, pós graduado em Segurança da informação, em Inteligência artificial e em Aprendizagem de máquinas Fontes Astronomia: 50 Conceitos e Descobertas Fundamentais Explicados de Forma Clara e Rápida (François Fressin) https://skyandtelescope.org/observin g/what-is-a-blue-moon/ https://nssdc.gsfc.nasa.gov/planetar y/lunar/blue_moon.html 32 AstroNova . N.39 . 2023 Avermelhamento da Lua durante eclipse.

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Lua Crescente 23/08/2023 Maringá - PR - Brasil Astrofotógrafo: Ricardo Francisco Pereira

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Adriane Casteleira [email protected] O Dia do Asteroide (Asteroid Day), foi co-fundado pelo astrofísico e músico, Dr. Brian May, guitarrista do grupo de rock Queen, pelo astronauta da Apollo 9, Rusty Schweickart, pelo cineasta Grig Richters e pela presidente da Fundação B612, Danica Remy, com o objetivo de educar sobre a importância dos asteroides, seu papel na a formação do nosso Sistema Solar, o seu impacto nos recursos espaciais e a importância de defender o nosso planeta de impactos futuros. Sancionado pelas Nações Unidas e observado anualmente no dia 30 de junho, data do maior impacto de asteroide na Terra já registrado na história, o evento Sibéria Tunguska. O site oficial (asteroidday.org), registra, organiza e divulga os eventos coordenados com esse fim. Este ano, o evento do grupo CAS, de Sarandi- PR, recebeu destaque. Segue a matéria traduzida: “Entusiastas de asteroides: a jornada do clube de Sarandi A paixão pela astronomia e pela observação do céu motivou Adriano Facioli e dois amigos a criarem um clube de Astronomia em Sarandi, uma pequena cidade no sul do Brasil, em 2014. A resposta positiva das pessoas, conforme aprendiam mais sobre o espaço e a oportunidade de se envolver com o ambiente astronômico, rapidamente tornou o clube uma referência respeitada na região. ASTEROID DAYASTEROID DAY 34 CLUBE DE ASTRONOMIA DE SARANDI (CAS) É DESTAQUE NO SITE OFICIAL DO ASTEROID DAY CLUBE DE ASTRONOMIA DE SARANDI (CAS) É DESTAQUE NO SITE OFICIAL DO ASTEROID DAY Desde 2017, anualmente o CAS promove o evento, que é realizado no Observatório Estrela do Sul, para dezenas de pessoas

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A parceria começou com um observatório distante da zona urbana, que ampliou suas atividades. Nos dias programados para cada evento, muitas pessoas iam até o Observatório Estrela do Sul e ficavam lá por horas, observando o céu e aprendendo sobre diversos tópicos da astronomia. Em 2017, Adriano e seus amigos descobriram o Asteroid Day pela Internet e, desde então, o incluíram na programação anual do clube. Eles organizaram com sucesso cinco edições dedicadas exclusivamente à discussão de asteroides. Junho, mês com as temperaturas mais baixas no Sul do Brasil, traz frio em todos os eventos do Dia do Asteroide. Para superar isso, o clube oferece comida caseira e acende uma grande fogueira para manter seu público, formado por famílias, alunos e professores, aquecido e confortável. O Clube de Astronomia Sarandi tem sido parte integrante da nossa comunidade do Asteroid Day, contribuindo significativamente para aumentar a conscientização sobre os desafios e oportunidades associados aos asteroides.” Adriane Casteleira é coordenadora do GAMA (Grupo de Astronomia de Mandaguari), membro do GEDAL (Grupo de Estudos e Divulgação de Astronomia de Londrina) e integra a equipe da revista AstroNova link da matéria: Clube de Astronomia de Sarandi (CAS) Observatório Estrela do Sul https://asteroidday.org/updates/event -updates/asteroid-enthusiasts-the- journey-of-sarandi-astronomy-club/ https://www.facebook.com/casastron omia.sarandi https://www.observatorioestreladosul. com.br/ https://www.facebook.com/observato rioestreladosul AstroNova . N.39 . 2023 35

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M83 - Galáxia Catavento do Sul agosto/2023 Maringá - PR - Brasil Astrofotógrafo: Bruno Bonicontro

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37 TECNOLOGIATECNOLOGIA DE MARCONI AO JAMES WEBB A IMPORTÂNCIA DO RÁDIO NA ASTRONOMIA MODERNA Maico Zorzan [email protected] A invenção do rádio é um marco significativo na história da comunicação e da tecnologia. Ela é creditada a várias mentes brilhantes e inovadoras ao longo do tempo, mas a contribuição mais notável é atribuída a Guglielmo Marconi, um físico ganhador do prêmio Nobel e inventoritaliano, nascido na Bologna. No final do século XIX, Marconi desenvolveu um sistema de telegrafia sem fio que usava ondas eletromagnéticas para transmitir sinais de telegrafia a longas distâncias. Isso marcou o início da tecnologia de rádio. Em 1901, Marconi realizou a primeira transmissão de rádio transatlântica bem- sucedida, enviando o código Morse de Cornwall, na Inglaterra, para Newfoundland, no Canadá.No entanto, o desenvolvimento do rádio como o conhecemos hoje envolveu contribuições de outros inventores notáveis, como Nikola Tesla e Lee de Forest. Tesla contribuiu com pesquisas fundamentais sobre transmissão de sinais sem fio, enquanto de Forest inventou o tubo de vácuo tríodo, um componente- chave para amplificação de sinais de rádio. O rádio se tornou uma ferramenta vital para comunicação, entretenimento e disseminação de informações. Durante o século XX, o rádio desempenhou um papel fundamental na cobertura de eventos históricos, na propagação da música e na transmissão de notícias em todo o mundo. Foi uma força unificadora e informativa em tempos de guerra e paz, sendo a principal fonte de Imagem: www.istockphoto.com

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Tubo de vácuo tríodo (válvula eletrônica). AstroNova . N.39 . 2023 38 informações entre pessoas no mundo todo por muito tempo.Hoje, embora a tecnologia de transmissão tenha evoluído para incluir transmissões digitais, o rádio ainda é uma forma acessível e difundida de entretenimento e comunicação. A invenção do rádio desempenhou um papel essencial no desenvolvimento da mídia e na formação da sociedade moderna. É um testemunho da engenhosidade humana e da busca contínua pelo progresso tecnológico. E essa forma de transmissão de informações é fundamental na astronomia. Desde o Sputnik, que tinha como fonte de comunicação com a Terra um simples e curto sinal de bip de rádio, ouvido por onde passava, foi também com transmissões de rádio que as missões tripuladas faziam contato entre os tripulantes das naves e os centros de controle no solo terrestre. Foi pelas ondas de rádio, que Gagarin revelou ao mundo que a Terra é azul, foi pelas ondas do rádio que Neil Armstrong foi ouvido dizendo a célebre frase: “Um pequeno passo para o homem, um grande salto para a humanidade.” Também é pelas ondas de rádio que a Apollo 13 disse ao centro de controle em Houston no Texas que tinham um problema. A ISS usa sinais de rádio para comunicar-se com a Terra, o Hubble enviou suas imagens por rádio para cá, as sondas Pionner também usam essa tecnologia, entre outros. Satélites para previsão de tempo enviam a todo momento sinais de rádio em SSTV, um sistema que permite receber sinais de rádio e transformar por uma codificação em imagens, fazendo praticamente em tempo real as imagens de onde eles passam. Permitindo análises rápidas e precisas. Logicamente que com o passar dos anos, mesmo o rádio foi se atualizando. Surgiram novas formas de comunicação de rádio usando criptografia, pacotes digitais, novas antenas, softwares etc. Mas o princípio fundamental daquilo que Marconi fez, ainda está na coluna cervical da história do rádio. Mostrando que diferente do que muitos pensam, o rádio ainda é uma fonte de comunicação eficiente e estável, muito usada no meio militar, científico e civil. Aqui no Brasil, diferente do que muitos pensam, a prática de usar o rádio é muito comum. Seja para ouvir música enquanto dirige pelo trânsito, usando frequências em VHF no que chamamos de rádios FM, seja na antiga e quase deserta faixa AM, que deve ser extinta em breve (posso escrever sobre nas próximas edições), seja na chamada faixa de 11 metros (Entre 26.9MHZ e 27.9MHZ) que também é chamada de faixa do cidadão, o popular rádio PX, onde além de ouvir, é possível falar com outras estações de rádio, desde que devidamente

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Fonte: Casa do Radioamador. AstroNova . N.39 . 2023 39 frequentemente usam códigos e procedimentos específicos para se comunicar e podem prestar serviços de emergência em situações de desastre. É uma atividade de hobby que assim como a astronomia amadora que exige uma capacitação constante sobre o universo e suas descobertas, envolve um aprendizado contínuo e ajuda a promover a compreensão global e a comunicação de longa distância através do rádio, em todas as suas variações. O radioamadorismo está muito próximo da astronomia, pois um dos elos para essa comunicação de longa distância ocorrer, é para algumas frequências o uso de satélites de rádio, que operam frequências destinadas aos radio amadores, e permitem a comunicação em distâncias onde uma conversa ponto a ponto não seria possível. Até mesmo a ISS possui repetidoras de rádio, que permitem ouvir e falar com outros radioamadores que estejam sendo cobertos pela passagem da estação nos céus naquele momento. Além disso a ISS possui estação de rádio que permite, e geralmente é usada em ocasiões especiais, a comunicação entre os tripulantes e pessoas na regulamentada, ou nas frequências de radioamadorismo, que cobrem boa parte do espectro de frequências de rádio catalogadas. Ser um radioamador significa ser um entusiasta de rádio que opera estações de rádio, de forma amadora e não comercial. Eles usam equipamentos de comunicação para conversar com outros radioamadores em todo o mundo, e isso envolve construir, ajustar e operar rádios, antenas e sistemas de comunicação. Os radioamadores

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Terra. E também permitem a emissão de imagens por ondas de rádio, que são captadas e convertidas em imagens celebrativas pelo receptor terrestre. Com isso, podemos concluir que essa importante forma de comunicação ainda está bem viva, e vai permanecer muito tempo em nossa sociedade, mesmo com as novas tecnologias que conseguem apoiá-la e melhorar seu uso. Maico Zorzan é graduado em Matemática e em Tecnologia da informação, pós graduado em Segurança da informação, em Inteligência artificial e em Aprendizagem de máquinas. Radioamador com indicativo PU5PUM. Fontes: https://www.gov.br/anatel/pt- br/regulado/outorga/radioamador-e- radio-cidadao/radioamador https://www.labre.org.br/wp- content/uploads/2022/12/QTC- LABRE-12.2022.pdf https://www.nasa.gov/international- space-station/ https://www.ariss.org AstroNova . N.39 . 2023 40 Imagem especial enviada via rádio pela ISS em 2016.

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41 ESPECTROSCOPIAESPECTROSCOPIA ESPECTROSCOPIA Ricardo Francisco Pereira [email protected] A Espectroscopia é uma técnica poderosa que revolucionou a forma como compreendemos as propriedades físicas e químicas da matéria, assim como a estrutura do Universo. Desde o seu surgimento tem sido uma ferramenta fundamental em diversos campos científicos, incluindo Física, Química e Astrofísica. Ela explora a interação da luz com a matéria, analisando a radiação eletromagnética emitida, absorvida ou dispersada por diferentes substâncias. Através da análise do espectro de uma amostra, é possível obter informações valiosas sobre sua composição química, estrutura molecular, propriedades físicas e comportamento em condições específicas. Vamos compreender como tudo começou. Em 1814 o alemão Joseph von Fraunhofer repetiu a experiência clássica feita no final dos anos 1600 por Isaac Newton permitindo que um feixe de luz solar atravessasse um prisma. A diferença na experiência de Fraunhofer estava no fato de que o espectro resultante, que aparecia com as cores do arco-íris, era submetido a uma grande ampliação. Ao ampliar a imagem obtida ele descobriu que o espectro E A REVOLUÇÃO NA FÍSICA, NA QUÍMICA E NA ASTROFÍSICA

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