Acervo textual da Revista AstroNova
Edição 48 — páginas 1 a 20
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Assuntos identificados: espacial, estação, salyut, soyuz, clube, astronomia, órbita, estações, atividades, tripulação.
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REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA Ano 12 - Nº 48 - Dezembro/2025 REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL TIANGONG AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL PROGRAMA ESPACIAL SALYUT PARA SALVAR A ÓRBITA DA TERRA (DO LIXO ESPACIAL) ENAST/EPAST 2025 36º ENCONTRO INTERNACIONAL DE ASTRONAUTAS NA UFABC 10 ANOS DO GRUPO DE ASTRONOMIA ARCTURUS
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SUMÁRIO 09 23 Ano 12 | Edição nº 48 | 2025 17 25 Conselho editorial: Adriane Casteleira Maico A. Zorzan Rafael Cândido Jr. Wilson Guerra Redatores desta edição: Adriane Casteleira Brisa Pascoal Maico Zorzan Rafael Cândido Jr. Diagramação: Wilson Guerra Astrofotos: Bruno Bonicontro Carlos Ap. Domingues Fernando O. de Menezes Wandeclayt Melo EXPEDIENTE Capa: Cometa C/2025 R2 SWAN Bruno Bonicontro PROGRAMA ESPACIAL SALYUT PARA SALVAR A ÓRBITA DA TERRA (DO LIXO ESPACIAL) ENAST/EPAST 2025 36º ENCONTRO INTERNACIONAL DE ASTRONAUTAS NA UFABC 28 CLUBE DE ASTRONOMIA ARCTURUS 10 ANOS
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PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTREPRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE Foguete: Falcon 9 (SpaceX) Satélite de Observação da Terra da ASI (Agência Esp. Italiana) Local: base de Vandenberg Data: 29/12/2025 Foguete: Falcon 9 (SpaceX) Satélites Starlink Local: Centro Espacial Kennedy Data: 03/01/2026 Foguete: Proton-M (Roscosmos) Satélite meteorológico Elektro-L n.05 Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 12/02/2026 Foguete: Soyuz 2 (Roscosmos) Progress MS-33 (mantimentos para ISS) Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 22/03/2026 Foguete: SLS (Nasa) Missão Artemis II - circunavegação tripulada na Lua Local: Centro Espacial Kennedy Data: 05/02/2026 Foguete: Soyuz 5 (Roscosmos) Vôo inaugural de nova geração Soyuz Local: Cosmódromo de Baikonur Data: março/2026 Foguete: Alpha (Firefly) Novo satélite meteorológico Local: base de Vandenberg Data: fevereiro/2026 RÚSSIARÚSSIA EUAEUA
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PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTREPRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE Foguete: Long March 4B (CNSA) Satélite da CASC Local: centro espacial de Jiuquan Data: 30/12/2025 Foguete: Jielong (CASC) Satélite da CASC Local: plataforma marítima Data: 29/12/2025 Foguete: Spectrum (Isar Aerospace) Lançamento inaugura (2a tentativa) Local: Andoya (Noruega) Data: 13/01/2026 Foguete: Ariane 6 (Ariane Space) Intelsat 45, conjuntos de satélites de comunicação Local: Guiana Francesa Data: janeiro/2026 EUROPAEUROPA Foguete: Ceres-2 (Galactic Energy) Lançamento inaugural Local: centro espacial de Jiuquan Data: dezembro/2025 Foguete: Longa Marcha 7A (CNSA) Satélite da CASC Local: plataforma marítima Data: 30/12/2025 Foguete: Kinetica-2 (CAS Space) Lançamento inaugural Local: centro espacial de Jiuquan Data: dezembro/2025 Foguete: LVM-3 (ISRO) Teste não-tripulado da cápsula para astronautas da missão Gaganyaan Local: base de Satish Dhawan Data: janeiro/2026 ÍNDIAÍNDIA CHINACHINA
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Atividades de outubro a dezembro/2025 Atividades de outubro a dezembro/2025 ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONALESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL Soyuz MS-29: Roscosmos (14/07/2025)Soyuz MS-29: Roscosmos (14/07/2025) Próximas ExpediçõesPróximas Expedições Crew-12: SpaceX (15/02/2026)Crew-12: SpaceX (15/02/2026) Tripulação atualTripulação atual O astronauta Mike Fincke ba câmara de descompressão instalando equipamentos que poderão ser usado no futuro em mineração de pequenos asteroides. O astronauta Mike Fincke ba câmara de descompressão instalando equipamentos que poderão ser usado no futuro em mineração de pequenos asteroides. O astronauta Mike Fincke estuda o comportamento de partículas em fluidos na microgravidade. O astronauta Mike Fincke estuda o comportamento de partículas em fluidos na microgravidade. A astronauta Zena Cardman inspeciona trajes espaciais.A astronauta Zena Cardman inspeciona trajes espaciais. Principais atividades: outubro a dezembro/2025Principais atividades: outubro a dezembro/2025
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Estação Espacial TiangongEstação Espacial Tiangong Principais atividades: outubro a dezembro/2025Principais atividades: outubro a dezembro/2025 Tripulação atual (Shenzhou-21)Tripulação atual (Shenzhou-21) Primeiro frango grelhado no espaço.Primeiro frango grelhado no espaço. Experimentos para estudar comportamento de gases na microgravidade. Experimentos para estudar comportamento de gases na microgravidade. Com auxílio do braço robótico, os taikonautas Zhang Lu e Wu Fei instalaram equipamentos durante caminhada espacial de 6h45 de duração. Com auxílio do braço robótico, os taikonautas Zhang Lu e Wu Fei instalaram equipamentos durante caminhada espacial de 6h45 de duração.
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www. RECURSOSdeFÍSICA .com.br Página que socializa produção de recursos de ensino adaptados à sala de aula e aos professores. Material produzido nas disciplinas do curso de Licenciatura em Física da UEM e em outros projetos coordenados pelo prof. Dr. Ricardo Francisco Pereira.
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09 Rafael Cândido Jr. [email protected] Atualmente, as estações espaciais operacionais são Internacional e a Tiangong. Algumas pessoas mais velhas lembram-se da antiga Estação Espacial Mir, construída pela União Soviética. Neste artigo vamos conhecer o programa pioneiro de permanência de humanos no espaço. Estações civis e militares O programa Salyut, palavra russa para saudação ou fogos de artifício, foi desenvolvido pela União Soviética de 1971 a 1986. Estas eram estações de único módulo e eram classificadas como estações orbitais permanentes (denominadas DOS, de uso civil) e estações orbitais pilotadas (denominadas OPS, de uso militar). Com as falhas ocorridas no desenvolvimento do programa lunar tripulado soviético, os engenheiros da antiga equipe de Korolev (que havia falecido em 1966) notaram que os esforços de desenvolvimento desse programa chegaram a um beco sem saída e então passaram a projetar e construir os módulos DOS para as pesquisas de permanência de humanos no espaço. As estações militares eram um projeto mais antigo realizado por Vladimir Chelomei a partir de outubro de 1964. Estas estações faziam parte do programa Almaz (diamante em russo) e para cobrir a natureza militar delas, foram lançadas dentro do programa Salyut. Porém, em ASTRONÁUTICA PROGRAMA SALYUTPROGRAMA SALYUT As primeiras estações espaciaisAs primeiras estações espaciais Imagem: RIA-Novosti
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duração. Salyut-1 (DOS-1) Foi a primeira estação espacial da história. Lançada em órbita baixa em 19 de 10 1978, o Ministério da Defesa soviético concluiu que o tempo e os recursos consumidos pela manutenção de estações militares eram muito maiores que os benefícios em relação aos satélites de reconhecimento automático. Estações da primeira geração A primeira geração serviu como protótipo de testes de engenharia para estações espaciais. No programa Salyut, as estações DOS eram de módulo único e seus acoplamentos seriam apenas com naves Soyuz e naves cargueiras tripuladas (denominadas TKS). Porém, um dos objetivos do programa Almaz era a construção de estações multimodulares de longa abril de 1971, foi adaptada a partir de uma estrutura de uma OPS e era composta por cinco componentes: um compartimento para transferência, um compartimento principal, dois compartimentos auxiliares e o observatório espacial Orion 1. Foi visitada pelas missões Soyuz 10 e Soyuz 11. A tripulação da Soyuz 10 não conseguiu realizar o acoplamento de forma correta e a missão foi abortada. A tripulação da Soyuz 11 realizou o acoplamento com sucesso e permaneceu 23 dias a bordo da Salyut 1 realizando experimentos. Porém, durante o retorno, uma falha na válvula de Salyut 1 vista na partida da Soyuz 11. Selo soviético em homenagem à tripulação da Soyuz 11 (da esquerda para a direita: GeorgyDobrovolski, Vladislav Volkov e Viktor Patsayev). AstroNova . N.48 . 2025
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11 pressurização antes da reentrada causou a morte por asfixia dos tripulantes, sendo estes os únicos humanos que morreram no espaço (acima da linha de Von Kárman, 100 km de altitude).Após este fato, as operações da Salyut 1 foram encerradas e a estação reentrou na atmosfera terrestre, sendo totalmente destruída em 11 de outubro de 1971. DOS-2 A DOS-2 foi uma estação espacial que foi perdida devido a uma falha de lançamento em 29 de julho de 1972, quando o segundo estágio de veículo de lançamento Proton-K não conseguiu lançar a estação em órbita, de modo que esta caiu no Oceano Pacífico. A estação, que receberia a designação Salyut 2 se tivesse alcançado a órbita, era estruturalmente idêntica à Salyut 1, pois havia sido montada como uma unidade reserva para aquela estação. Devido às mortes ocorridas na reentrada da Soyuz 11, foram realizadas modificações na nave resultando em uma nova versão, a Soyuz 7K-T, que só transportava dois cosmonautas. Era previsto que a DOS-2 teria duas tripulações, que foram transferidas para a DOS-3. Salyut 2 (OPS-1) A Salyut 2 foi a primeira estação espacial militar Almaz a entrar em órbita. Duas semanas após o lançamento, ocorrido em 3 de abril de 1973, a estação perdeu o controle de altitude e despressurizou, deixando-a inutilizável. Sua órbita decaiu e ela reentrou na atmosfera em 28 de maio de 1973, sem que nenhuma tripulação a tivesse visitado. Kosmos 557 (DOS-3) Originalmente designada DOS-3, pretendia-se que fosse lançada como Salyut-3, mas devido à sua falha em atingir a órbita em 11 de maio de 1973, três dias antes do lançamento do Skylab dos EUA, foi renomeada Kosmos-557. Devido a erros no sistema de controle de voo enquanto estava fora do alcance do controle de solo, a estação acionou seu propulsor de atitude até consumir todo o combustível de controle de atitude e se tornar incontrolável antes de elevar sua órbita à altitude desejada. Como a nave espacial já estava em órbita e havia sido registrada por radares ocidentais, os soviéticos registraram o lançamento como Kosmos 557 e fizeram que ela reentrasse na atmosfera terrestre e se incendiasse uma semana depois. Salyut 3 (OPS-2) A Salyut 3 foi lançada em 25 de junho de 1974. Foi a segunda estação espacial militar Almaz e a primeira a ser lançada com sucesso. Devido à natureza militar da estação, a União Soviética relutou em divulgar informações sobre seu projeto e sobre as missões relacionadas à estação. Atingiu uma altitude de 219 a 270 km no lançamento e a Nasa relatou que sua altitude orbital final foi de 268 a 272 km. Apenas uma das três tripulações planejadas, transportada pela Soyuz 14, operou a estação com sucesso. A Soyuz 15 tentou trazer uma segunda tripulação, mas não conseguiu acoplar, e a terceira missão planejada para a estação foi cancelada. A Salyut 3 conduziu o primeiro teste de tiro de uma arma convencional no espaço. Durante a missão, os cosmonautas dispararam um canhão de aeronave Nudelman modificado de 23 mm a bordo. Foram AstroNova . N.48 . 2025
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12 Figura 9 12 realizados três testes com a arma durante toda a missão da Salyut 3.A estação reentrou na atmosfera em 24 de janeiro de 1975. Salyut 4 (DOS-4) A Salyut 4 (DOS-4) foi lançada em 26 de dezembro de 1974 em uma órbita com apogeu de 355 km, perigeu de 343 km e inclinação orbital de 51,6 graus em relação ao equador. Era essencialmente uma cópia da DOS-3 (ou Kosmos 557) e esta foi um sucesso completo. As tripulações da Soyuz 17 e da Soyuz 18 conseguiram acoplar, porém a Soyuz 18a teve o lançamento abortado. A missão da Soyuz 18 permaneceu 63 dias na estação e a nave Soyuz 20 permaneceu acoplada à estação por três meses, comprovando a durabilidade do sistema a longo prazo, apesar de ocorrer uma ligeira deterioração ambiental. A Salyut 4 reentrou em 3 de fevereiro de 1977. Salyut 5 (OPS-3) A Salyut 5 foi lançada em 22 de junho de 1976 e foi a terceira e última estação espacial Almaz a ser lançada. Duas missões Soyuz visitaram a estação, cada uma tripulada por dois cosmonautas. Uma terceira missão Soyuz tentou visitar a estação, mas não conseguiu acoplar, enquanto uma quarta missão foi planejada, mas nunca foi lançada. O objetivo principal da tripulação da Soyuz 21 a bordo da Salyut 5 era realizar experimentos militares; no entanto, pesquisas científicas também foram conduzidas, incluindo o estudo de peixes de aquário em microgravidade, a observação do Sol e o crescimento de cristais em microgravidade. A tripulação também realizou uma conferência televisionada com alunos de escolas. Os cosmonautas Boris Volynov e Vitali Zholobov permaneceram a bordo da Salyut 5 até 24 de agosto de Réplica da Estação Espacial Almaz, Centro de Cosmonáutica e Aviação, Moscou. AstroNova . N.48 . 2025
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13 1976, quando retornaram à Terra. A missão deveria durar mais tempo, mas a atmosfera dentro da Salyut 5 foi contaminada com vapores de ácido nítrico provenientes de um vazamento de combustível, o que afetou as condições psicológica e física da tripulação, exigindo uma saída de emergência. A estação reentrou na atmosfera em 8 de agosto de 1977. Estações da segunda geração Em 1977, um avanço significativo foi dado com a segunda geração de estações Salyut. O objetivo era ocupar continuamente uma estação espacial com expedições de longa duração. Embora as estações Salyut 6 e Salyut 7 se assemelhassem às estações Salyut anteriores em termos de design geral, várias mudanças revolucionárias foram feitas para o objetivo de ocupação contínua. As novas estações apresentavam uma vida útil mais longa e um segundo ponto de acoplamento. Assim, trocas de tripulação e transferências agora eram possíveis pelo acoplamento simultâneo de duas naves Soyuz tripuladas. Além disso, a nave de reabastecimento Progress, sem tripulação, foi criada com base na Soyuz tripulada, para reabastecer a tripulação e a estação com ar, elementos regeneradores de ar, água, alimentos, roupas, roupas de cama, correio, propelentes, pressurizadores e outros suprimentos. Desta forma, enquanto a Progress acoplava no segundo ponto de acoplamento da estação, a nave espacial Soyuz da tripulação podia permanecer acoplada ao primeiro ponto da estação. A nave espacial Progress até mesmo transportou equipamentos para atualizar experimentos a bordo e permitir reparos na estação, prolongando sua vida útil. Salyut 6 (DOS-5) A Salyut 6 foi lançada em 29 de setembro de 1977 por um foguete Proton. Foi a primeira estação espacial a receber um grande número de naves espaciais tripuladas (da Soyuz 25 à Soyuz 40, da Soyuz T-2 à Soyuz T-4) e de carga (da Progress 1 à Progress 12 e Soyuz T-1). Nesta estação foram realizados procedimentos de transferência de tripulação, participação internacional e reabastecimento, estabelecendo parâmetros para as operações da estação, que seriam utilizados posteriormente na Mir e na Estação Espacial Internacional. Havia também um novo sistema de propulsão e seu principal instrumento científico, o telescópio multiespectral BST-1M. Seis tripulações residentes de longa permanência eram apoiadas por dez tripulações visitantes de curta permanência, que normalmente chegavam em naves Soyuz mais novas e partiam em naves mais antigas, deixando a nave mais nova disponível para a Selo soviético homenageando a tripulação da Soyuz 21 que permaneceu na estação Salyut 5 (à esquerda, Boris Volynov, e à direita, Vitali Zholobov). AstroNova . N.48 . 2025
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AstroNova . N.48 . 2025 tripulação residente como veículo de retorno, estendendo assim a estadia da tripulação residente além da vida útil projetada da Soyuz. As tripulações visitantes de curta duração incluíam cosmonautas internacionais de países do Pacto de Varsóvia que participavam do programa Interkosmos da União Soviética. Esses cosmonautas foram os primeiros viajantes espaciais que não eram da União Soviética ou dos Estados Unidos. Sobre este programa, haverá em breve um artigo específico em breve. Após o lançamento da sucessora, a Salyut 7, em 19 de abril de 1982, a Salyut 6 foi retirada de órbita em 29 de julho de 1982, quase cinco anos após seu lançamento. Salyut 7 (DOS-6) A Salyut 7 foi tripulada pela primeira vez em maio de 1982, com dois tripulantes, transportados pela Soyuz T- 5, e recebeu a última visita em junho de 1986, da nave Soyuz T-15.Várias tripulações estiveram presentes ao longo de sua existência. As naves espaciais de apoio incluíam as naves Soyuz T, Progress e TKS. A Salyut 7 fez parte da transição de estações espaciais monoblocos para modulares, atuando como um sistema de testes para o acoplamento de módulos adicionais e expansão das operações da estação. Foi a última da segunda geração de estações espaciais da série DOS sendo substituída pela Mir, a terceira geração, modular e expansível, em 19 de fevereiro de 1986. Entre 19 e 22 de agosto de 1986, os motores da nave Salyut 6 com as naves Progress e Soyuz acopladas. 14 Salyut 7, foto realizada pela tripulação da Soyuz T-13, que viajou até a estação para realizar reparos no sistema de controle dos painéis solares.
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15 Kosmos 1686, acoplada à Salyut 7, a impulsionaram para a altitude orbital de 475 km, a ideia na época era que o ônibus espacial Buran fosse resgatá-la. Porém, a atividade solar muito alta no final da década de 1980 e início da década de 1990 aumentou o arrasto sobre a estação causando sua desaceleração e, por fim, a reentrada em 7 de fevereiro de 1991. Alguns destroços caíram nas proximidades da cidade argentina de Capitán Bermúdez. Herança dos programas Salyut e Almaz Após a segunda geração, os planos para a próxima geração de estações Salyut eram as estações DOS-7 e DOS-8 que permitiam a adição de vários módulos a um núcleo de estação e a criação de uma estação espacial modular. Para isso, os módulos DOS seriam equipados com um total de quatro pontos de acoplamento: uma na popa (parte traseira) da estação, como nas Salyuts de segunda geração, e a substituição do ponto de acoplamento frontal por uma esfera de acoplamento três pontos: frontal, bombordo (lado esquerdo) e estibordo (lado direito). Embora os núcleos de estação DOS-7 e DOS-8 tenham sido construídos e operados, eles nunca receberam a designação Salyut. Em vez disso, o DOS- 7 se tornou o módulo núcleo da estação espacial Mir, que sucedeu o programa Salyut, e o DOS-8 foi transformado no módulo de serviço Zvezda (estrela em russo) que opera até hoje na Estação Espacial Internacional (EEI). O programa Almaz também deixou uma herança que está presente até os dias atuais. Embora a última estação espacial do programa Almaz tenha voado como Salyut 5 em 1976, o desenvolvimento da nave espacial de transporte TKS, específica para esse programa, formou a base para vários módulos da Mir e o módulo Zarya (alvorada em russo), que também está presente na Estação Espacial Internacional. Rafael Cândido Jr. é graduado e mestre em Engenharia Química. Integra o grupo de astronomia Arcturus, da UFABC. Para saber mais: Salyut, the first space station. Triumph and tragedy. Grujica S. Ivanovich. Springer-Praxis. Estação Espacial Internacional vista do ônibus Espacial Atlantis (missão STS-106). Da esquerda para a direita: Módulo Unity (EUA), módulo Zarya (1º módulo da ISS), módulo Zvezda e a nave Progress M1-3 acoplada. AstroNova . N.48 . 2025
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Via Láctea no céu noturno 15/12/2025 Deserto do Atacama - Chile Astrofotógrafo: Fernando Oliveira de Menezes Via Láctea no céu noturno 15/12/2025 Deserto do Atacama - Chile Astrofotógrafo: Fernando Oliveira de Menezes
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17 Maico Zorzan [email protected] Um Céu de detritos Imagine acordar e descobrir que o GPS do celular não funciona, que as previsões do tempo estão completamente erradas, que não há sinal de TV por satélite e que bancos internacionais estão com as transações congeladas. Este cenário, que parece extraído de um filme de ficção científica, é uma possibilidade real e perturbadora impulsionada por um fenômeno invisível a olho nu, mas catastrófico e possível, a proliferação descontrolada do lixo espacial. A órbita da Terra, especialmente as regiões mais úteis entre 600 e 2.000 km de altitude, a chamada órbita terrestre baixa, ou LEO, está se transformando em um aterro cósmico. Estamos falando de mais de 130 milhões de fragmentos maiores que 1 mm, cerca de 1 milhãocom tamanho entre 1 e 10 cm, e aproximadamente 36.500objetos maiores que 10 cm sendo rastreados. Cada um desses itens, desde um parafuso solto até um satélite desativado, viaja a velocidades de até 28.000 km/h, ou como os brasileiros gostam de fazer comparações, dez vezes mais rápido que uma bala de rifle. Nessa velocidade, um fragmento de 1 cm possui energia cinética comparável à de uma granada. Capaz de contribuir com um estrago muito grande se trombar com alguém pelo caminho. Neste artigo, exploraremos a história desse problema silencioso, as tecnologias de ponta que estão sendo desenvolvidas para A BATALHA TECNOLÓGICA PARA SALVAR A ÓRBITA DA TERRA A BATALHA TECNOLÓGICA PARA SALVAR A ÓRBITA DA TERRA O homem e sua mania de espalhar lixo por tudoO homem e sua mania de espalhar lixo por tudo TECNOLOGIA ESPACIAL
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monitorar e mitigar essa ameaça, incluindo a emergente "Internet das Coisas (IoT)", e os futuros possíveis que aguardam a humanidade, dependendo das escolhas que fizermos hoje. A preservação do espaço não é apenas uma questão científica; é uma necessidade crítica para a manutenção da nossa sociedade tecnologicamente dependente. Uma História de sujeira cósmica travestida de corrida espacial O lixo espacial é uma herança não intencional da corrida espacial. O primeiro lixo espacial registrado foi em 1957, quando o satélite soviético Sputinik 1 cumpriu sua missão no espaço, tendo regressado no ano de 1958, assim como o estágio de foguete que o lançou. Um dos acidentes mais graves e amplamente citados que gerou uma quantidade significativa de detritos rastreáveis ocorreu em julho de 1996, quando um satélite militar francês (Cerise) colidiu com um fragmento de um foguete Ariane que havia explodido dez anos antes. No entanto, o ponto de inflexão que colocou o problema no radar dos cientistas ocorreu em 2009. A colisão entre o satélite de comunicações ativo Iridium 33 (EUA) e o satélite militar desativado Kosmos- 2251(Rússia) foi um alerta estrondoso. O choque, a quase 800 km de altitude, gerou mais de 2.000 fragmentos rastreáveis, aumentando instantaneamente a população de lixo em LEO em cerca de 10%. Mas o maior gerador singular de detritos na história foi um evento antissatélite realizado pela China em 2007, contra seu próprio satélite Fengyun-1C. A explosão criou uma nuvem de mais de 3.500 fragmentos rastreáveis que se espalharam por uma vasta faixa orbital, uma nuvem que ainda hoje representa um perigo significativo. Por décadas, a filosofia espacial foi lançar, usar e abandonar. Satélites esgotados, estágios superiores de foguetes e até ferramentas perdidas por astronautas foram simplesmente deixados para trás. O problema é que, na microgravidade, esses objetos não "caem" imediatamente. Eles podem permanecer em órbita por anos, décadas ou até séculos, dependendo da altitude, criando um ambiente cada vez mais hostil. E agora, o cenário está ainda pior, com um imenso número de satélites comerciais, lançados apenas por lucro, que “empesteiam” a órbita terrestre com uma demanda cada vez maior de necessidade de internet e comunicação desenfreada e que urge cada vez mais de pressa. AstroNova . N.48 . 2025 Astronauta aponta para marca em uma das janelas do módulo Cupola, da Estação Espacial Internacional (ISS). As possíveis causas vão de grão de poeira até micro estilhaço de detrito espacial. 18
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Cometa C/2023 A3 Tsuchinshan ATLAS Astrofotógrafo: Felipe Sérvulo 17/09/2024 Taperoá - PB 19 A Tecnologia de Monitoramento Atual Para navegar neste campo minado, primeiro precisamos mapeá-lo. É aí que entra a sofisticada tecnologia de vigilância espacial (SSA). Esta rede de detecção global repousa sobre três pilares principais: Radares Terrestres: são os cavalos de batalha do rastreamento. Sistemas como o Space Fencedos EUA (um radar de banda S no Atol de Kwajalein) emitem pulsos de energia que refletem nos detritos. Medindo o eco, é possível determinar posição, velocidade e tamanho. São excelentes para objetos em LEO e não dependem da luz solar. Telescópios Ópticos e a Laser: redes de telescópios robóticos, como o Pan- STARRS no Havaí, vasculham o céu noturno procurando por reflexos de luz solar em objetos. A telemetria a laseré ainda mais precisa, pois dispara um laser para um satélite ou detrito equipado com um refletor e mede o tempo de retorno da luz, obtendo medidas de distância com precisão centimétrica. Catálogos Computacionais e Modelagem: os dados brutos de radares e telescópios alimentam enormes bancos de dados mantidos por agências como a NASA, Roscosmos e a ESA. Complexos algoritmos preveem as órbitas de cada objeto, calculam riscos de colisão e emitem alertas para operadores de satélites. Com o advento de supercomputadores, e as técnicas avançadas de algoritmo, munidos da capacidade cada vez maior de decisões baseadas em IA utilizando-se da matemática como base para a análise de dados, e fazendo em poucas horas o que seria impossível ao cérebro humano realizar no mesmo tempo. No entanto, este sistema tem limitações. Ele rastreia eficientemente apenas objetos maiores que 10 cm em LEO e 1 m em órbitas geoestacionárias (GEO, a 36.000 km). A vasta "população invisível" de fragmentos menores, porém igualmente letais, escapa à nossa visão. É aqui que a próxima revolução pode acontecer, no espaço próprio. Uma Rede Neural no Espaço Se a vigilância terrestre é nosso sistema de alerta precoce, a "Internet das Coisas" é o nosso sistema nervoso central em órbita. O conceito envolve implantar uma constelação de pequenos, ágeis e relativamente baratos satélites, os CubeSats, que baratos, e de lançamento viável em foguetes menores, equipados com diversos sensores, para criar uma rede de monitoramento capaz de entender o cenário em órbita, e mapear fragmentos menores e condicionalmente perigosos. Esses nanossatélites, do tamanho de uma caixa de sapatos ou de um pão de forma, podem ser lançados em grande número para atuar como uma frota de sentinelas. Suas missões na guerra contra o lixo espacial são multifacetadas: Detectores de detritos: CubeSats equipados com sensores ópticos ou até pequenos radares podem ser posicionados em órbitas específicas para detectar e caracterizar a população de pequenos detritos (<10 cm) que os sistemas terrestres não veem. Faróis Inteligentes: Satélites novos, ou mesmo alguns detritos maiores "recuperados", podem ser equipados com transmissores e refletores ativos, tornando-se nós identificáveis nesta rede cósmica. Eles relatam continuamente sua posição exata. Plataformas de Demonstração: CubeSats são o banco de testes ideal para AstroNova . N.48 . 2025
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CENÁRIO NEGLIGENCIADO PARA O QUAL ESTAMOS CAMINHANDO Se continuarmos com as práticas atuais de lançamento e não investirmos massivamente em monitoramento fino e remediação, caminhamos para o que podemos chamar de Síndrome de Kessler. Proposto pelo cientista da NASA Donald Kessler em 1978, é um cenário de colisão em cascata autossustentável. Uma colisão gera milhares de fragmentos, que aumentam exponencialmente a probabilidade de novas colisões, que geram mais fragmentos. O resultado final seria uma camada impenetrável de detritos em torno da Terra, tornando as órbitas mais úteis inacessíveis por gerações. Lançamentos, operações de satélite e voos tripulados se tornariam incrivelmente perigosos ou impossíveis. Nosso sonho de expandir para a Lua e Marte seria abortado na largada. A sociedade regrediria tecnologicamente, perdendo serviços essenciais. 20 novas tecnologias de mitigação, como velas de arrasto, para desorbitar mais rápido ou até braços robóticos em miniatura para testes de captura. O poder desta IoT está na conectividade e na inteligência distribuída. Esses satélites se comunicam entre si e com a Terra, compartilhando dados em tempo quase real. Alimentados por algoritmos de IA, a rede pode identificar padrões de tráfego orbital, prever colisões entre objetos não monitorados e coordenar manobras evasivas de forma autônoma para constelações de satélites. É uma mudança de paradigma, de um monitoramento passivo e baseado na Terra para uma gestão ativa e incisiva do ambiente espacial. Uma pergunta precisa ser vista como fundamental: para onde estamos indo? O destino da órbita terrestre depende diretamente do investimento e da cooperação internacional em tecnologias como a IoT e a remoção ativa de detritos. Caso contrário, chagará um momento, onde o risco de acidentes e incidentes estarão elevados ao ponto de termos que repensar a exploração espacial e seus protocolos. Mas podemos antecipar isso, e evitar um cenário negligenciado. Gestão Ativa e IoT Efetiva Este é o futuro que devemos almejar. Nele, uma combinação de regulação internacional forte exigindo desorbitação ou reposicionamento em "órbitas cemitério", tecnologia de remoção ativa de detritos e uma robusta IoT prevalecendo. Nesse cenário, podemos entender que é necessário: Monitoramento Ubíquo: Milhares de sensores em CubeSats e em satélites maiores fornecem uma imagem em tempo real, de alta fidelidade, de todo o ambiente espacial. Nenhum fragmento maior que 1 cm escapa à rede. Remediação Robótica: Missões dedicadas, financiadas por consórcios públicos e privados, atuam como "caminhões de lixo" ou "reboques" espaciais. Elas interceptam e desorbitam os grandes estágios de foguetes e satélites mortos compreendidos como "bombas-relógio", antes que possam colidir. Automação e Segurança: As constelações de satélites operam com "piloto automático" avançado, recebendo alertas da rede de IoT e realizando manobras evasivas coordenadas sem intervenção humana direta, garantindo a continuidade dos serviços. Neste cenário, a órbita terrestre é vista como um bem comum e um recurso natural finito, que precisa ser gerido de forma sustentável. A exploração espacial se torna mais segura e previsível. Novas indústrias florescem, AstroNova . N.48 . 2025
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21 seguros espaciais, serviços de logística orbital, mineração de detritos para materiais. A Estação Espacial Internacional e suas sucessoras operam com risco reduzido, e as portas para a exploração interplanetária permanecem abertas. A Escolha é Nossa, o Tempo é Agora O lixo espacial é o primeiro grande desafio ambiental que a humanidade enfrenta fora dos limites do planeta Terra. Ele é único porque foi criado exclusivamente por nós e sua solução depende inteiramente da nossa engenhosidade e cooperação. É a espécie humana agindo na órbita da Terra, como faz com seus recursos naturais, e destruindo para depois remediar. As tecnologias para evitar o cenário catastrófico da Síndrome de Kessler já estão em desenvolvimento com radares mais sensíveis, telescópios mais rápidos, CubeSats inteligentes e conceitos inovadores de remoção. A IoT representa a promessa de transformar o espaço de um ambiente passivamente observado em um ecossistema ativamente gerenciado. A pergunta não é mais se podemos resolver esse problema, mas se teremos a vontade política e o investimento global para fazê-lo a tempo. Cada novo satélite lançado sem um plano de descarte, cada teste antissatélite realizado, é um passo em direção ao cenário negativo. Cada avanço em monitoramento, cada missão de remediação bem- sucedida, é um passo em direção a um futuro espacial sustentável. Preservar os céus não é um capricho da comunidade científica. É uma condição fundamental para preservar o modo de vida tecnológico do século XXI e garantir que as gerações futuras herdem não um beco sem saída de metal, mas uma autoestrada limpa para as estrelas. A batalha pelo lixo espacial é a batalha pelo nosso futuro no espaço. E ela começa com a conscientização e termina com a ação. Glossário Rápido: LEO (Órbita Terrestre Baixa): região entre 160 e 2.000 km de altitude. Local da ISS, Hubble, Starlink. GEO (Órbita Geoestacionária): a 35.786 km, onde o satélite acompanha a rotação da Terra. Usada para comunicações e meteorologia. CubeSat: satélite miniaturizado padrão, em unidades de 10x10x10 cm aproximadamente. Síndrome de Kessler: cenário teórico de colisões em cadeia que torna regiões orbitais inutilizáveis. ODR (Remoção Ativa de Detritos): tecnologias para capturar e remover ativamente lixo espacial. Maico Zorzan é graduado em Matemática e em Tecnologia da informação, pós graduado em Segurança da informação, em Inteligência artificial e em Aprendizagem de máquinas. Referências: Dados sobre as estatísticas do lixo espacial: Link: https://www.sdo.esoc.esa.int/e nvironment_report/ Link: https://orbitaldebris.jsc.nasa.g ov/ Orbital Debris Quarterly News: https://orbitaldebris.jsc.nasa.g ov/quarterly-news/ Statistics: https://orbitaldebris.jsc.nasa.g ov/quarterly- news/pdfs/odqnv27i2.pdf (exemplo de relatório com dados) Catálogo oficial de objetos espaciais rastreados pelos EUA Link: https://www.space- track.org/ Alternativa pública: https://celestrak.org/ AstroNova . N.48 . 2025
