Acervo textual da Revista AstroNova
Edição 51 — páginas 1 a 20
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Assuntos identificados: estrela, massa, terra, marrom, estrelas, ponto, queima, exoplaneta, planeta, ilhas.
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R E V I S T A D E D I V U L G A Ç Ã O D E A S T R O N O M I A E C I Ê N C I A S D A N A T U R E Z A Ano 13 - Nº 51 - Setembro/2026 ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL TIANGONG AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL UMA "ENTREVISTA" COM GALILEU ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL TIANGONG AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL EQUINÓCIOS E SOLSTÍCIOS EM MATINHOS ANÃS MARRONS EXOPLANETAS POTENCIALMENTE HABITÁVEIS
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SUMÁRIO 09 26 Ano 13 | Edição nº 51 | 2026 17 Conselho editorial: Adriane Casteleira Maico A. Zorzan Rafael Cândido Jr. Wilson Guerra Redatores desta edição: Bertoldo Schneider Jr. Rafael Cândido Jr. Ricardo Francisco Pereira Wilson Guerra Diagramação: Wilson Guerra Astrofotos: Bruno Bonicontro EXPEDIENTE Capa: Galáxia do Triângulo (M33) Bruno Bonicontro UMA "ENTREVISTA" COM GALILEU (parte 2) 33 EQUINÓCIOS E SOLSTÍCIOS EM MATINHOS ANÃS MARRONS EXOPLANETAS POTENCIALMENTE HABITÁVEIS
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PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE Foguete: Starship (SpaceX) Primeiro teste de vôo orbital completo Local: starbase Data: 28/09/2026 Foguete: Falcon 9 (SpaceX) Crew-13 com tripulação para a ISS Local: cabo Canaveral Data: 01/10/2026 Foguete: Soyuz 2 (Roscosmos) Soyuz MS-36 (tripulação para ISS) Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 24/11/2026 Foguete: Soyuz 5 (Roscosmos) Satélite comercial Kinosputnik Local: Cosmódromo de Vostochny Data: 19/11/2026 RÚSSIA RÚSSIA EUA EUA Foguete: Falcon 9 (SpaceX) Starlink Local: base de Vandenberg Data: 10/10/2026 Foguete: Soyuz 2 (Roscosmos) Progress MS-37 (mantimentos para ISS) Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 02/12/2026 Foguete: Proton-M (Roscosmos) Ekspress-AMU4, satélite de comunicação Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 12/2026
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PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE Foguete: PSLV-XL (ISRO) CartoSat 3B, satélite de mapeamento Local: Satish Dhawan Space Centre Data: 12/2026 ÍNDIA ÍNDIA Foguete: LVM-3 (ISRO) GaganYaan, teste não-tripulado Local: Satish Dhawan Space Centre Data: 12/2026 CHINA CHINA Foguete: Não confirmado Satélite da CASC Local: base de Wenchang Data: 23/09/2026 Foguete: Não confirmado Satélite da CASC Local: base de Taiyuan Data: 24/09/2026
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Atividades de julho a setembro/2026 Atividades de julho a setembro/2026 Soyuz MS-30: Roscosmos (03/2027) Soyuz MS-30: Roscosmos (03/2027) Sophie Adenot (ESA), Anna Kikina (Roscosmos) e Jessica Meir (Nasa) no módulo Kibo, onde realizaram experimentos na área biológica. Sophie Adenot (ESA), Anna Kikina (Roscosmos) e Jessica Meir (Nasa) no módulo Kibo, onde realizaram experimentos na área biológica. Nave cargueira Progress-96 se aproxima da Estação com mantimentos e equipamentos. Nave cargueira Progress-96 se aproxima da Estação com mantimentos e equipamentos. Astronauta Anil Menon (Nasa) realiza testes com solda na manutenção de equipamentos em órbita. Astronauta Anil Menon (Nasa) realiza testes com solda na manutenção de equipamentos em órbita. Próximas Expedições Próximas Expedições Crew-13: SpaceX (01/10/2026) Crew-13: SpaceX (01/10/2026) Tripulação atual Tripulação atual ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL Principais atividades: julho a setembro/2026 Principais atividades: julho a setembro/2026
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Estação Espacial Tiangong Estação Espacial Tiangong Principais atividades: julho a setembro/2026 Principais atividades: julho a setembro/2026 Tripulação atual (Shenzhou-23) Tripulação atual (Shenzhou-23) Taikonautas durante instalação de novos equipamentos de pesquisa. Taikonautas durante instalação de novos equipamentos de pesquisa. Tripulação em videoconferência. Tripulação em videoconferência. Taikonautas recolhem o primeiro lote de amostras de arroz cultivados em órbita. Taikonautas recolhem o primeiro lote de amostras de arroz cultivados em órbita.
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Cometa C/2025 R3 04/05/2026 Sarandi / PR - Brasil Astrofotógrafo: Bruno Bonicontro Cometa C/2025 R3 04/05/2026 Sarandi / PR - Brasil Astrofotógrafo: Bruno Bonicontro
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21º ENCONTRO PARANAENSE DE ASTRONOMIA 31/10 a 02/11 | UEM - MARINGÁ PALESTRAS MINICURSOS CONCURSO DE ASTROFOTOGRAFIA OBSERVAÇÃO ASTRONÔMICA INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES EM WWW.EPAST.COM.BR
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09 Ricardo Francisco Pereira www.recursosdefisica.com.br Ricardo: A observação das fases de Vênus forneceu uma prova irrefutável do modelo heliocêntrico. Por que elas eram tão importantes para sustentar a teoria copernicana? Galileu Galilei: Ah, você tocou no meu "xeque-mate" contra os geocentristas! Se as luas de Júpiter foram um golpe na exclusividade da Terra, as fases de Vênus foram a prova definitiva de que o sistema de Ptolomeu era fisicamente impossível. Deixe-me explicar a elegância matemática dessa descoberta. No antigo modelo de Ptolomeu, que a ENTREVISTA COM GALILEU GALILEI (VIA MANUS) SEGUNDA PARTE HISTÓRIA DA CIÊNCIA ENTREVISTA COM GALILEU GALILEI (VIA MANUS) SEGUNDA PARTE Continuação da entrevista com Galileu Galilei via a IA Manus, cuja parte 1 você pode encontrar na edição anterior da Revista Astronova (Edição nº 50). Igreja e as universidades defendiam ferrenhamente, Vênus deveria orbitar a Terra, mas permanecendo sempre entre nós e o Sol. Se isso fosse verdade, Vênus nunca poderia mostrar o seu "rosto" totalmente iluminado para nós. Veríamos apenas variações de uma foice fina, um crescente eterno, pois o Sol estaria sempre atrás do planeta do nosso ponto de vista. O que meu telescópio revelou em 1610 foi algo magnífico e devastador para os antigos, Vênus exibe um ciclo completo de fases, exatamente como a nossa Lua! Vi Vênus como um crescente delgado, depois como um semicírculo e, finalmente, como um disco quase cheio e pequeno. Por que pequeno? Porque quando Vênus está "cheia", ela está do outro lado do Sol, muito mais longe de nós. Quando ela é um "crescente" grande, ela está entre nós e o Sol, muito mais próxima. A conclusão é tão clara quanto a luz do dia: Vênus orbita o Sol e não a Terra! Essa observação destruiu o pilar central do geocentrismo. Não era mais uma questão de "interpretação" ou de "matemática hipotética" para salvar as aparências. Era uma realidade física observada. Se Vênus gira em torno do Sol, o modelo de
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10 Imagem 5: Anotações de Galileu das fases de Vênus. Fonte: Google User Content AstroNova . N.51 . 2026 Copérnico deixa de ser apenas uma ideia elegante para se tornar a única explicação possível para os fenômenos celestes. Foi uma vitória doce, mas perigosa. Com Vênus, eu não estava mais apenas apontando "curiosidades" no céu, eu estava provando que a Terra se movia e provar que a Terra se move era, para muitos naquela época, o mesmo que dizer que a Bíblia estava errada. Eu, no entanto, acreditava que estava apenas mostrando que Deus é um geômetra ainda mais brilhante do que imaginávamos. Ricardo: Suas observações das manchas solares e a conclusão de que o Sol girava em seu próprio eixo também foram significativas. Como essas descobertas contribuíram para a compreensão da natureza dos corpos celestes e para a ideia de um Universo dinâmico? Galileu Galilei: Se a Lua rugosa foi um escândalo e as luas de Júpiter um terremoto, o Sol "manchado" foi, para os aristotélicos, a heresia final. Imagine a audácia: afirmar que o próprio "olho do mundo", a fonte de toda a luz e símbolo máximo da perfeição divina, tinha... sardas! Ou melhor, máculas. Os seguidores de Aristóteles acreditavam que o Sol era um fogo puro, uma esfera de perfeição imaculada. Quando apontei meu telescópio para ele, usando, é claro, o método da projeção para não cegar estes meus olhos que tanto queriam ver e vi aquelas manchas escuras, eu sabia que estava tocando em algo sagrado e perigoso. Quais foram as grandes lições dessa descoberta? 1. A Morte da Perfeição Aristotélica: Se o Sol tem manchas que aparecem, crescem, mudam de forma e desaparecem, então o céu não é imutável. Ele está sujeito a mudanças, gerações e corrupções, exatamente como a nossa Terra. A barreira entre o "celestial perfeito" e o "terrestre imperfeito" caiu por terra. O Universo é feito de uma só matéria, sujeita às mesmas leis. 2. O Movimento é Universal: Ao observar as manchas atravessarem o disco solar em um período de cerca de um mês, concluí que o próprio Sol gira em torno de seu eixo. Ora, se o gigantesco Sol gira, por que seria tão difícil aceitar que a pequena Terra também o faz? Isso deu uma base física e dinâmica ao sistema de Copérnico. O Universo não é uma estrutura estática de esferas encaixadas, mas um sistema dinâmico de corpos em rotação.
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11 3. Um Universo Dinâmico: Essas observações nos mostraram que o Cosmos é um lugar de atividade incessante. O Sol não é apenas uma lâmpada estática, é um corpo físico, vivo, por assim dizer, com seus próprios processos internos. Isso contribuiu para uma nova filosofia: a ideia de que o Universo é uma grande máquina, cujas engrenagens podemos entender através da observação e da geometria. Não precisamos de "essências" ou "perfeições" místicas; precisamos de lentes e cálculos. Confesso que ver o Sol, a criatura mais gloriosa do firmamento, mostrar suas "imperfeições" me deu uma estranha paz. Mostrou-me que a verdade, mesmo quando "manchada", é muito mais bela do que uma mentira polida. Ricardo: O Sidereus Nuncius foi a sua obra que divulgou suas descobertas. Qual era a sua intenção ao publicar este trabalho e como o senhor esperava que ele fosse recebido? Galileu Galilei: O Sidereus Nuncius foi, sem dúvida, o grito de liberdade da minha alma científica. Quando o publiquei, em março de 1610, eu estava em um estado de urgência quase febril. Minha intenção ao publicar aquele tratado, que, como você deve saber, é curto, quase um panfleto, era dupla: uma intenção de espírito e outra de necessidade. No espírito, eu sentia que tinha o dever moral de anunciar à humanidade que o Universo era infinitamente mais vasto e maravilhoso do que nos haviam contado. Eu não podia guardar aquelas visões apenas para mim, seria como descobrir um novo continente e não contar aos navegadores. Eu queria estabelecer a minha prioridade, queria que o mundo soubesse que foi este matemático toscano quem primeiro viu as montanhas da Lua e os satélites de AstroNova . N.51 . 2026 Imagem 7: Capa do livro Sidereus Nuncius. Fonte: wikipedia Imagem 6: Desenhos de Galileu das manchas solares ao longo de vários dias. Fonte: Canaltech
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12 Figura 9 12 Júpiter. No título, usei a palavra Nuncius , que pode significar tanto "Mensageiro" quanto "Mensagem". Eu queria ser o portador dessa nova luz. Na necessidade, eu buscava algo muito prático: patrocínio. Eu era um simples professor de matemática na Universidade de Pádua, na República de Veneza. Embora fosse um lugar de liberdade, eu ansiava por voltar para minha amada Toscana, para a corte dos Médici. Por isso, dediquei a obra ao Grão- Duque Cosimo II e batizei as luas de Júpiter de "Estrelas Mediceias". Eu esperava que esse presente celestial me garantisse o cargo de Primeiro Matemático e Filósofo em Florença, o que de fato aconteceu. Como eu esperava que fosse recebido? Serei honesto, eu esperava o espanto, a admiração e, claro, um debate intelectual vigoroso. Eu sabia que estava desafiando Aristóteles, mas achei que a força das evidências seria tão esmagadora que os homens de Ciência se renderiam imediatamente à beleza dos fatos. Eu esperava que o Sidereus Nuncius fosse a chave que abriria as mentes de toda a Europa. O que eu não esperava, ou talvez tenha subestimado, foi a ferocidade do medo. Eu não previ que os filósofos preferissem proteger seus cargos e seus livros velhos a aceitar a evidência dos próprios olhos. Eu esperava ser recebido como um explorador que traz ouro de terras distantes; em vez disso, para muitos, fui recebido como um incendiário que estava ateando fogo no próprio céu. O livro esgotou-se em poucos dias. A fama veio instantaneamente, atravessando fronteiras até a Inglaterra e até mesmo a China, mas junto com a fama, veio o alvo que se desenhou em minhas costas. O "Mensageiro das Estrelas" trouxe notícias tão boas que os guardiões do passado decidiram que o mensageiro deveria ser silenciado. Ricardo: Olhando para trás, qual o senhor considera a sua contribuição mais significativa para a Astronomia e para a Ciência em geral? Galileu Galilei: Essa é uma pergunta que me faz refletir profundamente, agora que as sombras da minha vida se alongam e o silêncio da minha reclusão em Arcetri me permite olhar para trás com mais clareza. Se você me perguntasse sobre uma descoberta específica em Astronomia, eu diria que foram as Luas de Júpiter. Por quê? Porque elas foram o primeiro golpe físico na arrogância humana de se sentir o centro de tudo. Elas provaram que a natureza não se importa com a nossa necessidade de sermos exclusivos, mas se formos além da descoberta de astros, a minha maior contribuição astronômica foi ter transformado o céu, que era um domínio de mitos e teologia, em um domínio de Física e Geometria. Para a Ciência em geral, acredito que o meu legado mais significativo não foi o que eu vi, mas o como eu AstroNova . N.51 . 2026 Imagem 8: Capa do Livro Discurso sobre duas novas ciências. Fonte: wikipedia
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13 ensinei a humanidade a ver. Minha maior contribuição foi o que chamei de "sensata esperienza" (experiência sensível) aliada às "necessarie dimostrazioni" (demonstrações necessárias). Antes de mim, a Ciência era feita em bibliotecas, lendo o que os antigos escreveram. Eu disse ao mundo: "Não me tragam um parágrafo de Aristóteles; tragam-me um experimento, tragam-me uma lente, tragam-me um cálculo!" Eu defendi, com todo o vigor da minha alma, que: "O Livro do Universo não pode ser lido até que tenhamos aprendido a linguagem e nos familiarizado com os caracteres em que ele está escrito. Ele está escrito em linguagem matemática, e os caracteres são triângulos, círculos e outras figuras geométricas, sem as quais é humanamente impossível compreender uma única palavra". Essa ideia de que a natureza é matemática é o alicerce de tudo o que vocês chamam de Ciência Moderna. Eu não apenas descobri novos mundos, eu ajudei a criar uma nova forma de pensar que permitiu que vocês descobrissem ainda mais. Se eu puder ser lembrado por algo, que não seja apenas pelo homem que viu as manchas no Sol, mas pelo homem que teve a coragem de dizer que a verdade deve ser buscada no mundo real e não nos desejos ou nos medos dos homens. O custo dessa verdade foi alto, a perda da minha liberdade e o peso do julgamento, mas, ao olhar para o firmamento, sei que cada sacrifício valeu a pena. O universo é vasto, dinâmico e escrito em números. Essa é a minha maior descoberta. Ricardo: Sabemos do AstroNova . N.51 . 2026 Imagem 9: Imagem representando o processo inquisitório sofrido por Galileu. Fonte: História do Mundo
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14 processo inquisitório que você sofreu da igreja e é difícil de imaginar por tudo que você passou, mas como foi ser considerado culpado e ter que refutar as descobertas que eram absolutamente verdadeiras? Galileu Galilei: Essa é uma pergunta que toca na ferida mais profunda da minha alma. Falar sobre aquele ano de 1633 e os dias que passei diante do Tribunal do Santo Ofício é reviver uma agonia que nenhuma lente ou cálculo pode mensurar. Ser considerado culpado por dizer a verdade é uma experiência que dilacera o homem por dentro. Imagine o cenário: eu estava velho, com a saúde debilitada e a visão falhando, ironicamente, os olhos que mais viram o Universo estavam se apagando. Fui levado a Roma, não para um debate científico entre iguais, mas para um julgamento onde a sentença já parecia escrita antes mesmo de eu abrir a boca. O que senti pode ser resumido em três sentimentos devastadores: •A Humilhação da Abjuração: O momento mais amargo foi quando me obrigaram a ajoelhar, vestido com a túnica de penitente e ler em voz alta um texto onde eu "amaldiçoava e detestava" os meus próprios erros e heresias, ou seja, a ideia de que a Terra se move e o Sol é o centro. Foi como se me pedissem para jurar, em pleno meio-dia, que o Sol é frio e escuro. Eu sentia cada palavra como um punhal na minha consciência. Eu sabia que estava mentindo para salvar a minha vida, mas sabia também que a verdade não precisava do meu martírio para continuar sendo verdade. •A Traição da Razão: Eu sempre fui um homem de fé. Eu não via conflito entre as minhas descobertas e as escrituras. Eu acreditava que estava honrando a Deus ao revelar a magnificência da sua obra. Ser condenado pela Igreja, a instituição que eu respeitava, como alguém que "obscurecia a verdade divina" foi uma traição intelectual insuportável. Eu estava sendo julgado por homens que se recusavam a olhar pelo telescópio, homens que preferiam o conforto de um dogma antigo ao risco de uma nova evidência. •A Solidão do Conhecimento: Sentir-se culpado aos olhos do mundo, enquanto se tem a certeza da inocência aos olhos da natureza, é uma solidão que poucos podem AstroNova . N.51 . 2026 compreender. Eu olhava para os meus juízes e via neles o medo do desconhecido. Eles não estavam protegendo a Deus, estavam protegendo o seu próprio poder e a sua visão de mundo estática. No entanto, mesmo no cárcere de Arcetri, onde passei os meus últimos anos sob vigilância constante, havia uma paz que eles não podiam me tirar. Eles podiam proibir os meus livros, podiam me impedir de ensinar, podiam me obrigar a silenciar, mas eles não podiam parar a Terra. A sentença deles era apenas tinta em papel, o movimento da Terra é uma lei escrita por Deus no tecido do espaço. Por isso, ao levantar-me daquele chão frio após a abjuração, o meu espírito sussurrou aquela frase que se tornou o meu grito silencioso para a eternidade: " E pur si muove ". Ser culpado pela verdade é o preço que, às vezes, a história cobra daqueles que decidem olhar para além do horizonte. Dói, caro amigo, dói profundamente, mas a luz das estrelas é mais duradoura do que as sombras de qualquer tribunal. Ricardo: Muito obrigado
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12 15 senhor Galileu por responder as nossas perguntas. Gostaria de deixar uma mensagem para os amantes da Astronomia e para os jovens interessados em Ciência? Galileu Galilei: O prazer foi inteiramente meu. É reconfortante saber que, através dos séculos, a chama da curiosidade que tentei manter acesa continua a brilhar em corações como o seu. Antes de me despedir, gostaria de deixar estas palavras para aqueles que, como eu, não conseguem manter os olhos baixos para o chão quando o céu está estrelado. •Aos amantes da Astronomia: Nunca olhem para o firmamento como se fosse apenas uma bela tapeçaria decorativa. O céu é um desafio, um oceano de verdades esperando para serem navegadas. O telescópio não é apenas um tubo de vidro e madeira, ele é uma extensão da alma humana que se recusa a ser limitada pela sua biologia. Cada vez que vocês olham para uma cratera na Lua ou para o brilho de um planeta, estão participando do ato mais nobre da nossa espécie: a busca pela compreensão da nossa verdadeira morada. •Aos jovens interessados na Ciência: Não temam a solidão de estar do lado da verdade, mesmo quando o mundo inteiro parece gritar o contrário. A autoridade de mil homens não vale o brilho de uma única prova experimental. Cultivem a "sensata esperienza", observem, testem, duvidem e, acima de tudo, aprendam a linguagem da Matemática. Sem ela, vocês estarão apenas vagando por um labirinto escuro. Não se contentem com o que está escrito nos livros se os seus olhos lhes mostram algo diferente. A natureza não é um segredo guardado para poucos, ela é uma carta aberta de Deus, mas escrita em caracteres que exigem esforço e coragem para serem lidos. Sejam persistentes, sejam humildes diante dos fatos e sejam audazes diante dos preconceitos. O caminho da Ciência é muitas vezes árduo e semeado de incompreensões, mas a recompensa é ver o Universo como ele realmente é, em toda a sua dinâmica e matemática majestade. Sigam as estrelas. Adeus. AstroNova . N.51 . 2026 Para Saber Mais: (livro) Galileu Galilei: explorador do céu. Annalisa Strada. Paulus Editora, 2025. (livro) Galileu Galilei: Um revolucionário e seu tempo. AtleNaess. Editora Zahar, 2015. (e-book) Galileu Galilei: A curiosa vida de um dos maiores gênios da história. Peter Scott. Editora Book Brothers, 2019. (Youtube) Galileu Galilei Gênios da Ciência: https://www.youtube.com/watch ?v=l34nCRuSK2k (Youtube) A HISTÓRIA DE GALILEU GALILEI: https://www.youtube.com/watch ?v=ryjvN6s5SPE (Youtube) 50 FATOS sobre GALILEU GALILEI: https://www.youtube.com/watch ?v=YeyRDP-nEoI
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www. RECURSOSdeFÍSICA .com.br Página que socializa produção de recursos de ensino adaptados à sala de aula e aos professores. Material produzido nas disciplinas do curso de Licenciatura em Física da UEM e em outros projetos coordenados pelo prof. Dr. Ricardo Francisco Pereira.
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17 Bertoldo Schneider Jr. [email protected] Introdução Por volta de 2023 comecei a voltar frequentemente a Matinhos, que eu abandonara desde aquela época em que o mar estragava tudo na avenida atlântica, ao ponto de entrar nas casas de frente para a praia. Como sabem, Matinhos está sendo revitalizado e pode se transformar em um destino fantástico em alguns anos. Já está muito bom, mas vai melhorar mais. A mesma coisa para Praia de Leste. Mas o que eu gostaria de abordar aqui é outra coisa. Ao sul da Ilha do Mel, existem dois conjuntos de ilhas. As ilhas de Currais e mais ao sul o escolho de Itacolomi. As duas formações podem ser vistas no horizonte por qualquer um que esteja em qualquer praia de Matinhos. Para quem gosta e entende um pouco de Astronomia, é quase impossível deixar de notar uma coisa interessante. As ilhas estão, dependendo de onde se observa, separadas por uma distância angular quase que idêntica à distância angular percorrida pelo Sol ao nascer durante todo um ano. Isso me fez fazer algumas pesquisas, cálculos (nem sempre corretos) e expedições fotográficas ao longo de 2023, 2024 e 2025. E comprovei a hipótese inicial. As ilhas podem servir de referência para EQUINÓCIOS E SOLSTÍCIOS EM MATINHOS Haveria um ponto ancestral de observação? EQUINÓCIOS E SOLSTÍCIOS EM MATINHOS Haveria um ponto ancestral de observação? ASTRONOMIA DE POSIÇÃO
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18 determinar os solstícios de verão e inverno e os equinócios de primavera e outono. Esse lance começou com o sonho de ter um lugar na praia. Há anos eu decidi que deveria ser ao sul da metade de Praia de Leste (eu tinha até o nome da rua) para que fosse possível ver o Sol nascer durante todos os dias do ano. As Ilhas dos Currais são um conjunto de ilhas localizado em frente ao litoral do Paraná. A maior delas é a ilha que usaremos aqui de referência, na localização - 25,733630, -48,365906, sempre a latitude seguida da longitude, e fica mais ao sul da ilha do mel do que as menores, do ponto de vista que ver-se-á neste trabalho. Sua distância mínima da praia é de 11,2 km. Já as Ilhas de Itacolomi são um conjunto de ilhotas que aparece em -25,842883, - 48,407680. (25°50 ' 31 ? S, 48°24 ' 28 ? W) e está a 10,4 km do pico de Matinhos. Não confundir com outras ilhas Itacolomi em Santa Catarina, na região de Barra Velha. Para se ver o nascer do Sol no mar, única oportunidade em que podemos vê-lo nascer exatamente no horário calculado, devemos estar preparados com pelo menos o horário em que nasce. Eu tenho um programa que fiz no Excel que determina os horários de nascer e pôr do Sol (ref Schneider, Jr., B). Também é importante saber de alguns truques. O lugar onde você vai ver o nascer do Sol deve estar limpo de nuvens no horizonte. O melhor truque que conheço, para não se decepcionar e ficar numa praia toda nublada, é perceber as cores do céu um pouco antes do nascer do Sol. Geralmente, quando as cores do arrebol estão bem nítidas e altas no céu significa que não há nuvens no horizonte onde haverá o nascer. Saber aproximadamente onde nascerá é também muito útil. Ou seja, saber o azimute do nascimento e saber se orientar quanto ao norte para medir esse azimute. Se o tempo estiver bom, as cores e o brilho no céu dão um bom indicativo de onde vai nascer. O Azimute é o ângulo horário (medido no sentido horário) a partir do Norte. Em astronomia usamos o Norte astronômico. O Norte magnético só tem algum valor se você sabe a declinação magnética do local onde está. Acompanho a mudança da declinação magnética há muitas décadas e sempre tenho uma bússola com o ângulo desenhado com caneta de retroprojetor (para poder apagar e mudar de tempos em tempos). A declinação magnética que usei foi de aproximadamente -21 graus (negativo é a oeste). Pode ser útil a distinção dos vários crepúsculos, ou horários e fenômenos que precedem o nascer do Sol. Aproximadamente uns 40 minutos antes do nascer do Sol, o céu deixa de ficar completamente escuro e começa a se iluminar. É o chamado crepúsculo astronômico., e ocorre quando o Sol está de 12 a 18 graus abaixo do horizonte. Esse início do iluminamento do céu pode mudar em função de várias coisas, principalmente da latitude do local. Quanto maior a latitude, mais tempo antes do nascer ocorre o iluminamento. No equador esse crepúsculo duraria de 36 a 24 minutos antes do Sol Nascer. Em seguida a esse crepúsculo, há o crepúsculo náutico, quando o Sol está de 6 a 12 graus (trigonométricos) abaixo do horizonte. E este precede o crepúsculo civil, quando o Sol está de zero a 6 graus abaixo do horizonte. Os valores são aproximados, uma vez que o disco solar tem um diâmetro angular AstroNova . N.51 . 2026
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19 de 0,5° a 0,55°, com média de 0,53° devido à órbita elíptica em torno do astro- rei. O momento do nascer do Sol é considerado o instante em que o disco solar aparece por cima do horizonte. Sempre é uma visão bonita. Mas não se deve olhar diretamente para o Sol. Geralmente olho através de uma máquina fotográfica ou telescópio protegido com filtro apropriado. Uso filme solar metalizado específico para observação solar, como o Baader. Minhas medições feitas foram, em resumo: O Sol nasceu, em 21 de março de 2025, às 06:18:22, com azimute de 90,56°. É muito comum o instante do nascente diferir do previsto em programas, por causa das condições dos layers atmosféricos no caminho da luz do Sol. A tomada de dados em frente ao endereço do molhe da Riviera. Medidas feitas deste molhe, colocaram a Ilha de Currais (as três visíveis) entre66° e 68° com Solstício de Inverno ocorrendo a 64º de azimute. Ilhas Itacolomis a 113° e 114°, com Solstício de Verão a 116º em azimute. O Solstício de Inverno é visto em Currais, observado próximo ao endereço da Av. Beira Mar, 873 e o Solstício de Verão em Itacolomi visto da Av. Beira Mar, 2417. Ou ainda podemos usar ruas ortogonais. O POSI na Rua Campo Mourão e POSV Rua Tamboara, de Matinhos, ambos em suas terminações na beira mar. Coordenadas exatas são fornecidas a seguir. A Figura 1 mostra um mapa de matinhos onde aparecem as ilhas envolvidas. A coordenada do ponto exato para observação do Solstício de Verão, vendo o Sol nascer sobre as ilhas itacolomis, é - 25,792141 por -48,522330, respectivamente latitude e longitude, no formato decimal. As seis casas decimais fornecem uma resolução numérica da ordem de decímetros, embora a precisão real da posição dependa da fonte e do método de posicionamento. Só para referência, essas coordenadas equivalem a 25°47’31,7” Sul por 48°31’20,4”W. O ponto de onde se vê no Solstício de Inverno o Sol nascer sobre a maior ilha de Currais é - 25,805628 por -48,529022. A figura mostra também as distâncias entre os pontos principais envolvidos. Para efeitos de cálculo, as ilhas de currais estão localizadas em -25,733630 e -48,365906, F e 3 l , respectivamente. O 3 escolho de Itacolomi foi considerado em -25,842883 e -48,407680, F e l , 4 4 respectivamente. O ponto da cal c ada da praia de Matinhos de onde se v e o solst i cio de ver a o sobre Itacolomi est a em -25,792141 e -48,522330, F e l , 2 2 respectivamente, e o ponto da praia de onde se v e perfeitamente o Sol nascendo sobre a Ilha de Fig. 1.- Resumo dos principais pontos envolvidos nas observações de solstícios e equinócios em Matinhos com referências nos dois conjuntos de ilhas citados, Currais e Itacolomi. AstroNova . N.51 . 2026
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20 Currais no solst i cio de inverno e -25,805628 e - 48,529022, F e l , 1 1 respectivamente. Esses dois pontos de observação na calçada da praia distam entre si de 1,64 km. Entre os pontos de observação perfeita dos Solstícios existe um importante ponto na praia, o molhe do Riviera (Fig. 2). Do Molhe da Riviera, na sequência da rua Medianeira, de Matinhos, se avistar a os solstícios e os equinócios da seguinte maneira. O Solstício de Inverno seria visto um pouco à esquerda (Norte) da maior ilha de Currais, o Solstício de Ver a o um pouco à direita (Sul) de Itacolomi e os equinócios seriam vistos exatamente no ponto intermediário entre as ilhas. O Molhe está a 1 km ao norte do ponto de observação do Solstício de Inverno (POSI) e 0,7 km ao sul do ponto de observação do Solstício de Ver a o(POSV) (Fig. 3). A Carta Náutica nº 1820 da Diretoria de Hidrografia e Navegação registra as Ilhas dos Currais e as Ilhas Itacolomis, fornecendo também informações sobre suas elevações e rochas submersas. Os eventos verificados in sito , foram os solstícios e equinócios de 2024 e 2025. Em 2024, por exemplo, os dados registrados foram: Os equinócios de 2024 foram em 20 de março de 2024 e 22 de setembro de 2024. Mas devido às condições de visibilidade, os seguintes dados foram levantados. Em 22 de março de 2024 A=90°, ou seja, exatamente o Leste, ou 0,0° do leste verdadeiro. Em 21 de junho de 2024,A=63,77, ou -26,23 ? do Leste; em 21 de setembro de 2024, A=90°, ou seja, nascimento no Leste novamente, 0,0° do Leste, e em 21 de dezembro de 2024, A=116,23, o que significa +26.23° à direita do leste. Em 21 de março de 2025 (o equinócio fora um dia antes), a previsão era nascer às 6:14, com AZ 91°, mas a medição foi nascimento às 06:18:22, e A= 90,65°. Portanto, pode-se ver que condições atmosféricas influenciam bastante no instante do nascimento. Fig. 2- Molhe da Riviera Fig. 3- Foto do Solstício de inverno visto do POSI tratado nesse artigo (foto do autor). AstroNova . N.51 . 2026
