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27 de Abril, 2021

Blue Origin aponta favorecimento da SpaceX pela Nasa no programa Artemis

A Blue Origin, a empresa de foguetes fundada por Bezos entrou nesta segunda (26) com um documento de 50 páginas junto ao órgão federal responsável por avaliar licitações, o Government Accountability Office (GAO), contestando um contrato de US $ 2,9 bilhões da Nasa com a SpaceX. A Nasa anunciou este mês que a SpaceX de Musk foi a única vencedora da competição, derrotando a Blue Origin e uma terceira empresa, a Dynetics. A Nasa foi notificada oficialmente.
Bob Smith, executivo-chefe da Blue Origin, disse que a Nasa avaliou mal as vantagens da proposta da Blue Origin e minimizou as dificuldades técnicos da SpaceX. Ele acrescentou que, de qualquer forma, a agência espacial deveria ter mantido o desejo que já havia manifestado várias vezes, de querer subsidiar duas empresas.
Em 2020 a Nasa selecionou três projetos de pousadores lunares, da SpaceX, Blue Origin e Dynetics. A proposta da Blue Origin foi uma colaboração conhecida como “National Team” com três empresas aeroespaciais norteamericanas muito experientes – Lockheed Martin, Northrop Grumman e Draper. O módulo de pouso que eles propuseram parece uma versão maior do usado para pousos na Lua das missões Apollo.
A SpaceX, por outro lado, propôs algo bem diferente: adaptar uma grande nave chamada Starship, que está atualmente em desenvolvimento para viagens a Marte. A SpaceX tem testado protótipos da Starship no Texas, quase sempre com resultados explosivos.
A Nasa anunciou uma licitação do módulo lunar em 2018, dizendo repetidamente que queriam escolher mais de uma empresa para garantir a competição e estimular a inovação e redundância. Em setembro passado, Jim Bridenstine, então administrador da Nasa, expressou preocupação se a agência escolhesse apenas um projeto.
No entanto, para o atual ano fiscal, o Congresso autorizou apenas US$ 850 milhões à Nasa – um quarto do que Bridenstine solicitou para o desenvolvimento dos pousadores lunares. Quando a Nasa anunciou a SpaceX como a única recebedora do dinheiro, ficou implícito que a decisão foi forçada pelo orçamento limitado. Nas falas de Kathy Lueders, administradora da Nasa para operações humanas no espaço, selecionar uma só empresa era a “melhor estratégia” no momento.
Em suas regras para a competição, a Nasa disse não prometeu que escolheria duas empresas ou mesmo qualquer uma. De acordo com o documento, a agência disse que planejava selecionar até duas empresas. Lueders disse que uma competição para construir landers subsequentes seria aberta para a Blue Origin e outras empresas. O diretor executivo da Blue Origin afirmou que a empresa faria propostas em uma licitação futura. Mas acrescentou: “A ideia de que seremos capazes de participar de uma licitação com algo que agora está indefinido e sem financiamento não faz muito sentido para nós”. Smith apontou que, com programas semelhantes no passado, como as missões para a ISS, a Nasa contratou mais de uma empresa.
O projeto proposto pela Blue Origin custaria US$ 6 bilhões, enquanto o da SpaceX foi quase US$ 3 bilhões. Mas o valor inicial cobrado pela empresa de Musk não foi esse. A Nasa procurou a SpaceX para negociar os valores, mas não fez o mesmo com as outras duas empresas. “Não tivemos a chance de reavaliar a proposta e isso é injusto”, disse Smith. Menos de US $ 9 bilhões teriam pago pelos dois pousadores, e isso é comparável ao custo de US $ 8,3 bilhões do programa de tripulação comercial que atualmente a Nasa usa para transporte à ISS, argumentou a Blue Origin.
Smith disse que a Nasa julgou mal aspectos da proposta da Blue Origin, como se o sistema de comunicação e redundância na orientação e navegação fossem pontos fracos. Ele também disse que a Nasa minimizou os riscos no design da SpaceX, como a necessidade de reabastecer a nave em órbita, algo que simplesmente nunca foi tentado antes. “O risco de desenvolvimento da SpaceX é alto.” O GAO tem 100 dias para tomar uma decisão sobre a contestação da Blue Origin.
Esta não é a primeira vez que a Blue Origin e a SpaceX entram em atritos. Em 2013, a Nasa decidiu que a SpaceX usaria a base de lançamentos 39A no Kennedy Space Center na Flórida. A Blue Origin argumentou que sua proposta, que permitiria que a plataforma de fosse usada por várias empresas, deveria ter sido escolhida pois garantiria a concorrência. Mas a decisão da Nasa acabou dando à SpaceX o monopólio da estrutura de lançamento.
No fim, as disputas escancaram que quaisquer que sejam os objetivos de Musk e Bezos, suas fortunas dependem de acordos com o governo… ora justos, ora obscuros.

Fonte: The New York Times – https://www.nytimes.com/2021/04/26/science/spacex-moon-blue-origin.html

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