Da Nasa

Asaph Hall estava pronto para desistir de sua frustrante busca por uma lua de Marte, certa noite de agosto em 1877, quando sua mulher Angelina insistiu em que ele continuasse. Ele descobriu Deimos na noite seguinte, e Fobos seis dias mais tarde.
Noventa e quatro anos mais tarde, a sonda Mariner 9 da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa) dos Estados Unidos conseguiu observar de maneira muito mais clara as duas luas, quando estava orbitando o planeta Marte. A característica dominante de Fobos, descobriu a espaçonave, era uma cratera de 10 quilômetros de diâmetro – mais ou menos a metade do diâmetro da lua em questão. A cratera foi batizada com o nome de solteira de Angelina – Stickney.
Hall batizou as luas com os nomes mitólogicos dos filhos de Áries, o deus grego conhecido como Marte entre os romanos. Fobos significa medo ou Pânico (como em “fobia”) e Deimos significa fuga (por exemplo, depois de uma derrota devastadora). Nomes muito apropriados para os filhos do deus da guerra.
As luas de Marte estão entre as menores do Sistema Solar. Fobos é um pouco maior que Deimos e orbita a apenas 6.000 quilômetros da superfície marciana. Não se conhece qualquer outra lua que tenha órbita tão próxima ao seu planeta. O satélite circunda Marte três vezes por dia, enquanto Deimos, mais distante, leva 30 horas para completar uma órbita. Fobos está gradualmente aproximando sua órbita da superfície, em cerca de 1,8 metro por século. Dentro de 50 milhões de anos, a lua colidirá com o planeta, ou se estilhaçará e formará um anel de fragmentos em torno de Marte
Para alguém posicionado em Fobos, na face da lua que contempla Marte, o planeta ocuparia grande parte do céu. E pode ser que seres humanos um dia o façam. Os cientistas discutiram a possibilidade de usar uma das luas marcianas como uma base a partir da qual astronautas possam observar o planeta vermelho e lançar robôs para sua superfície, enquanto quilômetros de rochas os protegem contra os raios cósmicos e a radiação solar por praticamente dois terços de cada órbita.
Como a Lua terrestre, Fobos e Deimos sempre apresentam a mesma face ao seu planeta. Ambas são recobertas de caroços, crateras e camadas de poeira e pedras soltas. Estão entre os objetos mais escuros do Sistema Solar. As luas parecem ser compostas de rochas ricas em carbono misturadas com gelo, e podem ser asteróides capturados.
Fobos tem apenas um milésimo da atração gravitacional terrestre. Uma pessoa de 68 quilos pesaria 68 gramas, lá. Mas a espaçonave Mars Global Surveyor, da Nasa, mostrou indícios de deslizamentos de terra, rochedos e poeira que teriam caído de volta na superfície depois de serem arrancados da lua por meteoritos.


Deimos
Batizada em homenagem ao deus romano do medo, Deimos é a menor das duas luas marcianas. Com apenas 15 por 12 por 11 quilômetros de tamanho, Deimos circunda Marte a cada 30 horas.


Como Fobos, Deimos tem um aspecto rugoso e muitas crateras. Mas as crateras lá em geral têm diâmetro inferior a 2,5 quilômetros, e não apresentam as estrias e as cristas vistas em Fobos. Tipicamente, quando um meteorito atinge a superfície, material depositado lá é expelido para fora da cratera resultante. O material em geral cai de volta em torno da cratera. Mas esses depósitos de ejeção não são vistos em Deimos, talvez porque a gravidade da lua seja tão baixa que o material ejetado consegue escapar para o espaço. Mas há indicações de que certos materiais tenham deslizado encosta abaixo. Deimos conta também com um espesso regolito, com talvez 100 metros de profundidade, formado quando meteoritos pulverizados golpearam sua superfície.
Deimos é um corpo escuro que parece ser composto de materiais de superfície do tipo C, semelhantes ao dos asteróides encontrados no cinturão de asteróides externo.


Fobos
Fobos, a maior das luas marcianas, marcada e quase dilacerada por uma imensa cratera de impacto e por milhares de impactos de meteoritos, está em curso de colisão com o planeta.
Fobos, batizada em honra de um mensageiro do deus da guerra romano, é a maior das duas luas marcianas, medindo 27 por 22 por 18 quilômetros. O satélite circunda Marte três vezes por dia, e está tão perto da superfície do planeta que não pode ser visto, de alguns locais marcianos.


Fobos está se aproximando de Marte ao ritmo de 1,8 metro a cada 100 anos; nesse ritmo, vai colidir com o planeta dentre de 50 milhões de anos, ou se romper em um anel de fragmentos. Sua marca característica é a cratera Stickney, de 10 quilômetros de diâmetro. O impacto causou enrugamento de toda a superfície da lua. A cratera foi avistada pela Mars Global Surveyor e está cheia de uma poeira fina, com indícios de que rochas deslizaram por suas encostas abaixo.
Fobos e Deimos parecem ser compostas de rochas tipo C, semelhantes aos asteróides de condritos carbonáceos. As observações da Mars Global Surveyor indicam que a superfície desse pequeno corpo celeste foi pulverizada por eras de impacto de meteoritos, alguns dos quais causaram deslizamentos de terra que deixam trilhas escuras nas bordas das imensas crateras.
Medições nos lados diurno e noturno de Fobos mostram extremos de temperatura, e o lado ensolarado da lua se assemelha a um dia de inverno ameno em Chicago, enquanto a alguns quilômetros de distância, no lado escuro, o clima é mais severo que o de uma noite antártica. As temperaturas mais altas em Fobos são de menos quatro graus, e as mais baixas de menos 112. Essa intensa perda de calor é provavelmente resultado da poeira fina na superfície do planeta, incapaz de reter o calor.
Fobos não tem atmosfera. Pode ser um asteróide capturado, mas alguns cientistas encontraram indícios contrários a essa teoria.

Fonte: https://solarsystem.nasa.gov/moons/mars-moons/overview/
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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