Nesta semana a sonda DART chegou na Califórnia para ser preparada para o lançamento, após deixar as instalações do Laboratório Johns Hopkins de Física Aplicada (APL), da Nasa, em Laurel, Maryland (EUA). A curiosa missão, a primeira com o objetivo de defesa planetária, leva consigo diversas novidades tecnológicas que serão testadas na prática.
A missão Double Asteroid Redirection Test (DART), que em bom português significa: Teste de redirecionamento de asteroide duplo, é uma demonstração em órbita da deflexão de um asteroide, onde uma tecnologia de impacto cinético será aplicada na tentativa de alterar a velocidade e o caminho de um asteroide. É dirigida pelo Escritório de Coordenação de Defesa Planetária da Nasa, desenvolvida no Johns Hopkins Applied Physics Laboratory (APL) com apoio de vários outros centros da Nasa, universidades, outras agências aeroespaciais e instituições públicas e privadas. A espaçonave será lançada em um foguete Falcon 9 da SpaceX, a partir de Vandenberg, na Califórnia (EUA), no dia 24 de novembro de 2021.

O alvo
O alvo da missão é um sistema binário de asteroides chamado (65803) Didymos – gêmeos, em grego. Pertence a uma classe de objetos do Sistema Solar chamados de Near Earth Asteroid (NEA), isto é, pertence a um grupo de asteroides cujas órbitas são próximas à da Terra, e estará a cerca de 11 milhões de quilômetros de distância da Terra no momento do encontro. Apesar de se tratar de um NEA, não possui rota de colisão com nosso planeta, portanto não representa uma ameaça real de impacto.
O sistema é composto por dois asteroides: o corpo maior, Didymos (ou Didymos A), possui 780m de diâmetro e gira uma vez a cada 2,26 horas e o corpo menor, Dimorphos (Didymos B), que orbita o asteroide maior como um satélite, possui aproximadamente 160m e é travado por maré em relação ao seu companheiro. Portanto, gira em torno do corpo primário uma vez a cada 11,9 horas e estão separados por pouco mais de um quilômetro de distância um do outro.

O objetivo
A missão é uma demonstração de tecnologia de defesa planetária a fim de responder a uma real ameaça de impacto.
A nave espacial DART impactará o asteroide Dimorphos a uma velocidade 6,6 Km/s. A energia que DART vai projetar sobre o sistema é baixa e não vai interromper o caminho dos asteroides, porém será suficiente para acelerar Dimorphos e trazer sua órbita para mais próxima de Didymos. A colisão mudará a órbita do sateloide ao redor do corpo principal em uma fração de 1%, o que será suficiente para mudar seu período orbital em vários minutos.
Como Didymos é um sistema eclipsante sob a perspectiva da Terra, – isto é, Dimorphos passa na frente e atrás de Dydimos a partir do nosso ponto de vista – os telescópios terrestres poderão medir a variação do brilho de Didymos para determinar a órbita de Dimorphos antes e depois do impacto de DART.
A previsão do impacto é entre setembro e outubro de 2022, momento de menor distância do alvo com a Terra, de forma a facilitar as observações a partir da Terra e telescópios do mundo inteiro poderão contribuir para a campanha de observação internacional para determinar o efeito do impacto de DART.

A sonda
DART é uma espaçonave pequena munida de um avançado sistema navegação óptica autônoma. Sua estrutura principal possui aproximadamente 1,3 m³, a partir da qual outras estruturas se estenderão, aumentando consideravelmente suas proporções finais. Seus painéis solares do tipo ROSA (Roll Out Solar Arrays), como os que foram recentemente instalados na Estação Espacial Internacional, possuem 8,5m de comprimento, após desenrolados por completo.
É equipada com uma câmera chamada Didymos Reconnaissance and Asteroid Camera for Optical Navigation (DRACO), seu único instrumento científico. DRACO é um gerador de imagens de alta resolução que foi desenvolvido baseado na câmera da sonda New Horizons, LORRI, com objetivo de oferecer suporte à navegação e direcionamento, medir o tamanho e a forma do alvo e determinar o local do impacto e o contexto geológico.

Seus propulsores fazem parte de uma nova tecnologia de motores iônicos. Os NEXT-C (Evolutionary Xenon Thruster da NASA) são propulsores elétricos movidos a energia solar e foram baseados no sistema de propulsão da espaçonave Dawn. Trata-se de um motor de íons em grade que produz impulso por aceleração eletrostática desses átomos eletricamente carregados formados a partir do propelente xenônio, conferindo à sonda maior desempenho, autonomia e uma flexibilidade significativa no cronograma da missão.
A sonda carrega consigo o CubeSat Light Italian CubeSat for Imaging of Asteroids (LICIACube), construído pela Agência Espacial Italiana (ASI) que será implantado alguns dias antes da aproximação do alvo a fim de capturar imagens do impacto com Dimorphos, a nuvem de ejeções resultante e, quem sabe, um vislumbre da cratera de impacto na superfície do asteroide. O CubeSat possui dois instrumentos: LEIA (LICIACube Explorer Imaging for Asteroid), uma câmera pancromática teleobjetiva para adquirir imagens de longa distância com alta resolução, e LUKE (LICIACube Unit Key Explorer), uma câmera RGB grande angular, permitindo uma análise multicolorida do ambiente asteroidal.
Nota do editor: termino este parágrafo com o tema de Guerra nas Estrelas.
Por fim, a missão levou mais de 8 anos para ser concluída e seu orçamento total é estimado em torno U$ 314 milhões, desde o início de seu projeto até o final da missão em 2022.
fonte:
https://dart.jhuapl.edu
https://www.nasa.gov/planetarydefense/dart
https://www.planetary.org/space-missions/dart

