O Nauka, novo módulo da Estação Espacial Internacional (ISS) oferece não apenas espaço adicional, conforto e conveniência para os cosmonautas, mas também um elaborado e complexo laboratório. Existem 14 unidades de experimentos internos e 16 externos para acomodar equipamentos científicos. Em breve serão ocupados com instrumentos levados pela espaçonave cargueira Progress.

Em maio deste ano, a Energia, corporação aeroespacial da Roscosmos (Agência Espacial Russa) aprovou o Programa de Pesquisa Científica e Aplicada, previsto para o módulo Nauka a partir de 2022. Está programada a realização de 33 novos trabalhos, bem como a continuação de experimentos já iniciados em outros módulos do segmento russo da ISS. Treze estudos foram definidos como prioritários.

O experimento Zakhvat-2 foi desenvolvido pelos engenheiros da Energia. Por vários anos, eles têm trabalhado na criação de um manipuladorque tenha algumas das funções da mão humana. Este manipulador será instalado na superfície externa do Nauka e o cosmonauta o controlará a partir da unidade de controle de interface localizada dentro do módulo. Assim, pretende-se verificar como estes manipuladores comportam-se ao agarrar um corrimão utilizado por cosmonautas em atividades fora da estação, bem como os acionamentos elétricos e as propriedades dos materiais no espaço.

Uma parte do experimento Head-miniRSA consiste na operação de um radar em miniatura para estudar o clima da Terra.
O projeto de pesquisa Kaplya-2 tem como objetivo testar um resfriador para o futuro propulsor nuclear “Zeus”, que atualmente está sendo desenvolvido na Rússia.
Alguns dos experimentos são dedicados à ciência dos materiais, pois o ambiente de microgravidade permite o desenvolvimento de compostos com propriedades inatingíveis se fossem feitos na Terra. Dentre estes experimentos estão os denominados Mirage, Vampire e Fullerene, cujos resultados auxiliarão a avaliar a criação em órbita de usinas semiautomáticas para a criação de monocristais aplicados para microeletrônica.
Outra linha de pesquisa, mais tradicional, é o estudo de mecanismos de adaptação de organismos vivos aos fatores do voo espacial. Na década de 1970, ovos de codorna fertilizados foram levados até a estação espacial Salyut, colocados em uma incubadora e as codornas nascidas retornaram à Terra para rastrear os fatores de impacto do voo espacial sobre elas. Haverá também um módulo de experimento denominado Perepel (codorna em russo), mas em um nível tecnológico completamente diferente. A partir de ovos de codorna fertilizados e utilizando uma incubadora a bordo da ISS, será estudado o desenvolvimento e a adaptação das codornas à ausência de peso. É possível que filhotes consigam atingir a maturidade e até gerar filhos. De qualquer forma, o próprio processo de cuidar de seres vivos servirá como uma eficaz atividade antiestresse para os cosmonautas.
Outro experimento, denominado Mutatsia (mutação em russo), envolve o estudo de várias gerações de microrganismos em voos espaciais. E no projeto Vitatsikel-T, os cosmonautas poderão cultivar a salada chinesa que tanto gostam em uma estufa especialmente equipada a bordo da Nauka.
Se tudo correr bem, os cosmonautas preservarão uma parte da ‘colheita’ e a enviarão de volta para a Terra para pesquisas, se alimentando da outra parte. Talvez este experimento se torne um trampolim para a criação de sistemas ecológicos fechados, em preparação para viagens espaciais de longa duração, como para Marte. No futuro, serão realizadas tentativas de cultivo de leguminosas (plantas da família Fabaceae) e tomates.
Também será continuado um experimento de assepsia (limpeza e desinfecção), que já é realizado a bordo da ISS, para avaliação de eficácia de diversos desinfetantes.
A pesquisa denominada BNT-Neutron também é uma continuidade de um projeto anterior e é dedicada ao estudo dos efeitos nocivos dos raios cósmicos e partículas de alta energia em cosmonautas e naves espaciais. Dois espectrômetros levados a bordo da ISS permitirão avaliar o grau de resistência de diferentes materiais à irradiação de nêutrons.
Os experimentos de observação da Terra ocupam um lugar importante no programa científico a bordo do módulo. O equipamento Rakurs permitirá estudar as ondas de ar na atmosfera do nosso planeta e, durante o experimento denominado Impulse, os cientistas estudarão as propriedades da ionosfera terrestre por meio de disparos de feixes de íons.
Fonte: Roscosmos – http://www.roscosmos.ru/32425
Tradução: Eng. Rafael Cândido Jr.

