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6 de Maio, 2021

Queda de restos do foguete chinês na superfície é extremamente improvável

Está circulando um certo sensacionalismo em relação ao veículo espacial que levou o módulo TianHe-1 ao espaço no fim de abril. O objeto em órbita “espiralada” se aproximando da atmosfera terrestre não é um foguete, e sim apenas um estágio dele: o segundo segmento do Longa Marcha 5B. Como todo estágio orbital de foguete, é normal reentrar de volta ao planeta. Todos os meses isso acontece mais de uma vez. E com grande probabilidade da reentrada ocorrer sobre o oceano.

Como se trata de um estágio descartado de foguete, composto basicamente de uma “casca” com um enorme tanque vazio, a estrutura está longe de ser um objeto maciço. Também não possui peças densas de grandes proporções, diferente do que se esperaria do módulo de uma estação espacial, por exemplo. Assim, a estrutura deverá se desfazer totalmente no abrasivo processo de reentrada atmosférica. Raramente um pedaço chega a superfície, e, se chegasse, atingir áreas habitadas é milhares de vezes menos provável do que acertar na loteria.

O alarde, fora a busca de “likes” fáceis, pode ser o fato de um fragmento do foguete Falcon9, a empresa SpaceX, ter caído nos EUA no fim de março, como noticiou o New York Post¹ . Uma ocorrência desta, porém, é raríssima. E no caso do Falcon, que efetivamente ocorreu, não ganhou o mesmo destaque do estágio do Longa Marcha 5 que sequer tocou a atmosfera terrestre ainda. Talvez pelo fato de já ter caído sem nenhum aviso anterior, o fragmento do foguete dos EUA não teve tanta visibilidade.

Rastreio divulgado pela pela Roscosmos² (Agência Espacial Russa) calcula que a reentrada do estágio do Longa Marcha 5B deve ocorrer dia 9 de maio sobre o oceano Pacífico. Espera-se apenas um belo show pirotécnico de grande altitude.

[1] https://nypost.com/2021/04/10/possible-spacex-debris-washes-ashore-in-oregon
[2] https://www.facebook.com/Roscosmos/posts/2945542299033771

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