Com a chegada do Zhurong na superfície de Marte a China passa a ser o segundo país a operar com sucesso um jipe robótico na superfície do planeta vermelho, depois dos programas bem sucedidos dos Estados Unidos. A agência americana já contabiliza 5 jipes robóticos de diferentes tamanhos: do pequeno e experimental Sojourner até os atuais e robustos Curiosity e Perseverance.
O Zhurong, porém, conta com características e inovações interessantes que o diferencia de seus correlatos americanos. Seus grandes painéis solares em forma de borboleta são o primeiro exemplo. Um problema das sondas de solo marcianas movidas a luz solar é que, com o tempo, o constante depósito de poeira inviabiliza o processo de captação de energia solar. Esse empoeiramento costuma determinar a “morte” do dispositivo. Levando isso em conta, os engenheiros do Zhurong desenvolveram uma superfície sobre os painéis solares extremamente “lisa”, visando minimizar a aderência dos grãos de poeira como as folhas naturalmente impermeabilizadas de algumas plantas que deixam escorrer gotas de orvalho.

Uma comparação proporcional entre o Zhurong (esqueda) e o Perseverance. Ambos estão operacionais em Marte.

Outra característica inovadora dos painéis solares do Zhurong é a capacidade de inclinação. Com isso o dispositivo poderá acompanhar a posição do Sol no céu de Marte e maximizar a extração de energia para manter suas operações.
As velocidades de locomoção do jipe chinês em Marte são parecidas com do Yutu, o jipe robótico que o Programa Espacial da China mantém na Lua: um máximo de 200 metros por hora. No translado, porém, o Zhurong tem capacidades superiores. Enquanto o Yutu lunar pode sobrepor obstáculos de até 20cm de altura, o Zhurong passa por barreiras de até 30cm.
A rodas do Zhurong são as únicas em um jipe robótico equipadas com sistema de suspensão. Além disso a capacidade de giro independente das rodas intermediárias em seu eixo vertical permite que o jipe chinês se desloque “de lado”. Esse movimento do tipo caranguejo dá mais desenvoltura para o Zhurong desviar de obstáculos grandes.
O Zhurong tem força suficiente para ser capaz de se deslocar em terrenos com até 20 graus de inclinação, podendo assim realizar pequenas “escaladas” se necessário.
Por fim, o Zhurong conta com um sistema de absorção e distribuição de calor do ambiente diurno para as partes internas. Isso pode manter por um tempo o interior do aparato protegido do frio noturno de Marte sem usar para isso as baterias carregadas durante o dia pelos painéis solares. Uma economia de energia que dará mais tempo de operação aos seus dispositivos e sensores.
A Agência Espacial da China (CNSA) prevê que o funcionamento do Zhurong deve durar 3 meses. Já a sonda orbital que estabelece a comunicação do jipe com o controle na Terra deve funcionar por cerca de 2 anos.
Fonte: portuguese.xinhuanet.com/2021-05/22/c_139963459.htm

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