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30 de Setembro, 2025

Edição 47

Capa da Edição 47 da Revista AstroNova
Preparando a revista…
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Conteúdo textual — Edição 47

Página 1

R E V I S T A D E D I V U L G A Ç Ã O D E A S T R O N O M I A E C I Ê N C I A S D A N A T U R E Z A
ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL TIANGONG
AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS
ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL
Ano 12 - Nº 47 - Setembro/2025
R E V I S T A D E D I V U L G A Ç Ã O D E A S T R O N O M I A E C I Ê N C I A S D A N A T U R E Z A
ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL TIANGONG
AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS
ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL
DESCARGAS ELÉTRICAS NA
ALTA ATMOSFERA
O CÉU DO ATACAMA
A COR REAL DO SOL

Página 2

SUMÁRIO
09
19
Ano 12 | Edição nº 47 | 2025
15
DESCARGAS ELÉTRICAS NA
ALTA ATMOSFERA
A COR REAL DO SOL
O CÉU DO ATACAMA
24
COMO IDENTIFICAR UMA
FALSA BOLA DE FOGO NO CÉU
Conselho editorial:
Adriane Casteleira
Maico A. Zorzan
Rafael Cândido Jr.
Redatores desta edição:
Beatriz Yordaky
Eduardo P. Santiago
Rafael Cândido Jr.
Ricardo Francisco Pereira
Astrofotos:
Ana Paula Gorri
Bruno Bonicontro
Carlos Ap. Domingues
Marcos Cesar Danhoni Neves
EXPEDIENTE
Capa:
Nebulosa da Borboleta
Nasa Photojournal

Página 3

PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE
Foguete: Falcon 9 (SpaceX)
Satélites Starlink
Local: base de Vandenberg
Data: 28/09/2025
Foguete: Falcon 9 (SpaceX)
Satélites projeto Kuiper
Local: Centro Espacial Kennedy
Data: 01/10/2025
Foguete: Proton-M (Roscosmos)
Ekvator, satélite de comunicação
Local: Cosmódromo de Baikonur
Data: 22/10/2025
Foguete: Soyuz 2 (Roscosmos)
Soyuz MS-28 (tripulação para ISS)
Local: Cosmódromo de Baikonur
Data: 27/08/2025
EUA EUA
Foguete: Falcon 9 (SpaceX)
Satélites Sentinel-6B (monitoramento)
Local: base de Vandenberg
Data: novembro/2025
Foguete: Soyuz 2 (Roscosmos)
Progress MS-33 (mantimentos para ISS).
Local: Cosmódromo de Baikonur
Data: 18/12/2025
Foguete: Soyuz 2 (Roscosmos)
AIST-2T n.1 e n.2 , satélites de observação
Local: Cosmódromo de Baikonur
Data: 10/12/2025
RÚSSIA RÚSSIA

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PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE
Foguete: Long March 2D (CNSA)
Satélite da CASC
Local: centro espacial de Taiyuan
Data: 29/09/2025
Foguete: Long March 6A (CNSA)
Satélite da CASC
Local: base de Taiyuan
Data: 27/09/2025
Foguete: Ariane 6 (Ariane Space)
Satélite ViaSat 3
Local: Guiana Francesa
Data: novembro/2025
EUROPA EUROPA
CHINA CHINA
Foguete: Ariane 6 (Ariane Space)
KOMPSAT-6 satélite de observação
Local: Guiana Francesa
Data: novembro/2025

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Principais atividades:
julho a setembro/2025
Principais atividades:
julho a setembro/2025
ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL
Soyuz MS-28: Roscosmos (27/11/2025) Soyuz MS-28: Roscosmos (27/11/2025)
Próximas Expedições Próximas Expedições
Crew-12: SpaceX (03/2026) Crew-12: SpaceX (03/2026)
Tripulação atual Tripulação atual
Descarregando equipamentos da nave cargueira Cygnus. Descarregando equipamentos da nave cargueira Cygnus.
Cápsula Cygnus chega à ISS com mantimentos e
equipamentos de pesquisa.
Cápsula Cygnus chega à ISS com mantimentos e
equipamentos de pesquisa.
O astronauta Mike Fincke (Nasa) insere uma unidade de
armazenamento criogênico com amostras de material de
pesquisa.
O astronauta Mike Fincke (Nasa) insere uma unidade de
armazenamento criogênico com amostras de material de
pesquisa.

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Estação Espacial Tiangong Estação Espacial Tiangong
Principais atividades: julho a setembro/2025 Principais atividades: julho a setembro/2025
Tripulação atual (Shenzhou-20) Tripulação atual (Shenzhou-20)
Taikonautas Chen Dong e Chen Zhongrui concluem
instalação de proteção contra detritos espaciais.
Taikonautas Chen Dong e Chen Zhongrui concluem
instalação de proteção contra detritos espaciais.
Tripulação descarregando material de pesquisa. Tripulação descarregando material de pesquisa.

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Lua Cheia
01/08/2023
Sarandi - PR - Brasil
Astrofotógrafo: Carlos Aparecido Domingues

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www.
RECURSOSdeFÍSICA
.com.br
Página que socializa produção de recursos de ensino adaptados à
sala de aula e aos professores. Material produzido nas disciplinas do
curso de Licenciatura em Física da UEM e em outros projetos
coordenados pelo prof. Dr. Ricardo Francisco Pereira.

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09
Rafael Cândido Jr.
[email protected]
Enquanto os raios que
iluminam o céu durante
uma tempestade são
familiares até para uma
criança, poucos sabem que,
acima das nuvens, a
atmosfera esconde um
espetáculo ainda mais raro e
enigmático. Esses
fenômenos, descobertos
apenas há algumas décadas,
revelam que as tempestades
são muito mais complexas
do que imaginávamos.
O que são os raios?
O raio, também denominado
descarga elétrica
atmosférica, é uma descarga
elétrica de grande
intensidade que ocorre na
troposfera, a faixa da
atmosfera mais próxima da
superfície da Terra. Pode ser
intranuvem, ou seja,
ocorrendo dentro de uma
nuvem; internuvem, que
ocorre entre nuvens e
nuvem-solo, que ocorre
entre a nuvem e a superfície.
Uma descarga elétrica
ocorre quando uma nuvem
possui um intenso campo
elétrico em seu interior. Este
campo surge do processo de
eletrificação da nuvem, que
pode ser um processo
convectivo ou por colisões.
No processo convectivo,
conforme a nuvem de
tempestade se desenvolve,
íons positivos se acumulam
no interior da nuvem e isso
induz cargas negativas em
suas bordas. Como no
interior da nuvem as
correntes de ar são
direcionadas para cima, nas
bordas as correntes são
direcionadas para baixo, de
modo que as cargas
negativas são transportadas
para a base da nuvem.
No processo por colisões,
supõe-se que a transferência
de cargas ocorra a partir do
METEOROLOGIA
DESCARGAS ELÉTRICAS DESCARGAS ELÉTRICAS
NA ALTA ATMOSFERA NA ALTA ATMOSFERA

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das cargas nas partículas de
gelo.
Geralmente, a atmosfera é
um bom isolante elétrico.
Porém, com o aumento de
10
contato entre as partículas
da nuvem durante o
processo de convecção.
Porém, ainda não há um
consenso sobre como ocorre
a polarização e a separação
altitude, esta rigidez se
reduz gradualmente. Com a
separação das cargas
elétricas em uma nuvem, o
campo elétrico se torna
gradualmente mais intenso
até o momento que o ar não
consegue mais conter o
fluxo de cargas. Assim, surge
o caminho condutivo de
plasma pelo qual as cargas
elétricas fluem livremente
formando a descarga
elétrica.
Os raios produzem radiação
eletromagnética em
diferentes faixas do
espectro, das ondas de rádio
aos raios-X e raios gama;
sendo estes obtidos a partir
da aceleração de elétrons no
intenso campo magnético e
são fortemente atenuados
pela atmosfera.
Durante uma tempestade,
um rádio comum pode
captar chiados proveniente
de raios, mesmo que seu
brilho não seja visto (um
raio intranuvem, por
Colisão entre partículas de gelo indutiva (à esquerda)
e não-indutiva (à direita) gerando acúmulo de cargas com
sinais opostos. (Wikicommons, autor: WOtP)
Distribuição de cargas em uma nuvem
cúmulo-nimbus. (Wikicommons, autor: WOtP)
Nuvem cumulo nimbo, frequentemente associada às tempestades com raios,
denominadas trovoadas.(Fonte: Flagstaffotos)
Raios do tipo nuvem-solo no mar Mediterrâneo, Port-la-Nouvelle,
sul da França. Autor: Maxime Raynal.
AstroNova . N.47 . 2025

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exemplo). Desta forma, é
possível monitorar
tempestades através do uso
de um receptor de rádio
específico na faixa VLF
(VeryLow Frequency, 3 a 30
kHz).
Os raios que vemos em
tempestades são apenas a
parte visível de um sistema
elétrico gigantesco. Os
eventos que ocorrem na alta
atmosfera são ainda mais
surpreendentes e ainda não
estão totalmente
compreendidos pela ciência.
Eventos luminosos transientes
Os eventos luminosos
transientes (TLE, do inglês
transiente luminousevent)
são eventos meteorológicos
caracterizados por emissões
em luz visível de curta
duração e com
luminosidade muito menor
que a de um relâmpago, que
ocorrem em camadas
superiores à troposfera e
acima de tempestades de
raios, as trovoadas.
Estes eventos ocorrem da
parte superior da troposfera
até a ionosfera e são gerados
por desequilíbrios
eletrostáticos que ocorrem
nas descargas elétricas,
principalmente nas
descargas nuvem-solo.
Apesar do nome genérico,
estes eventos diferem muito
entre si. Os nomes utilizados
são de origem inglesa e a
tradução para portuguêsfica
um pouco estranha. Vamos
então conhecer cada um
deles.
Blue jets, blue starters e
gigantic jets
Os blue jets (jatos azuis)
formam-se a partir do topo
de nuvens de trovoada ativa
até altitudes de 50 km
durando de 200 a 300
milissegundos. Acredita-se
que sejam iniciados como
descargas de raios entre a
região de carga positiva
superior da nuvem de
tempestade e uma camada
de carga negativa presente
acima dessa região.
Foram registrados pela
primeira vez em 21 de
outubro de 1989 em um
vídeo monocromático da
observação de uma
tempestade realizado
quando um ônibus espacial
passava sobre a Austrália.
Recentemente, foram
observadas a partir da
Estação Espacial
Internacional.
Os blue starters (precursores
azuis), relacionados aos blue
jets, foram descobertos em
vídeo durante um voo de
pesquisa noturno em torno
de tempestade. São mais
Diagrama apresentando aspecto e altitude de ocorrência
de raios (lightning) e dos eventos luminosos
transientes (TLE): blue jet, sprite e elf.
AstroNova . N.47 . 2025

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Figura 9
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curtos e mais brilhantes e
atingem altitudes de apenas
20 km.
Os giganticjets (jatos
gigantescos) parecem se
iniciar como um flash
intranuvementre regiões de
carga negativa no meio da
nuvem e positiva na parte
superior da nuvem. A
descarga principal, também
denominada descarga líder
(que também se observa em
raios) escapa para cima da
nuvem em direção à
ionosfera, alcançando
altitudes de 90 km.
Sprites
Sprites (espírito, em
tradução da raiz latina
spiritus ) são descargas
elétricas de grande escala
que ocorrem na mesosfera,
bem acima das nuvens de
tempestade. Geralmente, são
desencadeadas por descargas
de raios de carga positiva
entre uma nuvem de
tempestade subjacente e o
solo. Aparecem como flashes
luminosos vermelho
alaranjados em altitudes de
50 a 90 km. São fenômenos
de plasma frio, sendo
semelhantes às descargas de
tubos de lâmpadas
fluorescentes.
O primeiro relato conhecido
foi realizado em 1886, mas a
primeira foto realizada foi
em 6 de julho de 1989 por
cientistas da Universidade
de Minnesota de forma
acidental, pois estavam
pesquisando outro
fenômeno atmosférico.
Desde então, os sprites têm
sido fotografados do solo, de
aeronaves e do espaço;
tornando-se objeto de
intensa investigação
científica.
Apesar de diferentes
formatos, podendo ser
categorizados com formas
semelhantes a água-viva,
coluna ou cenoura; seu
tamanho é equivalente a um
tubo com altura e diâmetro
de 50 km.
Elves
Elves, do acrônimo em
inglês para emissões de luz e
perturbações de frequência
Um blue jet emergindo de uma nuvem de tempestade. Parque Nacional
Big Bend,Marfa, Texas. Autor: Mathew Griffiths. Data: 04/08/2022.
Sequência de 3 fotos de um giganticjet saindo do topo de uma nuvem de
tempestade sobre Oklahoma. A foto foi realizada durante um voo a
80 quilômetros da tempestade. Autor: Chris Holmes. Data: 14/05/2018.
AstroNova . N.47 . 2025

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muito baixa
(coincidentemente o plural
de elfo em inglês) aparecem
com um formato de anel
achatado com cerca de 400
km de diâmetro e duração
de apenas 1 milissegundo.
Ocorre na ionosfera a uma
altitude de 100 km durante
tempestades e tem coloração
avermelhada.
O primeiro registro foi
realizado durante a missão
STS-41 do ônibus espacial
Discovery em 07/10/1990 ao
sobrevoar a Guiana Francesa.
Considera-se que sejam
gerados pelo pulso
eletromagnético proveniente
de raios ao alcançarem a
ionosfera.
Rafael Cândido Jr. é graduado
e mestre em Engenharia
Química. Integra o grupo de
astronomia Arcturus, da UFABC.
Para saber mais:
Sprite observado da Estação Espacial Internacional em 20/06/2024 sobre
a costa da África do Sul. Foto realizada pelo astronauta
Matthew Dominick (NASA).
AstroNova . N.47 . 2025
Foto realizada em 07/03/2023 às 21:43 UTC em Possagno, Itália. O
relâmpago que o gerou ocorreu em Polverigi, a uma distância de 285 km
do local que registrou a foto. É estimado que o raio que gerou o pulso
eletromagnético formador deste elfalcançou a intensidade de 410
quiloamperes, muito acima da faixa comum de 10 a 30 quiloamperes.
Autor: Valter Binotto.
Lightning: PhysicsandEffects.
Vladimir A. Rakov, Martin A. Uman.
2003
Monitoramento de TLEs pela
Estação Espacial Internacional:
Link da ESA

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Lua durante por do Sol
23/09/2025
Campeche Sul/SC (Brasil)
Astrofotógrafa: Ana Paula Gorri
Lua durante por do Sol
23/09/2025
Campeche Sul/SC (Brasil)
Astrofotógrafa: Ana Paula Gorri

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Beatriz Yordaky
Instagram: @beatriz_yordaky
Todos conhecemos um dos
maiores medos do
astrônomo amador: a
poluição luminosa. A
maioria vive em grandes
centros urbanos, onde o
excesso de luzes domina,
tornando raras as aparições
de estrelas, constelações e
outros objetos como
O CÉU DO ATACAMA
ASTRONOMIA AMADORA
nebulosas e galáxias. Como
residente da cidade mais
populosa do Brasil, São
Paulo, muitas vezes me
contento em “observar” o
céu através de softwares,
como o Stellarium .
Se afastar das grandes
cidades é ter a chance de ver
céus mais limpos e
vislumbrar, quem sabe, a Via
Láctea, que aparece como
uma mancha esbranquiçada
que se estende de um
horizonte a outro. O que
estamos vendo, na verdade, é
a Galáxia onde vivemos. Em
situações de céu muito
estrelado é, inclusive,
desafiante reconhecer
constelações mediante à
imensidão de estrelas.
Mas qual é o melhor lugar
para observar o céu?
15

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Podemos ter uma indicação
através da Escala Bortle, que
mede o brilho do céu
noturno e o impacto da
poluição luminosa em um
determinado local. Foi
criada em 2001 por John
Bortle e é um sistema de
nove níveis. Um céu de
classe 9 tem poluição
luminosa máxima, onde
apenas objetos como a Lua,
alguns planetas e estrelas
podem ser vistos a olho nu
(céus urbanos). Já um céu de
classe 1 é o desejo de
qualquer astrônomo
amador: perfeitamente
escuro, típico de locais
remotos como no meio do
deserto ou do oceano.
Neste ano de 2025 tive a
oportunidade de realizar
uma viagem ao Deserto do
Atacama, no Chile. Lá, são
muito comuns passeios
turísticos de observação do
céu. A cidade mais famosa,
San Pedro de Atacama, tem
um céu de classe 4-5, mas ao
se afastar um pouco do
centro você já encontra céus
de classe 2-3, que são
excelentes. O céu noturno de
lá é considerado um dos
mais bonitos do mundo por
uma combinação de fatores
naturais e geográficos:
1. Altitude elevada: Grande
parte do Atacama está acima
de 2.400 metros de altitude.
Nessa altura, a atmosfera é
mais rarefeita, o que reduz a
distorção da luz estelar e
deixa as estrelas mais
nítidas.
2. Ar extremamente seco:
Ele é um dos desertos mais
áridos do planeta. A
umidade relativa do ar é
baixíssima, o que significa
que há quase nenhuma
formação de nuvens.
3. Baixa poluição luminosa:
A região é pouco habitada,
com poucas cidades e vilas, o
que faz com que
praticamente não exista
poluição luminosa. Isso
permite que o céu
permaneça escuro e
transparente.
4. Localização geográfica:
Estando no hemisfério sul, o
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AstroNova . N.47 . 2025

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Atacama oferece visão
privilegiada de partes do céu
que não são vistas do
hemisfério norte, como o
centro da Via Láctea, as
Nuvens de Magalhães
(galáxias vizinhas) e
constelações típicas do sul.
Poder ver o céu do Atacama
foi uma experiência única.
Pude presenciar a Via Láctea
se estendendo de um lado ao
outro do horizonte de forma
majestosa. Vi constelações
que antes só havia visto em
representações, e até tive
dificuldade em reconhecer
outras famosas (como o
escorpião), pois o céu estava
infestado de estrelas
brilhantes. Não era difícil
visualizar objetos Messier,
como as plêiades e a
nebulosa da laguna. O
espetáculo também contou
a aparição de duas galáxias
satélites da Via Láctea: a
grande e a pequena Nuvens
de Magalhães.
Foram 3.000 km, dois aviões
e 7h de vôo, e mais 1h30 de
transfer até a cidade
principal. Tudo isso para
aproveitar madrugadas de
observações e
astrofotografias, fora as
belezas naturais que só o
deserto nos proporciona. O
maior desafio foi aguentar o
frio e o vento, característicos
de noites no deserto, mas
tudo valeu a pena pelo
melhor céu que já vi na vida.
Quer saber onde sua cidade
se encontra na Escala Bortle?
Acesse:
https://lightpollutionmap.app/pt
Beatriz Yordaky tem
bacharelado e licenciatura em
Física, e bacharelado em
Ciência da Computação

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Cometa C/2025 Swan
17/09/2025
Maringá/OR (Brasil)
Astrofotógrafo: Marcos Cesar Danhoni Neves
Cometa C/2025 Swan
17/09/2025
Maringá/OR (Brasil)
Astrofotógrafo: Marcos Cesar Danhoni Neves

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Cometa C/2023 A3 Tsuchinshan ATLAS
Astrofotógrafo: Felipe Sérvulo
17/09/2024
Taperoá - PB
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QUAL A COR REAL DO SOL?
ASTROFÍSICA
Ricardo Francisco Pereira
www.recursosdefisica.com.br
Pode até parecer uma
pergunta besta, mas na
verdade não é. Da superfície
da Terra, normalmente
vemos o Sol na cor amarela e
no amanhecer e pôr do Sol
ele ganha um tom
avermelhado, mas e do
espaço, fora da atmosfera da
Terra, o Sol também é
amarelo?
A resposta à pergunta do
título envolve muito mais
Física do que a princípio
você possa imaginar, então,
para começar a respondê-la
precisamos entender o que
define a cor de uma estrela.
No início do século XX, os
astrônomos criaram uma
tabela chamada de
Classificação Espectral das
Estrelas relacionando a cor
que vemos da superfície da
Terra (no início do século
XX, não tínhamos
telescópios espaciais e nem
astronautas no espaço) com
a temperatura superficial
das estrelas (temperatura da
fotosfera) e com o espectro
observado das estrelas
(linhas de absorção e de
emissão que indicam os
elementos químicos que
detectamos nas estrelas a
partir da luz que chega até
nós), ou seja, a classificação
espectral é baseada nas
características físicas das
estrelas (ver imagem 1).
O Sol é classificado como do
tipo G, como vocês podem
ver pela imagem 1, com
temperatura variando entre
5.500 K e 6.000 K.
Se os próprios cientistas
classificam o Sol como tendo
a cor amarela, qual o sentido
de perguntar qual é a cor
real do Sol?
O “problema” começou
quando o cosmonauta
soviético Yuri Gagarin se
tornou o primeiro ser
humano no espaço em 12 de
abril de 1961 em seu
histórico vôo na nave Vostok
1, ou seja, foi o primeiro ser
humano a sair da atmosfera
da Terra e pela janela se sua
nave ele olhou para o Sol e

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Cometa C/2023 A3 Tsuchinshan ATLAS
Astrofotógrafo: Felipe Sérvulo
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viu que era branco. Essa
descrição pelo Gagarin
gerou implicações
importantes na Ciência
sobre a natureza da luz e a
influência da atmosfera
terrestre. Essas observações
ajudaram a esclarecer
conceitos fundamentais
sobre a Física da luz e o
papel que a atmosfera
desempenha na forma como
percebemos o Universo.
A partir do entendimento
que a atmosfera interfere na
forma como observamos a
luz que vem de fora,
entendemos que da
superfície da Terra vemos
uma cor aparente das
estrelas, mas olhando de
fora da atmosfera com
equipamentos espaciais,
podemos ver as cores reais
das estrelas. No que é
importante para nós, da
superfície do planeta vemos
o Sol na cor amarela, mas do
espaço, sua cor real é a
branca. Entendendo isso,
agora vem duas novas
perguntas, por que a luz do
Sol é branca? Por que a
atmosfera da Terra nos faz
ver o Sol na cor amarela?
O Sol emite todos os tipos de
radiações eletromagnéticas
(Ondas de Rádio,
Microondas, Infravermelho,
Luz visível, Ultravioleta,
Raios-X e Raios Gama),
obviamente que nossos
olhos só enxerga a radiação
eletromagnética que
chamamos de luz visível,
que compreende as cores
vermelho, laranja, amarelo,
verde, azul, anil e violeta (e
suas diferentes tonalidades e
combinações). São as cores
que vemos em um arco-íris,
mas quando analisamos a
parte física das cores,
analisamos os seus
comprimentos de ondas, que
é o tamanho da onda
eletromagnética para cada
cor. Cada cor tem uma faixa
que varia entre um mínimo
e máximo comprimento de
onda e toda a faixa da luz
visível varia entre 380 a 750
Imagem 1: Fonte:https://i.ytimg.com/vi/Wh-S-6u3f78/maxresdefault.jpg
Imagem 2: Fonte:
https://files.meiobit.com/wp-content/uploads/2016/04/20160413laguna_vostok-1.jpg

Página 21

nanômetros (1 nanômetro =
-9
1x10 m, ou seja 0,000000001
metro).
Quando olhamos um gráfico
da intensidade de emissão
da luz visível do Sol (ver
imagem 4), olhando a parte
da luz visível, vemos que o
pico de emissão, ou seja, a
maior intensidade de
emissão de luz é na cor
verde, que é bem no meio da
faixa dos comprimentos de
ondas da luz visível (entre
380 e 750 nanômetros),
então, quando somamos
toda a intensidade de
emissão de luz visível, a
soma total dessa emissão
gera uma luz branca, por
isso a cor real do Sol é
branca e não amarela.
Como já falamos, é por
causa da atmosfera da Terra
que vemos o Sol na cor
amarela, mas então como a
atmosfera interfere na cor
que vemos das estrelas?
Quando a luz o Sol chega à
Terra, ela interage com a
atmosfera, mais
especificamente com as
moléculas que compõem a
atmosfera, principalmente
os 78% de nitrogênio e 21%
de oxigênio. Ao interagir
com essas moléculas, elas
espalham a luz solar em um
fenômeno conhecido como
espalhamento Rayleigh (ver
imagem 5). Pela composição
da nossa atmosfera, as cores
com comprimentos de ondas
menores, como o violeta, o
azul e o anil são mais
espalhados, por isso que
vemos o céu de dia com a
cor azul. Como a luz branca
do Sol perde parte do
violeta, azul e anil, sobra
mais amarelo e vermelho,
assim, desbalanceado o
equilíbrio das cores que
deixam a luz do Sol na cor
branca. A atmosfera da Terra
acaba servindo como um
filtro que altera a cor real do
Sol. Por isso que
normalmente de dia vemos
o Sol na cor amarela e no
amanhecer ou no pôr do Sol
vemos ele na cor
avermelhado.
Como curiosidade, uma
atmosfera diferente espalha
cores diferentes. A atmosfera
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AstroNova . N.47 . 2025
Imagem 3: Espectro eletromagnético - Fonte: UOL
Imagem 4: Fonte: researchgate

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do planeta Marte é composta
de 95% de dióxido de
carbono, além de ser muito
menos densa que a
atmosfera da Terra. Com
essas características, a cor do
Sol no pôr do Sol na
Superfície de Marte é
azulada, como vocês podem
ver na imagem 6.
Para terminar, você pode
agora estar se perguntando,
mas e aquela tabela da
classificação espectral das
estrelas, como fica? Há 2
coisas a se considerar sobre
isso, a primeira é que existe
sim uma tabela corrigida
com as cores reais das
estrelas, mas a principal é
que a cor é a parte menos
importante da classificação
espectral, a parte mais
importante são os elementos
químicos detectados no
espetro da estrela, mesmo a
luz que o Sol emite seja
branca, seu espectro é
característico das estrelas do
tipo G e não as do tipo A (ver
imagem 1), com luz branca e
temperatura superficial bem
maior.
Ricardo Francisco Pereira é
professor do Departamento de
Física da UEM. Graduado em Física,
é mestre e doutor em Educação
para a Ciência e Matemática.
Mantém a página Recursos de
Física .
Para saber mais:
Por que o céu é azul? -
https://www.tecmundo.com.br/ci
encia/236222-ceu-azul.htm
Qual é a cor do Sol (e por que
ele não é amarelo) -
https://www.bbc.com/portuguese
/geral-58784295
Por quer o Sol é azul? -
https://www.youtube.com/shorts/
yLKpSjy-40o
Qual é a cor do Sol? -
https://www.youtube.com/shorts/
HVvCzV2bdl4
O Sol não é amarelo -
https://www.youtube.com/watch
?v=xrJWrFT6B3Q
Imagem 6: Pôr do Sol em Marte. Fotografia tirada pelo roverCuriosity da Nasa.
Fonte: BBC
Imagem 5: Espalhamento Rayleigh.
Fonte: https://tm.ibxk.com.br/2022/03/29/29165137295539.jpg

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Nebulosa do Anel
agosto/2025
Maringá/PR (Brasil)
Astrofotógrafo: Bruno Bonicontro
Nebulosa do Anel
agosto/2025
Maringá/PR (Brasil)
Astrofotógrafo: Bruno Bonicontro

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COMO IDENTIFICAR UMA
FALSA BOLA DE FOGO NO CÉU?
Eduardo P. Santiago
EXOSS: [email protected]
A cada ano a ferramenta de
ocorrência de bólidos (AMS,
IMO, EXOSS) tem recebido
dezenas, centenas e
milhares de relatos e
estamos felizes em fornecer
meios para que mais pessoas
possam colaborar com os
estudos de meteoros.
Recentemente a ferramenta
passou por algumas
alterações possibilitando
que as testemunhas enviem
suas fotos e vídeos. Isso cria
um vínculo entre a
testemunha e a pesquisa
acerca do evento em
questão. O resultado é
extremamente positivo
ASTRONOMIA AMADORA
mostrando que a
possibilidade do envio de
mídias é de grande ajuda
para nós entendermos o que
a testemunha está
relatando.
Através dessa nova função
foi possível coletar
informações sobre um
evento em particular que
nos chamou muito a
atenção e percebemos a
necessidade de tratar com o
público sobre esse tipo de
fenômeno muito comum no
céu. O caso de falso meteoro
mais comum a ser tratado
pela American Meteor
Society em seu banco de
dados diariamente.
“Vi uma grande bola de fogo
que levou vários
segundos/minutos para
desaparecer”
“Era grande e se movia
relativamente rápido, tive tempo
de pegar uma câmera e tirar
uma foto”
“Tinha cor vermelha, amarelo e
laranja”
“Liguei para um amigo meu que
me disse ver a mesma coisa”
Esses são exemplos de
alguns relatos recebidos por
todo mundo. Sua
característica principal é que
as testemunhas ao descrever
a emoção de presenciar tal
fenômeno sempre possuem
tempo hábil para realizar
COMO IDENTIFICAR UMA
FALSA BOLA DE FOGO NO CÉU?
CONSIDERAÇÕES PARA NOVATOS E EXPERIENTES
EM ASTRONOMIA, BEM COMO À IMPRENSA
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Neste evento nós recebemos 9 vídeos e 31 fotos, uma das maiores participações com envio de arquivos de mídia.
uma tarefa como, tirar uma
foto, ligar para alguém.
No dia 13 de novembro de
2017 ocorreu um evento no
Brasil que foi confundido
com meteoro. Tratava-se
apenas de um contrail
(rastro de condensação)
causado por aeronave.
Porém o número de fotos e
vídeo enviados pela
ferramenta foi
surpreendente.
Mas afinal, o que um evento
de contrail erroneamente
confundido com meteoro faz
por merecer tanta atenção
assim? Como identificar
uma falsa de bola de fogo no
céu?
Se desenvolvemos e
aperfeiçoamos uma
ferramenta com um poder
de alcance nunca antes
visto, visando justamente
alcançar o máximo de
pessoas em todo mundo é
essencial explicar a tais
pessoas como entender e
diferenciar um fenômeno
corriqueiro de contrail de um
evento real de meteoro.
Essa conclusão não partiu só
da Exoss, mas de constantes
conversas com o idealizador
dessa ferramenta de relatos
Mike Hankey (American
Meteor Society), por notar-se
o grande volume de relatos
com as mesmas
características que por
muitas vezes são difundidas
em jornais de grande
circulação. Isso torna quase
impossível para nós
corrigirmos tais informações
a tempo de informar o
público em massa a origem
real do que acreditam ser
um meteoro, cometa ou
qualquer outro detrito
espacial. Então o que
devemos considerar afinal?
LOCAL
Tais eventos ocorrem mais
frequentemente em locais
que são rotas da aviação
comercial ou militar. No
evento brasileiro os relatos
partiram de locais próximos
a um aeroporto.
AstroNova . N.47 . 2025
25

Página 26

13
HORÁRIO
Nascer e pôr do sol, são
momentos onde tal
fenômeno se torna mais
visível pois nossa atmosfera
favorece a visualização da
faixa do espectro de luz
perto do vermelho (em
determinado ângulo) o que
deixa as nuvens e rastros de
condensação de aeronaves
com tonalidades quentes
(vermelho, laranja e
amarelo) e isso desperta a
atenção das pessoas.
DURAÇÃO
Tais fenômenos de falsos
meteoros causados por
contrail permite a
testemunha tirar uma série
de fotos e vídeos por ser algo
que dure alguns segundos e
talvez minutos. Um meteoro
é um evento de extrema
rapidez, muito rápido e a
testemunha dificilmente
tem tempo hábil para pegar
uma câmera registrar tal
fenômeno.
Neste evento nós recebemos 9 vídeos e 31 fotos, uma das maiores participações com envio de arquivos de mídia.
Mas porque existem diversas
imagens e vídeos de
meteoros no youtube? A
resposta é simples. Pessoas
no local certo, hora certa
fazendo a coisa certa
(filmando ou tirando fotos
de algo ou situação com
outro contexto).
Existem inúmeros vídeos e
fotos na internet e neles é
possível observar que o
objetivo da pessoa não era o
de registrar um meteoro
(salvo quando é programado
Nascer do sol em Ilha Comprida, SP – Brasil e nuvens cumulus sendo iluminadas por cores quentes
AstroNova . N.47 . 2025
26

Página 27

uma seção de
astrofotografia) e sim algum
evento sem qualquer relação
com a astronomia.
Em 2 de Novembro de 2015
na Tailândia um meteoro foi
registrado acidentalmente
por diversas câmeras de
carro (DashCam). Há links
na internet para se ver esse
bólido (talvez o mais belo já
registrado). Com atenção
nos segundos 0:36 e 0:55
podemos observar dois
registros feitos com câmeras
já em mãos da testemunha
em gravação de eventos nada
relacionados a meteoros.
É claro que algumas
exceções podem ocorrer. Em
10 de Agosto de 1972 um
grande bólido diurno foi
registrado; se um evento
(“The Great Daylight
Fireball”) de dinâmica
similar ocorrer em pleno
século 21, é de grande
chance que várias pessoas
poderiam registrá-lo com
seus smartphones .
Contrail (rastro de condensação) registrado numa sequência de fotos com ampliação. Um olhar desatento facilmente
pode confundir com algum outro evento astronômico.
COMPREENDENDO CONTRAIL
Aeronaves comerciais voam
a uma altitude aproximada
de 10.000 metros. Nessas
condições a atmosfera se
torna muito gélida e os gases
quentes expelidos das
turbinas das aeronave se
resfriam e formam cristais
de gelo e consequentemente
os famosos rastros densos
que vão de cor branca até às
mais avermelhadas quando
próximas ao amanhecer ou
entardecer (efeito ótico).
AstroNova . N.47 . 2025
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Página 28

QUESTÕES PARA RESPONDER
? É comum aeronaves nessa
região?
? Você presenciou o
fenômeno no início da
manhã ou final de tarde?
? Sua cor varia entre
vermelho, laranja ou
amarelo?
? Estava próximo ao
horizonte?
? Aparentava ter uma
cauda?
? Você teve tempo de pegar
um smartphone ou câmera
para fazer um registro?
Se a maioria das respostas
para essas questões foram
“sim”, então o que você
presenciou muito
provavelmente NÃO É UM
METEORO. Com muita
segurança podemos concluir
ser uma aeronave e seu
rastro de condensação
( contrail ).
A partir do momento que
fomentamos pessoas de todo
o mundo a colaborarem com
os estudos de meteoros, é
muito importante ensinar as
características dos falsos
eventos, tanto quanto aos de
eventos verdadeiros. Já
fazemos isso com algoritmos
de computadores que
desempenham essa função
para estudos mais avançados
na área de meteoros; mas as
pessoas também necessitam
e precisam saber como
identificar o que estão vendo
no céu.
Em um evento recente no
dia 28 de Janeiro no Brasil e
Peru, houve vários registros
de uma reentrada de lixo
Imagem em detalhes do contrail . A aeronave possuía 4 turbinas.
Um zoom em um fenômeno deste tipo já evidencia sua natureza terreste.
espacial.
Este é outro evento muito
comum a ser confundido
com meteoro. Trataremos
sobre esse assunto e como
analisar suas características
em breve.
Este artigo visa atender a
necessidade em aprofundar
de forma didática o máximo
possível de informações
relativas a esse tipo de
evento e toda confusão
gerada nas mídias sociais e
jornais sempre que se
dissemina uma informação
que não procede.
Eduardo Placido Santiago é
astrônomo amador, membro do
EXOSS e da IMO ( Internacional
Meteor Organization )
Créditos Imagens:
American Meteor Society, National
Weather Service – NOAA, Jamile
Santana, Billy Dorsch, N. Alves,
Team Thailand, rek231wa, André
Renato de Oliveira Costa, R. Pistori,
Boldmethod, LouB747, Mick West.
Gases quentes expelidos se condensam formando o contrail .
Sugestão de leitura:
“ Outra” bola de fogo no céu...
Exoss - www.exoss.org
AstroNova . N.47 . 2025
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Página 29

Nebulosa Roseta
Astrofotógrafo: Bruno Bonicontro
03/12/2021
Maringá - PR (Brasil)

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REVISTA DE DIVULGAÇÃO
DE ASTRONOMIA
E CIÊNCIAS DA NATUREZA
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