Acervo textual da Revista AstroNova
Edição 47 — páginas 1 a 20
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Assuntos identificados: atmosfera, nuvem, espacial, estrelas, local, raios, evento, brasil, vemos, foguete.
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REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL TIANGONG AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL Ano 12 - Nº 47 - Setembro/2025 REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL TIANGONG AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL DESCARGAS ELÉTRICAS NA ALTA ATMOSFERA O CÉU DO ATACAMA A COR REAL DO SOL
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SUMÁRIO 09 19 Ano 12 | Edição nº 47 | 2025 15 DESCARGAS ELÉTRICAS NA ALTA ATMOSFERA A COR REAL DO SOL O CÉU DO ATACAMA 24 COMO IDENTIFICAR UMA FALSA BOLA DE FOGO NO CÉU Conselho editorial: Adriane Casteleira Maico A. Zorzan Rafael Cândido Jr. Redatores desta edição: Beatriz Yordaky Eduardo P. Santiago Rafael Cândido Jr. Ricardo Francisco Pereira Astrofotos: Ana Paula Gorri Bruno Bonicontro Carlos Ap. Domingues Marcos Cesar Danhoni Neves EXPEDIENTE Capa: Nebulosa da Borboleta Nasa Photojournal
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PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTREPRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE Foguete: Falcon 9 (SpaceX) Satélites Starlink Local: base de Vandenberg Data: 28/09/2025 Foguete: Falcon 9 (SpaceX) Satélites projeto Kuiper Local: Centro Espacial Kennedy Data: 01/10/2025 Foguete: Proton-M (Roscosmos) Ekvator, satélite de comunicação Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 22/10/2025 Foguete: Soyuz 2 (Roscosmos) Soyuz MS-28 (tripulação para ISS) Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 27/08/2025 EUAEUA Foguete: Falcon 9 (SpaceX) Satélites Sentinel-6B (monitoramento) Local: base de Vandenberg Data: novembro/2025 Foguete: Soyuz 2 (Roscosmos) Progress MS-33 (mantimentos para ISS). Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 18/12/2025 Foguete: Soyuz 2 (Roscosmos) AIST-2T n.1 e n.2 , satélites de observação Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 10/12/2025 RÚSSIARÚSSIA
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PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTREPRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE Foguete: Long March 2D (CNSA) Satélite da CASC Local: centro espacial de Taiyuan Data: 29/09/2025 Foguete: Long March 6A (CNSA) Satélite da CASC Local: base de Taiyuan Data: 27/09/2025 Foguete: Ariane 6 (Ariane Space) Satélite ViaSat 3 Local: Guiana Francesa Data: novembro/2025 EUROPAEUROPA CHINACHINA Foguete: Ariane 6 (Ariane Space) KOMPSAT-6 satélite de observação Local: Guiana Francesa Data: novembro/2025
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Principais atividades: julho a setembro/2025 Principais atividades: julho a setembro/2025 ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONALESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL Soyuz MS-28: Roscosmos (27/11/2025)Soyuz MS-28: Roscosmos (27/11/2025) Próximas ExpediçõesPróximas Expedições Crew-12: SpaceX (03/2026)Crew-12: SpaceX (03/2026) Tripulação atualTripulação atual Descarregando equipamentos da nave cargueira Cygnus.Descarregando equipamentos da nave cargueira Cygnus. Cápsula Cygnus chega à ISS com mantimentos e equipamentos de pesquisa. Cápsula Cygnus chega à ISS com mantimentos e equipamentos de pesquisa. O astronauta Mike Fincke (Nasa) insere uma unidade de armazenamento criogênico com amostras de material de pesquisa. O astronauta Mike Fincke (Nasa) insere uma unidade de armazenamento criogênico com amostras de material de pesquisa.
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Estação Espacial TiangongEstação Espacial Tiangong Principais atividades: julho a setembro/2025Principais atividades: julho a setembro/2025 Tripulação atual (Shenzhou-20)Tripulação atual (Shenzhou-20) Taikonautas Chen Dong e Chen Zhongrui concluem instalação de proteção contra detritos espaciais. Taikonautas Chen Dong e Chen Zhongrui concluem instalação de proteção contra detritos espaciais. Tripulação descarregando material de pesquisa.Tripulação descarregando material de pesquisa.
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Lua Cheia 01/08/2023 Sarandi - PR - Brasil Astrofotógrafo: Carlos Aparecido Domingues
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www. RECURSOSdeFÍSICA .com.br Página que socializa produção de recursos de ensino adaptados à sala de aula e aos professores. Material produzido nas disciplinas do curso de Licenciatura em Física da UEM e em outros projetos coordenados pelo prof. Dr. Ricardo Francisco Pereira.
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09 Rafael Cândido Jr. [email protected] Enquanto os raios que iluminam o céu durante uma tempestade são familiares até para uma criança, poucos sabem que, acima das nuvens, a atmosfera esconde um espetáculo ainda mais raro e enigmático. Esses fenômenos, descobertos apenas há algumas décadas, revelam que as tempestades são muito mais complexas do que imaginávamos. O que são os raios? O raio, também denominado descarga elétrica atmosférica, é uma descarga elétrica de grande intensidade que ocorre na troposfera, a faixa da atmosfera mais próxima da superfície da Terra. Pode ser intranuvem, ou seja, ocorrendo dentro de uma nuvem; internuvem, que ocorre entre nuvens e nuvem-solo, que ocorre entre a nuvem e a superfície. Uma descarga elétrica ocorre quando uma nuvem possui um intenso campo elétrico em seu interior. Este campo surge do processo de eletrificação da nuvem, que pode ser um processo convectivo ou por colisões. No processo convectivo, conforme a nuvem de tempestade se desenvolve, íons positivos se acumulam no interior da nuvem e isso induz cargas negativas em suas bordas. Como no interior da nuvem as correntes de ar são direcionadas para cima, nas bordas as correntes são direcionadas para baixo, de modo que as cargas negativas são transportadas para a base da nuvem. No processo por colisões, supõe-se que a transferência de cargas ocorra a partir do METEOROLOGIA DESCARGAS ELÉTRICAS DESCARGAS ELÉTRICAS NA ALTA ATMOSFERANA ALTA ATMOSFERA
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das cargas nas partículas de gelo. Geralmente, a atmosfera é um bom isolante elétrico. Porém, com o aumento de 10 contato entre as partículas da nuvem durante o processo de convecção. Porém, ainda não há um consenso sobre como ocorre a polarização e a separação altitude, esta rigidez se reduz gradualmente. Com a separação das cargas elétricas em uma nuvem, o campo elétrico se torna gradualmente mais intenso até o momento que o ar não consegue mais conter o fluxo de cargas. Assim, surge o caminho condutivo de plasma pelo qual as cargas elétricas fluem livremente formando a descarga elétrica. Os raios produzem radiação eletromagnética em diferentes faixas do espectro, das ondas de rádio aos raios-X e raios gama; sendo estes obtidos a partir da aceleração de elétrons no intenso campo magnético e são fortemente atenuados pela atmosfera. Durante uma tempestade, um rádio comum pode captar chiados proveniente de raios, mesmo que seu brilho não seja visto (um raio intranuvem, por Colisão entre partículas de gelo indutiva (à esquerda) e não-indutiva (à direita) gerando acúmulo de cargas com sinais opostos. (Wikicommons, autor: WOtP) Distribuição de cargas em uma nuvem cúmulo-nimbus. (Wikicommons, autor: WOtP) Nuvem cumulo nimbo, frequentemente associada às tempestades com raios, denominadas trovoadas.(Fonte: Flagstaffotos) Raios do tipo nuvem-solo no mar Mediterrâneo, Port-la-Nouvelle, sul da França. Autor: Maxime Raynal. AstroNova . N.47 . 2025
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11 exemplo). Desta forma, é possível monitorar tempestades através do uso de um receptor de rádio específico na faixa VLF (VeryLow Frequency, 3 a 30 kHz). Os raios que vemos em tempestades são apenas a parte visível de um sistema elétrico gigantesco. Os eventos que ocorrem na alta atmosfera são ainda mais surpreendentes e ainda não estão totalmente compreendidos pela ciência. Eventos luminosos transientes Os eventos luminosos transientes (TLE, do inglês transiente luminousevent) são eventos meteorológicos caracterizados por emissões em luz visível de curta duração e com luminosidade muito menor que a de um relâmpago, que ocorrem em camadas superiores à troposfera e acima de tempestades de raios, as trovoadas. Estes eventos ocorrem da parte superior da troposfera até a ionosfera e são gerados por desequilíbrios eletrostáticos que ocorrem nas descargas elétricas, principalmente nas descargas nuvem-solo. Apesar do nome genérico, estes eventos diferem muito entre si. Os nomes utilizados são de origem inglesa e a tradução para portuguêsfica um pouco estranha. Vamos então conhecer cada um deles. Blue jets, blue starters e gigantic jets Os blue jets (jatos azuis) formam-se a partir do topo de nuvens de trovoada ativa até altitudes de 50 km durando de 200 a 300 milissegundos. Acredita-se que sejam iniciados como descargas de raios entre a região de carga positiva superior da nuvem de tempestade e uma camada de carga negativa presente acima dessa região. Foram registrados pela primeira vez em 21 de outubro de 1989 em um vídeo monocromático da observação de uma tempestade realizado quando um ônibus espacial passava sobre a Austrália. Recentemente, foram observadas a partir da Estação Espacial Internacional. Os blue starters (precursores azuis), relacionados aos blue jets, foram descobertos em vídeo durante um voo de pesquisa noturno em torno de tempestade. São mais Diagrama apresentando aspecto e altitude de ocorrência de raios (lightning) e dos eventos luminosos transientes (TLE): blue jet, sprite e elf. AstroNova . N.47 . 2025
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12 Figura 9 12 curtos e mais brilhantes e atingem altitudes de apenas 20 km. Os giganticjets (jatos gigantescos) parecem se iniciar como um flash intranuvementre regiões de carga negativa no meio da nuvem e positiva na parte superior da nuvem. A descarga principal, também denominada descarga líder (que também se observa em raios) escapa para cima da nuvem em direção à ionosfera, alcançando altitudes de 90 km. Sprites Sprites (espírito, em tradução da raiz latina spiritus) são descargas elétricas de grande escala que ocorrem na mesosfera, bem acima das nuvens de tempestade. Geralmente, são desencadeadas por descargas de raios de carga positiva entre uma nuvem de tempestade subjacente e o solo. Aparecem como flashes luminosos vermelho alaranjados em altitudes de 50 a 90 km. São fenômenos de plasma frio, sendo semelhantes às descargas de tubos de lâmpadas fluorescentes. O primeiro relato conhecido foi realizado em 1886, mas a primeira foto realizada foi em 6 de julho de 1989 por cientistas da Universidade de Minnesota de forma acidental, pois estavam pesquisando outro fenômeno atmosférico. Desde então, os sprites têm sido fotografados do solo, de aeronaves e do espaço; tornando-se objeto de intensa investigação científica. Apesar de diferentes formatos, podendo ser categorizados com formas semelhantes a água-viva, coluna ou cenoura; seu tamanho é equivalente a um tubo com altura e diâmetro de 50 km. Elves Elves, do acrônimo em inglês para emissões de luz e perturbações de frequência Um blue jet emergindo de uma nuvem de tempestade. Parque Nacional Big Bend,Marfa, Texas. Autor: Mathew Griffiths. Data: 04/08/2022. Sequência de 3 fotos de um giganticjet saindo do topo de uma nuvem de tempestade sobre Oklahoma. A foto foi realizada durante um voo a 80 quilômetros da tempestade. Autor: Chris Holmes. Data: 14/05/2018. AstroNova . N.47 . 2025
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13 muito baixa (coincidentemente o plural de elfo em inglês) aparecem com um formato de anel achatado com cerca de 400 km de diâmetro e duração de apenas 1 milissegundo. Ocorre na ionosfera a uma altitude de 100 km durante tempestades e tem coloração avermelhada. O primeiro registro foi realizado durante a missão STS-41 do ônibus espacial Discovery em 07/10/1990 ao sobrevoar a Guiana Francesa. Considera-se que sejam gerados pelo pulso eletromagnético proveniente de raios ao alcançarem a ionosfera. Rafael Cândido Jr. é graduado e mestre em Engenharia Química. Integra o grupo de astronomia Arcturus, da UFABC. Para saber mais: Sprite observado da Estação Espacial Internacional em 20/06/2024 sobre a costa da África do Sul. Foto realizada pelo astronauta Matthew Dominick (NASA). AstroNova . N.47 . 2025 Foto realizada em 07/03/2023 às 21:43 UTC em Possagno, Itália. O relâmpago que o gerou ocorreu em Polverigi, a uma distância de 285 km do local que registrou a foto. É estimado que o raio que gerou o pulso eletromagnético formador deste elfalcançou a intensidade de 410 quiloamperes, muito acima da faixa comum de 10 a 30 quiloamperes. Autor: Valter Binotto. Lightning: PhysicsandEffects. Vladimir A. Rakov, Martin A. Uman. 2003 Monitoramento de TLEs pela Estação Espacial Internacional: Link da ESA
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Lua durante por do Sol 23/09/2025 Campeche Sul/SC (Brasil) Astrofotógrafa: Ana Paula Gorri Lua durante por do Sol 23/09/2025 Campeche Sul/SC (Brasil) Astrofotógrafa: Ana Paula Gorri
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Beatriz Yordaky Instagram: @beatriz_yordaky Todos conhecemos um dos maiores medos do astrônomo amador: a poluição luminosa. A maioria vive em grandes centros urbanos, onde o excesso de luzes domina, tornando raras as aparições de estrelas, constelações e outros objetos como O CÉU DO ATACAMA ASTRONOMIA AMADORA nebulosas e galáxias. Como residente da cidade mais populosa do Brasil, São Paulo, muitas vezes me contento em “observar” o céu através de softwares, como o Stellarium. Se afastar das grandes cidades é ter a chance de ver céus mais limpos e vislumbrar, quem sabe, a Via Láctea, que aparece como uma mancha esbranquiçada que se estende de um horizonte a outro. O que estamos vendo, na verdade, é a Galáxia onde vivemos. Em situações de céu muito estrelado é, inclusive, desafiante reconhecer constelações mediante à imensidão de estrelas. Mas qual é o melhor lugar para observar o céu? 15
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Podemos ter uma indicação através da Escala Bortle, que mede o brilho do céu noturno e o impacto da poluição luminosa em um determinado local. Foi criada em 2001 por John Bortle e é um sistema de nove níveis. Um céu de classe 9 tem poluição luminosa máxima, onde apenas objetos como a Lua, alguns planetas e estrelas podem ser vistos a olho nu (céus urbanos). Já um céu de classe 1 é o desejo de qualquer astrônomo amador: perfeitamente escuro, típico de locais remotos como no meio do deserto ou do oceano. Neste ano de 2025 tive a oportunidade de realizar uma viagem ao Deserto do Atacama, no Chile. Lá, são muito comuns passeios turísticos de observação do céu. A cidade mais famosa, San Pedro de Atacama, tem um céu de classe 4-5, mas ao se afastar um pouco do centro você já encontra céus de classe 2-3, que são excelentes. O céu noturno de lá é considerado um dos mais bonitos do mundo por uma combinação de fatores naturais e geográficos: 1. Altitude elevada: Grande parte do Atacama está acima de 2.400 metros de altitude. Nessa altura, a atmosfera é mais rarefeita, o que reduz a distorção da luz estelar e deixa as estrelas mais nítidas. 2. Ar extremamente seco: Ele é um dos desertos mais áridos do planeta. A umidade relativa do ar é baixíssima, o que significa que há quase nenhuma formação de nuvens. 3. Baixa poluição luminosa: A região é pouco habitada, com poucas cidades e vilas, o que faz com que praticamente não exista poluição luminosa. Isso permite que o céu permaneça escuro e transparente. 4. Localização geográfica: Estando no hemisfério sul, o 16 AstroNova . N.47 . 2025
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17 Atacama oferece visão privilegiada de partes do céu que não são vistas do hemisfério norte, como o centro da Via Láctea, as Nuvens de Magalhães (galáxias vizinhas) e constelações típicas do sul. Poder ver o céu do Atacama foi uma experiência única. Pude presenciar a Via Láctea se estendendo de um lado ao outro do horizonte de forma majestosa. Vi constelações que antes só havia visto em representações, e até tive dificuldade em reconhecer outras famosas (como o escorpião), pois o céu estava infestado de estrelas brilhantes. Não era difícil visualizar objetos Messier, como as plêiades e a nebulosa da laguna. O espetáculo também contou a aparição de duas galáxias satélites da Via Láctea: a grande e a pequena Nuvens de Magalhães. Foram 3.000 km, dois aviões e 7h de vôo, e mais 1h30 de transfer até a cidade principal. Tudo isso para aproveitar madrugadas de observações e astrofotografias, fora as belezas naturais que só o deserto nos proporciona. O maior desafio foi aguentar o frio e o vento, característicos de noites no deserto, mas tudo valeu a pena pelo melhor céu que já vi na vida. Quer saber onde sua cidade se encontra na Escala Bortle? Acesse: https://lightpollutionmap.app/pt Beatriz Yordaky tem bacharelado e licenciatura em Física, e bacharelado em Ciência da Computação
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Cometa C/2025 Swan 17/09/2025 Maringá/OR (Brasil) Astrofotógrafo: Marcos Cesar Danhoni Neves Cometa C/2025 Swan 17/09/2025 Maringá/OR (Brasil) Astrofotógrafo: Marcos Cesar Danhoni Neves
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Cometa C/2023 A3 Tsuchinshan ATLAS Astrofotógrafo: Felipe Sérvulo 17/09/2024 Taperoá - PB 19 QUAL A COR REAL DO SOL? ASTROFÍSICA Ricardo Francisco Pereira www.recursosdefisica.com.br Pode até parecer uma pergunta besta, mas na verdade não é. Da superfície da Terra, normalmente vemos o Sol na cor amarela e no amanhecer e pôr do Sol ele ganha um tom avermelhado, mas e do espaço, fora da atmosfera da Terra, o Sol também é amarelo? A resposta à pergunta do título envolve muito mais Física do que a princípio você possa imaginar, então, para começar a respondê-la precisamos entender o que define a cor de uma estrela. No início do século XX, os astrônomos criaram uma tabela chamada de Classificação Espectral das Estrelas relacionando a cor que vemos da superfície da Terra (no início do século XX, não tínhamos telescópios espaciais e nem astronautas no espaço) com a temperatura superficial das estrelas (temperatura da fotosfera) e com o espectro observado das estrelas (linhas de absorção e de emissão que indicam os elementos químicos que detectamos nas estrelas a partir da luz que chega até nós), ou seja, a classificação espectral é baseada nas características físicas das estrelas (ver imagem 1). O Sol é classificado como do tipo G, como vocês podem ver pela imagem 1, com temperatura variando entre 5.500 K e 6.000 K. Se os próprios cientistas classificam o Sol como tendo a cor amarela, qual o sentido de perguntar qual é a cor real do Sol? O “problema” começou quando o cosmonauta soviético Yuri Gagarin se tornou o primeiro ser humano no espaço em 12 de abril de 1961 em seu histórico vôo na nave Vostok 1, ou seja, foi o primeiro ser humano a sair da atmosfera da Terra e pela janela se sua nave ele olhou para o Sol e
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Cometa C/2023 A3 Tsuchinshan ATLAS Astrofotógrafo: Felipe Sérvulo 17/09/2024 Taperoá - PB 20 AstroNova . N.47 . 2025 viu que era branco. Essa descrição pelo Gagarin gerou implicações importantes na Ciência sobre a natureza da luz e a influência da atmosfera terrestre. Essas observações ajudaram a esclarecer conceitos fundamentais sobre a Física da luz e o papel que a atmosfera desempenha na forma como percebemos o Universo. A partir do entendimento que a atmosfera interfere na forma como observamos a luz que vem de fora, entendemos que da superfície da Terra vemos uma cor aparente das estrelas, mas olhando de fora da atmosfera com equipamentos espaciais, podemos ver as cores reais das estrelas. No que é importante para nós, da superfície do planeta vemos o Sol na cor amarela, mas do espaço, sua cor real é a branca. Entendendo isso, agora vem duas novas perguntas, por que a luz do Sol é branca? Por que a atmosfera da Terra nos faz ver o Sol na cor amarela? O Sol emite todos os tipos de radiações eletromagnéticas (Ondas de Rádio, Microondas, Infravermelho, Luz visível, Ultravioleta, Raios-X e Raios Gama), obviamente que nossos olhos só enxerga a radiação eletromagnética que chamamos de luz visível, que compreende as cores vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta (e suas diferentes tonalidades e combinações). São as cores que vemos em um arco-íris, mas quando analisamos a parte física das cores, analisamos os seus comprimentos de ondas, que é o tamanho da onda eletromagnética para cada cor. Cada cor tem uma faixa que varia entre um mínimo e máximo comprimento de onda e toda a faixa da luz visível varia entre 380 a 750 Imagem 1: Fonte:https://i.ytimg.com/vi/Wh-S-6u3f78/maxresdefault.jpg Imagem 2: Fonte: https://files.meiobit.com/wp-content/uploads/2016/04/20160413laguna_vostok-1.jpg
