Acervo textual da Revista AstroNova
Edição 47 — páginas 21 a 30
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Assuntos identificados: atmosfera, nuvem, espacial, estrelas, local, raios, evento, brasil, vemos, foguete.
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nanômetros (1 nanômetro = -9 1x10m, ou seja 0,000000001 metro). Quando olhamos um gráfico da intensidade de emissão da luz visível do Sol (ver imagem 4), olhando a parte da luz visível, vemos que o pico de emissão, ou seja, a maior intensidade de emissão de luz é na cor verde, que é bem no meio da faixa dos comprimentos de ondas da luz visível (entre 380 e 750 nanômetros), então, quando somamos toda a intensidade de emissão de luz visível, a soma total dessa emissão gera uma luz branca, por isso a cor real do Sol é branca e não amarela. Como já falamos, é por causa da atmosfera da Terra que vemos o Sol na cor amarela, mas então como a atmosfera interfere na cor que vemos das estrelas? Quando a luz o Sol chega à Terra, ela interage com a atmosfera, mais especificamente com as moléculas que compõem a atmosfera, principalmente os 78% de nitrogênio e 21% de oxigênio. Ao interagir com essas moléculas, elas espalham a luz solar em um fenômeno conhecido como espalhamento Rayleigh (ver imagem 5). Pela composição da nossa atmosfera, as cores com comprimentos de ondas menores, como o violeta, o azul e o anil são mais espalhados, por isso que vemos o céu de dia com a cor azul. Como a luz branca do Sol perde parte do violeta, azul e anil, sobra mais amarelo e vermelho, assim, desbalanceado o equilíbrio das cores que deixam a luz do Sol na cor branca. A atmosfera da Terra acaba servindo como um filtro que altera a cor real do Sol. Por isso que normalmente de dia vemos o Sol na cor amarela e no amanhecer ou no pôr do Sol vemos ele na cor avermelhado. Como curiosidade, uma atmosfera diferente espalha cores diferentes. A atmosfera 21 AstroNova . N.47 . 2025 Imagem 3: Espectro eletromagnético - Fonte: UOL Imagem 4: Fonte: researchgate
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22 AstroNova . N.47 . 2025 do planeta Marte é composta de 95% de dióxido de carbono, além de ser muito menos densa que a atmosfera da Terra. Com essas características, a cor do Sol no pôr do Sol na Superfície de Marte é azulada, como vocês podem ver na imagem 6. Para terminar, você pode agora estar se perguntando, mas e aquela tabela da classificação espectral das estrelas, como fica? Há 2 coisas a se considerar sobre isso, a primeira é que existe sim uma tabela corrigida com as cores reais das estrelas, mas a principal é que a cor é a parte menos importante da classificação espectral, a parte mais importante são os elementos químicos detectados no espetro da estrela, mesmo a luz que o Sol emite seja branca, seu espectro é característico das estrelas do tipo G e não as do tipo A (ver imagem 1), com luz branca e temperatura superficial bem maior. Ricardo Francisco Pereira é professor do Departamento de Física da UEM. Graduado em Física, é mestre e doutor em Educação para a Ciência e Matemática. Mantém a página Recursos de Física. Para saber mais: Por que o céu é azul? - https://www.tecmundo.com.br/ci encia/236222-ceu-azul.htm Qual é a cor do Sol (e por que ele não é amarelo) - https://www.bbc.com/portuguese /geral-58784295 Por quer o Sol é azul? - https://www.youtube.com/shorts/ yLKpSjy-40o Qual é a cor do Sol? - https://www.youtube.com/shorts/ HVvCzV2bdl4 O Sol não é amarelo - https://www.youtube.com/watch ?v=xrJWrFT6B3Q Imagem 6: Pôr do Sol em Marte. Fotografia tirada pelo roverCuriosity da Nasa. Fonte: BBC Imagem 5: Espalhamento Rayleigh. Fonte: https://tm.ibxk.com.br/2022/03/29/29165137295539.jpg
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Nebulosa do Anel agosto/2025 Maringá/PR (Brasil) Astrofotógrafo: Bruno Bonicontro Nebulosa do Anel agosto/2025 Maringá/PR (Brasil) Astrofotógrafo: Bruno Bonicontro
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COMO IDENTIFICAR UMA FALSA BOLA DE FOGO NO CÉU? Eduardo P. Santiago EXOSS: [email protected] A cada ano a ferramenta de ocorrência de bólidos (AMS, IMO, EXOSS) tem recebido dezenas, centenas e milhares de relatos e estamos felizes em fornecer meios para que mais pessoas possam colaborar com os estudos de meteoros. Recentemente a ferramenta passou por algumas alterações possibilitando que as testemunhas enviem suas fotos e vídeos. Isso cria um vínculo entre a testemunha e a pesquisa acerca do evento em questão. O resultado é extremamente positivo ASTRONOMIA AMADORA mostrando que a possibilidade do envio de mídias é de grande ajuda para nós entendermos o que a testemunha está relatando. Através dessa nova função foi possível coletar informações sobre um evento em particular que nos chamou muito a atenção e percebemos a necessidade de tratar com o público sobre esse tipo de fenômeno muito comum no céu. O caso de falso meteoro mais comum a ser tratado pela American Meteor Society em seu banco de dados diariamente. “Vi uma grande bola de fogo que levou vários segundos/minutos para desaparecer” “Era grande e se movia relativamente rápido, tive tempo de pegar uma câmera e tirar uma foto” “Tinha cor vermelha, amarelo e laranja” “Liguei para um amigo meu que me disse ver a mesma coisa” Esses são exemplos de alguns relatos recebidos por todo mundo. Sua característica principal é que as testemunhas ao descrever a emoção de presenciar tal fenômeno sempre possuem tempo hábil para realizar COMO IDENTIFICAR UMA FALSA BOLA DE FOGO NO CÉU? CONSIDERAÇÕES PARA NOVATOS E EXPERIENTES EM ASTRONOMIA, BEM COMO À IMPRENSA 24
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Neste evento nós recebemos 9 vídeos e 31 fotos, uma das maiores participações com envio de arquivos de mídia. uma tarefa como, tirar uma foto, ligar para alguém. No dia 13 de novembro de 2017 ocorreu um evento no Brasil que foi confundido com meteoro. Tratava-se apenas de um contrail (rastro de condensação) causado por aeronave. Porém o número de fotos e vídeo enviados pela ferramenta foi surpreendente. Mas afinal, o que um evento de contrail erroneamente confundido com meteoro faz por merecer tanta atenção assim? Como identificar uma falsa de bola de fogo no céu? Se desenvolvemos e aperfeiçoamos uma ferramenta com um poder de alcance nunca antes visto, visando justamente alcançar o máximo de pessoas em todo mundo é essencial explicar a tais pessoas como entender e diferenciar um fenômeno corriqueiro de contrail de um evento real de meteoro. Essa conclusão não partiu só da Exoss, mas de constantes conversas com o idealizador dessa ferramenta de relatos Mike Hankey (American Meteor Society), por notar-se o grande volume de relatos com as mesmas características que por muitas vezes são difundidas em jornais de grande circulação. Isso torna quase impossível para nós corrigirmos tais informações a tempo de informar o público em massa a origem real do que acreditam ser um meteoro, cometa ou qualquer outro detrito espacial. Então o que devemos considerar afinal? LOCAL Tais eventos ocorrem mais frequentemente em locais que são rotas da aviação comercial ou militar. No evento brasileiro os relatos partiram de locais próximos a um aeroporto. AstroNova . N.47 . 2025 25
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13 HORÁRIO Nascer e pôr do sol, são momentos onde tal fenômeno se torna mais visível pois nossa atmosfera favorece a visualização da faixa do espectro de luz perto do vermelho (em determinado ângulo) o que deixa as nuvens e rastros de condensação de aeronaves com tonalidades quentes (vermelho, laranja e amarelo) e isso desperta a atenção das pessoas. DURAÇÃO Tais fenômenos de falsos meteoros causados por contrail permite a testemunha tirar uma série de fotos e vídeos por ser algo que dure alguns segundos e talvez minutos. Um meteoro é um evento de extrema rapidez, muito rápido e a testemunha dificilmente tem tempo hábil para pegar uma câmera registrar tal fenômeno. Neste evento nós recebemos 9 vídeos e 31 fotos, uma das maiores participações com envio de arquivos de mídia. Mas porque existem diversas imagens e vídeos de meteoros no youtube? A resposta é simples. Pessoas no local certo, hora certa fazendo a coisa certa (filmando ou tirando fotos de algo ou situação com outro contexto). Existem inúmeros vídeos e fotos na internet e neles é possível observar que o objetivo da pessoa não era o de registrar um meteoro (salvo quando é programado Nascer do sol em Ilha Comprida, SP – Brasil e nuvens cumulus sendo iluminadas por cores quentes AstroNova . N.47 . 2025 26
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uma seção de astrofotografia) e sim algum evento sem qualquer relação com a astronomia. Em 2 de Novembro de 2015 na Tailândia um meteoro foi registrado acidentalmente por diversas câmeras de carro (DashCam). Há links na internet para se ver esse bólido (talvez o mais belo já registrado). Com atenção nos segundos 0:36 e 0:55 podemos observar dois registros feitos com câmeras já em mãos da testemunha em gravação de eventos nada relacionados a meteoros. É claro que algumas exceções podem ocorrer. Em 10 de Agosto de 1972 um grande bólido diurno foi registrado; se um evento (“The Great Daylight Fireball”) de dinâmica similar ocorrer em pleno século 21, é de grande chance que várias pessoas poderiam registrá-lo com seus smartphones. Contrail (rastro de condensação) registrado numa sequência de fotos com ampliação. Um olhar desatento facilmente pode confundir com algum outro evento astronômico. COMPREENDENDO CONTRAIL Aeronaves comerciais voam a uma altitude aproximada de 10.000 metros. Nessas condições a atmosfera se torna muito gélida e os gases quentes expelidos das turbinas das aeronave se resfriam e formam cristais de gelo e consequentemente os famosos rastros densos que vão de cor branca até às mais avermelhadas quando próximas ao amanhecer ou entardecer (efeito ótico). AstroNova . N.47 . 2025 27
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QUESTÕES PARA RESPONDER ?É comum aeronaves nessa região? ?Você presenciou o fenômeno no início da manhã ou final de tarde? ?Sua cor varia entre vermelho, laranja ou amarelo? ?Estava próximo ao horizonte? ?Aparentava ter uma cauda? ?Você teve tempo de pegar um smartphone ou câmera para fazer um registro? Se a maioria das respostas para essas questões foram “sim”, então o que você presenciou muito provavelmente NÃO É UM METEORO. Com muita segurança podemos concluir ser uma aeronave e seu rastro de condensação (contrail). A partir do momento que fomentamos pessoas de todo o mundo a colaborarem com os estudos de meteoros, é muito importante ensinar as características dos falsos eventos, tanto quanto aos de eventos verdadeiros. Já fazemos isso com algoritmos de computadores que desempenham essa função para estudos mais avançados na área de meteoros; mas as pessoas também necessitam e precisam saber como identificar o que estão vendo no céu. Em um evento recente no dia 28 de Janeiro no Brasil e Peru, houve vários registros de uma reentrada de lixo Imagem em detalhes do contrail. A aeronave possuía 4 turbinas. Um zoom em um fenômeno deste tipo já evidencia sua natureza terreste. espacial. Este é outro evento muito comum a ser confundido com meteoro. Trataremos sobre esse assunto e como analisar suas características em breve. Este artigo visa atender a necessidade em aprofundar de forma didática o máximo possível de informações relativas a esse tipo de evento e toda confusão gerada nas mídias sociais e jornais sempre que se dissemina uma informação que não procede. Eduardo Placido Santiago é astrônomo amador, membro do EXOSS e da IMO (Internacional Meteor Organization) Créditos Imagens: American Meteor Society, National Weather Service – NOAA, Jamile Santana, Billy Dorsch, N. Alves, Team Thailand, rek231wa, André Renato de Oliveira Costa, R. Pistori, Boldmethod, LouB747, Mick West. Gases quentes expelidos se condensam formando o contrail. Sugestão de leitura: “Outra” bola de fogo no céu... Exoss - www.exoss.org AstroNova . N.47 . 2025 28
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Nebulosa Roseta Astrofotógrafo: Bruno Bonicontro 03/12/2021 Maringá - PR (Brasil)
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