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Conteúdo textual — Edição 48
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R E V I S T A D E D I V U L G A Ç Ã O D E A S T R O N O M I A E C I Ê N C I A S D A N A T U R E Z A
Ano 12 - Nº 48 - Dezembro/2025
R E V I S T A D E D I V U L G A Ç Ã O D E A S T R O N O M I A E C I Ê N C I A S D A N A T U R E Z A
ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL TIANGONG
AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS
ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL
PROGRAMA
ESPACIAL SALYUT
PARA SALVAR A ÓRBITA
DA TERRA (DO LIXO ESPACIAL)
ENAST/EPAST
2025
36º ENCONTRO INTERNACIONAL DE
ASTRONAUTAS NA UFABC
10 ANOS DO GRUPO DE ASTRONOMIA ARCTURUS
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SUMÁRIO
09
23
Ano 12 | Edição nº 48 | 2025
17
25
Conselho editorial:
Adriane Casteleira
Maico A. Zorzan
Rafael Cândido Jr.
Wilson Guerra
Redatores desta edição:
Adriane Casteleira
Brisa Pascoal
Maico Zorzan
Rafael Cândido Jr.
Diagramação:
Wilson Guerra
Astrofotos:
Bruno Bonicontro
Carlos Ap. Domingues
Fernando O. de Menezes
Wandeclayt Melo
EXPEDIENTE
Capa:
Cometa C/2025 R2 SWAN
Bruno Bonicontro
PROGRAMA
ESPACIAL SALYUT
PARA SALVAR A ÓRBITA
DA TERRA (DO LIXO ESPACIAL)
ENAST/EPAST 2025
36º ENCONTRO INTERNACIONAL DE
ASTRONAUTAS NA UFABC
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CLUBE DE ASTRONOMIA ARCTURUS
10 ANOS
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PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE
Foguete: Falcon 9 (SpaceX)
Satélite de Observação da Terra
da ASI (Agência Esp. Italiana)
Local: base de Vandenberg
Data: 29/12/2025
Foguete: Falcon 9 (SpaceX)
Satélites Starlink
Local: Centro Espacial Kennedy
Data: 03/01/2026
Foguete: Proton-M (Roscosmos)
Satélite meteorológico Elektro-L n.05
Local: Cosmódromo de Baikonur
Data: 12/02/2026
Foguete: Soyuz 2 (Roscosmos)
Progress MS-33 (mantimentos para ISS)
Local: Cosmódromo de Baikonur
Data: 22/03/2026
Foguete: SLS (Nasa)
Missão Artemis II - circunavegação
tripulada na Lua
Local: Centro Espacial Kennedy
Data: 05/02/2026
Foguete: Soyuz 5 (Roscosmos)
Vôo inaugural de nova geração Soyuz
Local: Cosmódromo de Baikonur
Data: março/2026
Foguete: Alpha (Firefly)
Novo satélite meteorológico
Local: base de Vandenberg
Data: fevereiro/2026
RÚSSIA RÚSSIA
EUA EUA
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PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE
Foguete: Long March 4B (CNSA)
Satélite da CASC
Local: centro espacial de Jiuquan
Data: 30/12/2025
Foguete: Jielong (CASC)
Satélite da CASC
Local: plataforma marítima
Data: 29/12/2025
Foguete: Spectrum (Isar Aerospace)
Lançamento inaugura (2a tentativa)
Local: Andoya (Noruega)
Data: 13/01/2026
Foguete: Ariane 6 (Ariane Space)
Intelsat 45, conjuntos de satélites de
comunicação
Local: Guiana Francesa
Data: janeiro/2026
EUROPA EUROPA
Foguete: Ceres-2 (Galactic Energy)
Lançamento inaugural
Local: centro espacial de Jiuquan
Data: dezembro/2025
Foguete: Longa Marcha 7A (CNSA)
Satélite da CASC
Local: plataforma marítima
Data: 30/12/2025
Foguete: Kinetica-2 (CAS Space)
Lançamento inaugural
Local: centro espacial de Jiuquan
Data: dezembro/2025
Foguete: LVM-3 (ISRO)
Teste não-tripulado da cápsula para
astronautas da missão Gaganyaan
Local: base de Satish Dhawan
Data: janeiro/2026
ÍNDIA ÍNDIA
CHINA CHINA
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Atividades de
outubro a dezembro/2025
Atividades de
outubro a dezembro/2025
ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL
Soyuz MS-29: Roscosmos (14/07/2025) Soyuz MS-29: Roscosmos (14/07/2025)
Próximas Expedições Próximas Expedições
Crew-12: SpaceX (15/02/2026) Crew-12: SpaceX (15/02/2026)
Tripulação atual Tripulação atual
O astronauta Mike Fincke ba câmara de descompressão
instalando equipamentos que poderão ser usado no futuro
em mineração de pequenos asteroides.
O astronauta Mike Fincke ba câmara de descompressão
instalando equipamentos que poderão ser usado no futuro
em mineração de pequenos asteroides.
O astronauta Mike Fincke estuda o comportamento de
partículas em fluidos na microgravidade.
O astronauta Mike Fincke estuda o comportamento de
partículas em fluidos na microgravidade.
A astronauta Zena Cardman inspeciona trajes espaciais. A astronauta Zena Cardman inspeciona trajes espaciais.
Principais atividades: outubro a dezembro/2025 Principais atividades: outubro a dezembro/2025
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Estação Espacial Tiangong Estação Espacial Tiangong
Principais atividades: outubro a dezembro/2025 Principais atividades: outubro a dezembro/2025
Tripulação atual (Shenzhou-21) Tripulação atual (Shenzhou-21)
Primeiro frango grelhado no espaço. Primeiro frango grelhado no espaço.
Experimentos para estudar comportamento de
gases na microgravidade.
Experimentos para estudar comportamento de
gases na microgravidade.
Com auxílio do braço robótico, os taikonautas
Zhang Lu e Wu Fei instalaram equipamentos
durante caminhada espacial de 6h45 de duração.
Com auxílio do braço robótico, os taikonautas
Zhang Lu e Wu Fei instalaram equipamentos
durante caminhada espacial de 6h45 de duração.
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Página 8
www.
RECURSOSdeFÍSICA
.com.br
Página que socializa produção de recursos de ensino adaptados à
sala de aula e aos professores. Material produzido nas disciplinas do
curso de Licenciatura em Física da UEM e em outros projetos
coordenados pelo prof. Dr. Ricardo Francisco Pereira.
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09
Rafael Cândido Jr.
[email protected]
Atualmente, as estações
espaciais operacionais são
Internacional e a Tiangong.
Algumas pessoas mais velhas
lembram-se da antiga
Estação Espacial Mir,
construída pela União
Soviética. Neste artigo vamos
conhecer o programa
pioneiro de permanência de
humanos no espaço.
Estações civis e militares
O programa Salyut, palavra
russa para saudação ou
fogos de artifício, foi
desenvolvido pela União
Soviética de 1971 a 1986.
Estas eram estações de único
módulo e eram classificadas
como estações orbitais
permanentes (denominadas
DOS, de uso civil) e estações
orbitais pilotadas
(denominadas OPS, de uso
militar).
Com as falhas ocorridas no
desenvolvimento do
programa lunar tripulado
soviético, os engenheiros da
antiga equipe de Korolev
(que havia falecido em 1966)
notaram que os esforços de
desenvolvimento desse
programa chegaram a um
beco sem saída e então
passaram a projetar e
construir os módulos DOS
para as pesquisas de
permanência de humanos
no espaço.
As estações militares eram
um projeto mais antigo
realizado por Vladimir
Chelomei a partir de
outubro de 1964. Estas
estações faziam parte do
programa Almaz (diamante
em russo) e para cobrir a
natureza militar delas,
foram lançadas dentro do
programa Salyut. Porém, em
ASTRONÁUTICA
PROGRAMA SALYUT PROGRAMA SALYUT
As primeiras estações espaciais As primeiras estações espaciais
Imagem: RIA-Novosti
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duração.
Salyut-1 (DOS-1)
Foi a primeira estação
espacial da história. Lançada
em órbita baixa em 19 de
10
1978, o Ministério da Defesa
soviético concluiu que o
tempo e os recursos
consumidos pela
manutenção de estações
militares eram muito
maiores que os benefícios
em relação aos satélites de
reconhecimento
automático.
Estações da primeira geração
A primeira geração serviu
como protótipo de testes de
engenharia para estações
espaciais. No programa
Salyut, as estações DOS eram
de módulo único e seus
acoplamentos seriam apenas
com naves Soyuz e naves
cargueiras tripuladas
(denominadas TKS). Porém,
um dos objetivos do
programa Almaz era a
construção de estações
multimodulares de longa
abril de 1971, foi adaptada a
partir de uma estrutura de
uma OPS e era composta por
cinco componentes: um
compartimento para
transferência, um
compartimento principal,
dois compartimentos
auxiliares e o observatório
espacial Orion 1.
Foi visitada pelas missões
Soyuz 10 e Soyuz 11. A
tripulação da Soyuz 10 não
conseguiu realizar o
acoplamento de forma
correta e a missão foi
abortada. A tripulação da
Soyuz 11 realizou o
acoplamento com sucesso e
permaneceu 23 dias a bordo
da Salyut 1 realizando
experimentos.
Porém, durante o retorno,
uma falha na válvula de
Salyut 1 vista na partida da Soyuz 11.
Selo soviético em homenagem à tripulação da Soyuz 11
(da esquerda para a direita: GeorgyDobrovolski, Vladislav Volkov e Viktor Patsayev).
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pressurização antes da
reentrada causou a morte
por asfixia dos tripulantes,
sendo estes os únicos
humanos que morreram no
espaço (acima da linha de
Von Kárman, 100 km de
altitude).Após este fato, as
operações da Salyut 1 foram
encerradas e a estação
reentrou na atmosfera
terrestre, sendo totalmente
destruída em 11 de outubro
de 1971.
DOS-2
A DOS-2 foi uma estação
espacial que foi perdida
devido a uma falha de
lançamento em 29 de julho
de 1972, quando o segundo
estágio de veículo de
lançamento Proton-K não
conseguiu lançar a estação
em órbita, de modo que esta
caiu no Oceano Pacífico.
A estação, que receberia a
designação Salyut 2 se
tivesse alcançado a órbita,
era estruturalmente idêntica
à Salyut 1, pois havia sido
montada como uma
unidade reserva para aquela
estação.
Devido às mortes ocorridas
na reentrada da Soyuz 11,
foram realizadas
modificações na nave
resultando em uma nova
versão, a Soyuz 7K-T, que só
transportava dois
cosmonautas. Era previsto
que a DOS-2 teria duas
tripulações, que foram
transferidas para a DOS-3.
Salyut 2 (OPS-1)
A Salyut 2 foi a primeira
estação espacial militar
Almaz a entrar em órbita.
Duas semanas após o
lançamento, ocorrido em 3
de abril de 1973, a estação
perdeu o controle de
altitude e despressurizou,
deixando-a inutilizável. Sua
órbita decaiu e ela reentrou
na atmosfera em 28 de maio
de 1973, sem que nenhuma
tripulação a tivesse visitado.
Kosmos 557 (DOS-3)
Originalmente designada
DOS-3, pretendia-se que
fosse lançada como Salyut-3,
mas devido à sua falha em
atingir a órbita em 11 de
maio de 1973, três dias antes
do lançamento do Skylab
dos EUA, foi renomeada
Kosmos-557.
Devido a erros no sistema de
controle de voo enquanto
estava fora do alcance do
controle de solo, a estação
acionou seu propulsor de
atitude até consumir todo o
combustível de controle de
atitude e se tornar
incontrolável antes de elevar
sua órbita à altitude
desejada. Como a nave
espacial já estava em órbita
e havia sido registrada por
radares ocidentais, os
soviéticos registraram o
lançamento como Kosmos
557 e fizeram que ela
reentrasse na atmosfera
terrestre e se incendiasse
uma semana depois.
Salyut 3 (OPS-2)
A Salyut 3 foi lançada em 25
de junho de 1974. Foi a
segunda estação espacial
militar Almaz e a primeira a
ser lançada com sucesso.
Devido à natureza militar da
estação, a União Soviética
relutou em divulgar
informações sobre seu
projeto e sobre as missões
relacionadas à estação.
Atingiu uma altitude de 219
a 270 km no lançamento e a
Nasa relatou que sua
altitude orbital final foi de
268 a 272 km. Apenas uma
das três tripulações
planejadas, transportada
pela Soyuz 14, operou a
estação com sucesso. A
Soyuz 15 tentou trazer uma
segunda tripulação, mas não
conseguiu acoplar, e a
terceira missão planejada
para a estação foi cancelada.
A Salyut 3 conduziu o
primeiro teste de tiro de
uma arma convencional no
espaço. Durante a missão, os
cosmonautas dispararam
um canhão de aeronave
Nudelman modificado de 23
mm a bordo. Foram
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Figura 9
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realizados três testes com a
arma durante toda a missão
da Salyut 3.A estação
reentrou na atmosfera em
24 de janeiro de 1975.
Salyut 4 (DOS-4)
A Salyut 4 (DOS-4) foi
lançada em 26 de dezembro
de 1974 em uma órbita com
apogeu de 355 km, perigeu
de 343 km e inclinação
orbital de 51,6 graus em
relação ao equador. Era
essencialmente uma cópia
da DOS-3 (ou Kosmos 557) e
esta foi um sucesso
completo. As tripulações da
Soyuz 17 e da Soyuz 18
conseguiram acoplar, porém
a Soyuz 18a teve o
lançamento abortado.
A missão da Soyuz 18
permaneceu 63 dias na
estação e a nave Soyuz 20
permaneceu acoplada à
estação por três meses,
comprovando a durabilidade
do sistema a longo prazo,
apesar de ocorrer uma
ligeira deterioração
ambiental. A Salyut 4
reentrou em 3 de fevereiro
de 1977.
Salyut 5 (OPS-3)
A Salyut 5 foi lançada em 22
de junho de 1976 e foi a
terceira e última estação
espacial Almaz a ser
lançada. Duas missões Soyuz
visitaram a estação, cada
uma tripulada por dois
cosmonautas. Uma terceira
missão Soyuz tentou visitar
a estação, mas não
conseguiu acoplar,
enquanto uma quarta
missão foi planejada, mas
nunca foi lançada.
O objetivo principal da
tripulação da Soyuz 21 a
bordo da Salyut 5 era
realizar experimentos
militares; no entanto,
pesquisas científicas
também foram conduzidas,
incluindo o estudo de peixes
de aquário em
microgravidade, a
observação do Sol e o
crescimento de cristais em
microgravidade. A
tripulação também realizou
uma conferência
televisionada com alunos de
escolas.
Os cosmonautas Boris
Volynov e Vitali Zholobov
permaneceram a bordo da
Salyut 5 até 24 de agosto de
Réplica da Estação Espacial Almaz, Centro de Cosmonáutica e Aviação, Moscou.
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1976, quando retornaram à
Terra. A missão deveria
durar mais tempo, mas a
atmosfera dentro da Salyut 5
foi contaminada com
vapores de ácido nítrico
provenientes de um
vazamento de combustível, o
que afetou as condições
psicológica e física da
tripulação, exigindo uma
saída de emergência. A
estação reentrou na
atmosfera em 8 de agosto de
1977.
Estações da segunda geração
Em 1977, um avanço
significativo foi dado com a
segunda geração de estações
Salyut. O objetivo era ocupar
continuamente uma estação
espacial com expedições de
longa duração.
Embora as estações Salyut 6
e Salyut 7 se assemelhassem
às estações Salyut anteriores
em termos de design geral,
várias mudanças
revolucionárias foram feitas
para o objetivo de ocupação
contínua. As novas estações
apresentavam uma vida útil
mais longa e um segundo
ponto de acoplamento.
Assim, trocas de tripulação e
transferências agora eram
possíveis pelo acoplamento
simultâneo de duas naves
Soyuz tripuladas. Além
disso, a nave de
reabastecimento Progress,
sem tripulação, foi criada
com base na Soyuz
tripulada, para reabastecer a
tripulação e a estação com
ar, elementos regeneradores
de ar, água, alimentos,
roupas, roupas de cama,
correio, propelentes,
pressurizadores e outros
suprimentos.
Desta forma, enquanto a
Progress acoplava no
segundo ponto de
acoplamento da estação, a
nave espacial Soyuz da
tripulação podia
permanecer acoplada ao
primeiro ponto da estação. A
nave espacial Progress até
mesmo transportou
equipamentos para atualizar
experimentos a bordo e
permitir reparos na estação,
prolongando sua vida útil.
Salyut 6 (DOS-5)
A Salyut 6 foi lançada em 29
de setembro de 1977 por um
foguete Proton. Foi a
primeira estação espacial a
receber um grande número
de naves espaciais tripuladas
(da Soyuz 25 à Soyuz 40, da
Soyuz T-2 à Soyuz T-4) e de
carga (da Progress 1 à
Progress 12 e Soyuz T-1).
Nesta estação foram
realizados procedimentos de
transferência de tripulação,
participação internacional e
reabastecimento,
estabelecendo parâmetros
para as operações da estação,
que seriam utilizados
posteriormente na Mir e na
Estação Espacial
Internacional.
Havia também um novo
sistema de propulsão e seu
principal instrumento
científico, o telescópio
multiespectral BST-1M. Seis
tripulações residentes de
longa permanência eram
apoiadas por dez tripulações
visitantes de curta
permanência, que
normalmente chegavam em
naves Soyuz mais novas e
partiam em naves mais
antigas, deixando a nave
mais nova disponível para a
Selo soviético homenageando a tripulação da Soyuz 21 que permaneceu
na estação Salyut 5 (à esquerda, Boris Volynov, e à direita, Vitali Zholobov).
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tripulação residente como
veículo de retorno,
estendendo assim a estadia
da tripulação residente além
da vida útil projetada da
Soyuz.
As tripulações visitantes de
curta duração incluíam
cosmonautas internacionais
de países do Pacto de
Varsóvia que participavam
do programa Interkosmos da
União Soviética. Esses
cosmonautas foram os
primeiros viajantes espaciais
que não eram da União
Soviética ou dos Estados
Unidos. Sobre este
programa, haverá em breve
um artigo específico em
breve.
Após o lançamento da
sucessora, a Salyut 7, em 19
de abril de 1982, a Salyut 6
foi retirada de órbita em 29
de julho de 1982, quase
cinco anos após seu
lançamento.
Salyut 7 (DOS-6)
A Salyut 7 foi tripulada pela
primeira vez em maio de
1982, com dois tripulantes,
transportados pela Soyuz T-
5, e recebeu a última visita
em junho de 1986, da nave
Soyuz T-15.Várias tripulações
estiveram presentes ao longo
de sua existência. As naves
espaciais de apoio incluíam
as naves Soyuz T, Progress e
TKS.
A Salyut 7 fez parte da
transição de estações
espaciais monoblocos para
modulares, atuando como
um sistema de testes para o
acoplamento de módulos
adicionais e expansão das
operações da estação. Foi a
última da segunda geração
de estações espaciais da série
DOS sendo substituída pela
Mir, a terceira geração,
modular e expansível, em 19
de fevereiro de 1986.
Entre 19 e 22 de agosto de
1986, os motores da nave
Salyut 6 com as naves Progress e Soyuz acopladas.
14
Salyut 7, foto realizada pela tripulação da Soyuz T-13,
que viajou até a estação para realizar reparos no
sistema de controle dos painéis solares.
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Kosmos 1686, acoplada à
Salyut 7, a impulsionaram
para a altitude orbital de
475 km, a ideia na época era
que o ônibus espacial Buran
fosse resgatá-la. Porém, a
atividade solar muito alta no
final da década de 1980 e
início da década de 1990
aumentou o arrasto sobre a
estação causando sua
desaceleração e, por fim, a
reentrada em 7 de fevereiro
de 1991. Alguns destroços
caíram nas proximidades da
cidade argentina de Capitán
Bermúdez.
Herança dos programas Salyut
e Almaz
Após a segunda geração, os
planos para a próxima
geração de estações Salyut
eram as estações DOS-7 e
DOS-8 que permitiam a
adição de vários módulos a
um núcleo de estação e a
criação de uma estação
espacial modular. Para isso,
os módulos DOS seriam
equipados com um total de
quatro pontos de
acoplamento: uma na popa
(parte traseira) da estação,
como nas Salyuts de
segunda geração, e a
substituição do ponto de
acoplamento frontal por
uma esfera de acoplamento
três pontos: frontal,
bombordo (lado esquerdo) e
estibordo (lado direito).
Embora os núcleos de
estação DOS-7 e DOS-8
tenham sido construídos e
operados, eles nunca
receberam a designação
Salyut. Em vez disso, o DOS-
7 se tornou o módulo núcleo
da estação espacial Mir, que
sucedeu o programa Salyut,
e o DOS-8 foi transformado
no módulo de serviço
Zvezda (estrela em russo)
que opera até hoje na
Estação Espacial
Internacional (EEI).
O programa Almaz também
deixou uma herança que
está presente até os dias
atuais. Embora a última
estação espacial do
programa Almaz tenha
voado como Salyut 5 em
1976, o desenvolvimento da
nave espacial de transporte
TKS, específica para esse
programa, formou a base
para vários módulos da Mir
e o módulo Zarya (alvorada
em russo), que também está
presente na Estação Espacial
Internacional.
Rafael Cândido Jr. é graduado
e mestre em Engenharia
Química. Integra o grupo de
astronomia Arcturus, da UFABC.
Para saber mais:
Salyut, the first space station.
Triumph and tragedy. Grujica S.
Ivanovich. Springer-Praxis.
Estação Espacial Internacional vista do ônibus Espacial Atlantis
(missão STS-106). Da esquerda para a direita: Módulo Unity (EUA),
módulo Zarya (1º módulo da ISS), módulo Zvezda e a
nave Progress M1-3 acoplada.
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Via Láctea no céu noturno
15/12/2025
Deserto do Atacama - Chile
Astrofotógrafo: Fernando Oliveira de Menezes
Via Láctea no céu noturno
15/12/2025
Deserto do Atacama - Chile
Astrofotógrafo: Fernando Oliveira de Menezes
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Maico Zorzan
[email protected]
Um Céu de detritos
Imagine acordar e descobrir
que o GPS do celular não
funciona, que as previsões
do tempo estão
completamente erradas, que
não há sinal de TV por
satélite e que bancos
internacionais estão com as
transações congeladas. Este
cenário, que parece extraído
de um filme de ficção
científica, é uma
possibilidade real e
perturbadora impulsionada
por um fenômeno invisível a
olho nu, mas catastrófico e
possível, a proliferação
descontrolada do lixo
espacial.
A órbita da Terra,
especialmente as regiões
mais úteis entre 600 e 2.000
km de altitude, a chamada
órbita terrestre baixa, ou
LEO, está se transformando
em um aterro cósmico.
Estamos falando de mais de
130 milhões de fragmentos
maiores que 1 mm, cerca de
1 milhãocom tamanho entre
1 e 10 cm, e
aproximadamente
36.500objetos maiores que
10 cm sendo rastreados.
Cada um desses itens, desde
um parafuso solto até um
satélite desativado, viaja a
velocidades de até 28.000
km/h, ou como os brasileiros
gostam de fazer
comparações, dez vezes mais
rápido que uma bala de
rifle. Nessa velocidade, um
fragmento de 1 cm possui
energia cinética comparável
à de uma granada. Capaz de
contribuir com um estrago
muito grande se trombar
com alguém pelo caminho.
Neste artigo, exploraremos a
história desse problema
silencioso, as tecnologias de
ponta que estão sendo
desenvolvidas para
A BATALHA TECNOLÓGICA PARA
SALVAR A ÓRBITA DA TERRA
A BATALHA TECNOLÓGICA PARA
SALVAR A ÓRBITA DA TERRA
O homem e sua mania de espalhar lixo por tudo O homem e sua mania de espalhar lixo por tudo
TECNOLOGIA ESPACIAL
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monitorar e mitigar essa
ameaça, incluindo a
emergente "Internet das
Coisas (IoT)", e os futuros
possíveis que aguardam a
humanidade, dependendo
das escolhas que fizermos
hoje. A preservação do
espaço não é apenas uma
questão científica; é uma
necessidade crítica para a
manutenção da nossa
sociedade tecnologicamente
dependente.
Uma História de sujeira
cósmica travestida de corrida
espacial
O lixo espacial é uma
herança não intencional da
corrida espacial. O primeiro
lixo espacial registrado foi
em 1957, quando o satélite
soviético Sputinik 1 cumpriu
sua missão no espaço, tendo
regressado no ano de 1958,
assim como o estágio de
foguete que o lançou. Um
dos acidentes mais graves e
amplamente citados que
gerou uma quantidade
significativa de detritos
rastreáveis ocorreu em julho
de 1996, quando um satélite
militar francês (Cerise)
colidiu com um fragmento
de um foguete Ariane que
havia explodido dez anos
antes. No entanto, o ponto
de inflexão que colocou o
problema no radar dos
cientistas ocorreu em 2009.
A colisão entre o satélite de
comunicações ativo Iridium
33 (EUA) e o satélite militar
desativado Kosmos-
2251(Rússia) foi um alerta
estrondoso. O choque, a
quase 800 km de altitude,
gerou mais de 2.000
fragmentos rastreáveis,
aumentando
instantaneamente a
população de lixo em LEO
em cerca de 10%.
Mas o maior gerador
singular de detritos na
história foi um evento
antissatélite realizado pela
China em 2007, contra seu
próprio satélite Fengyun-1C.
A explosão criou uma
nuvem de mais de 3.500
fragmentos rastreáveis que
se espalharam por uma
vasta faixa orbital, uma
nuvem que ainda hoje
representa um perigo
significativo.
Por décadas, a filosofia
espacial foi lançar, usar e
abandonar. Satélites
esgotados, estágios
superiores de foguetes e até
ferramentas perdidas por
astronautas foram
simplesmente deixados para
trás. O problema é que, na
microgravidade, esses
objetos não "caem"
imediatamente. Eles podem
permanecer em órbita por
anos, décadas ou até séculos,
dependendo da altitude,
criando um ambiente cada
vez mais hostil.
E agora, o cenário está ainda
pior, com um imenso
número de satélites
comerciais, lançados apenas
por lucro, que “empesteiam”
a órbita terrestre com uma
demanda cada vez maior de
necessidade de internet e
comunicação desenfreada e
que urge cada vez mais de
pressa.
AstroNova . N.48 . 2025
Astronauta aponta para marca em uma das janelas do módulo Cupola, da
Estação Espacial Internacional (ISS). As possíveis causas vão de grão de poeira
até micro estilhaço de detrito espacial.
18
Página 19
Cometa C/2023 A3 Tsuchinshan ATLAS
Astrofotógrafo: Felipe Sérvulo
17/09/2024
Taperoá - PB
19
A Tecnologia de Monitoramento
Atual
Para navegar neste campo
minado, primeiro
precisamos mapeá-lo. É aí
que entra a sofisticada
tecnologia de vigilância
espacial (SSA). Esta rede de
detecção global repousa
sobre três pilares principais:
Radares Terrestres: são os
cavalos de batalha do
rastreamento. Sistemas
como o Space Fencedos EUA
(um radar de banda S no
Atol de Kwajalein) emitem
pulsos de energia que
refletem nos detritos.
Medindo o eco, é possível
determinar posição,
velocidade e tamanho. São
excelentes para objetos em
LEO e não dependem da luz
solar.
Telescópios Ópticos e a
Laser: redes de telescópios
robóticos, como o Pan-
STARRS no Havaí, vasculham
o céu noturno procurando
por reflexos de luz solar em
objetos. A telemetria a laseré
ainda mais precisa, pois
dispara um laser para um
satélite ou detrito equipado
com um refletor e mede o
tempo de retorno da luz,
obtendo medidas de
distância com precisão
centimétrica.
Catálogos Computacionais e
Modelagem: os dados brutos
de radares e telescópios
alimentam enormes bancos
de dados mantidos por
agências como a NASA,
Roscosmos e a ESA.
Complexos algoritmos
preveem as órbitas de cada
objeto, calculam riscos de
colisão e emitem alertas
para operadores de satélites.
Com o advento de
supercomputadores, e as
técnicas avançadas de
algoritmo, munidos da
capacidade cada vez maior
de decisões baseadas em IA
utilizando-se da matemática
como base para a análise de
dados, e fazendo em poucas
horas o que seria impossível
ao cérebro humano realizar
no mesmo tempo.
No entanto, este sistema tem
limitações. Ele rastreia
eficientemente apenas
objetos maiores que 10 cm
em LEO e 1 m em órbitas
geoestacionárias (GEO, a
36.000 km). A vasta
"população invisível" de
fragmentos menores, porém
igualmente letais, escapa à
nossa visão. É aqui que a
próxima revolução pode
acontecer, no espaço
próprio.
Uma Rede Neural no Espaço
Se a vigilância terrestre é
nosso sistema de alerta
precoce, a "Internet das
Coisas" é o nosso sistema
nervoso central em órbita. O
conceito envolve implantar
uma constelação de
pequenos, ágeis e
relativamente baratos
satélites, os CubeSats, que
baratos, e de lançamento
viável em foguetes menores,
equipados com diversos
sensores, para criar uma
rede de monitoramento
capaz de entender o cenário
em órbita, e mapear
fragmentos menores e
condicionalmente perigosos.
Esses nanossatélites, do
tamanho de uma caixa de
sapatos ou de um pão de
forma, podem ser lançados
em grande número para
atuar como uma frota de
sentinelas. Suas missões na
guerra contra o lixo espacial
são multifacetadas:
Detectores de detritos:
CubeSats equipados com
sensores ópticos ou até
pequenos radares podem ser
posicionados em órbitas
específicas para detectar e
caracterizar a população de
pequenos detritos (<10 cm)
que os sistemas terrestres
não veem.
Faróis Inteligentes: Satélites
novos, ou mesmo alguns
detritos maiores
"recuperados", podem ser
equipados com
transmissores e refletores
ativos, tornando-se nós
identificáveis nesta rede
cósmica. Eles relatam
continuamente sua posição
exata.
Plataformas de
Demonstração: CubeSats são
o banco de testes ideal para
AstroNova . N.48 . 2025
Página 20
CENÁRIO NEGLIGENCIADO PARA O QUAL ESTAMOS
CAMINHANDO
Se continuarmos com as práticas atuais de lançamento e não
investirmos massivamente em monitoramento fino e
remediação, caminhamos para o que podemos chamar de
Síndrome de Kessler. Proposto pelo cientista da NASA Donald
Kessler em 1978, é um cenário de colisão em cascata
autossustentável. Uma colisão gera milhares de fragmentos,
que aumentam exponencialmente a probabilidade de novas
colisões, que geram mais fragmentos. O resultado final seria
uma camada impenetrável de detritos em torno da Terra,
tornando as órbitas mais úteis inacessíveis por gerações.
Lançamentos, operações de satélite e voos tripulados se
tornariam incrivelmente perigosos ou impossíveis. Nosso
sonho de expandir para a Lua e Marte seria abortado na largada.
A sociedade regrediria tecnologicamente, perdendo serviços
essenciais.
20
novas tecnologias de
mitigação, como velas de
arrasto, para desorbitar mais
rápido ou até braços
robóticos em miniatura para
testes de captura.
O poder desta IoT está na
conectividade e na
inteligência distribuída.
Esses satélites se comunicam
entre si e com a Terra,
compartilhando dados em
tempo quase real.
Alimentados por algoritmos
de IA, a rede pode
identificar padrões de
tráfego orbital, prever
colisões entre objetos não
monitorados e coordenar
manobras evasivas de forma
autônoma para constelações
de satélites. É uma mudança
de paradigma, de um
monitoramento passivo e
baseado na Terra para uma
gestão ativa e incisiva do
ambiente espacial.
Uma pergunta precisa ser vista
como fundamental: para onde
estamos indo?
O destino da órbita terrestre
depende diretamente do
investimento e da
cooperação internacional
em tecnologias como a IoT e
a remoção ativa de detritos.
Caso contrário, chagará um
momento, onde o risco de
acidentes e incidentes
estarão elevados ao ponto de
termos que repensar a
exploração espacial e seus
protocolos. Mas podemos
antecipar isso, e evitar um
cenário negligenciado.
Gestão Ativa e IoT Efetiva
Este é o futuro que devemos
almejar. Nele, uma
combinação de regulação
internacional forte exigindo
desorbitação ou
reposicionamento em
"órbitas cemitério",
tecnologia de remoção ativa
de detritos e uma robusta
IoT prevalecendo. Nesse
cenário, podemos entender
que é necessário:
Monitoramento Ubíquo:
Milhares de sensores em
CubeSats e em satélites
maiores fornecem uma
imagem em tempo real, de
alta fidelidade, de todo o
ambiente espacial. Nenhum
fragmento maior que 1 cm
escapa à rede.
Remediação Robótica:
Missões dedicadas,
financiadas por consórcios
públicos e privados, atuam
como "caminhões de lixo" ou
"reboques" espaciais. Elas
interceptam e desorbitam os
grandes estágios de foguetes
e satélites mortos
compreendidos como
"bombas-relógio", antes que
possam colidir.
Automação e Segurança: As
constelações de satélites
operam com "piloto
automático" avançado,
recebendo alertas da rede de
IoT e realizando manobras
evasivas coordenadas sem
intervenção humana direta,
garantindo a continuidade
dos serviços.
Neste cenário, a órbita
terrestre é vista como um
bem comum e um recurso
natural finito, que precisa
ser gerido de forma
sustentável. A exploração
espacial se torna mais
segura e previsível. Novas
indústrias florescem,
AstroNova . N.48 . 2025
Página 21
21
seguros espaciais, serviços
de logística orbital,
mineração de detritos para
materiais. A Estação Espacial
Internacional e suas
sucessoras operam com risco
reduzido, e as portas para a
exploração interplanetária
permanecem abertas.
A Escolha é Nossa, o Tempo é
Agora
O lixo espacial é o primeiro
grande desafio ambiental
que a humanidade enfrenta
fora dos limites do planeta
Terra. Ele é único porque foi
criado exclusivamente por
nós e sua solução depende
inteiramente da nossa
engenhosidade e
cooperação. É a espécie
humana agindo na órbita da
Terra, como faz com seus
recursos naturais, e
destruindo para depois
remediar.
As tecnologias para evitar o
cenário catastrófico da
Síndrome de Kessler já estão
em desenvolvimento com
radares mais sensíveis,
telescópios mais rápidos,
CubeSats inteligentes e
conceitos inovadores de
remoção. A IoT representa a
promessa de transformar o
espaço de um ambiente
passivamente observado em
um ecossistema ativamente
gerenciado.
A pergunta não é mais se
podemos resolver esse
problema, mas se teremos a
vontade política e o
investimento global para
fazê-lo a tempo. Cada novo
satélite lançado sem um
plano de descarte, cada teste
antissatélite realizado, é um
passo em direção ao cenário
negativo. Cada avanço em
monitoramento, cada
missão de remediação bem-
sucedida, é um passo em
direção a um futuro espacial
sustentável.
Preservar os céus não é um
capricho da comunidade
científica. É uma condição
fundamental para preservar
o modo de vida tecnológico
do século XXI e garantir que
as gerações futuras herdem
não um beco sem saída de
metal, mas uma autoestrada
limpa para as estrelas. A
batalha pelo lixo espacial é a
batalha pelo nosso futuro no
espaço. E ela começa com a
conscientização e termina
com a ação.
Glossário Rápido:
LEO (Órbita Terrestre Baixa):
região entre 160 e 2.000 km
de altitude. Local da ISS,
Hubble, Starlink.
GEO (Órbita
Geoestacionária): a 35.786
km, onde o satélite
acompanha a rotação da
Terra. Usada para
comunicações e
meteorologia.
CubeSat: satélite
miniaturizado padrão, em
unidades de 10x10x10 cm
aproximadamente.
Síndrome de Kessler: cenário
teórico de colisões em cadeia
que torna regiões orbitais
inutilizáveis.
ODR (Remoção Ativa de
Detritos): tecnologias para
capturar e remover
ativamente lixo espacial.
Maico Zorzan é graduado em
Matemática e em Tecnologia
da informação, pós graduado
em Segurança da informação,
em Inteligência artificial e em
Aprendizagem de máquinas.
Referências:
Dados sobre as estatísticas
do lixo espacial: Link:
https://www.sdo.esoc.esa.int/e
nvironment_report/
Link:
https://orbitaldebris.jsc.nasa.g
ov/
Orbital Debris Quarterly News:
https://orbitaldebris.jsc.nasa.g
ov/quarterly-news/
Statistics:
https://orbitaldebris.jsc.nasa.g
ov/quarterly-
news/pdfs/odqnv27i2.pdf
(exemplo de relatório com
dados)
Catálogo oficial de objetos
espaciais rastreados pelos
EUA
Link: https://www.space-
track.org/
Alternativa pública:
https://celestrak.org/
AstroNova . N.48 . 2025
Página 22
Galáxia NGC 55
19/10/2025
Maringá - PR - Brasil
Astrofotógrafo: Bruno Bonicontro
Página 23
EPAST E ENAST SÃO REALIZADOS JUNTOS
REÚNEM PARTICIPANTES DE TODO O BRASIL
Adriane Casteleira
[email protected]
O Grupo de Estudo e
Divulgação de Astronomia
de Londrina (Gedal)
organizou e realizou em sua
cidade sede, Londrina,
situada no norte do estado
do Paraná, o 20º Encontro
Paranaense de Astronomia
(Epast) e o 25º Encontro
Nacional de Astronomia
(Enast). Esses encontros são
promovidos anualmente e
reúnem entusiastas,
estudantes e profissionais
para compartilhar
conhecimentos e promover a
astronomia, com atividades
ASTRONOMIA AMADORA
DOIS EM UM
23
como palestras, minicursos
e observações. Os eventos
foram realizados como um
só durante os dias 20, 21 e
22 de novembro e contaram
com a presença de mais de
duzentos participantes,
dentre os quais, além do
público do Paraná, que
tradicionalmente se reúne
no Epast, estiveram
presentes representantes de
São Paulo, Maranhão, Bahia,
Rio de Janeiro, Santa
Catarina, entre outros.
Também contaram com a
participação de figuras
ilustres da astronomia
amadora e profissional,
como Felipe Braga Ribas
(UTFPR), Marcelo Soares
Rubinho (Astrotubers),
Nicole Simeão (Nicolinha) e
Alexandre Cherman
(Planetário do Rio de
Janeiro).
A programação mostrou o
melhor do Epast e do Enast,
com palestras e oficinas,
“Epastinho” para as
crianças, concurso de
astrofotografia, sessão de
planetário com o Órbis -
Planetário Itinerante e a
participação da “Feira da
Lua”, feira gastronômica que
ocorreu na noite de sexta-
feira, com observação e
Página 24
24
planetário tanto para os
participantes do Enast/Epast
quanto para o público que
prestigiava a feira.
Por que dois em um?
Durante a plenária do 23º
Enast, realizado em 2023 na
cidade de Araruna,
Pernambuco, o Gedal,
representado por seu
coordenador, Miguel
Fernando Moreno, lançou-se
candidato a receber a edição
do evento em 2025. Todavia,
a responsabilidade pela
realização foi passada para
outro grupo. No ano
seguinte, durante o 19º
Epast, em Curitiba-PR, o
Gedal propôs-se a realizar o
20º Epast. A proposta foi
aceita e o próximo Epast
seria realizado, então, em
Londrina.
Meses depois, já com os
preparativos para o Epast em
andamento, o Miguel foi
contatado pelo conselho
coordenador do Enast com a
notícia de que, devido a
problemas logísticos, o
grupo que havia se
responsabilizado pela edição
de 2025 não conseguiria
realizar o evento. O conselho
ofereceu o desafio ao Gedal,
que, na ocasião, em 2023,
havia se candidatado a
receber o Enast. Um grande
desafio, pois, além do prazo
extremamente encurtado -
menos de um ano - o Gedal
já estava preparando o Epast.
Resultado: um evento
diferente, caloroso, feito
com muita dedicação e
carinho pela organização.
AstroNova . N.48 . 2025
Página 25
Brisa Paschoal
[email protected]
Entre os dias 3 e 7 de
novembro ocorreu na cidade
de Mogi das Cruzes, São
Paulo, o 36º Encontro
Internacional de
Astronautas. A Associação
dos Exploradores Espaciais,
(ASE, Association of Space
Explorers) reúne
astronautas, cosmonautas e
taikonautas que já
realizaram voos espaciais.
Esta foi a primeira vez que o
Brasil se tornou o país-sede.
Conforme o site do evento,
são objetivos deste encontro:
- Promover a colaboração
internacional em ciência e
tecnologia espacial.
- Estimular a educação em
Ciência, Tecnologia,
Engenharia e Matemática
entre jovens brasileiros.
- Apresentar avanços em
pesquisa e inovação do
Brasil.
- Fortalecer o papel do Brasil
como parceiro global em
exploração espacial e
cooperação científica.
Foram proferidas 27
palestras de forma
presencial e participações
transmitidas diretamente da
Estação Espacial
Internacional. Uma destas
palestras aconteceu no dia 5
de novembro na
Universidade Federal do
ABC, campus Santo André e
foi proferida pelo astronauta
holandês André Kuipers da
Agência Espacial Europeia.
Ministrada em inglês, a
palestra foi dividida em 3
blocos. No primeiro bloco,
foi apresentada a
importância da Engenharia
Aeroespacial, inclusive no
25
Palestra do 36º Encontro Internacional de
Astronautas na UFABC
ASTRONÁUTICA
Página 26
13
nosso dia a dia. Um dos
exemplos apresentados foi o
uso de satélites para
monitorar o desmatamento
na Amazônia brasileira.
No segundo bloco, Kuipers
apresentou a trajetória de
sua vida até se tornar
astronauta. Contou desde
sua infância, quando era
apaixonado pelo espaço, até
entrar no exército, se tornar
médico e, por fim, iniciar o
treinamento para ser
astronauta. No terceiro
bloco, foram apresentadas as
missões espaciais em que
esteve presente: seus
objetivos, desafios, a
preparação para a missão e a
recuperação após o retorno.
Esta parte foi muito
interessante e divertida, pois
ele contou em detalhes
sobre suas atividades diárias
na estação espacial: como se
alimentavam, tomavam
banho, se exercitavam e, é
claro, se divertiam. Ao final
da palestra, foram
apresentados diversos vídeos
mostrando a espaçonave por
dentro, como pilotavam,
como lidavam com situações
de emergência, assim como
as pesquisas realizadas na
estação.
Agradecemos à organização
da ASE em trazer o
astronauta André Kuipers
para palestrar na UFABC e
assim, motivar alunos e
também professores ao
conhecimento maior sobre
missões e desenvolvimento
de tecnologias espaciais.
Brisa Paschoal é graduanda em
Ciência e Tecnologia na UFABC e
membro do Clube de Astronomia
Arcturus .
AstroNova . N.48 . 2025
26
Início da apresentação. Foto: Brisa Paschoal.
Ao final da palestra, uma foto com os alunos e professores.
Fonte: Instagram da UFABC.
Página 27
Cometa interestelar 3I/Atlas
14/12/2025
Astrofotógrafo: Wandeclayt Melo
Página 28
28
ASTRONOMIA AMADORA
Rafael Cândido Jr.
[email protected]
No último dia 12 de
novembro, o Clube de
Astronomia Arcturus
completou 10 anos de
existência. Estou no clube
desde a sua fundação e o que
vou relatar neste artigo são
alguns pontos interessantes
dessa trajetória. Certamente
vou esquecer os nomes de
algumas pessoas e alguns
eventos, mas o que vale é a
intenção de comemorar esta
efeméride.
O começo de tudo
Para compreendermos a
formação do clube, é preciso
entender um pouco da
dinâmica da universidade
onde ele surgiu. A
Universidade Federal do ABC
(UFABC) iniciou suas
Página 29
29
atividades em 2006 e tem
como princípio
fundamental a
interdisciplinaridade. Desta
forma, todos os seus alunos
passam por ciclos básicos
que, ao final, constituem
uma graduação. Com isso,
ao invés do ano letivo ser
dividido em 2 semestres, a
divisão é de 3 quadrimestres.
Portanto, no mês de julho,
enquanto muitos estudantes
estão em férias, os alunos da
UFABC estão em atividade.
Recordo que ao final do 2º
quadrimestre de 2015, final
do mês de julho, foram
afixados cartazes nos campi
de Santo André e de São
Bernardo do Campo
informando sobre uma
reunião para a fundação de
um clube de Astronomia na
universidade.
Nesta reunião, para a qual
foram pouco mais que 12
pessoas, o aluno que a
convocou apresentou a
proposta de formar um
clube de Astronomia. Eu
estava nesta primeira
reunião e me recordo que
foram apresentadas
propostas de atividades e
nomes. Na segunda reunião,
duas estudantes, Marjorie e
Raissa Lohanna
estruturaram como seria a
divisão das atividades e
alguns princípios que
seriam utilizados no
estatuto do clube.
Na terceira reunião, em
outubro de 2015, início do 3º
quadrimestre letivo, o aluno
que convocou para as duas
primeiras reuniões não
estava mais presente pois
renunciou a sua
permanência no clube por
não concordar com a divisão
de tarefas e com as
propostas apresentadas
pelos membros; tudo tinha
de ser centralizado nele e
conforme as decisões dele.
Ao declarar seu
Foto para divulgação do clube em redes sociais da época. Da esquerda para a
direita: Raissa Lohanna, Pedro, Carlos, Luiz, Prof. Pieter e eu.
AstroNova . N.48 . 2025
Foto do dia 12/11/2015, estávamos comemorando a
oficialização do Clube de Astronomia Arcturus.
Página 30
desligamento, foi
interessante que ele
manifestou que o clube não
duraria sem a sua presença e
sua liderança. Ficamos
sabendo que ao final
daquele quadrimestre, ele se
desligou da universidade.
Assim, na terceira reunião,
foram debatidas e votadas as
pautas e projetos e,
finalmente, em 12 de
novembro de 2015 foi
oficializado como uma
entidade estudantil da
UFABC. O nome Arcturus,
estrela mais brilhante da
constelação do Boieiro, é
também o nome da rua que
dá acesso ao campus de São
Bernardo.
A construção do telescópio
Entre 2016 e 2017, os
membros da área de projetos
do clube empenharam-se na
construção de um telescópio
do tipo dobsoniano. Apesar
das dificuldades de agenda,
pois todos tinham seus
compromissos acadêmicos,
conseguimos aos poucos
construir o telescópio e a
sua base de apoio.
Após conseguir um projeto
de uso livre na internet,
tivemos a autorização para o
uso da oficina da
universidade. Assim, com o
auxílio e a orientação dos
servidores que lá trabalham,
foi realizada a construção do
O pessoal fazendo a furação para fixar o espelho.
Ao fundo está o Luiz, que viria a se tornar vice-presidente do clube.
AstroNova . N.48 . 2025
30
Carlos auxiliando na construção da base.
Carlos e Melissa ajustando a base de apoio
onde seria montado o telescópio.
Página 31
AstroNova . N.48 . 2025
31
telescópio. O responsável
pela organização deste
projeto foi o Carlos e lembro
apenas dos nomes da
Melissa e do Luiz dentre o
pessoal que atuou na
construção.
Após a montagem completa,
no primeiro quadrimestre
de 2018 foi realizada uma
observação teste da Lua.
Eclipse lunar de 27/07/2018
Para este eclipse, o clube fez
uma ampla divulgação na
universidade para uma
observação pública. O
telescópio do clube foi
colocado no alto da torre B e
logo chegaram várias
pessoas para observar.
Infelizmente não encontrei
foto do eclipse observado
pelo telescópio. Mas lembro
que foi um evento muito
divertido e com muitas
pessoas participando.
Testando o telescópio em uma
observação lunar.
Foto realizada nesta observação teste. Telescópio preparado para a
observação do eclipse.
A foto ficou um pouco desfocada, mas mostra o pessoal chegando para a
observação no alto da torre B, campus Santo André.
Página 32
AstroNova . N.48 . 2025
32
Atividades do clube (até 2020)
Nos anos de 2018 e 2019, o
clube realizou muitas
atividades e foi convidado
para participar de atividades
fora da UFABC. Destacam-se
o workshop de Astronomia e
a participação no Encontro
Paranaense de Astronomia
em Sarandi (2018).
Duas semanas antes do
início do isolamento da
pandemia (março/2020),
quando ninguém esperava o
que viria acontecer, iniciou-
se o Cine Arcturus, no qual
haveria a exibição de um
filme ou documentário com
assunto sobre Astronomia e
posterior debate.
A estreia seria com o
primeiro episódio da série
Cosmos, a versão
apresentada por Carl Sagan.
Porém, no dia o projetor
apresentou problemas e a
estreia foi postergada. Dias
depois, todas as atividades
da universidade foram
interrompidas por tempo
indeterminado.
O quase-fim e o retorno das
atividades
Ao retornar às atividades
presenciais no terceiro
quadrimestre de 2023, o
clube sofreu um forte baque,
o telescópio havia
desaparecido. Deixado em
uma das torres, ninguém
sabia para onde havia sido
levado o telescópio. Meses
depois foi encontrada
apenas a estrutura, porém
estava sem o espelho, que
provavelmente deve ter
quebrado durante um
transporte e foi removido, de
modo que a estrutura foi,
provavelmente, considerada
Apontando o telescópio para observar o eclipse lunar.
Minha palestra sobre Poluição Luminosa
Workshop de Astronomia (2018).
Minicurso de Stellarium ministrado pela Beatriz
Workshop de Astronomia da UFABC (2018).
Página 33
AstroNova . N.48 . 2025
33
como sucata. Mas foi
resgatada e guardada no
Laboratório de Astrofísica.
O primeiro evento
presencial que o clube
participou foi em outubro
de 2023. O evento
comemorativo do dia das
crianças era voltado para os
filhos de servidores e
terceirizados da UFABC e
trouxemos atividades para
crianças.
Porém, após este evento,
muitos dos membros que
participavam do clube já
tinham encerrado a
graduação e não tinham
mais nenhum vínculo com a
universidade. O clube estava
passando por um fenômeno
muito comum em entidades
do meio universitário, o
esvaziamento causado pela
conclusão do curso dos
membros e a não renovação
entre novos alunos por falta
de divulgação.
E este é o ponto principal, a
divulgação entre os novos
alunos foi feita
intensamente neste ano de
2025, quando o clube
completou seus 10 anos de
existência. E foi isso que
trouxe uma renovação ao
clube. Com a entrada dos
novos alunos os projetos
foram reativados, a ponto de
Eu e Beatriz participando da semana de Astronomia da Unifesp
(Universidade Federal de São Paulo) com o poster sobre
curiosidades astronômicas. (2018)
Palestra da Beatriz (vice-presidente do clube
na época) no Encontro Paranaense
de Astronomia em Sarandi (2018).
Arthur (terceiro da direita para a esquerda), que na época era o
presidente do clube, em sua palestra de recepção aos novos alunos
na Semana de Integração Universitária realizada no campus São
Bernardo do Campo. (2019)
Página 34
AstroNova . N.48 . 2025
34
alguns veteranos do clube
retornarem como
conselheiros nas novas
atividades.
Assim, em 10 de novembro,
próximo ao aniversário do
clube, ocorreu a
apresentação de uma
palestra de Astronomia,
sendo o retorno das
atividades e da página do
clube na rede social
Instagram.
E os projetos estão voltando.
Estamos construindo um
novo telescópio, o qual está
quase pronto. Vamos
retomar os projetos da
estação de rastreio de
meteoros e de Astronomia
para deficientes visuais
utilizando impressões 3D (e
para isso o nosso antigo vice-
presidente, Luiz, está de
volta ao clube) e a realização
de palestras e observações
em cada quadrimestre
letivo.
Agradecimentos
Agradeço em nome do clube
a cada um dos membros que
participaram ao longo destes
10 anos. Não conseguiria
citar cada um dos membros
porque não lembro o nome
de todos, mas alguns nomes
devem ser citados: Professor
Pieter Westera, Marjorie
Camargo, Raissa Lohanna,
Michel Nunes Araújo,
Melissa Lima, Carlos Junior,
Beatriz Yordaky, Arthur Luiz
e Luiz Mafra.
Foto do final do 3º quadrimestre de 2025 marcando o retorno do clube.
Da esquerda para a direita: Alexandre, Luiz, Professor Pieter, eu, Pedro e Brisa.
A foto foi tirada em frente ao mural da biblioteca do campus Santo André.
Infelizmente outros membros recentes não puderam estar presentes.
Instagram do clube
@arcturusufabc
Arte de divulgação do Cine Arcturus, evento interrompido
devido à pandemia de covid.
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Sequência de satélites Starlink recém-lançados
19/12/2025
Maringá - PR - Brasil
Astrofotógrafo: Bruno Bonicontro
Página 36
REVISTA DE DIVULGAÇÃO
DE ASTRONOMIA
E CIÊNCIAS DA NATUREZA
AstroNova é uma colaboração de entusiastas, estudantes,
professores, astrônomos amadores e profissionais
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Assuntos identificados: espacial, estação, salyut, soyuz, clube, astronomia, órbita, estações, atividades, tripulação.

