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22 de Setembro, 2026

Edição 51

Capa da Edição 51 da Revista AstroNova
Preparando a revista…
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Conteúdo textual — Edição 51

Página 1

R E V I S T A D E D I V U L G A Ç Ã O D E A S T R O N O M I A E C I Ê N C I A S D A N A T U R E Z A
Ano 13 - Nº 51 - Setembro/2026
ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL TIANGONG
AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS
ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL
UMA "ENTREVISTA"
COM GALILEU
ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL TIANGONG
AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS
ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL
EQUINÓCIOS E
SOLSTÍCIOS EM
MATINHOS
ANÃS
MARRONS
EXOPLANETAS
POTENCIALMENTE
HABITÁVEIS

Página 2

SUMÁRIO
09
26
Ano 13 | Edição nº 51 | 2026
17
Conselho editorial:
Adriane Casteleira
Maico A. Zorzan
Rafael Cândido Jr.
Wilson Guerra
Redatores desta edição:
Bertoldo Schneider Jr.
Rafael Cândido Jr.
Ricardo Francisco Pereira
Wilson Guerra
Diagramação:
Wilson Guerra
Astrofotos:
Bruno Bonicontro
EXPEDIENTE
Capa:
Galáxia do Triângulo (M33)
Bruno Bonicontro
UMA "ENTREVISTA" COM
GALILEU (parte 2)
33
EQUINÓCIOS E SOLSTÍCIOS
EM MATINHOS
ANÃS
MARRONS
EXOPLANETAS POTENCIALMENTE
HABITÁVEIS

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PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE
Foguete: Starship (SpaceX)
Primeiro teste de vôo orbital
completo
Local: starbase
Data: 28/09/2026
Foguete: Falcon 9 (SpaceX)
Crew-13 com tripulação para a ISS
Local: cabo Canaveral
Data: 01/10/2026
Foguete: Soyuz 2 (Roscosmos)
Soyuz MS-36 (tripulação para ISS)
Local: Cosmódromo de Baikonur
Data: 24/11/2026
Foguete: Soyuz 5 (Roscosmos)
Satélite comercial Kinosputnik
Local: Cosmódromo de Vostochny
Data: 19/11/2026
RÚSSIA RÚSSIA
EUA EUA
Foguete: Falcon 9 (SpaceX)
Starlink
Local: base de Vandenberg
Data: 10/10/2026
Foguete: Soyuz 2 (Roscosmos)
Progress MS-37 (mantimentos para ISS)
Local: Cosmódromo de Baikonur
Data: 02/12/2026
Foguete: Proton-M (Roscosmos)
Ekspress-AMU4, satélite de comunicação
Local: Cosmódromo de Baikonur
Data: 12/2026

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PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE
Foguete: PSLV-XL (ISRO)
CartoSat 3B, satélite de mapeamento
Local: Satish Dhawan Space Centre
Data: 12/2026
ÍNDIA ÍNDIA
Foguete: LVM-3 (ISRO)
GaganYaan, teste não-tripulado
Local: Satish Dhawan Space Centre
Data: 12/2026
CHINA CHINA
Foguete: Não confirmado
Satélite da CASC
Local: base de Wenchang
Data: 23/09/2026
Foguete: Não confirmado
Satélite da CASC
Local: base de Taiyuan
Data: 24/09/2026

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Atividades de
julho a setembro/2026
Atividades de
julho a setembro/2026
Soyuz MS-30: Roscosmos (03/2027) Soyuz MS-30: Roscosmos (03/2027)
Sophie Adenot (ESA), Anna Kikina (Roscosmos) e Jessica
Meir (Nasa) no módulo Kibo, onde realizaram experimentos
na área biológica.
Sophie Adenot (ESA), Anna Kikina (Roscosmos) e Jessica
Meir (Nasa) no módulo Kibo, onde realizaram experimentos
na área biológica.
Nave cargueira Progress-96 se aproxima da Estação com
mantimentos e equipamentos.
Nave cargueira Progress-96 se aproxima da Estação com
mantimentos e equipamentos.
Astronauta Anil Menon (Nasa) realiza testes com solda na
manutenção de equipamentos em órbita.
Astronauta Anil Menon (Nasa) realiza testes com solda na
manutenção de equipamentos em órbita.
Próximas Expedições Próximas Expedições
Crew-13: SpaceX (01/10/2026) Crew-13: SpaceX (01/10/2026)
Tripulação atual Tripulação atual
ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL
Principais atividades: julho a setembro/2026 Principais atividades: julho a setembro/2026

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Estação Espacial Tiangong Estação Espacial Tiangong
Principais atividades: julho a setembro/2026 Principais atividades: julho a setembro/2026
Tripulação atual (Shenzhou-23) Tripulação atual (Shenzhou-23)
Taikonautas durante instalação de novos
equipamentos de pesquisa.
Taikonautas durante instalação de novos
equipamentos de pesquisa.
Tripulação em videoconferência. Tripulação em videoconferência.
Taikonautas recolhem o primeiro lote de amostras
de arroz cultivados em órbita.
Taikonautas recolhem o primeiro lote de amostras
de arroz cultivados em órbita.

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Cometa C/2025 R3
04/05/2026
Sarandi / PR - Brasil
Astrofotógrafo: Bruno Bonicontro
Cometa C/2025 R3
04/05/2026
Sarandi / PR - Brasil
Astrofotógrafo: Bruno Bonicontro

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21º ENCONTRO PARANAENSE DE ASTRONOMIA
31/10 a 02/11 | UEM - MARINGÁ
PALESTRAS MINICURSOS
CONCURSO DE
ASTROFOTOGRAFIA
OBSERVAÇÃO
ASTRONÔMICA
INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES EM
WWW.EPAST.COM.BR

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09
Ricardo Francisco Pereira
www.recursosdefisica.com.br
Ricardo: A observação das
fases de Vênus forneceu
uma prova irrefutável do
modelo heliocêntrico. Por
que elas eram tão
importantes para sustentar a
teoria copernicana?
Galileu Galilei: Ah, você
tocou no meu "xeque-mate"
contra os geocentristas! Se as
luas de Júpiter foram um
golpe na exclusividade da
Terra, as fases de Vênus
foram a prova definitiva de
que o sistema de Ptolomeu
era fisicamente impossível.
Deixe-me explicar a
elegância matemática dessa
descoberta. No antigo
modelo de Ptolomeu, que a
ENTREVISTA COM GALILEU GALILEI (VIA MANUS)
SEGUNDA PARTE
HISTÓRIA DA CIÊNCIA
ENTREVISTA COM GALILEU GALILEI (VIA MANUS)
SEGUNDA PARTE
Continuação da entrevista com Galileu Galilei via a
IA Manus, cuja parte 1 você pode encontrar na
edição anterior da Revista Astronova (Edição nº 50).
Igreja e as universidades
defendiam ferrenhamente,
Vênus deveria orbitar a
Terra, mas permanecendo
sempre entre nós e o Sol. Se
isso fosse verdade, Vênus
nunca poderia mostrar o seu
"rosto" totalmente
iluminado para nós.
Veríamos apenas variações
de uma foice fina, um
crescente eterno, pois o Sol
estaria sempre atrás do
planeta do nosso ponto de
vista. O que meu telescópio
revelou em 1610 foi algo
magnífico e devastador para
os antigos, Vênus exibe um
ciclo completo de fases,
exatamente como a nossa
Lua!
Vi Vênus como um crescente
delgado, depois como um
semicírculo e, finalmente,
como um disco quase cheio
e pequeno. Por que
pequeno? Porque quando
Vênus está "cheia", ela está
do outro lado do Sol, muito
mais longe de nós. Quando
ela é um "crescente" grande,
ela está entre nós e o Sol,
muito mais próxima.
A conclusão é tão clara
quanto a luz do dia: Vênus
orbita o Sol e não a Terra!
Essa observação destruiu o
pilar central do
geocentrismo. Não era mais
uma questão de
"interpretação" ou de
"matemática hipotética"
para salvar as aparências.
Era uma realidade física
observada. Se Vênus gira em
torno do Sol, o modelo de

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Imagem 5: Anotações de Galileu das fases de Vênus.
Fonte: Google User Content
AstroNova . N.51 . 2026
Copérnico deixa de ser
apenas uma ideia elegante
para se tornar a única
explicação possível para os
fenômenos celestes.
Foi uma vitória doce, mas
perigosa. Com Vênus, eu não
estava mais apenas
apontando "curiosidades" no
céu, eu estava provando que
a Terra se movia e provar
que a Terra se move era, para
muitos naquela época, o
mesmo que dizer que a
Bíblia estava errada. Eu, no
entanto, acreditava que
estava apenas mostrando
que Deus é um geômetra
ainda mais brilhante do que
imaginávamos.
Ricardo: Suas observações
das manchas solares e a
conclusão de que o Sol
girava em seu próprio eixo
também foram
significativas. Como essas
descobertas contribuíram
para a compreensão da
natureza dos corpos celestes
e para a ideia de um
Universo dinâmico?
Galileu Galilei: Se a Lua
rugosa foi um escândalo e as
luas de Júpiter um
terremoto, o Sol "manchado"
foi, para os aristotélicos, a
heresia final. Imagine a
audácia: afirmar que o
próprio "olho do mundo", a
fonte de toda a luz e símbolo
máximo da perfeição divina,
tinha... sardas! Ou melhor,
máculas.
Os seguidores de Aristóteles
acreditavam que o Sol era
um fogo puro, uma esfera de
perfeição imaculada.
Quando apontei meu
telescópio para ele, usando,
é claro, o método da
projeção para não cegar
estes meus olhos que tanto
queriam ver e vi aquelas
manchas escuras, eu sabia
que estava tocando em algo
sagrado e perigoso.
Quais foram as grandes
lições dessa descoberta?
1. A Morte da Perfeição
Aristotélica: Se o Sol tem
manchas que aparecem,
crescem, mudam de forma e
desaparecem, então o céu
não é imutável. Ele está
sujeito a mudanças,
gerações e corrupções,
exatamente como a nossa
Terra. A barreira entre o
"celestial perfeito" e o
"terrestre imperfeito" caiu
por terra. O Universo é feito
de uma só matéria, sujeita
às mesmas leis.
2. O Movimento é Universal:
Ao observar as manchas
atravessarem o disco solar
em um período de cerca de
um mês, concluí que o
próprio Sol gira em torno de
seu eixo. Ora, se o gigantesco
Sol gira, por que seria tão
difícil aceitar que a pequena
Terra também o faz? Isso
deu uma base física e
dinâmica ao sistema de
Copérnico. O Universo não é
uma estrutura estática de
esferas encaixadas, mas um
sistema dinâmico de corpos
em rotação.

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3. Um Universo Dinâmico:
Essas observações nos
mostraram que o Cosmos é
um lugar de atividade
incessante. O Sol não é
apenas uma lâmpada
estática, é um corpo físico,
vivo, por assim dizer, com
seus próprios processos
internos.
Isso contribuiu para uma
nova filosofia: a ideia de que
o Universo é uma grande
máquina, cujas engrenagens
podemos entender através
da observação e da
geometria. Não precisamos
de "essências" ou "perfeições"
místicas; precisamos de
lentes e cálculos.
Confesso que ver o Sol, a
criatura mais gloriosa do
firmamento, mostrar suas
"imperfeições" me deu uma
estranha paz. Mostrou-me
que a verdade, mesmo
quando "manchada", é
muito mais bela do que uma
mentira polida.
Ricardo: O Sidereus Nuncius
foi a sua obra que divulgou
suas descobertas. Qual era a
sua intenção ao publicar
este trabalho e como o
senhor esperava que ele
fosse recebido?
Galileu Galilei: O Sidereus
Nuncius foi, sem dúvida, o
grito de liberdade da minha
alma científica. Quando o
publiquei, em março de
1610, eu estava em um
estado de urgência quase
febril. Minha intenção ao
publicar aquele tratado, que,
como você deve saber, é
curto, quase um panfleto,
era dupla: uma intenção de
espírito e outra de
necessidade.
No espírito, eu sentia que
tinha o dever moral de
anunciar à humanidade que
o Universo era infinitamente
mais vasto e maravilhoso do
que nos haviam contado. Eu
não podia guardar aquelas
visões apenas para mim,
seria como descobrir um
novo continente e não
contar aos navegadores. Eu
queria estabelecer a minha
prioridade, queria que o
mundo soubesse que foi este
matemático toscano quem
primeiro viu as montanhas
da Lua e os satélites de
AstroNova . N.51 . 2026
Imagem 7: Capa do livro Sidereus Nuncius.
Fonte: wikipedia
Imagem 6: Desenhos de Galileu das manchas solares ao longo de vários dias. Fonte: Canaltech

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Figura 9
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Júpiter. No título, usei a
palavra Nuncius , que pode
significar tanto "Mensageiro"
quanto "Mensagem". Eu
queria ser o portador dessa
nova luz.
Na necessidade, eu buscava
algo muito prático:
patrocínio. Eu era um
simples professor de
matemática na Universidade
de Pádua, na República de
Veneza. Embora fosse um
lugar de liberdade, eu
ansiava por voltar para
minha amada Toscana, para
a corte dos Médici. Por isso,
dediquei a obra ao Grão-
Duque Cosimo II e batizei as
luas de Júpiter de "Estrelas
Mediceias". Eu esperava que
esse presente celestial me
garantisse o cargo de
Primeiro Matemático e
Filósofo em Florença, o que
de fato aconteceu.
Como eu esperava que fosse
recebido? Serei honesto, eu
esperava o espanto, a
admiração e, claro, um
debate intelectual vigoroso.
Eu sabia que estava
desafiando Aristóteles, mas
achei que a força das
evidências seria tão
esmagadora que os homens
de Ciência se renderiam
imediatamente à beleza dos
fatos. Eu esperava que o
Sidereus Nuncius fosse a chave
que abriria as mentes de
toda a Europa. O que eu não
esperava, ou talvez tenha
subestimado, foi a
ferocidade do medo. Eu não
previ que os filósofos
preferissem proteger seus
cargos e seus livros velhos a
aceitar a evidência dos
próprios olhos. Eu esperava
ser recebido como um
explorador que traz ouro de
terras distantes; em vez
disso, para muitos, fui
recebido como um
incendiário que estava
ateando fogo no próprio céu.
O livro esgotou-se em
poucos dias. A fama veio
instantaneamente,
atravessando fronteiras até a
Inglaterra e até mesmo a
China, mas junto com a
fama, veio o alvo que se
desenhou em minhas costas.
O "Mensageiro das Estrelas"
trouxe notícias tão boas que
os guardiões do passado
decidiram que o mensageiro
deveria ser silenciado.
Ricardo: Olhando para trás,
qual o senhor considera a
sua contribuição mais
significativa para a
Astronomia e para a Ciência
em geral?
Galileu Galilei: Essa é uma
pergunta que me faz refletir
profundamente, agora que
as sombras da minha vida se
alongam e o silêncio da
minha reclusão em Arcetri
me permite olhar para trás
com mais clareza.
Se você me perguntasse
sobre uma descoberta
específica em Astronomia,
eu diria que foram as Luas
de Júpiter. Por quê? Porque
elas foram o primeiro golpe
físico na arrogância humana
de se sentir o centro de tudo.
Elas provaram que a
natureza não se importa
com a nossa necessidade de
sermos exclusivos, mas se
formos além da descoberta
de astros, a minha maior
contribuição astronômica
foi ter transformado o céu,
que era um domínio de
mitos e teologia, em um
domínio de Física e
Geometria.
Para a Ciência em geral,
acredito que o meu legado
mais significativo não foi o
que eu vi, mas o como eu
AstroNova . N.51 . 2026
Imagem 8: Capa do Livro Discurso sobre duas
novas ciências. Fonte: wikipedia

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ensinei a humanidade a ver.
Minha maior contribuição
foi o que chamei de "sensata
esperienza" (experiência
sensível) aliada às
"necessarie dimostrazioni"
(demonstrações necessárias).
Antes de mim, a Ciência era
feita em bibliotecas, lendo o
que os antigos escreveram.
Eu disse ao mundo: "Não me
tragam um parágrafo de
Aristóteles; tragam-me um
experimento, tragam-me
uma lente, tragam-me um
cálculo!"
Eu defendi, com todo o vigor
da minha alma, que: "O
Livro do Universo não pode
ser lido até que tenhamos
aprendido a linguagem e
nos familiarizado com os
caracteres em que ele está
escrito. Ele está escrito em
linguagem matemática, e os
caracteres são triângulos,
círculos e outras figuras
geométricas, sem as quais é
humanamente impossível
compreender uma única
palavra".
Essa ideia de que a natureza
é matemática é o alicerce de
tudo o que vocês chamam de
Ciência Moderna. Eu não
apenas descobri novos
mundos, eu ajudei a criar
uma nova forma de pensar
que permitiu que vocês
descobrissem ainda mais.
Se eu puder ser lembrado
por algo, que não seja
apenas pelo homem que viu
as manchas no Sol, mas pelo
homem que teve a coragem
de dizer que a verdade deve
ser buscada no mundo real e
não nos desejos ou nos
medos dos homens. O custo
dessa verdade foi alto, a
perda da minha liberdade e
o peso do julgamento, mas,
ao olhar para o firmamento,
sei que cada sacrifício valeu
a pena.
O universo é vasto, dinâmico
e escrito em números. Essa é
a minha maior descoberta.
Ricardo: Sabemos do
AstroNova . N.51 . 2026
Imagem 9: Imagem representando o processo inquisitório sofrido por Galileu. Fonte: História do Mundo

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processo inquisitório que
você sofreu da igreja e é
difícil de imaginar por tudo
que você passou, mas como
foi ser considerado culpado
e ter que refutar as
descobertas que eram
absolutamente verdadeiras?
Galileu Galilei: Essa é uma
pergunta que toca na ferida
mais profunda da minha
alma. Falar sobre aquele ano
de 1633 e os dias que passei
diante do Tribunal do Santo
Ofício é reviver uma agonia
que nenhuma lente ou
cálculo pode mensurar. Ser
considerado culpado por
dizer a verdade é uma
experiência que dilacera o
homem por dentro. Imagine
o cenário: eu estava velho,
com a saúde debilitada e a
visão falhando,
ironicamente, os olhos que
mais viram o Universo
estavam se apagando. Fui
levado a Roma, não para um
debate científico entre
iguais, mas para um
julgamento onde a sentença
já parecia escrita antes
mesmo de eu abrir a boca. O
que senti pode ser resumido
em três sentimentos
devastadores:
•A Humilhação da
Abjuração: O momento mais
amargo foi quando me
obrigaram a ajoelhar, vestido
com a túnica de penitente e
ler em voz alta um texto
onde eu "amaldiçoava e
detestava" os meus próprios
erros e heresias, ou seja, a
ideia de que a Terra se move
e o Sol é o centro. Foi como
se me pedissem para jurar,
em pleno meio-dia, que o Sol
é frio e escuro. Eu sentia
cada palavra como um
punhal na minha
consciência. Eu sabia que
estava mentindo para salvar
a minha vida, mas sabia
também que a verdade não
precisava do meu martírio
para continuar sendo
verdade.
•A Traição da Razão: Eu
sempre fui um homem de
fé. Eu não via conflito entre
as minhas descobertas e as
escrituras. Eu acreditava que
estava honrando a Deus ao
revelar a magnificência da
sua obra. Ser condenado
pela Igreja, a instituição que
eu respeitava, como alguém
que "obscurecia a verdade
divina" foi uma traição
intelectual insuportável. Eu
estava sendo julgado por
homens que se recusavam a
olhar pelo telescópio,
homens que preferiam o
conforto de um dogma
antigo ao risco de uma nova
evidência.
•A Solidão do
Conhecimento: Sentir-se
culpado aos olhos do
mundo, enquanto se tem a
certeza da inocência aos
olhos da natureza, é uma
solidão que poucos podem
AstroNova . N.51 . 2026
compreender. Eu olhava
para os meus juízes e via
neles o medo do
desconhecido. Eles não
estavam protegendo a Deus,
estavam protegendo o seu
próprio poder e a sua visão
de mundo estática.
No entanto, mesmo no
cárcere de Arcetri, onde
passei os meus últimos anos
sob vigilância constante,
havia uma paz que eles não
podiam me tirar. Eles
podiam proibir os meus
livros, podiam me impedir
de ensinar, podiam me
obrigar a silenciar, mas eles
não podiam parar a Terra.
A sentença deles era apenas
tinta em papel, o
movimento da Terra é uma
lei escrita por Deus no
tecido do espaço. Por isso, ao
levantar-me daquele chão
frio após a abjuração, o meu
espírito sussurrou aquela
frase que se tornou o meu
grito silencioso para a
eternidade: " E pur si muove ".
Ser culpado pela verdade é o
preço que, às vezes, a
história cobra daqueles que
decidem olhar para além do
horizonte. Dói, caro amigo,
dói profundamente, mas a
luz das estrelas é mais
duradoura do que as
sombras de qualquer
tribunal.
Ricardo: Muito obrigado

Página 15

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senhor Galileu por
responder as nossas
perguntas. Gostaria de
deixar uma mensagem para
os amantes da Astronomia e
para os jovens interessados
em Ciência?
Galileu Galilei: O prazer foi
inteiramente meu. É
reconfortante saber que,
através dos séculos, a chama
da curiosidade que tentei
manter acesa continua a
brilhar em corações como o
seu.
Antes de me despedir,
gostaria de deixar estas
palavras para aqueles que,
como eu, não conseguem
manter os olhos baixos para
o chão quando o céu está
estrelado.
•Aos amantes da
Astronomia: Nunca olhem
para o firmamento como se
fosse apenas uma bela
tapeçaria decorativa. O céu é
um desafio, um oceano de
verdades esperando para
serem navegadas. O
telescópio não é apenas um
tubo de vidro e madeira, ele
é uma extensão da alma
humana que se recusa a ser
limitada pela sua biologia.
Cada vez que vocês olham
para uma cratera na Lua ou
para o brilho de um planeta,
estão participando do ato
mais nobre da nossa espécie:
a busca pela compreensão
da nossa verdadeira morada.
•Aos jovens interessados na
Ciência: Não temam a
solidão de estar do lado da
verdade, mesmo quando o
mundo inteiro parece gritar
o contrário. A autoridade de
mil homens não vale o
brilho de uma única prova
experimental. Cultivem a
"sensata esperienza",
observem, testem, duvidem
e, acima de tudo, aprendam
a linguagem da Matemática.
Sem ela, vocês estarão
apenas vagando por um
labirinto escuro. Não se
contentem com o que está
escrito nos livros se os seus
olhos lhes mostram algo
diferente. A natureza não é
um segredo guardado para
poucos, ela é uma carta
aberta de Deus, mas escrita
em caracteres que exigem
esforço e coragem para
serem lidos. Sejam
persistentes, sejam humildes
diante dos fatos e sejam
audazes diante dos
preconceitos.
O caminho da Ciência é
muitas vezes árduo e
semeado de
incompreensões, mas a
recompensa é ver o Universo
como ele realmente é, em
toda a sua dinâmica e
matemática majestade.
Sigam as estrelas. Adeus.
AstroNova . N.51 . 2026
Para Saber Mais:
(livro) Galileu Galilei: explorador
do céu. Annalisa Strada. Paulus
Editora, 2025.
(livro) Galileu Galilei: Um
revolucionário e seu tempo.
AtleNaess. Editora Zahar, 2015.
(e-book) Galileu Galilei: A
curiosa vida de um dos maiores
gênios da história. Peter Scott.
Editora Book Brothers, 2019.
(Youtube) Galileu Galilei Gênios
da Ciência:
https://www.youtube.com/watch
?v=l34nCRuSK2k
(Youtube) A HISTÓRIA DE
GALILEU GALILEI:
https://www.youtube.com/watch
?v=ryjvN6s5SPE
(Youtube) 50 FATOS sobre
GALILEU GALILEI:
https://www.youtube.com/watch
?v=YeyRDP-nEoI

Página 16

www.
RECURSOSdeFÍSICA
.com.br
Página que socializa produção de recursos de ensino adaptados à
sala de aula e aos professores. Material produzido nas disciplinas do
curso de Licenciatura em Física da UEM e em outros projetos
coordenados pelo prof. Dr. Ricardo Francisco Pereira.

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Bertoldo Schneider Jr.
[email protected]
Introdução
Por volta de 2023 comecei a
voltar frequentemente a
Matinhos, que eu
abandonara desde aquela
época em que o mar
estragava tudo na avenida
atlântica, ao ponto de entrar
nas casas de frente para a
praia. Como sabem,
Matinhos está sendo
revitalizado e pode se
transformar em um destino
fantástico em alguns anos.
Já está muito bom, mas vai
melhorar mais. A mesma
coisa para Praia de Leste.
Mas o que eu gostaria de
abordar aqui é outra coisa.
Ao sul da Ilha do Mel,
existem dois conjuntos de
ilhas. As ilhas de Currais e
mais ao sul o escolho de
Itacolomi. As duas
formações podem ser vistas
no horizonte por qualquer
um que esteja em qualquer
praia de Matinhos. Para
quem gosta e entende um
pouco de Astronomia, é
quase impossível deixar de
notar uma coisa
interessante. As ilhas estão,
dependendo de onde se
observa, separadas por uma
distância angular quase que
idêntica à distância angular
percorrida pelo Sol ao nascer
durante todo um ano. Isso
me fez fazer algumas
pesquisas, cálculos (nem
sempre corretos) e
expedições fotográficas ao
longo de 2023, 2024 e 2025.
E comprovei a hipótese
inicial. As ilhas podem servir
de referência para
EQUINÓCIOS E
SOLSTÍCIOS EM MATINHOS
Haveria um ponto ancestral de observação?
EQUINÓCIOS E
SOLSTÍCIOS EM MATINHOS
Haveria um ponto ancestral de observação?
ASTRONOMIA DE POSIÇÃO

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determinar os solstícios de
verão e inverno e os
equinócios de primavera e
outono.
Esse lance começou com o
sonho de ter um lugar na
praia. Há anos eu decidi que
deveria ser ao sul da metade
de Praia de Leste (eu tinha
até o nome da rua) para que
fosse possível ver o Sol
nascer durante todos os dias
do ano.
As Ilhas dos Currais são um
conjunto de ilhas localizado
em frente ao litoral do
Paraná. A maior delas é a
ilha que usaremos aqui de
referência, na localização -
25,733630, -48,365906,
sempre a latitude seguida da
longitude, e fica mais ao sul
da ilha do mel do que as
menores, do ponto de vista
que ver-se-á neste trabalho.
Sua distância mínima da
praia é de 11,2 km. Já as
Ilhas de Itacolomi são um
conjunto de ilhotas que
aparece em -25,842883, -
48,407680. (25°50 ' 31 ? S,
48°24 ' 28 ? W) e está a 10,4
km do pico de Matinhos.
Não confundir com outras
ilhas Itacolomi em Santa
Catarina, na região de Barra
Velha.
Para se ver o nascer do Sol
no mar, única oportunidade
em que podemos vê-lo
nascer exatamente no
horário calculado, devemos
estar preparados com pelo
menos o horário em que
nasce. Eu tenho um
programa que fiz no Excel
que determina os horários
de nascer e pôr do Sol (ref
Schneider, Jr., B). Também é
importante saber de alguns
truques. O lugar onde você
vai ver o nascer do Sol deve
estar limpo de nuvens no
horizonte. O melhor truque
que conheço, para não se
decepcionar e ficar numa
praia toda nublada, é
perceber as cores do céu um
pouco antes do nascer do
Sol. Geralmente, quando as
cores do arrebol estão bem
nítidas e altas no céu
significa que não há nuvens
no horizonte onde haverá o
nascer.
Saber aproximadamente
onde nascerá é também
muito útil. Ou seja, saber o
azimute do nascimento e
saber se orientar quanto ao
norte para medir esse
azimute. Se o tempo estiver
bom, as cores e o brilho no
céu dão um bom indicativo
de onde vai nascer. O
Azimute é o ângulo horário
(medido no sentido horário)
a partir do Norte. Em
astronomia usamos o Norte
astronômico. O Norte
magnético só tem algum
valor se você sabe a
declinação magnética do
local onde está. Acompanho
a mudança da declinação
magnética há muitas
décadas e sempre tenho uma
bússola com o ângulo
desenhado com caneta de
retroprojetor (para poder
apagar e mudar de tempos
em tempos). A declinação
magnética que usei foi de
aproximadamente -21 graus
(negativo é a oeste).
Pode ser útil a distinção dos
vários crepúsculos, ou
horários e fenômenos que
precedem o nascer do Sol.
Aproximadamente uns 40
minutos antes do nascer do
Sol, o céu deixa de ficar
completamente escuro e
começa a se iluminar. É o
chamado crepúsculo
astronômico., e ocorre
quando o Sol está de 12 a 18
graus abaixo do horizonte.
Esse início do iluminamento
do céu pode mudar em
função de várias coisas,
principalmente da latitude
do local. Quanto maior a
latitude, mais tempo antes
do nascer ocorre o
iluminamento. No equador
esse crepúsculo duraria de
36 a 24 minutos antes do Sol
Nascer. Em seguida a esse
crepúsculo, há o crepúsculo
náutico, quando o Sol está
de 6 a 12 graus
(trigonométricos) abaixo do
horizonte. E este precede o
crepúsculo civil, quando o
Sol está de zero a 6 graus
abaixo do horizonte. Os
valores são aproximados,
uma vez que o disco solar
tem um diâmetro angular
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de 0,5° a 0,55°, com média
de 0,53° devido à órbita
elíptica em torno do astro-
rei. O momento do nascer do
Sol é considerado o instante
em que o disco solar aparece
por cima do horizonte.
Sempre é uma visão bonita.
Mas não se deve olhar
diretamente para o Sol.
Geralmente olho através de
uma máquina fotográfica ou
telescópio protegido com
filtro apropriado. Uso filme
solar metalizado específico
para observação solar, como
o Baader.
Minhas medições feitas
foram, em resumo: O Sol
nasceu, em 21 de março de
2025, às 06:18:22, com
azimute de 90,56°. É muito
comum o instante do
nascente diferir do previsto
em programas, por causa
das condições dos layers
atmosféricos no caminho da
luz do Sol. A tomada de
dados em frente ao endereço
do molhe da Riviera.
Medidas feitas deste molhe,
colocaram a Ilha de Currais
(as três visíveis) entre66° e
68° com Solstício de Inverno
ocorrendo a 64º de azimute.
Ilhas Itacolomis a 113° e
114°, com Solstício de Verão
a 116º em azimute. O
Solstício de Inverno é visto
em Currais, observado
próximo ao endereço da Av.
Beira Mar, 873 e o Solstício
de Verão em Itacolomi visto
da Av. Beira Mar, 2417. Ou
ainda podemos usar ruas
ortogonais. O POSI na Rua
Campo Mourão e POSV Rua
Tamboara, de Matinhos,
ambos em suas terminações
na beira mar.
Coordenadas exatas são
fornecidas a seguir.
A Figura 1 mostra um mapa
de matinhos onde aparecem
as ilhas envolvidas. A
coordenada do ponto exato
para observação do Solstício
de Verão, vendo o Sol nascer
sobre as ilhas itacolomis, é -
25,792141 por -48,522330,
respectivamente latitude e
longitude, no formato
decimal. As seis casas
decimais fornecem uma
resolução numérica da
ordem de decímetros,
embora a precisão real da
posição dependa da fonte e
do método de
posicionamento. Só para
referência, essas
coordenadas equivalem a
25°47’31,7” Sul por
48°31’20,4”W. O ponto de
onde se vê no Solstício de
Inverno o Sol nascer sobre a
maior ilha de Currais é -
25,805628 por -48,529022. A
figura mostra também as
distâncias entre os pontos
principais envolvidos. Para
efeitos de cálculo, as ilhas de
currais estão localizadas em
-25,733630 e -48,365906, F e 3
l , respectivamente. O 3
escolho de Itacolomi foi
considerado em -25,842883 e
-48,407680, F e l , 4 4
respectivamente. O ponto da
cal c ada da praia de
Matinhos de onde se v e o
solst i cio de ver a o sobre
Itacolomi est a em -25,792141
e -48,522330, F e l , 2 2
respectivamente, e o ponto
da praia de onde se v e
perfeitamente o Sol
nascendo sobre a Ilha de
Fig. 1.- Resumo dos principais pontos envolvidos nas observações de
solstícios e equinócios em Matinhos com referências nos dois conjuntos de
ilhas citados, Currais e Itacolomi.
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Currais no solst i cio de
inverno e -25,805628 e -
48,529022, F e l , 1 1
respectivamente. Esses dois
pontos de observação na
calçada da praia distam
entre si de 1,64 km.
Entre os pontos de
observação perfeita dos
Solstícios existe um
importante ponto na praia, o
molhe do Riviera (Fig. 2). Do
Molhe da Riviera, na
sequência da rua
Medianeira, de Matinhos, se
avistar a os solstícios e os
equinócios da seguinte
maneira. O Solstício de
Inverno seria visto um pouco
à esquerda (Norte) da maior
ilha de Currais, o Solstício
de Ver a o um pouco à direita
(Sul) de Itacolomi e os
equinócios seriam vistos
exatamente no ponto
intermediário entre as ilhas.
O Molhe está a 1 km ao
norte do ponto de
observação do Solstício de
Inverno (POSI) e 0,7 km ao
sul do ponto de observação
do Solstício de Ver a o(POSV)
(Fig. 3).
A Carta Náutica nº 1820 da
Diretoria de Hidrografia e
Navegação registra as Ilhas
dos Currais e as Ilhas
Itacolomis, fornecendo
também informações sobre
suas elevações e rochas
submersas.
Os eventos verificados in sito ,
foram os solstícios e
equinócios de 2024 e 2025.
Em 2024, por exemplo, os
dados registrados foram: Os
equinócios de 2024 foram
em 20 de março de 2024 e 22
de setembro de 2024. Mas
devido às condições de
visibilidade, os seguintes
dados foram levantados. Em
22 de março de 2024 A=90°,
ou seja, exatamente o Leste,
ou 0,0° do leste verdadeiro.
Em 21 de junho de
2024,A=63,77, ou -26,23 ? do
Leste; em 21 de setembro de
2024, A=90°, ou seja,
nascimento no Leste
novamente, 0,0° do Leste, e
em 21 de dezembro de 2024,
A=116,23, o que significa
+26.23° à direita do leste.
Em 21 de março de 2025 (o
equinócio fora um dia
antes), a previsão era nascer
às 6:14, com AZ 91°, mas a
medição foi nascimento às
06:18:22, e A= 90,65°.
Portanto, pode-se ver que
condições atmosféricas
influenciam bastante no
instante do nascimento.
Fig. 2- Molhe da Riviera
Fig. 3- Foto do Solstício de inverno visto do POSI tratado nesse artigo (foto do autor).
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Medidas do molhe da
Riviera, mostraram as Ilhas
de Currais a 66° a -68° com
solstício de inverno (SI) a
64°, ou seja, dali se veria o
Sol nascer dois graus a
esquerda da terceira ilha de
Currais. As Ilhas Itacolomi
foram medidas de 113° e
114° com solstício de verão
teórico a 116°, i.e., dois
graus à direita da ilha. Os
horários foram baseados na
hora fornecida pelo site
Heavens-Above.
A Fig 2 mostra o molhe da
Riviera, um ponto de onde
se pode ver os fenômenos do
nascimento do Sol, solstícios
e equinócios. As Fig. 3 e Fig.
4 mostram respectivamente
os solstício de Inverno e de
Verão. E a Fig. 5 mostra a
situação em relação ao
molhe da Riviera dos pontos
de observação exata dos
solstícios de verão e inverno.
Determinação da amplitude
angular das posições de
nascimento do Sol em
determinada latitude
Em Matinhos, por causa da
latitude, o Sol nasce a +/-
26,23° do leste. No equador
esse valor é de mais ou
menos 23,44° (23°26”), que é
o valor da inclinação da
Terra, em relação ao leste. O
afastamento do Sol em
relação ao leste verdadeiro
aumenta quando nos
afastamos do equador. Para
um astro com declinação d ,
observado da latitude f ,
podemos dizer que o
azimute num horizonte
ideal, considerando o centro
do astro, é:
Então, para a declinação de
+/- 23,44°e uma latitude de
aproximadamente -25,8°,
temos um Azimute que vai
de 64° a 116°. Se pagarmos
esses ângulos com
referência ao leste
(A =90°), veremos que o Sol Leste
nasce a +/- 26° do Leste. Esses
ângulos estão aproximados
para melhor clareza. A
equação pode ser
encontrada no livro de
Kepler de Oliveira (2013).
Determinação da distância
entre duas coordenadas
geográficas
Para obter a distância entre
dois pontos de coordenadas
( F , l ) e ( F , l ) sobre a 1 1 2 2
superfície do planeta Terra,
usa-se a equação abaixo,
derivada da função haversin
do ângulo central q entre
esses dois pontos. Para os
cálculos apresentados foi
adotada a aproximação
esférica da Terra, com raio
médio (R=6371) km. Para
aplicações que exijam
precisão geodésica, deve-se
utilizar o elipsoide WGS84
(equação 1 abaixo), onde F , 1
l são a latitude e longitude 1
do primeiro ponto, F , l são 2 2
a latitude e longitude do
segundo ponto, com ângulos
em radianos. r é o raio do
Planeta Terra (r= 6371 Km); e
d é a distância pela
superfície da Terra entre as
duas coordenadas.
Possível lugar antigo de
observação solsticial
A Fig.1 traz uma
possibilidade interessante. A
de que em algum lugar no
passado tenha havido no
Fig. 4.- Foto do Solstício de verão visto do POSV tratado nesse artigo (foto do autor).
Equação 1

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AstroNova . N.51 . 2026
cruzamento do X que
aparece na figura um lugar
de observação ancestral do
qual os solstícios pudessem
ser vistos sobre as ilhas e os
equinócios exatamente
entre as ilhas, tudo de um
mesmo ponto. Os cálculos
mostram um lugar que hoje
fica a 1,25 km da linha de
rebentação, na coordenada -
25,797415 por -48,510414. Há
um ponto calculado
matematicamente que fica a
1,25 km da praia, para
dentro do mar, localizado
em -25,797415 e -48,510414,
F e l respectivamente de 5 5
onde se veria os equinócios
exatamente entre as ilhas, e
os solstício exatamente
sobre as ilhas. É possível que
em algum instante do
passado remoto, quando a
extensão de terra seca ia
para além da linha de
arrebentação, tenha havido
um local para tais
observações.
Resta ver, então, se no
Holoceno houve alguma
época em que tal ponto
esteve descoberto, ou seja,
sem água. O Holoceno é a
época geológica que se
iniciou com o término da
última glaciação, uns doze
mil anos atrás, e segue até
hoje.
Há evidências geológicas
bastante fortes de que o
litoral do Paraná passou por
períodos em que o nível
relativo do mar esteve tanto
muito abaixo quanto acima
do atual durante o passado.
Durante o Holoceno, o
litoral paranaense sofreu
importantes transformações:
tais como variações do nível
relativo do mar; migração
da linha de costa; formação
e transformação de baías e
restingas; alterações na
posição relativa de ilhas e
promontórios;
estabelecimento de
populações sambaquieiras.
Os sambaquis são
simultaneamente evidências
da ocupação humana e
testemunhos das antigas
paisagens costeiras. O mais
interessante é que quando
os sambaquieiros ocupavam
a região, a posição do nascer
e do pôr do Sol era
praticamente a mesma de
hoje em termos gerais, A
precessão dos equinócios
altera a posição do ponto
equinocial em relação às
estrelas, mas não desloca o
nascer do Sol do Leste
verdadeiro no equinócio
astronômico. Já a variação
secular da obliquidade da
eclíptica modifica
lentamente a amplitude dos
deslocamentos do nascer e
do pôr do Sol nos solstícios.
Então, para uma previsão de
se havia ou não pontos
antigos de posição de
equinócios e solstícios, a
análise aqui apresentada é
válida, ou pelo menos,
bastante aproximada. Um
resumo (ver referências) das
ocupações no litoral do
Paraná é apresentado a
seguir. Há evidências de
ocupações humanas muito
antigas no território atual
do Paraná, com caçadores e
coletores desde o início do
holoceno. Há 10.000 anos
houve a expansão de grupos
associados às tradições
Umbu e Humaitá; Há 6.000
anos encontramos
evidências dos
Sambaquieiros no litoral
paranaense; Há 4.000 anos,
exemplos importantes de
ocupação sambaquieira,
incluindo o Guaraguaçu; e
nos últimos milênios
exemplos de diversos povos
ceramistas, incluindo
tradições indígenas
posteriores. Existem fontes
cartográficas importantes,
tais como Bigarella, 1946,
que sustentam o texto de
Ângulo, 2004, e o Mapa
geológico quaternário de
Martin et al (ver plano de
manejo do Parte estadual
Rio da Onça nas referências).
Sobre as partes secas e
submersas durante o
holoceno, o Instituto Água e
Terra do Paraná apresenta a
reconstrução segundo a
qual, há aproximadamente
18.000 anos, o nível do mar
estava aproximadamente
120 m abaixo do atual, e a
linha de costa paranaense
estaria a mais de 100 km a
leste da costa atual. Regiões

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AstroNova . N.51 . 2026
como Matinhos, Pontal do
PR, Paranaguá, Ilha do Mel e
Guaratuba estavam longe do
mar.
Entre 18.000 anos e 6.000
anos atrás, o mar subiu para
o máximo de 3 a 4 metros
acima do nível atual, tendo
regredido lentamente desde
então. Isso significa que é
sim possível que tenha
havido povos que
experimentaram aquela
região do x na Fig. 1 emersa
e podem ter usado o ponto
para um sítio de observação
e determinação dos
equinócios e solstícios e,
consequentemente, das
estações.
A Fig. 6 mostra o relevo da
região abordada nesse
artigo, mostrando que a
região onde está previsto um
ponto de observação (o x na
Fig. 1) está a uns dez metros
de profundidade atual,
tornando bem possível que
muitas ocupações tenham
usado o local nos últimos
milênios. Em 1998,
mergulhei entre as ilhas de
Currais e tive a
oportunidade de perceber
que o relevo submarino
próximo é exatamente como
mostrado na Fig. 7.
Outros pontos interessantes de
observação do nascimento do
Sol em Matinhos
Aproximadamente no final
da rua Cambará, na ponta
de Caiobá, na praia grande
(Fig8), pode-se ver o Sol
nascer sobre a ilha Itacolomi
nos equinócios. A linha que
une o escolho de Itacolomi e
o ponto abaixo traça uma
linha onde é possível que
tenha existido nesse local
uma estrutura construída
ou modificada
intencionalmente para
observação do horizonte.
Mas, até o momento, não
foram encontradas
evidências arqueológicas
que confirmem essa
hipótese.
Até onde foi minha
pesquisa, não encontrei
Fig. 7.- Nível do mar ao longo dos últimos 20.000 anos. Fonte Cooper et al, 2018.
Fig. 6.- Mapa batimétrico da região de interesse, mostrando as curvas de
nível de profundidade medidas (Nemes, 2011)

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AstroNova . N.51 . 2026
evidências de tais pontos, o
que não quer dizer que não
existam. É um terreno
propício para algum
aventureiro tentar
encontrar.
Concluindo, atualmente há
pontos de observação bem
interessantes para solstícios
e equinócios em Matinhos.
Se houve um antigo ponto
de observação, tal como
previsto, deve ter acontecido
quando o ponto especificado
na Fig. 1 estava seco, ou seja,
em qualquer era quando o
mar estava 10 metros abaixo
do nível atual. As janelas
possíveis são, pelos dados
conhecidos, de 18.000 anos
atrás a 8.000 anos, com
certeza. Há mais de 10 mil
anos, não existem provas
cabais de que o litoral tenha
sido populado.Não foram
encontradas, nesta pesquisa,
evidências arqueológicas de
estruturas megalíticas na
área.
Agradecimentos às
companheiras das
observações, Karin Cristine
Grande, Nicole B. Schneider
e Victória B. Schneider.
Bertoldo Schneider Jr. é
professor no Departamento de
Eletrônica da UTFPR-Curitiba.
Referências:
ANGULO, R. J. Mapa do Cenozóico
do litoral do Estado do Paraná
Boletim Paranaense de Geociências,
n. 55, p. 25-42, 2004. Editora
UFPR25MAPA DO CENOZÓICO DO
LITORAL DO ESTADO DO
PARANÁCENOZOIC MAP OF THE
STATE OF PARANÁ COASTAL
ZONE Rodolfo José Angul,
https://revistas.ufpr.br/geociencias/ar
ticle/view/4281/3437 ,
(https://revistas.ufpr.br/geociencias/a
rticle/view/4281?utm_source=chatgpt
.com
Bigarella, 1946:
(www.scielo.br/j/babt/a/dCHQScdftT
NPtx3Hk5Fhrhv/?format=html&lang=
pt&utm_source=chatgpt.com),
COOPER, J. A. G.; MEIRELES, R.
P.; GREEN, A. N.; KLEIN, A. H. F.;
TOLDO, E. E. Late Quaternary
stratigraphic evolution of the inner
continental shelf in response to sea-
level change, Santa Catarina, Brazil.
Marine Geology, v. 397, p. 1–14,
2018. DOI:
10.1016/j.margeo.2017.11.011.
Douglas Duarte Nemes, Dissertação
mestrado, Caracterização das ondas
de superfície na plataforma interna
do estado do Paraná,
file:///C:/Users/WayneTech/Download
s/DissertacaoDouglasNemes2011PG
SISCO2009.pdf
Haversine: Determinação da
distância entre duas coordenadas:
https://www.omnicalculator.com/other
/latitude-longitude-distance#the-
haversine-formula-or-haversine-
distance (distância entre
coordenadas)
Kepler de Oliveira e Maria de Fátima
Saraiva, Astronomia & Astrofísica, LF
editorial, Livraria da Física, 2013,
ISBN: 978-85-7861-187-3, 770p.
NEMES, D. D. Caracterização das
ondas de superfície na plataforma
interna do Estado do Paraná. 2011.
Dissertação (Mestrado em Sistemas
Costeiros e Oceânicos) –
Universidade Federal do Paraná,
Centro de Estudos do Mar, Pontal do
Paraná, 2011.
Plano de manejo do parque estadual
Rio da Onça, Mapa geológico
quaternário de Martin et al.
(https://www.iat.pr.gov.br/sites/agua-
terra/arquivos_restritos/files/docume
nto/2020-
07/plano_de_manejo_pe_rio_da_onc
a_2015.pdf?utm_source=chatgpt.co
m).
Fig 8.- Local de avistamento do equinócio sobre a ilha Itacolomi.

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A N Ã S M A R R O N S
O M E I O D O C A M I N H O E N T R E P L A N E T A S E E S T R E L A S
26
Rafael Cândido Jr.
[email protected]
Algumas pessoas entusiastas
da Astronomia brincam
dizendo que Júpiter é uma
estrela que falhou por falta
de massa. Neste artigo,
vamos conhecer os corpos
celestes que são
intermediários, ou seja, não
tem massa suficiente para
ser uma estrela e tem massa
demais para ser um planeta
gigante gasoso.
Hipótese das subestrelas
Na década de 1960, o
cientista indiano Shiv
Kumar formulou a hipótese
da existência de objetos que
não eram tão massivos
quanto as estrelas, mas,
seriam mais massivos que
gigantes gasosos. Nesses
objetos não ocorreria a
fusão nuclear do hidrogênio
como acontece em estrelas,
mas possivelmente fusão de
deutério (isótopo do
hidrogênio que tem um
nêutron no núcleo).
Nesta hipótese, Kumar
propôs que estes corpos
deveriam emitir pouca luz
visível e mais radiação
infravermelha.
Primeiramente foi proposto
o nome de estrelas anãs
negras, porém este nome já
era utilizado para se referir
a uma anã branca que teria
uma temperatura de
superfície inferior a um
determinado limite. O nome
anã vermelha também não
poderia ser utilizado, pois é
referente às estrelas que
realizam a fusão de
hidrogênio e com
temperaturas muito baixas
(classe espectral M). Assim,
foram propostos os nomes
de planetar (do inglês,
planet+star) e de subestrelas
(em inglês, substar) para
estes hipotéticos objetos.
Em 1975, a astrônoma
estadunidense Jill Tarter
propôs em sua tese de
doutorado o uso do termo
ASTROFÍSICA
A N Ã S M A R R O N S
O M E I O D O C A M I N H O E N T R E P L A N E T A S E E S T R E L A S

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AstroNova . N.51 . 2026
anã marrom (em inglês,
browndwarf), pois a cor
marrom sugeria que a cor do
objeto estaria entre o
vermelho, o magenta e o
negro, sugerindo que estes
objetos pareceriam escuros e
sem brilho, embora não
fossem necessariamente de
cor marrom.
As primeiras considerações
teóricas sobre a natureza das
anãs marrons estabeleceram
que como elas não realizam
a fusão nuclear estável de
hidrogênio então teriam
temperaturas muito
menores que a das estrelas,
fazendo com que o pico de
emissão seja no
infravermelho. Porém a
tecnologia para detecção
para esta faixa de espectro
no espaço se consolidaria
apenas nos anos 90.
Enquanto não eram
visualizadas, ficava a
questão: Quais seriam os
processos de fusão que
ocorrem em uma anã
marrom?
Conceitos fundamentais
O primeiro passo para
entender as reações
nucleares que acontecem
em estrelas e em anãs
marrons é compreender os
isótopos do hidrogênio. Em
reações químicas, os
isótopos de um determinado
elemento não apresentam
diferença de reatividade
entre si. Porém em reações
nucleares, as diferenças são
cruciais.
O número atômico, ou seja,
o número de prótons do
hidrogênio é Z=1. Mas a
quantidade de nêutrons
pode variar e isso faz variar
o número de massa, que é
definido como a soma de
quantidade de prótons e
quantidade de nêutrons.
Desta forma, tem-se três
isótopos de hidrogênio:
- prótio: hidrogênio com
apenas um próton (Z=1 e
A=1)
- deutério: hidrogênio com
um próton e um nêutron (Z=
1 e A=2)
- trítio: hidrogênio com um
próton e dois nêutrons. (Z=1
e A=3)
Em Astrofísica, quando
citamos hidrogênio, estamos
nos referindo ao prótio. O
trítio não é significativo pois
a quantidade deste em
estrelas, anãs marrons e
planetas é muito pequena.
Assim, nosso estudo da fusão
nuclear é unicamente o
estudo das reações nucleares
de hidrogênio e deutério.
Em muitos artigos
científicos, o processo de
fusão nuclear também é
citado como queima, ou
seja, queima de hidrogênio,
queima de deutério. Mas
Professor Shiv Kumar no evento
“50 anos das anãs marrons”
em 2012, Alemanha.
Foto de Mark McCaughrean.
Jill Tarter em evento na Universidade
de Trondheim, Noruega, junho/2017.
Foto de Max Alexander.

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essa queima não é igual ao
termo usado no cotidiano,
que significa uma reação
com oxigênio e liberação de
calor (um exemplo é a
queima de algum
combustível). Nas reações de
fusão nuclear, o uso da
palavra queima está
relacionado ao consumo de
um ou mais isótopos de um
determinado elemento em
reações de fusão nuclear ao
longo do tempo.
Fusão nuclear leve
Uma característica
intrínseca das estrelas é que
em alguma fase de sua
existência elas realizam a
fusão do hidrogênio em um
processo estável
denominado cadeia próton-
próton (ou também, cadeia
p-p), o qual requer
temperatura e pressão muito
elevadas.
O processo de fusão de
deutério requer uma
temperatura e pressão bem
menores que as necessárias
partir de 13 até 80 vezes a
massa de Júpiter. Estes
objetos são as anãs marrons.
A tabela 1 apresenta uma
comparação entre objetos
astronômicos, faixas de
massa, temperatura de
núcleo e quais isótopos são
queimados no núcleo dos
objetos.
Ao observarmos a última
coluna da tabela 1, vemos
que ocorre também a
queima de isótopos de lítioe
até de hidrogênio em uma
determinada faixa de massa.
Para entender este processo,
precisamos compreender
alguns passos importantes
na evolução das anãs
marrons.
Queima de deutério... e, talvez,
de lítio.
As anãs marrons com massa
entre 13 e 45 massas
jovianas nunca alcançam
temperatura de núcleo
suficiente para iniciar a
28
para a fusão do hidrogênio.
Assim, a queima do deutério
ocorre em um objeto
astronômico no qual seu
núcleo não tenha uma
temperatura e uma pressão
suficientemente elevadas
para iniciar e manter uma
cadeia p-p, que ocorre no
núcleo de estrelas. É
importante citar que a
queima do deutério também
ocorre em estrelas, porém
não é um processo
dominante.
A queima de deutério é
dominante em objetos
astronômicos com massa a
AstroNova . N.51 . 2026

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29
queima do lítio. Portanto,
esse elemento, na forma dos
isótopos lítio-6 e lítio-7,
permanece nas atmosferas
dessas anãs marrons sem ser
queimado. Assim, a presença
dos dois isótopos de lítio na
atmosfera de um objeto
astronômico é uma
assinatura que caracteriza
que temos uma anã marrom
com massa menor que 45
massas jovianas.
Nas anãs marrons quentes,
com massa entre 45 e 65
massas jovianas, ocorre a
queima do deutério e do
lítio-6.Nestas anãs marrons,
o lítio-7 não é consumido e
assim, a presença deste
isótopo na atmosferaé
detectável e caracteriza este
tipo de anã marrom.
Nas anãs marrons massivas,
com massa entre 65 e 75
massas jovianas, o lítio-7 é
queimado simultaneamente
ao deutério e ao lítio-6,
aumentando a temperatura
do núcleo por um
determinado tempo.
Quando a anã marrom tem
uma massa na faixa de 75 a
80 massas jovianas, ela
encontra-se numa faixa de
transição entre uma anã
marrom e uma estrela anã
vermelha. Nesta faixa de
massa ocorre a queima do
hidrogênio, porém de uma
forma muito instável. A anã
marrom não tem massa e
temperatura suficiente para
sustentar essa queima.
Por fim, se a massa for
maior ou igual a 80 massas
jovianas, a cadeia próton-
próton se torna estável e
dominante nos processos de
fusão nuclear;
caracterizando o objeto
astronômico como uma
estrela, que já surge sendo
estrela. Não há uma
evolução de uma anã
marrom da faixa de
transição para se tornar
uma estrela anã vermelha.
Por isso, as anãs marrons,
mesmo as mais pesadas,
recebem também o nome de
estrelas falhadas.
Em estrelas, quanto maior a
temperatura do núcleo, o
hidrogênio esgota-se mais
rapidamente. O mesmo
ocorre com as anãs marrons;
quanto mais massiva, maior
a temperatura do núcleo e
isso torna a taxa de queima
do deutério mais alta.
Mas em quanto tempo o
deutério é consumido nas
diferentes faixas de massa
da anã marrom? O cálculo é
um tanto complexo pois
depende de vários fatores
estudados pela Astrofísica.
De uma maneira
simplificada, podemos
estabelecer valores médios
apresentados na tabela 2.
Rumo à fria eternidade
Mas, o que ocorre quando o
deutério se esgota? E o lítio
também se esgota? As
reações destes isótopos são
concomitantes ou
sequenciais?
Em todas as anãs marrons
AstroNova . N.51 . 2026

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30
há uma sequência de queima
que sempre se inicia com a
queima do deutério quando
a temperatura do núcleo
alcança 0,9 MK. O produto
gerado nessa queima é o
isótopo hélio-3, que se
acumula na anã marrom
(este isótopo queima apenas
em núcleos de estrelas
massivas).
Durante a queima do
deutério, a temperatura do
núcleo da anã marrom
aumenta. Dependendo da
massa, ao se alcançar uma
determinada temperatura,
ocorre a queima do lítio-6 e,
se a massa for ainda maior,
ocorre a queima do lítio-7.A
queima do lítio pode se
iniciar sem que o deutério
esteja acabando, havendo
uma sobreposição de reações
de queima.
Como o deutério é o
primeiro a iniciar a queima,
é também o primeiro a se
esgotar. Se ocorre a queima
do lítio, esta reação também
continuará até seu
esgotamento. E o que
acontece quando todo o
“combustível” acaba?
Depois que o deutério e o
lítio (se for o caso) acabam, a
anã marrom não tem mais
uma fonte de energia de
fusão nuclear. A partir desse
momento acontece o
processo de resfriamento
passivo. A anã marrom
ainda tem energia
gravitacional e calor
armazenado em seu
interior, assim ela se contrai
lentamente e irradia essa
energia para o espaço.
Modelos teóricos mostram
que, para uma anã marrom
resfriar até a temperatura de
fundo cósmico (2,7 K) são
necessários trilhões de anos.
Como a idade atual do
Universo é de 13,8 bilhões de
anos, o tempo de 1,38
trilhões de anos seria 100
vezes a idade atual do
Universo.
Todas as anãs marrons
observadas até hoje ainda
estão emitindo calor e serão,
por um longo tempo, os
“fósseis quentes” de uma
estrela falhada.
As classes espectrais
Quando estudamos
Astrofísica estelar,
aprendemos que as classes
espectrais das estrelas são
definidas pelas letras:
Concepção artística de uma anã marrom da classe espectral L.
AstroNova . N.51 . 2026

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31
OBAFGKM, onde a classe
espectral M é para as estrelas
anãs vermelhas, que são as
estrelas mais frias com
temperaturas efetivas de
2400 a 3800 K.
Na análise do espectro de
estrelas encontram-se linhas
de metais e hidrogênio. Nas
anãs marrons encontram-se
espectros com bandas de
absorção de moléculas na
atmosfera. Nas anãs marrons
mais frias, encontram-se
bandas de absorção de
metano gasoso e de gelos de
água e amônia.
A tabela 3 apresenta
algumas características das
classes espectrais utilizadas
para anãs marrons.
Concepção artística de uma anã marrom de classe espectral T.
Concepção artística de uma anã marrom de classe espectral Y.
A tabela 4 apresenta
características atmosféricas
principais de cada classe
espectral das anãs marrons.
Planetas orbitando anãs
marrons
De acordo com a definição
da IAU de agosto de 2018,
um planeta pode orbitar em
torno de uma anã marrom
desde que este planeta tenha
uma massa inferior a 13
vezes a massa de Júpiter e
que a sua massa seja inferior
a 25 vezes menor que a
massa da anã marrom.
Assim, para uma anã
marrom com massa de 50
vezes a massa de Júpiter, se
em torno dela orbitam
objetos com massa abaixo de
2 vezes a massa de Júpiter,
então estes objetos são
planetas (pois 50/25 = 2). Da
O ponto verde indica a anã marrom
WISE 0458+6434, descoberta pelo
telescópio espacial WISE. As cores azul e
verde são falsas, usadas apenas para
indicar intensidade de infravermelho.
AstroNova . N.51 . 2026

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32
mesma forma, para uma anã
marrom de massa 13 vezes a
massa de Júpiter, os objetos
que a orbitam devem ter no
máximo a massa de 0,52
vezes a massa de Júpiter
(aproximadamente 165 vezes
a massa da Terra) para serem
considerados planetas em
torno da anã marrom.
Modelos computacionais
sugerem que para um
planeta com massa
aproximadamente igual à
massa da Terra orbitando
uma anã marrom de classe
espectral T ser habitável, ou
seja, ter condições de abrigar
vida, deve ter uma órbita de
raio de 0,005 UA (200 vezes
mais próxima que a
distância média entre a
Terra e o Sol) e uma
excentricidade orbital
extremamente pequena, ou
seja, uma órbita
praticamente circular, para
que não ocorresse uma
variação climática
descontrolada no planeta.
Este planeta também não
poderia ter luas, pois
poderia causar instabilidade
orbital.
Considerando que os
planetas em torno de uma
anã marrom tenham uma
origem comum, ou seja, da
mesma nebulosa planetária,
há uma possibilidade que os
planetas que orbitam uma
anã marrom sejam mundos
de carbono, planetas que
não são constituídos de
rochas sílicas como os
planetas internos do Sistema
Solar, mas de rochas de
grafite, carbetos metálicos e
diamante. Neste tipo de
mundo, a possibilidade de
encontrar água é
praticamente nula.
Rafael Cândido Jr. é graduado
e mestre em Engenharia
Química. Integra o grupo de
astronomia Arcturus, da UFABC.
Para saber mais:
Representação artística de um planeta
de carbono. Mundos como este podem
orbitar anãs marrons.
Comparação de tamanhos do Sol (estrela tipo G2), estrela anã vermelha, anã marrom
jovem, anã marrom velha, anã marrom ultrafria e um planeta gigante gasoso com
suas temperaturas efetivas.
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Wilson Guerra
[email protected]
Como a questão sobre a Vida
no universo leva em conta
um lugar para que ela possa
surgir e evoluir, a procura
por exoplanetas (planetas
fora do Sistema Solar, que
orbitam outras estelas) é o
primeiro e inevitável passo a
ser dado.
Mas não basta procurar por
exoplanetas quaisquer. É
necessário procurar por
aqueles que dêem condição
da Vida surgir, evoluir e se
desenvolver. Quando essas
condições tem grande
chance de estarem
presentes, se diz que o
13
ASTROBIOLOGIA
exoplaneta é potencialmente
habitável .
Exoplaneta potencialmente
habitável
Nossa única referência de
Vida é a da Terra. Aqui, a
água no estado líquido é
fundamental para
QUALQUER ser vivo. É na
água que se encontra o meio
reacional adequado para
ocorrer o metabolismo que
fornece a energia e a
manutenção estrutural da
célula, a unidade básica da
Vida. A água pode existir no
estado líquido aqui porque a
temperatura média da Terra
é de 27º C. Em temperaturas
negativa, só haveria gelo. No
extremo oposto, ou seja,
acima de 100ºC, só existiria
na forma de vapor. O que
mantém a água líquida na
Terra é o fato de sua
temperatura média ficar
entre esses dois extremos -
de 0 a 100 graus. O fator
determinante na
temperatura média de nosso
planeta é a energia que
recebe de nossa estrela, o
Sol. A Terra não está nem tão
afastada, para as
temperaturas ficarem
negativas, nem tão próxima,
para que fiquem superiores
a 100ºC. Assim, a Terra está
na Zona Habitável do Sol
(figura 1). Além de orbitar o
Sol na zona habitável, nosso
"pálido ponto azul"
Concepção artística de Próxima b, exoplaneta potencialmente habitável (www.eso.org)
P a l c o d a V i d a n o Un i ve r s o
HABITÁVEIS
EXOPLANETAS POTENCIALMENTE
HABITÁVEIS HABITÁVEIS
33

Página 34

Centro de Massa
Na prova do "lançamento de martelo", o atleta
e o peso giram em torno do centro de massa.
Se o planeta for suficientemente
grande, o giro da estrela em torno
do centro de massa é perceptível.
Ao detectar o "balanço" da estrela,
os astrônomos podem estimar a
massa do explaneta que nela orbita.
Figura 2 - Astrometria
Imagem: University of Wisconsin-Madison
Department of Astronomy - www.astro.wisc.edu
34
apresenta uma estrutura
rochosa, com superfície
firme e definida. Nela a Vida
pôde se apoiar e evoluir.
Se os astrobiólogos
procuram pela Vida como a
conhecemos em planetas
fora do Sistema Solar, é
preciso que o exoplaneta
tenha estas duas
características: orbite a zona
habitável de sua estrela e
seja rochoso como a Terra, e
não gasoso como Saturno e
Júpiter. Um exoplaneta
potencialmente habitável é
aquele que possui estes dois
requisitos.
Detecção de exoplanetas
Exceto em casos muito
especiais, não é possível
observar diretamente um
exoplaneta com a tecnologia
atual de telescópios.
Todavia, há vários métodos
indiretos para atestar a
existência de planetas
orbitando uma estrela.
Em meados da década de
1990 os primeiros
exoplanetas começaram a
ser detectados. O método
usado é conhecido como
Astrometria. Nele, os
astrônomos medem o
"balanço" que a estrela
recebe devido a atração
gravitacional mútua com o
planeta. Se o planeta tiver
massa suficiente, seu
"puxão" na estrela pode
observado na forma de
oscilações regulares em
torno do centro de massa do
sistema (figura 2).
Infelizmente, a condição
para o método astrométrico
é sua limitação: exoplanetas
de grande massa. Assim, este
método costuma detectar
apenas objetos gigantes, tipo
Júpiter.
Outra forma de detectar o
balanço gravitacional que o
exoplaneta produz na sua
estrela é pelo efeito Doppler.
Este efeito provoca a
mudança na frequência de
uma informação de
natureza ondulatória cuja
fonte esteja em movimento.
É como acontece na
mudança do som de uma
ambulância quando o
veículo se aproxima de nós e
quando se afasta. Ao se
aproximar, o som da sirene
parece mais agudo,
enquanto que ao se afastar o
Figura 1 - A Zona Habitável no Sistema Solar
AstroNova . N.51 . 2026

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Imagem: University of Wisconsin-Madison
Department of Astronomy - www.astro.wisc.edu
Os desvios na
frequência da luz
recebida
da estrela dizem o
quanto ela gira, e que
tipo de explaneta
provocou o movimento.
Figura 3 - Efeito Doppler
13 35
som fica mais grave. Tal
como o som, a luz também
se comporta com uma onda -
neste caso, uma onda
eletromagnética. Assim, se
uma fonte de luminosa
aproxima, sua luz fica "mais
aguda": dizemos que ela
tende para o azul (maior
frequência). Se a fonte
luminosa se afasta, sua luz
fica "mais grave": tende para
o vermelho (menor
frequência). Medindo estes
desvios na luz de um estrela
que oscila, os astrônomos
podem estimar a velocidade
da estrela e assim
determinar que tipo de
planeta está provocando esse
movimento (figura 3).
Contudo, este método
Imagem: University of Wisconsin-Madison
Department of Astronomy - www.astro.wisc.edu
Figura 4 - Astrometria
dificilmente detectaria
planetas rochosos de
pequena massa como a
Terra, pois o efeito Doppler
proporcionado por planetas
de pequena massa são
inferiores aos limites
mínimos de detecção.
O método mais promissor
para se detectar exoplanetas
pequenos e rochosos como a
Terra chama-se Fotometria.
Ele se baseia no trânsito do
exoplaneta em sua estrela
central, ou seja, a passagem
na frente do disco brilhante
do astro. Cada passagem
obstrui parte do brilho da
estrela, que pode ser
minunciosamente medido
pela atual tecnologia de
telescópios . O
percentual de diminuição
do brilho detectado da
estrela durante o trânsito
bem como o início e o fim
do processo dão informações
suficientes para se
determinar a massa, o
tamanho, o período de
revolução e a posição do
exoplaneta em relação à sua
estrela. A clareza da medida
é tão boa que exoplanetas
pequenos como a Terra e
Marte podem ser
inequivocadamente
identificados.
O telescópio espacial Kepler,
lançado com o objetivo de
identificar exoplanetas,
utiliza o método fotométrico
de detecção. Atualmente ele
opera com restrições, e
mesmo assim tem
encontrado centenas de
exoplanetas, que soma-se aos
milhares já detectados
quando funcionava bem.
Explanetas potencialmente
habitáveis já detectados
O número de exoplanetas
confirmados cresce a todo
momento. Telescópios de
todo o mundo estão
confirmando suas
existências desde a década
de 1990, quando os métodos
estavam bem desenvolvidos
e a resolução dos telescópios
começaram a atingir
precisão suficiente. Hoje são
mais de 3.500 exoplanetas
confirmados distribuídos
(figura 4)
O trânsito provoca a redução
no brilho da estrela, e dá pistas
sobre dados do exoplaneta.
L - luminosidade da estrela
D L - redução da luminosidade
R - raio do planeta P
R - raio da estrela E
2
?
?
?
?
?
?
?
?
?
?
E
P
R
R
L
L
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Concepção artística de Kepler-186f (NASA)
Tabela com a quantidade mínima de exoplanetas potencialmente habitáveis já detectados. A lista total pode chegar
a 41 exoplanetas desta categoria. Terra e Marte inseridos para efeito de comparação. Fonte: http://phl.upr.edu
36
em mais de 2.600 sistemas,
desde estrelas mais
próximas até a alguns
milhares de anos-luz de
distância de nós. Vários dos
sistemas são
multiplanetários, e alguns
tem até mais de uma estrela
central! Desta lista toda,
atualizada em 2024, há 41
deles que parecem ter
condições de abrigar a Vida.
Seus tamanhos variam desde
exoplanetas quase do
tamanho da Terra à
"superterras", com mais que
o dobro do diâmetro de
nosso planeta. Vejamos as
características conhecidas
até agora de alguns deles.
Kepler-186-f: o mais parecido
com o tamanho da Terra
Este exoplaneta é apenas
10% maior que a Terra e está
a 1.500 anos-luz de nós.
Orbita uma estrela anã
vermelha. Como o brilho
desta estrela é bem menor
que o do Sol, sua zona
habitável também fica mais
próxima. A proximidade da
estrela também pode
obrigar o exoplaneta a ter
sua rotação em torno de si
mesmo sincronizada com o
movimento de revolução em
torno da estrela. Isso faria
com que Kepler-186f esteja
sempre com a mesma face
voltada para a estrela,
podendo-a aquecer muito. A
face oposta ficaria sempre
na região noturna,
resfriando-a. A fronteira
entre o dia e a noite eterna
deste mundo poderia ter
então temperaturas amenas.
AstroNova . N.51 . 2026

Página 37

Mas ainda há muito para se
pesquisar. Uma atmosfera
densa e ativa poderia
distribuir a energia térmica
deste exoplaneta,
uniformizando mais a
temperatura (isso ocorre na
Terra) e talvez dando
condições da existência da
Vida em uma área maior.
Kepler-462b, exoplaneta que
orbita uma sósia solar
Este exoplaneta está a 1.400
anos-luz de nós. É 60% maior
que a Terra e está
definitivamente na zona
habitável de sua estrela. Um
detalhe interessante é que a
estrela é uma "sósia" ou
"gêmea solar", ou seja, é
muitíssimo parecida com
nosso Sol (tamanho,
temperatura superficial,
fluxo de luz e calor etc). Isso
torna as chances de
habitabilidade de kepler-
462b muito mais
interessantes, pois o paralelo
com a Terra é muito maior.
Gliese 667Cc, exoplaneta de
um sistema triplo
Este exoplaneta está
relativamente próximo de
nós, a 22 anos-luz. Ele é pelo
menos 4 vezes maior que a
Terra, provavelmente
constituindo como se
constuma dizer, uma
superterra. Ele orbita uma
estrela vermelha de brilho
bem mais fraco que nosso
Sol, portanto menos quente.
Porém esta órbita é muito
pequena, o que garante sua
posição na zona habitável
estelar. O detalhe curioso é
que há mais duas estrelas
gravitacionalmente ligadas
ao sistema, fazendo de
Gliese 667Cc um exoplaneta
de um sistema triplo de
estrelas!
Proxima b, um exoplaneta
habitável na vizinhança?
Este exoplaneta é um pouco
maior que a Terra e orbita a
zona habitável da estrela
anã vermelha Proxima
Centauri. A descoberta, feita
pelo ESO (Observatório Sul-
Europeu, no Chile),
apresenta duas interessantes
peculiaridades. Primeiro que
13
Concepção artística de Kepler-186f (NASA)
Ilustração artística do exoplaneta Gliese 667 Cc. (ESO)
37
AstroNova . N.51 . 2026

Página 38

Concepção artística mostra o planeta Proxima b em órbita da estrela anã vermelha
Proxima Centauri. A estrela dupla Alfa Centauri AB também pode ser vista na imagem
entre o planeta e Proxima Centauri - Crédito: ESO/M. Kornmesser
38
o método de detecção desta
estrela não foi o fotométrico,
normalmente usado para
esse tipo de descoberta.
Proxima b foi encontrado
graças ao efeito doppler que
seu balanço gravitacional
imprime na estrela Proxima
Centauri. Isto foi possível
pela baixa massa da estrela.
A segunda e mais
interessante peculiaridade é
que Proxima Centauri é a
estrela mais próxima do
Sistema Solar, a apenas 4,2
anos-luz de distância. Em
escala astronômica é "logo
ali". Isso chamou a atenção
da comunidade científica
por muitos motivos. Por
estar tão perto, aumentam
as possibilidades de se
estudar esse sistema com
grande grau de detalhe. A
descoberta foi tão
importante que um projeto
financiado pelo milionário
físico russo Yuri Milner e
apoiado por Stephen
Hawking foi levemente
alterado. Poucos meses antes
os dois haviam lançado um
projeto de lançamento de
nanossatélites (o "starchip")
impulsionados a laser em
direção a Alfa Centauri, um
sistema duplo de estrelas
que marcaria a primeira
viagem interestelar de
sondas. A viagem levaria 20
anos, o que é plausível para
toda uma geração de
astrônomos. Acontece que a
estrela Proxima Centauri
parece fazer parte do
sistema Alfa Centauri, ou
seja, eles são vizinhos entre
si. O projeto então ganhou
um fôlego extra, pois
sabemos agora que há um
exoplaneta na região, e ele é
potencialmente habitável!
Água detectada!
Pesquisadores usaram dados
de arquivo de 2016 e 2017
capturados pelo Telescópio
Espacial Hubble da NASA /
ESA e desenvolveram
algoritmos de código aberto
para analisar a luz das
estrelas filtrada na
atmosfera de K2-18b, um
exoplaneta rochoso que
orbita a zona habitável de
sua estrela. Os resultados
revelaram a assinatura
molecular do vapor de água,
indicando também a
presença de hidrogênio e
hélio na atmosfera do
planeta.
Os autores do artigo,
publicado na Nature
Astronomy, acreditam que
outras moléculas, incluindo
nitrogênio e metano, podem
AstroNova . N.51 . 2026

Página 39

www.tikinet.com.br/iag/default.asp
www.nasa.gov/kepler
Astrobiologia: ciência emergente
www.eso.org
www.exoplanets.eu
www.planethunters.org
estar presentes, mas
permanecem indetectáveis
com as observações atuais.
Mais estudos são necessários
para estimar a cobertura de
nuvens e a porcentagem de
água atmosférica presente. A
existência de exoplanetas
em zona habitável não é
novidade, mas é primeira
vez que água é detectada em
planetas nestas condições. O
sistema de K2-18b está a 110
anos-luz de distância.
Marte: vida fora da Terra em
nosso quintal?
Marte não é um exoplaneta.
Ele está aqui no nosso
Sistema Solar. Mas seu
interesse astrobiológico é de
longe o que mais chama a
atenção. Sabe-se que Marte
teve muita água no passado,
como atesta por exemplo os
inúmeros leitos secos de rios
em sua superfície.
Recentemente, a sonda
europeia Mars Express
detectou água líquida no
planeta, mas não na
superfície e sim no subsolo.
Provavelmente já teve
também mais atmosfera.
Nestas condições, sua
posição no Sistema Solar o
deixaria na margem externa
da Zona Habitável, mas
ainda assim dentro dela.
Teria a Vida surgido em
Marte? Se sim, ainda existe?
Se existe, onde está? Se foi
extinta, deixou vestígios?
Uma verdadeira força tarefa
de agências espaciais de
vários países tem trabalhado
para responder estas e
outras questões, incluindo o
envio de orbitadores e
sondas de solo. O que for (se
for) encontrado em Marte
pode ajudar muito na busca
de Vida pelo Universo,
orientando as pesquisas.
Possibilidades
Há trilhões de galáxias, cada
uma com centenas de
bilhões de estrelas. Muitas
destas estrelas, estamos
notando, parecem ter vários
planetas em seu entorno.
Alguns destes planetas
ocupam a zona habitável
estelar. É matematicamente
improvável estarmos
sozinhos. Caso contrário o
universo será, como dizia o
astrobiólogo Carl Sagan, um
enorme desperdício de
espaço!
Wilson Guerra é astrônomo amador
e professor. Graduou-se em Física,
tem especialização em Astrobiologia
e é mestre em Educação Científica.
Referências:
13 39
Leitos secos de rios antigos em Marte.
Ilustração mostra o exoplaneta K2-18b, sua estrela hospedeira e
um planeta que acompanha este sistema. Dados do telescópio
Hubble detectaram água em sua atmosfera.
AstroNova . N.51 . 2026

Página 40

REVISTA DE DIVULGAÇÃO
DE ASTRONOMIA
E CIÊNCIAS DA NATUREZA
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