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Acervo textual da Revista AstroNova

Edição 06 — páginas 41 a 48

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Assuntos identificados: astronomia, órbita, telescópio, espacial, terra, júpiter, meteoros, observação, velocidade, brasileira.

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42 Quanto maior a velocidade do disparo, mas "aberta" é esta curva, de modo que a bala alcança distâncias cada vez maiores durante sua queda. Acontece que a superfície da Terra também é curva, pois nosso planeta é praticamente redondo. O peso faz o projétil do canhão cair descrevendo curvas cada vez mais abertas, e como a superfície da Terra também faz curva, mais distante é o alcance de nossa hipotética bala. Assim haverá uma velocidade de disparo mquito precisa em que a curva descrita pela bala durante sua queda não alcançará a superfície (figura 2). O projétil continua caindo, ou seja, descrevendo uma trajetória curva devido a ação de seu peso, mas já não atinge o solo porque sua superfície é igualmente curva. Nosso projétil está em uma queda infinita. Neste momento a bala de canhão entrou em órbita. Esta órbita é mantida graças a ação de seu peso, ou seja, a atração gravitacional entre o projétil e a Terra. Sem o peso, o projétil iria embora, em linha reta! No lançamento de naves espaciais não há montanhas tão altas nem são usados canhões. Para substituí-los, os engenheiros usam foguetes propulsores (figuras 3 e 4). Sua função é h h Figura 4Figura 3 AstroNova . N.06 . 2015 Texto opcional - Determinando as velocidades orbitais No Ensino Médio aprendemos que um objeto realiza movimento circular graças a ação de uma força centrípeta. Isto ocorre, por exemplo, quando giramos um objeto preso a uma corta. Uma espaçonave em órbita da Terra tem o coportamento idêntico. Neste caso é o peso da nave, ou seja, a atração da gravidade, que desempenha o papel da força centrípeta. Sabemos que a força centrípeta pode ser calculada por: Onde m é a massa da nave, v é sua velocidade na órbita e r é o raio da órbita (distância da nave ao centro da Terra). O peso da nave é determinado pela Lei da Gravitação Universal: Onde G é a Constante da Gravitação Universal e M é a massa da Terra. Como a força gravitacional sobre a nave atua como uma força centrípeta, podemos igualar as duas. F C objeto corda ai = ro r F G nave Terra raio = r Substituindo teremos: Após simplificar m e r teremos: r GM vð= 2 E finalmente obtemos a velocidade: r GM vð= Portanto cabe aos engenheiros aeroespaciais desenvolverem foguetes e propulsores capazes de levar a nave até a órbita de raio r com a velocidade v dada por esta equação. Se isto for feito, a nave permanece em órbita. EXEMPLO: a Estação Espacial Internacional está a 350km de altura. Somando com raio da Terra (6.400km), 6 sua órbita tem r=6.750km ou 6,75.10m. Sabemos que a massa da Terra é de 24 -113 2 M=6.10kg e que G=6,7.10m/kg.s. Substituindo na equação (1): Calculando, obtemos: Que em quilômetros por hora é: (1)

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43 A Nave da Imaginação foi totalmente redesenhada. levar a nave na altura certa com a velocidade precisa para a órbita desejada. Com velocidades menores a espaçonave cai de volta no solo; com velocidades maiores ela pode se afastar demais da Terra e nunca mais retornar. ACERTANDO AS ÓRBITAS Nem sempre um satélite ou espaçonave atinge a órbita desejada logo após o lançamento. Geralmente a espaçonave é lançada em uma órbita baixa, de cerca de 250km de altura. Depois os propulsores são ligados durante alguns minutos, imprimindo um acrécimo em sua velocidade. Com isso a configuração de sua órbita é alterada, tornando-se mais elíptica (parecida com uma "circunfêrencia esticada"). Esta trajetória elíptica é chamada órbita de transferência. Tudo é calculado de tal forma que seu ponto mais afastado (apogeu) coincide com a órbita final desejada Quando a nave atinge esta posição, os motores são novamente ligados, imprimento novo acréscimo de velocidade e reconfigurando sua trajetória para a órbita final. Note que nestes procedimentos os motores são acionados apenas para se efetuar a transferência em pontos bem específicos. No restante do tempo os motores permanecem desligados, pois o movimento se mantem naturalmente, não requerendo nenhum tipo de propulsão. Periodicamente a espaçonave pode precisar de um "empurrão extra" para acertar sua órbita. Como a distribuição de massa da Terra não é totalmente uniforme, pequenas variações nas órbitas previstas podem se acumular com o tempo. Para órbitas mais baixas pequena quantidade de ar residual da atmosfera pode imprimir um pequeno "freio" nos satélites e naves. Por isso pequenas propulsões são efetuadas periodicamente para corrigir as velocidades orbitais. Isto acontece, por exemplo, com a Estação Espacial Internacional. PARA ALÉM DA TERRA Para enviar objetos para além da órbita da Terra é necessário romper a barreira gravitacional que o mantêm em nosso planeta. Para tanto os foguetes precisam imprimir uma velocidade suficientemente alta para que a espaçonave não retorne mais. Esta velocidade AstroNova . N.06 . 2015 Órbita inicialÓrbita de transferênciaÓrbita final

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44 é chamada de velocidade de escape (para mais detalhes sobre isto, consulte a matéria Velocidade de Escape da edição n. 5 da AstroNova). Foi com velocidade de escape que as naves Apollo levaram astronautas à Lua. É assim também que sondas escapam da gravidade da Terra para pesquisar outros planetas e suas superfícies. É o caso, por exemplo, do jipe robótico Curiosity da Nasa, que atualmente corre o solo de Marte. Em um caso mais extremo existem as sondas Voyager que adquiriram velocidade de escape do Sistema Solar e hoje rumam para o espaço interestelar. ÓRBITA GEOESTACIONÁRIA Existe um órbita localizada a quase 38.000km de distância da superfície da Terra que apresenta características especiais. Nela, a velocidade das naves ali alocadas fazem com que elas percorram uma volta completa em torno da Terra em exatamente 24 horas. O mesmo tempo que a Terra leva para completar uma rotação em torno de seu eixo. Vistos da Terra, os satélites em órbita geoestacionária parecem parados, daí o termo estacionário. Isto ocorre porque enquanto os satélites giram nesta órbita, nós giramos junto no mesmo ritmo. É nesta órbita que se localizam os principais satélites comerciais de telecomunicações. Por serem estacionários, para quem está na Terra as antenas de recepção podem ser fixas, dispensando a necessidade de sistemas para movê-las em busca de receber os sinais. Atualmente existem centenas de satélites em órbita geoestacionária. Referências Propulsão e Controle de Veículos Aeroespaciais: Uma Introdução - 2002 - Editora da UFSC Texto Opcional Calculando a Velocidade de Escape Para um corpo ser lançado fora da influência gravitacional da Terra (ou de qualquer outro astro), ele precisa receber velocidade de tal forma que a energia cinética K (de movimento) se iguale ou supere a energia potencial gravitacional U. Sabemos que: Desta forma, para a velocidade de escape, a soma das duas é zero. Substituindo e isolando v, teremos: Texto Opcional - Determinando o raio da Órbita Geoestacionária r Para que o satélite seja geoestacionário, seu período de revolução (T) deve ser o mesmo da rotação da Terra. Sua velocidade na órbita pode ser calculada pela definição clássica de velocidade: Onde d é o comprimento de uma órbita e T é o tempo para completá-la. Como a órbita é circular, d é o comprimento da circunferência (C=2pr). Substituindo: Assim podemos igualar a equação (1) da página 42 com a anterior: Finalmente, isolando r, teremos: Substituindo os valores para a Terra, ou 24 seja, M=6.10kg, T=24h=86.400s e -11 G=6,7.10m³/s².kg, obtemos: r=42.200km Descontando o raio da Terra, que é de 6.400km, isto significa dizer que a órbita geoestacionária fica a quase 38.000km acima da superfície de nosso planeta. AstroNova . N.06 . 2015

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Cruzeiro do Sul e o Saco de Carvão 22/04/2015 Morro dos Perdidos, próx. a Curitiba - PR Matheus Leal Castanheira

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www.grupocentauro.org Grupo Centauro de Astronomia Amadora Dois Vizinhos - Maringá (PR) Divulgando a Beleza do Universo revelada pela Ciência 0Anos1

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AstroNova é uma colaboração de estudantes, professores, astrônomos amadores e profissionais para a divulgação de Astronomia e Ciências da Natureza. Tem lançamento trimestral, é totalmente pública, gratuita e de direitos livres. Disponível em: REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA www.caeh.com.br www.grupocentauro.org/astronova

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