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Acervo textual da Revista AstroNova

Edição 06 — páginas 21 a 40

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Assuntos identificados: astronomia, órbita, telescópio, espacial, terra, júpiter, meteoros, observação, velocidade, brasileira.

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A alvorada da Astronomia Amadora no estado do Espírito Santo www.facebook.com/ClubAstroESwww.facebook.com/ClubAstroES

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23 Rafael Cândido Jr. eletrorafa@gmail.com Imagine uma noite de céu claro, sem poluição luminosa. A vista certamente é muito bonita. Há, entretanto, um céu muito mais brilhante do que você consegue ver, formado pelas mesmas estrelas que você vê nesta noite bonita. Astronomia óptica ou visível A Evolução fez nossos olhos enxergarem uma estreita faixa das ondas eletromagnéticas. Esta faixa é denominada luz visível. A maior sensibilidade que temos é em relação à luz amarela, que tem comprimento de onda entre 565 a 590 nm. Isto ocorre porque o Sol emite sua máxima irradiância espectral nesta faixa (figura 1). Nossos olhos tem uma limitação na quantidade de luz que podem enxergar. E mesmo que fiquemos horas na escuridão olhando o céu, isso não fará com que você veja mais estrelas. Vemos com maior percepção de detalhes através de um telescópio. E quanto maior a abertura do telescópio, mais captação de luz pode ser feita. Entretanto, os maiores telescópios do mundo não possuem mais oculares para que os astrônomos possam observar os céus. Eles possuem sistemas de captação de imagens, as matrizes CCD, iguais aos sistemas de câmeras digitais, porém muito mais potentes. As imagens são captadas e transferidas para computadores para análise através de algoritmos. A atmosfera interfere nestas observações. Com os avanços tecnológicos tem-se telescópios terrestres com óptica adaptativa, que minimiza os erros causados por turbulências atmosféricas. Há também o telescópio espacial, que se encontra livre das turbulências atmosféricas. Destaca-se o Telescópio Espacial Hubble, que já está a 25 anos em funcionamento e trouxe muitas informações sobre o Universo. Figura 1. Espectro de radiação solar. Em amarelo a intensidade de radiação solar no topo da nossa atmosfera e em vermelho, ao nível do mar. ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO As várias faces da luz! ASTROFÍSICA

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24 AstroNova . N.06 . 2015 A importância da astronomia visível vai além de saber detalhes sobre corpos celestes. Desde o final do século XIX a luz das estrelas passou a ser analisada por espectrografia. A análise da luz dá informações importantes sobre a temperatura superficial das estrelas e sua constituição. Há também o lado sentimental da astronomia visível. Os grandes telescópios na Terra e no espaço, além de informações científicas, mostraram a beleza das paisagens astronômicas. Um exemplo são os Pilares da Criação, um berço de estrelas localizado na Constelação da Águia, a 7000 anos-luz da Terra (figura 2). Astronomia do não-visível Para entendermos este ramo da Astronomia vamos entender alguns conceitos fundamentais. As ondas eletromagnéticas são oscilações de campo elétrico e magnético. Elas transportam energia e possuem velocidade, frequência e comprimento de onda; relacionadas conforme a equação a seguir: c = » . f 8 - c = velocidade da luz (3.10 m/s) - » = comprimento de onda (m) - f = frequência de onda (Hz) O intervalo de todas as possíveis frequências e seus respectivos comprimentos de onda denomina-se espectro eletromagnético, que é dividido em faixas (figura 3). Figura 2. Pilares da criação. Berço de estrelas na nebulosa da Águia. Composição de 32 fotos tiradas pelo Telescópio Espacial Hubble em 1995. Figura 3. Espectro eletromagnético mostrando os comprimentos de onda. Existem dois erros na escala: -3 1000 m não é igual a 1 mm (e sim 10 m = 1 mm) e 10 nm não é igual a 1 µm (e sim 1000 nm = 1 µm). Percebe-se que a luz visível ocupa uma faixa muito pequena do espectro eletromagnético. Então, ao analisar apenas a luz visível de eventos e objetos astronômicos, deixa-se de lado muita informação que outras faixas podem fornecer. Vamos então conhecer cada uma dessas faixas e um pouco mais sobre a Astronomia que é feita em cada uma delas. Ondas de rádio (Radioastronomia): Possuem comprimento de onda da ordem de unidades

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25 AstroNova . N.06 . 2015 de metros a milhares de metros. São estas ondas que são utilizadas em rádio e televisão. A descoberta de que os astros emitiam ondas de rádio ocorreu ao acaso. Em 1930, Karl Jansky estava analisando a estática das transmissões de ondas curtas transatlânticas. Usando uma grande antena direcional notou que a cada 24 horas, aproximadamente, era registrado um sinal de rádio. Comparando com mapas astronômicos, concluiu que a fonte de radiação se direcionava para a constelação de Sagitário. O principal instrumento utilizado nestas observações é o radiotelescópio. E o maior arranjo é o VLA (Very Large Array), no Novo México, nos EUA. São usados vários radiotelescópios para que se possa usar a interferometria, técnica de sobreposição de várias ondas que resulta numa nova onda para explorar as diferenças das ondas de entrada. Esta técnica permite a obtenção de radiofotos (figura 4). Micro-ondas (Astronomia milimétrica) São ondas eletromagnéticas com comprimentos de onda da ordem de 1 milímetro a 1 metro. É a mesma onda que aquece os alimentos no forno e é usada em telefones sem fio, porém com diferentes intensidades. Para a captação das micro- ondas utilizam-se antenas como as de radioastronomia. Atualmente está em construção o ALMA Atacama Large Millimeter Array, no Chile. Dos já construídos destaca- se o Submillimeter Array (SMA) localizado em Mauna Kea, Havaí. A astronomia de Figura 4. Radiofoto dos restos da supernova Cassiopeia A, uma das mais brilhantes fontes de rádio do céu. Esta imagem foi obtida no VLA. Figura 5. Flutuações de temperatura na radiação de micro-ondas de fundo cósmico. Observações feitas pelo WMAP em 2002. Estas medidas auxiliam os cálculos da densidade e da idade do Universo. micro-ondas também pode ser feita com balões de alta altitude e com satélites, como o Observatório Espacial Herschel da Agência Espacial Européia e o WMAP (Wilkinson Microwave Anisotropy Probe) da NASA (figura 5). Infravermelho O comprimento de onda varia entre 1 µm a 1 mm. O infravermelho foi descoberto pelo astrônomo William Herschel em 1800 ao analisar um termômetro colocado abaixo do vermelho da luz decomposta por um prisma. Inicialmente foram denominados raios caloríficos. As observações em infravermelho são as melhores para se detectar regiões de poeira cósmica. Na astronomia observacional, esta faixa do espectro é dividida em infravermelho próximo, infravermelho médio e infravermelho distante.

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Muitos telescópios ópticos operam de forma efetiva no infravermelho, porém no infravermelho distante, podem ser utilizados os telescópios de micro-ondas. Em órbita não há alteração da imagem obtida para o infravermelho que se obteria devido às turbulências atmosféricas. Os telescópios em órbita atualmente são o Observatório Espacial Herschel, o Wide-field Infrared Survey Explorer e o Telescópio Espacial Spitzer (figura 6). Figura 6. Nebulosa Órion fotografada em infravermelho pelo Telescópio Espacial Spitzer em 2006. 26 AstroNova . N.06 . 2015 Ultravioleta O ultravioleta varia o comprimento de onda entre 10 nanometros a 400 nanometros. Esta faixa é dividida em ultravioleta próximo e ultravioleta distante e esta divisão é feita conforme a energia da onda. A astronomia de ultravioleta não é feita na superfície da Terra porque esta radiação é absorvida pela atmosfera. Os primeiros telescópios para esta faixa do espectro foram colocados em órbita em 1972 a 1974 pelos EUA (Orbiting Astronomical Observatory) e pela URSS (Orion 1 e Orion 2). Atualmente, além do Hubble e do Swift, que fazem secundariamente observações em ultravioleta, destaca-se o Extreme ultraviolet Imaging Telescope (EIT), que é um instrumento da sonda SOHO, desenvolvido em conjunto pela NASA e pela ESA (figura 7). Raios X Sim, os raios X utilizados para ver ossos e pulmões estão presentes no espaço também. E são ondas eletromagnéticas como a luz. No espectro, os raios X tem comprimento de onda entre 0,01 e 10 nanometros e são utilizados com diferentes energias para aplicações em medicina, cristalografia e segurança em aeroportos. Como a atmosfera absorve os raios X do espaço, os instrumentos de detecção ou são utilizados em altas altitudes (a bordo de balões, foguetes de sondagem) ou em satélites em órbita da Terra. As emissões de raios-x são encontradas em objetos que contenham temperatura extremamente alta, da ordem de milhões de Kelvin. Apesar de terem sido observados no espectro solar desde 1940, a descoberta da primeira fonte de raios-x em raios cósmicos em 1962 foi uma surpresa. Esta fonte foi denominada Scorpius X-1, na constelação de Escorpião, e sua intensidade em raios-x é Figura 7. Superfície solar fotografada pelo EIT-SOHO em maio de 1998. Composição de 3 imagens em diferentes comprimentos de onda em ultravioleta (17,1 nm; 19,5 nm e 28,4 nm).

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27 10.000 vezes maior que a sua intensidade luminosa. A energia emitida em raios-x por Scorpius X-1 é 100.000 vezes maior que toda a energia emitida pelo Sol integrado em todas as frequências! Dentre os satélites que observam em raios X, destaca-se o Chandra X-ray Observatory da NASA, que já está a 15 anos em órbita e continua ativo, fornecendo muitas informações sobre emissões cósmicas de raios X (figura 8). Raios gama Os raios gama são as ondas eletromagnéticas mais energéticas do espectro. As emissões de raios gama no universo são provenientes de aniquilação pósitron-elétron e em alguns casos de decaimento de elementos radioativos resultantes de eventos como supernovas ou hipernovas. Há também emissão de raios gama a partir de condições extremas da matéria como em pulsares, próximo a buracos negros e gases extremamente diluídos com temperaturas entre 10 a 100 milhões de Kelvins. A observação de raios gama só se tornou possível a partir dos anos 60 com as viagens espaciais. Sua observação é mais complicada que as observações em raios-x ou luz visível pois uma fonte necessita de muitos minutos de observação antes de ser efetivamente detectada e focalizada. Os telescópios de raios gama atualmente em funcionamento são: - Swift Gamma-ray Burst Mission (NASA) - Astro-Rivelatore Gamma a Immagini Leggero (AGILE) da Agência Espacial Italiana (ASI) e lançado em órbita pela Índia. - International Gamma-Ray Astrophysics Laboratory (INTEGRAL), missão de cooperação entre NASA, ESA e Agência Espacial Russa. - Fermi Gamma-Ray Space Telescope (FGST), antes denominado Gamma-ray Large Area Space Telescope (GLAST). O FGST foi lançado em 11/06/2008 por um foguete Delta II. Esta missão é conjunta entre NASA, Departamento de Energia dos EUA e as agências espaciais da França, Alemanha, Itália Japão e Suécia. Figura 8. Fotografia em raios-x dos restos da supernova Tycho, que explodiu em 1572 e foi observada por Tycho Brahe. A imagem mostra a bolha de gás extremamente quente (em verde e vermelho) envolvida por uma camada de elétrons que se movem em altíssima velocidade (em azul). AstroNova . N.06 . 2015

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28 Com ele foi detectado que sobre o núcleo da Via Láctea existem duas bolhas de emissão de raios X e gama perpendiculares ao plano da Galáxia e também o ciclo de raios gama do pulsar dos restos da supernova Vela (PSR J0835-4510). Há na internet uma sequência obtida a partir das fotos em raios gama obtidas deste pulsar, como um vídeo. Aqui reproduzimos apenas um dos frames (figura 9). E como se vê o invisível? Vimos que essas faixas de espectro são invisíveis aos nossos olhos. Como então podemos ver estas fotos com cores se a cor é resultado de uma onda eletromagnética na faixa da luz visível? Os telescópios que operam nas outras faixas do espectro eletromagnético possuem detectores que registram as intensidades da onda eletromagnética. Estas intensidades são armazenadas em memória e transmitidas via ondas de rádio (para satélites) ou via cabos (para radiotelescópios) para um sistema de computadores processará as informações e montará imagens nas quais, para cada faixa de intensidade será colocada uma escala de cores e luminosidade. Figura 9. Uma das fotos que constituem a sequência das emissões de raios gama do pulsar da Vela. Veja a animação no link: Podemos ouvir as captações do radiotelescópio? Até podemos, mas dá muito trabalho e isto não é nada interessante. Quando você liga seu rádio os sons são ouvidos porque o transmissor da estação de rádio altera as características das ondas de rádio de modo que as mesmas carregam uma informação sonora. Seu rádio recebe estas ondas e transforma estas modulações em sons audíveis. Radiotelescópios são projetados para produzir imagens de corpos celestes. Assim como um filme fotográfico, que registra diferentes intensidades de luz de diferentes partes de uma cena, o radiotelescópio registra diferentes intensidades de emissão de rádio provenientes de uma área do céu que se está observando. Após o processamento da informação, pode ser feita uma fotografia ou até um vídeo. Converter as informações de ondas de rádio em sons não é algo que possa trazer mais informações científicas. Se for realizada a conversão, o resultado seria um ruído de estática, parecido com o som que você tem entre as estações num receptor de rádio analógico. Bibliografia Fundamental Astronomy Hannu Karttunen Fifth Edition - Springer AstroNova . N.06 . 2015 en.wikipedia.org/wiki/Vela_Pulsar

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EPAST 2015

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Passagem da Estação Espacial Internacional 02/05/2015 Maranguape - CE Augusto César Araújo

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31 Wilson Guerra wilsonguerra@gmail.com Todos somos admiradores do Cosmos. Nestes anos envolvido com a astronomia amadora, e mais recentemente com o magistério, foi fácil notar como as pessoas têm interesse na "admiração informada" do céu. Aos astrônomos amadores em potencial, logo vem o interesse em adquirir o equipamento símbolo da área: um telescópio. Mas qual comprar? Por quais características procurar? Estas preocupações são legítimas, e passei por elas também. Esta matéria é um relato de minha experiência Sou Iniciante e Quero Comprar um Telescópio MAS QUAL? ASTRONOMIA AMADORAASTRONOMIA AMADORA pessoal para escolher o telescópio que tenho hoje, um modesto refletor com espelho primário de 114mm. É importante deixar claro que esta apenas a minha percepção da questão. Não desejo frustrar ninguém que por ventura venha a adquirir um equipamento baseado neste relato e acabe ficando insatisfeito com a escolha. Os objetivos e expectivas dos astrônomos amadores iniciantes são bastante variadas, e é difícil conciliar tudo isto. Entretanto acredito que este texto pode trazer mais luz do que confusão ao problema, pois é realmente muito desestimulante para um iniciante escolher um equipamento astronômico literalmente no escuro. O QUE É UM TELESCÓPIO? Um telescópio é um dispositivo ótico, ou seja, que manipula a luz. É construído essencialmente por lentes e/ou espelhos curvos, com o objetivo de ampliar a imagem do objeto no qual está apontado. Um telescópio composto apenas de lentes é chamado de Refrator, pois as lentes "refratam" a luz. Por razões históricas eles também são chamados de galileanos, já que foi um destes que Galileu utilizou para a

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32 AstroNova . N.06 . 2015 prática da astronomia, há meio milênio. Muitas vezes é denominado também apenas de luneta. A lente menor, por onde olhamos, é chamada "ocular". A lente maior, da outra extremidade e que aponta para o objeto celeste, é a "objetiva" (figura 1). Os telescópios refratores têm a vantagem de, se bem cuidados, terem vida útil muito longa. E têm a desvantagem de gerar o fenômeno da "aberração cromática", que pode falsear as cores dos objetos observados. Há lentes especiais que minimizam esse efeito indesejado. Mas são mais caras. Já um telescópio que tem como principal componente ótico um espelho curvo (esférico ou parabólico) é chamado de Refletor, pois os espelhos refletem a luz. Também por razões históricas este tipo de telescópio é chamado de newtoniano. Isso porque foi Sir Isaac Newton que o projetou e construiu pela primeira vez, no século XVII, e desde então seu design essencial continua o mesmo. No telescópio refletor há um grande espelho em uma das extremidades denominado "espelho principal" (figura 2). O telescópio refletor tem a vantagem de praticamente não possuir aberração cromática, já que espelhos não dispersam a luz. Uma desvantagem é que de tempos em tempos (de 5 a 8 anos) seu espelho pode precisar ser remetalizado. Existem outras formas de combinar espelhos e lentes para construir telescópios. Algumas são bem complexas e por isto não trataremos aqui, pois fogem do objetivo introdutório deste texto. QUAL A "POTÊNCIA" DO TELESCÓPIO? Esta pergunta, incorreta conceitualmente, é comum para todo iniciante. Para quem ainda não está familiarizado com estes equipamentos, o termo "potência" é erroneamente usado como sinônimo do FATOR DE AMPLIAÇÃO ou AUMENTO do telescópio. Ou seja, o quanto o equipamento aumenta uma imagem. Este é o parâmetro que mais chama a atenção de qualquer aspirante a astrônomo amador. A divisão do valor da distância focal (um Aparência comum de um telescópio refrator Aparência comum de um telescópio refletor LENTE OBJETIVA Foco Luz vinda do corpo celeste LENTE OCULAR Ótica básica de um telescópio refrator Ótica básica de um telescópio refletor ESPELHO SECUNDÁRIO LENTE OCULAR ESPELHO PRINCIPAL Figura 1 Figura 2 Luz vinda do corpo celeste

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33 AstroNova . N.06 . 2015 parâmetro ótico) da objetiva ou espelho primário pela distância focal da ocular permite determinar AUMENTO TEÓRICO do telescópio (veja figura 3). Em tese é possível ter telescópios com qualquer ampliação que se deseja. Mas na prática há limitações. A qualidade das imagens formadas depende abertura do telescópio (o diâmetro da lente objetiva ou do espelho primário). Quando menor sua abertura, menos luz o telescópio capta e a imagem fica mal definida. A abertura determina portanto o AUMENTO REAL MÁXIMO do telescópio (figura 4). É por esta razão que devemos ter cuidado com telescópios baratos que normalmente estão a venda em shoppings e óticas. São de pequena abertura mas apresentam fator de ampliação teórico muito grande. Assim, a imagem que eles produzem são belas ampliações de... borrões. Bastante decepcionante, sobretudo para as crianças. Assim o principal fator que vai determinar a qualidade da imagem do telescópio é sua abertura. Em outras palavras, o diâmetro da lente objetiva (refratores) ou do espelho principal (refletores). MONTAGEM O termo montagem se refere a como o telescópio será acomodado no seu apoio (um tripé por exemplo) e como pode se movimentar nele. Há basicamente dois tipos de montagem: a azimutal e a equatorial. A montagem azimultal tem a vantagem de ser bem simples e fácil de manusear. Nela o telescópio pode girar horizontalmente 360 graus e pode ser "apontado" para o alto (o azimute) até 90 graus. Desta forma ele cobre toda o céu (figura 5). A desvantagem desta montagem está no acompanhamento do movimento da esfera celeste. Com a rotação da Terra em questão de um minuto ou até menos o astro observado sai do campo de visão do telescópio, que precisa ser reposicionado. Exceto se vivêssemos nos pólos geográficos, o acompanhamento deve ser feito nos dois movimentos: no horizontal e na altura. Manualmente isso exige certo treino, além de tornar seu telescópio incompatível com sistemas que possam automatizar o acompanhamento ao astro. Já a montagem equatorial pode ser trabalhosa no começo. Nela, o mecanismo que conecta o tubo do Figura 3 Figura 4 Determinação do fator de ampliação teórico de um telescópio F = distância focal da objetiva f = distância focal da ocular A = 2.D D = diâmetro da Abertura (mm) Determinação do aumento real máximo: duas vezes a abertura medida em milímetros X = F f

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34 telescópio com o tripé precisa estar alinhado com o pólo celeste. Para nós, que vivemos no hemisfério Sul, basta orientar o eixo do mecanismo na direção sul. Deve-se também configurar a inclinação do eixo na latitude do lugar, por exemplo, da cidade onde você faz a observação (veja figura 6). É importante também que o tripé do telescópio esteja sobre uma superfície horizontal. A grande vantagem desta montagem é que, uma vez configurada, o acompanhamento manual do movimento do astro se torna bem simples e pode ser feito girando só uma manopla. Isso permite também a automatização do seu telescópio com um motor. Nesta configuração que o telescópio fica apto para fazer astrofotografias, já que o acompanhamento com um motor permite obter fotos de longa exposição. EXEMPLO Para ilustrar o que vimos até agora, vamos usar meu telescópio como exemplo. Adquiri um newtoniano de 114mm de espelho principal. Portanto seu aumento real máximo é algo em torno do dobro deste valor: 228 vezes. A distância focal do espelho principal é de 1000mm. Ele veio com duas oculares: uma de 20mm e outra de 10mm. Com a de 20mm, o aumento teórico fica em 1000/20=50 vezes. Que está dentro do limite do aumento máximo, portanto garante qualidade de imagem. Com a ocular de 10mm o aumento teórico vai para 100 vezes (1000/10=100). Também está dentro do aumento real máximo. Se eu adquirir uma lente ocular de distância focal 4mm, o fator de ampliação teórico subiria para 250 vezes (1000/4=250). Isso ficaria acima do aumento real máximo e portanto já não teríamos Ploestó clee ângulo da latitude Esquema básico da montagem equatorial Exemplo de um mecanismo de montagem equatorial Esquema básico da montagem azimutalExemplo de uma montagem azimutal Figura 5 Figura 6 Com apenas uma manopla se acompanha o astro AstroNova . N.06 . 2015

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Figura 7 Planeta Saturno, com ocular de 10mm Figura 8: planeta Júpiter, com ocular de 10mm 35 AstroNova . N.06 . 2015 uma imagem com qualidade. As figuras 7, 8, 9 e 10 reúnem algumas fotos feitas com este telescópio. Com esta configuração, este telescópio permite observações muito boas da Lua (com direito a "closes") e rasoavelmente boas dos planetas Júpiter e Saturno, incluindo faixas da alta atmosfera de Júpiter e a sombra dos anéis sobre Saturno. UM VALIOSO CONSELHO O prof. Newton Cesar, do grupo de astronomia de Londrina-PR, costuma dar um conselho imporante ao iniciante: participar de observações com grupos de astronomia amadora. Lá pode-se trocar idéias com gente experiente e, principalmente, observar o céu com os equipamentos que o pessoal disponibiliza para a observação. Assim o futuro astrônomo amador pode conhecer os equipamento na prática. Desta forma sua escolha por um telescópio parte da experiência concreta, que é a melhor orientadora para se descobrir o que se quer, sem criar falsas expectativas e tendo o pé no chão. Mas com os olhos nas estrelas! Referências: Manual do Astrônomo - MOURÃO, Ronaldo R. F. - 2000 Figura 9 Lua, com ocular de 20mm Figura 10 Lua, em um "close-up" com ocular de 10mm

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GEAHK GRUPO DE ESTUDOS ASTRONÔMICOS DO COLÉGIO HELENA KOLODY Observação Astronômica Amadora, Educação Científica em Astronomia, Astrofísica, Astronáutica e Astrobiologia. SARANDI - PARANÁ GRUPO DE ESTUDOS ASTRONÔMICOS DO COLÉGIO HELENA KOLODY SARANDI - PARANÁ HK www.facebook.com/GEAHKastro O estudo do Universo é uma viagem de autoconhecimento  CARL SAGAN

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O sonho de voar é parte da nossa natureza, buscamos dominar os ares desde o início dos tempos. Crescemos fascinados com os pássaros e sua liberdade, e inventamos os mais variados artifícios para suprir esse desejo. Ninguém sabe, exatamente, quando o homem teve pela primeira vez o desejo de voar. Sabemos que é uma ambição muito antiga. A mitologia, a arte e a literatura de todas as épocas e culturas estão repletas de imagens de homens-pássaros e do anseio humano de alcançar os céus Nossos sonhos, são nosso maior tesouro, sonhos que podem e nos levar a conquistas maiores como conquistar o espaço. Algumas pessoas não sabem o porquê se gastam bilhões no estudo do espaço. Alegam que é um dinheiro mal investido e que temos muita coisa para resolver em terra e que esse dinheiro teria uma melhor serventia, caso fosse destinado a sanar a fome na África. Quais os benefícios reais de se estudar o espaço? Estudar o espaço é mais do que mera curiosidade. Significa responder questões em aberto que podem mudar o rumo da nossa civilização, como fontes de energia ou até mesmo a prevenção contra colisões de asteroides, que não seria um estrago apenas na África, mas para o mundo inteiro. Conhecer o espaço é conhecer a nós mesmos e para isso a Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), organizou até 2004 a Olimpíada Brasileira de Astronomia e, a partir de 2005, juntamente com a Agência Espacial Brasileira (AEB) passam a organizar juntas a Olimpíada Brasileira de Astronomia e de Astronáutica, cuja sigla continuará sendo OBA. A Olimpíada é executada por uma comissão de Astrônomos profissionais pertencentes à Sociedade Astronômica Brasileira e por Engenheiros da Agência Espacial Brasileira. Podem participar da OBA estudantes que estejam em qualquer ano do ensino fundamental ou médio matriculados em escolas públicas e particulares. As instituições de ensino que EDUCAÇÃO CIENTÍFICAEDUCAÇÃO CIENTÍFICA 37

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não participaram de edições anteriores podem se inscrever pelo site da olimpíada, ou por meio das fichas de cadastros enviadas a todas as escolas. O prazo vai de março até maio e as provas acontecem em fase única nas próprias escolas.A olimpíada é dividida em quatro níveis. Os três primeiros são para alunos do fundamental, e o quarto, para o ensino médio. As medalhas serão distribuídas conforme a pontuação obtida na prova, separadas pelos respectivos níveis. O exame é constituído de dez perguntas sete de astronomia e três de astronáutica. A maioria das questões é de raciocínio lógico. De acordo com o astrônomo João Batista Garcia Canalle, coordenador nacional da OBA, o objetivo da olimpíada é levar a maior quantidade de informações sobre ciências espaciais para a sala de aula, além de despertar o interesse nos jovens por essas disciplinas. Canalle ressalta que a iniciativa não tem intenção de criar rivalidade entre escolas ou promover competição entre cidades ou estados: Queremos promover a disseminação dos conhecimentos básicos de forma lúdica e cooperativa entre professores e alunos, além de mantê-los atualizados . A Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), que, há 17 anos, vem instigando o interesse dos jovens pela astronomia e ciências afins, mostra resultados cada vez mais expressivos. Esse ano de 2014, foram distribuídas quase 43 mil medalhas, um aumento de 26% em relação à edição anterior. Foram 10.412 de ouro, 14.451 de prata e 17.693 de bronze. Ao todo, participaram 772.257 estudantes dos ensinos fundamental e médio de quase 9 mil escolas públicas e particulares de todos os estados do país. A OBA contou com o auxílio de mais de 62 mil professores. Em paralelo à OBA, foi realizada a 8ª edição da Mostra Brasileira de Foguetes (MOBFOG), que recebeu projetos de aproximadamente 62 mil alunos de escolas públicas e particulares, quase 10 mil a mais do que em 2013. Foram entregues cerca de 5 mil medalhas e os 500 estudantes do ensino médio que lançaram o mais longe possível os seus foguetes terão a oportunidade de participar da Jornada de Foguetes no final de outubro. O evento oferecerá palestras com astrônomos, além de troféus e bolsas de iniciação científica Júnior, distribuídas pelo CNPq. Outros estudantes também poderão mostrar os seus trabalhos nas Jornadas Espaciais, eventos organizados pela Agência Espacial Brasileira. As programações contam com oficinas sobre ciências Aluna participando da Jornada de Foguetes 38 AstroNova . N.06 . 2015

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espaciais e visitação a instituições de grande relevância nas ciências aeroespaciais. Para o Dr. João Batista Garcia Canalle, astrônomo e coordenador da OBA, o sucesso da olimpíada se deve à continuidade das ações promovidas, como a doação anual de livros, galileoscópios, revistas Ciência Hoje  e planisférios, e a aquisição de novas ferramentas de ensino. Para ajudar na ampliação do conhecimento científico dos jovens, especialmente no que tange à astronomia, adquirimos um planetário digital para ser utilizado em todos os nossos eventos , revela. Canalle ainda ressaltou a importância dos Encontros Regionais de Ensino de Astronomia (EREAs). Eles vêm sendo utilizados para compartilhar práticas pedagógicas voltadas ao ensino da disciplina, além de divulgar a relevância dessa ciência em âmbito regional . Todas as escolas participantes têm à disposição sugestões de atividades práticas para serem desenvolvidas em sala de aula. No site da olimpíada, é possível ler observações astronômicas e instruções simples de como construir os relógios de Sol e Estelar, o planisfério celeste rotativo, montagem e lançamento de foguetes feitos de garrafas pet. Os estudantes com melhor classificação, neste ano, vão integrar as equipes para representar o país nas olimpíadas Internacional de Astronomia e Astrofísica e Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica Os participantes da edição vão concorrer também a vagas nas jornadas espaciais em Sâo José dos Campos, em Natal RN , e no Space Camp.Os alunos recebem, nesses encontros, material didático e assistem a palestras de especialistas. Nas Jornadas espaciais , além de material didático, os vencedores recebem um troféu em formato do foguete brasileiro Sonda III. A iniciativa é da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) e conta com o apoio da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), da Agência Espacial Brasileira (AEB), da Fundação Marcos Pontes, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Para saber mais sobre a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica visite: Sobre os Encontros Regionais de Ensino de Astronomia: Larissa Fernandes de Aquino, uma das alunas vencedora da OBA 2013 39 AstroNova . N.06 . 2015 www.erea.ufscar.br www.oba.org.br

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Lua Crescente 03/09/2014 Maranguape - CE Augusto César Araújo

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41 ASTRONÁUTICA Wilson Guerra [email protected] Manter uma espaçonave ou um satélite de comunicação em órbita não é uma tarefa trivial quanto dirigir um carro na faixa correta da rodovia ou pilotar um avião na trajetória programada. Lá fora o cotidiano não permite muitas opções caso algo não dê exatamente como o planejado. Não dá prá pisar o pé no freio e engatar a ré. Assim, colocar um artefato espacial em órbita ou enviar uma sonda para outro planeta requer todo um planejamento prévio envolvendo uma série de parâmetros cinemáticos e dinâmicos que se desejam ter. Tudo regido pela força predominante no universo, Mecânica OrbitalMecânica Orbital de escala astronômica: a força da gravidade. Estudar o movimento das espaçonaves em órbita é uma intersecção da Física e da Astronomia denominada Mecânica Orbital. O objetivo aqui é aprendermos um pouco das noções básica deste estudo. ENTRANDO EM ÓRBITA O que mantém um objeto (espaçonave, planeta, Lua, etc) em órbita é o seu peso. Isso parece contraditório, NOÇÕES BÁSICAS DENOÇÕES BÁSICAS DE mas não é difícil entender quando imaginamos o lançamento de balas de um canhão. Considere um canhão no topo de uma montanha bem alta, de altura h (figura 1). Se a bala é simplesmente solta, sem disparo, ela cai ao solo em linha reta, devido a ação da força gravitacional, ou seja, de seu peso. Se a bala é lançada com uma pequena velocidade, seu movimento de queda descreve uma trajetória curva, também resultado da ação do peso. Mandando tudo para o espaçoMandando tudo para o espaço h v ov 1v 2 v 3 v 4 v=0 m/s o << < < hFigura 1 Figura 2

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