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Acervo textual da Revista AstroNova

Edição 12 — páginas 1 a 20

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Assuntos identificados: terra, marte, sistema, solar, estrela, planeta, planetas, maior, exoplaneta, exoplanetas.

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REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS Tour pelo Sistema Solar O espaço interplanetário Tour pelo Sistema Solar O espaço interplanetário Água em Marte A aventura está só começando Água em Marte A aventura está só começando Tour pelo Sistema Solar O espaço interplanetário Tour pelo Sistema Solar O espaço interplanetário Ano 03 - Nº 12 - Dezembro/2016 Super Lua Quando a Lua Cheia fica ainda mais cheia! Super Lua Quando a Lua Cheia fica ainda mais cheia! Super Lua Quando a Lua Cheia fica ainda mais cheia! Super Lua Quando a Lua Cheia fica ainda mais cheia! Água em Marte A aventura está só começando Água em Marte A aventura está só começando VULCANISMO NO SISTEMA SOLAR ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL TIANGONG-2 Exoplanetas Habitáveis O palco para a Vida no Universo Exoplanetas Habitáveis O palco para a Vida no Universo Exoplanetas Habitáveis O palco para a Vida no Universo Exoplanetas Habitáveis O palco para a Vida no Universo

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O ano de 2016 está terminando, e com ela o 4o trimestre deste ano de nossa revista. Como esperado, muito ocorreu neste período. Um planeta extrassolar em uma estrela vizinha foi detectado. E não é só isso, o planeta parece estar na zona habitável de sua estrela, uma "mina de ouro" para os astrobiólogos. Trata-se de Proxima b, a apenas 4,2 anos-luz de distância. Muito deste interessante lugar será nos revelado em breve pela Ciência. Embarcando nessa notícia, escrevo para esta edição da AstroNova sobre os exoplanetas habitáveis, o que eles significam e quais são os mais interessantes detectados até agora. De início, porém, seguimos nosso Tour pelo Sistema Solar, tratando dessa vez do espaço interplanetário. Que ao contrário do que pensamos não é tão vazio assim e contém muito da história de nosso Sistema Solar e, portanto, de nossa própria origem. Rafael Cândido, nosso colaborador de São Paulo, traz uma interessante matéria sobre o vulcanismo nos vários planetas do Sistema Solar. Vulcão e atividade interna não é exclusividade da Terra. E veremos que fora dela, em outros planetas e luas de nosso "quintal solar", há inúmeros e exóticos sistêmas vulcânicos em plena atividade. Rafael também aproveita a carona da Super Lua ocorrida em novembro e traz informações esclarecedoras sobre esse fenõmeno que todo o ano nos chama a atenção. Yara Laiz Souza viaja, metaforicamente claro, para o planeta vermelho em busca de água. Marte é a menina dos olhos dos astrobiólogos atuais por vários motivos: está à nossa porta e apresenta sinais de que há água e já houve muito mais no seu passado geológico. O ano está teminando, mas a tradição das páginas inicais da revista continua: nossa relação de alguns lançamentos espacias e das principais atividades da Estação Espacial Internacional vem desta vez com um "extra": um resumo das atividades na Tiangong-2, o segundo laboratório espacial da China que permaneceu ocupado por praticamente 1 mês. Neste período dois taikonautas desenvolveram trabalhos científicos importantes, evidenciando mais uma vez o domínio chinês na astronáutica. Desejamos um bom final de ano, um feliz 2017 e uma merecida boa leitura a todos! Wilson Guerra GCAA AstroNova . N.12 . 2016 Editores: Maico A. Zorzan maicozorzan@outlook.com Wilson Guerra wilsonguerra@gmail.com Redatores: Rafael Junior eletrorafa@gmail.com Wilson Guerra wilsonguerra@gmail.com Yara Laiz Souza mandesuapautaprayara@gmail.com Arte e Diagramação: Wilson Guerra wilsonguerra@gmail.com Astrofotos: Diego Planche Patrícia Pinnow EXPEDIENTE EDITORIAL Capa: concepção artística de um exoplaneta habitável em órbita de uma estrela anã laranja. Wilson Guerra GCAA Wilson Guerra GCAA

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SUMÁRIO Tour pelo Sistema Solar O espaço interplanetário 08 19 27 33 EXOPLANETAS HABITÁVEIS O palco para a Vida no Universo SUPERLUA Entendendo como a Lua Cheia fica "mais cheia"! ÁGUA EM MARTE A aventura está só começando Ano 3 | Edição nº 12 | 2016 11 VULCANISMO no Sistema Solar

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Principais Lançamentos do TrimestrePrincipais Lançamentos do Trimestre ASTRONÁUTICA Foguete: Longa Marcha 2D Carga: TanSat, satélite de observação da distriuição de CO 2 Local: Base de Jiuquan Data: 19/12/2016 CHINACHINA Foguete: Falcon 9 Carga: Dragon, com mantimentos e equipamentos para a ISS Local: Centro Espacial Kennedy Data: 22/01/2017 ESTADOS UNIDOS ESTADOS UNIDOS ÍNDIAÍNDIA Foguete: GSLV (ISRO) Carga: Resourcesat 2A, satélite de observação da Terra Local: Base de Sriharikota Data: 06-07/12/2016 Foguete: SOYUZ (Roscosmos) Carga: Kanopus-V-IK, satélite de obs. da Terra em infravermelho Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 28/01/2017 Foguete: PROTON (Roscosmos) Carga: EchoStar 21, satélite de comunicação Local: Cosmódromo de Pleletsk Data: 22/12/2016 RÚSSIARÚSSIA Foguete: Pegasus XL Carga: Cyclone Global Navigation Satellite System/estudo de ciclones tropicais Local: Base do Cabo Canaveral Data: 12/12/2016 Foguete: VSB-30 (AEB) Carga: Op. Rio Verde, 8 experimentos em vôo suborbital Local: Centro de Lançamentos de Alcântara Data: 29/11/2016 BRASILBRASIL Foguete: ARIANE 5 (ESA/CNES) Carga: Star One D1 / JCSAT 15 satélites de comunicação Local: Base de Kourou Data: 20/12/2016 EUROPAEUROPA Foguete: Longa Marcha 3B Carga: Fengyun 4A, satélite climático geoestacionário Local: base de Wenchang Data: 11/12/2016

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Principais atividades - agosto a novembro/2016Principais atividades - agosto a novembro/2016 Próxima Expedição - Soyuz MS-04 (27/03/2017)Próxima Expedição - Soyuz MS-04 (27/03/2017)Tripulação atual Tripulação atual Estação Espacial Internacional (ISS)Estação Espacial Internacional (ISS) ASTRONÁUTICA Nave cargueira Cygnus é acoplada com sucesso, entregando mantimentos e equipamentos para a Estação. Nave cargueira Cygnus é acoplada com sucesso, entregando mantimentos e equipamentos para a Estação. O francês Thomas Pesquet (ESA) manipula o Minus Eighty Laboratory Freezer onde mantém amostras de sangue para pesquisas da medula. O francês Thomas Pesquet (ESA) manipula o Minus Eighty Laboratory Freezer onde mantém amostras de sangue para pesquisas da medula. Dispositivo instalado na Estação estuda materiais avançados que poderiam impedir bactérias de se desenvolver no laboratório, visando a boa saúde da tripulação. Dispositivo instalado na Estação estuda materiais avançados que poderiam impedir bactérias de se desenvolver no laboratório, visando a boa saúde da tripulação. Astronautas "jardineiros" realizam sua "colheita" no experimento VEGGIE Astronautas "jardineiros" realizam sua "colheita" no experimento VEGGIE

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Estação Espacial Tiangong-2 (China)Estação Espacial Tiangong-2 (China) ASTRONÁUTICA Tiangong significa "palácio celeste". Esta é a segunda estação espacial experimental da China. Tiangong significa "palácio celeste". Esta é a segunda estação espacial experimental da China. Taikonautas Jin Haipeng e Chen Dong a bordo da estação Tiangong-2, para missão técnico-científica de 30 dias de duração. Nave Shenzhou-11 (módulo superior) acoplada à estação Tiangong-2. A imagem foi feita por um "cubsat" (abaixo) que partiu da estação. Módulo de retorno da nave Shenzhou-11 retorna à Terra com os taikonautas.

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Arcturus Clube de Astronomia do ABC Arcturus Clube de Astronomia do ABC Arcturus Clube de Astronomia do ABC Arcturus Clube de Astronomia do ABC www.facebook.com/arcturus.acaabcwww.facebook.com/arcturus.acaabc

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O Espaço INTERPLANETÁRIO Da Nasa Daqui do nosso pequeno mundo, nós temos contemplado o oceano cósmico por milhares de anos. Os antigos astrônomos observaram pontos de luz que pareciam mover-se entre as estrelas e os chamaram de planetas (peregrinos). Deram a esses objetos nomes de deuses romanos: Júpiter, rei dos deuses; Marte, o deus da guerra; Mercúrio, o mensageiro dos deuses; Vênus, a deusa do amor e da beleza; e Saturno, pai de Júpiter e deus da agricultura. Os astrônomos também observaram cometas com caudas cintilantes e meteoros -ou estrelas cadentes- aparentemente caindo do céu. Desde a invenção do telescópio, mais três outros planetas foram descobertos no nosso sistema solar: Urano (1781), Netuno (1846) e Plutão (1930). Além disso, 0508 milhares de pequenos corpos, como asteróides e cometas. A maioria dos asteróides orbita uma região entre as órbitas de Marte e Júpiter, enquanto a casa dos cometas fica para lá da órbita de Plutão, na Nuvem Oort. Os quatro planetas mais próximos do Sol -Mercúrio, Vênus, Terra e Marte- são chamados planetas terrestres porque têm superfícies sólidas rochosas. Os quatro maiores planetas além da órbita de Marte - Júpiter, Saturno, Urano e Netuno- são chamados gigantes gasosos. Minúsculo e distante, Plutão tem uma superfície sólida, mas mais gelada do que os planetas terrestres. Quase todos os planetas - e algumas das luas - têm uma atmosfera. A atmosfera da Terra é composta principalmente de nitrogênio e oxigênio. Vênus tem uma atmosfera espessa de dióxido de carbono, com traços de gases venenosos, como o dióxido de enxofre. A atmosfera de dióxido de carbono de Marte é extremamente fina. Júpiter, Saturno, Urano e Netuno têm principalmente hidrogênio e hélio. Quando Plutão está próximo do Sol, ele tem uma atmosfera finíssima, mas quando o planeta viaja para as regiões mais extremas de sua órbita, sua atmosfera congela e desmorona em sua superfície. Desse jeito, assim, com a atmosfera congelada, Plutão age quase como um cometa. Nosso Sistema Solar tem mais de 130 satélites naturais (também chamados de luas), variando de corpos maiores que a nossa Lua a pequenos pedaços de fragmentos de rochas. Muitas dessas luas foram descobertas por sondas planetárias. Algumas delas têm atmosfera (Titã, de Um Tour pelo Sistema Solar SISTEMA SOLAR Um Tour pelo Sistema Solar

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Saturno, por exemplo); outras, até campos magnéticos (Ganimede, de Júpiter). Io, uma das luas de Júpiter, é o corpo celeste com maior atividade vulcânica do sistema solar. Um oceano pode estar adormecido debaixo da crosta de gelada da lua Europa, de Júpiter, enquanto imagens de Ganimede mostram um movimento histórico das placas geladas da crosta. Algumas das luas planetários podem, na realidade, ser asteróides que foram capturados pela gravidade do planeta. Os asteróides capturados atualmente tomados como luas podem incluir Fobos e Deimos, de Marte, vários satélites de Júpiter, Febe, de Saturno, muitos dos novos satélites de Urano, e possivelmente Nereida, de Netuno. De 1610 a 1977, pensou-se que Saturno fosse o único planeta com anéis. Agora sabemos que Júpiter, Urano e Netuno também têm sistemas de anéis, embora o de Saturno seja o maior. As partículas nesses sistemas de anéis variam em tamanho -da poeira a pedregulhos do tamanho de uma casa-, e podem ser de pedra ou de gelo. A maioria dos planetas também tem campos magnéticos que se distendem no espaço e formam uma magnetosfera em torno do planeta. Essas magnetosferas rotacionam com o planeta, levando partículas eletricamente carregadas com elas. O Sol tem um campo magnético, a heliosfera, que envolve todo o sistema solar. Os antigos astrônomos acreditavam que a Terra era o centro do Universo, e que o Sol e todas as outras estrelas giravam em torno da Terra. Copérnico provou que a Terra e os outros planetas do sistema solar orbitavam o Sol. Pouco a pouco, o Universo está sendo mapeado, e uma pergunta óbvia surge: Há vida em outros planetas? Apenas recentemente os astrônomos obtiveram ferramentas que detectassem grandes planetas em torno de outras estrelas em sistema solares vizinhos. Há, portanto, muito ainda a ser descoberto antes que essa questão seja respondida. Missões exploratórias As agências espaciais americana e européia enviaram até agora duas missões exploratórias do Sistema Solar. A primeira, ISEE-3, foi lançada em dezembro de 78 e está a caminho da Terra. A segunda, Gênesis, começou a cumprir sua missão de coletar partículas de ventos solar. ISEE-3/ICE International Sun-Earth Explorer 3 foi parte de uma trio de astronaves enviadas para estudar o espaço interplanetário. Ela foi a primeira sonda a orbitar o ponto de oscilação de um corpo celeste e também a primeira a detectar ventos solares se aproximando da Terra. Essa missão foi mais tarde renomeada para International Cometary Explorer e enviada para estudar os cometas Giacbini- Zinner e Harley. Quando contactada da última vez, a sonda estava numa trajetória que a traria para a Terra. Gênesis Lançada em agosto de 2001, a Gênesis está coletando para trazer à Terra cerca de 10 a 20 microgramas - equivalentes a poucos grãos de sal- de vento solar, uma corrente invisível de partículas eletricamente carregadas que fluem do nosso Sol. As amostras podem ajudar a solucionar mistérios da origem do nosso sistema solar permitir uma melhor compreensão sobre a composição do Sol. Desde novembro de 2001, a Gênesis vem coletando as minúsculas partículas a uma distância de 1,5 milhão de quilômetros da Terra -um ponto em que as gravidades da Terra e do Sol estão equilibradas. A zona é chamada de ponto Lagrange 1. A Gênesis deve voltar para a Terra com as amostras. www.nasa.gov Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves 09 AstroNova . N.12 . 2016

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Pôr-do-Sol Patricia Juliana Pinnow 02/11/2016 Comunidade da Linha Tiradentes, São Jorge d'Oeste - PR

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Rafael Cândido Jr. eletrorafa@gmail.com Neste artigo vamos descobrir que não é apenas a Terra que apresenta o fenômeno de vulcanismo. Ele existe ou já existiu de diferentes formas em outros mundos do Sistema Solar. Vulcanismo, ação de mudança na Terra Vulcões são conhecidos desde as mais antigas eras. Alguns, durante a História, jamais apresentaram uma erupção, outros mantém uma erupção contínua, como os vulcões do Havaí; e outros foram responsáveis por grandes catástrofes, como as erupções do Vesúvio, Nevado del Ruiz e Krakatoa. CIÊNCIAS PLANETÁRIAS 11 O que define que um vulcão esteja ativo ou não é se durante a História alguma atividade como erupção de lava, cinzas ou gás já tenho sido registrada. Caso contrário o vulcão é denominado extinto. Define-se vulcanismo como o extravasamento de magma em forma de lava vulcânica, gases e cinzas na superfície da Terra. A princípio, lava e magma podem parecer a mesma coisa; porém se define geologicamente que magma é a rocha fundida abaixo da superfície da Terra na qual tem dissolvidos gases a alta pressão. Ao ser expelido, o magma torna-se lava, pois a diferença de pressão com a atmosfera libera gases e cinzas, também denominados fluxos piroclásticos. Na Terra, os vulcões localizam-se ao longo das divisões entre placas tectônicas. (Figura 1). Percebe-se que existem vulcões inclusive no leito do solo oceânico, e muitos deles encontram-se em atividade neste momento. Na Terra, os vulcões são responsáveis por mudanças na topografia e alterações no clima devido à emissão de cinzas e gases na atmosfera. (Figura 2). Atividade vulcânica no Sistema Solar NO SISTEMA SOLAR VULCANISMO Concepção artística do Monte Olimpo - Marte (www.pinterest.com)NO SISTEMA SOLAR VULCANISMO

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Na Terra as atividades sísmicas e vulcânicas são resultantes de um núcleo e manto quentes. No Sistema Solar, estas atividades estão presentes nas luas de planetas gigantes. Isto ocorre porque a influência gravitacional destes planetas em seus satélites é tão enorme que causa o chamado efeito de maré no núcleo deles. O efeito de maré atua como um puxão no núcleo dos satélites. Dada a diferença de massa entre o planeta e o satélite, esse puxão é forte o suficiente para tornar o núcleo líquido e assim causar atividade geológica. Fora da Terra, o primeiro registro foi realizado pela sonda Voyager 1 ao passar pelo sistema de Júpiter em 09/03/1979. (Figura 3) A análise desta primeira imagem ficou a cargo da astrônoma Linda Morabito, que na época fazia parte da equipe da Voyager. Hoje ela é reconhecida como a primeira pessoa a ter reconhecido uma erupção vulcânica fora da Terra. (Figura 4) Um mundo com cheiro de ovo podre Io é um dos quatro maiores satélites de Júpiter e é o que apresenta maior atividade vulcânica. Na sua superfície existem centenas de condutos vulcânicos, ou seja, os vulcões não são sempre montanhas com uma AstroNova . N.12 . 2016 12 Figura 1. Localização de vulcões ao redor da Terra. Figura 2. Erupção do vulcão Pinatubo, Filipinas em junho/1991. Causou queda na temperatura média mundial por 3 anos. Figura 3. Erupções vulcânicas em Io registradas pela Voyager 1.

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13 cratera, há algo equivalente a poços que jorram lava o tempo todo. (Figura 5) Quase toda lava dos vulcões de Io é composta de basalto e contém muito enxofre e dióxido de enxofre. Inclusive cientistas brincam dizendo que se Io tem um cheiro, é o cheiro de ovo podre, dada a presença de compostos de enxofre em sua superfície. A temperatura das erupções é em média 1300°C. A nomenclatura internacional definiu que os vulcões em Io recebam nomes de deuses e deusas do fogo, solares, raios, trovões e de vulcões (Astronova nº 07 agosto/2015). Assim, existem dois vulcões em Io que receberam nomes dos deuses tupi-guarani do trovão e da chuva de fogo, respectivamente, Tupã e Monã. (Figura 6) Estes nomes foram dados pela astrônoma brasileira Rosaly Lopes-Gautier (Figura 7) que entre 1996 e 2001 trabalhou na equipe da sonda Galileo e identificou 1313 AstroNova . N.12 . 2016 Figura 4. Linda Morabito atualmente é instrutora de Radioastronomia. Figura 7. Rosaly Lopes-Gautier, astrônoma brasileira. Ganhadora da Medalha Carl Sagan de 2005. Figura 5. Mapa de Io. Os pontos escuros são os condutos vulcânicos de maior diâmetro. Figura 6. Depressão vulcânica Tupan Patera. Foto tirada pela sonda Galileo em outubro de 2001.

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AstroNova . N.12 . 2016 14 71 vulcões ativos na superfície de Io. Os vulcões frios dos mundos congelados Na Terra e em Io, os vulcões expelem magma com temperaturas acima de 1000°C. Em alguns satélites dos gigantes gasosos ocorrem vulcões que expelem substâncias como água, amônia, metano ou nitrogênio em estado líquido. Estes vulcões recebem o nome de criovulcão, a raiz crio significa frio em grego e foram observados a primeira vez em Tritão, satélite de Netuno, durante a passagem da sonda Voyager 2 em 1989. Evidências indiretas de criovulcanismo foram observadas em Europa, Ganimedes, Titã e Miranda. Em Europa possivelmente os criovulcões estão imersos no oceano subterrâneo abaixo da crosta de gelo que cobre a superfície. Em Titã, a nave Cassini registrou uma topografia vulcânica, nos quais se destaca o criovulcão Sotra Patera (Figura 8). Inclusive, uma das hipóteses que explicam a presença de metano na atmosfera de Titã é que este é continuamente alimentado pelos criovulcões (Astronova nº 11 setembro/2016). Em Encélado, a missão Cassini registrou a atividade de um criovulcão através de uma pluma de ejeção. Inclusive, são estas ejeções que fornecem o material que constitui o anel E de Saturno. Quando sobrevoou Tritão em 1989, a Voyager 2 registrou raias escuras no pólo sul. Estas raias são depósitos de poeira deixados por erupções de nitrogênio líquido. (Figura 10) Os mundos geologicamente mortos Existem mundos no Sistema Solar nos quais o vulcanismo já existiu e hoje encontra-se totalmente extinto. A Lua, por exemplo, já teve seu período de grande atividade vulcânica entre 3,8 e 3,2 bilhões de anos atrás. Os derrames de lava esfriaram formando os mares lunares. (Figura 11) Outro exemplo de Figura 8. Reconstrução computacional em 3D do criovulcão Sotra Patera. Figura 9. Ejeção de vapor de água em Encélado registrada pela Cassini em 2005. Figura 10. Manchas escuras de poeira resultantes de erupções em Tritão.

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13 Lara Susan 3 premiações no concurso de Astrofotografia do 11º EPAST 15 AstroNova . N.12 . 2016 vulcanismo extinto ocorre em Marte. Lá encontra-se o maior vulcão do Sistema Solar: Olympus Mons (Monte Olimpo, a morada dos deuses gregos). Seu tamanho é tão extenso que além da impressionante altura de 26.400 m, o diâmetro de sua base é de 600 km!! (Figuras 12 e 13) O Olympus Mons não está sozinho, muito próximo a ele existe uma cadeia de 3 vulcões extintos denominada Tharsis Montes, composta pelas montanhas Ascraeus, Pavonis e Arsia. (Figura 14) Panquecas vulcânicas sob um céu fechado Não se sabe se o vulcanismo em Vênus ainda é ativo. A Figura 11. Os mares lunares são resultantes do derrame de lava basáltica. Figura 12. Comparação do tamanho do Olympus Mons com o tamanho da França. Figura 13. Comparação de tamanho e altura entre o Olympus Mons, Everest (maior montanha na superfície da Terra) e a Ilha do Havaí (maior montanha da Terra, com grande parte submersa). Figura 14. Olympus Mons e os Tharsis Montes, em Marte.

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AstroNova . N.12 . 2016 16 espessa atmosfera impede a visualização da superfície e consequentemente das possíveis erupções. Entretanto o que se sabe é que os domos vulcânicos venusianos são bem diferentes da Terra. Enquanto que na Terra o domo vulcânico é alto e com base pequena (de até algumas dezenas de quilômetros de diâmetro); em Vênus os vulcões tem em média 1,5 km de altura e podem chegar a até 100 km Figura 15. Domos vulcânicos em panqueca em Eistla Regio, no planeta Vênus. Com diâmetro aproximado de 65 km e altura de 1 km. Foto realizada pela sonda Magellan em 1990. de base. Por isto, os domos vulcânicos venusianos são também denominados de domos em panqueca. (Figura 15) Não se sabe por qual razão estes domos têm esta forma, possivelmente pela constituição da lava em Vênus. Talvez as erupções vulcânicas sejam raras pois Vênus não tem tectonismo de placas como na Terra. Rafael Cândido Jr. é graduado e mestre em Engenharia Química pela USP e doutorando em Engenharia Aeroespacial pelo ITA Bibliografia recomendada: Volcanoes of the Solar System. Charles Frankel. Cambridge. 1996. Worlds on fire. Chares Frankel. Cambridge. 2009.

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Plêiades Astrofotógrafo: Diego Planche 19/11/2016 Conchal - SP

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www.cienciaeastronomia.com www.facebook.com/cienciaeastronomia Notícias sobre ramos da Ciência e Astronomia ASTRONOMIA ASTROBIOLOGIA ASTROFÍSICA BIOLOGIA MEDICINA QUÍMICA TECNOLOGIA FÍSICA Hangout'sPromoçõesEventos

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Wilson Guerra wilsonguerra@gmail.com Como a questão sobre a Vida no universo leva em conta um lugar para que ela possa surgir e evoluir, a procura por exoplanetas (planetas fora do Sistema Solar, que orbitam outras estelas) é o primeiro e inevitável passo a ser dado. Mas não basta procurar por exoplanetas quaisquer. É necessário procurar por aqueles que dêem condição da Vida surgir, evoluir e se desenvolver. Quando essas condições tem grande chance de estarem presentes, dizemos que o 1319 ASTROBIOLOGIA exoplaneta é potencialmente habitável. Exoplaneta potencialmente habitável Nossa única referência de Vida é a da Terra. Aqui, a água no estado líquido é fundamental para QUALQUER ser vivo. É na água que se encontra o meio reacional adequado para ocorrer o metabolismo que fornece a energia e a manutenção estrutural da célula, a unidade básica da Vida. A água pode existir no estado líquido aqui porque a temperatura média da Terra é de 27º C. Em temperaturas negativa, só haveria gelo. No extremo oposto, ou seja, acima de 100ºC, só existiria na forma de vapor. O que mantém a água líquida na Terra é o fato de sua temperatura média ficar entre esses dois extremos - de 0 a 100 graus. O fator determinante na temperatura média de nosso planeta é a energia que recebe de nossa estrela, o Sol. A Terra não está nem tão afastada, para as temperaturas ficarem negativas, nem tão próxima, para que fiquem superiores a 100ºC. Assim, a Terra está na Zona Habitável do Sol (figura 1). Além de orbitar o Sol na zona habitável, nosso "pálido ponto azul" Concepção artística de Próxima b, exoplaneta potencialmente habitável (www.eso.org) Palco da Vida no Universo HABITÁVEIS EXOPLANETAS POTENCIALMENTE HABITÁVEISHABITÁVEIS

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Centro de Massa Na prova do "lançamento de martelo", o atleta e o peso giram em torno do centro de massa. Se o planeta for suficientemente grande, o giro da estrela em torno do centro de massa é perceptível. Ao detectar o "balanço" da estrela, os astrônomos podem estimar a massa do explaneta que nela orbita. Figura 2 - Astrometria Imagem: University of Wisconsin-Madison Department of Astronomy - www.astro.wisc.edu 20 AstroNova . N.12 . 2016 apresenta uma estrutura rochosa, com superfície firme e definida. Nela a Vida pôde se apoiar e evoluir. Se os astrobiólogos procuram pela Vida como a conhecemos em planetas fora do Sistema Solar, é preciso que o exoplaneta tenha estas duas características: orbite a zona habitável de sua estrela e seja rochoso como a Terra, e não gasoso como Saturno e Júpiter. Um exoplaneta potencialmente habitável é aquele que possui estes dois requisitos. Detecção de exoplanetas Exceto em casos muito especiais, não é possível observar diretamente um exoplaneta com a tecnologia atual de telescópios. Todavia, há vários métodos indiretos para atestar a existência de planetas orbitando uma estrela. Em meados da década de 1990 os primeiros exoplanetas começaram a ser detectados. O método usado é conhecido como Astrometria. Nele, os astrônomos medem o "balanço" que a estrela recebe devido a atração gravitacional mútua com o planeta. Se o planeta tiver massa suficiente, seu "puxão" na estrela pode observado na forma de oscilações regulares em torno do centro de massa do sistema (figura 2). Infelizmente, a condição para o método astrométrico é sua limitação: exoplanetas de grande massa. Assim, este método costuma detectar apenas objetos gigantes, tipo Júpiter. Outra forma de detectar o balanço gravitacional que o exoplaneta produz na sua estrela é pelo efeito Doppler. Este efeito provoca a mudança na frequência de uma informação de natureza ondulatória cuja fonte esteja em movimento. É como acontece na mudança do som de uma ambulância quando o veículo se aproxima de nós e quando se afasta. Ao se aproximar, o som da sirene parece mais agudo, enquanto que ao se afastar o som fica mais grave. Tal Figura 1 - A Zona Habitável no Sistema Solar

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