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Acervo textual da Revista AstroNova

Edição 12 — páginas 21 a 40

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Assuntos identificados: terra, marte, sistema, solar, estrela, planeta, planetas, maior, exoplaneta, exoplanetas.

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Imagem: University of Wisconsin-Madison Department of Astronomy - www.astro.wisc.edu Os desvios na frequência da luz recebida da estrela dizem o quanto ela gira, e que tipo de explaneta provocou o movimento. Figura 3 - Efeito Doppler 1321 como o som, a luz também se comporta com uma onda - neste caso, uma onda eletromagnética. Assim, se uma fonte de luminosa aproxima, sua luz fica "mais aguda": dizemos que ela tende para o azul (maior frequência). Se a fonte luminosa se afasta, sua luz fica "mais grave": tende para o vermelho (menor frequência). Medindo estes desvios na luz de um estrela que oscila, os astrônomos podem estimar a velocidade da estrela e assim determinar que tipo de planeta está provocando esse movimento (figura 3). Contudo, este método dificilmente detectaria AstroNova . N.12 . 2016 Imagem: University of Wisconsin-Madison Department of Astronomy - www.astro.wisc.edu Figura 4 - Astrometria planetas rochosos de pequena massa como a Terra, pois o efeito Doppler proporcionado por planetas de pequena massa são inferiores aos limites mínimos de detecção. O método mais promissor para se detectar exoplanetas pequenos e rochosos como a Terra chama-se Fotometria. Ele se baseia no trânsito do exoplaneta em sua estrela central, ou seja, a passagem na frente do disco brilhante do astro. Cada passagem obstrui parte do brilho da estrela, que pode ser minunciosamente medido pela atual tecnologia de telescópios (figura 4). O percentual de diminuição do brilho detectado da estrela durante o trânsito bem como o início e o fim do processo dão informações suficientes para se determinar a massa, o tamanho, o período de revolução e a posição do exoplaneta em relação à sua estrela. A clareza da medida é tão boa que exoplanetas pequenos como a Terra e Marte podem ser inequivocadamente identificados. O telescópio espacial Kepler, lançado com o objetivo de identificar exoplanetas, utiliza o método fotométrico de detecção. Atualmente ele opera com restrições, e mesmo assim tem encontrado centenas de exoplanetas, que soma-se aos milhares já detectados quando funcionava plenamente. Explanetas potencialmente habitáveis já detectados O número de exoplanetas confirmados cresce a todo momento. Telescópios de todo o mundo estão confirmando suas existências desde a década de 1990, quando os métodos estavam bem desenvolvidos e a resolução dos telescópios começaram a atingir precisão suficiente. Hoje são mais de 3.500 exoplanetas confirmados distribuídos em mais de 2.600 sistemas, desde estrelas mais próximas até a alguns milhares de anos-luz de distância de nós. Vários dos sistemas são multiplanetários, e alguns tem até mais de uma estrela central! Desta lista toda, aproximadamente 40 deles parecem ter condições de abrigar a Vida como a que O trânsito provoca a redução no brilho da estrela, e dá pistas sobre dados do exoplaneta. L - luminosidade da estrela DL - redução da luminosidade R - raio do planeta P R - raio da estrela E 2 ð÷ ð÷ ðø ðö ðç ðç ðè ðæ ð= ðD E P R R L L

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Concepção artística de Kepler-186f (NASA) A "Tabela Periódica" dos Exoplanetas. Os exoplanetas potencialmente habitáveis já somam 44. Fonte: http://phl.upr.edu/projects/habitable-exoplanets-catalog/media/pte AstroNova . N.12 . 2016 22 conhecemos. Seus tamanhos variam desde exoplanetas quase do tamanho da Terra à "superterras", com mais que o dobro do diâmetro de nosso planeta. Vejamos as características conhecidas até agora de alguns deles. Kepler-186-f: o mais parecido com o tamanho da Terra Este exoplaneta é apenas 10% maior que a Terra e está a 1.500 anos-luz de nós. Orbita uma estrela anã vermelha. Como o brilho desta estrela é bem menor que o do Sol, sua zona habitável também fica mais próxima. A proximidade da estrela também pode obrigar o exoplaneta a ter sua rotação em torno de si mesmo sincronizada com o movimento de revolução em torno da estrela. Isso faria com que Kepler-186f esteja sempre com a mesma face voltada para a estrela, podendo-a aquecer muito. A face oposta ficaria sempre na região noturna, resfriando-a. A fronteira entre o dia e a noite eterna deste mundo poderia ter então temperaturas amenas. Mas ainda há muito para se pesquisar. Uma atmosfera densa e ativa poderia distribuir a energia térmica deste exoplaneta, uniformizando mais a temperatura (isso ocorre na Terra) e talvez dando

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condições da existência da Vida em uma área maior. Kepler-462b, exoplaneta que orbita uma sósia solar Este exoplaneta está a 1.400 anos-luz de nós. É 60% maior que a Terra e está definitivamente na zona habitável de sua estrela. Um detalhe interessante é que a estrela é uma "sósia" ou "gêmea solar", ou seja, é muitíssimo parecida com nosso Sol (tamanho, temperatura superficial, fluxo de luz e calor etc). Isso torna as chances de habitabilidade de kepler- 462b muito mais interessantes, pois o paralelo com a Terra é muito maior. Gliese 667Cc, exoplaneta de um sistema triplo Este exoplaneta está relativamente próximo de nós, a 22 anos-luz. Ele é pelo menos 4 vezes maior que a Terra, provavelmente constituindo como se constuma dizer, uma superterra. Ele orbita uma estrela vermelha de brilho bem mais fraco que nosso Sol, portanto menos quente. Porém esta órbita é muito pequena, o que garante sua posição na zona habitável estelar. O detalhe curioso é que há mais duas estrelas gravitacionalmente ligadas ao sistema, fazendo de Gliese 667Cc um exoplaneta de um sistema triplo de estrelas! Proxima b, um exoplaneta habitável na vizinhança? Este exoplaneta é um pouco maior que a Terra e orbita a zona habitável da estrela anã vermelha Proxima Centauri. A descoberta, feita pelo ESO (Observatório Sul- Europeu, no Chile), apresenta duas interessantes peculiaridades. Primeiro que o método de detecção desta estrela não foi o fotométrico, normalmente usado para esse tipo de descoberta. Proxima b foi encontrado graças ao efeito doppler que seu balanço gravitacional imprime na estrela Proxima 1323 AstroNova . N.12 . 2016 Concepção artística de Kepler-186f (NASA) Ilustração artística do exoplaneta Gliese 667 Cc. (ESO)

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Concepção artística mostra o planeta Proxima b em órbita da estrela anã vermelha Proxima Centauri. A estrela dupla Alfa Centauri AB também pode ser vista na imagem entre o planeta e Proxima Centauri - Crédito: ESO/M. Kornmesser AstroNova . N.12 . 2016 24 Centauri. Isto foi possível pela baixa massa da estrela. A segunda e mais interessante peculiaridade é que Proxima Centauri é a estrela mais próxima do Sistema Solar, a apenas 4,2 anos-luz de distância. Em escala astronômica é "logo ali". Isso chamou a atenção da comunidade científica por muitos motivos. Por estar tão perto, aumentam as possibilidades de se estudar esse sistema com grande grau de detalhe. A descoberta foi tão importante que um projeto financiado pelo milionário físico russo Yuri Milner e apoiado por Stephen Hawking foi levemente alterado. Poucos meses antes os dois haviam lançado um projeto de lançamento de nanossatélites (o "starchip") impulsionados a laser em direção a Alfa Centauri, um sistema duplo de estrelas que marcaria a primeira viagem interestelar de sondas. A viagem levaria 20 anos, o que é plausível para toda uma geração de astrônomos. Acontece que a estrela Proxima Centauri parece fazer parte do sistema Alfa Centauri, ou seja, eles são vizinhos entre si. O projeto então ganhou um fôlego extra, pois sabemos agora que há um exoplaneta na região, e ele é potencialmente habitável! Marte: vida fora da Terra em nosso quintal? Marte não é um exoplaneta. Ele está aqui no nosso Sistema Solar. Mas seu interesse astrobiológico é de longe o que mais chama a atenção. Marte, sabemos hoje, já teve muita água no passado (veja matéria de Yara Laiz Souza - página 27). Provavelmente já teve também mais atmosfera. Nestas condições, sua posição no Sistema Solar o deixaria na margem externa da Zona Habitável, mas ainda assim dentro dela. Teria a Vida surgido em Marte? Se sim, ainda existe? Se existe, onde está? Se foi extinta, deixou vestígios? Uma verdadeira força tarefa de agências espaciais de vários países tem trabalhado para responder estas e outras questões, incluindo o envio de orbitadores e sondas de solo. O que for (se for) encontrado em Marte pode ajudar muito na busca de Vida pelo Universo, orientando as pesquisas. Há trilhões de galáxias, cada uma com centenas de bilhões de estrelas. Muitas destas estrelas, estamos notando, parecem ter vários planetas em seu entorno. Alguns destes planetas ocupam a zona habitável estelar. É matematicamente improvável estarmos sozinhos. Caso contrário o universo será, como dizia o astrobiólogo Carl Sagan, um enorme desperdício de espaço! Wilson Guerra é professor, graduou-se em Física (UEM), tem especialização em Astrobiologia (UEL) e atualmente é mestrando em Educação Científica (UEM). Referências: www.tikinet.com.br/iag/default.asp www.nasa.gov/kepler Astrobiologia: ciência emergente www.eso.org www.exoplanets.eu www.planethunters.org

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www.facebook.com/casastronomia.sarandi Sarandi / Paraná

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Yara Laiz Souza mandesuapautaprayara@gmail.com Marte, atualmente, é um planeta em declínio. Frio e bastante seco na sua superfície, perde uma quantidade enorme de gás da sua atmosfera durante tempestades solares e carrega consigo as marcas de tempos joviais, mais interessantes e prósperos. Entender o que houve com Marte não é apenas mera curiosidade científica, mas também serve para, aos poucos, entendermos sobre o futuro de planetas e sua ÁGUA EM MARTE evolução. Em 2015, tivemos muitas provas interessantes sobre os caminhos da água no planeta vermelho. Marcas em rochas ricas em sais desenhavam um passado não muito distante do planeta. Ainda não sabemos, de fato, o que houve com a água superficial, mas temos algumas pistas: a formação de óxido de manganês em Marte indica que havia água líquida na sua superfície. Na Terra, água significa vida , comenta o astrobiólogo da NASA Alberto Fairen. A superfície de Marte hoje é extremamente seca, mas há muitos indícios que apontam para um passado muito mais molhado. Evidências de água passada podem ser as pistas para encontrar vida extinta em Marte e se alguns resquícios de água ainda persistem em Marte nos dias de hoje, então, com certeza as perspectivas para encontrar vida existente são bem altas . A importância da existência 1327 CIÊNCIAS PLANETÁRIAS ÁGUA EM MARTE A aventura só está começando

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de água no planeta vermelho não diz respeito só à vida. A água protege planetas contra radiações intensas. As perspectivas de vida, mesmo que não tenham existido no passado ou no presente, ainda podem ser mínimas para que se desenvolva no futuro do planeta. Os mapas de água Em 2015, a comunidade científica viu um pouco do passado do planeta estampado nas rochas em forma de caminhos de água. Usando instrumentos especiais do Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), os pesquisadores encontraram assinaturas de minerais hidratados em marcas que parecem ser fluxo e refluxo de água líquida salgada. Nossa missão em Marte tem sido a de 'seguir a água' em busca de vida no universo e agora temos, de forma convincente, provas do que temos suspeitado por muito tempo , disse John Grunsfeld na época da descoberta. A observação destas marcas já era feita há algum tempo. Entretanto, a detecção das assinaturas de minerais acabou levando as pesquisas para outro caminho: se é de água líquida salgada, para onde ela foi ou onde ela está? Se existe até hoje, a hipótese é de que ela corra em determinados locais quando as temperaturas estão a -23 graus Celsius e desaparece em tempos mais frios. Batizadas de inclinações lineares recorrentes (RSL sigla em inglês), os pesquisadores notaram que, apesar de serem bem frequentes no planeta, nem toda RSL contém as assinaturas de minerais. Apenas as mais extensas continham a assinatura e havia também a indicação de que os fluxos de água eram bastante rasos. Além disso, as RSL eram abundantemente encontradas em locais mais ao norte do planeta como nos VallesMarineris. Há quem diga que superficialmente a água não exista mais, mas que, assim como na Terra, há grandes reservatórios internos de água líquida chamados de lençóis freáticos. Essa constatação ainda não pôde ser observada na sua totalidade, mas é um dos planos que a NASA tem para o Mars 2020, o próximo rover que irá enviar para o planeta. Evidências em todos os lugares Análises mais recentes dão conta de que as camadas de rochas marcianas também são um capítulo interessante da história de Marte. As mais profundas foram feitas quando Marte tinha água líquida em abundância na AstroNova . N.12 . 2016 2228 Possível fluxo e refluxo de água salgada na superfície de Marte. À esquerda, detalhe da cratera onde o fenômeno foi detectado pela MRO - Créditos: NASA JPL

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29 sua superfície. Já a camada mais superficial é característica de um planeta árido com poças de salmouras e, finalmente, o deserto hiper-árido que vemos hoje , diz Fairen. Muito provavelmente, grande parte da água presente em Marte hoje em dia está congelada em calotas polares afastadas. Se esta água toda derretesse, a estimativa é de o planeta pudesse ser coberto por cerca de 30 metros de água segundo Suniti Karunatillake, cientista planetário da Universidade Estadual de Louisiana, em Baton Rouge. Além disso, outros sinais interessantes da presença de água em Marte são encontrados em forma de sulfatos e cloretos nas argilas e carbonatos marcianos. Argilas e carbonatos podem sugerir a presença de quantidades significativas de água e esta água poderia ter sido boa para a biologia [de Marte], pois não deve ter sido muito ácida ou muito salgada , disse Fairen. Argila e carbonatos normalmente aparecem associados a crateras de impacto, cânions e falhas sugerindo que eles são muito antigos e talvez formados por processos subterrâneos e acabaram sendo expostos na superfície pela erosão . Já os sulfatos e cloretos precisam de pequenas quantidades de água para sua formação, que basicamente precisa ser salgada e ácida. E este não é o indicativo de grandes volumes de água líquida na superfície. Uma resposta alternativa para a falta de água na superfície O Curiosity, da NASA, detectou a presença de óxido de manganês em rochas e a descoberta sugere que o oxigênio já foi mais abundante no planeta. O interessante é que essa descoberta revela ações em cadeia e o quanto a natureza, mesmo que não seja terráquea, pode ser interligada. No planeta Terra, o campo magnético funciona muito bem como um escudo protetor de partículas danosas vindas dos ventos solares. Quando tais partículas atingem o nosso planeta formam as bonitas auroras nos pólos da Terra. Em Marte, o campo magnético é bastante fraco e não conseguem desviar as partículas solares. Assim, durante uma tempestade de partículas solares, o planeta perde 100 gramas de gás atmosférico por segundo de tempestade. Após lançar lasers através de um dispositivo acoplado ao Curiosity, os pesquisadores fizeram o achado do óxido de manganês. As duas únicas formas de produção desse óxido que conhecemos é microbiana e atmosférica. Dizer que o óxido de manganês é produzido por bactérias em Marte é um tanto quanto exagero, mas pensar na questão da atmosfera é uma ótima aposta. O óxido de manganês não consegue formar-se sem a presença de água líquida e sem condições oxidantes ou seja, sem a presença de oxigênio em abundância. AstroNova . N.12 . 2016 Representação da água no passado de Marte - NASA JPL

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22 AstroNova . N.12 . 2016 30 Assim, como a atmosfera de Marte é afetada pelo campo magnético fraco e pelos ventos solares, moléculas de água da superfície foram quebradas graças à presença de raios danosos provenientes do Sol. Os átomos de oxigênio e hidrogênio subiram para a atmosfera. Por conta da gravidade relativamente baixa do planeta, os átomos mais leves de hidrogênio escaparam do planeta, porém os de oxigênio permaneceram. Estava feito o cenário perfeito para o surgimento do óxido de manganês nas rochas marcianas. Claro que confirmar um cenário como este é complicado, mas essa pista é um pensamento diferente a cerca da falta de água na superfície de Marte. A partir de 2020 muitas das coisas que pensamos sobre o planeta serão colocados a prova assim como tudo o que pensamos sobre vida e água. As descobertas da próxima década irão selar os destinos de Marte, da humanidade, da Ciência e até mesmo da Terra. A aventura da água em Marte está só começando assim como a aventura da exploração espacial e dos novos conhecimentos. Yara Laiz Souza é acadêmica de Ciências Biológicas pela UEA e coordenadora da página Ciência em Pauta. Bibliografia recomendada: NASA Rover Findings Point to a More Earth-like Martian Past: https://goo.gl/XlTsox Water on Mars: The Story So Far: https://goo.gl/L5GJf3 NASA Confirms Evidence That Liquid Water Flows on Today's Mars: https://goo.gl/h3qiuA NASA Mission Reveals Speed of Solar Wind Stripping Martian Atmospher: https://goo.gl/Pw2xDZ Colaborou: Roberto Takata Caminhos da água em Marte - NASA JPL/Universidade do Arizona Área polar com calotas em Marte - NASA JPL

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www.facebook.com/ClubAstroESwww.facebook.com/ClubAstroES

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MAIS INFORMAÇÕES NA PRÓXIMA EDIÇÃOMAIS INFORMAÇÕES NA PRÓXIMA EDIÇÃO Encontro Paranaense de Astronomia 14º EPAST Encontro Paranaense de Astronomia 14º EPAST

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33 ASTRONOMIA CLÁSSICA Rafael Cândido Jr. eletrorafa@gmail.com No último dia 14 de novembro ocorreu o fenômeno da super Lua. Neste artigo vamos entender quais as causas deste fenômeno. Entendendo a elipse A elipse é uma curva cônica, ou seja, é obtida a partir de um corte em um cone. Da mesma forma, com diferentes ângulos de corte, se obtém o círculo, a parábola e a hipérbole (Figura 1). Para cada uma das curvas existem pontos importantes que as caracterizam: Afinal, o que é SUPER LUA? Afinal, o que é SUPER LUA? SuperLua de 14 de novembro, no cosmódromo de Baikonur. Foto do astronauta Thomas Pasquet (ESA). - círculo: centro - parábola: um ponto focal - hipérbole: dois pontos focais - elipse: um centro e dois pontos focais Além destes pontos algumas medidas caracterizam a elipse (Figura 2): Onde: a = semi-eixo maior b = semi-eixo menor c = semi-distância focal AA' = eixo maior da elipse BB' = eixo menor da elipse Desta forma, o centro da elipse é definido no encontro dos eixos maior e menor. Define-se também a excentricidade (e) de uma elipse como a razão entre a semi-distância focal (c) e o Figura 1. As curvas cônicas.

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34 AstroNova . N.12 . 2016 semi-eixo maior (a): = c/a Numa elipse, o valor da excentricidade varia entre 0 e 1 (ou seja, 0<e<1). Se a excentricidade é nula, a elipse se torna um círculo e nesse caso os pontos focais estão sobre o centro. Se a excentricidade tende a 1, mais 'achatada' é a elipse. A figura 3 apresenta elipses com diferentes excentricidades. A 1ª Lei de Kepler Em 1609, o matemático e astrônomo alemão Johannes Kepler publicou em seu livro Astronomia Nova, as três leis do movimento dos planetas. Dentre elas, a 1ª Lei, que estabelece que as órbitas de planetas em torno do Sol, ou de satélites em torno de planetas, são elipses; com o corpo de maior massa em um dos focos. Assim, no sistema Terra-Lua, a Terra ocupa um dos pontos focais enquanto a Lua percorre a órbita. A órbita da Lua e seu movimento A figura 4 apresenta de forma simplificada a órbita da Lua ao redor da Terra em um determinado plano. Percebem-se dois pontos, o perigeu e o apogeu. Os pontos de perigeu e apogeu estão sobre o eixo maior da elipse e são definidos como o ponto mais próximo (perigeu) e o ponto mais distante da Terra (apogeu). Estas palavras também se aplicam à órbita de satélites. Entretanto a órbita da Lua encontra-se inclinada em relação à Terra entre 4,99° e 5,30° (Figura 5). Isto causa um relativo 'bamboleio' na órbita da Lua chamado precessão apsidal. (Figura 6) Este movimento de precessão apsidal atua como uma rotação da órbita lunar, ou seja, o eixo maior da elipse gira em torno da Terra completando a volta em 8,85 anos (8 anos, 10 meses e 6 dias). Como a órbita apresenta esta precessão, diferentes fases da Lua podem ocorrer no apogeu e no perigeu. Até mesmo estas distâncias podem variar. O apogeu varia entre 404.000 e 406.700 km. E o perigeu, entre 356.400 e 370.400 km. A figura 7 faz uma Figura 2. Pontos e medidas de uma elipse. Figura 3. Elipses de diferentes excentricidades. Percebe-se a distância entre o centro da elipse e um de seus pontos focais.

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35 comparação do tamanho observado da Lua no apogeu e no perigeu e apresenta para comparação o tamanho angular da Lua visto no céu, as distâncias em relação à Terra e a data em que cada foto foi feita. E finalmente, a super Lua O termo super Lua não é usado na comunidade científica, sua origem é de uma publicação de Astrologia em 1979. A expressão correta é Lua cheia em perigeu ou sizígia no perigeu. Sizígia é o termo aplicado para alinhamento entre corpos celestes, um eclipse, lunar ou solar, é um exemplo de sizígia. Durante a super Lua, o tamanho observado da Lua pode ser até 14% maior em diâmetro e com brilho até 30% maior em relação ao brilho visto no apogeu. Entretanto, estas mudanças não são perceptíveis a olho nu, apenas com instrumentos. Nosso cérebro só conseguiria perceber as diferenças se as duas imagens fossem postas próximas, como na comparação da figura 8. Uma preocupação recorrente, principalmente daqueles que vivem nos litorais, é se a super Lua pode provocar marés muito altas. Dado o alinhamento da Lua e do Sol com a Terra, a força da maré é maior. Em alguns locais ao redor do mundo a amplitude de maré Figura 4. Esquema simplificado da órbita da Lua. Como a gravura está em espanhol, estão grafados como apogeo e perigeo. Figura 5. Inclinação da órbita da Lua em relação à Terra. Figura 6. Precessão apsidal da órbita lunar. Figura 7. Comparação entre tamanhos observados da Lua no apogeu e no perigeu. Em relação à Lua no apogeu, o tamanho observado é 12% maior no perigeu. AstroNova . N.12 . 2016

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36 AstroNova . N.12 . 2016 depende de outros fatores além da força gravitacional. Alegou-se que na super Lua de 19/03/2011, a maré arremessou cinco navios à terra no estreito de Solent, entre a ilha Wight e a Inglaterra. Entretanto estas alegações não possuem base em nenhuma evidência. Houve também uma especulação na mídia mundial que os desastres naturais como o terremoto e tsunami de Tohoku no Japão em 2011 e o do Oceano Índico em 2004 tenham sido provocados pela super Lua, pois ocorreram entre 1 e 2 semanas após este fato. Da mesma forma, o terremoto de Kaikoura, na Nova Zelândia, ocorreu no dia 13/11 e chegou-se a afirmar na mídia que foi efeito da aproximação lunar. Porém, não há nenhuma evidência de correlação entre a proximidade da Lua e os terremotos. Rafael Cândido Jr. é graduado e mestre em Engenharia Química pela USP e doutorando em Engenharia Aeroespacial pelo ITA Link interessante: Calculadora de apogeu e perigeu lunar Figura 8. Comparação do tamanho observado no dia 20/12/2010 e no dia 19/03/2011. Figura 9. Super Lua de 23/06/2013 no Palácio Umaid Bhawan, India. Figura 10. Eclipse lunar ocorrendo durante a super Lua de 28/09/2015 em Munique, Alemanha. www.fourmilab.ch/earthview/pacalc.html

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www.grupocentauro.org Grupo Centauro de Astronomia Amadora Dois Vizinhos - Maringá (PR) divulgando a beleza do Universo revelada pela Ciência H11 nosá A

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www.pb.utfpr.edu.br/geastro Gp x mruode Estudo, pesquisa eetensão em Astronoia

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PELA PRODUÇÃO E DIFUSÃO CIENTÍFICAPELA PRODUÇÃO E DIFUSÃO CIENTÍFICA CEARÁ - BRASILCEARÁ - BRASIL

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AstroNova é uma colaboração de estudantes, professores, astrônomos amadores e profissionais para a divulgação de Astronomia e Ciências da Natureza. Tem lançamento trimestral, é totalmente pública, gratuita e de direitos livres. Disponível em: REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA www.caeh.com.br www.grupocentauro.org/astronova

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