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Acervo textual da Revista AstroNova

Edição 15 — páginas 1 a 20

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Assuntos identificados: solar, terra, eclipse, disco, sistema, órbita, mayak, saturno, sagan, voyager.

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Eclipse Solar Tudo sobre o eclipse que irá ocorrer em agosto Eclipse Solar Tudo sobre o eclipse que irá ocorrer em agosto REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS Mayak Um farol na órbita da Terra Mayak Um farol na órbita da Terra Tour pelo Sistema Solar As luas de Saturno Tour pelo Sistema Solar As luas de Saturno Evolução A adaptação de Vida na volta para a água Evolução A adaptação de Vida na volta para a água Mayak Um farol na órbita da Terra Mayak Um farol na órbita da Terra REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA O DISCO DE OURO DA SONDA ESPACIAL VOYAGER Ano 04 - Nº 15 - Agosto/2017 GALILEU E O TELESCÓPIO Tour pelo Sistema Solar As luas de Saturno Tour pelo Sistema Solar As luas de Saturno

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Os tempos difíceis para a Ciência continuam. Desta vez, a vítima da falta de recurso foi a Astronáutica. Em uma mesma semana a empresa SpaceX e a NASA anunciaram adiamento para suas missões tripuladas à Marte. A meta, que seria para a próxima década, agora está indeterminada. Mas, na contramão destes contratempos, lançamos nossa 15a edição da AstroNova. Começando pelo nosso Tour pelo Sistema Solar e conhecendo um pouco das "luas" de Saturno. Em seguida o prof. Ricardo Francisco Pereira nos traz um breve artigo sobre Galileu e seu telescópio. Dando sequência, trataremos do fenômeno astronômico que encanta a humanidade há milênios: o eclipse solar. O segundo deste ano ocorrerá neste mês de agosto. E tal como no primeiro, que aconteceu em fevereiro, discorro um pouco sobre o fenômeno e como observá-lo. Nesta edição o prof. Rogério Souza trata mais uma vez sobre Evolução, mas agora com um enfoque bem mais específico: os mamíferos da água. Rafael Cândido nos detalha uma das mais fascinantes missões espaciais robóticas da NASA: a sonda Voyager. Nela, um disco dourado viaja pelo espaço, atualmente saindo dos limites do Sistema Solar. Uma pequena amostra do que é a Terra e dos seres humanos que (ainda) a habitam estão contidas neste disco. Como ele foi feito e como estas informações foram concebidas, são os objetos do artigo. Por fim, Cristian Westphal nos deixa por dentro do Mayak, um satélite concebido por jovens engenheiros russos que está prestar a brilhar, literalmente, em nossos céus. Mas primeiramente trazemos com nossa tradicional agenda de lançamento de foguetes e os princiais acontecimentos na Estação Espacial Internacional neste último trimestre. Uma ótima leitura a todos! Wilson Guerra GCAA AstroNova . N.15 . 2017 Editores: Rafael Cândido Junior eletrorafa@gmail.com Wilson Guerra wilsonguerra@gmail.com Redatores: Cristian Reis Westpahl cienciaestronomia@gmail.com Ricardo Francisco Pereira ricardoastronomo@gmail.com Rafael Cândido Junior eletrorafa@gmail.com Rogério Correia de Souza rogercsouza@yahoo.com Wilson Guerra wilsonguerra@gmail.com Arte e Diagramação: Wilson Guerra wilsonguerra@gmail.com Astrofotos: Adriano Faciole Augusto César Araújo Leonardo Amaral Newton Cesar Florencio Ricardo Leite EXPEDIENTE EDITORIAL Capa: fundo cósmico com galáxia M106 em destaque Wilson Guerra GCAA Wilson Guerra GCAA apod.nasa.gov/apod/ap170707.html

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SUMÁRIO Tour pelo Sistema Solar As luas de Saturno 07 15 21 27 Eclipse Solar Tudo sobre o eclipse que ocorrerá em agosto O disco de ouro da sonda espacial Voyager Evolução As "baleias andantes" Ano 4 | Edição nº 15 | 2017 11Galileu e o telescópio 35 Mayak Um farol na órbita da Terra

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Principais Lançamentos do TrimestrePrincipais Lançamentos do Trimestre ASTRONÁUTICA Foguete: H-2B (Jaxa) Carga: Michibiki 4, satélite para sistema de posicionamento regional Lançamento: Centro de Tanegashima Data: novembro/2017 JAPÃOJAPÃO Foguete: PSLV (ISRO) Carga: IRNSS 1H, satélite para sistema de posicionamento regional Local: Base de Dhawan, Sriharikota Data: 08/2017 ÍNDIAÍNDIA ESTADOS UNIDOS ESTADOS UNIDOS Foguete: Atlas 5 (ULA) Carga: satélite para a ISS se comunicar com outros satélites Local: Cabo Canaveral Data: 03/08/2017 Foguete: Pegasus XL (Orbital ATK) Carga: ICON, satélite da NASA; estuda ambiente espacial via ionosfera Local: Ilhas Marshall Data: 14/11/2017 Foguete: SOYUZ (Roscosmos) Tripulação 52-S da Estação Espacial Internacional Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 12/08/2017 Foguete: ROCKOT (Roscosmos) Carga: Sentinel 3B, satélite europeu para observação da Terra Local: Cosmódromo de Plesetsk Data: novembro/2017 RÚSSIARÚSSIA

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Principais Lançamentos do TrimestrePrincipais Lançamentos do Trimestre ASTRONÁUTICA Foguete: ARIANE 5 Carga: Galileo 19-22, satélites de posicionamento global europeu Local: Base de Kourou Data: novembro/2017 EUROPAEUROPA Foguete: VEGA Carga: Optsat 3000: satélite militar italiano; Venus: monitor vegetação+teste propulsão à plasma Local: Base de Kourou Data: 02/08/2017 Foguete: Longa Marcha 5 Carga: sonda lunar Chang'e 5; enviará amostras da Lua Local: Base de Wenchang Data: novembro/2017 CHINACHINA NOVA ZELÂNDIA NOVA ZELÂNDIA Foguete: Electron (Rocket Lab) Carga: teste com pequenos satélites (CubSat) Local: península Mahia Data: agosto/2017

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Principais atividades - maio a julho/2017Principais atividades - maio a julho/2017 Próxima Expedição - Soyuz MS-06 (13/09/2017)Próxima Expedição - Soyuz MS-06 (13/09/2017)Tripulação atualTripulação atual Estação Espacial Internacional (ISS)Estação Espacial Internacional (ISS) ASTRONÁUTICA Foram realizados experimentos no equipamento CIR relativos ao fenômeno chamado "cool flame", onde substâncias queimam em baixa temperatura. Clique para ver em vídeo. Foram realizados experimentos no equipamento CIR relativos ao fenômeno chamado "cool flame", onde substâncias queimam em baixa temperatura. Clique para ver em vídeo. O astronauta Jack Fischer realiza experimentos de estruturas capilares. Elas permitem separação mais eficiente de líquidos e gasesque outros processos, melhorando o suporte de vida da estação, reciclando CO e ajudando a projetar sistemas para naves futuras. 2 O astronauta Jack Fischer realiza experimentos de estruturas capilares. Elas permitem separação mais eficiente de líquidos e gasesque outros processos, melhorando o suporte de vida da estação, reciclando CO e ajudando a projetar sistemas para naves futuras. 2 Isso pode ajudar no desenvolvimento de motores mais eficientes e menos poluentes. Isso pode ajudar no desenvolvimento de motores mais eficientes e menos poluentes. Painel solar flexível é estentido e testado no lado externo da estação. O processo inverso falhou, e o dispositivo foi descartado no espaço. Clique para ver em vídeo. Painel solar flexível é estentido e testado no lado externo da estação. O processo inverso falhou, e o dispositivo foi descartado no espaço. Clique para ver em vídeo. Instalado na ISS o equipamento NICER, que permitirá estudar Estrelas de Nêutrons. Clique para ver em vídeo. Instalado na ISS o equipamento NICER, que permitirá estudar Estrelas de Nêutrons. Clique para ver em vídeo.

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As luas de Saturno Em 24 de março de 1655, sabia-se apenas que Terra e Júpiter tinham luas. No dia seguinte, Christiaan Huygens acrescentou Saturno à lista ao descobrir sua maior lua, Titã. De lá para cá, foram descobertos 31 satélites naturais orbitando Saturno. Alguns, como Pan, Atlas, Prometeu e Pandora, são "luas pastoras", que conduzem as partículas em órbita de Saturno para um anel distinto. Algumas luas produzem distorções e padrões de onda nos anéis. Uma lua, Encélado, é um dos objetos mais brilhantes no sistema solar. Ela tem quase a largura do Estado 05 americano do Arizona e é coberta por gelo de água que reflete a luz solar como neve recém-caída. Isto a torna extremamente fria, apenas cerca de -201°C. Pode ser que vulcões nesta lua tenham expelido as partículas geladas que formam o anel E de Saturno e que elas nevem de volta continuamente em sua superfície. Mimas, com apenas 392 quilômetros de diâmetro, tem uma cratera gigante com um terço do tamanho da própria lua. E em seu centro se encontra um pico com cerca de dois terços do tamanho do Monte Everest, o ponto mais alto da Terra. Iapetus está entre as luas mais estranhas de Saturno. Metade dela é dez vezes mais brilhante do que a outra metade. Epimeteu e Jano trocam suas órbita em períodos de poucos anos, se revezando na posição de lua mais próxima do planeta. Febe pode ser uma centauro capturada, um objeto que vagava na direção do Sol desde seu lar no Cinturão Kuiper, além de Plutão. Mas é a misteriosa Titã que mais intriga os cientistas. Titã é a segunda maior lua de todo o sistema solar (Ganimedes de Júpiter é ligeiramente maior). Ela é maior do que dois planetas, Mercúrio e Plutão. Um Tour pelo Sistema Solar SISTEMA SOLAR Um Tour pelo Sistema Solar 07

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Orbitando Saturno longe do Sol, sua temperatura na superfície é de apenas - 180ºC. E é a única lua com uma atmosfera densa -tão densa, na verdade, que a pressão atmosférica perto da superfície em Titã é cerca de 60% maior que a da Terra. Isto é o que um mergulhador sente sob 6 metros cúbicos de água. Os cientistas acham que a atmosfera de Titã pode lembrar a da Terra quando a vida começou a se formar aqui. Assim, estudar Titã pode ajudar a aprender sobre os primórdios de nosso próprio planeta. Nós ainda não tivemos uma boa visão da superfície de Titã (sua névoa espessa e vermelha a escondeu das duas espaçonaves Voyager que visitaram o sistema em 1980 e 1981), mas os cientistas usaram recentemente o mais poderoso sistema de radar do mundo para refletir microondas na lua gigante - a 1 bilhão de quilômetros de distância. Os sinais que voltaram sugeriram que até 75% de Titã pode estar coberto por lagos ou oceanos de metano ou etano líquido. A sonda Huygens da Europa, batizada em homenagem ao astrônomo holandês, estava viajando para Saturno a bordo da espaçonave Cassini da Nasa. A Huygens mergulhou através da atmosfera nebulosa de Titã e pousou em sua superfície em janeiro de 2005. A Cassini chegou a Saturno, em 2004, para sua missão orbital de quatro anos, e nós provavelmente aprenderemos muito sobre essas luas - e possivelmente descobriremos ainda mais. www.nasa.gov Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves AstroNova . N.14 . 2017 08 Titã !Tipo: regular !Raio: 2.575 km !Característica principal: atmosfera bastante densa, com presença de compostos de carbono. Encélado !Tipo: regular !Raio: 250 km !Característica principal: superfície muito brilhante, por estar coberta de gelo que reflete luz solar como a neve. Iapetus !Tipo: regular !Raio: 718 km !Característica principal: hemisférios de cores extremamente contrastantes: um muito claro e outro muito escuro. Mimas !Tipo: regular !Raio: 198 km !Característica principal: presença de uma grande cratera de impacto.

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Via Láctea Astrofotógrafo: Augusto Cesar Araújo Maranguape - CE Via Láctea Astrofotógrafo: Augusto Cesar Araújo Maranguape - CE

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VENHA PARA O MAIOR ENCONTRO DE DO PARANÁ ASTRONOMIA 7 A 10 DE SETEMBRO/2017 Pato Branco - PR

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Ricardo Francisco Pereira ricardoastronomo@gmail.com A paternidade da invenção que veio a se chamar posteriormente de telescópio é atribuída ao fabricante de lentes HISTÓRIA DA CIÊNCIA 11 holandês Hans Lippershey, em 1608, que tentou patenteá-lo. Em 1609, em Veneza, Galileu Galilei ouviu falar sobre um instrumento que era capaz de observar com nitidez objetos afastados e que era composto de duas lentes e um tubo e ainda tinha sido oferecida a um comandante da cidade por um alto preço. Galileu se interessou de imediato pelo instrumento, criando suas próprias versões até chegar a uma GALILEU E O TELESCÓPIO GALILEU E O TELESCÓPIO

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versão que era capaz de aumentar em 30 vezes o tamanho de objetos. Ele também comercializou o instrumento com comerciantes locais e os legisladores de Veneza, ganhando algum dinheiro. Não há registros sobre o que motivou Galileu a direcionar para o céu o instrumento, que ele chamou de Perspicillum, mas quando o fez, realizou descobertas que revolucionaram a história da humanidade, tais como as crateras e montanhas na Lua, as 4 maiores luas de Júpiter, as fases de Vênus, as manchas no Sol e os anéis de Saturno (apesar de que ele não soube reconhecer como anéis ao redor do planeta por causa da baixa resolução de seu telescópio). Ricardo F. Pereira é professor no depto. de Física da UEM. É doutor em Educação e coordenador da páginas Recursos de Física AstroNova . N.15 . 2017 12 fotografia do Perspicillum, o telescópio que Galileu usou para realizar suas descobertas. Desenhos feitos por Galileu a partir das observações a Saturno (esquerda) e da Lua (direita). O Sol e suas manchas, conforme ilustração de Galileu. Galileu retrata Vênus e suas fases, conforme as observa com seu telescópio. www.recursosdefisica.com.br

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M104 - Galaxia do Sombreiro. Astrofotógrafo: Leonardo Amaral Observatório dos Amarais Bilac - SP M104 - Galaxia do Sombreiro. Astrofotógrafo: Leonardo Amaral Observatório dos Amarais Bilac - SP

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MAIS INFORMAÇÕES NA PRÓXIMA EDIÇÃO RIO DE JANEIRO

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ASTRONOMIA AMADORA Segundo fenômeno deste tipo em 2017, será visível em boa parte do Brasil Segundo fenômeno deste tipo em 2017, será visível em boa parte do Brasil ECLIPSE SOLARECLIPSE SOLAR Wilson Guerra wilsonguerra@gmail.com O eclipse é um fenômeno em que um astro passa pela sombra de outro. Quando o Sol, a Terra e a Lua encontram-se quase ou perfeitamente alinhados, a Lua passa pela sombra da Terra: ocorre um eclipse lunar. Sem a iluminação direta da luz solar, a Lua quase desaparece. Os mais velhos denominam o fenômeno de "lua sangrenta" devido a sua coloração avermelhada durante o eclipse. Mas esse termo está em desuso. Já quando o alinhamento se dá na ordem Sol, Lua e Terra, ocorre um eclipse solar. Nesta configuração, a Lua obstrui os raios solares, projetando sua sombra em alguma região da superfície da Terra. A região de sombra total é chamada umbra. A região de sombra parcial é a penumbra (figura 1). Para quem está observando o fenômeno, ou seja, está aqui na superfície da Terra, há três possibilidades: Eclipse solar total: ocorre para o observador que fica na região de sombra total (umbra). A Lua "tapa" completamente o Sol. O dia se torna noite em minutos! A Natureza tem reações muito inusitadas durante um eclipse solar total: é possível encontrar vídeos na internet de galinhas entrando no galinheiro para dormir durante um eclipse total. Quando o fenômeno acaba e a luz do dia retorna, elas saem do galinheiro novamente como se fosse outro dia. Um eclipse solar total também é uma bela oportunidade para os pesquisadores. Com a Lua obstruindo a intensa luz solar, é possível estudar uma região em torno do Sol chamada "coroa solar" (figura 2). Esta região compõe uma espécie de atmosfera do Sol, com gás muito aquecido, (basicamente hidrogênio e um pouco de hélio). O hélio, 1315

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1 - Umbra: Eclipse Solar Total 2 - Penumbra: Eclipse Solar Parcial 3 - Sem sombra: não há eclipse 44 SOL TERRA LUALUA 1 Tipos de Eclipse Solar Figura 1 Astros sem escala 2 2 3 3 AstroNova . N.15 . 2017 16 inclusive, foi descoberto durante um eclipse solar, se tornando o único elemento químico encontrado primeiro no espaço para depois ser detectado também aqui na Terra. Daí seu nome, uma referência a Helios (Sol em grego). Foi em um eclipse total, visto a partir de Sobral no Ceará em 1919, que a medição do desvio aparente de uma estrela serviu como primeira evidência observacional da Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein. Sem o eclipse, as estrelas não seriam visíveis e a medição não poderia ser feita (figura 3). Eclipse solar parcial: é o que vê um observador que esteja na região de penumbra (pontos 2 da figura 2). Desta posição, a Lua cobre apenas parte do disco visível do Sol. Dependendo da porção do disco solar coberto pela Lua, o eclipse parcial pode tranformar a iluminação do ambiente em algo parecido com um fim de tarde - em pleno meio-dia! A figura 4 exibe uma astrofoto de um eclipse parcial. Eclipse anular: a órbita que a Lua descreve ao redor da Terra não é uma circunferência perfeita. É uma elipse de baixa excentricidade, ou seja, é "um pouco oval". Como a Terra não está exatamente no centro dessa "oval", há pontos em que a Lua está um pouco mais próxima de nosso planeta, e pontos onde está um pouco mais afastada (figura 5). Nestes pontos de maior afastamento, o diâmetro aparente da Lua (ou seja, o tamanho que a vemos no céu) fica ligeiramente menor. Claro, pois está mais afastada. Quando um eclipse solar acontece nessas condições, o diâmetro aparente da Lua pode não ser suficiente para cobrir todo o Sol. Ocorre então um eclipse solar anular, e as bordas do Sol Figura 2 - A região brilhante ao redor do Sol é a coroa solar. Por ser milhões de vezes menos brilhante que o Sol, só pode ser vista em um eclise solar total. Coroa Solar

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1317 AstroNova . N.15 . 2017 continuam visíveis, formando a imagem de um anel brilhante (figura 6). Este tipo de eclipse solar é mais raro, pois precisa coincidir com posições da Lua próximas do apogeu - nome dado a posição da órbita mais longe da Terra. Quem observa um eclipse anular está em uma região de sombra parcial chamada anti-umbra (figura 7). É importante lembrar que a Lua se afasta da Terra a uma taxa de aproximadamente 4 centrímetros por ano. Isto significa que um dia a Lua estará afastada da Terra a tal ponto que não conseguirá mais cobrir todo o disco solar. E nunca mais ocorrerão eclipses solares totais; apenas parciais ou anulares! Eclipse solar híbrido, um caso especial: existem situações muito raras em que, durante o movimento da sombra da Lua pela superfície da Terra, observadores de pontos diferentes vêem tipos distintos de eclipses, de totais a anulares. Para determinados pontos, a distância até a Lua é menor, e a região fica totalmente coberta pela sombra da Lua (umbra). Nestes locais, observaríamos um eclipse solar total. Já em outros locais, a distância até a Lua é maior porque a superfície da Figura 3: fotografia do eclipse solar total ocorrido em 29 de maio de 1919, visto da cidade de Sobral (CE). Em 1999 foi criado o Museu do Eclipse, uma exposição permanente, painéis contendo mapas e fotos da cidade de Sobral na época do Eclipse, dos integrantes das comissões brasileira e estrangeira para observação do fenômeno, instrumentos utilizados pelos cientistas e um telescópio adaptado com uma câmera digital de alta resolução, sendo este, considerado um dos aparelhos mais potentes do Norte e Nordeste do país. A luz de estrela distante sofre desvio pela gravidade do Sol e pode ser vista em um observatório na Terra, como previa a Teoria da Relatividade Geral proposta por Albert Einstein. Estrela distante Sol Lua Terra Figura 6 Eclipse solar anular ocorrido em 2003. https://stereo.gsfc.nasa.gov/ classroom/eclipse.shtml Figura 4 Eclipse solar parcial ocorrido em 2014. www.nasa.gov/content/goddard/ how-to-safely-watch-the-october-23-partial-solar-eclipse/ Figura 5 - O perigeu e o apogeu da Lua (fonte: Roscosmos)

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44 SOL TERRA LUALUA ECLIPSE SOLAR ANULAR (Astros sem escala) umbraanti-umbra Figura 7 - Formação da anti-umbra durante um eclipse anular. (Astros sem escala) Figura 8 - Ocorrência de eclipse solar híbrido. Movimento da Lua Eclipse anular Eclipse total Maior distância Menor distância AstroNova . N.15 . 2017 Terra é curva (nosso planeta é praticamente uma esfera), pode acontecer que estas regiões acabem sendo cobertas pela sombra parcial da Lua, a anti-umbra. Um observador desta região, portanto, veria um eclipse solar anular (veja figura 8). CONFIGURAÇÃO EM QUE UM ECLIPSE É POSSÍVEL O plano da órbita da Lua ao redor da Terra não coincide com o plano da órbita da Terra ao redor do Sol. Elas possuem uma diferença angular de 5 graus (figura 9). Desta forma, um eclipse só pode ocorrer quando o alinhamento entre Sol, Terra e Lua coincidir com a Lua em um ponto de sua órbita que toca o plano da órbita da Terra. É daí que vem o termo eclipse: o ponto de intersecção entre as eclípticas (linhas na esfera celeste que representam a trajetória do Sol e Lua em uma perspectiva geocêntrica). Se não existisse essa diferença angular nos planos orbitais da Lua e da Terra, haveriam eclipses todos os meses. Mas como os planos não coincidem, existem épocas do ano onde é possível a ocorrência de eclipses. Em todas as outras épocas não há como ocorrer eclipses pois qualquer alinhamento entre o Sol, a Terra e a Lua é impossível. É importante lembrar que devido as interações PERIGEU APOGEU Figura 9 Ângulo de 5º Sol Lua Terra Ângulo de 5ºÂngulo de 5º Ângulo de 5º Sol Plano orbital da Terra Plano orbital da Lua mosE agto Pontos onde a órbita da Lua intersecciona o plano orbital da Terra Pontos onde a órbita da Lua intersecciona o plano orbital da Terra

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19 AstroNova . N.15 . 2017 Figura 11 - Vendo um eclipse solar com o princípio da "câmara escura". Para uma imagem nítida é indicado manter a seguinte proporção: para um tamanho da caixa (L) de 50cm, o furo na caixa deve ser de aproximadamente 4 milímetros. L lluzsoar folha branca furo Ilustração - www.keyword-suggestions.com Figura 10 Abrangência do eclipse solar de agosto/2017. Clique na imagem para ver a animação. Astronomia e Astrofísica astro.if.ufrgs.br/eclipses/eclipse.htm gravitacionais com o Sol, a órbita da Lua gira lentamente e faz com que os meses das temporadas de eclipses se adiantem um pouco no decorrer dos anos. Em 2017, essas temporadas serão em fevereiro e agosto. VISÍVEIS NO BRASIL São dois os eclipses solares deste ano. O primeiro já aconteceu. Foi em 26 de fevereiro. Iniciou-se entre 10h e 11h30, variando com a região. Foi visível nos estados das regiões sul, sudeste, parte do centro- oeste e parte do nordeste. O segundo ocorre agora, dia 21 de agosto. Estima-se que só regiões norte e nordeste, e parte da região centro-oeste contemplarão o fenômeno. quanto mais ao norte, maior a área do disco solar coberta pela Lua (clique na figura 10). O início do eclipse variará de próximo das 15h até as 18h. Como ocorreu em fevereiro, o eclipse solar de agosto, visto no Brasil, será apenas parcial. COMO OBSERVAR UM ECLIPSE SOLAR Não devemos olhar diretamente para o Sol. Isto provoca lesões irreversíveis na retina, levando perda parcial ou total da visão. Por isto, observar um eclipse solar requer alguns cuidados. Não é aconselhado usar "chapas de radiografia". Apesar da filtragem de grande parte da luz visível tornar a observação do Sol fácil, estas "chapas" não filtram os raios ultravioleta. Observar o Sol com uma delas é bompardear os olhos com estes raios. A longo prazo pode levar a cegueira. Para quem faz questão de observar o fenômeno diretamente o ideal é adquirir filtros adequados para isto. Uma alternativa é o vidro usado em máscaras de soldador. Eles são classificados por números de acordo com a espessura. Para observar o Sol, a mínima espessura recomendada é a número 14. O método mais seguro é usando o princípio da "câmara escura". Nela, a imagem do Sol é projetada em um anteparo branco colocado na face interior de uma caixa que deve ter um pequeno furo na face oposta, por onde entra a luz (fig. 11). Resta-nos agora torcer para que no dia do eclipse o tempo colabore, mantendo as nuvens longe e o céu limpo. Wilson Guerra é professor, graduou-se em Física (UEM), tem especialização em Astrobiologia (UEL) e atualmente é mestrando em Educação Científica. Referências: Astronomia - Guia Ilustrado Editora Zahar Astronomia Elementar Roberto Rosa, Editora EDUFU

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Lua Astrofotógrafo: Newton Cesar Florencio 04/06/2017 Londrina - PR Lua Astrofotógrafo: Newton Cesar Florencio 04/06/2017 Londrina - PR

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