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Acervo textual da Revista AstroNova

Edição 15 — páginas 21 a 40

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Assuntos identificados: solar, terra, eclipse, disco, sistema, órbita, mayak, saturno, sagan, voyager.

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1321 EVOLUÇÃO O vai e vém dos seres vivos para a água mostram que a Evolução não é linear O vai e vém dos seres vivos para a água mostram que a Evolução não é linear As "baleias andantes"As "baleias andantes" Rogério C. Souza rogercsouza@yahoo.com Desde muito antes da publicação de A Origem das Espécies  por Charles Darwin em 1859, os naturalistas já procuravam explicações para o surgimento das baleias e dos cetáceos em geral, devido a Aristóteles ter incluído as baleias, por semelhanças anatômicas, no mesmo grupo dos mamíferos terrestres e não no grupo dos peixes, se julgasse simplesmente pelo formato do corpo. Darwin já sabia! Com o avanço do pensamento evolucionista, sobravam hipóteses, mas faltavam evidências. O próprio Darwin especulou sobre a ancestralidade das baleias. Ele ouviu relatos sobre ursos tentando pescar  salmões com grande dificuldade. Imaginou então um animal parecido com um urso. Na época foi ridicularizado por esse comentário, mesmo isso não uma mera especulação. Um outro mundo Essas evidências demoraram muito a chegar. Somente na década de 1970 as evidências da transição de um animal terrestre para um aquático começaram a aparecer, na região do atual Paquistão, antigo território banhado pelo extinto Oceano Tétis. Esse antigo oceano ia da região da atual Indonésia até Gibraltar, foi lentamente sendo fechado pelo avanço do subcontinente indiano e da península arábica em direção à Àsia, o atual Mar Mediterrâneo pode ser considerado o que restou do antigo Oceano Tetis. Essa movimentação foi produzindo um mar raso e tropical, riquíssimo em vida marinha, fazendo com que os carnívoros terrestres ficassem com água na boca. Após a extinção dos dinossauros, os mamíferos se diversificaram muito, originando muitos grupos e ocupando variados nichos. Um desses grupos deu origem aos atuais Artiodáctilos (herbívoros com numero par de cascos, como as vacas, cervos, girafas, camelos, cabras, hipopótamos, etc..) e aos cetáceos.

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AstroNova . N.15 . 2017 2022 Astros de O Hobitt e Senhor dos Anéis  Esse grupos era os mesoniquídeos, representado pelo Mesonyx, um animal carnívoro de grande porte (mais de 300 quilos), com mandíbulas gigantes e cascos, muito semelhante aos Wargs da saga O Senhor dos Anéis  de Tolkien, os grandes lobos montados pelos Orcs. Os Mesoniquídeos possuíam enormes mandíbulas, essas mandíbulas fizeram a diferença para o Figura 1 Questionamentos de Darwin começavam pela dificuldade dos ursos em capturar salmão; Figura 2 Os mares em outras eras. aparecimento dos Cetáceos Misticetos, os animais mais pesados que já existiram no planeta, representado principalmente pela Baleia Azul (Balaenoptera musculus), esses animais não possuem dentes, possuem cerdas queratinosas que servem para filtrar ou peneirar o alimento, pequenos peixes ou crustáceos como o krill. O outro grupo de cetáceos são os Odontocetos, representado pelos golfinhos, orcas, cachalotes, botos, etc, todos possuem dentes em forma de cone para melhor agarrar os peixes. A Baleia do Paquistão  Mas a arvore genealógica dos cetáceos é longa, a transição para o mar levou ao menos 40 milhões de anos para ocorrer, o mais antigo ancestral já descrito pertence-se ao gênero Pakicetus (ou Baleia do Paquistão ), era nitidamente um animal terrestre, a pista para revelar seus descendentes estavam em alguns detalhes da orelha Mesonyx Wargs em As Duas Torreas 

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1323 AstroNova . N.15 . 2017 Figura 11 A cratera Herschel, em Mimas. interna, como o Grande Auditório Bulla formado a partir do osso ectotimpânico, presente só em cetáceos. Já o Ambulocetus natans ( Baleia andante que nada ) era diferente de tudo que já existiu, literalmente uma forma transicional entre seres aquáticos e terrestres. Poderia nadar muito bem, mas ao mesmo tempo se movia em terra firme. Também encontrado no Paquistão, antigas praias do Tétis. Quase só aquáticos Em seguida começam a aparecer evidências de animais dependentes do ambiente aquático, da forma das atuais focas, como o Rodhocetus e Protocetus. Ambos não conseguiam se virar em terra firme tão bem quanto em ambiente aquático, que aliás garantia a continuidade da adaptação. Descendentes cada vez mais não precisavam sair da água para se reproduzir ou ter seus filhotes. Cem por cento Aquáticos Já os balisosaurideos como os Basilosaurus (erroneamente batizado de Lagarto Rei ) e Dorudon ( dentes de lança ), foram animais totalmente aquáticos. Muito mais compridos que os cetáceos atuais, ainda preservavam as pequenas pernas traseiras usadas para se prenderem durante o acasalamento. Dois grupos surgem Já na época miocena, ocorreu a diferenciação entre os dois grupos já Figura 3 Pakicetus, reconstruição e esqueleto fóssil. Figura 4 Ambulocetus caçando um ancestral dos cavalos Figura 5 Rodhocetus Figura 6 Dorudon

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AstroNova . N.15 . 2017 descritos, Odontocetos e Misticetos, sendo que os odontocetos mantiveram a característica dentária dos ancestrais apesar de possuírem somente um orifício nasal. Os misticetos se especializaram na alimentação e em climas polares, perderam os dentes mas conservaram as duas passagens. Mais evidências Além das evidências fósseis, os animais vivos atualmente também exibem pistas de sua ancestralidade. Observando um esqueleto de baleia azul é possível ver o que restou de sua cintura pélvica, além de seu código genético possuir semelhanças com o dos hipopótamos, artiodáctilos com mandíbulas enormes, semelhantes aos mesoniquídeos. No futuro novos achados poderão colocar novas peças no jogo identificando os elos que faltam na escala evolutiva. Infelizmente alguns sítios fossilíferos podem estar localizados em regiões com conflitos políticos (como o Paquistão, por exemplo), atrasando muito as novas descobertas sobre essa jornada incrível dos animais que voltaram para os oceanos 300 milhoes de anos após os anfíbios terem deixado a água. Rogério C. Souza graduou-se em Ciências Biológicas. É professor e coordenador da página Academia de Ciências Naturais. Figura 7 Basilosaurus comparado a um humano adultoFigura 8 Golfinho, exemplo de odontoceto Figura 9 Baleia Franca de boca aberta exibindo suas cerdas, exemplo de misticeto. Figura 10 Ancestralidade simplificada dos cetáceos. De cima para baixo: mesonyx, pakicetus, ambulocetus, rodhocetus, basilosaurus, dorudon, jubarte. Figura 11 Esqueleto de baleia azul. Em destaque o que restou da cintura pélvica  24

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Polo Celeste Sul Astrofotógrafo: Adriano Faciole Futuras instalações do Observatório Estrela do Sul 23/07/2017 Sarandi - PR Polo Celeste Sul Astrofotógrafo: Adriano Faciole Futuras instalações do Observatório Estrela do Sul 23/07/2017 Sarandi - PR

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Coordenado por o colabora com os sites Universo Racionalista, Ciência e Astronomia, InfoEscola, SpaceToday e Núcleo de Pesquisa de Ciências (NUPESC), além das revistas online AstroNova e Planetária. Yara Laiz Souza Ciência em Pauta Acompanhe os canais do CIÊNCIA EM PAUTA www.youtube.com/cienciaempautaporyaralaizsouzawww.facebook.com/pautadaciencia

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Rafael Cândido Jr. eletrorafa@gmail.com Certamente você já leu sobre histórias de pessoas que colocavam uma carta numa garrafa de vidro e lançavam no oceano. Neste artigo vamos conhecer sobre as garrafas  lançadas pela NASA ao espaço. No final dos anos 60, a NASA planejou uma série de sondas para análise dos planetas do Sistema Solar. Algumas destas naves seriam enviadas a Júpiter, e conforme a previsão da trajetória, após cumprida a missão, estas naves seguiriam rumo ao espaço. A ideia de que uma mensagem em forma de placa poderia ser acoplada nas Pioneers foi do escritor e consultor científico Eric Burgess, que era inglês e pertencia à Royal Astronomical Society. A ideia foi recebida com muito entusiasmo pelo astrônomo Carl Sagan, que propôs uma placa com informações de uma unidade padrão de medida baseada na molécula de hidrogênio, a localização do Sol e humanos de ambos os sexos. Reunido com Frank Drake e com a artista plástica Linda Salzman Sagan (esposa de Carl na época), construíram uma placa de ouro-alumínio anodizado a ser fixada na estrutura das Pioneer 10e11. Uma nova missão, uma nova mensagem Inicialmente, o Projeto Mariner tinha como meta enviar naves para Marte. O desenvolvimento de uma Mariner para Júpiter e Saturno gerou projetos tão diferentes das naves Mariner originais que a NASA decidiu transformar num projeto separado denominado Voyager. E assim como as Pioneer 10 e 11; as Voyagers seriam naves que sairiam do Sistema Solar. Então, a NASA autorizou novamente Carl Sagan a criar um grupo de trabalho para desenvolver A Set List do espaçoA Set List do espaço O disco de ouro da sonda espacial Voyager O disco de ouro da sonda espacial Voyager ASTRONÁUTICA 1327

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AstroNova . N.15 . 2017 2228 uma nova mensagem. A princípio, foi pensada uma mensagem gráfica como a das Pioneer. Porém eles queriam algo que não fosse tão limitado em informações, que pudesse haver algo mais que um desenho estático. Logo na primeira reunião foi pensada a ideia de um disco, algo equivalente a um LP (long playing). Vale lembrar que na época (segunda metade dos anos 70) o uso de CD lasers beirava a ficção científica. A primeira tarefa do grupo foi avaliar de qual material deveria ser feito o disco, qual conteúdo seria posto neste disco. Sendo um disco, quais seriam os sons que seriam mandados ao espaço? E como se mandariam as imagens? Uma fita magnética de vídeo ou uma película de cinema não suportaria as condições do espaço. Na época, a empresa Colorado Video havia desenvolvido um sistema que permitia a gravação e a reprodução de imagens estáticas em preto e branco e coloridas usando um LP. Eric Burgess (1920 - 2005) Placa das sondas Pioneer 10 e 11. Estados de transição quântica do hidrogênio. Isso funciona como unidade de comprimento e de tempo (mostrada pelo símbolo | abaixo da linha). Sistema Solar com a trajetória da Pioneer. Ao lado dos planetas estão grafados em números binários (na forma | e -) as distâncias até o Sol, tendo como unidade 1/10 da distância que separa Mercúrio do Sol. Distância do Sol em relação ao centro da Via Láctea e a 14 pulsares com seus respectivos períodos em números binários. A nave Pioneer e seu tamanho relativo a humanos adultos. A humanidade, com detalhe para o polegar opositor. Os genitais femininos não estão em detalhe devido a uma restrição da NASA. Cidadãos dos EUA poderiam considerar a imagem obscena.

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1319 Esta imagem é o 'dicionário' matemático, no qual são definidos os números em sistema binário (usando os grafismos | e -), sistema decimal, as operações fundamentais e o símbolo de igualdade. Primeira imagem: Círculo de calibração. Porém, ao invés de uma frequência de 33 1/3 rpm, comum nos LPs musicais, era de 16 2/3 rpm. Mas o LP não poderia ser de vinil, material também frágil nas condições do espaço. Então o disco foi construído em cobre revestido com ouro e sua capa foi feita em alumínio anodizado contendo urânio 238, de modo que o decaimento do U-238 atue como um parâmetro para contagem do tempo. Há também instruções sobre como colocar a agulha captadora, a frequência de giro do disco, o primeiro sinal, a forma como devem ser vistas as imagens e o círculo de calibração. Definidos os materiais, o que levaria o disco? Quais imagens e sons seriam eternizados nesta cápsula do tempo? Para definir o conteúdo do disco, o grupo teve as tarefas divididas. Carl Sagan e Frank Drake ficaram com a coordenação geral e a criação do dicionário , ou seja, o padrão que seria utilizado para definir um sistema numérico e as unidades de tempo, comprimento e massa. O artista plástico Jon Lomberg ficou encarregado de montar as gravuras do dicionário e selecionar as fotografias. A parte sonora foi dividida em 3: as saudações, os sons e as músicas. E nesta parte sonora responsabilizaram-se Linda Sagan, Ann Druyan e Timothy Ferris. Dicionário básico A primeira pergunta é: Como se faz uma comunicação com um ser extraterrestre? Não, não estamos falando de discos voadores ou de seres que vemos em filmes. Caso a nave Voyager seja descoberta daqui a milhões de anos por uma civilização avançada, AstroNova . N.15 . 2017 A capa e o disco da Voyager. Na capa percebem-se elementos já vistos na placa da Pioneer. Há também instruções sobre como colocar a agulha captadora, a frequência de giro do disco, o primeiro sinal, a forma como devem ser vistas as imagens e o círculo de calibração. Assim como na placa das Pioneer, a partir dos estados de transição quântica do hidrogênio são definidas unidades de massa, tempo e comprimento. Há a unidade 1e, que indica a massa de uma Terra.

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AstroNova . N.15 . 2017 2230 Profa. Patrícia realiza o experimento didático ao final da palestra. como estabelecer padrões que sejam reconhecidos? A única linguagem universal é a Matemática. Ou seja, a primeira forma de contato deve ser por números. É interessante que Carl Sagan explorou isso em seu livro Contato, no qual o início de uma mensagem do espaço começava com os números primos. Assim, após a primeira gravura, que é o círculo de calibração; haveria uma sequência de gravuras referentes à Matemática. Cada gravura seria exposta por 8 segundos, caso o disco seja girado na frequência certa de 16 2/3 rpm. É interessante notar que última inscrição na capa do disco é a primeira a ser apresenta ao girar o disco algo como uma mensagem: Se você seguiu as instruções corretamente, esta é a primeira coisa que você verá. Círculo de calibração Esta é a primeira imagem. Seguida do dicionário  matemático, no qual são definidos os números em sistema binário (usando os grafismos | e -), sistema decimal, as operações fundamentais e o símbolo de igualdade. Assim como na placa das Pioneer, a partir dos estados de transição quântica do hidrogênio são definidas unidades de massa, tempo e comprimento. Há a unidade 1e, que indica a massa de um planeta Terra. As imagens  nosso cartão postal As imagens seguem uma ordem. Após o dicionário há imagens coloridas do espectro solar e do Sistema Solar. Após as fotos do Sistema Solar há imagens de definições químicas, incluindo a composição da atmosfera da Terra, diagramas explicando o DNA, as células, a anatomia humana, a fertilização, gestação e nascimento. É nesta sequência que uma foto de um jovem casal com a moça grávida foi proibida de estar no disco por questão de não desagradar ao lado mais conservador da população dos EUA (afinal a NASA recebe dinheiro público). Na sequência tem-se fotos da comunidade humana, de paisagens naturais da Terra, de construções e de viagens espaciais. Algumas fotos foram gravadas com informações sobre suas cores, principalmente as que mostram detalhes tecnológicos. Alô do planeta Terra Uma parte do disco deveria ter uma saudação em vários idiomas falados no mundo. Uma saudação que fosse breve, para que não tomasse muito tempo de gravação no disco. A equipe do disco da Voyager entrou em contato com as Nações Unidas, para que cada representante de um idioma na Terra falasse uma mensagem curta. Só que isso gerou uma grande confusão. Praticamente todos os Imagem da Terra mostrando seu diâmetro e sua massa (1e) como definido na gravura anterior. A polêmica foto que a NASA não permitiu estar no disco. A foto foi tirada do livro "Murmúrios da Terra".

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1331 AstroNova . N.15 . 2017 representantes queriam falar e suas mensagens não eram nada curtas. Alguns citavam desde poesias a até um discurso comentando das características do seu país, certamente desconhecendo que do espaço não vemos fronteiras. A única gravação que ficou integral é a saudação feita por Kurt Waldheim, secretário-geral da ONU na época. Tanto que esta gravação foi escolhida como a primeira a ser exibida entre todos os sons. Com prazos apertados, a solução encontrada por Carl Sagan foi gravar pesquisadores do departamento de idiomas da Universidade de Cornell. Assim, puderam também ser incluídas linguagens mortas como sumeriano, acadiano, hitita e latim. Estas saudações são encerradas por uma mensagem em inglês falada por Nick Sagan, filho de Linda Salzman e Carl Sagan. Entretanto, as mensagens gravadas nas Nações Unidas não foram descartadas. Elas foram editadas de modo que apenas algumas partes são audíveis e ao fundo ouve-se o canto de baleias. Uma história de sons e ruídos Você que está lendo este artigo, quais são seus sons favoritos? É interessante que temos gostos, odores e paisagens favoritas, mas pouco paramos para perceber os sons que nos rodeiam. Como descrever o mundo que vivemos usando os sons? Se a pessoa vive numa área rural tem-se o som de galo cantando, cigarras, pássaros, animais. Nas cidades o ruído de buzinas, fábricas, trens e, dependendo do lugar, até de navios. O que foi montado foi uma sequência de sons que segue uma ordem cronológica, começando pela chamada música das esferas, citada pela primeira vez por Johannes Kepler em seu Harmonices Mundi. Seguindo por elementos como vulcões, chuva, terremotos, trovões e o borbulhar de lama, o indicativo da origem da vida. Logo depois animais, batidas cardíacas e som de fogo seguido de uma fala em língua do povo Kung, um povo ainda caçador-coletor que vive no deserto da Namíbia. Finalmente há sons de atividades humanas, agrícolas e industriais. A série de sons encerra com os sons de um beijo, uma mãe conversando com seu bebê, os indícios de vida (gravados a partir de um encefalograma feito em Ann Druyan, que durante a criação do disco da Voyager apaixonara-se por Carl Sagan, sendo correspondida) e o som de um pulsar, que dá um chiado parecido com o que se tinha nos encerramentos dos LPs antigos. Músicas de toda a humanidade Dois critérios foram a estrutura principal das escolhas de música: deveriam ser inclusas músicas das mais variadas culturas da Terra e as músicas deveriam ser incluídas não apenas por questão de respeito, mas principalmente por tocar o coração e a mente. Para colaborar, foram convidados o musicólogo Robert Brown e o etnomusicólogo Alain Lomax que citaram várias A carta de Ann Druyan e Carl Sagan parabenizando Chuck Berry.

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Referências bibliográficas A principal referência é o raríssimo livro Murmúrios da Terra, escrito por Carl Sagan e por todos os que participaram da criação do disco. Atualmente este livro não é mais editado, só é encontrado em sebos. Há na Internet páginas citando em detalhes o conteúdo do disco, com as imagens, sons e músicas. Na Wikipédia em espanhol: AstroNova . N.15 . 2017 2232 obras desconhecidas no mundo ocidental. Carl Sagan cita no livro Murmúrios da Terra que gostaria muito que a música Here comes the Sun dos Beatles fosse incluída. Mas havia a questão de direitos autorais, então o próprio Sagan telefonou para cada um dos Beatles para conversar. Todos os quatro aceitaram prontamente. Entretanto, a música dos Beatles não pertencia a eles, e sim à gravadora, que não concordou com a cessão do fonograma. Anos depois, em 1986, Carl Sagan e Ann Druyan (agora casada com Carl) escreveram uma carta parabenizando o cantor Chuck Berry pelos seus 60 anos e citando a música Johnny B. Goode, que foi gravada no disco. A cápsula do tempo Carl Sagan cita em alguns de seus livros que quando criança, na exposição de 1939 de Nova York, viu uma cápsula do tempo ser enterrada para ser aberta só 100 anos depois. Esta cápsula continha fotos, recortes de jornais, película de filme de cinema e alguns objetos da época. Os discos em cada uma das Voyagers são como cápsulas do tempo. Entretanto não serão abertas em centenas de anos e nem por humanos. Pode ser que vaguem pelo Universo muito mais tempo que pensamos. Não podemos prever se alguma civilização vai encontrar uma das Voyagers ou uma das Pioneers. Talvez se isso acontecer, a espécie humana poderá já estar extinta, ou, conseguiu sobreviver aos obstáculos e prevalecer não apenas na Terra, mas em outros planetas também. Se as naves forem encontradas, serão o registro de uma espécie que um dia teve um anseio de ser encontrada nesse imenso oceano cósmico, uma esperança de conhecer e ser conhecida entre as outras formas de vidas do Universo. Dedicatória Ao final da confecção, Carl Sagan pediu que no intervalo não sulcado dos discos, ou seja, na parte final dos LPs, fosse gravada uma dedicatória, a qual também está no livro Murmúrios da Terra. Fazemos a mesma dedicatória para este artigo: "Aos compositores  de todos os mundos, de todos os tempos." Rafael Cândido Jr. é graduado e mestre em Engenharia Química pela USP e doutorando em Engenharia Aeroespacial pelo ITA es.wikipedia.org/wiki/ Disco_de_oro_de_las_Voyager Há também disponível no Youtube as músicas e os sons gravados na Voyager. Uma busca pela expressão: Voyager's golden record, traz como resultado playlists, as músicas isoladas e inclusive vídeos com algumas das imagens. No site oficial da NASA também há informações disponíveis. Por conta dos direitos autorais não é possível ouvir as músicas e nem ver todas as fotos. voyager.jpl.nasa.gov/ spacecraft/goldenrec.html

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www. RECURSOSdeFÍSICA .com.br Página que socializa produção de recursos de ensino adaptados à sala de aula e aos professores. Material produzido nas disciplinas do curso de Licenciatura em Física da UEM e em outros projetos coordenados pelo prof. Dr. Ricardo Francisco Pereira.

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Nebulosa de Órion (acima) Nebulosas da Chama e da Cabeça do Cavalo (abaixo) Astrofotógrafo: Ricardo Leite 23/07/2017 Munhoz - MG Nebulosa de Órion (acima) Nebulosas da Chama e da Cabeça do Cavalo (abaixo) Astrofotógrafo: Ricardo Leite 23/07/2017 Munhoz - MG

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35 Cristian Reis Westphal cienciaeastronomia@gmail.com O foguete cargueiro russo Soyuz 2.1a lançou com sucesso um satélite novo em órbita. Ele se tornará uma das nossas estrelas  mais brilhantes dentro de alguns dias, ao ponto de alguns astrônomos temerem interferência em suas observações. O satélite Mayak ("farol", em russo), desenvolvido por jovens engenheiros da Universidade Estatal de Moscou (MAMU), foi financiado no valor de US$30.000 dólares através de um site de financiamento coletivo russo. No dia 14 de julho, a sonda foi lançada com sucesso no cosmódromo de Baikonur no Cazaquistão, juntamente com outros 72 outros satélites. Mayak se enquadra na categoria dos cubesat s, um pequeno satélite do comparável a uma caixa de sapatos. A uma distância de 600 quilômetros acima da Terra, irá abrir uma vela gigante em forma de pirâmide, projetada para refletir a luz solar. A vela solar abrangerá 16 metros quadrados, esticada, terá uma espessura 20 vezes mais fina que um fio de cabelo. A empresa por trás do projeto diz que o objetivo da missão é inspirar as pessoas a observarem e explorarem o céu, além de testar tecnologias para satélites em órbitas. Usando um aplicativo no telefone, os patrocinadores do projeto poderão rastrear sua localização e descobrir quando o satélite estará visível sobre o céu da cidade. MAYAK Um farol na órbita da Terra ASTRONÁUTICA MAYAK Um farol na órbita da Terra

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O foguete cargueiro Soyuz 2.1a partiu dia 14 de julho com o Mayak e outros 72 satélites. Foi desenvolvido um aplicativo que permitirá prever e avisar as aparições do Mayak. AstroNova . N.15 . 2017 36 O satélite permanecerá em órbita por pelo menos um mês. Embora esteja em uma altitude tão grande, existe uma possibilidade do cubesat ficar por muitos meses se a órbita não se alterar, conforme planejado. Segundo cálculos, a empresa diz que o satélite produzirá um brilho com uma magnitude de -3 à -10, perdendo apenas para o Sol e a Lua, tornando-se o quarto objeto mais brilhante no céu noturno após Vênus. Este fenômeno ocorrerá por conta da reflexão de raios solares por superfícies reflexivas nos satélites artificiais que, vista da Terra, cria uma espécie de "pulso luminoso" no céu que dura alguns segundos. Esses satélites estão sempre orientados em uma direção determinada e por isso suas superfícies espelhadas se mantêm a um ângulo constante em relação ao solo, permitindo, assim, a previsão dos flares, que pode ser feita por diversos programas de computador, aplicativos para celular e sites disponíveis gratuitamente. O Mayak também testará técnicas de freamento em órbita, podendo assim trazer informações que podem ser usadas para desviar satélites velhos e minimizar a ocorrência de lixo espacial. Vários pesquisadores temem que o brilho que o satélite poderá ocasionar no céu, possa atrapalhar observações noturnas com telescópios e interferir em diversas pesquisas importantes no ramo da Astronomia. Já Michael Wood-Vasey, da Universidade de Pittsburgh, diz que provavelmente o cubesat Mayak não será um problema para os astrônomos. Cristian Reis Westphal é acadêmico de Engenharia Química. Também é coordenador da página Ciência e Astronomia Engenheiros preparam a lâmina refletora o satélite Mayak. O engenheiro Alexandr Shaenko, líder do projeto, com uma réplica do Mayak. Ilustração mostra o Mayak em órbita, com suas "velas refletores" estendidas. Mayak comparado a um celular.

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Lua Crescente Astrofotógrafo: Adriano Faciole 25/07/2017 Sarandi - PR Lua Crescente Astrofotógrafo: Adriano Faciole 25/07/2017 Sarandi - PR

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www.pb.utfpr.edu.br/geastro Gp x mruode Estudo, pesquisa eetensão em Astronoia

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Educação científica 24 horas por dia! Biologia, Ecologia, Geologia, Astronomia, Evolução, Genética e muito mais! Educação científica 24 horas por dia! Biologia, Ecologia, Geologia, Astronomia, Evolução, Genética e muito mais! www.facebook.com/academiadecienciasnaturaiswww.facebook.com/academiadecienciasnaturais Academia de Ciências Naturais Academia de Ciências Naturais Academia de Ciências Naturais Academia de Ciências Naturais

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AstroNova é uma colaboração de estudantes, professores, astrônomos amadores e profissionais para a divulgação de Astronomia e Ciências da Natureza. Tem lançamento trimestral e divulgação pública e gratuita. Disponível em: www.caeh.com.br www.grupocentauro.org/astronova Acompanhe nossa página no Fabebook www.facebook.com/AstroNovaBrasil REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA

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