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Acervo textual da Revista AstroNova

Edição 22 — páginas 1 a 20

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Assuntos identificados: eclipse, estrelas, solar, planeta, terra, estrela, marte, astronomia, massa, superfície.

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REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS Ano 06 - Nº 22 - Junho/2019 Tour pelo Sistema Solar Os anéis de Saturno Tour pelo Sistema Solar Os anéis de Saturno O Eclipse de 1919 e a Relatividade de Einstein O Eclipse de 1919 e a Relatividade de Einstein As Estrelas Anãs As Estrelas Anãs ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS NOTÍCIAS METEÓRICAS APRENDENDO SOBRE O SOL VIDA EM MARTE? O que as atuais pesquisas dizem sobre a Vida no planeta vermelho VIDA EM MARTE? O que as atuais pesquisas dizem sobre a Vida no planeta vermelho

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Editores: Rafael Cândido Junior [email protected] Wilson Guerra [email protected] Redatores: Fernando Bortotti [email protected] Michel Corci [email protected] Rafael Cândido Junior [email protected] Thiago Ribeiro Oblesrczuk [email protected] Wilson Guerra [email protected] Arte e Diagramação: Wilson Guerra [email protected] Nesta edição da revista AstroNova, começamos citando duas “efemérides”: os 100 anos do eclipse de Sobral e os 5 anos da revista. E na comemoração dos 5 anos, informamos que agora temos uma página na rede social Instagram. Lá vamos publicar um pouco sobre a história da AstroNova, além de notícias e belas fotos astronômicas. Os 100 anos do eclipse de Sobral foram relembrados por Tiago Oblerczuk, do Clube Arcturus. No artigo, ele apresenta os tipos de eclipse e a importância do eclipse de Sobral em 1919 para a comprovação da teoria da relatividade se Einstein. Rafael Cândido encerra sua série sobre as estrelas, apresentando as estrelas anãs, revelando inclusive uma curiosa situação estelar que nunca haveremos de presenciar. Ele também traz um relato de atividades realizada pelo Arcturus, grupo de Astronomia Amadora do qual é membro fundador, em ações concretas de divulgação de Astronomia e Ciência. O professor Michel Corci nos traz um texto muito didático sobre o Sol. De modo simples e cientificamente preciso, sua proposta de abordagem no tema é também um profícuo material para ser usado em sala de aula. Eu trato rapidamente sobre as fascinantes possibilidades de Vida em Marte. Esta edição retorna com a sessão de Notícias Meteóricas (chamadas rápidas), feitas por Fernando Bortotti. E como de costume, começamos a edição com Astronáutica: nossa agenda dos lançamentos de foguetes espaciais nesse trimestre e as últimas atividades na Estação Espacial Internacional (SS). Uma ótima leitura a todos! Wilson Guerra GCAA AstroNova . N.22 . 2019 EXPEDIENTE EDITORIAL Capa: nebulosa Trífida Astrofoto de Bruno Bonicontro Wilson Guerra GCAA Wilson Guerra GCAA Wilson Guerra GCAA

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SUMÁRIO Tour pelo Sistema Solar Os anéis de Saturno 08 11 15As Estrelas Anãs Ano 6 | Edição nº 22 | 2019 10 21 Os 100 anos do Eclipse Solar de Sobral e a Teoria da Relatividade Geral Aprendendo um pouquinho sobre o Sol 31 Divulgação Científica: Atividades do grupo Arcturus Notícias Meteóricas 33 Vida em Marte? Da especulação à Astrobiologia

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Principais Lançamentos do TrimestrePrincipais Lançamentos do Trimestre ASTRONÁUTICA Foguete: Falcon9 (SpaceX) Carga: cargueiro Dragon CRS 18 mantimentos para ISS Local: base do Cabo Canaveral Data: 21/julho/2019 Foguete: Pegasus XL Carga: ICON, satélite da NASA para estudos ionosféricos Local: base do Cabo Canaveral Data: junho/2019 Foguete: Soyuz (RKK Energiya) Carga :Meteor M2-2, satélite meteorológico Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 05/julho/2019 RÚSSIARÚSSIA ESTADOS UNIDOS ESTADOS UNIDOS Foguete: Proton (RKK Energiya) Carga: Spektr-RG, radiotelescópio espacial em Raios-X Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 21/junho/2019 Foguete: Soyuz (RKK Energiya) Nave Soyuz MS-13 com a tripulação 55 da Estação Espacial Internacional Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 20/julho/2019 Foguete: Falcon Heavy (SpaceX) Carga: conjunto de satélites miliates e científicos Local: base do Centro Espacial Kennedy Data: 24ou25/junho/2019 Foguete: Delta 4 (ULA) Carga: GPS 3 Sv02, satélite de posicionamento global Local: base do Cabo Canaveral Data: 25/julho/2019 Foguete: Soyuz (RKK Energiya) Carga: Arktika-M 1, satélite de comunicação e sensoriamento Local: Cosmódromo de Baikonur Data: junho/2019

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Principais Lançamentos do TrimestrePrincipais Lançamentos do Trimestre ASTRONÁUTICA Foguete: GSLV Mk.3 Carga: Chandrayaan 2, jipe robótico lunar Local: base de Sriharikota Data: 14/julho/2019 ÍNDIAÍNDIA Foguete: PSLV Carga: Cartosat 3, imageamento da Terra (ISRO) Local: base de Sriharikota Data: julho//2019 NOVA ZELÂNDIA NOVA ZELÂNDIA Foguete: Electron (Rocket Lab) Carga: “Make it Rain”, vários e pequenos satélites Local: península Mahia Data: 27/junho/2019 Foguete: Vega (ArianeSpace) Carga: PRISMA, satélite eletro-ótico de observação da Terra Local: Base de Kourou Data: 14/03/2019 Foguete: Vega 5 (ArianeSpace) Carga: Falcon Eye 1, satélite de observação da Terra (Arábia Saudita) Local: Base de Kourou Data: 5ou6/julho/2019 EUROPAEUROPA CHINACHINA Foguete: Longa Marcha 3B (CNSA) Carga: Beidou, satélite para sistema de navegação global Local: Base Xichang Data: 25/junho/2019 Foguete: Longa Marcha 5 (CNSA) Carga: Shijian 20, lançamento múltiplo de 20 satélites de comunicação Local: Base de Wenchang Data: julho/2019 Foguete: Hyperbola 1(iSpace) Carga: vários pequenos satélites de comunicação para testes Local: Base de Jiuquan Data: junho/2019

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Principais atividades - março a maio/2019Principais atividades - março a maio/2019 Tripulação atualTripulação atual ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONALESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL Próxima Expedição - Soyuz MS-13 (06/07/2019)Próxima Expedição - Soyuz MS-13 (06/07/2019) O astronauta David Saint-Jacques planta sementes para pesquisa com vegetais no sistema Veg-03H O astronauta David Saint-Jacques planta sementes para pesquisa com vegetais no sistema Veg-03H Cosmonauta Oleg Kononenko realiza testes de bioimpressão 3D, que estudará impressão de tecidos vivos no ambiente de microgravidade. Cosmonauta Oleg Kononenko realiza testes de bioimpressão 3D, que estudará impressão de tecidos vivos no ambiente de microgravidade. Astronautas Nick Hague e Anne McClain trocam baterias de hidrogênio da estrutura transversal da Estação Espacial Astronautas Nick Hague e Anne McClain trocam baterias de hidrogênio da estrutura transversal da Estação Espacial

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Os anéis de Saturno têm confundido os astrônomos desde que Galileu Galilei os descobriu com seu telescópio em 1610. Estudos detalhados das espaçonaves Voyager 1 e 2 nos anos 80 apenas aumentaram o mistério. Há milhares de anéis compostos de bilhões de partículas de gelo e rocha. As partículas variam do tamanho de um grão de 08 açúcar até o tamanho de uma casa. Acredita-se que os anéis sejam pedaços de cometas, asteróides ou luas despedaçadas que se desfizeram antes de atingirem o planeta. Cada anel orbita em uma velocidade diferente em volta do planeta. Informações da missão Cassini da Nasa ajudarão a revelar como se formaram, como eles se mantêm em suas órbitas e, acima de tudo, por que estão lá em primeiro lugar. Apesar dos outros três planetas gasosos do sistema solar -Júpiter, Urano e Netuno- terem anéis orbitando ao seu redor, os de Saturno são de longe os maiores e mais espetaculares. Com uma espessura de cerca de 1 quilômetro ou menos, eles chegam a até 282 mil quilômetros, cerca de três Um Tour pelo Sistema Solar SISTEMA SOLAR Os anéis de SATURNO

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Características principais dos anéis de Saturno NOME DISTÂNCIA *LARGURA ESPESSURA MASSA ALBEDO D B A F G E 67.000 km 92.000 km 122.200 km 140.210 km 165.800 km 180.000 km ? 19 2,8.10kg 18 6,2.10kg ? 7 10 kg ? ? 0,65 0,60 ? ? ? 7.500 km 25.500 km 14.600 km 30 km 8.000 km 300.000 km ? 0,1 km 0,1 km 500 km 100 km 1.000 km * A distância é medida do centro do planeta até o início do anel. quartos da distância entre a Terra e sua Lua. Batizados alfabeticamente na ordem em que foram descobertos, os anéis estão relativamente próximos uns dos outros, com exceção da Divisão de Cassini, uma lacuna medindo 4.700 quilômetros. Os anéis principais são conhecidos, da direção do planeta para fora, como C, B e A. A Divisão de Cassini é a maior lacuna entre os anéis e separa os anéis B e A. Mais recentemente foram descobertos vários anéis mais tênues. O anel D é o mais tênue e mais próximo do planeta. O anel F é um anel estreito no lado externo do anel A. Além dos dois há anéis mais tênues chamados G e E. Os anéis exibem uma tremenda quantidade de estrutura em todas as escalas; parte desta estrutura está relacionada a perturbações gravitacionais provocadas pelas muitas luas de Saturno, mas grande parte permanece inexplicada. Para entrar na órbita de Saturno, a Cassini atravessou a fenda entre os anéis F e G, mais distante do planeta do que a Divisão de AstroNova . N.22 . 2019 09 Cassini. Como medida de segurança, durante a travessia do plano dos anéis, instrumentos e câmeras a bordo da espaçonave foram desligados temporariamente. Mas a incrível travessia para a órbita de Saturno forneceu informação, fotos e filmagens incríveis enquanto os instrumentos de bordo coletaram dados únicos capazes de responder às muitas perguntas sobre a composição dos anéis. Referências : NASA https://solarsystem.nasa.gov/ planets/saturn/overview/

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Por que enviam telescópios ao espaço? Uma das formas mais utilizadas pelos astrônomos para compreender o universo é analisar a luz emitida por objetos no espaço. Os telescópios são colocados em órbita em torno da Terra para obter uma visão mais “clara” do Universo, a principal razão é evitar a perpétua encrenqueira, a atmosfera! T AMEEÓRICST AMEEÓRICST AMEEÓRICS FernandoFernando BortottiBortotti NotíciasNotícias POR:POR: O que a roleta do cassino da Urca tem a ver com colapso de supernovas? Foram os físicos George Gamow e Mario Schenberg que descreveram o processo de colapso estelar, colocando os neutrinos – uma das várias partículas elementares da Física - como os responsáveis pelo fenômeno. Gamow batizou o fenômeno de Efeito Urca, por dois motivos: em Odessa Urca significa ladrão e por causa da velocidade com que o dinheiro sumia da mesa de roleta no antigo Cassino da Urca. Descoberta de Netuno Os astrônomos ao estudar a orbita de Urano notaram que aparentemente ele não obedecia as Leis de Newton. Para contornar esse problema foi proposto a existência de um planeta após Urano, que estaria afetando sua órbita gravitacionalmente. Em 1843 John Couch Adams realizou os primeiros cálculos que mostravam a posição do oitavo planeta. Ulteriormente, Urbain J.J. LeVerrier, de forma independentemente, realizou suas próprias previsões de onde encontrar o astro. Foi então em 1846 no observatório de Berlim que o novo planeta foi observado e passou e ser chamado de Netuno. A parte visível das nuvens é vapor de água? A visibilidade da água no ar se deve às partículas com dimensões maiores que o comprimento da luz branca. Só é possível perceber água no ar quando existem partículas de água líquida, isso só acontece quando o ar se satura de água, portanto a parte visível das nuvens não é vapor de água.

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Michel Corci Batista [email protected] Concorda que de todos os astros luminosos observáveis, o Sol é o mais importante dentre eles, para nós? O nosso querido Sol é a estrela responsável por toda espécie de vida e manutenção dela em nosso planeta. Sem ele até o ar seria congelado. Conforme a Terra gira, o Sol ilumina diferentes regiões. As pessoas que vivem nessas áreas vêem o Sol nascendo na região leste, movendo-se pelo céu e pondo na região oeste. Mas cuidado! Esse é o que chamamos de movimento aparente do Sol. Na verdade não é o Sol que se move de leste para oeste como aparece em muitos livros, é a Terra que gira, proporcionando esse movimento aparente. A Terra se move constantemente em torno do Sol. O tempo que ela leva para completar uma volta (ou uma órbita) é de um ano. Essa órbita não é totalmente circular. Assim a Terra está um pouco mais perto do Sol em janeiro e um pouco mais afastada em julho. Mas isto não tem nada a ver com as estações do ano! Quando a Terra está na posição mais próxima do Sol dizemos que ela está no periélio e quando ela está na posição mais afastada do Sol dizemos que ela está no afélio. Mas professor, por que o Sol brilha? Como as outras estrelas, o Sol é uma enorme bola de gás brilhante, que se mantém unida pela gravidade. A enorme gravidade do núcleo do Sol comprime os átomos até que eles se fundam em átomos maiores. Isso libera uma 11

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Núcleo Zona Radiativa Zona Convectiva 12 AstroNova . N.22 . 2019 enorme quantidade de energia. Bem, parte dessa energia é usada para manter as condições de temperatura e pressão interna e parte é emitida na forma de radiação que escapa pela superfície iluminando e aquecendo os astros do espaço interplanetário. Para dar vazão a essa energia toda podemos dividir o interior do Sol em três estruturas: núcleo, zona radiativa e zona convectiva. Em relação à atmosfera, o Sol também pode ser dividido em camadas. A atmosfera da estrela Sol é dividida basicamente em três: fotosfera (parte visível a olho nu), cromosfera (pode ser vista observando-se o Sol com um filtro especial na luz vermelha conhecido como H-alfa) e coroa solar (visível durante os eclipses totais do Sol) representando a camada mais externa. A nossa estrela mais querida é uma estrela jovem, possui em média 4,5 bilhões de anos, está na metade de sua vida devido à grande quantidade de hidrogênio ainda disponível. O Sol é considerado uma estrela de quinta grandeza ou magnitude, de cor amarelada é a estrela mais próxima de nós. Apesar de ser a estrela mais próxima encontra-se a uma distância média de 150 milhões de quilômetros da Terra, distância ideal para sustentar a vida aqui. Devido a essa distância, sua luz demora o equivalente a 8 minutos e 20 segundos para chegar até a Terra. Sabe o que isso significa? Para entender melhor podemos usar a ilustração: se por algum motivo o Sol deixa-se de existir agora, só notaríamos sua falta daqui 8 minutos e 20 segundos. O Sol é uma esfera gasosa cuja temperatura na superfície é de aproximadamente 6000 graus Celsius e no núcleo atinge os 15 milhões de graus Celsius. Em relação à Terra, possui uma massa 333 mil vezes maior ocupando 99,8% de toda a massa do sistema inteiro que o acompanha, sendo o maior objeto de todo o Sistema Solar. COMO OLHAR PARA O SOL DE MANEIRA SEGURA? IMPORTANTE! Jamais olhe diretamente para o Sol. 1 - Pegue dois pedaços de cartolina branca e, utilizando uma caneta (ou compasso) faça um furo em um deles. 2 - Segure os dois pedaços de cartolina a uma distância de aproximadamente 20 cm um do outro. O que contém o furo deve estar apontado para o Sol. 3 - Aproxime e afaste os cartões de cartolina até que a imagem do Sol fique nítida no cartão sem o furo.

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Referência em Astronomia Amadora no Norte do Paraná Clique aqui e visite nosso grupo no FaceBookClique aqui e visite nosso grupo no FaceBook

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www. RECURSOSdeFÍSICA .com.br Página que socializa produção de recursos de ensino adaptados à sala de aula e aos professores. Material produzido nas disciplinas do curso de Licenciatura em Física da UEM e em outros projetos coordenados pelo prof. Dr. Ricardo Francisco Pereira.

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15 ASTROBIOLOGIAASTROFÍSICA ESTELAR ESTRELAS ANÃS Rafael Cândido Jr. [email protected] Quando estudamos a evolução de estrelas com massas próximas à massa solar, vemos que nos estágios finais há a formação de uma estrela denominada anã branca. Neste artigo vamos conhecer o que são estas estrelas, quais são seus tipos e suas características. Em 1906, ao estudar estrelas vermelhas, o astrônomo EjnarHertzsprung (o mesmo do diagrama H-R) propôs dividi-las conforme o seu brilho. Tomando como referência a luminosidade solar, formou duas classes: estrelas gigantes e estrelas anãs. Com o avanço da Astronomia, o termo estrela anã se tornou mais abrangente e foi aplicado para a inclusão de outros tipos de estrelas. Anãs brancas São o último estágio da evolução de estrelas com massa de até 10 vezes a massa do Sol. Após perderem grande parte de sua massa na fase de nebulosa planetária, estas estrelas não são suficientemente massivas para que possam realizar a fusão do carbono e do oxigênio em seus núcleos. Assim, o núcleo deveria sofrer um colapso gravitacional pois não há mais a energia da fusão nuclear para contrabalançar a gravidade. Isso não acontece porque ocorre a pressão da degenerescência eletrônica. Então, a luz emitida por uma anã branca é proveniente da energia térmica contida na estrela. Por ter baixa luminosidade, a emissão de energia pela anã branca é baixa, de modo que seriam necessários centenas de bilhões de anos para que uma anã branca esfrie até não emitir mais nenhuma luz. Sendo a idade atual do

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16 AstroNova . N.22 . 2019 universo estimada em 13 bilhões de anos, as anãs brancas ainda têm muito tempo de emissão de luz. Dentre as anãs brancas conhecidas, tem-se Sirius B, que forma um sistema binário com a estrela Sirius A, estrela da Sequência Principal. (Figura 1). Outros exemplos de anã branca são Procion B, que forma um sistema binário na constelação do Cão Menor; e a estrela 40 Eridani B, no sistema triplo de OmicronEridani. Figura 1: Sistema binário de Sirius, a maior estrela é Sirius A e a menor no canto inferior à esquerda é Sirius B. Foto obtida pelo telescópio espacial Hubble. Anãs negras Após o esgotamento da energia térmica da anã branca, esta não emitiria mais luz. Como citado, uma anã branca levaria centenas de bilhões de anos para chegar a este estágio final de sua existência. Sendo que nosso universo tem ‘apenas’ 13,8 bilhões de anos, não se encontram anãs negras no universo. Anãs vermelhas Anãs vermelhas são estrelas do tipo espectral M, com massa variando entre 0,075 a cerca de 0,5 da massa solar e temperatura de superfície entre 2500 K e 4000 K. No diagrama de Hertzsprung- Russel, são estrelas que se localizam na parte inferior da Sequência Principal. São o tipo de estrela mais comum da Via Láctea, entretanto, devido a sua baixa luminosidade, são difíceis de serem observadas individualmente. Estima-se que 75% das estrelas da Via Láctea sejam anãs vermelhas. Nessas estrelas, prevalece o mecanismo de convecção, ou seja, há transferência de matéria entre o núcleo e a superfície. E assim, o hélio produzido no núcleo das anãs vermelhas não se acumula no núcleo, prolongando o período de fusão do hidrogênio. Com isso, as anãs vermelhas mantêm a luminosidade constante por trilhões de anos, até que todo seu hidrogênio acabe. Um exemplo de anã vermelha é Proxima Centauri (Figura 2), a estrela mais próxima do Sol. Apesar da proximidade, só foi descoberta por observação telescópica em 1915, pelo astrônomo escocês Robert Innes. Além da baixa luminosidade, é ofuscada

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lugar para procurar sinais de vida, pois são altamente estáveis e apresentam baixa emissão de radiação ultravioleta. Estas características também estão presentes nas anãs vermelhas, porém a zona habitável de uma anã 1317 pelas estrelas Alfa Centauri A (RigilKentaurus) e Alfa Centauri B (Toliman); estrelas com as quais forma um sistema ternário. Anãs laranjas Anãs laranjas são estrelas da Sequência Principal do tipo espectral K, com massa variando entre 0,5 a 0,8 da massa solar e temperatura de superfície entre 4000 K e 5200 K. Modelos teóricos mostram que estas estrelas poderão ficar de 20 a 75 bilhões de anos na Sequência Principal. Alguns astrofísicos consideram que estas estrelas podem ter planetas que sejam um promissor vermelha é muito próxima à estrela, o que pode causar o fenômeno da rotação sincronizada, ou seja, a rotação do planeta ter o mesmo tempo de translação. Isso causaria tempos muito grandes de exposição à luz estelar e de escuridão. Nas anãs laranjas, a zona de habitabilidade é maior e não está tão próxima da estrela. Cita-se como exemplo de anã laranja com planetas a estrela EpsilonEridani, em torno da qual há um planeta um pouco maior que Júpiter e uma grande nuvem de poeira cósmica, similar aos cinturões de asteroides e de Kuiper do nosso Sistema Solar. (Figura 3) Anãs amarelas Esta denominação é aplicada às estrelas do tipo espectral G da Sequência Principal, com massa entre 0,8 e 1,2 massas solares e temperatura Figura 2: Próxima Centauri. Foto obtida pelo telescópio espacial Hubble. Figura 3: Concepção artística do sistema de Epsilon Eridani. [1] AstroNova . N.22 . 2019

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18 superficial entre 5300 K e 6000 K. O uso da expressão anã amarela se aplica para se contrapor às estrelas gigantes amarelas. Um exemplo de anã amarela é o Sol. (Figura 4) Como já visto em artigo anterior (Revista Astronova nº 19), estas estrelas fundem hidrogênio formando hélio, que se acumula no núcleo. Ao esgotar o hidrogênio, a estrela sai da Sequência Principal tornando-se uma gigante vermelha. Anãs azuis É um tipo de estrela previsto em modelos teóricos relativos à evolução das anãs vermelhas. No futuro, quando estas estrelas esgotarem seu hidrogênio ocorrerá a transferência de energia por radiação, isto tornará a superfície destas estrelas mais azuladas pois haverá maior emissão de energia. Após a fase de anã azul, prevê-se que se tornem anãs brancas. Entretanto, como as anãs vermelhas são estrelas muito longevas, o Universo ainda não possui nenhuma anã azul formada. Anãs marrons Anãs marrons são um tipo de objeto sub-estelarcoom massa maior que a de planetas gasosos e menor que as estrelas mais leves, variando entre 13 a 80 vezes a massa de Jupiter. Estes objetos não possuem massa suficiente para iniciar uma fusão nuclear de hidrogênio em seus núcleos, entretanto, conseguem fundir o deutério, forma isotópica do hidrogênio; e caso a massa seja maior que 65 vezes a massa de Júpiter, é possível realizar a fusão nuclear do lítio. Apesar do nome, as anãs marrons apresentam diferentes cores como laranja, vermelho e até mesmo magenta pois estes Figura 4: O Sol, uma anã amarela.Embora sua cor seja branca, vemos amarelo devido ao espalhamento de Rayleigh. Foto: GeoffElston, Society for Popular Astronomy, Inglaterra. AstroNova . N.22 . 2019 Figura 5: Concepção artística de uma anã marrom de classe espectral M. (R. Hurt/NASA) Figura 6: Concepção artística de uma anã marrom de classe espectral L. (R. Hurt/NASA)

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Figura 7: Concepção artística de uma anã marrom de classe espectral T. (R. Hurt/NASA) 19 objetos não são muito luminosos nos comprimentos de onda da luz. Com isso, existem classes espectrais extras aplicadas para as anãs marrons. Além da M, aplicada para as anãs vermelhas, tem-se as classes L, T e Y. (Figuras 5, 6, 7 e 8). Alguns exoplanetas conhecidos orbitam anãs marrons, como por exemplo o planeta 2M1207b, que está na categoria de super- Júpiter. O primeiro planeta com massa próxima da Terra a orbitar uma anã marrom é o planeta OGLE-2013-BLG- 0723LBb. Para conhecer mais Os estudos de alguns tipos de estrelas anãs não são encontrados com detalhes em livros. Assim, alguns AstroNova . N.22 . 2019 Figura 8: Concepção artística de uma anã marrom de classe espectral Y. (NASA/JPL-Caltech) sites fornecem informações muito interessantes e de forma didática sobre estes objetos. É importante ressaltar que estes sites estão em inglês. Segue uma pequena lista: Sobre o Sistema de EpsilonEridani: [1] http://www.spitzer.caltech.e du/images/1966-ssc2008-19a- Epsilon-Eridani-Double-the- Rubble Estrelas que não existirão nos próximos bilhões e trilhões de anos: [2] https://www.smithsonianma g.com/science-nature/four- types-stars-will-not-exist- billions-or-even-trillions- years-180971299/ Definições fundamentais sobre tipos de estrelas: [3] https://jumk.de/astronomie/a bout-stars/index.shtml Definição de cores das estrelas: [4] http://www.vendian.org/mnc harity/dir3/starcolor/ Na edição 10 da Revista Astronova publicamos um diagrama de Hertzsprung- Russell muito bem detalhado que pode ajudar o leitor a localizar algumas estrelas anãs citadas neste artigo. .Rafael Cândido Jr. é membro fundador do grupo Arcturus. É graduado e mestre em Engenharia Química (USP) e doutorando em Engenharia Aeroespacial (ITA).

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Arcturus é uma estrela alaranjada a cerca de 37 anos-luz de distância de nós, localizada na constelação do Boieiro. O Clube de Astronomia Arcturus, fundado em 2015, está com uma nova identidade visual. Somos estudantes e professores da UFABC unidos por uma vontade em comum: divulgar Astronomia. Hoje somos focados na divulgação dessa ciência, e damos espaço a não-membros que queiram contribuir com conteúdo digital para a nossa página no facebook e site. Tem interesse em escrever sobre Astronomia? Fale conosco! facebook.com/clubearcturus clubearcturus.wordpress.com [email protected]

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21 Thiago Ribeiro Oblesrczuk [email protected] O dia 29 de maio de 1919 é um dia memorável na história da Ciência. Dois grupos de pesquisadores se deslocaram para as terras brasileiras e africanas na esperança de vislumbrar o esperado eclipse solar. Sob condições climáticas instáveis, apenas um dos grupos conseguiu dados o O ECLIPSE DE 1919O ECLIPSE DE 1919 Os cem anos da relatividade geral suficiente para seus estudos. Liderado pelo astrônomo inglês Andrew Crommelin, a equipe composta por doze cientistas brasileiros, ingleses e estadunidenses carregava em suas mãos uma das mais importantes funções do início do século: verificar experimentalmente a veracidade de um dos mais grandiosos trabalhos de Albert Einstein, a Teoria da Relatividade Geral. Neste artigo, vamos conhecer um pouco mais sobre eclipses e como um eclipse solar observado no Brasil que provou a Teoria da Relatividade. Entendendo os eclipses Para melhor entendermos os tipos de eclipse existentes, tomemos a figura 1 como ASTRONOMIA MODERNAASTRONOMIA MODERNA

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