Acervo textual da Revista AstroNova
Edição 22 — páginas 21 a 40
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Assuntos identificados: eclipse, estrelas, solar, planeta, terra, estrela, marte, astronomia, massa, superfície.
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22 AstroNova . N.22 . 2019 base. Sua leitura é relativamente simples: as linhas vermelhas e azuis são raios de luz, e as regiões coloridas são as áreas que esses raios delimitam, de forma que, pelos princípios de propagação da luz, podemos dividir tais regiões por luminosidade, o que influencia diretamente no tipo de eclipse. Outro fator importante é definir quatro momentos significativos na observação de um eclipse. O primeiro contato ocorre quando os astros parecem se tocar, mas nesse instante ainda não há a obstrução de um pelo outro. No segundo contato tem-se a total obstrução de um dos astros pelo outro. O terceiro contato é o último momento antes do objeto obstruído aparecer e, por fim; o quarto contato, é o momento em que os astros parecem se tocar por uma última vez. A figura 1 apresenta três formas de um corpo celeste ocultar o outro. Estas três formas são denominadas magnitudes, citado como mag na gravura, entretanto não tem nenhuma relação com a luminosidade, é relativa à relação de diâmetros aparentes. Onde a magnitude é igual a 1, tem-se astros de igual tamanho aparente; quando a magnitude é maior que 1 então o eclipsado tem menor tamanho aparente em relação ao eclipsante. E, por fim, na magnitude menor que 1, tem-se um eclipsante de menor tamanho aparente que o eclipsado. Tendo estas considerações, é importante saber que um eclipse não significa apenasLua bloqueando o Sol ou Terra fazendo sombra na Lua.Na Astronomia, um eclipse nada mais é que um objeto ocultando outro, de forma que, quando há qualquer tipo de obstrução, como um planeta entrando na frente de outro, uma lua se deslocando por trás de um planeta ou qualquer fenômeno parecido, dizemos que há um eclipse. Desta forma, o astro que será bloqueado pode também ser chamado de eclipsado, e aquele que o bloqueia pode ser chamado de eclipsante. Por exemplo, o eclipse solar ocorre quando a Lua (eclipsante) oculta inteiramente ou parcialmente a luz do Sol (eclipsado), gerando na superfície terrestre a sombra da Lua. Conforme a figura 1,quatro regiões definem a forma como o Sol será bloqueado. A primeira região é provavelmente a mais conhecida quando falamos sobre eclipses, e na imagem Figura 1: Regiões delimitadas pelos raios de luz e seus respectivos tipos de eclipse.
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23 se apresenta como uma área de coloração marrom.Denominada umbra, essa região é a que possui a sombra mais escura, de forma que qualquer objeto dentro desta área sofrerá o que conhecemos de eclipse total.Um ponto interessante é o ponto no qual as linhas vermelhas se cruzam. Para melhor entender o que acontece nesse ponto, façamos uma analogia bem simples: imagine-se segurando uma moeda a frente de um dos seus olhos, numa noite em que a Lua esteja visível no céu. Caso você posicione a moeda muito próxima, você notará que a moeda parecerá maior que a Lua e a bloqueará. À medida que você afasta a moeda de seu rosto, seu tamanho aparente em relação à Lua diminuirá até o ponto em que a borda da moeda corresponderá à borda da Lua. Quando isto ocorre, tem-se um bloqueio total da Lua. Esta situação é análoga ao que ocorre no ponto onde as linhas vermelhas se encontram, ou seja, é o ponto onde ocorre o bloqueio total do Sol.A figura 2 mostra um eclipse solar quando a Lua oculta totalmente o Sol. Nota-se um brilho ao redor da Lua, que é visto apenas em eclipses totais. Este brilho é a coroa solar, também denominada corona solar. É a maior região solar, com 13 milhões de quilômetros de extensão a partir da fotosfera, constituída de plasma e com aproximadamente 2 milhões de graus Celsius. É na coroa solar que é produzido o vento solar. Na umbra, uma das possibilidades de um eclipse total é termos um eclipsante cuja dimensão aparente seja maior que a do eclipsado. No caso de nossa Lua, isso não ocorre. O máximo que vemos na Terra é um eclipse que coincide com o cruzamento das linhas vermelhas. Caso a Lua tivesse seu diâmetro aparente maior que o diâmetro aparente do Sol, o eclipse continuaria sendo total, com a diferença de que toda a luz proveniente do Sol seria bloqueada totalmente, incluindo parte da corona. Voltando à figura 1, a região esverdeada é denominada antumbra. Seguindo a analogia, usando uma moeda a uma distância um pouco maior daquela em quem se consegue cobrir a Lua exatamente em sua borda, você verá a parte mais AstroNova . N.22 . 2019 Figura 2: Eclipse solar total de 21/08/2017 em Casper, Wyoming, EUA.
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externa da face lunar. Na antumbra, o processo é muito parecido, e acontece, portanto, quando o eclipsante que passa na frente do eclipsado não possui tamanho aparente suficiente para cobri-lo. Nos eclipses solares em que a Lua esteja mais distante da Terra, é comum que sua dimensão aparente não seja suficiente para cobrir totalmente o Sol, de forma que, neste caso, tem-se um eclipse anular, onde parte do Sol será observável além da borda da Lua (Figura 3). A próxima região de interesse é a área azulada, denominada penumbra. Nesta região ocorre o eclipse parcial, onde apenas parte do Sol é coberto pela Lua (Figura 4). Em nossa analogia, esse processo se assemelha à tentativa de posicionar a moeda de forma que esta bloqueie apenas metade da Lua; e, como essa região azulada é a maior dentre as três, o eclipse parcial é o mais comum de ser observado. Em eclipses totais em que o eclipsante possui dimensão aparente maior que a do Sol, a corona será substituída pelo brilho da região próximo de sua superfície. A figura 5 apresenta um exemplo disso, nela vemos um eclipse total no qual Saturno bloqueia totalmente o Sol e, por sua dimensão aparente ser maior que a do astro em sua órbita, resulta em um brilho tanto de sua atmosfera quanto de seus anéis. Outro tipo de eclipse muito comum é o eclipse lunar, fenômeno cuja ocorrência está intrinsicamente ligada ao alinhamento entre Sol, Terra e Lua. Quando a trajetória orbital da Lua passa por trás da Terra, mergulhando em sua sombra, a Lua deixa de ser completamente iluminada pelo Sol e adquire um tom opaco avermelhado devido à passagem da luz solar pela atmosfera da Terra (Figura 6). Eclipses no Sistema Solar Quando consideramos a dinâmica de um eclipse, notamos que estes não estão restritos à Terra.De fato, eclipses não só ocorrem em outros planetas, como são eventos altamente comuns no Sistema Solar. Para os planetas rochosos, apenas a Terra possui eclipses, visto que as luas de Marte não são grandes o suficiente para eclipsarem a luz solar e em Mercúrio e Vênus não ocorrem eclipses porque estes planetas não possuem satélites.A figura 7 mostra o trânsito do satélite Fobos pelo Sol vista na superfície de Marte. Para corpos celestes que não produzem eclipses anulares, dizemos que os eclipsantes estão em trânsito; fenômeno extremamente importante para a descoberta de exoplanetas, cuja técnica se encontra além do objetivo deste artigo. AstroNova . N.22 . 2019 Figura 3: Eclipse solar anular de 10/05/2013 em Tennant Creek, Território do Norte, Austrália. Figura 4: Eclipse solar parcial de 26/01/2009 em Riversdale, África do Sul. 24
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25 Em relação ao restante dos planetas, por conterem um número considerável de satélites é comum que sejam registrados diversos eclipses ocorrendo simultaneamente, como o observado na figura 8, onde três luas de Júpiter produzem um eclipse total em sua superfície. A figura 9 mostra um outro exemplo: Titã, uma das luas de Saturno produz uma sombra sobre o planeta, se fosse possível estar na região da mancha escura, seria observado um eclipse solar, tal como observamos na Terra. Provavelmente, os eclipses são um dos eventos mais comuns no universo. Sua ocorrência depende unicamente da posição de um corpo em relação a dois outros corpos celestes, e ainda assim seus acontecimentos continuam a nos fascinar. Dos olhos de um leigo aos dados de um pesquisador, é gratificante imaginar que por um breve período uma parcela do mundo dedica alguns minutos de seu tempo para, por mais uma vez, contemplar o Cosmos. O eclipse do século Sob o céu parcialmente nublado na Praça do Patrocínio em Sobral, no estado do Ceará, o grupo de cientistas ergueu suas tendas e posicionou seus equipamentos de medições na espera do grande momento enquanto compartilhavam suas expectativas com os moradores do município. Foi naquela manhã, por volta das 08:58 que, contrariando as espessas nuvens que cobriam o céu cearense, o dia tornou-se noite e uma imponente aura esbranquiçada abraçou a conjunção dos dois astros. Sob o céu matutino, não havia mais o azul celeste, e as estrelas por mais alguns minutos puderam reinar, gerando o laboratório ideal aos pesquisadores. Havia uma estrela, porém, que despertava a curiosidade daquele grupo – a mesma responsável por organizarem aquela expedição –, mas para a surpresa de muitos, ela não AstroNova . N.22 . 2019 Figura 5: Eclipse total de Saturno registrado em 15/09/2006 pela nave Cassini. Figura 6: Sequência de fotografias das fases do eclipse lunar total de 21/01/2019 em Los Angeles, Califórnia, EUA.
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26 AstroNova . N.22 . 2019 se encontrava onde devia, e sim deslocada, ocupando uma nova posição no céu. O que aquilo significava? Exatamente o que vieram constatar. Dentre todas as implicações de seu postulado, Einstein teorizou sobre uma possível geometria do espaço, descrevendo matematicamente qual sua real forma e como objetos que contém massa podem distorcer o espaço ao seu redor. Aplicando uma analogia para um melhor entendimento, imagine que todo o Universo seja como a malha de uma cama elástica. Se você não colocar nenhuma massa nessa cama, o tecido estará plano, mas se você se deitar, perceberá a malha afundar pelo seu peso. Einstein postulara exatamente isso: Dada uma certa geometria para o universo, objetos que possuem massa podem deformar a região que eles se encontram. (Figura 10) Uma das consequências da teoria é a existência das lentes gravitacionais. A princípio o conceito pode parecer um tanto abstrato, mas voltemos à analogia da cama elástica.Se você colocar no centro da cama elástica uma bola pesada, como uma Figura 7: Trânsito de Fobos pelo Sol registrado em 20/08/2013 pelo RoverCuriosity. Figura 8: Múltiplos eclipses em Júpiter. Os satélites Io e Ganimedes aparecem como pequenas manchas branca e azul, respectivamente. O satélite Calisto está fora da imagem. Figura 9: Eclipse solar total causado por Titã registrado em 18/12/2009 pela nave Cassini. (NASA Photojournal)
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AstroNova . N.22 . 2019 27 bola de basquete, esta causará um afundamento da malha. Ao lançar bolinhas de gude nesta malha, estas irão rolar para perto da bola de basquete. Entretanto, dependendo da força com que as bolinhas de gude são lançadas, é muito provável que elas não se desloquem em linha reta e que sua trajetória seja levemente desviada para perto da bola de basquete.Ao estendermos essa analogia para a Astronomia, temos o exemplo mostrado na figura 11. A luz proveniente da estrela, ao passar nas proximidades de uma galáxia, sofre uma distorção causada pela deformação do espaço- tempo (algo equivalente a presença de uma bola massiva na cama elástica). Essa distorção causa a observação da mesma estrela em duas posições diferentes. Assim a galáxia atua como uma lente, pois sua colossal massa causa uma deformação no espaço- tempo de tal modo que provoca um desvio no caminho da luz. Tendo em vista que um corpo celeste distorce o espaço ao seu redor por possuir muita massa, então nosso Sol também causa esta distorção. E foi com base nisso que o grupo em Sobral esperava enxergar no céu uma estrela que estava numa região diferente da que apareceu. Utilizando-se da curvatura gerada pelo astro, era previsto que a luz dessa estrela sofresse um certo desvio, de forma que pudéssemos enxergá-la mesmo com o Sol em sua frente, e foi então que, nos quase sete minutos de duração do eclipse, a equipe conseguiu registrar o fenômeno em sete placas fotográficas, que poderiam ser analisadas para constatar a veracidade da teoria. Alguns consideram que os erros nas medições realizadas estavam no limite para que as imagens fossem aceitas, e talvez realmente estivessem, mas diversos experimentos que o precederam confirmaram o desvio da estrela e, consequentemente, a verificação da teoria que mudou a forma na qual a Ciência enxerga o Universo ao nosso redor, refinando nossas descobertas e ampliando nossos horizontes. Há 100 anos o Brasil fora palco de um dos mais importantes experimentos científicos do século passado, rendendo notoriedade e um espaço no consagrado panteão da Ciência. Entretanto, pouco se comenta sobre esse feito, e apenas quem se interessa pela Astronomia acaba tendo maior chance de ouvir falar sobre isso. Ou até mesmo aqueles que moram perto da Praça do Patrocínio, onde foram erguidos um pequeno monumento em homenagem à Einstein e seus postulados, e o Museu Figura 10. Quanto mais massivo é um corpo celeste, maior é a deformação do espaço-tempo. (LIGO/T. Pyle)
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28 AstroNova . N.22 . 2019 do Eclipse, que, dentre outras atrações que o lugar detém, contém os instrumentos de medida e as placas fotográficas originais para exposição, tanto do eclipse quanto da Praça e também de outros experimentos realizados pelo grupo. Para aqueles que não tiverem a oportunidade de conhecer o Museu do Eclipse em Sobral, o Observatório Nacional digitalizou as imagens e as organizou em uma página online contendo uma breve descrição de cada fotografia e um texto introdutório. É difícil imaginarmos o quão diferente seria o mundo sem os estudos realizados por Einstein no início do século XX. Talvez se não fosse ele, outra pessoa poderia chegar às mesmas conclusões, talvez demorando um pouco ou muito mais que o brilhante físico alemão, mas foi pela sua teoria que muitas de nossas tecnologias foram desenvolvidas e aprimoradas. Dos satélites de GPS às usinas nucleares, o mundo moderno foi também erguido sobre os alicerces de seus trabalhos, e neste centenário eu gostaria de lhes convidar a refletir não apenas sobre o eclipse que comprovou a Teoria da Relatividade, mas também a respeito de como devemos encarar e preservar o mundo à nossa volta. Encerro este artigo com uma frase dita em 1929: “Imaginação é mais importante do que conhecimento. Conhecimento é limitado. Imaginação engloba o mundo” (Albert Einstein) Nota importante: a observação de qualquer eclipse solar deve ser realizada com a utilização filtros especiais. Até a fase da totalidade, os poucos resquícios de luz solar ainda podem prejudicar a sua visão. Para a sua segurança, opte, ou por observações indiretas do fenômeno (através de uma projeção do eclipse em alguma superfície), ou pela compra de lentes com filtros que protejam dos raios solares, e de maneira alguma utilize óculos de Sol ou olhe diretamente para o eclipse. Evitem também observá-los com espelhos ou superfícies refletoras, como vidros, rios, lagos e objetos que não filtrem os raios solares. Thiago Ribeiro Oblesrczuk é graduando em Bacharelado em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC e membro do Clube de Astronomia Arcturus. Referências Explicações detalhadas sobre eclipses: https://blogs.nasa.gov/Watch_the_Sk ies/tag/solar-eclipse/ Aula sobre a influência da massa na curvatura do espaço-tempo: https://youtu.be/l-BVkHRLPfo Imagens originais das chapas fotográficas do eclipse em Sobral: https://daed.on.br/sobral/ Figura 11: Exemplo do efeito da lente gravitacional (Arte: Equipe Astronova).
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Educação científica 24 horas por dia! Biologia, Ecologia, Geologia, Astronomia, Evolução, Genética e muito mais! Educação científica 24 horas por dia! Biologia, Ecologia, Geologia, Astronomia, Evolução, Genética e muito mais! www.facebook.com/academiadecienciasnaturaiswww.facebook.com/academiadecienciasnaturais Academia de Ciências Naturais Academia de Ciências Naturais Academia de Ciências Naturais Academia de Ciências Naturais
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1331 DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA Nos dias 28 e 29 de maio o Clube de Astronomia Arcturus realizou palestras e uma observação durante a Semana da Integração Universitária (SIU) da UFABC (Universidade Federal do ABC). É importante ressaltar que na UFABC os cursos são quadrimestrais e os novos alunos iniciam suas aulas no 2º quadrimestre letivo, que se iniciou no dia 03 de junho.Os novos alunos iniciam em um dos cursos interdisciplinares, Bacharelado em Ciências Humanas ou Bacharelado em Ciência e Tecnologia. Após concluir um destes cursos, os estudantes decidem se querem continuar ou não em uma nova graduação. Assim, na semana que antecede o início das aulas, ocorre a SIU, na qual os novos alunos inscrevem-se em palestras e atividades de sua preferência. O Clube Arcturus esteve presente em dois dias da SIU, dias 28 e 29. No dia 28 ocorreu no campus Santo André, a palestra Astronomia ao longo da História, na qual Rafael Cândido apresentou a Atividades do Clube Arcturus Vista geral do campus de São Bernardo no começo da palestra.
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32 importância e o desenvolvimento da Astronomia desde a Antiguidade até o mundo contemporâneo. Após esta palestra, foi realizada uma observação astronômica na qual foram observadas estrelas como Sirius, Canopus, Alfa Centauri e a estrela que dá nome ao grupo, Arcturus. No decorrer da observação, foram apresentadas também a constelação do Cruzeiro do Sul e sua relação com o polo celeste sul e o planeta Júpiter. No dia 29 as atividades ocorreram no campus de São Bernardo. Foi apresentada a palestra Astronomia e Filosofia pelo Arthur Luiz Ferreira. Nesta palestra foram apresentados o surgimento da Filosofia e como Astronomia e Filosofia se influenciaram mutuamente ao longo da História. AstroNova . N.22 . 2019 Rafael apresentando sua palestra. Alunos presentes na palestra no campus Santo André Alunos presentes nas atividades no campus São Bernardo. Após esta palestra, devido ao céu fechado, não ocorreu a observação. Porém foi realizado um bate-papo com os novos alunos sobre a Astronomia amadora. Arthur apresentando sua palestra.
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33 Da especulação à AstrobiologiaDa especulação à Astrobiologia VIDA EM MARTE?VIDA EM MARTE? Wilson Guerra [email protected] A vida fora da Terra não é uma especulação apenas dos tempos modernos. Epicuro, na antiguidade, e Giordano Bruno, na Idade Média, já debateram sobre o tema. Este último pagando com a vida por esta e outras "heresias". Apenas depois do invento e desenvolvimento dos telescópios que a questão começou a adquirir contornos que não se limitavam apenas à especulação e ganhava aspectos científicos. Só no fim do século XX que a busca, não só pela ASTROBIOLOGIAASTROBIOLOGIA compreensão da origem da Vida, mas por sua viabilidade no Universo, amadureceu enquanto linha de pesquisas. Antes, entretanto, já haviam discussões interessantes. VÊNUS: ESPERANÇA E DECEPÇÃO O planeta Vênus foi por muito tempo chamado "gêmeo da Terra". Realmente, em termos de tamanho e estrutura, são quase iguais: ambos são planetas rochosos e possuem diâmetro entre 12.000km e 13.000km. Mas as semelhanças param aí. Quando observado por telescópio, Vênus não nos mostra sua superfície. Apenas sua atmosfera, muito densa e constantemente coberta por nuvens. Mais próximo do Sol do que a Terra, mas nem tanto, os astrônomos do século XIX especulavam se haveria vida em Vênus. Afinal, o planeta deveria ser apenas um pouco mais abafado que a Terra. Se houvesse água por lá, estaria certamente no estado líquido. As nuvens que encobrem todo o planeta faziam supor um ambiente pantanoso. E por isso a
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34 hipotética vida venusiana talvez acomodasse seres similares aos nossos répteis. No início do século XX estas especulações começaram a perder o fôlego. Estimativas apontavam que a superfície de Vênus tinha temperaturas superiores aos 100 graus celsius. Na segunda metade do século vinte a sonda soviética Venera pôs um fim definitivo na esperança de haver vida naquele planeta. Seus instrumentos mediram incríveis 400 graus celsius na superfície, além de uma pressão atmosférica altíssima, rica em gás carbônico e ácidos. Vênus vive sob um constante efeito estufa. Um alerta para nós aqui na Terra. Mas, em compensação, outro planeta já chamava a atenção dos astrônomos. Era Marte. MARTE: AS PRIMEIRAS ESPECULAÇÕES As primeiras observações de Marte via telescópios trazia imagens que realmente aguçavam a imaginação. Havia manchas escuras que cresciam e diminuíam de acordo com o ano e as alternâncias de estações marcianos. Os primeiros palpites é que se tratava de vegetação, que florescia na primavera marciana e regrediam em seu rigoroso inverno. Em meados de 1880 o astrônomo italiano Schiaparelli viu, com auxílio do seu telescópio, estruturas na superfície de Marte que denominou "canali". Supôs que se tratavam de canais que uma civilização marciana construiu para trazer água dos polos às regiões equatoriais de Marte (figura 1). Hoje sabemos que não há vegetação em Marte. As manchas vistas eram tempestades de areia. Também não há civilizações avançadas que construíram um sistema planetário de canais. Os "canali" vistos por Schiaparelli eram resultado da baixa resolução dos telescópios da época. Mas os dados recentes de Marte são mais precisos e confiáveis. Formularam-se expectativas mais realistas sobre formas de vida marcianas, se existirem. Não civilizações, e sim algo mais similar a bactérias. Tudo isso colocou o planeta vermelho no foco da busca de vida no Sistema Solar. AS PESQUISAS MODERNAS SOBRE MARTE Marte está mais afastado do Sol do que nós. Com uma distância média do Sol de aproximadamente 225 milhões de quilômetros, a superfície de Marte é fria. A média é de 50 graus celsius abaixo de zero, com mínimas de 125 graus negativos! Mas no verão marciano alguns locais podem atintir 20 graus positivos. A atmosfera marciana é muito rarefeita, não exercendo nem 1% da pressão da atmosfera da Terra. Sua composição é quase toda de dióxido de carbono (95%), com 3% de Figura 1 - Os "canali" de Schiaparelli. AstroNova . N.22 . 2019
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35 nitrogênio e apenas vestígios de oxigênio, metano e água. VIDA NO PASSADO? A vida, pelo menos como conhecemos, depende da água no estado líquido. É ela quem fornece um meio adequado para que ocorram as reações metabólicas necessárias à manutenção da vida. Hoje se sabe que já houve água líquida em abundância na superfície de Marte. As fotos das inúmeras sondas que investigam o planeta mostram claramente marcas de leitos de rios secos em sua superfície (figura 2). Além disso toda a superfície marciana contém minerais com óxidos de ferro (FeO), 23 que se formam com mais facilidade em ambientes com água líquida. Em 2015 a sonda robótica Curiosity, da Nasa, confirmou de maneira inequívoca que a região na base do monte Sharp já foi um gigantesco lago, conforme demonstraram as análises mineralógicas feitas pelo equipamento. As evidências de tanta água no passado estão associadas a uma atmosfera primitiva mais densa e a uma maior temperatura média de superfície. Isso daria um ambiente para que Marte já tivesse condições de abrigar a Vida e, eventualmente, tê- la desenvolvido de fato. VIDA NO PRESENTE? ÁGUA Como a vida depende de água líquida, perguntar se existe vida atual em Marte requer descobrir se ainda há água líquida no planeta. Sabemos que há pouca água em Marte, que nas condições atuais do planeta não a suportaria em estado líquido. Pelo menos não na superfície. Existe assim a possibilidade de haver água líquida subterrânea, preenchendo enormes lençóis freáticos. Neles, alguma forma simples de vida poderia existir. Há poucos anos um tipo de análise inovadora feita com os dados colhidos da sonda orbital MRO, da Nasa, confirmou que água líquida parece escorrer nos verões de Marte em alguns locais (figura 5). Trata-se de água salgada (as análises espectroscópicas indicam sais de perclorato). A água pura não pernanece líquida na superfície marciana. Mas os sais dissolvidos alteram seu ponto de fusão. É muito provável que esta água venha do subsolo, corroborando com o modelo de que ainda existe água líquida abaixo da superfície do planeta vermelho. METANO Sabe-se que quase todo o Figura 2 - www.esa.int (24/04/2006) Figura 3 - Base do monte Sharp www.nasa.gov (08/09/2015) Figura 4 - Sonda MRO, da Nasa. AstroNova . N.22 . 2019
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metano que existe na Terra tem origem biológica. Ele é produzido no metabolismo das bactérias chamadas de metanogênicas. A quantidade de metano na atmosfera de Marte é pequena. Mas uma variação significativa ocorre no verão marciano. A figura 6 mostra o aumento medido de metano na atmosfera de Marte no verão de seu hemisfério norte. No inverno os níveis caem, e voltam a subir no verão seguinte. A constatação intriga os pesquisadores. Seria isto o resultado do metabolismo de microorganismos metanogênicos? Estariam em estado de hibernação, entrando em atividade nas temperaturas um pouco mais agradáveis do verão? Não há resposta definitiva para o ciclo do metano marciano. Também há modelos que sugerem que o acréscimo do gás poderia ter origem puramente geológica. No fim de 2014 a sonda Mangalyaan, da Agência Espacial da Índia (ISRO) entrou na órbita de Marte para estudar justamente este fenômeno do metano na atmosfera marciana. Os dados estão sendo analisados pela ISRO. 34 Figura 5 - O orbitador MRO detectou água líquida e salgada escorrendo no verão marciano, em região de superfície desnivelada. Ainda não se sabe a origem desta água: subsolo ou de condensação atmosférica (www.nasa.org) AS PESQUISAS CONTINUAM Vida passada ou presente, Marte é de grande interesse para as Ciências Planetárias e a Astrobiologia. Muitas missões robóticas estão planejadas para visitar o planeta. A próxima é a russo- europeia ExoMars. Teremos novidades em breve. Wilson Guerra é astrônomo amador e professor. Graduou-se em Física (UEM), especializou-se em Astrobiologia (UEL) e atualmente é mestrando em Educação Científica (UEM) Referências: O Livro de Ouro da Astronomia, Mourão, R. Origem da Vida (2012), MAIA, DIAS NASA: www.nasa.gov ESA: www.esa.int Figura 6 - Níveis de metano no verão do hemisfério norte marciano (www.nasa.gov) Figura 7 - Sonda Mangalyaan (ISRO) AstroNova . N.22 . 2019
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O V SPEFA é organizado pelo Mestrado Profissional em Ensino de Física e pelo Departamento Acadêmico de Física da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, campus Campo Mourão. O evento oferece a oportunidade de troca de ideias e debates entre pesquisadores, professores de Física de diferentes níveis de ensino e divulgadores de Ciência. O objetivo é ampliar as contribuições para tornar a Física compreensível e vivenciada com naturalidade em nosso cotidiano. O encontro reunirá docentes de Física do Ensino Básico e Superior, professores-PDE, graduandos em Física ou áreas afins e Pós-Graduandos, por meio de palestras, mesa redonda, minicursos e apresentação de trabalhos. https://spefautfpr.webnode.com Informações e inscrições:
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www.facebook.com/casastronomia.sarandi Sarandi / Paraná
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AstroNova é uma colaboração de estudantes, professores, astrônomos amadores e profissionais para a divulgação de Astronomia e Ciências da Natureza. É trimestral, com divulgação pública e gratuita. Disponível em: www.caeh.com.br/astronova Acompanhe nossa página no Fabebook www.facebook.com/AstroNovaBrasil REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA
