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Acervo textual da Revista AstroNova

Edição 25 — páginas 1 a 20

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Assuntos identificados: calendário, terra, meteoritos, assim, astronomia, estrela, asteroide, solar, horas, sistema.

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REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS Ano 07 - Nº 25 - Março/2020 Tour pelo Sistema Solar Os anéis de Netuno Tour pelo Sistema Solar Os anéis de Netuno A origem do Calendário Gregoriano A origem do Calendário Gregoriano Introdução à Astrogeologia Introdução à Astrogeologia ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS BETELGEUSE VAI EXPLODIR? BETELGEUSE VAI EXPLODIR? Asteróides ameaçam colidir com a Terra? Asteróides ameaçam colidir com a Terra?

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Editores: Rafael Cândido Junior [email protected] Wilson Guerra [email protected] Redatores: Beatriz Araujo Yordaky [email protected] Daisy Andrews Pereira Rafael Cândido Junior [email protected] Wilson Guerra [email protected] Arte e Diagramação: Wilson Guerra [email protected] [email protected] Iniciamos o sétimo ano da Revista AstroNova. Um projeto de entusiastas e apaixonados pela Ciência em geral e pela Astronomia em particular que segue desde 2014 initerruptamente e, também por isto, nos enche de orgulho. Começamos nossa primeira edição de 2020 com uma introdução à Astrogeologia, trazida pela Daisy Pereira. Uma área de estudos que tende a crescer tanto devido ao avanço da astronáutica robótica como pelo desenvolvimento da Astrobiologia. A seguir o prof. Rafael Cândido retorna com um tema de astrocronologia nos trazendo um artigo sobre a concepção do Calendário Gregoriano, hoje praticamente difundido em todo o mundo. Os calendário, afinal, tem uma profunda origem na regularidade e nas observações da Astronomia. Beatriz Yordaky nos esclarece sobre o "explosivo" tema que praticamente monopolizou a mídia astronômica no fim de 2019 e começo deste ano: a estrela Betelgeuse. Localizada na constelação de Órion, esta gigante vermelha está no fim de sua vida estelar. Súbitas mudanças observadas desde meados do ano passado tem chamado a atenção dos pesquisadores. Será que Betelgeuse está prestes a explodir? Indo mais ou menos na linha "explosiva" da Beatriz, trato rapidamente das polêmicas, nem sempre muito justificadas, sobre os asteroides que podem colidir com a Terra. Tudo indica que há mais sensacionalismo do que confiabilidade quando esse tipo de especulação circula, e com a ajuda de um tutorial criado pelo astrônomo Cristóvão Jaques do Sonear, resolve-se isso de uma vez por todas. Parece que por enquanto estamos bem seguros. Mas no início, como sempre, trazemos o resumo de atividades da ISS neste novo ano e uma agenda dos lançamentos de foguetes previstos nesse trimestre. Tenha uma ótima leitura! Wilson Guerra AstroNova . N.25 . 2020 EXPEDIENTE EDITORIAL Capa: nebulosa da Medusa Wilson Guerra GCAA Wilson Guerra GCAA Wilson Guerra GCAA Wilson Guerra GCAA Wilson Guerra GCAA Wilson Guerra GCAA Fonte: ESO

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SUMÁRIO Tour pelo Sistema Solar Os anéis de Netuno 08 19 27 Supernovas e as últimas aventuras de Betelgeuse Ano 7 | Edição nº 25 | 2020 11Astrogeologia A origem do Calendário Gregoriano 33 Asteroides ameaçando a Terra?

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Principais Lançamentos do TrimestrePrincipais Lançamentos do Trimestre ASTRONÁUTICA Foguete: LaucherOne (Virgin Orbit) Carga: ELaNa-20, nanossatélites da Nasa Local: Cosmic Girl (Boeing 747), Califórnia Data: abril/2020 Foguete: Falcon 9 (SpaceX) Carga: Starlink 5 Local: base do Centro Espacial Kennedy Data: 14/03/2020 Foguete: Soyuz (RKK Energiya) Carga: Glonass M sistema de posicionamento global Local: Cosmódromo de Plesetsky Data: 16/03/2020 RÚSSIARÚSSIA ESTADOS UNIDOS ESTADOS UNIDOS Foguete: Proton (RKK Energiya) Carga: Express 80 & Express 103 satélites de comunicação Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 31/03/2020 Foguete: Soyuz (RKK Energiya) Tripulação da expedição 62 da Estação Espacial Internacional Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 09/04/2020 Foguete: Falcon 9 (SpaceX) Carga: SAOCOM 1B satélite argentino Local: base do Cabo Canaveral Data: 30/03/2020 Foguete: Electron (Rocket Lab) Carga: STP-27RM - teste com instrumentos meteorológicos Local: Mid-Atlantic Regional Spaceport Data: 2º quadrimestre/2020 Foguete: Soyuz (RKK Energiya) Carga: OneWeb 3, constelação de satélites para sinal de internet Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 21/03/2020

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Principais Lançamentos do TrimestrePrincipais Lançamentos do Trimestre ASTRONÁUTICA Foguete: GSLV Mk.2 Carga: GISAT 1, satélite geoestacionário de imageamento Local: base de Sriharikota Data: 1º quadrimestre/2020 Foguete: Vega Carga: SSMS POC, conjunto de microssatélites Local: Base de Kourou Data: 23 ou 24/03/2020 Foguete: Soyuz Carga: Falcon Eye 2, satélite de imageamento de alta resolução Local: Base de Kourou Data: 04/2020 EUROPAEUROPA CHINACHINA Foguete: Longa Marcha 7A (CNSA) Carga: TJS 6, satélite para primeiro teste do foguete Local: Base Wenchang Data: 03/2020 Foguete: Long March 5B (CNSA) Carga: teste não tripulado de nova cápsula espacial da China Local: Base de Wenchang Data: 04/2020 Foguete: PSLV Carga: RISAT 2BR2, satélite polar de observação da Terra Local: base de Sriharikota Data: 03/2020 ÍNDIAÍNDIA

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Principais atividades - dezembro/2019 a fevereiro/2020Principais atividades - dezembro/2019 a fevereiro/2020 Tripulação atualTripulação atual ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONALESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL Próxima Expedição - Soyuz MS-16 (09/04/2020)Próxima Expedição - Soyuz MS-16 (09/04/2020) Astronauta Jessica Meir (EUA) trabalhano no experimento Veggie, que estuda cultivo de vegetais no espaço. Astronauta Jessica Meir (EUA) trabalhano no experimento Veggie, que estuda cultivo de vegetais no espaço. Astronauta Andrew Morgan (EUA) trabalha na pesquisa sobre os efeitos da microgravidade em ratos. Astronauta Andrew Morgan (EUA) trabalha na pesquisa sobre os efeitos da microgravidade em ratos.

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ENCONTRO DE ASTRONOMIA DO NORDESTE www.apapb.org/xx_eane

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As evidências de arcos incompletos ao redor de Netuno surgiram pela primeira vez em meados dos anos 80, quando se notou que experimentos de ocultação estelar mostravam ocasionalmente uma "piscadela" extra pouco antes ou depois de o planeta ocultar uma estrela. Imagens da Voyager 2, em 1989, decidiram o assunto, quando se descobriu que o 08 sistema de anéis continha vários anéis tênues, tendo o mais exterior deles, Adams, três arcos proeminentes hoje chamados de Liberdade, Igualdade e Fraternidade. A existência dos arcos é muito difícil de se compreender, porque segundo as leis do movimento os arcos se irradiam em um anel uniforme em escalas de tempo muito curtas. Os efeitos gravitacionais de Galatéia, uma lua pouco adentro do anel, seriam responsáveis por confinar os arcos. Vários outros anéis foram detectados pelas câmeras da Voyager 2. Além do estreito anel Adams, a 63 mil quilômetros do centro de Netuno, o anel Leverrier está a 53 mil quilômetros e o anel Galle, mais largo e tênue, a 42 mil quilômetros. Uma extensão para fora do anel Leverrier foi batizada de Lassell; ela é contida na extremidade externa pelo anel Arago, a 57 mil quilômetros. Fonte: Nasa Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves SISTEMA SOLAR Os anéis de Netuno Um Tour pelo Sistema Solar Características principais dos anéis de Netuno Nome Distância* Largura Espessura 1989N3R 1989N2R 53.200 km 1989N4R 53.200 km 1989N1R 62.930 km 41.900 km 15 km 5.800 km 50 km 15 km ? ? ? 0,1 km * A distância é medida do centro do planeta até o início do anel.

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17º encontro paranaense de astronomia 11 a 13 de junho EPAST www.caeh.com.br MARIALVA Inscrições em:

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Nebulosa da Roseta (NGC 2237) Astrofotógrafo: George Kolossoski

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11 Daisy Andrews Pereira Orientação de Bruno Nascimento-Dias Define-se a Astrogeologia como a junção da geologia com a astronomia. Enquanto a geologia procura entender a composição e a estrutura evolutiva da Terra através de rochas, minerais e vulcanismo, a astrogeologia amplia isso, estudando, além desses materiais, amostras que são encontrados em outros corpos do Sistema Solar, como meteoritos, asteroides e cometas. Durante uma expedição à Antártica, em torno de 1912, ocorreu a descoberta do primeiro meteorito da ASTROGEOLOGIA CIÊNCIAS ESPACIAS região, caracterizando-a como a primeira observação astrogeológica da Antártica. Após esse episódio, geólogos russos passaram a descobrir uma grande variedade de meteoritos pela região e, em 1969, os soviéticos criaram o primeiro programa formal de pesquisa de meteoritos do país. Tal iniciativa foi de suma importância para que, mais tarde, milhares de outros meteoritos viessem a ser encontrados no continente da Antártica. Há várias décadas ocorrem debates científicos e ideias relacionadas à origem da vida na Terra. Acredita-se que a interação entre a radiação e as espécies químicas provenientes do meio interestelar (MI) poderia ser uma das principais fontes do aumento da complexidade química em nível molecular, ou seja, do aumento do número de átomos nas moléculas do MI. Sendo assim, o surgimento da vida na Terra poderia ter acontecido a partir da interação e da combinação dessas moléculas orgânicas exógenas, as quais teriam sido trazidas para a Terra por meio de objetos extraterrestres, como meteoritos e cometas. O processo descrito anteriormente envolve relações entre física, química e astronomia.

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AstroNova . N.25 . 2020 12 Os estudos de processos físicos que ocorrem no Sistema Solar a partir de cometas, asteroides, meteoroides e meteoritos têm se tornado um novo campo a ser explorado. Embora os termos meteoroides, meteoro e meteorito tenham a mesma raiz grega e sejam o mesmo material astrofísico, existem certas diferenças e conceitos que os distinguem entre si. Os meteoroides são corpos que circulam pelo meio interplanetário de forma a estarem suscetíveis a cair na Terra devido à ação da gravidade. Os tamanhos podem variar de 10¥ìm a planetas, satélites ou de corpos celestes, tais como os meteoroides, os asteroides e os cometas. Porém, uma parte desses objetos é derivada da nebulosa solar, de um material forjado no início da formação do Sistema Solar. Ao combinar observações e estudos astronômicos relacionados com esses diferentes corpos do Sistema Solar com pesquisas laboratoriais através de amostras de meteoritos, é possível encontrar uma grande quantidade de moléculas orgânicas. Sabendo que moléculas orgânicas possuem o Carbono (C) como elemento principal de sua alguns milhares de metros. Ao entrarem na atmosfera terrestre, esses objetos celestes provocam um fenômeno visual de rastros luminosos. Esse fenômeno, popularmente chamado de “estrela cadente”, são os corpos celestes cientificamente denominados de meteoros. Os meteoroides que conseguem atravessar a atmosfera terrestre devido ao tamanho e à resistência e caem sobre a superfície terrestre são chamados de meteoritos. Desse modo, os meteoritos são artefatos astrofísicos que podem ser provenientes de materiais ejetados de Figura 1 - Anúncio do ESO sobre detecção de açúcares interestelares. Figura 2 - Detecção de matéria orgânica no cometa Churyumov-Gerasimenko, pela ESA.

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formação estrutural e que tal elemento é um dos elementos que constituem os seres orgânicos vivos no planeta Terra, os estudos vinculados à astrogeologia têm buscado respostas sobre a possibilidade de a vida ter sido ou não originada de maneira exógena, ou seja, a partir de matéria-prima originada de fora da Terra. Considerando essa hipótese, supõe-se, então, que as moléculas de aminoácidos, proteínas, ácidos graxos, álcoois, nucleobases e açúcares, fundamentais para a química pré-biótica, teriam sido trazidas ao planeta Terra em seus 700 milhões de anos iniciais por meio de impactos de cometas e meteoritos, dando início, assim, à vida na Terra. Os maiores registros de aminoácidos extraterrestres que se tem conhecimento na Terra são provenientes de meteoritos. As evidências vêm, basicamente, de meteoritos como o Allende e o Murchison, ambos pertencentes ao grupo de meteoritos denominados carbonáceos. Os meteoritos pertencentes a esse grupo são caracterizados por possuírem o elemento carbono como um dos materiais que compõem a sua formação estrutural. O Allende é um meteorito extremamente importante devido a ser uma das rochas extraterrestres mais resistentes ao intemperismo do ambiente terrestre, além, é claro, de fazer parte do grupo de meteoritos carbonáceos. Já o Murchison possui mais de 50 tipos de moléculas orgânicas detectadas em sua formação química estrutural. Acredita- se que tais moléculas podem ter sido formadas por interações entre a radiação no meio interestelar e os átomos desses objetos. Desse modo, esses processos físicos desencadeariam reações químicas como a ionização, a síntese de moléculas e também a quebra de ligações entre elas de maneira a promover possíveis processos de recombinações moleculares. Os meteoritos marcianos são de extrema relevância para pesquisas na área da astrogeologia. Atualmente, são reconhecidos mais de 100 meteoritos marcianos, relacionados na forma de basaltos, rochas máficas e ígneas intrusivas. Tais meteoritos fornecem informações relacionadas à possibilidade de saber se no presente ou no passado recente de Marte existiram 1313 AstroNova . N.25 . 2020 Figura 3 - Definição de alguns objetos celestes Figura 4 - Possível evidência de atividade biológica fossilizada no meteorito marciano ALH84001.

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condições de habitabilidade. Apesar de a maioria dos registros geológicos ter sido destruída, assim como ocorreu na Terra, a evolução geológica da superfície marciana, suas informações físicas e características químicas ainda podem ser estudadas através dos meteoritos marcianos por meio de técnicas experimentais em laboratório. O meteorito marciano ALH 84001 é bastante utilizado como referência em pesquisas que buscam vestígios de informação biológica em meteoritos marcianos. Foram encontrados nesse meteorito cristais de magnetita e estruturas semelhantes a microrganismos fossilizados. Na Terra existem microrganismos, conhecidos como bactérias magnetotácticas, capazes de biomineralizar cristais de magnetita de maneira natural. Recentemente, pesquisadores da UFRJ e da UERJ desenvolveram um estudo com meteorito marciano. No artigo dessa pesquisa foi apresentada uma imagem de microtomografia de raios X em que uma estrutura de formato peculiar encontra- se incrustada no meteorito marciano NWA 6963. Essa estrutura poderia ser feita de calcita, que na Terra tem origens biológicas ou químicas. Sendo assim, é possível que tal estrutura contenha informações relacionadas às condições de habitabilidade que poderiam ter existido no passado de Marte. Em relação à possibilidade da origem biológica, esse material poderia ser vestígio de material fossilizado de microrganismos. Já em relação à possibilidade da origem química, devido à necessidade de água para a produção desse material, pode-se pensar, também, na possibilidade de que em algum momento houve vida ou um ambiente propício em Marte. É possível, também, que essa água do passado do planeta vermelho possa ainda se encontrar abaixo da superfície marciana, pois o material analisado é um meteorito que possui apenas 14 AstroNova . N.25 . 2020 Figura 5 - À esquerda tem-se a imagem do meteorito marciano NWA6963, que foi analisado por pesquisadores brasileiros, e à direita tem-se a imagem de uma microtomografia computadorizada que revela a estrutura 3D desse meteorito. Crédito: Bruno do Nascimento-Dias.

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15 alguns milhões de anos, que na escala astronômica é bem recente. Pesquisas em áreas como a geologia e a físico-química também são feitas para tentar identificar a possibilidade de alguma rocha ejetada da superfície de Marte poder abrigar algum tipo de vida que pudesse sobreviver a uma viagem interplanetária. Para tal, seria necessário que esse organismo fosse capaz de resistir a fatores extremos, como as altas taxas de radiação, as baixas temperaturas do meio interplanetário, as altas temperaturas de reentrada e diversos outros fatores aos quais ficariam expostos durante a viagem. Existem também estudos relacionados à realização de simulações e estudos experimentais sobre formação e destruição de moléculas orgânicas no meio interestelar. O objetivo desses estudos é compreender como essas moléculas adsorvidas ou retidas em cometas, asteroides ou meteoroides se comportam após ficarem expostas a períodos de tempo compatíveis a uma viagem interplanetária ou estelar. Pesquisas com bactérias que são submetidas a vácuo, radiação solar, raios cósmicos e flutuações de temperatura também ocorrem com o intuito de testar a resistência desses microrganismos a uma hipotética viagem interplanetária. Durante a missão EXPOSE-E a bordo da Estação Espacial Internacional, foi realizado AstroNova . N.25 . 2020 um projeto chamado PROTECT, que consistia na exposição dos esporos de Bacillussubtilis 168 e Bacilluspumilus SAFR-032 durante 1,5 anos. Esse tipo de pesquisa tem o intuito de estudar a possibilidade de sobrevivência de microrganismos em ambientes extremos, ou seja, ambientes que seriam Figura 6 - Missão EXPOSE-E a bordo da Estação Espacial Internacional.

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16 completamente hostis à vida humana, pois essas bactérias formadoras de esporos são bastante resistentes e podem suportar certos procedimentos de esterilização, bem como os ambientes agressivos do espaço exterior ou de superfícies planetárias. Em cometas também é possível encontrar moléculas orgânicas. Se comparados aos grandes asteroides, os cometas são pequenos e frágeis e possuem formas diversificadas e irregulares. Atualmente, os cometas são caracterizados como objetos que possuem uma coma, que é um tipo de material difuso semelhante a uma cauda que cresce, aumentando de tamanho e brilho à medida em que se aproxima de uma estrela. A maior parte da composição desses objetos consiste em gelo de diversos elementos químicos que, ao se encontrar longe da estrela, perde a cauda, permanecendo, assim, apenas o núcleo sólido. O tamanho desses núcleos pode variar de algumas centenas de metros até dezenas de quilômetros. Esses objetos extraterrestres são ricos em material orgânico e água, fatores extremamente importantes e constituintes fundamentais na composição dos organismos vivos no planeta Terra. Também são trazidas moléculas de carbono que, ao interagirem com a radiação no meio interestelar, podem estar formando os blocos fundamentais para a formação da vida, tais como aminoácidos e açúcares, de modo a serem a base de formação de moléculas mais complexas. Com a aparição dos cometas Hyakutake e Hale-Bopp, houve a possibilidade da coleta de informações de diversas espécies químicas, trazendo um conhecimento AstroNova . N.25 . 2020 ainda maior em relação à composição química dos cometas. Com tais informações se tornou possível estudar as conexões entre esses corpos e a complexificação em nível molecular. Algumas moléculas pré-bióticas importantes já foram detectadas nos cometas, como H2O, dióxido de carbono (CO2), amônia (NH3), dentre outros. Logo, pode-se concluir que a astrogeologia possui forte relação com outras áreas do conhecimento científico, como a biologia, a química e a física. Sendo assim, a astrogeologia pode contribuir de maneira abrangente com o desenvolvimento do conhecimento científico, pois através dos meteoritos é possível realizar pesquisas relacionadas à origem da vida na Terra e à possível existência de vida em Marte no presente ou no passado. Daisy Andrews Pereira é acadêmica de Física pela UFSJ. Bruno L. do Nascimento-Dias é graduado e mestre em Física. Atualmente é doutorando em Astrobiologia. Referências: NASCIMENTO-DIAS,B.L. Explicando a Astrogeologia. Física na Escola, ano 2018, v.16, n.1, p.19-22. Figura 7 - Esquema do EXPOSE-E a bordo da Estação Espacial Internacional.

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Nebulosa da Gaivota (IC 2177) Astrofotógrafo: Ayrton José Lopes

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Arcturus é uma estrela alaranjada a cerca de 37 anos-luz de distância de nós, localizada na constelação do Boieiro. O Clube de Astronomia Arcturus, fundado em 2015, está com uma nova identidade visual. Somos estudantes e professores da UFABC unidos por uma vontade em comum: divulgar Astronomia. Hoje somos focados na divulgação dessa ciência, e damos espaço a não-membros que queiram contribuir com conteúdo digital para a nossa página no facebook e site. Tem interesse em escrever sobre Astronomia? Fale conosco! facebook.com/clubearcturus clubearcturus.wordpress.com [email protected]

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A origem do calendário gregoriano 19 Rafael Cândido Jr. [email protected] No mês de dezembro, sempre há a correria para se preparar para as festas de final de ano. Mas, por que o final de ano é em dezembro? Por que o ano se inicia em 1 de janeiro? Neste artigo vamos conhecer as origens do nosso calendário. A necessidade de medir o tempo em escala de dias ou meses surgiu da necessidade de se estabelecer as épocas para plantio e colheita. Como as civilizações surgiram próximas a rios, também era necessário prever qual seria a época das cheias e das secas. A observação do céu provê duas formas de se realizar a contagem do tempo. A mais fundamental é a definição do dia, que pode ser o período entre duas alvoradas ou entre dois ocasos. A Lua, ao completar seu ciclo de fases em 29 dias, também define um período. E o Sol, além de definir os dias, também define o ciclo das estações. A princípio pode se pensar que as estações são definidas pelo clima, porém podem ocorrer dias mais frios ou chuvosos em pleno verão, assim como dias quentes e ensolarados em pleno inverno. Desde estes tempos primórdios, as estações eram definidas pela posição do Sol no céu. Veja por exemplo a posição do Sol ao meio-dia em sua casa hoje e compare com o meio-dia daqui a 1, 2 ou 3 meses. Há um deslocamento aparente do Sol no céu. Se você mora no hemisfério A origem do calendário gregoriano ASTROCRONOLOGIA

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Sul, vai perceber que conforme se avança para o inverno, o Sol parece estar cada vez mais ao norte; no verão, dependendo de onde você more, o Sol parece estar mais próximo do zênite, ou seja, bem acima de você. É esta posição do Sol no céu que define a passagem das estações e, ao completar um ciclo, define um ano. O descompasso entre o Sol e a Lua Quantos dias tem um mês? Quantos dias tem um ano? A resposta para estas questões é: depende. Diferentes civilizações usaram diferentes métodos de fazer esta contagem do tempo. Algumas tomaram como referência apenas a Lua, outras apenas o Sol e outras usaram as duas. Hoje sabe-se que o mês lunar tem duração de 29 dias, 12 horas, 44 minutos e 3 segundos. Então 2 meses lunares tem, aproximadamente, 59 dias e 3 meses lunares são 88 dias e 12 horas. Se um ano for composto de 13 meses lunares, então teremos um ano de 383 dias e 12 horas. Se considerarmos, que o ano tenha 12 meses lunares, teremos 354 dias. O ano definido a partir das estações, denominado ano trópico ou ano solar, tem 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 45 segundos. Ao dividirmos esse período em 12 partes iguais teremos um mês de 30 dias, 10 horas, 29 minutos e 4 segundos. Óbvio que esta precisão em minutos e segundos não existia nas civilizações antigas. Então, o descompasso entre Lua e Sol era resolvido de diferentes maneiras, ou com a criação de um mês lunar extra a cada quantidade de anos, ou com o uso exclusivo do Sol ou da Lua como única referência. Estas considerações tornaram os calendários ao redor do mundo muito variados. Cada sociedade desenvolveu sua maneira de contar o tempo e muitos se mantêm até hoje por força da tradição ou da religião. Como exemplo, tem-se as passagens importantes de vários calendários: ano novo chinês (calendário tradicional chinês, lunissolar), mês de Ramadan (calendário islâmico, estritamente lunar) e ano novo judaico (calendário judaico, lunissolar). O calendário romano O calendário que usamos atualmente, também 20 Reconstrução do antigo calendário romano de Anzio (FastiAntiates) utilizado de 84 a 55 AEC. Notam-se as citações aos meses Quintilis (QVI) e Sextilis (SEX). O mês intercalado, Mercedonius, está no final do ano, após December é marcado como INT. (Museu do Teatro de Caesaraugusta – Zaragoza, Espanha) Busto do deus Janus. As duas faces representam o olhar ao passado e o olhar ao futuro. Museu do Vaticano. AstroNova . N.25 . 2020

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