Acervo textual da Revista AstroNova
Edição 25 — páginas 21 a 40
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Assuntos identificados: calendário, terra, meteoritos, assim, astronomia, estrela, asteroide, solar, horas, sistema.
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21 denominado de gregoriano (e neste artigo vamos entender qual a razão deste nome) tem sua origem no antigo calendário romano. Instituído desde a fundação da cidade de Roma (753 AEC), o calendário romano tinha 304 dias divididos em 10 meses cuja duração variava entre 16 e 36 dias. O ano romano iniciava-se sempre no equinócio de primavera e os 61 dias que faltavam para completar o ciclo de 365 dias não eram contados, pois correspondiam aos meses mais frios do ano. Assim, o ano romano acabava, passava o período do frio, até começar o novo ano na primavera. Nesse calendário, o primeiro mês, Martius, era dedicado ao deus da guerra Marte. O mês seguinte, Aprilis, estava vinculado à abertura das flores. O terceiro mês, Maius, dedicado à deusa Maia; e por fim, Junius, era dedicado à deusa Juno, esposa de Júpiter e rainha dos deuses. Os meses seguintes tinham nomes que apenas indicavam sua ordem no ano: Quintilis, Sextilis, September, October, November, December. Foi o segundo rei de Roma, Numa Pompílio, que criou os meses de inverno, de modo que este período do ano também fosse contabilizado. Assim foram introduzidos os meses de Februarius, em homenagem a Februs, deus das purificações; e o mês de Januarius, dedicado a Janus, um deus com duas faces, uma para frente, olhando o futuro e outra para trás, olhando o passado; nome muito sugestivo para um mês de final de ano. O calendário de Numa Pompílio tinha 355 dias, o que o tornava mais ajustado a um ano lunar (354 dias, 8 horas, 52 minutos e 48 segundos). Porém não era tão bom aos agricultores, pois não era prático para definir os inícios das estações, cuja data variava de ano em ano. Além disso, em 4 anos, as 8 horas acumuladas se tornavam 24 horas e ocorria um descompasso com as fases lunares. Para corrigir o calendário com o ano solar, a cada 2 anos era intercalado um mês que durava 22 ou 23 dias, o mês de Mercedonius. Só que esse mês era colocado de uma forma que hoje acharíamos muito estranho. Após o dia 23 de Februarius, entrava o dia 1 de Mercedonius. E quando este mês acabava, ou no dia 22 ou no dia 23, o dia seguinte era 24 de Februarius. Assim, o ano tinha 355 dias, mas quando havia o mês de Mercedonius, o ano tinha 377 ou 378 dias. Em um período de 4 anos, os anos duravam, respectivamente, 355, 377, 355 e 378 dias; o que dá uma média de 366,25 dias, ou seja, 366 dias e 6 horas. Porém, os 4 últimos anos de um ciclo de 24 anos, denominado ciclo pompiliano, tinham 355, 371, 355 e 372 dias; de modo que ao final desses 24 anos, eram eliminados 24 dias. E assim, ao final de 24 anos, a média era de 365,25 dias por ano. A reforma de Júlio César Apesar da média de 365,25 AstroNova . N.25 . 2020 GaiusOctavius, conhecido como Otávio Augusto. Escultura de 30 AEC. Museu Capitolino, Roma, Itália.
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Busto de Júlio César, possivelmente esculpido enquanto ele ainda era vivo. Museu de Antiguidades de Turim, Itália. 22 dias por ano em um ciclo de 24 anos, o calendário pompiliano apresentava uma defasagem de 2 horas a cada ano, o que dava em 24 anos, uma defasagem de 2 dias. Entre Numa Pompílio e Júlio César haviam se passado mais de 600 anos, então o calendário estava 50 dias defasado em relação às estações do ano. Baseando-se no calendário egípcio e tendo a ajuda do astrônomo Sosígenes de Alexandria, Júlio César dividiu a tarefa de mudar o calendário em duas etapas: 1 –Voltar a mudança das estações do ano para as datas que aconteciam em Martius, Junius, September e December. 2 – Evitar que a defasagem ocorresse novamente no futuro. Na primeira etapa, durante o ano de 46 AEC, Júlio César instituiu o ano da alteração, que também ficou conhecido como ano da confusão porque para que as datas do ano seguinte ficassem corretas, este ano teve 445 dias distribuídos em 15 meses. Para isso foram criados dois meses entre os meses de November e December denominados Intercalaris I e Intercalaris II, com 34 e 33 dias respectivamente. Para evitar que o calendário se defasasse em um futuro próximo (em 24 anos do ciclo pompiliano já havia defasagem de 2 dias), Júlio César instituiu que a cada 4 anos, fosse intercalado um dia extra ao ano. Porém, de forma diferente ao atual 29 de fevereiro, o dia extra entrava depois do dia 23 de Februarius. No sistema de contagem de dias romano, o dia 23 de Februarius era computado como VI antediem calendas martii, ou seja, sexto dia antes do início do mês de Martius. O dia extra era denominado bis VI antediem calendas martii, ou seja, bis do sexto dia antes do início do mês de Martius, que entrou para a História como bissexto. Após a morte de Júlio César, em sua homenagem pelos seus feitos em guerras e pela reforma do calendário, o mês de Quintilis foi renomeado Julius, com 31 dias.Em relação ao poder, a morte de César levou a uma guerra civil liderada por seus dois herdeiros: Marco Antônio e Gaio Otávio. Após vencer a guerra civil, Otávio recebeu os títulos de Augusto e de Sumo Pontífice, o que o tornava responsável pela observação do calendário. Durante a guerra civil romana, um erro na interpretação da lei fez com que os dias bissextos fossem colocados a cada 3 anos. Otávio Augusto fez uma nova modificação de modo que o calendário fosse ajustado para compensar essa falha. Assim, ao consertar o calendário, Otávio ganhou um mês próprio. Da mesma forma que Quintilis tornou-se Julius; Sextilis tornou-se Augustus, também com 31 dias para ser igual ao mês de Julius. AstroNova . N.25 . 2020
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23 Acumulando imprecisões O calendário juliano resolveu durante muito tempo o problema de desvios com as estações do ano. Sendo a duração média do ano juliano 365 dias e 6 horas; quando comparado com a duração do ano trópico: 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 45 segundos; a diferença é de apenas 11 minutos e 15 segundos. Porém em 128 anos, essa diferença acumula em 1440 minutos, que é a duração de um dia (1 dia = 24 horas = 1440 minutos). No ano 325 EC, notou-se que as datas de solstícios e equinócios estavam ligeiramente deslocadas em relação ao oficializado por Júlio César. A solução encontrada foi simplesmente alterar as datas desses eventos, assim o solstício de inverno passou de 25 de dezembro para 21 de dezembro. Era uma solução paliativa, mas que não resolveria o problema a longo prazo. Quando o Império Romano acabou em 473 EC, a verificação do calendário passou para outro poder, a Igreja Católica, cuja autoridade maior é o bispo de Roma, também denominado Papa. Dentre os títulos que o bispo de Roma recebe, está o título de Sumo Pontífice, que no Império Romano era o responsável pelo calendário. No século 13, já era nítida a defasagem do calendário com as passagens de solstícios e equinócios, praticamente 10 dias. Isso incomodava muito porque muitas das festas religiosas são baseadas em fases lunares após solstícios e equinócios. Era notório que o calendário precisava ser repensado, mas intrigas, guerras, peste e até mesmo a existência de antipapas tornaram impossível uma reforma. Lápide do papa Gregório XIII na Basílica de São Pedro, Vaticano. AstroNova . N.25 . 2020
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AstroNova . N.25 . 2020 24 Reforma Gregoriana Em 24 de fevereiro de 1582, o papa Gregório XIII publicou a bula Inter Gravissimas. Nela, era tratada a alteração do calendário marcada para outubro daquele ano e as novas regras para o calendário dos anos seguintes. A alteração do calendário ocorreria no dia 4 de outubro de 1582, uma quinta-feira. O dia posterior seria uma sexta-feira, mas não seria dia 5, seria dia 15 de outubro de 1582, de modo que os dias 5 a 14 de outubro daquele ano não existiriam. Mesmo com a antecedência da bula papal, editada e lançada para todas as paróquias e dioceses com antecedência, ocorreram problemas tal como no ano da confusão de Júlio César. A mudança foi prontamente aceita nos países católicos como Portugal, Espanha e nos reinos da Itália (que ainda não era um país unificado), mas levou tempo para ser aceita nos países protestantes e cristãos ortodoxos. A França só adotou o calendário em dezembro de 1582, fazendo com que após o dia 9 de dezembro viesse o dia 20. Esse mesmo esquema foi adotado na Holanda, país protestante. A tabela 1 mostra em que ano os países adotaram o calendário gregoriano, ou por comodidade do calendário, por imposição (as colônias tinham que aceitar as Detalhe do baixo relevo da lápide. Nota-se a figura de Luigi Lilio ajoelhado entregando o livro com todas as instruções do novo calendário ao papa Gregório XIII. País Alemanha Áustria Hungria Prússia Dinamarca Noruega Inglaterra Suécia Japão Albânia Rússia Grécia Turquia China Ano 1584 1584 1587 1610 1700 1700 1752 1753 1873 1912 1918 1923 1926 1929 Tabela 1. Ano de adoção do calendário gregoriano nos países.
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Primeira página da bula papal Inter Gravissimas, assinada pelo papa Gregorio XIII e publicada em 24 de fevereiro de 1582. 25 AstroNova . N.25 . 2020 imposições da metrópole) ou por força de uma revolução (como no caso da Rússia). A grande mente por trás do calendário gregoriano foi o médico italiano Luigi Lilio.Ao verificar o período de 400 anos, Lilio notou que em 400 anos julianos haveriam 146.100 dias, o que dá média de 365,25 dias por ano. No novo calendário proposto, não haveria dia bissexto nos anos que fossem seculares e não fossem divisíveis por 400. Assim, 400 anos do novo calendário somariam 146.097 dias; cuja média é de 365,2425 dias por ano. Comparando, o ano juliano médio tem 365 dias e 6 horas, o ano liliano médio tem 365 dias, 5 horas, 49 minutos e 12 segundos. Relembrando que o ano trópico tem 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 45 segundos; a diferença com a proposta de Lilio é de apenas 27 segundos! O que leva a um atraso de 1 dia em 3223 anos! Óbvio que o nome calendário liliano não entrou para a História. O calendário fico conhecido como gregoriano por força da bula do papa Gregório XIII. A bula papal não comenta o que fazer quando o atraso de 1 dia acontecer no ano de 3223 EC, provavelmente porque o papa pensasse que até 2000 viria o fim do mundo. Talvez uma solução para esse problema seja suprimir o dia bissexto do ano 4000. Mas até lá... vai ter muita folhinha de calendário para tirar. Rafael Cândido Jr. é graduado e mestre em Engenharia Química (USP) e doutorando em Engenharia Aeroespacial (UFABC). É membro do grupo de astronomia Arcturus. Bibliografia recomendada: Excelente livro sobre a história do calendário e muitas informações sobre outros calendários utilizados pela humanidade desde a antiguidade até hoje. O tempo que o tempo tem Alexandre Cherman e Fernando Vieira Editora Zahar Busto do médico Luigi Lilio, o criador do calendário gregoriano. Obra de Giuseppe Capoano.
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Divulgar a Ciência, provando que pode ser acessível para todas as pessoas, valorizando a produção científica nacional e desconstruindo as pseudociências. Novas postagens todas as quintas-feiras
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27 Beatriz Yordaky [email protected] Estamos no ano de 1054 EC . Um evento celestial rouba a atenção de qualquer um que pudesse olhar para cima, na direção da constelação do Touro. Mesmo de dia, o que parecia ser uma nova e poderosa estrela passou a ofuscar todo o céu, que se tornou um mero coadjuvante do espetáculo. Astrônomos chineses e árabes registraram suas observações no mesmo ano, deixando para a história registros que mais para frente seriam resgatados no contexto da Astronomia moderna. Os Anasazi, antigo povo indígena que viveu nos Estados Unidos, nos deixaram uma pintura em pedra que acredita-se ser um registro do mesmo evento. Na imagem 1 vemos o que parece ser uma estrela ao lado da Lua minguante, o que sugere, pelo tamanho dos objetos, que teriam um brilho similar no céu. Acima há a marca de uma mão humana, provavelmente a assinatura do artista. Você deve estar se perguntando, assim como os ASTROFÍSICA ESTELAR SupernovasSupernovas e as últimas aventuras de BetelgeuseBetelgeuse e as últimas aventuras de * Há uma tendência em se trocar as denominações a.C. (antes de Cristo) e d.C. (depois de Cristo) por AEC (Antes da Era Comum) e EC (Era Comum) devido a um erro de cálculo feito pelo monge Dionísio no séc. VI para o nascimento de Cristo. Assim o suposto nascimento de Jesus foi em 4 AEC e, atualmente, vivemos na Era Comum.
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28 AstroNova . N.25 . 2020 antigos devem ter se perguntado: o que foi esse evento? Ele foi um exemplo do que chamamos hoje de Supernova, e o entenderemos melhor à luz da evolução estelar. Assim como nós as estrelas nascem, se desenvolvem e morrem, mas com uma expectativa de vida bem maior, de milhões ou até bilhões de anos. As formas como evoluem e morrem são diferentes, mas todas chegam em algum momento nos estágios finais. Estrelas gigantes consomem com maior rapidez seu combustível nuclear, que gera a energia responsável por contrabalancear a incessante gravidade que força a estrela a se comprimir sobre si mesma. Quando este combustível é exaurido, a estrela gigante entra em crise energética e perde estabilidade. É hora do show final: o que se segue é uma explosão estelar titânica, um evento astronômico ultra energético onde a estrela expele para o espaço sua composição interior: uma Supernova! Existem alguns tipos de Supernova, e inclusive algumas são geradas por explosões de estrelas anãs brancas. Astrônomos já registraram (e continuam a registrar) esse tipo de evento em outras galáxias com o auxílio de telescópios potentes. Na imagem 2 observamos a Supernova 1994D, um ponto muito brilhante no canto inferior esquerdo da galáxia NGC 4526, localizada na direção da constelação de Virgem. Em eventos assim, em questão de segundos uma estrela antes ordinária se torna mais brilhante do que todas as outras da galáxia juntas. O que sobra dessa explosão Imagem 1: Pintura feita pelo povo Anasazi em Chaco Canyon, Estados Unidos. [Fonte: Wikipedia] Imagem 2: Supernova 1994D na galáxia NGC 4526. [Fonte: NASA/ESA]
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chamamos de remanescente de Supernova. A Nebulosa do Caranguejo, dentro da nossa Via Láctea, é um exemplo. Ela foi observada pela primeira vez em 1731, mas somente em 1921 estudos das observações levaram à conclusão de que seria um remanescente de Supernova. Análises da época indicaram que a nebulosa deveria ter sido visível da Terra a cerca de 900 anos antes, exatamente à época da histórica Supernova de 1054. Coincidência? Nem um pouco. A Nebulosa do Caranguejo se localiza igualmente na direção da constelação do Touro. O que vemos na imagem 3 é o resto daquilo que os antigos viram, há pouco menos de 1000 anos atrás. Será que teremos tanta sorte como os antigos e também poderemos observar a olho nu um espetáculo desse no céu? Supernova é um fenômeno relativamente raro em uma galáxia. É uma estimativa difícil, mas calcula-se que ocorram em média 3 supernovas por milênio em nossa Galáxia, entretanto algumas seriam inobserváveis devido à poeira interestelar. E Betelgeuse? Betelgeuse, uma estrela supergigante vermelha localizada na constelação de Órion a 640 anos-luz de distância de nós, tem dado o que falar recentemente. Ela costumava ser a décima estrela mais brilhante no céu noturno e, de repente, neste ano caiu para a vigésima quinta posição, o mais apagado dela que já observamos. Isso poderia ser um indicativo de que seu inevitável destino como supernova está para chegar? As estrelas transportam energia de seu núcleo para suas camadas mais externas de forma complexa envolvendo, por exemplo, campos eletromagnéticos e convecção. O que observamos ao olhar uma estrela é a luz emanada de sua fotosfera, que esconde os processos que estão ocorrendo simultaneamente em seu interior. Não é nada fácil para um fóton gerado no interior de um estrela conseguir escapar para fora. Ele demora milhares de anos para isso! Então, em resumo, não sabemos o que está acontecendo dentro de Betelgeuse agora, uma informação essencial para determinar se ela está de fato ou não próxima de virar Supernova. Betelgeuse é uma supergigante vermelha e, portanto, varia em tamanho, 33 AstroNova . N.25 . 2020 Imagem 3: Nebulosa do Caranguejo. [Fonte: NASA/ESA]
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formato e brilho com o tempo. Isso é normal para este tipo de estrela. Nosso atual conhecimento sobre evolução estelar nos diz que essas mudanças na superfície de Betelgeuse não estão relacionadas com o que está ocorrendo em seu núcleo - seja lá o que esteja acontecendo. Temos, entretanto, uma carta na manga: neutrinos. Eles são partículas extremamente pequenas e que interagem pouco com as outras, e justamente por essa característica conseguem escapar do interior das estrelas com notável facilidade, podendo servir como um indicador do que está ocorrendo no interior estelar. Provavelmente em torno de 100.000 anos de hoje a Terra receberá um sinal característico de neutrinos prenunciando o fim iminente de Betelgeuse. Será que alguém estará aqui para receber e presenciar o espetáculo celeste? Beatriz Yordaky é graduada em Física pela UFABC e vice-presidente do Clube de Astronomia Arcturus Sugestão: COSMOS, Episódio 9 “A vida das estrelas” de Cosmos (Carl Sagan 1980) Imagem 4: Imagem de Betelgeuse tirada pelo Hubble e sua localização na constelação de órion. Adaptado para o português. [Fonte: NASA/ESA] Imagem 5: Mudança de brilho de Betelgeuse observada entre Janeiro e Dezembro de 2019. [Fonte: ESO/M. MONTARGÈS ET AL] 30 AstroNova . N.25 . 2020
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Lua: 15% iluminada na face voltada à Terra Astrofotógrafo: Jadson Alves
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33 Wilson Guerra [email protected] A queda de rochas espaciais em nosso planeta não é nenhuma novidade. Estima- se que todos os anos, toneladas de rochas do espaço caem na Terra. Sua origem é geralmente atribuída a fragmentos de asteroides e de cometas vagando pelo Sistema Solar. Também há presença de grãos de poeira das caudas cometárias que compõem este material. Em sua maioria, são pulverizadas na própria atmosfera, devido ao atrito com o ar e a fortíssimo aquecimento causado pelo processo de compressão do ar durante a entrada, descrito na Física como um “processo adiabático” (aumento súbido de pressão que provoca forte aquecimento). Quando são vistos à noite, provocam clarões e riscos brilhantes no céu chamados de meteoros. Quando algum fragmento resiste ao processo extremo de entrada e alcançam o solo, recebe o nome de meteorito. A grande maioria dos metoritos caem no mar, sobretudo no oceano Pacífico. É uma questão de probabilidade, afinal a maior parte da superfície da Terra é coberta de água. Mas SISTEMA SOLAR ASTEROIDESASTEROIDES ameaçando a Terra?
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34 AstroNova . N.25 . 2020 alguns podem cair em regiões habitadas, ou próximo delas. O recente e mais famoso ocorreu em Tchelabisnky, na Rússia, em 2013. Estima-se que rochas com mais de 100m de diâmetro sejam perigosos. Com quilômetros, seria fatal, como ocorreu há 65 milhões de anos para os dinossauros. Até agora, felizmente, todos foram pequenos e não causaram maiores danos. O QUE SÃO ASTEROIDES? São estruturas secas, de rocha, metal ou ambos, que orbitam o Sol. São o resto de material que não se aglutinou na formação planetária do Sistema Solar; são o “entulho” da construção dos planetas e luas. Estima-se que há um bilhão de asteroides no Sistema Solar. A grande maioria se concentra no Cinturão de Asteroides principal, entre as órbitas de Marte e Júpiter. Os que têm sua órbita que em algum ponto os deixam próximos da Terra são classificados em um grupo chamados NEOs, abreviação em inglês para Objetos Próximos da Terra (Near Earth Objects). SENSACIONALISMO Todavia, de tempos em temos somos “bombardeados” por manchetes na imprensa e postagens que circulam pela internet de que um asteroide perigosíssimo estaria vindo em direção à Terra, em rota de colisão. Apenas no começo deste ano houveram dois “alertas” circulando. Um em fevereiro, com relação ao asteroide PZ39. Com tamanho estimado de 500m a 1km e velocidade em mais de 50.000km/h, seria um perigo real se não fosse a distância com que vai passar da Terra: 5,7 milhões de quilômetros. Para se ter uma idéia, a distância da Lua não chega a 7% desse valor. Em março um novo rumor O meteoro de Tchelabinsky, em 15 de fevereiro de 2013. Cinturão principal de asteroides, entre Marte e Júpiter. Fonte: http://astro.if.ufrgs.br
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35 AstroNova . N.25 . 2020 surgiu por causa do 1998 OR2, também denominado de Asteroide 52768. Seu diâmetro estimado em 3km poderia causar um evento semelhante a da extinção dos dinossauros. Sua trajetória, no entanto, o coloca a no mínimo 2,3 milhões de quilômetros de distância da Terra, Isso é mais que seis vezes a distância de nós à Lua. Esse tipo de abordagem não é nada útil. Além de ser mal jornalismo, que se usa do sensacionalismo para se conseguir “clicks” ou algum tipo de destaque midiático, é muito contraproducente do ponto de vista da divulgação e da educação científica. Além disso constitui um desnecessário estresse, ainda mais em nossos tempos, onde as pessoas vivem cotidianamente sob pressões das mais variadas ordens. Com o objetivo de combater esse tipo de prática, o astrônomo Cristóvão Jacques preparou um tutorial para que qualquer usuário de internet possa consultar bancos de dados de asteroides e meteoroides catalogados, e ele mesmo verificar a veracidade das informações que possa receber. Jacques faz parte do Sonear, sigla em inglês para Observatorio Austral para pesquisa de Asteróides próximos à Terra. Seu grupo tem detectado asteroides e cometas desde que começaram as atividades. Nas páginas a seguir, transcrevemos na íntegra o manual de verificação do Sonear. Wilson Guerra é professor e astrônomo amador. Graduou-se em Física (UEM), tem uma especialização em Astrobiologia (UEL) é e Mestre em Educação Científica (UEM). Referências: Astronomia - Guia Ilustrado Editora Zahar Astronomia: uma visão geral do Universo - Friaça, Dal Pino, Sodré Jr, Jatenco-Pereira EDUSP Astronomia & Astrofísica Oliviera, Kepler; Saraiva, Maria Editora Livraria da Física A trajetória do asteroide 52768, em cinza. Fonte: http://olhardigital.com.br A trajetória do asteroide PZ39, em cinza. Fonte: http://www.nasa.gov
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34 AstroNova . N.25 . 2020 Tutorial para saber qual distância e quando um asteroide vai se aproximar da Terra Cristóvão Jacques Muitas matérias sensacionalistas na Internet dizem que algum asteroide em algum dia pode ter uma aproximação perigosa com a Terra ou até mesmo colidir. Para combater a má informação o SONEAR Observatory escreveu este tutorial que ensina você a encontrar qual distância e quando um asteroide passará ou passou perto da Terra usando informações do site JPL/NASA. 1) Acesse o site https://ssd.jpl.nasa.gov/sbdb.cgi 2) Neste exemplo usaremos o asteroide chamado Apophis. Seu número é 99942 e sua designação é 2004 MN4. Na tela do site mencionado no item 1, digite no campo search Apophis, ou 99942 ou 2004 MN4, pois tanto faz já que se trata do mesmo objeto e tecle enter. Fig (1) https://ssd.jpl.nasa.gov/sbdb.cgi
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1337 AstroNova . N.25 . 2020 3) Voce acessou a página do asteroide Apophis conforme fig.2 Figura 1 Figura 2
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38 AstroNova . N.25 . 2020 4) No menu abaixo do nome do asteroide clique na opção: Close-Approach Data – fig.3 Figura 3 Figura 4 5) Analisando a tabela do Close-approach Data ou Dados da máxima aproximação – fig.4 A primeira coluna (Data/Time (TDB)) marca a data e hora da máxima aproximação. Pode-se considerer o TDB como muito próximo do UTC ou Tempo Universal Coordenado. A segunda coluna (Time uncertainty) marca a incerteza no horário. Quanto maior a incerteza da posição do asteroide maior o valor em horas e minutos. A Terceira coluna (Body) é o objeto que o asteroide fará a máxima aproximaçao que pode ser em relação à Terra (Earth), Lua (Moon) ou qualquer planeta. A quarta coluna (nominal distance) ou distancia mais provável durante a aproximação. Esta distancia está em AU ou Unidade Astronomica. Basta multiplicar esta coluna por 150 milhoes para obter o valor da aproximção em km. Se a órbita do asteroide for bem conhecida, as diferenças entre a quarta coluna (minimum distance ou distancia minima) e a quinta coluna (maximum distance ou distancia maxima) e a coluna com a distancia nominal serão minimas. Vamos ver um exemplo: procure a máxima aproximação para este asteroide no dia 13/04/2029 conforme fig.5 Figura 5 Conforme a fig.5 o asteroide Apophis no dia 13 de abril de 2029 as 21:46 do Tempo Universal, irá passar a 0.000252172816142565 UA da Terra ou este valor multiplicado por 150 milhões para calcular em km. Então ele vai passar a 37.825 (trinta e sete mil, oitocentos e vinte e cinco) km da Terra. Sendo assim, basta seguir os passos deste tutorial para saber qual distância e quando da máxima aproximação de qualquer asteroide que passe perto da Terra. Para isto basta saber o nome ou número ou designação do asteroide.
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Cometa 46P/Wirtanen Astrofotógrafo: Carlos Ap. Domingues Observatório Estrela do Sul
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