Acervo textual da Revista AstroNova
Edição 27 — páginas 1 a 20
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Assuntos identificados: espacial, sonda, missão, asteroide, astronomia, sistema, forma, asteroides, soyuz, foguete.
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REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS Ano 07 - Nº 27 - Setembro/2020 A PRIMEIRA MISSÃO ESPACIAL INTERNACIONAL A PRIMEIRA MISSÃO ESPACIAL INTERNACIONAL PESQUISA ROBÓTICA EM ASTEROIDES PESQUISA ROBÓTICA EM ASTEROIDES ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS A IMPORTÂNCIA DO MÉTODO CIENTÍFICO A IMPORTÂNCIA DO MÉTODO CIENTÍFICO COMO MEDIR DISTÂNCIAS EM ASTRONOMIA COMO MEDIR DISTÂNCIAS EM ASTRONOMIA DA OBSERVAÇÃO DIRETA À TELA DO COMPUTADOR DA OBSERVAÇÃO DIRETA À TELA DO COMPUTADOR
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Conselho editorial: Maico A. Zorzan [email protected] Rafael Cândido Jr. [email protected] Wilson Guerra [email protected] Redatores: Beatriz Araujo Yordaky [email protected] Fernando Bortotti [email protected] Maico A. Zorzan [email protected] Rafael Cândido Jr. [email protected] Wilson Guerra [email protected] Arte e Diagramação: Wilson Guerra [email protected] Revisão: Profª. Tina Andreolla e orientandos (Geastro) São tempos tão estranhos, onde o mundo anda diferente, onde tudo está tão perto, mas que devido ao afastamento social causado pela pandemia, ao mesmo tempo tão distante. Lembra até a escala de distâncias astronômicas. Mas nem por isso, precisamos ficar a parsecs de distância do conhecimento, não é? Vivemos uma época tecnológica, onde uma tela de cristal líquido é um portal para interação humana e de aquisição de conhecimento. Então que sejamos responsáveis por analisar nossas fontes e tenhamos um senso crítico apurado para aplicar o método científico no nosso cotidiano, usando da melhor maneira possível novas ferramentas, que foram objeto de estudo por muitos cientistas antes de chegar em nossas mãos. É hora de honrar as noites mal dormidas, as garrafas de café absorvidas e todas as pestanas queimadas em teses e artigos, de pesquisadores, engenheiros, designers e técnicos, para que possamos em tempos como esse, estarmos próximos de todo conhecimento disponível e de quem convivemos e amamos. A paralaxe que observamos no mundo atual está nos permitindo vivenciar novas ferramentas de divulgação da ciência. Estudar todo um universo digital ainda não explorado pela revista AstroNova, atingindo com impacto audiovisual um novo material, novos temas, perguntas antes tão distantes, e que agora podem ser feitas em tempo real em transmissões online. Como um cometa que é arremessado em direção ao Sol, acabamos pela atual condição, sendo arremessados nesse horizonte de eventos chamado Youtube, contribuindo um pouco para combater a desinformação latente que se expande como uma estrela moribunda sobre os poucos “mundos inteligentes” ainda presentes em nosso país. E que se não combatida com a alfabetização científica, pode ser tão desastrosa como uma supernova para as nossas vidas. Maico Zorzan EDITOR AstroNova . N.27 . 2020 EXPEDIENTE EDITORIAL Capa: Júpiter, pela sonda Juno Wilson Guerra GCAA Wilson Guerra GCAA Wilson Guerra GCAA Wilson Guerra GCAA Maico Zorzan CAEH Maico Zorzan CAEH Fonte: www.nasa.gov/juno Astrofotos: Augusto C. R. Araújo Bruno Bonicontro Carlos A. Domingues
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SUMÁRIO A PESQUISA ROBÓTICA EM ASTEROIDES 07 25 29 COMO MEDIR DISTÂNCIAS EM ASTRONOMIA: PARTE 2 Ano 7 | Edição nº 27 | 2020 17 A IMPORTÂNCIA DO MÉTODO CIENTÍFICO DA OBSERVAÇÃO DIRETA À TELA DO COMPUTADOR 35 APOLLO-SOYUZ: A PRIMEIRA MISSÃO ESPACIAL INTERNACIONAL Nos acompanhe nas redes sociais /c/revistaastronova /AstroNovaBrasil /revistaastronova Baixe todas as edições em: www.caeh.com.br /rev_astronova
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PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTREPRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE Foguete: Rocket 3.1 (Astra) Teste de vôo Local: Pacific Spaceport, Alasca Data: 10 ou 11/09/2020 EUAEUA Foguete: Electron (Rocket Lab) Carga: STP-27RM, com instrumentos meteorológicos Local: Mid-Atlantic Regional Spaceport Data: set/2020 Foguete: Falcon 9 (SpaceX) Carga: Starlink 12; aproximadamente 60 satélites Local: base do Cabo Canaveral Data: set/2020 Foguete: Antares (Northrop Grumman) Carga: cargueiro Cygnus, com equipamentos e mantimentos para a ISS Local: base do Cabo Canaveral Data: 29 ou 30/09/2020 Foguete: Falcon 9 (SpaceX) Crew 1: membros da expedição 65 da Estação Espacial Internacional Local: Centro Espacial Kennedy Data: 23/10/2020 Foguete: Falcon 9 (SpaceX) Carga: Sentinel 6A, satélite de obs. da Terra (missão com Europa) Local: base de Vandenberg Data: nov/2020 Foguete: Angara A5 (POCKOCMOC) Carga: teste de novo tipo de foguete lançador Local: Cosmódromo de Plesetsk Data: nov/2020 RÚSSIARÚSSIA
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Foguete: Vega (ELV) Carga: SSMS POC, conjunto de microssatélites Local: Base de Kourou Data: 1 ou 2/09/2020 Foguete: Vega (ELV) Carga: SEOSat-Ingenio & Taranis satélites de comunicação e pesquisa Local: Base de Kourou Data: último trimestre/2020 PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTREPRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE Foguete: Vega C (ELV) Carga: LARES 2, satélite da Agência Espacial Italiana Local: Base de Kourou Data: dez/2020 EUROPA via Guiana Francesa EUROPA via Guiana Francesa Foguete: Electron (Rocket Lab) Carga: “I Can’t Believe It’s Not Optical”: satélite de observação por radar Local: península Mahia Data: 30 ou 31/08/2020 Foguete: GISAT 1 (Isro) Carga: GISAT 1, satélite de imageamento geoestacionário Local: centro espacial Satish Dhawan Data: último trimestre/2020 Foguete:SSLV (Isro) Carga: nanossatélite para teste de vôo Local: centro espacial Satish Dhawan Data: último trimestre/2020 Foguete: Electron (Rocket Lab) Carga: STP-27RM , satélite com instrumentação meteorológica Local: península Mahia Data: set/2020 NOVA ZELÂNDIA NOVA ZELÂNDIA ÍNDIAÍNDIA Foguete: Longa Marcha 5 (CNSA) Carga: Chang’e 5, missão de pesquisa robótica na Lua Local: Base Wenchang Data: nov/2020 CHINACHINA Foguete: Longa Marcha 2F (CNSA) Carga: nave autônoma Shenglong; teste orbital Local: Base Jiuquan Data: 04/09/2020
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Principais atividades - junho a agosto/2020Principais atividades - junho a agosto/2020 Tripulação atualTripulação atual ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONALESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL Soyuz MS-17: Roscosmos (14/10/2020)Soyuz MS-17: Roscosmos (14/10/2020) Astronautas da Nasa Robert Behnken e Chris Cassidy realizaram caminhada espacial para atualizações de hardware em vários sistemas da estação. Astronautas da Nasa Robert Behnken e Chris Cassidy realizaram caminhada espacial para atualizações de hardware em vários sistemas da estação. Experimentos com eletrólise em microgravidade.Experimentos com eletrólise em microgravidade. Crew-1: SpaceX (23/10/2020)Crew-1: SpaceX (23/10/2020) Próxima ExpediçãoPróxima Expedição Astronauta Chris Cassidy trabalha com amostras biológicas para estudos de fisiologia alimentar. Astronauta Chris Cassidy trabalha com amostras biológicas para estudos de fisiologia alimentar.
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A PESQUISA ROBÓTICA EM Wilson Guerra [email protected] Imaginemos um canteiro de obras, por exemplo, da construção de um grande condomínio. Muito ferro, areia, concreto, são usados na construção. E também material do acabamento: azulejos, encanamentos, tinta, fios, etc. Ao fim, antes de obra ser concluída, restos de materiais de construção sobram: de pedaços de barras metálicas a eventuais azulejos quebrados, pedaços de encanamentos, porções de areia... enfim, o lixo, o entulho. O surgimento do Sistema Solar segue uma lógica parecida. A partir da matéria SISTEMA SOLAR 07 ASTEROIDES prima, gás e poeira cósmica enriquecida quimicamente por material estelar, formaram-se nosso Sol, os planetas, e seus satélites naturais. E sobrou o entulho. Pois bem, os asteróides são “o entulho” da construção do Sistema Solar. Corpos menores que, por várias razões, “sobraram” e não participaram da construção de objetos maiores, de escala planetária. Os cometas também fazem parte desse entulho. Mas os asteroides se diferem dos cometas pelo tipo de órbita e também porque são “secos”, ou seja, não contém material volátil que se sublima conforme se aproxima do Sol, dando origem a enormes caudas cometárias. Os asteroides são só “grandes pedregulhos” com formato irregular, muitas vezes comparados com “batatas”. Tal como o entulho pode revelar alguns aspectos da construção (se o condomínio era de luxo ou não, se tinha piscina, etc), os asteroides revelam como era a matéria prima com o que o Sistema Solar se construiu. Aqui, nossa metáfora do “lixo” acaba: os asteroides são verdadeiras relíquias do Sistema Solar, como são os artefatos arqueológicos para os historiadores e os fósseis para os paleontólogos. Eles podem nos revelar mais sobre o passado do Sistema Solar, nos ajudando a
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AstroNova . N.27 . 2020 08 No século XVIII o filósofo Immanuel Kant propôs que o Sistema Solar se formou da condensação de gás e poeira. Foi Pierre-Simon Laplace quem descreveu matemática e estatisticamente o modelo, demonstrando sua plausibilidade. entender melhor sua origem, a origem de outros sistemas planetários e até a própria origem da Vida na Terra. LOCALIZAÇÃO A grande maioria dos asteroides se distribuem em duas regiões do Sistema Solar: o Cinturão Principal, entre as órbitas dos planetas Marte e Júpiter, e o Cinturão de Kuiper, depois da órbita do distante planeta Netuno. Há outros grupos menores, como os asteroides troianos, que se deslocam solidariamente na órbita de Júpiter em dois sub-grupos: o um 60 a frente do planeta e o outro 60 para trás. Ceres O maior asteroide do Cinturão Principal, com 952km de diâmetro, é Ceres, que de fato já não é mais considerado asteroide desde as novas definições estabelecidas pela União Astronômica Internacional em 2006. Agora Ceres faz parte da categoria “planeta- anão”. De maneira sintética, um planeta-anão possui as mesmas característica hidrostáticas dos planetas, que lhes conferem forma praticamente esférica, e não irregular. Mas não tem domínio gravitacional em sua órbita. Ou seja, ele “não manda no pedaço”, como no Ceres, o maior objeto do Cinturão de Asteroides Principal. Imagem obtida pela sonda Dawn (Nasa). Fonte: www.astrofurg.com.br
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1309 AstroNova . N.27 . 2020 caso de um planeta convencional. De qualquer forma, Ceres é o maior objeto dessa região do Sistema Solar. Pesquisas recentes feitas com informações da sonda Dawn (Nasa) mostram que Ceres pode ser geologicamente ativo e conter água líquida salgada em alguns pontos de seu subsolo. Assim, Ceres se torna mais interessante astrobiologicamente. Eros O asteroide Eros fica no Cinturão Principal. Tem quase 17 km de comprimento e um formato irregular clássico, da maioria dos asteroides. Foi o primeiro asteroide a ser visitado por uma sonda: a Near-Shoemaker, da Nasa. E ficou mais famoso depois que a sonda pousou sobre sua superfície. Ela não havia sido projetada para isso, mas os engenheiros da Nasa resolveram tentar realizar a façanha antes do fim da vida útil da nave, e obtiveram sucesso. A experiência adquida ajudou em futuros projetos que intencionalmente colocariam sondas na superfíce de outros asteroides, inaugurando uma nova fase de pesquisa. Gaspra A sonda Galileu, da Nasa, sobrevoou o asteroide Gaspra em 1991, enquanto se deslocava para seu objeto de pesquisa principal: o planeta Júpiter. Este asteroide surpreendeu os cientistas quando dados da sonda Galileu mostraram que ele tinha campo magnético. Isso era inesperado para objetos pequenos: Gaspra tem aproximadamente 12km. Talvez este asteroide tenha surgido da desintegração de um corpo maior, que tinha campo magnético, e suas rochas se resfriaram rapidamente, mantendo “gravado” esse magnetismo do objeto original. O campo magnético residual de Marte vem do mesmo processo. Eros, em imagem enviada pela sonda Near-Shoemaker, da Nasa em 2000. Asteroide Gaspra, em imagem obitda pela sonda Galileu quando estava a caminho de Júpiter. Ilustração do pouso suave da sonda Near-Shoemaker no asteroide Eros.
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10 AstroNova . N.27 . 2020 Ida e Dáctil A sonda Galileu também passou pelo asteróide Ida, que tem 65km de comprimento. Ida parecia um asteroide como tantos outros, de formato irregular e marcado de pequenas craternas na superfíce, quando as imagens da sonda Galileu revelaram algo diferente: Ida tinha um satélite natural, uma “lua”. O pequeno Dáctil, de apenas 1,4km de diâmetro, leva 20 horas para dar uma volta completa em Ida. Hoje se sabe que satélites em asteroides são relativamente comuns. Eles provavelmente são fragmentos dos asteroides centrais por três motivos: a baixa gravidade, a estrutura pouco coesa desses objetos (alguns asteroides são amontoados de pedregulhos quase soltos) e a rotação, que lança os fragmentos ao seu redor. Lutétia O asteróide Lutetia foi fotografado pela sonda Rosetta (ESA) durante sua maior aproximação em 2010. Lutetia, que tem cerca de 100 quilômetros de diâmetro, parece ser um fragmento remanescente do mesmo material original que formou a Terra, Vênus e Mercúrio, corpos chamados "planetesimais". Agora é parte do cinturão de asteróides principal, entre as órbitas de Marte e Júpiter, mas acredita-se que sua formação ocorreu mais próxima do Sol. Itokawa O asteroide Itokawa foi visitado pela sonda Hayabusa, da Agência Espacial do Japão (Jaxa). Com apenas 300m de extensão, Itokawa tem uma característica marcante: não apresenta crateras de impacto. Sua superfície é coberta de pedregulhos fracamente presos ao objeto, que tem uma gravidade 16 mil vezes mais fraca que a da Lua. Foi o primeiro asteroide que teve amostras da superfície recolhidas por uma sonda e Asteroide Ida e sua pequena “lua”, Dáctil, à direta. Imagem da sonda Galileu (Nasa). Lutétia, do Cinturão principal, fotografado em 2010 pela sonda Rosetta (ESA) durante sua jornada ao cometa 67/P. Asteroide Itokawa, do Cinturão Principal, foi nomeado em homenagem ao engenheiro de foguetes Hideo Itokawa, do Japão.
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11 AstroNova . N.27 . 2020 enviadas para a Terra. Apesar do sistema de coleta não ter funcionado exatamente como o previsto, o compartimento de amostras conseguir recuperar algum material devido ao jato de propulsão da sonda. Depois a Hayabusa trouxe o módulo com as amostras para a Terra, que retornou com sucesso. Arrokoth Conhecido pelo código MU69, e apelidado temporariamente de Ultima Thule, o asteroide Arrokoth fica no Cinturão de Kuiper, a Compartimento da sonda Hayabusa, com amostras do asteroide Itokawa, retornou à Terra com sucesso. região de corpos menores para além da órbita de Netuno. Arrokoth é um objeto binário, cuja forma lembra os populares “bonecos de neve”. O termo Ultima Thule vem desta sua forma de dois lobos, um maior e mais achatado, apelidado de Ultima, e outro menor e mais redondo, apelidado de Thule. Tem 35 km de comprimento, de um lobo a outro. Uma imagem colorida foi obtida a partir de dados enviados pela nave espacial New Horizons da Nasa, que foi enviada em 2006 para sobrevoar o planeta-anão Plutão. A sonda sobrevoou Arrokoth em 1º de janeiro de 2019. A imagem feita a partir de dados da sonda mostra a cor próxima do que o olho humano veria. A cor e composição uniformes da superfície mostram que Arrokoth foi formado a partir de uma pequena nuvem uniforme de material, em vez de uma mistura de partes mais separadas da nebulosa que deu origem ao Sistema Solar. Isso corrobora com a hipótese de que Arrokoth se formou de um colapso local da nebulosa solar. MISSÕES EM CURSO AOS ASTEROIDES OSIRIS-REx Esta sonda sobrevoa atualmente um asteroide de aproximadamente 500m de extensão chamado Bennu, do Cinturão Principal. A OSIRIS-REx tem um sistema para coletar amostras do asteroides e enviá-las para a Terra. ATUALMENTE Asteroide Arrokoth (MU69), do Cinturão de Kuiper. Bennu, do Cinturão Principal. Imagem da superfície de Bennu, com a sonda OSIRIS-REx a 250m de sua superfície.
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AstroNova . N.27 . 2020 12 Dados recentemente analisados da sonda espacial OSIRIS-REx revelaram água presa em argilas que compõem seu objeto de estudo científico, o asteroide Bennu. Imagens enviadas pela sonda mostram que Bennu ejeta partículas de sua superfície. Esta é uma descoberta surpreendente, assim como sua superfície inesperadamente acidentada. Hayabusa-2 Com o sucesso da primeira missão a um asteroide, a Jaxa lançou a sonda Hayabusa-2 ao asteroide Ryugu, que atualmente o acompanha. Ryugu tem tamanho de aproximadamente 435 metros. Sua superfície é marcada de pedregulhos. Assim como sua antecessora, a sonda Hayabusa-2 coletou amostras do asteroide. O módulo com as amostras chegarão à Terra em dezembro de 2020. A Hayabusa também leva duas pequenas sondas de superfície chamadas Minerva-II-1 e Minerva-II-2. A segunda tem um sistema que a permitirá ficar “quicando” na superfíe de Ryugu e poderá movimentar-se pelo asteroide autonomamente. Recentemente a Jaxa informou que a sonda Hayabusa-2 ainda terá quase metade de seu combustível quando se aproximar da Terra para soltar o módulo com amostras de Ryugu. Desta forma os engenheiros decidiram extender a missão, e a nave voltará ao espaço profundo para estudar outros asteroides. FUTURAS MISSÕES Dart e Hera A Nasa e a ESA (Agência Espacial Européia) preparam missões coordenadas que irão acompanhar o asteroide Didymos, de 780m. Ele possui um asteroide satélite apelidado de “Didymoon”, com tamanho de 160m. O asteroide Ryugu, do Cinturão Principal. A seta vermelha (imagem inferior esquerda) indica o ponto onde a sonda Hayabusa-2 coletou amostras do asteroide. Ilustraçao de Minerava-II-1 e Minerva-II-2. Imagem enviada por Minerava-II-1 quando desacoplou da Hayabusa-2. Ilustração de Didymos (maior) e Didymoon, do Cinturão Principal.
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1313 AstroNova . N.27 . 2020 A sonda Dart, da Nasa, terá o tamanho de uma geladeira. Seu objetivo será colidir com o asteroide menor, Didymoon, e produzir uma alteração na sua órbita. Será o primeiro teste de redirecionamento de asteroides já realizado. Para isso a sonda Dart vai impactar Didymoon a uma velocidade de 6 km/s, nove vezes mais rápido que o disparo de uma arma de fogo. Logo em seguida a sonda Hera, da ESA, se aproximará do asteroide atingido. A nave fará um acompanhamento detalhado e uma pesquisa pós-impacto que poderá transformar esse experimento em uma técnica de defesa planetária contra asteroides que apresentam perigo de impacto para a Terra. A sonda Dart será lançada em 2021 e contará com propulsão elétrica. Já a sonda Hera deverá ser lançada dois anos depois, em 2023. Lucy A Nasa prepara a missão Lucy, que enviará uma espaçonave para estudar os asteroides troianos. Lucy realizará estudos em sete asteroides diferentes para atender aos seguintes objetivos científicos: geologia de superfície; cor e composição da superfície (determinará a distribuição de minerais, matérias congeladas e substâncias orgânicas); interiores (determinará as massas e densidades) e procurará sistemas de satélites e anéis em asteróides troianos. Uma complexa trajetória foi calculada para Lucy. Desta forma a espaçonave poderá visitar os dois conjuntos de asteroides troianos, aproveitando a gravidade do Sol para manobrá-la. Lucy deverá ser lançada em outubro de 2021. Ilustração da sonda Lucy sobrevoando um asteroide troiano. A trajetória da sonda Lucy (em verde) permitirá sobrevôos para estudos nos dois grupos de asteroides troianos, que são co-orbiais com Júpiter. Júpiter Terra Sol Conjunto rotacionando com Júpiter
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16 Psique, um pequeno mundo de rocha e metal Os cientistas acreditam que o 16 Psique, um asteroide de 226 km de diâmetro, localizado no Cinturão Principal, tenha uma composição peculiar: junto a rocha, parece haver muito metal, como ferro e níquel. Talvez o asteroide 16 Psique seja remanescente de um planeta comparável ao tamanho de Marte que foi destruído por uma colisão colossal no ainda recém- formado Sistema Solar. 16Psique seria então o núcleo desse antigo planeta. Estudá-lo seria um caminho para conhecer melhor o centro da própria Terra, já que não temos acesso ao núcleo de nosso próprio planeta. Para estudar esse asteroide muito especial, a Nasa está desenvolvendo a sonda Psique. A espaçonave contará com três instrumentos científicos. O magnetômetro é projetado para detectar e medir o campo magnético residual do asteróide. Uma câmera multiespectral com filtros fornecerá imagens de alta resolução capaz de separar os constituintes metálicos dos silicatos. E um espectrômetro de Raios Gama e nêutrons, que detectará elementos químicos e mapeará sua distribuição. A sonda ainda testará uma nova tecnologia de comunicação a laser e usará propulsão elétrica. A missão Psique deverá partir em agosto de 2022. Depois de sobrevoar Marte no ano seguinte, alcançará o asteroide 16 Psique em 2026. AstroNova . N.27 . 2020 14 Concepção artística do asteroide metálico 16 Psique, do Cinturão Principal. Imagem ilustra chegada da sonda Psique ao seu objeto de estudo. Trajetória calculada para a sonda Psique.
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Nasa: asteroids and comets www.nasa.gov/asteroids Banco de imagens da Nasa: www.jpl.nasa.gov/spaceimages Sistema Solar, Marcus Chown, Editora Blucher, 2014 ESA: asteroids http://www.esa.int Jaxa: Hayabusa-2 https://www.jaxa.jp Ilustração da sonda ZhengHe em direção ao asteroide 2016HO3, no Cinturão Principal. Cronograma da Academia de Tecnologia Espacial Chinesa para a missão ZhengHe. ZhengHe-A mission to a near-earth asteroid and a main belt cometrepl: Zhang, Haung, Wang, Huo; 2019 ZhengHe, uma missão dupla A CNSA (Agência Espacial da China) anunciou recentemente a missão ZhengHe. Na sua primeira fase, planeja interceptar o asteroide 2016HO3, que tem tamanho de 40 m a 100 m. Deve descer em sua superfíce e coletar amostras. Aproximando-se do nosso planeta, deverá liberar um módulo com o material recolhido, que reentrará e pousará de paraquedas. A sonda deverá coletar de 200g a 1 kg de material do asteroide 2016HO3. Em um intervalo de 2 ou 3 anos estas amostras deverão chegar à Terra. A sonda tem braços robóticos com brocas na parte inferior que serão usadas para se fixar na superfície, considerando a rápida rotação de 2016HO3. Uma nano-satélite e um nano-pousador serão desacoplados da ZhengHe para estudar o asteroide. O pousador conterá micro- explosivos, que permitirá que os vários instrumentos identifiquem material sub- superficial, especialmente os voláteis e água. O objetivo desta fase da missão é compreender melhor a dinâmica e a origem desse tipo de asteroide, considerado do tipo NEO (do inglês Near Earth Object, que significa Objeto Próximo da Terra). Depois de passar pela Terra, a sonda iniciará a segunda fase da missão. O objetivo é alcançar o cometa 133P. Para isso fará um sobrevôo a Marte, onde contará com uma assistência gravitacional do planeta. A sonda ZhengHe será lançada em 2022 com o foguete Longa Marcha 2B, da base espacial de Xichang. 1315 AstroNova . N.27 . 2020 Fonte: Zhang, Haung, Wang, Huo; 2019 Referências: Agência Espacial da China http://www.cnsa.gov.cn Wilson Guerra é professor e astrônomo amador. Graduou-se em Física, tem especialização em Astrobiologia é e Mestre em Educação Científica
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INSCREVA-SE EM NOSSO CANAL www.youtube.com/c/revistaastronovawww.youtube.com/c/revistaastronovawww.youtube.com/c/revistaastronova
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Maico Zorzan [email protected] É uma fria manhã de inverno no interior do Paraná, e você acorda com o despertador do celular. Se levanta, vai ao banheiro e pega o celular, abre o comunicador, e lá está em seu grupo favorito uma bela mensagem informando que para se proteger da pandemia que está chegando em sua cidade: você deve tomar água da chuva com 3 gotas de pimenta malagueta. Que segundo um renomado pesquisador de Massachusetts, de nome difícil de soletrar, está garantindo por seus estudos que mata todo tipo de vírus, bactéria e protozoário que possa estar passeando por seu corpo nesse momento. Daí você vai tomar seu café da manhã pensando nessa solução milagrosa e de fácil acesso, que com pouco desconforto pode salvar sua vida, e pensa que não custa se prevenir. Afinal, que mal existe em beber uma solução de água com pimenta, não é mesmo? E resolve dar um 17 CIÊNCIA A IMPORTÂNCIA DOA IMPORTÂNCIA DO MÉTODO CIENTÍFICO MÉTODO CIENTÍFICO belo gole desse elixir ardido e sai para trabalhar com aquele sentimento de autoestima elevada, se achando um super-herói com sua camada extra de proteção picante. Garanto que ao ler isso, você deve estar pensando que não faz o menor sentido. E não faz mesmo. É uma informação que foi colocada com um belo exemplo de fake news, e garanto que nos apps de comunicação dos celulares pelo mundo a fora, muitas informações sem sentido como essa estão
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18 AstroNova . N.27 . 2020 pipocando para milhares de pessoas nesse momento. Muitas as descartarão, muitos ficarão na dúvida, mas também existe uma considerável parcela de leitores que irão receber essas informações e as considerarão verdades absolutas, seguindo à risca uma notícia falsa, que pode inclusive colocar sua existência em risco. Mas o que faz com que aquela sua tia fofoqueira, fique passando correntes com esse tipo de informação no grupo da família, e que se você discordar, ainda é chamado de ignorante pelo demais familiares? É ignorância? É falta de estudo? É simplicidade? É vontade de ser enganada? É fé? Pode ser qualquer dessas opções, ou o somatório delas, até outras razões. Mas existe uma, em especial que poderia eliminar todas as demais, que mataria no ninho toda e qualquer fake news, ou milagreiro que possa cruzar o caminho de sua tia e de todas as tias “fofófakes” que existem espalhadas pelo planeta Terra. É o que chamamos de pensamento crítico. E poderia ser estimulado já na vida escolar, se houvesse um cuidado em nosso sistema educacional com o Método Científico, e o ensino racional da Ciência para as crianças de forma prazerosa. Imagine se a indústria farmacêutica agisse como funcionam as fake news. Imagine se não houvessem métodos e protocolos para se desenvolver vacinas ou antibióticos, se fosse somente um determinado cientista, ou inventor, “achar” que tal composto possa ser útil para uma doença, e já sair fabricando e vendendo na farmácia do seu bairro. As consequências desses atos, com certeza já teria feito boa parte da população da Terra encolher devido a mortes e efeitos colaterais de soluções absurdas disponibilizadas para quem procura uma solução para sua dor. E sabem porque não temos esse tipo de coisa nas farmácias, sendo recomendada pela medicina, ou disponível nas prateleiras de farmácia? Porque existe Método Científico, que através de testes, avaliam a eficácia de um remédio ao disponibiliza-lo para a população. Nossa realidade mostra que a carência de pensamento crítico é uma constante em todas as camadas de nossa sociedade, inclusive em quem deveria ser exemplo nisso. Basta ver a quantidade de engenheiros terraplanistas existentes por aí, microbiologista que é contrário a vacinas, médico que recomenda remédio para piolho para matar um vírus pouco estudado, astrônomo que pensa que o homem não foi à Lua, e outras aberrações científicas
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em suas áreas. O indivíduo que vive com dificuldade em uma região sem infraestrutura, saneamento, distante dos centros de pesquisa, e que teve uma educação deficitária, entendemos que por pouca instrução, e que por desespero muitas vezes, se apega a informações erradas, é uma vítima de um sistema educacional falho e ineficiente. Porém alguém sair de uma graduação, com pensamentos de alquimia da Idade Média, é inadmissível para uma era de informação tão acessível e rápida como temos hoje. Então porque existe tanta gente instruída e com pensamentos arcaicos sobre assuntos tão variados? A internet é um vasto campo de todo tipo de informação, um oceano raso como um riacho, onde se caminha por toda sua extensão com enorme facilidade, mas que não permite molhar além dos joelhos com aquilo que se deseja encontrar. E nesse raso espelho d’agua não existe filtro para separar bons peixes do esgoto que é jogado nele. Em um mundo acelerado como o nosso, esse é um campo fértil para a reprodução de excelente material, mas também para a poluição contínua de esgoto produzido por quem busca enganar e se apega a crenças com resultados falhos e desinformação que satisfazem boa parte da população. E como muitos não possuem como mergulhar nesse oceano, apenas molhando os pés, é difícil perceber pelo tato o que é um material bom, do que é um resíduo de esgoto. Então, nesse cenário temos uma enorme quantidade de pessoas que já caminharam por grande área desse oceano de informação, mas que possuem um conhecimento raso de diversos assuntos, sendo incapaz de diferenciar o bom do ruim, e o certo do errado. Mas então o problema é a internet e a geração que nasceu conectada? Não! Antes também existiam absurdos e fake news que se propagavam com velocidade entre as comunidades próximas. Afinal, assim como em outros aspectos, o conhecimento também evolui nivelando por baixo, portanto podemos dizer que sempre houveram e sempre haverá pessoas dispostas a acreditar em qualquer coisa. Porém com acesso a uma boa base de Ciência, esse número cai exponencialmente. E cabe a quem produz Ciência, disponibilizar esse pensamento crítico, para quem cada vez um número maior de pessoas tenham acesso a ele. Mesmo a fé, deveria ser racional. Aliás, fé é um termo que muitos enxergam somente no sentido religioso, mas é muito mais abrangente que isso. Uma mãe que investe tempo 19 AstroNova . N.27 . 2020 As fake news sobre assuntos de ciência são muito mais antigas que os aplicativos.
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20 AstroNova . N.26 . 2020 ajudando um filho na lição escolar, desejando que ele seja uma pessoa melhor, é um ato de fé. Um pesquisador que trabalha a exaustão em plena pandemia, testando diversos medicamentos para buscar algum com resultado satisfatório, tem fé em sua atividade, e tantos outros exemplos onde se acredita que possa obter um resultado com trabalho e esforço, pode no sentido filosófico ser comparado a um ato de fé. Mas não vou me aprofundar aqui neste artigo sobre isso, pois fugiríamos do tema principal, e faltaria edição para um debate tão longo. Mas usando o termo fé, da forma restrita que a maioria das pessoas enxergam, temos um campo fértil para enganações quando abrimos mão do pensamento crítico. Muitos não enxergam que podem conviver com uma crença de forma saudável, desde que essa seja questionada, avaliada e limitada pela compreensão dos atos e atitudes que a seguem. A grande maioria se apoia em uma fé cega, fechada, onde não é permitido questionamento, não é pesado se está tolerável e se isso passa do limite do saudável quanto aos seus atos e atitudes, seja com si próprio ou com quem o cerca. É um caminho preparado para o extremismo, ainda mais quando adubadas por interpretações equivocadas de textos medievais ou da idade do bronze, por quem não possui bagagem filosófica e histórica, e faz de forma literal. Seitas são um exemplo de como não questionar pode ser prejudicial a todo ser que a faz. Mas afinal, o que é esse tal método científico? De forma sintética, nada mais é que conjunto de etapas e testes em uma pesquisa ou pensamento que quando executadas de forma sistemática facilitam a obtenção de resultados sólidos e consequente, conhecimentos sobre fenômenos naturais, estudos e hipóteses, ou o desenvolvimento de novos produtos ou processos. É por essas etapas seguidas durante a pesquisa que se cria um padrão no desenvolvimento e o pesquisador formula uma teoria para o fenômeno observado. O processo basicamente consiste em observar, experimentar, analisar os dados dos experimentos, formular uma hipótese ou problema, experimentar e testar e comprovar se realmente ocorre o que foi postulado na hipótese, sintetizar e modelar os conhecimentos adquiridos e dar os resultados. Esse é basicamente o caminho de uma pesquisa científica. Durante esse processo, podemos verificar falhas, erros, casos onde não funcionam o pressuposto da hipótese, e chegarmos a um Desenvolvimento de vacinas: exemplo de sucesso na aplicação do Método Científico.
