Acervo textual da Revista AstroNova
Edição 27 — páginas 21 a 40
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Assuntos identificados: espacial, sonda, missão, asteroide, astronomia, sistema, forma, asteroides, soyuz, foguete.
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21 AstroNova . N.27 . 2020 resultado sólido, que poderá ser usada para um produto final, ou para descobertas futuras. Deixando de ser um achismo, para se transformar em algo concreto, confirmado e averiguado por quem realmente pesquisou sobre o assunto. E o mais legal disso tudo, é que após esses resultados, um estudo é publicado, e fica disponível para ser questionado ou confirmado pela comunidade científica. Então na próxima vez que alguém te falar que uma vacina é um método do governo para implantar chip na sua corrente sanguínea, ou que ela causa autismo. Lembre-se que para que essa vacina chegasse até seus filhos, ela passou por todas essas etapas que citei anteriormente. Um grupo de cientistas observou e viu que uma determinada enfermidade estava a prejudicar as crianças, podendo causar morte ou invalidez, analisaram os dados e os diagnósticos dessas crianças, pesquisaram o patógeno, perceberam como ele age no corpo, como ele pode ser eliminado e fizeram a hipótese que daria para desenvolver uma vacina capaz de proteger nossas crianças desse mal. Escolhe- se a forma que deve ser mais eficiente e viável para criar a vacina, se é com pedaço do patógeno, se é com anticorpos, se é inoculando algum reagente que possa eliminar esse patógeno. Feito a vacina, serão feitos testes em laboratórios, se funcionar, irão para um grupo pequeno de pessoas, funcionando, testa-se também como um grupo ainda maior. Feitas essas etapas, e ainda assim acredita-se que funcionou e foi comprovado, serão analisados e sintetizados os resultados, e daí sim será anunciada essa nova vacina. Só após isso é que essa vacina será produzida, e chegará no posto de saúde do seu bairro. O que chega para seu filho é uma vacina totalmente segura, analisada, comprovada e eficaz. E é só usar o seu pensamento crítico, e imaginar o tanto de pesquisadores dessa área que existe no mundo, não acha que seria impossível enganar todos eles para colocar chips ou veneno dentro de um produto distribuído no mundo todo? É trivial. Também devemos frisar que dentro da Ciência temos bem definidos os que são hipóteses, e o que é teoria, e não se deve confundir uma com a outra. As hipóteses científicas, em geral, são as premissas dentro de uma teoria, que podem ser validadas com base em pesquisas e estudos, utilizando-se do método científico, que pode confirmar ou refutar essa hipótese, que é determinada por testes e experiências. Infográfico de um procedimento que sintetiza o Método Científico.
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Uma teoria científica é diferente da ideia de teoria que comumente encontramos entre os leigos. A maioria das pessoas usa a palavra teoria como sendo uma ideia ou intuição que alguém tem. Mas em Ciência, teoria é a maneira como interpretamos os fatos após resultados de uma pesquisa verificada com o método científico. Uma teoria científica inicia como uma hipótese, capaz de se sustentar através de provas, e que se torna uma explicação válida para um fenômeno. Uma teoria pode mudar com novas evidências, na forma como ela é interpretada, mas os fatos em si não mudam. É um conhecimento sistematizado, que foi analisado, e que existe verificação e comprovação. Um bom exemplo, e que ainda é pouco compreendida no meio leigo, é a Teoria da Evolução. Quem aqui nunca ouviu criacionistas afirmando (de forma absurda) que é “só uma teoria”, e que ele nunca viu macaco virando gente? Então... Darwin elaborou uma teoria sólida - a Seleção Natural - baseada em muita experimentação, muita observação, com dados coesos e muito bem organizados. Ela explica de forma muito satisfatória a evolução das espécies. Porém, sabemos que após ela ser publicada, houveram e ainda há muitos estudos sobre o assunto, que já fizeram e ainda fazem avanços importantes nesse cenário. Esses novos estudos invalidam a teoria publicada por Darwin? Não, não invalidam, apenas mudam a interpretação de fatos novos e peculiaridades que na teoria geral eram desconhecidos na época ou até então pouco definidos (a Genética, por exemplo). Mas ainda assim, sabemos que espécies evoluem. E quem está duvidando, é só se perguntar o motivo de tomar vacina de gripe todos os anos. Ou alguém acha que estão nos implantando chips também? Maico Zorzan é matemático e astrônomo amador. É membro fundador do Clube de Astronomia Edmond Halley (Caeh) 22 AstroNova . N.27 . 2020 A Teoria Sintética da Evolução, que envolve a Seleção Natural e a Genética, explica a diversidade da Vida na Terra. A Formação do Espirito Científico Gaston Bachelard O que É Ciência Afinal? Alan F. Chalmers Algumas observações sobre o “método científico” S.S. Chibeni, 2006 Método Científico. Renato Vicente, 2008 Referências:
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Nebulosa do Haltere, M27 - NGC6853 Astrofotógrafo: Carlos A. Domingues 11/08/2020 Observatório Estrela do Sul Sarandi - PR
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/arcturusufabc /arcturusufabc ARCTURUS UF ABC Clube de Astronomia da UF ABC. Tem como objetivo reunir amantes da Astronomia dentro e fora da universidade por meio de divulgação científica e eventos de observação.
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25 Fernando Bortotti [email protected] Na Antiguidade, a Astronomia foi uma ciência mais prática. Por exemplo, orientar-se usando as estrelas, determinar época de plantio por causa dos fenômenos celestes [1]. Por ser uma das ciências mais antigas e que no decorrer das eras sofreu influências metafísicas, teológicas, sociais e políticas a Astronomia está estritamente relacionada com o desenvolvimento do ser humano como sociedade. Ao estudar a história da Astronomia, é possível notar que até metade do séc. XX a astronomia observacional TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO DA OBSERVAÇÃO DIRETA À TELA DO COMPUTADOR era realizada a “olho nu”, com desenhos, notas manuscritas e cálculos manuais e gráficos. Vale a pena salientar que, com o avanço tecnológico da época, utilizava-se exposições de placa de vidro para fazer fotografias astronômicas [6]. Mas isso mudou muito nos últimos 50 anos devido a invenção do transistor e a criação dos primeiros computadores, a programação tornou-se cada vez mais essencial para um astrônomo. O avanço tecnológico foi fugaz. Passamos da invenção de exposições de placas de vidro para a era moderna de telescópios com CCD acoplados, que tem sido utilizado desde 1980 na astronomia [10]. E nessa mudança abrupta, grande parte da pesquisa em Astronomia moderna dependeria de programas de computador (softwares), visto a necessidade da análise de imagens digitais e simulações numéricas para compreender o melhor o universo mais precisamente. Logo, a importância de uma base sólida na computação tornar-se-ia mais evidente, devido a grande quantidade de dados obtidos nos últimos anos. Dessa forma, a pessoa interessada em pesquisa astronômica necessita ter conhecimento de técnicas computacionais para usá-las ao seu favor. Em DA OBSERVAÇÃO À TELA DO DIRETA COMPUTADOR Imagem: https://www.astroml.org/examples/datasets/plot_moving_objects.html
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26 outros tempos o estudo dos astrônomos era feito na frente de um telescópio com caneta e papel. Hoje em dia, é na frente do computador, mas vamos entender um pouco melhor o que mudou. O uso eficiente e eficaz de um grande conjunto de dados requer o conhecimento de várias técnicas e de ferramentas para desenvolvimento de softwares. Além disso, conforme o campo se desenvolve, novas ferramentas serão necessárias e é preciso concentrar os esforços naquelas que terão a mais ampla base de usuários e a menor barreira de aprendizagem para a utilização desses softwares. Dessa forma, a ideia de software livre casa-se perfeitamente com a pesquisa em astronomia. Vale a pena dizer que “... o "Software livre" se refere à liberdade dos usuários executarem, copiarem, distribuírem, estudarem, modificarem e aperfeiçoarem o software” [7]. Para a criação e a geração de softwares aplicados a astronomia, a linguagem de programação que está se destacando é o Python. Entre vários exemplos da utilização do Python na astronomia, citamos o projeto LIGO [10]. O LIGO é um observatório de ondas gravitacionais sendo que parte das análises de dados dessas ondas gravitacionais foram feitas usando softwares escritos em Python [9]. Dessa forma podemos ver a importância da computação e do Python na astronomia. Mas por quê os astrônomos usam Python? O Python é um ecossistema que fornece em um único ambiente o suficiente para a maioria das análises astronômicas. Tem como qualidade: uma linguagem limpa e poderosa projetada por pessoas que valorizam a facilidade de interpretação das linhas de código; conjunto forte de ferramentas de análise de terceiros, que são desenvolvidas por profissionais; métodos robustos para vinculação com bibliotecas de alta performance como o C, C++ e o FORTRAN; suporte de bibliotecas para web, interface gráfica para usuários (GUI), bancos de dados, gerenciamento de processos [4], além é claro, da comunidade de desenvolvedores do Python que é muito ativa, ou seja, existe uma grande Phyton logo, numa versão astronômica. AstroNova . N.27 . 2020
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comunidade de usuários ajudando a atualizar e ajudando uns aos outros a usá-lo [8]. O Python é uma linguagem de programação fácil de aprender e de usar. Dizemos que é uma linguagem “de alto nível”, pois é mais próximo linguagem natural (fala humana) do que linguagem de bits do computador. Por ser gratuito tem uma infinidade de ferramentas e bibliotecas software livre em Python. Como mencionada acima, para pesquisa científica ter ferramentas que são softwares livres são ótimas opções. Programar é o tipo de atividade a qual os usos e aplicabilidades parecem extremamente simples desde que você saiba como fazê-lo, e extremamente nebulosos e intimidantes caso oposto. Portanto é necessário ter claro o seu objetivo. Se todos os dados fossem analisados “à mão” seriam necessários anos de cálculos e análises de dados, ao fazer um programa com essa funcionalidade, o tempo é reduzido de forma absurda. Mas para fazer esses programas pode ser que o código seja longo e complexo, dessa forma o Python mostra o seu poder, pois para organizar o código em sub componentes individuais podemos criar funções e classes. Além do mais, no Python existe uma infinidade de bibliotecas científicas, com por exemplo, Pandas, Seaborn, NumPy, matplotlib, SciPy, Astropy. Há duas razões principais para usar funções: primeiro, elas dão cada "passo" principal que estamos tentando realizar com nossos códigos e os separam em pedaços individualmente testáveis e facilmente depuráveis. Segundo, se você escrever suas funções para serem gerais o suficiente, você muitas vezes, pode simplesmente copiá-las e colá-las de um código para outro, usando-os quando a necessidade de sua funcionalidade surgir em um ponto futuro [2]. Fernando Bortotti é professor e astrônomo amador. Graduou-se em Física pela UEM Referências: [1] K. S. Oliveira Filho e M. F. Saraiva, Astronomia e Astrofísica, Editora UFSM, 2000 [2] I. Pasha, C. Agostino, Python for Astronomers: An Introduction to Scientific Computing (DEPARTMENT OF ASTRONOMY, YALE UNIVERSITY, June 2020). [3] http://www.astropython.org/ [4] http://python4astronomers.github.io [5] C. S. Salvi, Fotografia Científica no Museu Nacional: Guia Básico para a preservação de seu acervo em suporte de vidro. Mestrado Profissional em Preservação de Acervos de Ciência e Tecnologia–PPACT. [6] JUNIOR, Renaldo Nicacio da Silva. História e Memória de Vidro: Preservação das Fotografias do Eclipse do Sol de Sobral.2017. Dissertação (mestrado). [7] http://softwarelivre.org/ [8] https://python.org.br/ [9] https://www.gw- openscience.org/software/ [10] https://www.ligo.caltech.edu/page/wh at-are-gw [11] M. Lesser, A Summary of Charge-Coupled Devices for Astronomy, Publications of the Astronomical Society of the Pacific,127:1097–1104, 2015 Nov. Agradecimentos ao Renan (grupo Gedal), pelas sugestões e apoio. Fonte: https://xkcd.com/1513/ 27 AstroNova . N.27 . 2020
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Cometa F3 2020 Neowise Astrofotógrafo: Augusto César Rebouças Araújo Grupo Perseus 19/07/2020 Caucaia - CE
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29 Beatriz Yordaky [email protected] Na edição passada da AstroNova falamos um pouco sobre como medir distâncias em astronomia, um interessante desafio dadas as grandes escalas espaciais mesmo que de nossa vizinhança cósmica. Descobrimos que existem técnicas, como a Astronomia por Radar e a Paralaxe Trigonométrica, que nos transportam para longínquos lugares sem nem mesmo precisarmos sair de nosso lar, o planeta Terra. Com elas hoje sabemos com incrível precisão a distância a asteroides, planetas e a DISTÂNCIAS ASTRONOMIA? Como medir em DISTÂNCIAS ASTRONOMIA? Como medir em ASTROMETRIA PARTE 2 algumas estrelas, por exemplo. Sabemos, também, que o universo é muito vasto para além do Sistema Solar e das estrelas mais próximas, como a Proxima Centauri e a Wolf 359. Para sabermos a distância de objetos que existem além e, ainda, de outras galáxias, precisamos lançar mão de novas técnicas ainda mais sofisticadas. Falaremos um pouco sobre mais algumas delas nesta edição. Paralaxe Espectroscópica O campo da Espectroscopia, que estuda o espectro eletromagnético de fontes de radiação, é um dos pilares da astronomia moderna. É possível descobrir informações valiosas sobre fontes de luz distantes (como as estrelas) a partir da análise de seus espectros eletromagnéticos, que são o conjunto de todas as frequências de radiação emitidas. A partir do que é ou não encontrado no espectro podemos descobrir sobre a composição química, por exemplo. Você mesmo pode construir um espectroscópio caseiro [1] e analisar visualmente o espectro de diferentes fontes de luz, como o Sol ou uma lâmpada. O equipamento
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30 AstroNova . N.27 . 2020 recebe a luz incidente e a separa em suas constituintes: o resultado é um “arco-íris” de cores! Quando são analisados “de perto” os espectros de fontes astronômicas nota-se linhas escuras, frequências faltantes. Elas são chamadas de linhas de absorção e são utilizadas para determinar a composição química de estrelas, por exemplo. Cada elemento presente na superfície de uma estrela absorve um conjunto de frequências bem determinado, que vemos como as linhas escuras no espectro que chega até nós. No século XIX as estrelas passaram a ser classificadas por tipos espectrais e mais tarde descobriu-se que as temperaturas de suas superfícies estavam relacionadas a esses tipos. Um dos diagramas mais famosos da astronomia é o diagrama H-R (diagrama de Hertzsprung-Russell). Ele traz a relação entre a luminosidade absoluta (ou magnitude absoluta) de uma estrela e o seu tipo espectral (ou temperatura). Se podemos medir o espectro de uma estrela bem distante e classificá-la em seu tipo espectral, determinamos sua temperatura de superfície e sua magnitude (ou luminosidade) absoluta. Quando observamos a estrela através de um telescópio podemos medir diretamente sua magnitude aparente, que depende de sua magnitude real (a absoluta) e de sua distância até nós. Isso porque quanto mais distante uma fonte de luz está, menos brilhante ela aparenta ser. O mais interessante é que essa relação entre magnitude absoluta/aparente e distância é bem definida através do que chamamos de módulo de distância: Onde (m-M) é o módulo de distância, m é a magnitude aparente, M a magnitude absoluta e d é a distância à Figura 1: Espectro solar com as linhas de Fraunhofer. [Fonte: Wikipedia] Figura 2: Diagrama H-R. [2]
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AstroNova . N.27 . 2020 31 estrela em parsecs. [3] O desafio final é descobrir a magnitude absoluta da estrela, e então para determinarmos a distância a ela no geral é necessário encontrar a sua classe de luminosidade, que depende se a estrela está na sequência principal, se é uma gigante e assim por diante. Essa nova forma de determinar distâncias é chamada de Paralaxe Espectroscópica, e pode ser aplicada na determinação da distância de estrelas bem mais distantes de nós. Estrelas Variáveis Uma técnica que nos faz olhar ainda mais longe no universo é a das Estrelas Variáveis, estrelas cuja luminosidade tem uma variação bem definida em uma escala de tempo inferior a 100 anos. Desde o século XVI tinha-se o conhecimento de estrelas que variam em brilho com o tempo. Em 1912 um passo muito importante foi dado por Henrietta Swan Leavitt (1868-1921), uma astrônoma americana que chegou à famosa relação período- luminosidade de variáveis Cefeidas, estrelas gigantes ou supergigantes -e, portanto, bem brilhantes- que apresentam uma variação de magnitude com um período muito bem definido. Com essa relação é possível determinar a distância à estrela. E como? A magnitude aparente e o período de variação são medidos por observação direta e então a magnitude absoluta é determinada pela relação descoberta por Henrietta. Uma vez que sabemos as magnitudes absoluta e aparente, podemos determinar a distância à estrela através da equação (1). É intuitivo: quanto mais distante uma fonte de luz está de nós, mais fraco seu brilho irá aparentar, mesmo que seu brilho real (ou absoluto) permanecer o mesmo. Felizmente, temos uma relação matemática que quantifica essa relação. A relação período- luminosidade não só nos abriu portas para a determinação de distâncias a longínquas estrelas variáveis na Via Láctea como também a galáxias e na conclusão de que estas não seriam parte de nossa Figura 3: Henrietta Swan Leavitt [Fonte: Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics] Figura 4: Curva de luz de uma estrela variável. [5]
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32 AstroNova . N.27 . 2020 Galáxia. Edwin Powell Hubble (1889-1953), conhecido pela lei de Hubble, em 1925 publicou um trabalho no qual concluiu que a nebulosa NGC 6822 (hoje conhecida como galáxia de Barnard) é na verdade um sistema exterior à Via Láctea. Hubble identificou variáveis cefeidas na então “nebulosa” e, a partir da relação período-luminosidade de Henrietta, determinou suas distâncias a nós: cerca de duas vezes maiores do que o tamanho de nossa Galáxia! Assim, foi inaugurada uma nova era, a da Astronomia Extragaláctica. Dessa forma, temos um exemplo do quanto a Ciência cada vez mais nos ajuda a desvendar a vastidão cósmica, antes mesmo inimaginável. Podemos ter nossas limitações físicas e tecnológicas, mas a curiosidade aliada ao método científico nos fez chegar mais longe do que qualquer desbravador Figura 5: Edwin Hubble em 1931 [Fonte: AP/REX/Shutterstock.com] Figura 6: Técnicas para determinação de distâncias na Astronomia. Beatriz Yordaky é Bacharel em Física pela UFABC e vice-presidente do Clube de Astronomia Arcturus Twitter: @biayord http://twitter.com/biayord Referências: [1] [2] [3] [4] [5] http://stoa.usp.br/clovisdsn/files/- 1/10258/Montando+um+espectrosc pio.pdf http://astro.if.ufrgs.br/estrelas/node2. htm http://astro.if.ufrgs.br/estrelas/node3. htm http://astro.if.ufrgs.br/estrelas/variave is.htm#:~:text=Estrelasvari veissoaquela sem,2008)1958% 5D. http://lilith.fisica.ufmg.br/~dsoares/rei no/hleavitt.htm
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www.pb.utfpr.edu.br/geastro Gp x mruode Estudo, pesquisa eetensão em Astronoia
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Sol Astrofotógrafo: Bruno Bonicontro 09/08/2020 Maringá - PR
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35 Rafael Cândido Jr. [email protected] Neste ano de 2020 completam-se 45 anos da primeira missão espacial internacional, realizada pelas superpotências da época, EUA e URSS. Neste artigo vamos conhecer detalhes históricos desta ação em plena Guerra Fria. Política da Detente O fator fundamental para o início das negociações de uma missão espacial conjunta entre os EUA e a URSS foi a política da Detente, que buscava atenuar as tensões políticas entre as duas nações. Entretanto, embora esta política tenha se iniciado na URSS em 1956, sob o governo de Nikita Khruschev, e denominada de Doutrina da Coexistência Pacífica, as duas nações tiveram momentos muito conflituosos ao longo da década de 60 e 70. Em 1962, uma troca de cartas entre o presidente dos EUA, John Kennedy, e o primeiro-ministro da URSS, Nikita Khruschev, levou a uma série de discussões entre o administrador da Nasa Hugh Dryden e o cientista soviético Anatoly Blagonrarov, o que levou à formalização, em outubro daquele ano, do Acordo APOLLO-SOYUZ: A PRIMEIRA ASTRONÁUTICA MISSÃO ESPACIAL INTERNACIONAL
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36 Dryden-Blagonrarov, assinado no meio da crise dos mísseis cubanos. Este acordo foi formalizado na ONU em 5 de dezembro de 1962 e propunha a cooperação para troca de informações de satélites meteorológicos, estudo do campo magnético da Terra e acompanhamento conjunto do satélite-balão Echo II. Infelizmente, a competição entre os programas tripulados das duas nações levou este acordo de cooperação ao fim. Algo que só viria a ser repensado no início da década de 70. Acordos diplomáticos Em 7 de junho de 1971, a URSS lançou sua primeira estação espacial, Salyut 1. Enquanto isso, nos EUA, ocorria o programa Apollo, sendo que a missão Apollo 14 tinha acontecido em janeiro daquele ano. Ambos os lados criticavam severamente o programa espacial um do outro. As naves soviéticas foram projetadas tendo em mente a automação, como exemplos disso tem-se o Lunokhod 1 e a Luna 16, ambas naves não-tripuladas. Mesmo as espaçonaves Soyuz foram projetadas para minimizar o risco de erros humanos, tendo poucos controles manuais a serem operados durante o voo. De forma oposta, as naves do programa Apollo foram projetadas para serem operadas por astronautas com muito treinamento. A crítica soviética considerava as espaçonaves da Apollo como extremamente complexas e perigosas. Do outro lado, o diretor do Centro Espacial Johnson, Christopher C. Kraft, disse sobre as Soyuz: “Nós da Nasa consideramos importante ter redundância de instrumentação, se um equipamento falha durante um voo, nossa tripulação acionará outro, de modo que a missão continue. Porém, cada componente da Soyuz é projetado para uma função específica, se um desses falha, o cosmonauta deve aterrissar o mais breve possível. O astronauta pilota muito mais uma Apollo que um cosmonauta pilota uma Soyuz.” Assim, engenheiros de ambos os países precisavam resolver suas diferenças para tornar possível uma futura missão conjunta entre as duas naves. Para isto foram realizadas reuniões entre junho e dezembro de 1971 O emblema do programa. AstroNova . N.27 . 2020 Assinatura do acordo de cooperação espacial entre o presidente Richard Nixon e o primeiro-ministro Alexis Kossyguin (24/05/1972)
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1337 AstroNova . N.27 . 2020 em Houston e Moscou, nas quais foi definido o Sistema Anexação Periférica Andrógina (APAS), que permitiria a acoplagem das duas naves. O andrógino provém da existência de dois tipos de conexões, denominadas macho e fêmea, presentes no sistema de acoplamento. Com o fim da Guerra do Vietnã, as relações entre EUA e URSS começaram a melhorar, possibilitando uma cooperação em missão espacial. De acordo com o líder soviético na época, Leonid Brezhnev: “Os cosmonautas soviéticos e os astronautas estadunidenses irão ao espaço sideral para a primeira grande experiência científica conjunta da História. Eles sabem que nosso planeta, visto do espaço sideral, é ainda mais bonito. E é grande o suficiente para que possamos viver pacificamente, mas é pequeno demais para ser ameaçado por uma guerra nuclear.” Desta forma, ambos os lados reconheceram que essa missão espacial conjunta era um ato político de paz. Em janeiro de 1971, o conselheiro de política externa dos EUA, Henry Kissinger, aprovou com muito entusiasmo os planos para esta missão e enviou uma carta ao administrador da Nasa, George Low: “Contanto que você se limite ao espaço, faça tudo que você quiser.” Assim, em maio de 1972, EUA e URSS assinam o Acordo Relativo à Cooperação na Exploração e Uso do Espaço Exterior para fins Pacíficos, a partir do qual ambos se comprometem com o lançamento da missão Apollo-Soyuz no ano de 1975. Os preparativos e a realização A missão foi oficialmente denominada em inglês ASTP (Apollo-Soyuz Test Project) e em russo, EPAS (Eksperimentalnyi Polyot Apollon-Soyuz). O governo soviético a missão da Soyuz como Soyuz 19. Nos EUA, a naveApollo não tinha numeração, pois como o Programa Apollo foi cancelado, aquela seria a última Apollo a voar. A missão Apollo-Soyuz foi a primeira missão soviética a ser televisionada ao vivo, durante o lançamento, a permanência no espaço e durante o pouso. A Soyuz 19 foi a primeira espaçonave soviética na qual uma tripulação de voo estrangeira teve acesso antes do voo; pois a tripulação da Apollo teve permissão para realizar o mesmo treinamento dos cosmonautas. Da mesma forma, cosmonautas soviéticos estiveram no Centro Espacial Johnson. Foram estabelecidos protocolos de segurança, de acompanhamento do voo, testes das naves. A tripulação da Apollo eram os astronautas Thomas P. Treinamento da tripulação nos EUA (fonte: SpaceFacts)
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38 Stafford (comandante da missão, quarto e último voo espacial), Vance D. Brand (piloto do módulo de comando, primeiro voo espacial) e Donald K. Slayton (Piloto do módulo de acoplamento, único voo espacial). A tripulação reserva era, na mesma ordem de comando: Alan Bean, Ronald E. Evans e Jack R. Lousma. A tripulação da Soyuz eram os cosmonautas Alexei Leonov (comandante da missão, segundo e último voo espacial) e Valeri Kubasov (engenheiro de voo, segundo voo espacial). A tripulação reserva era, na mesma ordem de comando: Anatoli Filipchenko e Nikolai Rukavishnikov. O lançamento das duas naves ocorreu no mesmo dia, 15/07/1975, sendo o primeiro foguete lançado o soviético. O primeiro acoplamento só aconteceu no dia 17/07, a partir deste momento as duas naves praticamente se tornaram Astronautas Slayton, Brand e Stafford Cosmonautas Kubasov e Leonov AstroNova . N.27 . 2020 Lançamento do foguete Saturn IB com a cápsula Apollo. Lançamento do foguete Soyuz U, com a cápsula Soyuz-19.
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uma. Após as verificações de segurança, as escotilhas foram abertas e as tripulações cumprimentaram-se com um aperto de mão que não ficou bem registrado na fotografia por sair muito escuro. Houve troca de bandeiras e presentes, incluindo três sementes que foram plantadas nos países, conversaram em ambos os idiomas, realizaram experimentos e fizeram a refeição juntos. Os experimentos realizados foram: - Estudo da coroa solar na nave Soyuz com a nave Apollo eclipsando o Sol. - Medição da concentração de nitrogênio atômico e oxigênio no espaço por absorção ultravioleta. - Estudo da influência da microgravidade e da radiação cósmica em fungos. - Estudo da troca microbiana em voos espaciais entre membros da tripulação. - Estudo do efeito de microgravidade em processos cristal-químicos e metalúrgicos em materiais semicondutores e metálicos. Sobre a refeição a bordo, há uma curiosidade divertida. Enquanto se alimentavam, os cosmonautas ofereceram aos astronautas pequenos tubos onde estava escrito “vodka”. Isso causou surpresa na tripulação da Apolo porque um dos regulamentos mais importantes da Nasa proibia totalmente o consumo de bebidas alcoólicas antes e durante os vôos. Mas era uma “pegadinha”. Os tubos continham sopa. Ao fim das quase 44 horas de acoplamento, as tripulações despediram-se, desacoplaram as duas naves e realizaram o segundo acoplamento, porém sem transferência de tripulação. Ao total foram realizadas duas manobras de acoplamento, de modo que cada uma das naves fosse a ativa, ou seja, a que se movimenta para o acoplamento. 1339 AstroNova . N.27 . 2020 Slayton e Leonov, durante a missão. Soyuz vista da Apollo antes do acoplamento. Apollo vista da Soyuz antes do acoplamento. O aperto de mão das duas superpotências no espaço (foto original). Placa comemorativa da missão. As partes foram unidas no espaço.
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O retorno quase trágico da Apollo Ao final do segundo acoplamento, a nave Soyuz 19 iniciou os preparativos para a reentrada, que aconteceu sem problemas, pousando em segurança no Cazaquistão. Porém a Apollo apresentou um problema muito sério que poderia ter custado a vida de toda sua tripulação. Durante as manobras de reentrada, realizadas dias após o pouso da Soyuz, foi desligada a atuação automática do sistema de pouso. Além disso, gases tóxicos do combustível acabaram entrando no interior da cápsula devido a uma válvula aberta incorretamente, mas o astronauta Stafford conseguiu colocar sua máscara de oxigênio a tempo e salvar a vida de seus dois companheiros de viagem, colocando a máscara de oxigênio neles, que já se encontravam desacordados. Porém, o problema não havia terminado, na altitude de 7300 m, aproximadamente, devido ao desligamento da atuação automática, os paraquedas secundários não abriram automaticamente, o que fez a tripulação ativar o sistema manualmente à altitude de 7000 m. Isto fez com que os jatos de estabilização entrassem em ignição, devido à instabilidade causada pelo acionamento posterior dos paraquedas secundários. Como resultado, a cápsula começou a balançar e somente após 30 segundos a tripulação conseguiu desativar os jatos estabilizadores. Na altitude de 2700 m, os paraquedas principais não acionaram automaticamente, de modo que foram acionados manualmente pelo astronauta Brand. Após o pouso, a tripulação teve que permanecer no hospital por duas semanas, por conta da aspiração dos gases tóxicos. Cronologia da missão Apollo- Soyuz 15/07 - 12:20 – decolagem do foguete Soyuz U de Baikonur. - 19:50 – decolagem do foguete Saturn IB de Cabo Canaveral. 17/07 - 16:09 – primeiro acoplamento entre as duas naves, mantida até às 12:03 do dia 19/07/1975. Transferência de tripulação entre as naves sem saída exterior. Duração total: 1 dia, 19 horas e 54 minutos. 19/07 - 12:34 – segundo acoplamento entre as duas naves, com duração de 2 h e 52 min, sem transferência de tripulação. 21/07 - 10:50:54 – aterrissagem da 40 AstroNova . N.27 . 2020 Concepção artística do acoplamento das naves.
