Acervo textual da Revista AstroNova
Edição 27 — páginas 41 a 44
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Assuntos identificados: espacial, sonda, missão, asteroide, astronomia, sistema, forma, asteroides, soyuz, foguete.
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1341 AstroNova . N.27 . 2020 cápsula soviética Soyuz 19 nas planícies do Cazaquistão. Duração total da missão: 5 dias, 22 horas e 31 minutos. 25/07 - 03:18:24 – amerrisagem (pouso no mar) da cápsula estadunidense Apollo no Oceano Pacífico, recuperada pelo porta-aviões USS New Orleans. Duração total da missão: 9 dias, 7 horas e 28 minutos. O aperto de mão que não continuou Recentemente, o governo russo desclassificou documentos sobre a história do programa espacial soviético, ou seja, tornou documentos antes secretos como domínio público. Dentre eles, um despacho do ministro Sergei Afanasiev de 24 de maio de 1974, no qual era previsto um segundo voo conjunto a ser realizado em 1977. O ministro Afanasiev tinha confiança de que os EUA concordariam com o segundo voo e aceitariam cooperação mútua para a criação de uma estação espacial. Não era segredo para os especialistas da época que a Nasa tinha apenas dois conjuntos da nave Apollo e do foguete Saturn IB e era impossível encomendar novos conjunto pois a produção para o programa Saturn-Apollo foi reduzida e os esforços foram direcionados para a criação de um sistema de transporte espacial reutilizável, o spaceshuttle ("ônibus espacial" no Brasil, "vaivém espacial" em Portugal). Além disso, a Nasa tinha outras prioridades: as sondas interplanetárias Viking, Pioneer e Voyager. Tormentas políticas Hoje, ao se analisar os eventos de quase meio século atrás, sabemos que houve um esforço por parte do presidente Richard Nixon em se aproximar de Moscou por meio de laços científicos. Como afirmou Chester Lee, diretor do programa Apollo-Soyuz: “A Nasa teve sucesso onde os diplomatas falharam porque não estava lidando com políticos, mas com engenheiros, técnicos, cientistas e aprendizes; pessoas que trabalham na implementação de soluções técnicas.” Mas, as negociações para o segundo voo, que ocorreram antes da realização do primeiro voo, tiveram um forte revés; em 1974 o presidente dos EUA renuncia devido à investigação do caso Watergate. Assume como presidente o seu vice, Gerald Ford, que tentou continuar a política de distensão nas relações com a URSS, assinando os acordos de Helsinki. Porém, Ford teve que presidir uma crise econômica que trouxe recessão e inflação. Foi durante o governo Ford (1974 – 1977) que ocorreu a missão Apollo-Soyuz. Porém, o voo conjunto não teve a mesma boa recepção entre a população dos EUA como teve na URSS. Na época, jornais sensacionalistas chegaram a colocar a culpa da crise financeira no programa conjunto, acusaram a Nasa de entrega de tecnologia para a URSS e o governo de financiar armamentos soviéticos. Devido aos problemas econômicos, a possibilidade de um segundo voo espacial entre as nações foi se tornando cada vez mais remota. A eleição do 39º presidente dos EUA, Jimmy Carter, em 1977, trouxe uma nova etapa de negociações para a segunda missão. Porém, desta vez, foi proposta a conexão das naves Apollo e Soyuz à estação espacial soviética Salyut; ou do futuro projeto dos ônibus espaciais conectando-se à Salyut. Mas as negociações
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42 AstroNova . N.27 . 2020 foram paralisadas porque o Congresso dos EUA não cedeu as verbas necessárias para outra missão conjunta. Infelizmente, após o mandato de Jimmy Carter, toda e qualquer possibilidade de missão conjunta acabou. O novo presidente, Ronald Reagan, cancelou todos os acordos de cooperação científica com a União Soviética, chegando a citá-la como “Império do Mal” em um discurso. Talvez, se não fosse a intransigência de Ronald Reagan, a Estação Espacial Internacional seria uma realidade já na década de 80. Mas a prioridade do 40º presidente dos EUA parecia ser o projeto de uma estação espacial bélica chamada Guerra nas Estrelas, que felizmente nunca saiu do papel. Após o fim da URSS A cooperação só voltou a ser discutida em 1992, após o colapso da URSS. Para a administração da Casa Branca, a Rússia não era mais uma nação perigosa e suas conquistas tecnológicas espaciais poderiam ser facilmente compradas. Em julho de 1992, a Nasa e a recém criada Agência Espacial Russa, na época denominada Rosaviakosmos, concordaram com o acoplamento de um ônibus espacial à estação espacial Mir, a presença de cosmonautas em ônibus espaciais e astronautas na Soyuz e na Mir. Esta cooperação tripulada continua até hoje, apesar do agravamento das contradições políticas e econômicas entre os EUA e a Rússia. O legado da Apollo-Soyuz Tecnicamente, um dos maiores desenvolvimentos foi o sistema de acoplamento. A partir do APAS foi desenvolvido o modelo APAS-89, que foi construído no módulo espacial Kristall da estação espacial soviética Mir. Originalmente foi projetado para futuras acoplagens do ônibus espacial soviético Buran. Após os acordos de 1992, os ônibus espaciais passaram a utilizar este sistema de acoplamento para a conexão com a Mir. Com a construção da Estação Espacial Internacional, foi construído o modelo APAS- 95, que acoplava os ônibus espaciais a esta estação. Atualmente, o sistema de acoplamento PMA-1, desenvolvido a partir do APAS-89 e do APAS-95, é Proposta de acoplamento do ônibus espacial e da Soyuz à Estação Espacial Salyut. Proposta de acoplamento da Apollo e da Soyuz à Estação Espacial Salyut.
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utilizado na conexão do módulo Zarya à Estação Espacial Internacional. Na política, a missão foi um símbolo da cooperação científica entre países. Até aquele momento, ambos os países, através de suas mídias, procuravam minimizar os feitos do outro. A imprensa da URSS dava a entender que estava na liderança dos voos espaciais; enquanto nos EUA a imprensa dizia que as naves soviéticas eram obsoletas e perigosas. Após a missão conjunta ficou claro que não fazia sentido manter uma rivalidade, a concepção de programas espaciais com diferentes metas passou a ser a linha de pensamento tanto da Nasa quanto do programa espacial soviético. Junto a estes legados, tem-se a homenagem realizada na descoberta de um asteroide em 19/07/1977 pelo astrônomo soviético Nikolai Chernykh, o qual foi denominado 2228 Soyuz- Apollo (o nome é assim para que não houvesse confusão com o asteroide 1862 Apollo). É importante citar também que o cosmonauta Alexei Leonov e o astronauta Thomas Stafford tornaram- se amigos duradouros. Leonov foi padrinho dos filhos mais novos de Stafford, e este realizou um discurso no funeral de Leonov em outubro de 2019. Pode-se considerar que a atual Estação Espacial Internacional surgiu naquela missão. A Apollo- Soyuz foi o fim da corrida espacial. A partir daquele momento ficou claro que não haveria vencedores. Havendo cooperação, quem vence é a humanidade. Rafael Cândido Jr. é graduado e mestre em Engenharia Química (USP) e doutorando em Engenharia Aeroespacial (ITA). É membro do grupo de astronomia Arcturus. 1343 AstroNova . N.27 . 2020 Leonov e Stafford em evento no Rio de Janeiro em 29/09/2000. Emblema vendido nos EUA na forma de bottom. Livro online gratuito na internet: The Partnership: A History of the Apollo-Soyuz Test Project https://history.nasa.gov/SP- 4209/toc.htm Os 45 anos da missão Apollo- Soyuz: cooperação espacial entre soviéticos e americanos https://youtu.be/UCIWzZ-E9H0 Revista RusskiiKosmos http://www.roscosmos.ru/28912 Reportagem dos documentos da missão conjunta http://www.roscosmos.ru/28774 Referências:
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