Acervo textual da Revista AstroNova
Edição 28 — páginas 1 a 20
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Assuntos identificados: bandeira, eclipse, bandeiras, solar, terra, estrelas, alunos, astronomia, raios, física.
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REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA Ano 07 - Nº 28 - Dezembro/2020 ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS O ECLIPSE SOLAR DE DEZEMBRO O ECLIPSE SOLAR DE DEZEMBRO COMO IDENTIFICAR UMA FALSA BOLA DE FOGO NO CÉU? COMO IDENTIFICAR UMA FALSA BOLA DE FOGO NO CÉU? A CRISE NO SISTEMA EDUCACIONAL: ONDE SE INSPIRAR PARA VENCER OS PROBLEMAS A CRISE NO SISTEMA EDUCACIONAL: ONDE SE INSPIRAR PARA VENCER OS PROBLEMAS ASTRONOMIA NAS BANDEIRAS NACIONAIS ASTRONOMIA NAS BANDEIRAS NACIONAIS VIA LÁCTEA: DA POEIRA À POEIRA VIA LÁCTEA: DA POEIRA À POEIRA MECANISMOS ADAPTATIVOS DE PSICRÓFILOS E PSICROTOLERANTES ORIGEM E FORMAÇÃO DOS EUCRITOS
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Conselho editorial: Maico A. Zorzan [email protected] Rafael Cândido Jr. [email protected] Wilson Guerra [email protected] Redatores: Aline Bruckveg [email protected] Bruno Nascimento-Dias [email protected] Caique Roque de Oliveira [email protected] Camila Vieira [email protected] Eduardo P. Santiago EXOSS: [email protected] Rafael Cândido Jr. [email protected] Wilson Guerra [email protected] Arte e Diagramação: Wilson Guerra [email protected] Astrofotos: Bruno Bonicontro Carlos Aparecido Domingues Fernando Oliveira de Menezes Finalizamos mais um ano, provavelmente um dos mais complicados das últimas duas ou três gerações. Ano em que governos em quase todo o mundo não conseguem responder à pandemia de covid-19, principalmente do Brasil. Mas os problemas não são só estes. A Astronomia perdeu nesse ano o clássico radiotelescópio de Arecibo, que com uma tempestade e sem manutenção adequada, literalmente desabou. Entretanto sempre tem o outro lado: a ISS está novamente cheia de astronautas, duas sondas estão a caminho da Terra com amostras de asteroides e a China pousou com sucesso a sonda Chang’e-5 na Lua. E na sequência de boas notícias, a revista Astronova desse fim de ano traz tudo o que você precisa saber sobre o eclipse solar que ocorre dia 14 de dezembro. Confira as dicas para uma boa e segura observação. Dicas também do Eduardo do Exoss, que explica e nos ensina a reconhecer meteoros e outros fenômenos para não confundi-los com efeitos de outras naturezas. A estudante Aline Bruckveg nos escreve sobre a Via Láctea. Já Caique de Oliveira trata sobre os pouco conhecidos meteoritos eucritos, enquanto Camila Vieira explica os intrigantes mecanismos de sobrevivência dos seres extremófilos do mundo frio, os psicrófilos. Os três são orientados de Iniciação Científica do prof. Bruno Nascimento-Dias. Rafael Cândido nos traz interessantes curiosidades sobre bandeiras de países e nações que, de alguma forma, se inspiraram nos céus. Em seu artigo desta edição, o professor Ricardo Pereira expressa sua preocupação com a Educação em nosso país, sobretudo de Ciência, e aponta alguns caminhos para superá-la. E como já é de nossa tradição, iniciamos mais um edição com nossa agenda de lançamentos espaciais para o trimestre e um resumão das atividades da Estação Espacial Internacional. Uma ótima leitura e boas festas. Wilson Guerra GCAA AstroNova . N.28 . 2020 EXPEDIENTE EDITORIAL Capa: Galáxia do Escultor Astrofotografia de Fernando Oliveira de Menezes Wilson Guerra GCAA Wilson Guerra GCAA Wilson Guerra GCAA Wilson Guerra GCAA Wilson Guerra GCAA Wilson Guerra GCAA
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SUMÁRIO COMO IDENTIFICAR UMA FALSA BOLA DE FOGO NO CÉU? 07 17 27 Ano 7 | Edição nº 28 | 2020 13 ASTRONOMIA NAS BANDEIRAS NACIONAIS 31 MECANISMOS ADAPTATIVOS DE PSICRÓFILOS E PSICROTOLERANTES ORIGEM E FORMAÇÃO DOS EUCRITOS A CRISE NO SISTEMA EDUCACIONAL: ONDE SE INSPIRAR PARA VENCER OS PROBLEMAS 37 41 ECLIPSE SOLAR DE DEZEMBRO DE 2020 VIA LÁCTEA: DA POEIRA À POEIRA
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PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTREPRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE Foguete: Falcon9 (SpaceX) Carga: Transporter1 + microssatélites Local: Cabo Canaveral Data: 16/12/2020 Foguete: Antares (Northrop Grumman) Carga: cargueiro Cygnus com equipamentos para ISS Local: Ilha Wallops Data: 01/02/2021 Foguete: Atlas 5 (ULA) Carga: segundo teste com cápsula Starliner (Boeing) Local: base do Cabo Canaveral Data: 04/01/2021 Foguete: Falcon9 (SpaceX) Carga: WorldView 1 e 2 satélites de observação da Terra Local: base de Vandenberg Data: 01/2021 RÚSSIARÚSSIA EUAEUA
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Foguete: Ariane 5 (Airbus) Carga: Star One D2 & Eutelsat Quantum Local: Base de Kourou, Guiana Francesa Data: 02/2021 PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTREPRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE Foguete: Vega C (ELV) Carga: Pleiades Neo 1 satélite de observação da Terra Local: Base de Kourou, Guiana Francesa Data: 02/2021 EUROPA via Guiana Francesa EUROPA via Guiana Francesa Foguete:SSLV (Isro) Carga: nanossatélite para teste de vôo Local: centro espacial Satish Dhawan Data: 12/2020 Foguete: GSLV (Isro) Carga: Gisat-1, satélite geoestacionário para sensoriamento remoto Local: centro espacial Satish Dhawan Data: a ser determinado Foguete: Longa Marcha 8 nova categoria de lançador Local: Base de Wenchang Data: 20/12/2020 Carga: XJY 7; vôo inaugural desta CHINACHINA ÍNDIAÍNDIA
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Principais atividades - junho a agosto/2020Principais atividades - junho a agosto/2020 Tripulação atualTripulação atual ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONALESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL Soyuz MS-18: Roscosmos (01/04/2021)Soyuz MS-18: Roscosmos (01/04/2021) Crew-2: SpaceX (até 04/2021)Crew-2: SpaceX (até 04/2021) Próxima ExpediçãoPróxima Expedição Starliner: Boeing (até 06/2021)Starliner: Boeing (até 06/2021) Cosmonautas da Roscosmos, Sergei Ryzhikov e Sergei Kud-Sverchkov, realizam caminhada espacial (VKD) e preparam ISS para receber novo módulo. Astronauta Kate Rubins (Nasa) em experimento de crescimento de rabanetes em ambiente de microgravidade usando o Plant Habitat, no módulo europeu Columbus.
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COMO IDENTIFICAR UMA FALSA BOLA DE FOGO NO CÉU? Eduardo P. Santiago EXOSS: [email protected] A cada ano a ferramenta de ocorrência de bólidos (AMS, IMO, EXOSS) tem recebido dezenas, centenas e milhares de relatos e estamos felizes em fornecer meios para que mais pessoas possam colaborar com os estudos de meteoros. Recentemente a ferramenta passou por algumas alterações possibilitando que as testemunhas enviem suas fotos e vídeos. Isso cria um vínculo entre a testemunha e a pesquisa acerca do evento em questão. O resultado é extremamente positivo ASTRONOMIA AMADORA 07 mostrando que a possibilidade do envio de mídias é de grande ajuda para nós entendermos o que a testemunha está relatando. Através dessa nova função foi possível coletar informações sobre um evento em particular que nos chamou muito a atenção e percebemos a necessidade de tratar com o público sobre esse tipo de fenômeno muito comum no céu. O caso de falso meteoro mais comum a ser tratado pela American Meteor Society em seu banco de dados diariamente. “Vi uma grande bola de fogo que levou vários segundos/minutos para desaparecer” “Era grande e se movia relativamente rápido, tive tempo de pegar uma câmera e tirar uma foto” “Tinha cor vermelha, amarelo e laranja” “Liguei para um amigo meu que me disse ver a mesma coisa” Esses são exemplos de alguns relatos recebidos por todo mundo. Sua característica principal é que as testemunhas ao descrever a emoção de presenciar tal fenômeno sempre possuem tempo hábil para realizar COMO IDENTIFICAR UMA FALSA BOLA DE FOGO NO CÉU? CONSIDERAÇÕES PARA NOVATOS E EXPERIENTES EM ASTRONOMIA, BEM COMO À IMPRENSA
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AstroNova . N.28 . 2020 08 Neste evento nós recebemos 9 vídeos e 31 fotos, uma das maiores participações com envio de arquivos de mídia. uma tarefa como, tirar uma foto, ligar para alguém. No dia 13 de novembro de 2017 ocorreu um evento no Brasil que foi confundido com meteoro. Tratava-se apenas de um contrail (rastro de condensação) causado por aeronave. Porém o número de fotos e vídeo enviados pela ferramenta foi surpreendente. Mas afinal, o que um evento de contrail erroneamente confundido com meteoro faz por merecer tanta atenção assim? Como identificar uma falsa de bola de fogo no céu? Se desenvolvemos e aperfeiçoamos uma ferramenta com um poder de alcance nunca antes visto, visando justamente alcançar o máximo de pessoas em todo mundo é essencial explicar a tais pessoas como entender e diferenciar um fenômeno corriqueiro de contrail de um evento real de meteoro. Essa conclusão não partiu só da Exoss, mas de constantes conversas com o idealizador dessa ferramenta de relatos Mike Hankey (American Meteor Society), por notar-se o grande volume de relatos com as mesmas características que por muitas vezes são difundidas em jornais de grande circulação. Isso torna quase impossível para nós corrigirmos tais informações a tempo de informar o público em massa a origem real do que acreditam ser um meteoro, cometa ou qualquer outro detrito espacial. Então o que devemos considerar afinal? LOCAL Tais eventos ocorrem mais frequentemente em locais que são rotas da aviação comercial ou militar. No evento brasileiro os relatos partiram de locais próximos a um aeroporto.
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1309 AstroNova . N.28 . 2020 HORÁRIO Nascer e pôr do sol, são momentos onde tal fenômeno se torna mais visível pois nossa atmosfera favorece a visualização da faixa do espectro de luz perto do vermelho (em determinado ângulo) o que deixa as nuvens e rastros de condensação de aeronaves com tonalidades quentes (vermelho, laranja e amarelo) e isso desperta a atenção das pessoas. DURAÇÃO Tais fenômenos de falsos meteoros causados por contrail permite a testemunha tirar uma série de fotos e vídeos por ser algo que dure alguns segundos e talvez minutos. Um meteoro é um evento de extrema rapidez, muito rápido e a testemunha dificilmente tem tempo hábil para pegar uma câmera registrar tal fenômeno. Neste evento nós recebemos 9 vídeos e 31 fotos, uma das maiores participações com envio de arquivos de mídia. Mas porque existem diversas imagens e vídeos de meteoros no youtube? A resposta é simples. Pessoas no local certo, hora certa fazendo a coisa certa (filmando ou tirando fotos de algo ou situação com outro contexto). Existem inúmeros vídeos e fotos na internet e neles é possível observar que o objetivo da pessoa não era o de registrar um meteoro (salvo quando é programado Nascer do sol em Ilha Comprida, SP – Brasil e nuvens cumulus sendo iluminadas por cores quentes
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10 AstroNova . N.28 . 2020 uma seção de astrofotografia) e sim algum evento sem qualquer relação com a astronomia. Em 2 de Novembro de 2015 na Tailândia um meteoro foi registrado acidentalmente por diversas câmeras de carro (DashCam). Há links na internet para se ver esse bólido (talvez o mais belo já registrado). Com atenção nos segundos 0:36 e 0:55 podemos observar dois registros feitos com câmeras já em mãos da testemunha em gravação de eventos nada relacionados a meteoros. É claro que algumas exceções podem ocorrer. Em 10 de Agosto de 1972 um grande bólido diurno foi registrado; se um evento (“The Great Daylight Fireball”) de dinâmica similar ocorrer em pleno século 21, é de grande chance que várias pessoas poderiam registrá-lo com seus smartphones. Contrail (rastro de condensação) registrado numa sequência de fotos com ampliação. Um olhar desatento facilmente pode confundir com algum outro evento astronômico. COMPREENDENDO CONTRAIL Aeronaves comerciais voam a uma altitude aproximada de 10.000 metros. Nessas condições a atmosfera se torna muito gélida e os gases quentes expelidos das turbinas das aeronave se resfriam e formam cristais de gelo e consequentemente os famosos rastros densos que vão de cor branca até às mais avermelhadas quando próximas ao amanhecer ou entardecer (efeito ótico).
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11 QUESTÕES PARA RESPONDER ?É comum aeronaves nessa região? ?Você presenciou o fenômeno no início da manhã ou final de tarde? ?Sua cor varia entre vermelho, laranja ou amarelo? ?Estava próximo ao horizonte? ?Aparentava ter uma cauda? ?Você teve tempo de pegar um smartphone ou câmera para fazer um registro? Se a maioria das respostas para essas questões foram “sim”, então o que você presenciou muito provavelmente NÃO É UM METEORO. Com muita segurança podemos concluir ser uma aeronave e seu rastro de condensação (contrail). A partir do momento que fomentamos pessoas de todo o mundo a colaborarem com os estudos de meteoros, é muito importante ensinar as características dos falsos eventos, tanto quanto aos de eventos verdadeiros. Já fazemos isso com algoritmos de computadores que desempenham essa função para estudos mais avançados na área de meteoros; mas as pessoas também necessitam e precisam saber como identificar o que estão vendo no céu. Em um evento recente no dia 28 de Janeiro no Brasil e Peru, houve vários registros de uma reentrada de lixo AstroNova . N.28 . 2020 Imagem em detalhes do contrail. A aeronave possuía 4 turbinas. Um zoom em um fenômeno deste tipo já evidencia sua natureza terreste. espacial. Este é outro evento muito comum a ser confundido com meteoro. Trataremos sobre esse assunto e como analisar suas características em breve. Este artigo visa atender a necessidade em aprofundar de forma didática o máximo possível de informações relativas a esse tipo de evento e toda confusão gerada nas mídias sociais e jornais sempre que se dissemina uma informação que não procede. Eduardo Placido Santiago é astrônomo amador, membro do EXOSS e da IMO (Internacional Meteor Organization) Créditos Imagens: American Meteor Society, National Weather Service – NOAA, Jamile Santana, Billy Dorsch, N. Alves, Team Thailand, rek231wa, André Renato de Oliveira Costa, R. Pistori, Boldmethod, LouB747, Mick West. Gases quentes expelidos se condensam formando o contrail. Sugestão de leitura: “Outra” bola de fogo no céu... Exoss - www.exoss.org
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Nebulosas escuras na região da constelação da Águia Astrofotógrafo: Fernando Menezes 20 a 22 de julho de 2020 Munhoz - MG Nebulosas escuras na região da constelação da Águia Astrofotógrafo: Fernando Menezes 20 a 22 de julho de 2020 Munhoz - MG
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1313 Camila Vieira Bruno Nascimento-Dias Para nós humanos ambientes muito frios são vistos como inóspitos porém, para outros organismos, mais especificamente para alguns microrganismos, esses ambientes extremos são vistos como ideais ou pelo menos toleráveis. Tais organismos são chamados extremófilos e os extremófilos que crescem em baixas temperaturas são denominados psicrófilos e psicrotolerantes. Psicrófilos são microrganismos que adquiriram adaptações ao longo de sua história evolutiva para sobreviverem em ambientes frios e não apenas isto, para terem baixas temperaturas ótimas de crescimento. Esses microrganismos vivem a temperaturas que variam de abaixo de 0°C até 20° C e acima desse valor máximo não sobrevivem ocorrendo desnaturação das suas biomoléculas e lise celular. Já os psicrotolerantes são organismos que possuem temperaturas ótimas de crescimento entre 20°C e 40°C porém, em situações adversas em que a temperatura venha a diminuir eles são capazes de expressar genes que os permitem tolerar a queda. Psicrotolerantes diferentemente dos psicrófilos conseguem viver em ambientes sazonalmente frios como um lago temperado ou até quem sabe com variações bruscas diárias como o planeta Marte. Em Marte as temperaturas variam muito diariamente e sazonalmente, chegando a - 140°C no inverno e cerca de 20°C no verão e variando em média 58°C entre o dia e a noite, devido a isso bactérias psicrófilas não sobreviveriam as condições ambientais da superfície marciana (não considerando neste texto a possibilidade de haver água subterrânea no planeta). Já as psicrotolerantes poderiam sobreviver nas chamadas “regiões especiais”, sugeridas por Rummel e colaboradores, em que a vida Mecanismos adaptativos de psicrófilos e psicrotolerantes Mecanismos adaptativos de psicrófilos e psicrotolerantes EXTREMÓFILOS
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AstroNova . N.28 . 2020 14 como conhecemos seria capaz de prosperar no planeta vermelho. Na lua de Júpiter Europa e na lua de Saturno Enceladus que possuem características ambientais muito parecidas tanto psicrófilos quanto psicrotolerantes têm a possibilidade de prosperar isso porque ambas as luas têm grandes chances de possuírem um oceano subterrâneo abaixo das respectivas crostas de gelo além de atividade geológica. Essa atividade geológica pode ser evidenciada pela possibilidade dessas luas conterem fontes hidrotermais e justamente essas fontes hidrotermais que possibilitariam a vida de psicrotolerantes. O magma quente extravasado iria se resfriar ao longo da água criando um gradiente térmico de várias temperaturas, nesse gradiente organismos com temperaturas ótimas de crescimento entre 20° C e 40° C podem prosperar podendo inclusive serem psicrotolerantes. Os psicrófilos poderiam crescer nessas luas em regiões mais distantes das fontes hidrotermais mas que ainda sim tivessem temperaturas capazes de abrigar vida. Independente do local, na Terra ou fora dela, os microrganismos precisam apresentar mecanismos de adaptação para crescerem em baixas temperaturas. Microrganismos mesófilos (que vivem em temperaturas medianas) e termófilos quando sujeitos a baixas temperaturas passam por uma situação de estresse que pode ser definida como uma situação em que a fase lag de crescimento microbiano aumenta e a população máxima diminui. Quando falamos em crescimento microbiano estamos nos referindo a aumento da população e esse aumento possui um gráfico específico que segue padrões laboratoriais de contagem de células viáveis. A fase lag é uma fase de adaptação ao meio em que há a síntese de biomoléculas como ácidos nucleicos e proteínas em que o número de células novas é igual ao de células mortas, sob condições adversas a biossíntese é comprometida se tornando mais lenta e por
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1315 Fonte: Zhang, Haung, Wang, Huo; 2019 AstroNova . N.28 . 2020 consequência aumentando a fase lag. Após a fase lag os microrganismos entram em crescimento exponencial porém quando em condições pouco favoráveis esse crescimento exponencial vai ser menor o que diminui a população máxima alcançada. Depois de atingir uma população máxima a cultura entra em uma fase estacionária em que o número de células não varia, essa fase ocorre geralmente por ausência de nutrientes no meio, grande concentração de produtos de excreção ou em até mesmo condições ambientais desfavoráveis. Após ela fatalmente caso o meio não seja renovado ou a situação ambiental revertida a tempo os microrganismos fatalmente entrarão na fase de morte que também é uma função exponencial. Termófilos e mesófilos não psicrotolerantes não irão crescer sobre situação de estresse por baixas temperaturas pois as proteínas ficarão muito rígidas, a membrana citoplasmática irá gelificar paralisando os processos energéticos que em bactérias lá ocorrem e acabará se rompendo pela formação de cristais de gelo. Já os psicrotolerantes, embora de forma mais lenta, diante da condição de estresse irão expressar genes que permitirão sua sobrevivência. Os mecanismos que permitem aos psicrotolerantes passarem por estresse ambiental causado pelo frio e aos psicrófilos viverem em temperaturas ótimas de crescimento tão baixas são os mesmos, dentre eles destacam-se as cold shock proteins que mantêm outras proteínas estáveis a baixas temperaturas e também se ligam ao RNA mensageiro que irá ser traduzido em proteínas crioprotetoras que evitam a formação de cristais de gelo na célula, as proteínas irão adquirir conformações menos rígidas em alfa hélice e serão compostas por mais aminoácidos polares que são mais flexíveis além de possuírem um menor número de ligações químicas fracas como as iônicas. Já na membrana citoplasmática o número de insaturações irá aumentar aumentando também a fluidez e permitindo que ela mantenha seu estado semi- fluido e desempenhe suas funções de forma eficiente. Visto todas esses “super poderes” que as bactérias possuem podemos perceber o quão limitado é o nosso conceito de extremo e o quanto organismos que sequer notamos no nosso dia a dia podem ter características de resistência que nós, frágeis humanos, nem pensávamos existir. Camila Vieira cursa Ciências Biológicas e é orientada de IC por Bruno Nascimento-Dias (UFJF) e Marcos Rogério Tótola (UFV). Referências: 1- ALLWOOD, Abigail et al. NASA Astrobiology Strategy. [S. l.: s. n.], 2015. Disponível em: https://astrobiology.nasa.gov/nai/med ia/medialibrary/2016/04/NASA_Astro biology_Strategy_2015_FINAL_0412 16.pdf. Acesso em: 5 mar. 2020. 2- CLARK, D.; MADIGAN, M. T.; MARTINKO, J. M.; DUNLAP, P. V. Brock biology of microorganisms. 12. ed. Benjamim Cummings Publisher, 2009. 1168p.
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Rafael Cândido Jr. [email protected] As bandeiras atuais representam nações, povos, culturas e até mesmo idiomas. Dentre várias simbologias presentes, algumas apresentam referências astronômicas. Neste artigo, vamos conhecer algumas dessas bandeiras e seus significados. Importante salientar que, como estamos tratando de representações de dois corpos celestes, a grafia para sol e lua será com letras minúsculas. A origem das bandeiras A origem das bandeiras é desconhecida. Os mais antigos registros são da civilização egípcia, que utilizava tecidos estampados em tempos de guerra como um sinal para suas tropas. Desde aproximadamente 3000 anos atrás, chineses utilizavam tecidos com estampas de animais para indicar locais onde vivessem pessoas que estavam a 17 CURIOSIDADES ASTRONÔMICAS nas bandeiras nacionais ASTRONOMIA serviço de algum líder local. Da mesma forma, na Índia, utilizavam-se tecidos com formatos triangulares para sinalização de estruturas militares que pertencessem a algum governante. As bandeiras atuais têm sua origem no estandarte romano, denominado vexilo, no qual uma haste vertical dava suporte a um tecido em formato quadrado ou retangular com uma estampa e inscrição em latim. A palavra latina vexilo deu nas bandeiras nacionais ASTRONOMIA
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18 AstroNova . N.28 . 2020 origem à palavra Vexilologia, que é o estudo de bandeiras, estandartes e insígnias e das suas simbologias, usos, convenções e padrões. O uso de bandeiras como expressão de um povo ou um território remonta à fragmentação do Império Romano ocidental e o início da Idade Média. Era comum senhores feudais marcarem seus territórios protegidos por sua força militar com um tipo de vexilo que apresentava o desenho de um escudo, no qual estavam desenhadas referências ao senhor feudal. Com a união de vários burgos e feudos sob uma liderança, foram sendo criadas bandeiras que identificavam esta unidade. Um exemplo disso é a bandeira nacional mais antiga ainda utilizada, a da Dinamarca, denominada Dannebrog, cuja origem remonta à batalha de Lindanise em 1219. A partir deste evento, territórios que seriam no futuro as atuais nações da Europa, passaram a usar bandeiras para representar sua unidade. Estas bandeiras quadrangulares passaram a ser uma referência em todo o mundo a partir das grandes navegações. Assim, regiões que tradicionalmente usavam o padrão triangular como bandeira como a Índia, China, Irã e territórios islâmicos, passaram a adotar o padrão quadrangular. Nas bandeiras nacionais, cores, formas, lemas e figuras tem uma simbologia que remete à história do povo, alguma dinastia real, evento histórico ou algum outro fato considerado de grande importância. Assim, vamos conhecer e analisar algumas bandeiras de entidades nacionais atuais e algumas bandeiras históricas que não são mais utilizadas, mas com interessantes representações astronômicas. As bandeiras regionais, de divisões administrativas de um país, como estados, províncias, departamentos ou cidades não serão abrangidas; embora existam muitos exemplos ao redor do mundo. Como curiosidade histórica, ao final vamos conhecer duas bandeiras com símbolos astronômicos que foram propostas para o Brasil após a proclamação da República. Bandeiras solares Certamente, devido à rivalidade no futebol, ao se pensar em bandeira com sol, a primeira imagem que vem a nossa mente são as bandeiras da Argentina e do Uruguai. Nestas bandeiras é representado o Sol de Maio, referente à semana de 18 a 25 de maio de 1810, que marcou o início do processo de independência do antigo Vice-Reino do Rio da Prata em relação à Espanha. Na bandeira argentina, o sol apresenta 16 raios retos e 16 ondulantes e, na bandeira uruguaia, são 8 raios retos e 8 raios ondulantes. Reprodução moderna de um vexilo romano com a estampa da deusa grega da vitória (Niké). Museu Romano da Áustria. Foto: Wolfgang Sauber.
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Argentina Uruguai Peru (1822) Antígua e Barbuda Historicamente, esta representação do Sol esteve presente na primeira bandeira do Peru, porém na cor vermelha. De acordo com alguns historiadores, a representação do Sol nestas bandeiras é referente a Inti, o deus solar dos incas. Na América Central, a bandeira da nação Antígua e Barbuda tem a representação do sol nascente no mar, visto a partir de uma praia, designando uma nova aurora para o país. Mais adiante, veremos que o tema de sol nascente ou poente no mar não é exclusivo deste país composto de duas ilhas no Mar do Caribe. Dentre as nações africanas, são quatro nações que apresentam o Sol em suas bandeiras: Maláui, Namíbia, Níger e Ruanda. A nação Maláui tem o sol até em seu nome. Na língua local, o idioma nianja, o nome do país significa sol nascente. Na bandeira, a representação é do amanhecer, que representa a aurora da esperança e da liberdade para o continente africano, pois a bandeira foi criada na época em que as nações africanas estavam lutando por sua independência, contra o domínio colonial de países da Europa. Inclusive, os 31 raios solares representam que o Maláui foi a 31ª nação africana a conseguir sua independência. A Namíbia se tornou independente da África do Sul do regime do apartheid apenas em 1990. Sua bandeira tem um sol de 12 raios triangulares e conforme a explicação oficial, representa a vida e a energia do país. O Níger é um país no qual a maior parte de seu território encontra-se no Sahel (região entre o deserto e a savana) e no Saara. O sol no centro da bandeira é um disco alaranjado pois é assim que é vista sua coloração no amanhecer e no entardecer dessas regiões. Finalmente, o sol da bandeira de Ruanda tem 24 raios e seu significado está vinculado à triste lembrança do genocídio de 1994. Conforme os criadores desta bandeira, este sol representa a iluminação intelectual e espiritual para que este horrível acontecimento nunca mais ocorra. Dentre as nações asiáticas, a representação única do sol está presente nas bandeiras de Bangladesh, Cazaquistão, Filipinas, Japão e Quirguistão. Tanto na bandeira do Japão quanto de Bangladesh, é representado o sol nascente na cor vermelha e sem raios. 19 AstroNova . N.28 . 2020
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20 Enquanto que na bandeira japonesa, o sol está localizado no centro; na bandeira bengali, o sol está deslocado para a esquerda. Na bandeira das Filipinas, o sol representa a soberania do país e cada um de seus 8 raios é uma das 8 províncias que se levantaram contra o domínio colonial espanhol em 1896. As bandeiras do Cazaquistão e do Quirguistão, países da Ásia Central, apresentam o sol sobre as estepes, paisagem dominante nestes dois países. Na bandeira do Cazaquistão o sol representa a prosperidade e seus 32 raios simbolizam os grãos cultivados no país. Logo abaixo é representada uma águia das estepes (Aquila nipalensis) em pleno voo. Quanto à bandeira do Quirguistão, o sol apresenta 40 raios e o símbolo no meio do disco solar representa o tunduk, a abertura no topo das tradicionais tendas dos nômades do país (yurt). Da Oceania, dois países possuem bandeiras solares, Ilhas Marshall e Kiribati. A bandeira das Ilhas Marshall apresenta um sol branco com 24 raios, representando os 24 distritos do país, sendo 4 raios maiores representando os 4 centros legislativos do país. A bandeira de Kiribati representa ao mesmo tempo o nascer e o pôr do sol. O país é composto de ilhas e atóis muito próximos à linha do Equador, fato representado pela posição do sol ao centro da bandeira. Como o país é dividido pelo meridiano de 180°, o oposto do meridiano de Greenwich, os criadores da bandeira consideraram que enquanto para uns o sol está surgindo no mar, para outros o sol está se pondo no mar. As ondulações em azul e branco e a ave marinha (Fregata minor) mostram que o país é insular, composto de 33 ilhas e atóis no Oceano Pacífico. Na Europa, o único país que tem uma representação solar em sua bandeira é a Macedônia do Norte. E a história desta representaçãodeu muita dor de cabeça aos diplomatas da União Europeia. A República da Macedônia, nação constituinte da antiga Iugoslávia proclamou sua independência em 8 de setembro de 1991 e adotou como bandeira uma representação solar denominada Sol de Vergina, que foi utilizada pelos antigos reis macedônios, dentre eles, Alexandre Magno. Entretanto, o uso do nome Macedônia e uma bandeira com a representação do Sol AstroNova . N.28 . 2020 Maláui Namíbia Níger Ruanda
