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Acervo textual da Revista AstroNova

Edição 29 — páginas 1 a 20

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Assuntos identificados: estrelas, bandeira, espacial, foguete, módulo, bandeiras, terra, soyuz, local, maior.

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REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS AS FASCINANTES ESTRELAS AS FASCINANTES ESTRELAS ASTRONOMIA NAS BANDEIRAS REGIONAIS ASTRONOMIA NAS BANDEIRAS REGIONAIS ORIGEM DOS METEORITOS HED ORIGEM DOS METEORITOS HED ASTROFOTOGRAFIA COM CELULAR ASTROFOTOGRAFIA COM CELULAR VULCANISMO PARA INCINERAÇÃO? Ano 08 - Nº 29 - Março/2021 ESPAÇONAVES TRIPULADAS DA DÉCADA DE 2020 ESPAÇONAVES TRIPULADAS DA DÉCADA DE 2020

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Conselho editorial: Maico A. Zorzan [email protected] Rafael Cândido Jr. [email protected] Wilson Guerra [email protected] Redatores desta edição: Adriane Casteleira Bruna Mayato Bruno Nascimento-Dias Rafael Cândido Jr. Ricardo Francisco Pereira Wilson Guerra Arte e Diagramação: Wilson Guerra Astrofotos: Bruno Bonicontro Carlos Aparecido Domingues Fernando Oliveira de Menezes Luciano Palagano Newton Cesar Florencio Em tão sombria época para o conhecimento, inspira o universo, com suas fascinantes estrelas iluminando a imensidão cósmica, alimentando, com sua luz, a avidez por conhecimento e o deslumbramento da infinitude que nos cerca. Somos inspirados e nem sempre percebemos. Em nossos símbolos o cotidiano astronômico sempre foi retratado, e com novas tecnologias, dessas, muitas advindas da própria busca pelo cosmos, buscamos registrar hoje os melhores momentos do que vivenciamos em nossa contemplação das noites estreladas.Testemunhas oculares de esforços mundiais para alcançar respostas de perguntas que afligem nossa espécie desde as primeiras civilizações, estamos presenciando moradores de nossa singela querência planetária, alcançando locais nunca antes alcançados. Muitas de nossas divagações sobre aquilo que imaginamos nos cercar em nosso Sistema Solar, sobre vizinhos tão próximos e tão presentes em nossa história, já foram confirmadas ou refutadas por missões de pesquisa nos últimos anos e que recebem reforços importantes de novas tecnologias e novas ideias capazes de levar-nos, mesmo que de forma robótica, a uma excursão de conhecimento tão importante quanto a que nossos antepassados fizeram com as navegações. Esforços que permitem a seres tão minúsculos na importância cósmica serem capazes de enxergar muito além dos ombros dos gigantes planetários que nos cercam, vendo sistemas planetários muito além do nosso. Esforços que rendem ao nosso conhecimento a possibilidade de entendermos a origem de tantos corpos celestes, inclusive aqueles que chegam até nós, como os curiosos meteoritos. Dúvidas como aquelas sobre vulcanismo em outros planetas e tantas outras que filosofamos durante o curso de nossa história, nesse torrão azulado, cada dia mais perto de serem esclarecidas e compreendidas, continuam servindo de alimento para mentes curiosas e que lutam à tanto contra a obscura névoa da ignorância que ainda assombra da humanidade. Maico Zorzan CAEH AstroNova . N.29 . 2021 EXPEDIENTE EDITORIAL Capa: Pólo Celeste Sul Astrofoto: Adriane Casteleira Wilson Guerra GCAA Wilson Guerra GCAA Wilson Guerra GCAA Wilson Guerra GCAA Maico Zorzan CAEH Maico Zorzan CAEH Administração das redes sociais Wilson Guerra [email protected] Podcast: Mateus Leal Castanheira [email protected] Twitter: Adriane Casteleira [email protected] Website/Youtube Maico Zorzan [email protected] Facebook/Instragram:

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SUMÁRIO LAGOS DE LAVA DE VULCÕES COMO INCINERADORES PLANETÁRIOS DE LIXO NA TERRA? 07 21 29 Ano 8 | Edição nº 29 | 2021 11 ASTRONOMIA NAS BANDEIRAS REGIONAIS 33 ESPAÇONAVES TRIPULADAS DA DÉCADA DE 2020 ASTROFOTOGRAFIA COM CELULAR METEORITOS HED: CARACTERÍSTICAS E ORIGEM 37 AS FASCINANTES ESTRELAS

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PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTREPRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE Foguete: Falcon9 (SpaceX) Carga: Dragon v1 com mantimentos e equipamentos para a ISS Local: Centro Espacial Kennedy Data: 22/04/2021 Foguete: Atlas 5 (ULA) Carga: SBIRS GEO, sistema de detecção de mísseis Local: base do Cabo Canaveral Data: 05/2021 EUAEUA Foguete: Falcon9 (SpaceX) Tripulação Crew-2 para a Estação Espacial Internacional Local: Centro Espacial Kennedy Data: 05/2021 Foguete: Atlas 5 (ULA) Carga: segundo teste com cápsula Starliner (Boeing) Local: base do Cabo Canaveral Data: 05/2021 Foguete: Soyuz (POCKOCMOC) Carga: CAS500-1, satélite sulcoreano Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 20/03/2021 Foguete: Soyuz (POCKOCMOC) Carga: OneWeb-5, 36 satélites de telecomunicação e internet Local: Cosmódromo de Vostochny Data: 25/03/2021 RÚSSIARÚSSIA Foguete: Soyuz (POCKOCMOC) Expedição 64S da Estação Espacial Internacional Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 09/04/2021 Foguete: Proton (POCKOCMOC) Carga: Nauka - módulo para a Estação Espacial Internacional Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 04/2021

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Foguete: Vega C (ELV) Carga: LARES 2, satélite científico Local: espaçoporto de Kourou Data: 05/2021 PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTREPRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE Foguete: Vega C (ELV) Carga: Pleiades Neo 1 satélite de observação da Terra Local: espaçoporto de Kourou Data: 22/04/2021 EUROPAEUROPA Foguete: Longa Marcha 7 estação espacial Tiangong Local: Base de Wenchang Data: 05/2020 Carga: Tianzhou 1, nave cargueira à CHINACHINA Foguete: Longa Marcha 5B estação espacial Tiangong Local: Base de Wenchang Data: 04/2020 Carga: Tianhe-1, módulo central da Foguete: Longa Marcha 2F Nave da estação espacial Tiangong Local: Base de Jiuquan Data: 06/2020 Shenzhou-12 com tripulação Foguete:SSLV (Isro) Carga: nanossatélite para teste de vôo de novo foguete Local: base de Satish Dhawan Data: 04/2021 Foguete: GSLV (Isro) Carga: Gisat-1, sat. geoestacionário para sensoriamento remoto Local: base de Satish Dhawan Data: 28/03/2021 ÍNDIAÍNDIA Foguete: PSLV (Isro) Carga: Risat-1, observação da Terra por radar Local: base de Satish Dhawan Data: 07/2021 Foguete: SSLV (Isro) Carga: BlackSky Global; 4 unidades de satélites comerciais Local: base de Satish Dhawan Data: 07/2021

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Principais atividades - dezembro/2020 a fevereiro/2021Principais atividades - dezembro/2020 a fevereiro/2021 Tripulação atualTripulação atual ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONALESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL Soyuz MS-18: Roscosmos (09/04/2021)Soyuz MS-18: Roscosmos (09/04/2021) Crew-2: SpaceX (adiado para maio/2021)Crew-2: SpaceX (adiado para maio/2021) Próxima ExpediçãoPróxima Expedição Starliner: Boeing (até 06/2021)Starliner: Boeing (até 06/2021) Astronautas Victor Glover e Mike Hopkins realizam caminhada espacial implementando manutenção e atualização de hardware. Astronautas Victor Glover e Mike Hopkins realizam caminhada espacial implementando manutenção e atualização de hardware. Cristais de proteína se formam e crescem no ambiente de microgravidade no experimento Growth-2. Cristais de proteína se formam e crescem no ambiente de microgravidade no experimento Growth-2.

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VULCANISMO APLICADO? Bruno Nascimento-Dias [email protected] Atualmente, sete bilhões de seres humanos produzem anualmente 1,4 bilhão de toneladas de resíduos sólidos urbanos (RSU). É possível notar que tanto material assim deve causar algum problema. De maneira geral, o lixo causa inúmeros problemas, tais como poluição de rios, lagos e oceanos, suja o espaço exterior e muda os hábitos das aves migratórias. Entretanto, não é tão simples assim nos livramos dele, principalmente, pois na realidade não existe “jogar fora”, o lixo permanece em nosso planeta. GEOLOGIA 07 Seriam os lagos de lava de vulcões alternativas razoáveis para incinerar de forma natural os lixos presentes no planeta? Este tipo de questionamento faz total sentido, pois já efetuamos esse tipo de processo, afinal já queimamos o lixo (Fig. 1). Então, deixar a natureza cuidar disso,à princípio, parece ser uma medida de sustentabilidade com grandes vantagens para todas as partes. No entanto, os processos de atividades magmáticas não são triviais. Os lagos de lava de vulcões, como o Kilauea no Havaí (Fig.2) ou o Nyiragongo da República Democrática do Congo, são extremamente quentes e podem derreter muitas coisas. Porém, a humanidade inventou muitos materiais que simplesmente flutuariam sobre a superfície, sendo assim, nem tudo seria facilmente consumido pelos vulcões. Outro ponto importante a ressaltar, é que nada na natureza se perde, tudo se transforma. Seguindo este preceito, todo lixo que for derretido será transformado em algo. Boa parte do lixo seria absorvida pelo lago de lava, outra parte desse material, possivelmente, seria dissipada em nuvens de fumaça e vapor com gases incrivelmente prejudiciais à saúde. VULCANISMO APLICADO?VULCANISMO APLICADO? Seriam os lagos de lava de vulcões bons incineradores planetários de lixo na Terra?

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Figura 2 Vulcão Kilauea no Havaí AstroNova . N.29 . 2021 08 Figura 1 Métodos de tratamento de lixo pelo mundo Além disso, por mais assustadores que sejam os lagos de lava, não são infinitamente profundos, na verdade possuem um volume finito e costumam subir e sair da cloaca. Destarte, o lixo não iria simplesmente cair no esquecimento infinito, o que significa que os resíduos poluentes em algum momento causariam processos que ocasionariam explosões, ejetando para o alto compostos químicos que também contaminariam, além do ar o solo também. Em resumo, seriam lançadas inúmeras gotículas de lava que se espalhariam por toda parte agora, mas agora não seriam apenas escaldantes, como também seriam tóxicas. Vale salientar e lembrar que como já mencionado, os lagos de lava costumam ser incrivelmente instáveis. Sendo assim, se você furar a superfície de forma repentina, especialmente com algo que contenha partículas de H2O, isto poderá desencadear uma reação em cadeia imediata de explosões envolvendo vapor altamente pressurizado e ácido, bem como bombas de bolhas de lava. Por fim, fora todos os fatores científicos negativos descritos, é importante frisar que os lagos de lava não são tão abundantes assim no planeta. Segundo, dados geográficos, a maioria dos vulcões não possuem lagos de lava. Outro ponto, lugares como Havaí, provavelmente não aceitariam e nem ficariam felizes em receber bilhões de toneladas de lixo do planeta todos os anos. Todavia, ainda que isso acontecesse, a distância do transporte aumentaria a pegada de carbono da eliminação de resíduos em magnitudes, portanto, não apenas estaríamos poluindo maciçamente o meio ambiente local, mas também estaríamos contribuindo para o aumento das mudanças climáticas no planeta. Bruno L. Nascimento Dias é graduado em Física (Monash University/FTESM), com mestrado pela UERJ e doutorado pela UFJF. Referências: Aragão, V. R., & Veloso, V. H. S. (2014). Produção e reciclagem do lixo com foco em resíduos plásticos. Revista Monografias Ambientais, 13(2), 3075-3081. Press, F., Siever, R., Grotzinger, J., & Jordan, T. H. (2006). Para entender a Terra. Porto Alegre. Teixeira, W., De Toledo, M. C. M., M. Fairchild, T. R., & F.(Org.) TAIOLI. (2001). Decifrando a terra. Oficina Textos.

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Céu noturno Astrofotógrafo: Luciano Palagano Março/2021 Marechal Cândido Rondon - PR Céu noturno Astrofotógrafo: Luciano Palagano Março/2021 Marechal Cândido Rondon - PR

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11 ASTRONÁUTICA AS ESPAÇONAVES TRIPULADAS DA DÉCADA DE 2020 Wilson Guerra [email protected] A década que se inicia apresentará uma variedade de veículos no campo da astronáutica tripulada que nenhum outro período testemunhou. Desde o programa Apollo-Soyuz, que marcou o fim da uma era espacial demasiado militarizada, algumas mudanças já surgiram. Os ônibus espaciais dos EUA deram no novo charme no espaço, enquanto a estação espacial russa Mir deu um show de resistência e estabeleceu um novo paradigma para este tipo de complexo. Mas só agora, em 2021, é que realmente veremos muitas concepções de espaçonaves difícil de imaginar a até poucos anos. Resultado de uma nova forma de ver a órbita baixa terrestre, agora sim com cunho mais científico e até comercial, nações até então na periferia da Era Espacial mostram suas capacidades e outras melhoram seus recursos. E empresas aeroespaciais apareceram interessadas em alugar suas próprias naves, com um olho no mercado e o outro nos apetitosos recursos governamentais. Vida longa à Soyuz Concebida e criada em plena Guerra Fria na ex-URSS, a nave russa Soyuz deverá continuar mostrando ao mundo sua robustez e simplicidade nesta nova década. Sua característica principal é a modularidade, em 3 partes. O módulo orbital pode levar alguns equipamentos e pertences dos cosmonautas. No início das operações, na década de 1970, também possuía um banheiro, mas conforme a função da nave foi se resumindo a apenas transportar tripulação para as várias estações espaciais soviéticas desenvolvidas, essa finalidade tornou-se desnecessária. É no módulo orbital que ficam os dispositivos de acoplamento e a porta de acesso para os cosmonautas se deslocarem para a estação espacial. Todo o processo de viagem se dá AS ESPAÇONAVES TRIPULADAS DA DÉCADA DE 2020

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Cápsula espacial Soyuz (Fonte: NYT) Aspecto Geral Externo Módulo orbital Contém mecanismos de encontro e acoplamento Módulo de retorno Contem os painéis de controle da nave. Com capacidade para até 3 cosmonautas, é nele que os tripulantes voltam à Terra Módulo de propulsão Contém combustível, instrumentos de vôo e de guiamento da nave. Painéis Solares Modularidade 12 de forma automática. Ao piloto cabe a função de monitoramento dos processos por quase todo o tempo. O acomplamento também é autônomo, feito por meio do algoritmo chamado Kurs, o mesmo adotado pela ESA (Agência Espacial Europeia) em sua nave cargueira ATV que começou a operar no fim dos anos 2000. Os cosmonautas realizam treinamentos de controle manual da nave, caso alguma falha no sistema ocorra. Porém, há décadas, não foi necessário um controle manual da nave. O módulo de retorno é onde ficam efetivamente os cosmonautas. Como o próprio nome sugere, é ele que retorna à Terra no final da viagem, reduzindo a velocidade após a reentrada com pára-quedas e pousando instantes depois de uma rápida retropropulsão disparada a 3 m do solo. Neste módulo ficam todos os controles da nave. Tem 3 assentos em um espaço “sob medida”. Finalmente, o módulo de serviço contém motores e demais sistemas da nave. Nele também fica um par de painéis solares que se desobram assim que a nave entra em órbita. O conjunto tem aproximadamente 7.200kg e 8m de comprimento. O diâmetro do módulo de retorno é de 2,2m com um volume habitável total (módulos orbital e de retorno) de 10,5m³. A nave Soyuz se tornou o único meio para a tripulação da Estação Espacial Internacional (ISS) chegar ao Preparação da nave Soyuz-MS-13 Sergey Ryzhikov, Sergey Kud-Sverchkov e Kate Rubins em treinamento para viagem na Soyuz-MS-17. ~8m AstroNova . N.29 . 2021

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Cápsula Oriel. Oriel com módulo de serviço. Modelo da espaçonave Oriel durante exposição da Rússia. 1313 complexo desde 2011, quando os EUA encerraram o programa dos ônibus espaciais. O monopólio só acabou em 2020, quando finalmente a empresa SpaceX passou a operar sua cápsula, a partir de solo norteamericano. A nave Soyuz também é a única por meio da qual foi realizado o turismo espacial. Até hoje 7 turistas viajaram para a ISS por meio de um programa de turismo gerenciado pela Glavkosmos, o braço comercial da Roscosmos (Agência Espacial da Rússia). O uso desta nave está tão otimizado que bateu sucessivamente seus próprios recordes de redução de tempo de viagem até a ISS. Hoje, uma nave Soyuz entrega sua tripulação à estação em apenas 3 horas. Na última atualização da nave, em 2016, tornou-se totalmente digital, recebendo o nome “completo” de Soyuz-MS. Oriel, a águia russa Mas os dias da nave Soyuz podem estar chegando ao fim. A Roscosmos deve começar a utilizar uma nova cápsula espacial em 4 anos, chamada Oriel (águia, no idioma russo). Chamada anteriormente de Federatsya, a nova nave russa será bem maior que a resistente antecessora, tendo lugar para até 4 cosmonautas. Seu painel de controle tem design totalmente inovador para a astronáutica russa, abandonando o layout de botões clássicos e dando lugar a telas com “touchscreen”. Ano passado Dmitri Rogozin, diretor da Roscosmos, afirmou que a Oriel poderá se capaz de “nadar”. Assim, caso a cápsula retorne na água, Lançador Angara 5 AstroNova . N.29 . 2021 Painéis de controle da espaçonave Oriel.

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14 poderia ser guiada pelos cosmonautas como um barco para outro ponto até o resgate. O volume interno útil para os cosmonautas é de 11m³. Diferente das Soyuz, que são descartáveis, o módulo habitável da Oriel poderá ser reutilizado algumas vezes. E terá banheiro, indicando que a nave será usada para missões mais longas. O módulo de serviços, apesar de maior que a da Soyuz, tem basicamente as mesmas funções. É nele também que ficam os painéis solares, de onde a nave retira a energia elétrica para operação. O conjunto (cápsula+módulo de serviço) medirão aproximadamente 8 metros de um ao outro, com diâmetro do módulo de retorno de 4,5m e massa total de 14.400kg. A versão lunar poderá ser um pouco mais alta, com massa de até 20.000kg. A Roscosmos já declarou que a Oriel deverá ser também a nave lunar da Rússia. Até o fim dessa década, cosmonautas russos pretendem pousar na superfície da Lua e a espaçonave usada será a Oriel. Mas ainda há poucos detalhes sobre módulos lunares complementares necessários para essa complexa operação. A nova nave Oriel deverá ser lançada por um também novo foguete, o Angara, que já foi testado com sucesso duas vezes pela Roscosmos. Um primeiro lançamento não tripulado da Oriel deve ocorrer em 2023. No ano seguinte, um vôo também não tripulado deve acoplar automaticamente na ISS. Em 2025 está planejado o primeiro tripulado. Shenzhou, a “Soyuz chinesa” A China começou seus vôos tripulados nos anos 2000 com a Shenzhou (nave divina). A semelhança com a nave russa Soyuz não é coincidência: a CNSA (Agência Espacial da China) comprou o projeto dos russos. Apesar a aparência externa lembrar muito a Soyuz (três módulos descartáveis), a nave foi “recheada” de tecnologia desenvolvida na própria da China. Além disso, o módulo orbital também possui painéis solares, mas reduzidos. Depois de desacoplar dos outros módulos para retorno da tripulação à Terra, ele é capaz de permanecer sozinho em órbita, realizando vôo autônomo e executando pequenos experimentos automaticamente. O conjunto também é um pouco maior que sua equivalente russa. Tem 8.000kg de massa e o conjunto soma 10m de altura. O volume interno útil soma 14m³ e o diâmetro do módulo de retorno é de 2,5m. A nave Shenzhou foi AstroNova . N.29 . 2021

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1315 Fonte: Zhang, Haung, Wang, Huo; 2019 AstroNova . N.29 . 2021 importante para a China iniciar seu programa de laboratórios orbitais. Com os testes consolidados, este ano a CNSA deve começar a construção da Estação Espacial Multimodular Tiangong. Oito vôos estão previstos com as naves Shenzhou para a montar e equipar a nova estação, que deve ser concluída em 2022. Uma nova nave da China Mas talvez a nave Shenzhou tenha um tempo de trabalho breve. O acelerado programa espacial chinês aproveitou o lançamento inaugural de seu novo foguete pesado Longa Marcha 5 para testar no espaço uma nova espaçonave tripulada, mas sem astronautas. Sabe-se muito pouco sobre a nova espaçonave chinesa. Mas está claro que ela é maior, segue uma tendência de formato cônico e de sua modularidade ser composta de apenas duas partes: uma tripulada e uma de motores. Especula-se que depois da estação Tiangong concluída, a Shenzhou passará paulatinamente a ser substituída pelo novo veículo. Crew Dragon Ano passado marcou a estréia oficial da nova espaçonave tripulada da SpaceX, empresa aeroespacial presidida pelo midiático Elon Musk. Feita para levar até 7 astronautas, o espaço interno denota muito mais conforto que a Soyuz e a Shenzhou. Modernos paineis touchscreen e um ambiente interno “clean” dão uma aparência inovadora à nave, que pode ser reutilizada. No aspecto comercial ela também marca um ponto de inflexão em como a Nasa, agência espacial dos EUA, vai se relacionar com empresas do setor daqui para frente. Até então a Nasa encomendava e adquiria naves de gigantes do setor aeroespacial. Os ônibus espaciais, por exemplo, foram construídos pela Boeing, enquanto seus foguetes foram feitos pela Lockheed Martin (hoje parte da Northrop Grumman). Já a Crew Dragon não vai ser comprada pela Nasa, e sim alugada. É o primeiro contrato comercial de Nova espaçonave chinesa integrada no foguete Longa Marcha 5 em 2020.

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transporte de astronautas feito pelo agência. A SpaceX cobrará U$ 58 milhões pela viagem, enquanto a “carona” da Soyuz saía por U$ 80 milhões. Não que o custo da nave fosse alto, mas os russos se aproveitaram do monopólio de transporte para a ISS desde o fim do programa dos ônibus espaciais. A Crew Dragon mede pouco mais de 7m de altura, incluindo o módulo de serviços. Pesa aproximadamente 12.000kg e a base da cápsula tem 3,7m de diâmetro, com volume interno de 10m³. Seu projeto incluía inicialmente pouso vertical propulsionado, como seu foguete lançador Falcon 9. Mas por enquanto a nave retorna à Terra de pára- quedas e cai no mar, o “jeito clássico” dos anos 1960 do programa espacial dos EUA. Também é primeira vez que 16 uma nave americana opta por sistemas autônomos de vôo, seguindo o exemplo da clássica Soyuz russa. O acoplamento na ISS é feito automaticamente. A tripulação da Crew-1 está atualmente na ISS, onde devem ficar até o mês de abril. A maior capacidade de tripulação tornará a estação em estado máximo de lotação daqui para frente. Starliner, a aposta da Boeing Uma outra cápsula que lembra muito as clássicas naves Apollo da década de 1960 é a Starliner. Desenvolvida pela gigante aeroespacial Boeing, será usada pela Nasa no âmbito do programa espacial tripulado como as naves da SpaceX. Ou seja, será alugada pela agência. Ela também tem capacidade para até 7 astronautas. Mede 5m, incluindo módulo de serviço, e pesa 12.000kg. O módulo tripulado tem 4,5m de diâmetro e tem 11m³ de Tripulação da Crew-1, que partiu para a ISS em novembro. Painéis da Crew Dragon, durante vôo à ISS da Crew-1. Starliner sendo integrada ao foguete Atlas em 2019. AstroNova . N.29 . 2021

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17 volume interno. Um teste não tripulado foi realizado em 2019, mas nem tudo deu certo. Um problema atribuído aos algoritmos de vôo fez a nave gastar mais combustível do que deveria, e a manobra prevista para atracar automaticamente na ISS não pode ser realizada. Todavia a nave voltou à Terra normalmente e o pouso autônomo foi um sucesso. Um segundo teste não tripulado deve ser realizado no final de março. Se tudo correr bem, a Boeing pretente levar três relação a cápsula equivalente da SpaceX é o fato de usar o foguete Atlas V, que é totalmente descartável, enquanto a Crew Dragon usa o foguete reutilizável Falcon 9. Órion, uma nave da Nasa A Nasa aparentemente não pretende depender do aluguel de espaçonaves o tempo todo. Então aproveitou do projeto Constellation (que havia sido O ex-astronauta Chris Ferguson em simulador da Starliner. SLS - Space Launch System Acomodação da cápsula Órion e do Módulo de Serviço Europeu no topo do foguete SLS. Acima, a torre de escape de emergência. Cápsula Órion astronautas numa missão de demonstração à ISS provavelmente no segundo trimestre desse ano. O custo para embarcar na Starliner é salgado: U$ 90 milhões. Quando a concorrência com a SpaceX realmente começar, a Boeing terá de pensar em mecanismos para baixar o valor de sua “passagem”. Provavelmente um dos fatores para o custo alto do aluguel desta nave em AstroNova . N.29 . 2021

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18 Órion acoplada ao módulo de serviço e painéis solares. cancelado nos anos 2000) as naves Órion e seus foguetes. Para a construção da cápsula Órion, foi contratado o setor aeroespacial da empresa Northrop Grumann, que também desenvolve parte dos foguetes lançadores dessa nave, o poderoso SLS. Seu módulo habitável terá lugares para 4 astronautas. Terá 5m de diâmetro e 19,5m³ de volume interno, dos quais 10m³ são o espaço útil para os astronautas. Graças a um acordo, a Agência Espacial Europeia (ESA) forneceu o módulo de serviços da Órion. Construído pela indústria europeia, terá 4 painéis solares dispostos na forma de um X, muito parecido com a nave cargueira ATV que a ESA utiliza para logística na ISS. O conjunto (cápsula+módulo de serviço) medirá quase 8m, somando 21.250kg na versão orbital e 25.000kg na versão lunar. Um vôo não tripulado ao redor da Terra com uma cápsula Órion foi feito em 2014 por meio de um foguete Delta IV, e foi muito bem sucedido. A nave Órion será lançada com seu gigantesco foguete SLS de 100m de altura. Dependendo da configuração, o SLS poderá lançar cargas de variam de 27 a 46 toneladas. Para isso ele contará com um poderoso estágio central de quatro motores, desenvolvido pela Boeing, e dois boosters laterais (impulsionadores), construídos pelo setor aeroespacial da Northrop Grumann. É com o sistema Órion e SLS que a Nasa pretende executar o programa Ártemis, e retornar a pousar com astronautas na superfície da Lua, incluindo a primeira mulher. Ártemis é a irmã de Apolo na mitologia grega. Este ano a Nasa deverá realizar a missão Ártemis-1, onde uma nave Órion não tripulada circulará a Lua e voltará à Terra, num vôo Astronautas vistoriam simulador da nave Órion. AstroNova . N.29 . 2021

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19 AstroNova . N.29 . 2021 totalmente automático. O plano era enviar uma nave tripulada e circunavegar a Lua em 2023 (Ártemis-2) sem pouso, para em 2024 finalmente pousar astronautas em solo lunar (Ártemis-3). Mas os limites orçamentários já deixaram claro que essas datas são impraticáveis. Talvez o pouso na Lua da missão Ártemis-3 com a nave Órion ficará para 2028. O bem sucedido programa espacial da Índia A Isro (Agência Espacial da Índia) já tem um domínio completo da astronáutica. Lançam satélites em órbita baixa, geoestacionária, Lua e até mantém atualmente uma sonda orbitando Marte. O próximo passo é uma espaçonave tripulada própria, que já está a caminho. Para isto a Isro desenvolve a cápsula Care (Crew module Atmospheric Re-entry Experiment). Será composta de duas partes: um módulo tripulado de 3,5m de diâmetro e aproximadamente 3.6m de altura, que poderá levar até 3 astronautas com autonomia em órbita por 7 dias; e um módulo de serviço de 3,3m de diâmetro e 3,2m de altura, com motores, tanques de propelentes, sistemas de controle e painéis solares. O módulo habitável é o que volta para a Terra com os astronautas, realizando um pouso na água. Em 2014 a Agência Espacial da Índia realizou um teste não tripulado com um protótipo da cápsula Care lançado pelo foguete GSLV. Atualmente um grupo de 4 astronautas indianos realizam treinamendo da Cidade das Estrelas (Rússia), em um acordo com a Roscosmos (Agência Espacial Russa). Ainda não há data exata para o lançamento de astronautas indianos por meios próprios, mas pelos avanços significativos do programa espacial da Índia, tudo indica que isto deverá ocorrer ainda nesta década. O avião espacial Dream Chaser A empresa norteamericana Sierra Nevada Corp. (SNC) aposta em um veículo totalmente reutilizável de pequeno porte: o avião espacial Dream Chaser. Seu design lembra bastante um ônibus espacial em miniatura. A ideia pode ser boa. Apesar dos já desativados ônibus espaciais apresentarem problemas de manutenção para sua Módulo habitável da cápsula indiana Care Foguete GSLV sendo preparado para lançamento experimental da Care, em 2014.

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20 reutilização, o Dream Chaser tem o diferencial de ser uma nave muito menor, o que reduziria drasticamente essa limitação. O Dream Chaser poderá levar até 8 astronautas. Com uma tripulação menor, pode levar internamente algumas cargas. E poderá levar acoplado consigo um módulo cargueiro chamado Shotting Star, aumentando a capacidade de carga do conjunto. A nave já realizou vários testes de vôo atmosférico e poderá realizar o primeiro vôo orbital esse ano, mas ainda sem data marcada, por meio de um foguete Atlas (ULA). Starship lunar A aeroespacial SpaceX, do midiático empresário Elon Musk, desenvolve uma espaçonave tripulada muito inovadora chamada Starship. Seu objetivo de longo prazo, pelo menos em tese, seria Marte. Mas com o programa Artemis da Nasa e os estímulos que a agência tem dado à indústria aeroespacial dos EUA com o objetivo de estabelecer vôos científicos para a Lua, Elon Musk já anunciou que a empresa trabalha numa versão da nave para nosso satélite natural: a Starship lunar. Com sistema de pouso vertical propulsionado, técnica dominada hoje apenas pela SpaceX e Blue Origin, a Starship lunar medirá 30 metros. Cerca de 2/3 dessas dimensões são para tanques de propelentes. A Starship será lançada por um foguete de 70m cujo conjunto é chamado Superheavy. Em 2020 a SpaceX recebeu cerca de U$125 milhões da Nasa para subsidiar o desenvolvimento da Starship, que hoje realiza testes com os protótipos SN. Apesar de Musk nunca ter sido muito bom de prazos, a idéia é que a Starship lunar esteja pronta em 2024. Wilson Guerra é professor, graduou-se em Física (UEM), tem especialização em Astrobiologia (UEL) e é Mestre em Educação Científica (UEM). Referências: Roscosmos CNSA Nasa Spacex Isro Sierra Nevada Corp Comparação do avião espacial Dream Chaser com o Space Shutte Ilustração da futura Starship lunar pousando na Lua. AstroNova . N.29 . 2021

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