Acervo textual da Revista AstroNova
Edição 29 — páginas 21 a 40
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Assuntos identificados: estrelas, bandeira, espacial, foguete, módulo, bandeiras, terra, soyuz, local, maior.
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Rafael Cândido Jr. [email protected] Na edição anterior da Revista Astronova (edição nº 28) apresentamos algumas bandeiras nacionais que apresentavam referências astronômicas. Neste artigo, vamos continuar o assunto, porém destacando as bandeiras regionais, também denominadas entidades subnacionais, que são definidas como a divisão de um país, podendo ser estado, província, departamento, distrito, região ou cidade. Também vamos conhecer algumas bandeiras históricas, sejam de países que não existem mais; ou que existem, mas não são 21 Astronomia nas BANDEIRAS REGIONAIS Astronomia nas BANDEIRAS REGIONAIS plenamente reconhecidas nas Nações Unidas. E, por fim, algumas bandeiras que apresentam uma estrela específica ou algum asterismo, como uma constelação ou um aglomerado. Então vamos seguir praticamente o mesmo caminho utilizado no artigo anterior, começando pelas bandeiras solares. Bandeiras solares A representação solar é muito utilizada em várias bandeiras por todo o mundo. Algumas representam o nascer, o ocaso ou então representado nas cores amarela, vermelha e branca. Há inclusive representações solares de povos muito antigos. Dos estados brasileiros, duas bandeiras apresentam o sol, as bandeiras de Pernambuco e de Tocantins. A bandeira de Pernambuco foi utilizada durante a Revolução Pernambucana de 1817, na qual este estado, juntamente com a Paraíba e o Rio Grande do Norte, tornaram- se uma república independente. O sol, representado com 24 raios, representa a igualdade e a luz que ilumina o futuro. A estrela acima do arco-íris representa a estrela correspondente ao estado de Pernambuco na bandeira nacional, Denebakrab. O sol na bandeira de Tocantins também tem 24 raios, sendo 8 maiores e 16 menores e significa que o sol nasce para todos os tocantinenses, CURIOSIDADES ASTRONÔMICASCURIOSIDADES ASTRONÔMICAS
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22 AstroNova . N.29 . 2021 representando a igualdade de oportunidades no novo estado (pois Tocantins só se tornou um estado com a Constituição de 1988). Em muitas das bandeiras dos 50 estados que compõem os Estados Unidos encontra- se uma representação solar, porém a que mais chama a atenção é a da bandeira do Novo México. Nesta bandeira, o sol é representado pelo símbolo sagrado do povo Zia, povo nativo que ocupa a região desde o século 13 e são conhecidos pela sua cerâmica e pelo cultivo de milho. Para este povo, as quatro orientações dos raios solares significam as quatro fases da vida (infância, juventude, adulto e idoso) e as quatro obrigações sagradas (corpo forte, mente limpa, espírito puro e devoção ao bem-estar do próximo). Saindo do Novo México rumo ao norte, chegamos no Canadá, segundo maior país do mundo e que é divido em províncias e territórios. A província da Colúmbia Britânica é banhada pelo Oceano Pacífico, de modo que o pôr-do-sol pode ser visto em seu litoral. Este fato é representado na bandeira desta província, com o sol sobre um fundo listrado ondulado de azul e branco, simbolizando o mar e as Montanhas Rochosas, respectivamente. A Grécia é dividida em regiões administrativas denominadas periferéies, uma delas é a Macedônia. A bandeira que representa esta região tem como símbolo o Sol de Vergina, o qual foi utilizado por Alexandre Magno como símbolo do seu império. Na edição anterior da Revista Astronova, no artigo sobre as bandeiras nacionais, foi citado o problema diplomático que a República da Macedônia, antes pertencente à Iugoslávia, teve ao utilizar este símbolo em sua bandeira como nação independente. Compare a antiga bandeira da República da Macedônia (que agora é a República da Macedônia do Norte), apresentada no artigo anterior, com a bandeira da região grega da Macedônia. A Ucrânia é dividida em 24 Bandeira do Estado de Pernambuco. Bandeira do Estado de Tocantins. Bandeira do Estado do Novo México. Bandeira da região administrativa da Macedônia. Bandeira da região de Donetsk.Bandeira da Província da Colúmbia Britânica.
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23 AstroNova . N.29 . 2021 regiões denominadas oblast. A região de Donetsk, também denominada Donbass, é uma das maiores produtoras de carvão e aço. Na bandeira desta região, o sol representa a riqueza, o azul celeste representa o aço e o que parece ser uma água negra, pois é desenhado o reflexo do sol, representa o carvão. A Rússia é dividida em oblasts, distritos autônomos, krais, cidades federais e repúblicas. Umas destas divisões é a República Sakha, também denominada Yakútia. Na bandeira desta unidade da Rússia há um campo azul, representando o céu da Sibéria, e o círculo branco, que a princípio pode ser interpretado como a lua, é na verdade a representação do sol. O campo inferior desta bandeira representa o solo da Sibéria nas estações do ano: branco é a neve do inverno, verde é a pradaria no verão e o vermelho a mudança nas folhagens na primavera e no outono. Uma bandeira regional também pode representar um povo que está contido em uma nação. É o caso dos assírios, também conhecidos como caldeus ou siríacos, que formam um grupo étnico semita com origem na região do Crescente Fértil no Oriente Médio. Este grupo étnico clama ser os descendentes de uma das mais antigas civilizações do mundo, os assírios; e estão espalhados entre Turquia, Iraque, Irã e Síria. É um povo muito perseguido e ao longo de sua história já sofreu muitos massacres. Nesta bandeira, o sol é um disco amarelo dentro de uma estrela de 4 pontas e esta é uma das mais antigas representações solares, denominada Shamash, o deus-sol da antiga Mesopotânia. Desta estrela saem faixas ondulantes na qual o azul é o rio Eufrates, o vermelho é o rio Tigre e o branco o rio Grande Zab. Esta representação solar também é encontrada na bandeira do Iraque entre 1959 e 1963. Esta bandeira foi adotada após a queda da monarquia e a instauração da república em 14 de julho de 1958, sendo oficializada em 1959. A representação solar é de um círculo amarelo rodeado de contido em uma estrela vermelha de oito pontas, representando o Sol de Hammurabi, ou seja, a antiguidade da nação. Por fim, citam-se duas bandeiras solares; uma era, de certa forma, regional e outra é de um país que tem um reconhecimento como nação restrito. Na edição anterior, foram citadas as bandeiras que utilizam o símbolo do Sol de Maio: Argentina, Uruguai, a antiga bandeira do Peru e uma versão deste símbolo em uma proposta para a bandeira do Brasil. Entre 1836 e 1839 existiu a República do Peru do Sul, que era parte da Confederação Peru-Bolívia (sim, esses dois países já foram um só). O sol nesta bandeira apresentava 112 raios, distribuídos em 8 grupos de 8 raios Bandeira da República Sakha (Yakútia). Bandeira da etnia assíria. Baixo relevo assírio-babilônio de Shamash.
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24 AstroNova . N.29 . 2021 intercalados com 8 grupos de 6 raios. Por fim, temos a bandeira que hoje é utilizada pela ilha de Taiwan e que já foi a bandeira da China. A história política desta bandeira é bem complicada e deixamos que você procure informações sobre ela. O importante para nós aqui é que nesta bandeira o sol tem 12 raios e é na cor branca em um campo azul. Os 12 raios representam os meses do ano e as 12 unidades shichen, que corresponde a uma antiga unidade de tempo chinesa, na qual um dia era dividido em 12 shichen. A cor azul representa o nacionalismo e o sol branco representa a igualdade da República da China, proclamada em 1912 por Sun Yat-Sen. Bandeiras lunares Como visto na edição anterior, geralmente, as bandeiras com a lua crescente estão associadas a países de religião islâmica, o mesmo se verifica com as bandeiras regionais. Assim, neste artigo serão apresentadas apenas as bandeiras que utilizam a representação lunar e que não estejam relacionadas à religião. O estado da Carolina do Sul tem uma representação da lua crescente desde sua primeira bandeira ainda em 1775. Na época, o Coronel William Moultrie desenhou a bandeira do estado para ser utilizada durante as batalhas que levaram à independência dos EUA. Então, usou para a bandeira o tecido azul dos uniformes dos soldados e o tecido branco para o crescente foi obtido das insígnias presentes nos chapéus dos soldados. Desta forma, a lua crescente não tem um significado específico, sendo feita com o material presente naquele momento. A árvore apresentada na versão atual da bandeira é uma palmeira da espécie Sabal palmetto, presente na Ilha Sullivan, onde ocorreu uma batalha decisiva contra os ingleses. Na Chéquia, novo nome da República Tcheca, há uma cidadecuja fundação é estimada em 1115 e seu nome original era Luna, Bandeira da República do Iraque (1959 - 1963). Bandeira da República do Peru do Sul (1836 - 1839). Bandeira da República da China hoje utilizada apenas em Taiwan. Bandeira do estado da Carolina do Sul. Bandeira da cidade de Louny (Chéquia). Bandeira da cidade de Portsmouth (Inglaterra).
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latim para Lua. Com o tempo, seu nome se tornou Louny. A bandeira faz referência ao antigo nome da cidade. A cidade inglesa de Portsmouth foi fundada pelos romanos por volta do terceiro século com o nome de Portus Adurni. Por volta do século 12, o brasão da cidade passou a representar a Lua e o planeta Vênus e foi adotado o lema da cidade: Luz do céu, nossa guia (em inglês: Heaven’s light our guide). Sendo uma cidade portuária, o céu é um guia fundamental para a navegação noturna. Com isso, a bandeira da cidade passou a utilizar a representação destes dois astros celestes. Bandeiras com estrela, constelações e aglomerado Nas bandeiras regionais de países do hemisfério sul, o Cruzeiro do Sul reina absoluto. Está presente nas bandeiras de estados e territórios da Austrália, províncias da Papua Nova Guiné, províncias e cidades da Argentina, regiões e cidades do Chile, um departamento do Uruguai (Colônia), uma união econômica de países (Mercosul) e, no caso do Brasil, nas bandeiras dos estados de Goiás e Paraná e de cidades como Assis (SP), Cachoeiro do Itapemirim (ES), Cruzeiro do Sul (AC), Diamantino (MT), Extrema (MG), Igaporã (BA), Itauçu (GO), Londrina (PR), Rio Claro (RJ) e Tefé (AM). A constelação da Ursa Maior e a estrela Polaris estão representadas na bandeira do estado do Alaska, o estado mais ao norte dos EUA. Polaris também é representada na bandeira do território canadense de Nunavut. As Plêiades, embora não sejam uma constelação, mas sim um aglomerado de estrelas, também são representadas em uma bandeira regional. A cidade de Durham, no estado da Carolina do Norte, Estados Unidos, mostram em sua bandeira as setes estrelas das Plêiades vistas a olhos nu. Assim como na bandeira de Nunavut, outras bandeiras possuem representações específicas de uma estrela. No Brasil, algumas bandeiras de estados possuem a representação da sua estrela correspondente na esfera celeste da bandeira nacional. Como alguns exemplos tem- se a bandeira de Pernambuco, citada no início deste artigo; a bandeira do Mato Grosso, cuja estrela representa Sirius e a bandeira do Piauí, com a representação de Antares. Mas sobre este assunto, as estrelas referentes aos estados brasileiros, trataremos em um outro artigo. Rafael Cândido Jr. é graduado e mestre em Engenharia Química (USP) e doutorando em Engenharia Aeroespacial. Integra o grupo de astronomia Arcturus 25 AstroNova . N.29 . 2021 Bandeira do território de Nunavut (Canadá).Bandeira da cidade de Durham, Carolina do Norte, EUA.Bandeira do estado do Alaska (EUA). Para saber mais: Flags of the Night Sky André G. Bordeleau - Springer
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Nebulosa da Lagoa Astrofotógrafo: Newton Cesar Florencio Agosto/2015 Londrina - PR Nebulosa da Lagoa Astrofotógrafo: Newton Cesar Florencio Agosto/2015 Londrina - PR
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Nebulosa de Eta Carina Astrofotógrafo: Carlos Aparecido Domingues Observatório Estrela do Sul Fevereiro/2021 Sarandi - PR Nebulosa de Eta Carina Astrofotógrafo: Carlos Aparecido Domingues Observatório Estrela do Sul Fevereiro/2021 Sarandi - PR
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/arcturusufabc /arcturusufabc ARCTURUS UF ABC Clube de Astronomia da UF ABC. Tem como objetivo reunir amantes da Astronomia dentro e fora da universidade por meio de divulgação científica e eventos de observação.
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29 Astrofotografia ASTROFOTOGRAFIA Adriane Casteleira [email protected] A astrofotografia é a prática de fotografar objetos do céu noturno e teve seu início em 1840, logo após o advento das primeiras câmeras fotográficas a partir de 1826, quando William Draper (1811-1882), químico e físico estadunidense, fez uma imagem de longa exposição da Lua usando um aparelho chamado Daguerreótipo. Com a evolução das tecnologias com o passar dos anos, hoje, a maioria das pessoas possui um aparelho celular com câmera digital, possibilitando a democratização de diversas modalidades de captura de imagens e vídeos, inclusive a astrofotografia. A astrofotografia, por sua vez, divide-se em três principais modalidades: céu profundo, planetária e grande campo. E cada uma delas exige do astrofotógrafo um tipo de conhecimento e equipamentos específicos. Apenas com o celular, a astrofotografia de grande campo é perfeitamente possível. Com técnicas simplificadas, permite fotografar o céu estrelado, o braço da Via-Láctea, a Lua e criar belas composições com o horizonte. (figura 1) O Básico Mesmo com o celular, é importante conhecer o básico sobre fotografia. COM CELULAR
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Figura 1: composição 30 AstroNova . N.29 . 2021 Apenas replicar as configurações não resulta em uma boa astrofotografia, pois fatores como características da câmera do aparelho, da luminosidade e do objeto fotografado influenciam completamente o resultado final. Com o celular no modo pró (manual), há três principais configurações que devem ser observadas: ISO, exposição e foco. (figura 2) 1. ISO: Na fotografia digital, é a sensibilidade do sensor à luz. Quanto maior o número do ISO, mais sensível o sensor de imagem se torna, possibilitando que menos luz seja necessária para expor a imagem. Porém, quanto maior o valor do ISO, maior a incidência de ruídos (aqueles chuviscos na imagem que nem sempre são desejados) que, para a astrofotografia, quando demasiados, podem até confundir com estrelas e estragar sua imagem. 2. Exposição: É o tempo que o obturador permanecerá aberto para a captura de toda luz que incide sobre o sensor de imagem da câmera do seu celular. Quanto maior o tempo de exposição, mais informação de luz. No entanto, com o movimento da terra, exagerar nessa exposição pode gerar rastros das estrelas. A não ser que você pretenda fazer esses rastros conhecidos como startrails, é importante encontrar o tempo ideal para uma boa captura sem deformar as estrelas. 3. Foco: quando mal configurado, pode Figura 2
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Figura 3 Figura 4 31 AstroNova . N.29 . 2021 transformar as estrelas em bolhas estranhas e não registrar os detalhes tão almejados em qualquer boa fotografia. Na prática Como cada aparelho possui sua característica própria, é imprescindível fazer testes com as configurações, principalmente de ISO e exposição, para encontrar a ideal para sua astrofotografia. É muito importante praticar e estudar bastante até alcançar o resultado esperado. Mas algumas dicas podem ajudar para que você dê seus primeiros passos no maravilhoso mundo da astrofotografia usando seu aparelho celular. 1. A maioria dos celulares e aplicativos, possuem a opção de “foco infinito” representado pela imagem: (figura 3). Caso essa opção não esteja disponível, use o modo “paisagem”. (figura 4). 2. Como espera-se que esteja bem escuro, o ISO pode ser acima de 800. Caso, mesmo com sua exposição no limite, suas fotos ainda estejam escuras, aumente o ISO até alcançar uma luminosidade satisfatória. Lembre-se: quanto maior o ISO, maior o ruído. 3. Tempo de exposição no seu display pode aparecer como de 1/6000 a 32s. Sendo 1/6000 para muito rápido e 32s para muito longo. A astrofotografia de grande campo, vale-se muito de longas exposições. No celular, esse valor pode variar conforme o aparelho, assim como ocorre com a câmera, dependendo da distância focal. Portanto, você deve experimentar exposições variadas para descobrir o melhor valor, que pode estar entre 5s e 20s. 4. Tratando-se de longa exposição, qualquer movimento pode estragar sua foto. Por isso faz-se imprescindível o uso de tripé ou qualquer artimanha para manter seu aparelho fixo durante a captura da foto. 5. Como anteriormente citado, qualquer tremidinha pode destruir seu trabalho e o simples apertar do botão do disparador pode chacoalhar o aparelho. Ativar a função timer (temporizador) reduz essa interferência. 6. Para realçar sua imagem, utilizar aplicativos para tratamento como o Adobe LighRoom ou o Snapseed para realizar um tratamento final. Adriane Casteleira é designer gráfica e astrofotógrafa amadora. Referências: História da Astrofotografia www.astrosurf.com/re Canal AstroSpace Via Láctea
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Pencil Nebula Astrofotógrafo: Bruno Bonicontro Fevereiro/2021 Maringá - PR Pencil Nebula Astrofotógrafo: Bruno Bonicontro Fevereiro/2021 Maringá - PR
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Bruna Mayato [email protected] Os meteoritos HED (Howarditos, Eucritos, Diogenitos) representam o maior grupo dentre os acondritos e são considerados os remanescentes das primeiras atividades magmáticas do Sistema Solar. São uma coleção de rochas ígneas ultramáficas e máficas de fragmentos gerados por impacto e que são derivados de um asteroide totalmente diferenciado, o asteroide Vesta. Eles incluem basaltos, gabros, noritos, ortopiroxenitos, harzburgitos e dunitos raros. Os eucritos (figura 1) são os mais comuns dos HED e são rochas de composição basáltica ou gabroica, provenientes da crosta de Vesta. Os eucritos possuem texturas magmáticas e composições químicas indicativas de derrame basáltico ou formação de intrusão. São constituídos por fragmentos de grão fino semelhantes aos basaltos e lavas terrestres, exceto pela cor cinza claro, devido à sua composição rica em cálcio. Este tipo de meteorito 33 Meteoritos HEDs CARACTERÍSTICAS E ORIGEM Meteoritos HEDs METEORÍTICA
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oferece a oportunidade de estudar a geração de basalto em um corpo planetário muito cedo na história do sistema solar, um período inclusive que basaltos da Terra e da Lua ainda não estavam disponíveis. Os diogenitos (figura 2) são cumulados de granulação grossa que tradicionalmente se acredita serem originários de uma camada plutônica profunda na crosta de Vesta. Desta forma, são como os ortopiroxenitos e harzburgitos terrestres. Geralmente estão associados ao magmatismo basáltico associado ao estágio inicial da fusão de asteroides em um corpo original diferenciado. Os howarditos (figura 3) são brechas de impacto contendo uma mistura de eucritos e diogenitos A origem da sua formação remonta a um ou mais impactos muito violentos que escavaram uma espessura significativa da crosta do asteroide, ejetando assim os materiais necessários à aglomeração das rochas eucríticas e diogeníticas. Os dados de observação telescópica terrestre e os retornados pela sonda Dawn, que orbitou Vesta em 2011, tornam convincente a hipótese de que o asteroide seja de fato o corpo parental dos meteoritos do clã HED, embora isso não seja universalmente aceito.Por décadas, Vesta foi considerado espectralmente o único candidato conhecido para o corpo parental da suíte HED. No entanto, algumas 34 AstroNova . N.29 . 2021 Figura 1: Eucrito Serra Pelada (Coleção de Meteoritos/Museu Nacional) Figura 3: Howardito NWA 1109 (Coleção de Meteoritos/Museu Nacional) Figura 2: Diogenito Johnstown (Daniel Ball/Arizona State University)
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35 pesquisas indicam a descoberta de um número limitado de outros asteroides do cinturão principal com características espectrais semelhantes aos dos eucritos. Isto agora permite a possibilidade de outras fontes para alguns HEDs. Tais asteroides são conhecidos como pertencentes à família Vesta e são chamados de Vestoides ou V-asteroides. Este nome foi inicialmente utilizado por para designar todos os asteroides da região próxima a Vesta e que possuem o mesmo espectro do tipo V. A origem desta família estaria ligada a um grande impacto entre Vesta e outro asteroide (Figura 4). Conforme relatado por McSween et al. (2011), a ligação dos Vestoides com Vesta é aparentemente irrefutável, pois eles residem firmemente nos mesmos planos de inclinação orbital e excentricidade que o próprio Vesta. No geral, são mais de 13.000 asteroides que estariam atribuídos como sendo dinamicamente ligados à Vesta. Assim, devido à probabilidade de amostras de Vesta alcançarem a Terra através da migração dessa abundância dos Vestoides, parece provável que Vesta realmente seja o corpo parental da maioria dos meteoritos HED. Bruna Mayato é graduada em Ciências Biológicas com especialização em Geologia do Quatenário. É mestranda em Geociências pelo Museu Nacional. Referências: Asphaug E. 1997. Impact origin of the Vesta family. Meteoritics and Planetary Science, 32(6), 965–980. McSween H.Y., Mittlefehldt D.W., Beck A. W., Mayne R. G., McCoy T.J. 2011. HED meteorites and Their Relationship to the Geology of Vesta and the Dawn Mission. Space Sci Rev, 163:141–174. AstroNova . N.29 . 2021 Figura 4 - Representação da colisão entre Vesta e outro possível asteroide. O asteróide Vesta
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www. RECURSOSdeFÍSICA .com.br Página que socializa produção de recursos de ensino adaptados à sala de aula e aos professores. Material produzido nas disciplinas do curso de Licenciatura em Física da UEM e em outros projetos coordenados pelo prof. Dr. Ricardo Francisco Pereira.
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Ricardo Francisco Pereira [email protected] Olhando para o céu em uma noite escura, podemos ver muitas estrelas. Só conseguimos observar a olho nú no máximo umas 5000 estrelas entre as mais de 200 bilhões de estrelas que habitam somente a nossa galáxia, a Via Láctea. Conforme observamos o céu com cuidado, vemos muitas coisas interessantes que nos deixam curiosos. Porque algumas estrelas são mais brilhantes que outras? Porque elas cintilam (piscam)? Porque tem cores diferentes? Esse texto tem o objetivo de apresentar as noções básicas sobre estrelas e um pouco de suas dimensões comparadas com o nosso Sol. Porque as estrelas cintilam (piscam)? A explicação é bem simples, o que faz as estrelas piscarem é a nossa atmosfera porque ela não é parada, ela é turbulenta e está em constante movimento, especialmente na parte mais densa e baixa da atmosfera. Essas turbulências causam pequenas distorções na fraca luz das estrelas e essas distorções são as “piscadas” que vemos. Se fosse possível excluir a atmosfera, veríamos as estrelas sem as cintilações e por causa dessa dificuldade com a atmosfera, vem a necessidade de mandarmos telescópios para o espaço, onde não há atmosfera para distorcer a luz das estrelas. No espaço, a qualidade das imagens produzidas é bem melhor e isso nos permitiu e ainda permite conhecer muito mais sobre as estrelas e o Universo como um todo. Agora você pode estar se perguntando: porque os planetas não piscam? E a resposta novamente e simples. Como os planetas estão muito mais perto de nós do que as estrelas, a luz do Sol que eles refletem até nós é intensa o suficiente para que as turbulências da atmosfera não causem CONHECENDO UM POUCO MAIS ASCONHECENDO UM POUCO MAIS AS ENSINO DE ASTRONOMIA ESTRELASESTRELAS 37
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distorções na luz que vemos deles, por isso a luz refletida pelos planetas não piscam. Magnitude das estrelas Quando olhamos as estrelas Sírius, da constelação de Cão Maior e Betelgeuse, da constelação de Órion, vemos que Sírius tem um brilho com intensidade maior que o brilho da estrelaBetelgeuse, mas será que essa luminosidade é real? Ao paramos par olhar o céu, parece que estamos no centro de uma semiesfera e que as estrelas estão fixas nela, ou seja, que todas as estrelas estão à mesma distância. Essa percepção vem desde a antiguidade e eles chamaram essa “semiesfera” de Abóbada Celeste. A partir disso, foi medida a intensidade do brilho das estrelas e criada uma listagem das estrelas mais brilhantes. Essa característica foi chamada de Magnitude. Apesar de parecer que as estrelas estão à mesma distância, na realidade elas não estão, Betelgeuse está quase 75 vezes mais longe da Terra do que Sírius. A percepção de que as estrelas estão à mesma distância é AstroNova . N.29 . 2021 Fotografia tirada em Londrina em 13/08/2015, com 25 segundos de exposição e ISO 3200.Autor: Ricardo Francisco Pereira. Plêiades. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Pliades 38 Telescópio Hubble - Fonte: https://www.terra.com.br/noticias/tecnologia/ canaltech/ telescopio-espacial-hubble-podera-se-chocar- contra-a-terra-em-algumas-decadas, 90d8ab2ca4d8cd005b8bb09cd292ad130rtn21w2.html
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13 somente uma aparência, assim, o brilho que vemos das estrelas também é uma aparência e não representa a luminosidade real emitida pelas estrelas. Na imagem acima, fica evidenciado a diferença de tamanho real entre elas. Sírius tem um diâmetro de quase 2.700.000 Km ou aproximadamente 1,9 diâmetro solar. Betelgeuse tem um diâmetro de 830.000.000 de Km ou aproximadamente 600 diâmetros solares. O Sol tem um diâmetro de 1.392.000 Km. Com uma diferença de tamanho tão grande, Betelgeuse emite uma luminosidade muito maior que Sírius. Devido essa diferença entre a luminosidade aparentee a real das estrelas, os astrônomos criaram 2 escalas de magnitude, uma chamada de Magnitude Aparente, que indica o brilho das estrelas como o vemos no céu e a outra chamada de Magnitude Absoluta, que indica o brilho real das estrelas, como se todas elas estivessem a uma distância fixa da Terra. Isso permite fazer uma comparação real da luminosidade emitida pelas estrelas sem a distorção causada pela distância. Como curiosidade, a distância usada como referência para indicar a magnitude absoluta de uma estrela é de 10 parsecs, que é equivalente a 32,6 anos-luz ou aproximadamente 306 trilhões de quilômetros. Nessas escalas, quanto menor(mais negativo) é o valor, maior é o brilho que vemos. Veja a imagem abaixo que compara as magnitudes aparente e absoluta de algumas estrelas. Para entender melhor a diferença de magnitude nas escalas, vamos ver as magnitudes do Sol. Como ele é a estrela mais próxima de nós e muito mais próxima do que qualquer outra estrela, sua magnitude aparente, a que medimos na Terra, é disparada a maior registrada, medindo -26,72, entretanto, na escala de magnitude absoluta, que mede o brilho real da estrela como se estivesse a mais de 300 trilhões de quilômetros de nós, ele tem valor de +4,8, que é um valor bem baixo porque o Sol é uma estrela anã e pouco brilhante. Como curiosidade, para efeito de comparação, nessa escala de magnitude Imagem obtida do simulador Stellarium, mostrando a magnitude aparente das estrelas, assim como as linhas e desenhos de suas respectivas constelações, vistos da superfície da Terra. AstroNova . N.29 . 2021 Imagem elaborada a partir do simulador Celestia com as estrelas Sírius (à direita) e Betelgeuse (à esquerda), como vistas da Terra, mas a partir do espaço, fora da atmosfera do planeta. 39
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aparente, os planetas Saturno têm magnitude de - 0,49, Júpiter de -2,94, Vênus de -4,89 e a Lua Cheia de - 12,92. Lembrando que os planetas e satélites naturais não emitem luz, eles só a refletem. O limite de magnitude aparente visível a olho núfica por volta de +6,0, entretanto, esse limite depende de muitos fatores, tais como: poluição luminosa do local e acuidade visual do observador. Temperatura Outra informação importante fornecida pela luz das estrelas é com relação a temperatura da fotosfera (parte visível da estrela), isso porque a cor da luz está relacionada com a temperatura. Esse tipo de informação é muito relevante em Astronomia porque nos permite classificar as estrelas em 7 tipos diferentes chamadas de Classe Espectral. Nessa classificação, as estrelas com as maiores temperaturas são azuis e as com menores temperaturas são vermelhas. Cada classe espectral possui características próprias que nos permitem entender como as estrelas evoluem durante a sua existência (esse é um assunto para outro texto). Tamanho das estrelas Em nosso dia a dia, estamos acostumados a tamanhos que vão de centímetros a alguns ou centenas de quilômetros, entretanto, as estrelas possuem tamanhos que vão desde o tamanho de um pequeno planeta, como a Terra, até tamanhos colossais quase inimagináveis. Acompanhe a sequência de AstroNova . N.29 . 2021 Imagem elaborada a partir do software Celestia mostra as estrelas Sírius (à direita) e Betelgeuse (à esquerda), como se estivessem à mesma distância de nós. Tabela de magnitudes Fonte: https://www.zenite.nu/grandezas-e-magnitudes Representação das classes e as respectivas relação da temperatura e a cor. 40 Estrelas no Universo. Fonte: www.misteriosdouniverso.net/2015/04/ quantas-estrelas-existem-no-universo.html
