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Acervo textual da Revista AstroNova

Edição 05 — páginas 21 a 40

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Assuntos identificados: espacial, skylab, terra, estação, sistema, origem, meteorito, espaço, época, missão.

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Alguns teólogos dessa época chegaram a pensar que esses fragmentos vindo de céu seriam pedaços que se soltaram da abóbada celeste, pois se acreditava que a abóbada era sólida, eis uma passagem da bíblia católica considerada pelos religiosos como uma verdade: JÓ [37:18] "Acaso podes, como Ele, estender o firmamento, que é sólido como um espelho fundido?" Como bem sabemos hoje, nenhuma nave tripulada deu de cara com uma grande barreira sólida no espaço, portanto não percamos a esperança de ver a ciência sobrepujar a mitologia. Já no século XVIII, em julho 22 AstroNova . N.05 . 2015 de 1766 um cientista chamado Domenico Troili, ouve uma história de uma estranha rocha que caiu na Vila de Albareto (o Meteorito recebeu este nome “Albareto”), na região de Modena, norte da Itália. Conta-se que todos da vila ficaram assustados ao ver tamanha explosão, nunca numa época daquela algo poderia produzir tamanho estrondo, ao cair a rocha abriu uma cratera. Ao partir para a vila começa a buscar testemunhos da queda até achar e analisar a amostra da estranha rocha, onde descobriu um Sulfeto de Ferro, que apesar de parecido com a Pirrotita, tinha uma série de características distintas, que o diferenciava de outros sulfetos de Ferro como a Pirrotita, Pirita, Marcasita, Calcopirita, Arsenopirita, entre outros. Apesar disso Troili ficou sem saber que mineral era, e apenas cerca de um século depois esse mineral desconhecido foi batizado de Troilita em sua homenagem. A descrição de Troiili, é sem dúvida uma descrição a respeito de uma queda e da qual foi bem registrada, neste caso haveria uma mudança na história meteorítica no que se refere a primeira descrição, que é atualmente atribuída a Ernst F. F. Chladni. Porém em sua época, por desconhecer as causas e origen da rocha estudada, acabou por concluir que poderia ser uma rocha originada de uma explosão subterrânea, que teria expelido a rocha muito alto e na volta os habitantes teriam visto o retorno dela, ainda se incendiando, isso explicaria a cratera e as marcas de crosta de fusão da amostra. Nesta época, o Bispo de Modena Itália, começou a defender a idéia que a rocha tinha sido formada pela queda de um raio e por isso estaria derretida, ambas as explicações mostram uma realidade do séc. XIX de que qualquer evento ligado a uma queda de meteorito teria que ter uma origen terrena ou no máximo atmosférica. Lavoisier, em 1769 discorre sobre os Fulguritos, minerais silicáticos formados pela ação de fusão por efeito de grandes descargas elétricas sobre o solo e rochas. Nesta mesma época a Academia de Ciências de París, ainda sobre o domínio do Clero, repudia as pesquisas acerca de “rochas caídas do céu”, chamando de “obtusos” os cientistas que acreditavam na origem cósmica dos Meteoritos. Conrad Gesner (1516-1563)

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23 Laplace (1749-1827), outro grande cientista da época, ajudou a construir as bases matemáticas da hipótese nebular e acredita que os meteoritos seriam ejectos dos vulcões lunares. Outro grande cientista que merece destaque é o naturalista alemão Peter Simon Pallas (1741-1811), que no ano de 1767 viajando a convite da Emperatriz Catarina II “A Grande”, tornou-se profesor da Academia de Ciencias de São Petesburgo. Entre 1769 e 1774, recorreu toda a Sibéria, Amur, Mar Cáspio, Montes Urais e Montanhas Altai até o lago Baikal, coletando amostras de plantas, animais, minerais, até que em 1772 ele se deparou com uma amostra nunca descrita antes, um grande siderólito descoberto nas margens do Yenisey, próximo a localidade de Krasnoyarsk. Esse siderólito de uns 700,0 kg de massa, ficou conhecido como Meteorito Krasnoyarsk (Krasnoyarskou em russo) ou Pallas. Os guias da expedição de Pallas eram tártaros e acreditavam que aquela rocha era uma relíquia sagrada e lhe contaram que ela havia caido do céu a muitos anos. Em 1773, o cientista francês Joseph Louis Proust (1754- 1826), que trabalhava em Alcázar de Segóvia Espanha, para o Real Academia do Exército, estudou um condrito de cerca de 4,0 kg que caiu em Sena, região de Huesca. Proust também teve a oportunidade de estudar alguns fragmentos do Siderito Campo del Cielo, descoberto na Argentina (já descrito acima), e descobriu Níquel em sua composição (lembre-se que a química nesta época era rudimentar e descobrir um elemento químico era sempre algo interessante). Surge a notícia em 1776 que os meteoritos da Coleção do Museu de Viena são retirados das vitrines com suspeita de terem origem duvidosa. Em 1777 três químicos, entre eles Lavoisier analisaram o meteorito Lucé, que caiu em 1768 próximo a um grupo de agricultores. A análise resulta em 55% de vidro, 6% de ferro metálico e 8,5% de enxofre. Lavoisier chega a conclusão que a amostra teria sido formada pela fusão de areia quartzosa juntamente com algumas piritas, assim teria explicado os silicatos, o ferro e o enxofre (a Pirita é um sulfeto de ferro FeS). Em 1790 o abade Stútz, do Museu de História Natural de Viena, estuda dois dos meteoritos retirados como duvidosos, sendo um deles um Siderito de cerca de 30 kg que caiu próximo a Agram na Croácia em 1751. Este meteorito de Agram foi visto por 7 pessoas que descreveram a queda como uma grande bola de fogo e que se dividiu durante a queda em 2 fazendo um grande estrondo. O segundo meteorito estudado por Stútz é um meteorito que teve sua queda observada em fevereiro de 1785 na localidade de Eichstädt, na Bavária após uma grande explosão. Esses relatos fizeram com que Stútz repensasse sobre a originalidade das amostras e se convenceu de que elas eram reais, pois as histórias eram muito semelhantes para serem simplesmente 'inventadas” por alguns aldeões. Porém as idéias da época sobre esse assunto eram principalmente as de Lavoisier e isso pesava sobre as idéias de Stútz, apesar dele acreditar que poderia haver outra hipótese a ser levantada. Em 1790 umas 300 pessoas afirmam ter visto uma fantástica chuva de meteoritos na região de Gascuña (localizada a norte AstroNova . N.05 . 2015

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24 de Espanha e sul da França em uma região que se extende do nortew dos Pirineus, enttre o Atlântico e o rio Garona). Em 1794, finalmente Ernst Florenz Friedrich Chladni (1756-1827), Físico Alemão, demonstra em seu livro “Über den Ursprung der von Pallas gefundenen und anderer ihr ähnlicher Eisenmassen und über einige damit in Verbindung stehende Naturerscheinungen”, cuja tradução seria “Sobre a Origem do Ferro de Pallas e Outros Similares, e Alguns Fenômenos Naturais Associados”, na qual propôs que os meteoritos tem suas origens no espaço exterior. Esta proposta foi muito controversa para a época e, com este livro, Chladni tornou-se também o fundador da pesquisa moderna dos meteoritos, pois foi o primeiro a escrever fundamentando que os Meteoritos são fragmentos de Planetas mortos ou material residual da formação de planetas. Mesmo tendo estudado sistematicamennte os meteoritos, Chladni percebeu que a ciência de sua época não estava aceitando bem suas teorias, por isso ele cita em seu livro muitos outros autores que concordavam com ele para com isso tentar não machar sua reputação como cientista. Em 1794, Chladni percebeu que pelos indícios os meteoritos teriam vindo de regiões além da atmosfera, pois precisariam estar muito alto para poder gerar velocidades extremamente elevadas a ponto de queimarem e explodirem ao tocar o solo. Ele listou todas as quedas que poderiam ser registros confiáveis de quedas meteoríticas para analizar as semelhanças entre elas. Com seu trabalho, Chladni divulgou a Meteorítica e com isso abriu uma brecha no puritanismo religioso da época que não aceitava a explicação da origen extraterrena. Já em 1803, suas idéias já estavam bem difundidas. A pesar disso, precisaram ainda mais meio século para que as bases reais da Meteorítica fossem aceitas como verdades, pois até meados de 1850 ainda se acreditava que a origen dos meteoritos era terrena, formados por eventos atmosféricos ou no máximo por atividades vulcânicas da lua. Em 13 de dezembro de 1795, em um dia claro e sem nuvens, uma multidão de moradores da vila de Wold Cottage - Inglaterra, presenciou a queda de um meteoro com cerca de 25 kg. Essa queda contrariava todos os indícios conhecidos na época como sendo “formadores desse tipo de rocha”, ou seja acreditava-se que essas rochas formavam- se por condensação de pó em nuvens, mas naquele dia não haviam nuvens. Após a noticia da queda ter se espalhado, um jovem Página inicial de “Über den Ursprung der von Pallas gefundenen und anderer ihr ähnlicher Eisenmassen und über einige damit in Verbindung stehende Naturerscheinungen”, de Florenz Friedrich Chladni. AstroNova . N.05 . 2015

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químico se interessou pela história e foi até o local, seu nome era Edward Howard. Ele analisou o fragmento do Meteorito “Yorkshire” posteriormente rebatizado de “Wold Cottage” e encontrou nele grãos de um metal composto por ferro e níquel, semelhante ao que ele havia lido no trabalho de Chladni. Em 1802 Howard publica seus resultados e conclusões alegando que o avistamento de Wold Cottage era de um Meteorito, seu relato porém ainda não covencera a maior parte da população Acadêmica. Após a descoberta o meteorito foi adquirido por um eminente Naturalista da época, James Sowerby (1757 - 1822), atualmente o fragmento do “Wold Cottage” que pertencia a Sowerby encontra-se no Museu de História Natural de Londres. Sowerby montou um Museu próximo a sua casa e uma de suas principais peças de exibição era o famoso meteorito “Wold Cottage”. Abaixo o monumento erigido por Edward Topham (1751- 1820), no local exato onde o meteorito foi encontrado. A familia Sowerby é bastante conhecida na Inglaterra e até mesmo fora dela, pois 14 de seus membros foram cientistas de renome entre 1780 a 1954, ficaram conhecidos como Naturalistas, Botânicos, Zoólogos, Malacologistas, Paleontólogos e Mineralogistas. Surge então em 1803 uma prova que convence finalmente os últimos céticos, nesse ano, no dia 26 de abril uma chuva de meteoros (estima-se em mais de 3.000 fragmentos) ilumina os céus de Orne na Normandia, França, a cerca de 140 km a Nortoeste de Paris e lança ao solo 25 AstroNova . N.05 . 2015 Retrato de James Sowerby pintado por Thomas Heaphy em 1816. Ao fundo o Meteorito “Wold Cottage” sobre a mesa. Ao lado a foto do monumento erigido por Edward Tophan em homenagem à descoberta do Meteorito “Wold Cottage”. Edward topham (National Portrait Gallery, London)

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26 fragmentos do “L'Aigle”, meteorito mais tarde classificado como um Condrito da Classe L. Devido à natureza grandiosa desse espetáculo natural, a Academia Francesa de Ciências se sentiu pressionada a estudar o evento, já que a noticia começa a se repercutir (nessa época já circulam os primeiros periódicos e folhetins, a informação passa a não ser mais privilégio dos nobres). Este meteorito foi estudado por Jean-Baptiste Biot (1774- 1862) a pedido do Ministro do Interior da França; Biot era um Físico francês, Membro da Academia Francesa de Ciências e nascido em Paris, na época com apenas 29 anos de idade. Biot foi pioneiro em muitos estudos de sua época, entre eles a polarização da luz e a rotação ótica. Na meteorítica Biot ajudou a demonstrar a origem cósmica do meteorito “L'Aigle”, ajudado por seu colega o Físico suíço Marc Pictet (1752-1825), eles levantaram testemunhos da população de Orne e com essas testemunhas elaborou o que seria o primeiro mapa com registro científico da queda de um meteorito em 17 de Julho de 1803. Para Biot, haviam três provas que poderiam ser usadas para explicar a origem não terrestre dessas rochas, a primeira seria que ao viajar até o local da queda e observar as rochas locais, ele não conseguiu identificar nenhum outro tipo de rocha local que se comparasse a aquelas caídas no evento; A segunda evidência seria que não existia no local nenhuma ferramenta ou artefato humano que pudesse reproduzir as características encontradas naquelas rochas, logo não poderiam ter sido produzidas artificialmente. A terceira evidência seria o grande número de testemunhas oculares que relataram o mesmo fato, mesmo morando em regiões diferentes, e sendo de diferentes classes sociais e profissionais, se fosse uma mentira teria que ser uma mentira muito bem contada!. Biot também reforçou na época a idéia de que os meteoritos seriam produtos ejetados de grandes erupções vulcânicas Lunares. Jean-Baptiste Biot (1774-1862) AstroNova . N.05 . 2015 Mapa da região do meteorito L'Aigle, de Biot, 1803. Ao lado fragmentos do metorito

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27 ASTRONÁUTICA Os percalços que levaram a Nasa a desistir de uma estação espacial própriaOs percalços que levaram a Nasa a desistir de uma estação espacial própria Programa Espacial SKYLABPrograma Espacial SKYLAB Rafael Cândido Jr. [email protected] Hoje em dia são comuns as notícias sobre a Estação Espacial Internacional, seja em relação a experimentos ou à troca de tripulação. O que pouco se sabe é que os EUA tentaram ter sua estação própria na década de 1970. Mas o programa apresentou tantos problemas que a Nasa optou por mudar totalmente seus projetos. A ORIGEM Com os avanços do Programa Apollo e as falhas do foguete N1, a URSS mudou totalmente seus planos. Assim a meta mudou para a construção de estações espaciais, nas quais cosmonautas pudessem realizar experimentos e manobras. Em 1971 foi lançado o Programa Salyut e com ele uma parte desenvolvida pelos militares, as estações espaciais Almaz. Com a perspectiva do fim do programa Apollo, os EUA definem como meta a construção de estações espaciais para rivalizar o Programa Salyut. Surge então o Projeto Skylab, ou seja, Laboratório Celeste; que se iniciaria como pesquisa científica para posterior criação de estações espaciais militares. O LANÇAMENTO E O INÍCIO DOS PROBLEMAS O lançamento ocorreu em 14 de maio de 1973 usando um foguete Saturn V modificado. A estação continha 5 partes: Telescópio solar multi- espectral (para observar em vários comprimentos de onda, do infravermelho ao ultravioleta extremo), Sistema de acoplagem múltipla (que permitia até duas cápsulas acopladas), Módulo selado (para possibilitar caminhadas no espaço), Unidade de instrumentação e a Unidade de trabalho orbital, também denominada oficina. Já no lançamento danos severos aconteceram. Vibrações não previstas causaram a perda do escudo de proteção de micrometeoritos e de um dos painéis solares. Os destroços desse escudo acabaram causando danos a outro painel solar que não conseguiu se abrir completamente. A solução foi realizar uma manobra

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orbital remota (a estação ainda não tinha tripulação) para que o painel que havia sobrado pudesse captar o máximo de energia possível. A estação permaneceu alguns dias vazia até a chegada da primeira tripulação. A tabela 1 apresenta as datas de lançamento, pouso e também os astronautas da missão. Todas as missões tripuladas usaram o foguete Saturn 1B, menos potente e de lançamento mais barato que o Saturn V. A classificação das missões foi muito confusa. As numerações Skylab I, II II e IV foram dadas posteriormente. Na época as missões II, III e IV tiveram em suas insígnias os números I, II e 3 (assim mesmo!). A Figura 1 mostra as insígnias (patches) de cada missão. Houve muita controvérsia na Nasa até que posteriormente consideraram que, como no vôo de lançamento houve manobra orbital remota, deveria ser considerada a missão I e toda a classificação foi alterada. É esta classificação que será 28 AstroNova . N.05 . 2015 Foguete Saturn V modificado lança estação SkyLab A 1ª SkyLab em órbita. Problemas no lançamento a deixaram com sérias limitações Missão Lançamento Pouso Tripulação Skylab I 14/05/1973 11/07/1979 Não tripulada Pete Conrad Skylab II 25/05/1973 22/06/1973 Joseph Kerwin Paul Weitz Alan Bean Skylab III 28/07/1973 25/09/1973 Owen Garriott Jack Lousma Gerald Carr Skylab IV 16/11/1973 08/02/1974 Edward Gibson William Pogue Tabela 1 Missões do Programa Espacial Skylab. A tripulação vem na ordem comandante, piloto e piloto cientista.

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utilizada daqui para frente neste artigo. Skylab II A principal tarefa desta missão foi tentar consertar a estação. Os danos causados na decolagem e o uso do painel solar restante para a máxima captação causou superaquecimento no interior da estação, na qual a temperatura ambiente chegava a absurdos 52°C, causando liberação de gases tóxicos, degradação de filmes plásticos e estragando toda a comida que foi levada a bordo. Assim a tripulação teve que trabalhar rápido para poder sobreviver. Com as falhas no acionamento do painel solar avariado, improvisou-se uma espécie de 'guarda-sol espacial' para substituir o revestimento que foi avariado. Isto foi suficiente para diminuir a temperatura interna à faixa de 22 a 25°C. Entretanto, o ar da estação teve que ser trocado pois continha gases tóxicos resultantes de degradação térmica. Assim, todo o ar foi trocado por nitrogênio e posteriormente e estação foi preenchida com ar atmosférico. No período de 28 dias da missão foram realizados reparos na estrutura, experimentos médicos e filmagens do Sol e da Terra, totalizando 392 horas de experimentos. Na época a missão bateu o recorde de permanência no espaço, sendo que o astronauta Peter Conrad bateu o recorde de maior tempo em órbita. Skylab III O primeiro problema foi um vazamento de propelente no propulsor do módulo de serviço, porém a tripulação conseguiu acoplar com segurança. Seis dias depois outro propulsor apresentou vazamento. Pela primeira vez foi posta de prontidão uma espaçonave do Programa Apollo para ser utilizada como missão de resgate. Mas o problema foi resolvido pela tripulação. Esta missão continuou com os estudos médicos de adaptação fisiológica e psicológica ao ambiente espacial. Um dos exames realizados foi a fotografia das faces dos astronautas para avaliar o inchaço Figura 1. Insígnias do Programa Skylab e das missões na época denominadas como SLM (SkyLab Mission) I, SLM II e SLM 3. 29 AstroNova . N.05 . 2015 SkyLab II SkyLab III

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30 causado pela redistribuição de fluido dentro do organismo. Foram também realizadas medidas de pressão sanguínea, volume das pernas, medidas do abdômen, avaliações de massa e densidade de urina e coleta de dados sobre a saúde dental. Foram realizados ainda experimentos biológicos envolvendo cultura de células pulmonares. Dois experimentos envolvendo animais foram levados: Cronobiologia de cobaias (Perognathus longimembris) e Ritmo circadiano de mosca-das-frutas (Drosophila melanogaster). Ambos experimentos foram malsucedidos devido a falhas na energia 30 horas após o lançamento, causando a morte de todos estes animais. Esta missão teve a participação de estudantes de várias escolas dos EUA (high school) que sugeriram experimentos de medidas de nêutrons, medição de raios-x de Júpiter, imunologia in- vitro e formação de teias de aranha em microgravidade. Skylab IV Esta missão iniciou-se com uma 'pegadinha'. A tripulação da missão anterior vestiu bonecos de teste com roupas da missão. Assim ao se aproximar da nave e ver as formas humanas na escotilha na estação, a tripulação da Skylab IV tomou um enorme susto e chegaram a pensar que a nave foi tomada pelos soviéticos. Logo depois, a tripulação escondeu do controle em Houston que o astronauta William Pogue estava muito mal, com uma intensa síndrome de adaptação do espaço. Este fato só foi descoberto pelo controle da missão ao ouvir as gravações das conversas a bordo. Outro problema foi o conflito entre o controle da missão e a tripulação por esta não conseguir cumprir o cronograma de tarefas. Houve até uma paralização de atividades, e a tripulação desligou as comunicações por um dia. Em videoconferência foi exigida modificações no inviável cronograma de tarefas. Este fato fez com que a NASA planejasse melhor as agendas de experimentos e manutenções das missões futuras. Foram feitas 75 mil imagens do Sol e da Terra e no dia 13 de dezembro foi registrada a AstroNova . N.05 . 2015 A esquerda, a estação SkyLab IV. No centro, o astronauta Edward Gibson no interior da estação. Na direita a cápsula Apollo acoplada. Figura 2. Passagem do cometa Kohoutek em cores falsas, fotografado em ultravioleta. Registro feito na missão Skylab IV.

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passagem do cometa Kohoutek através do telescópio da estação (Figura 2). Os astronautas desta missão eram todos 'calouros' em missões espaciais, ou seja, era a primeira viagem espacial do grupo. Há relatos de que ficaram tão estressados e traumatizados com a rotina no espaço que ao retornar à Terra toda a tripulação deu baixa antes da conclusão dos ônibus espaciais. FIM DO PROGRAMA Após o retorno da missão Skylab IV foi anunciado que dentro de 4 meses haveria o voo da missão Skylab V. A NASA chegou a anunciar o tempo de duração da missão, de 20 dias, e a tripulação: Vance Brand (comandante), Don Lind (piloto) e William B. Lenoir (piloto cientista). Brand e Lind foram escalados anteriormente para a missão de resgate da Skylab III. Entretanto, mesmo após os anúncios, a missão foi cancelada. Também foi pensado o lançamento de uma nova estação, denominada Skylab B, que seria como um recomeço das estações espaciais dos EUA. Entretanto, em 1974, foi decidido que esta nova estação não seria construída devido ao seu alto custo e assim optou-se pelo desenvolvimento dos ônibus espaciais. A última tripulação saiu do Skylab em fevereiro de 1974 e a estação ficou desabitada por 5 anos, 5 meses e 3 dias. Era esperado que a estação ficasse 10 anos em órbita, mas uma máxima de tempestades solares diminuiu este tempo consideravelmente. Foi pensado em acelerar o programa dos ônibus espaciais para que se pudesse colocar o Skylab em órbita mais alta. Porém devido aos custos, o projeto foi abandonado. Finalmente, em 11 de julho de 1979, a Skylab reentra na atmosfera e alguns detritos caem no território australiano e no Oceano Índico (Figura 3). Era o fim da tentativa de se ter uma estação espacial totalmente construída e operada pelos EUA. 31 Figura 3. Trajetória da reentrada da Estação Skylab. AstroNova . N.05 . 2015 DOS CARRÕES À SKYLAB Este fato é pouco conhecido, mas o projetista do interior da Skylab foi o designer franco-americano Raymond Loewy (Figura 4). E por qual razão ele merece ser citado? Loewy foi, sem dúvida, um dos maiores gênios inventivos do século 20 em design industrial. Além de ter projetado locomotivas aerodinâmicas, foi o responsável pelos projetos dos carros da Studebaker, design de eletrodomésticos, interior de aviões (Boeing e Concorde) e inúmeros logotipos para grandes empresas. Por seus excelentes trabalhos, a NASA o contratou para criar todo o ambiente da estação, incluindo aí a ergonomia das ferramentas. Na internet podemos encontrar várias criações dele, coisas que você nunca havia pensado. Figura 4. Raymond Loewy (1893 - 1986).

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32 CONSEQUÊNCIAS Com o fim do Skylab, a maior parte da verba da NASA foi aplicada ao desenvolvimento dos ônibus espaciais. Foi construída uma versão um pouco menor da oficina dentro de cada uma das naves. De todos os experimentos programados, apenas 40% foram realizados. Apesar de ter fornecido muitos dados importantes e ótimas observações, o Programa Skylab foi muito caro e mal planejado. Em valores de 2010, todo o projeto, desde a concepção até a realização custou US$ 10 bilhões. A manutenção das tripulações no total de 510 dias custou US$ 19,6 milhões por astronauta, valor muito alto quando comparado ao da Estação Espacial Internacional: US$ 7,5 milhões por astronauta. Houve uma tentativa de retomada de construção de uma estação espacial com os projetos da Freedom em 1988. Mas com os cortes de gastos feitos por governos republicanos (Reagan e Bush), houve um projeto de uma estação menor denominada Alpha. Baseando-se nos projetos da Alpha que o governo Clinton propôs em 1993 o Programa de uma Estação Espacial Internacional, que hoje opera com a cooperação de 16 nações. Bibliografia: Living and working in space: A history of Skylab - W. David Compton and Charles D. Benson NASA History Series - 1983. SpaceFacts: www.spacefacts.de Hora da refeição para astronautas da SkyLab II Retorno dos astronautas da SkyLab II na cápsula Apollo. Observação da Terra: SkyLab III Atividade extra-veicular: SkyLab III Foto do cometa Kohoutek: SkyLab IV Cotidiano a bordo da SkyLab IV AstroNova . N.05 . 2015

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33 Maico Zorzan [email protected] No imaginário popular é comum termos contato com naves alienígenas. Elas estão presentes em livros, nos filmes de Hollywood, em canções e nas estórias contadas de boca em boca. Essas naves nos deram acesso a criaturas amigáveis e com cara de joelho velho, como o ET do filme do Spielberg, ou criaturas malvadas com o objetivo de provocar o apocalipse da espécie humana, com as descritas no livro Guerra do Mundos de H.G Wells. O termo "disco voador" é conhecido por todos. Relatos de suas aparições pipocam por todos os lados, irrigam o imaginário das pessoas, atraem os olhares famintos dos jornais sensacionalistas, e fomentam lucro fácil para autores e supostos pesquisadores do assunto. Mas que parcela desse fenômeno podemos tomar como verdade? Não podemos negar que o fascínio pela possibilidade de existir vida fora do nosso planeta é grande. Basta perceber o imenso esforço da comunidade científica na busca de planetas em outros sistemas solares, e das inúmeras missões ao nosso vizinho Marte para estudo do planeta. Astrônomos e astrobiólogos dedicam suas vidas nesses estudos. Porém um incontável número de pessoas apostam suas fichas em uma pseudociência denominada de ufologia, que tem por premissa o estudo e a análise de UFOS (unidentified flying object), sigla em inglês para objeto voador não identificado. Em português, OVNI. Geralmente as pessoas confundem a Astrobiologia PSEUDOCIÊNCIASPSEUDOCIÊNCIAS Discos voadores NÃO DÃO CARONA! Discos voadores NÃO DÃO CARONA! Um "tripod", da ficção Guerra dos Mundos

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34 com a ufologia, sendo que a primeira é totalmente distinta da segunda. A Astrobiologia é o estudo interdisciplinar da origem, evolução e distribuição da Vida no universo, usando o método científico de pesquisa na busca de locais onde seria possível existir a vida como conhecemos na Terra. Já a ufologia se baseia no fenômeno da aparição OVNI para um hipotético estudo do mesmo. O termo OVNI em si não é incorreto. Deve ser aplicado a observação de qualquer objeto voador que no momento não tenhamos como identificar. Mesmo um pedaço de jornal levado a grandes altitudes por correntes de ar, quando não identificado, pode receber a sigla OVNI. Acontece que uma grande parcelas dos adeptos da ufologia, ao presenciar a passagem de uma simples página de jornal sobre suas cabeças, incorrem ao erro de ao invés de admitir que não sabem do que se trata, assumirem uma explicação fantasiosa para o ocorrido. Não é raro se deparar com a alegação de que se o objeto não emitia som, não andava em linha reta, e não era passível de identificação visual no momento, de que ele não deveria ser um objeto proveniente, ou controlado por humanos, e logo deveria ser um objeto alienígena. A interpretação errônea não ocorre quando não conseguimos identificar um objeto no céu, o que é plausível. O erro ocorre quando se parte da crença que esse objeto que não é identificado seja automaticamente atribuído com origem de uma tecnologia extraterrestre. O termo inglês UFO, como vimos, foi criado para ser utilizado por quaisquer objetos ainda não identificados. Surgiu durante os anos mais tensos da Guerra Fria (tensão política e militar entre os EUA e a União Soviética). Eram anos onde a espionagem e o medo de uma guerra nuclear ocupavam um bom espaço na vida das pessoas. Aeronaves clandestinas usadas para espionagem, e até mísseis recebiam a alcunha de OVNI. Basicamente todo objeto que fosse detectado pelos radares, e que não se poderia afirmar até o momento que natureza tinha, era denominado assim até a identificação. A ufologia como conhecemos nasceu em 1947 com a precipitação de alguns membros da força aérea dos Estados Unidos em anunciar que tinham recuperado pedaços de um disco voador. Iniciava-se aí a era moderna das visualizações de OVNIS. Desde então, de tempos em tempos essas estórias são repaginadas para os dias atuais e surgem na imprensa. Em 24 de Junho de 1947, Kenneth Arnold viu 9 objetos sobre o Monte Rainier, no estado de Washington no Estados Unidos. Ele os descreveu como sendo grandes asas voadoras (provavelmente eram pássaros migrando). O repórter que o entrevistou acabou trocando "asas" por "discos". O que a grande maioria da população da época acreditava serem discos voadores eram aviões secretos, tanto americanos em teste, ou até mesmo Já na década de 1950, discos voadores alienígenas fazem parte da "cultura pop". AstroNova . N.05 . 2015

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35 russos espionando os céu da região. Porém desde então surgiram milhares de relatos e testemunhos da observação desses “discos” pelo mundo. Sempre influenciados por um erro de reportagem. A força aérea dos Estados Unidos, sabendo da possibilidade de existir espionagem soviética utilizando aviões, decidiu oferecer uma recompensa a quem apresentasse provas concretas da existência de OVNIS. O objetivo dessa medida era simplesmente ter mais olhos prestando atenção no céu, na tentativa de descobrir aviões espiões secretos sobrevoando o espaço aéreo do país. Foi em busca dessa recompensa que um morador de Roswell resolveu comunicar aos militares que um balão meteorológico havia caído próximo a sua residência. Acostumado a encontrar restos de balões meteorológicos, não lhes AstroNova . N.05 . 2015 deu importância de início, só vindo a recolher o material alguns dias depois, juntamente com a sua mulher e seu filho. Nesse mesmo dia ele contou a sua versão aos vizinhos, que o informaram que alguns jornais ofereciam até US$3.000 por uma prova dos chamados “discos voadores”. O assunto estava causando furor na imprensa devido às declarações de Kenneth Arnold feitas um mês antes. Eis então que os famosos discos voadores se tornam famosos pelo mundo, tendo milhares de supostas aparições nos dias seguintes ao episódio. O ocorrido em Roswell acabou esquecido até 1978, quando voltou à tona com uma explosão de sensacionalismo. Stanton Friedman e Jesse Marcel afirmavam que nunca tinham visto nada parecido com o material encontrado em Roswell, que acreditavam ser tecnologia extraterrestre. Assim, o assunto Roswell voltou às manchetes e Marcel tornou- se uma celebridade no mundo da ufologia. Uma conclusão totalmente baseada em crenças pessoais e não nas evidências do que realmente aconteceu em 1947. Posterior e esses acontecimentos até aos dias atuais, as pessoas que alegam ter visto tais objetos em forma de disco, provavelmente tenham sido influenciadas pela literatura, TV ou outro meio de comunicação social, tendo em vista que os discos voadores surgiram de um erro de interpretação de um jornalista, dando origem ao termo. Se analisarmos as supostas aparições de naves alienígenas com olhar mais técnico, começamos a perceber algumas falhas que revelam o engodo da ufologia. O primeiro ponto que não é Um "UFO" triangular fotografado em 1966, nos EUA. Bombardeiro B-2, da Força Aérea Americana da mesma época.

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36 explicado pela ufologia é como os supostos alienígenas chegam aqui. Sendo que uma nave espacial, cujos motores funcionassem a hidrogênio, só para ser acelerada à metade da velocidade da luz, teria que ter mais de 80 vezes a sua massa em combustível, conforme vemos em artigos publicados pelo Observatório Astronômico Frei Rosário, do Departamento de Física da UFMG. Porém, se questionado, um ufólogo dará a resposta de que não podemos comparar a tecnologia avançada dos alienígenas com a nossa tecnologia. Mas despreza o fato de que as leis da física não se restringem ao desenvolvimento técnico. Além do mais, mesmo para uma tecnologia tão avançada, vir até aqui somente para observar como vivemos não seria um Big Brother com um custo/benefício muito bom. Um outro ponto dado pelos ufólogos como prova da veracidade dos estudos ufológicos são os relatos de abdução. O ufólogo Budd Hopkins, afirma que 2% da população mundial já tenha sido abduzida (sequestrada por alienígenas). Um simples cálculo de proporção baseado na população atual, resulta em aproximadamente 140 milhões de sequestros e abduções, um número quase 54 mil vezes maior que o número de sequestros ocorridos na Colômbia em 10 anos. Com um número desses de abduções, deveria ser comum conhecermos, ou termos pessoas próximas que tenham conhecido algum desses abduzidos. Mas se sair em sua vizinhança perguntando, provavelmente não obterá um “sim” como resposta frequente. Até mesmo as imagens de supostos OVNIS estão diminuindo com o avanço da tecnologia. As que ainda pipocam pela internet não passam de montagens, brincadeiras, defeitos do sensor, reflexos ou sujeira na lente. Com a fotografia digital e a popularização dos vídeos em alta definição, temos uma diminuição das imagens borradas, que dificultavam a identificação do que era visto. Entre astrônomos amadores existe hoje uma piada que diz que, para ser um bom ufólogo basta adquirir uma câmera de baixa resolução, dessas que tem 35 funções e descascam batatas. Basicamente a ufologia atual sobrevive com testemunhos e relatos de pessoas que dizem ter visto ou tido contato com esses objetos ou seres. É o que chamamos de testemunho ocular, que é uma dos piores formas de evidências que se pode ter. Depender do testemunho seu ou de outros, é depender de relatos observados por um ponto de vista particular, Esquerda, foto atribuída a Montana, EUA, em 1977. Ao lado, fotografia relatada de Ontario, Canada, em 2007. Sobram imagens suspeitas ou de baixa qualidade, faltam evidências materiais. AstroNova . N.05 . 2015

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Erich von Däniken: um livro de ficção, uma fraude e um guia da ufologia Erich von Däniken, escritor, pseudohistoriador, pseudo- arqueólogo, fraudador do sistema financeiro, falsificador condenado por peculato, é tido por muitos ufólogos como um importante teorizador da influência de alienígenas na história de povos antigos. Seu livro “Eram os deuses astronauta”, uma estória digna de filmes do Indiana Jones, foi um best-seller nos anos 1970. Desmentido por seu guia, pouco tempo depois da publicação do livro, e até admitido pelo próprio autor em documentário da BBC, sua obra ainda presta um imenso desserviço a divulgação científica, e serve como livro de cabeceira de quem gosta de conspiracionismos. 37 suscetível a falhas, a imaginação, ilusão de ótica, pareidolia, fé e, eventualmente, interesses escusos dessas pessoas. Um fato importante que devemos considerar sobre a observação visual de OVNIS é a quantidade de astrônomos amadores que observam o céu todas as noites, em praticamente todo o planeta, por anos, nunca visualizam OVNIS pelo simples fato de conhecerem o céu e sempre procurarem saber o que estão vendo. O fato de nunca ter existido uma única prova concreta sobre a relação entre os OVNIS e naves extraterrestres leva a entender o quanto a ufologia é equivocada em suas premissas. Toda a ufologia se sustenta somente em relatos não objetivos e imagens inconclusivas sem provas materiais. O fato que hoje muitos carregarem consigo um celular munido de câmera, toda essa tecnologia só serviu para aumentar a quantidade de "flagras" de imagens falsas. A melhor resolução dos equipamentos atuais facilitou a identificação de fenômenos naturais associados ao evento. A ufologia é hoje uma das pseudociências mais difundidas, e aceita por muita gente sem nenhum questionamento pelo simples fato de aguçar a imaginação, uma vez que ela não precisa muito grande para alguém pensar que viu um OVNI. Basta um ponto luminoso não identificado, ou uma simples mancha no céu, para se sentir autorizada a falar para todos os amigos que teve um “contato imediato”. Se somarmos algumas teorias da conspiração nessa receita, temos combustível para livros, documentários, programas de TV sensacionalistas, revistas “especializadas” sobre o assunto e blogs. Sejam os adeptos da ideia dos astronautas antigos, ou aqueles que morrem de medo de cometas por achar que eles trazem naves perigosas, todos estão propagando suas crenças pessoais em uma espécie alienígena superior que está nos observando, somente para um “prazer voyeur”. Não existe um objetivo prático em acreditar que somos visitados por seres de inteligência tão superior, que mesmo sendo capazes de viajar por anos-luz para chegar em nosso planeta, podem se camuflar, mas ainda são capazes de esquecer o farol aceso para que sejam vistos por pessoas que estejam a beira da estrada. É uma ingenuidade imensa achar que uma espécie superior se deslocará até aqui algum dia apenas para observar. Basta uma simples repassada pela história da humanidade para ver que isso é utopia. Afinal, ainda somos o único planeta habitado conhecido, e nossa espécie foi capaz de aprender a empilhar pedras sozinha. Referências: www.roswellgov.com astro.if.ufrgs.br/vida/index.htm www.observatorio.ufmg.br/pas09.htm www.cienciahoje.pt/index.php?oid=26629 astro.if.ufrgs.br/vida/index.htm AstroNova . N.05 . 2015

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Nebulosas Horsehead (IC434) e Flame (NGC 2024) 29/01/2014 Londrina - PR Newton C. Florencio

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40 Wilson Guerra [email protected] Atualmente apenas duas naves são capazes de levar humanos ao espaço: a Soyuz, da Roscosmos (Agência Espacial da Rússia) e a Shenzhou, da CNSA (Agência Espacial da China). A Soyuz é, por enquanto, o único meio de transporte para levar pessoas à Estação Espacial Internacional. Herdeira de sucesso do programa espacial soviético, tem capacidade para apenas 3 cosmonautas. Pequena, é um "fusca espacial" que economiza muito em peso. A Shenzhou é bastante parecida, pois deriva do projeto básico da Soyuz, adaptada às necessidades do programa espacial chinês. Ambas são cápsulas descartáveis, ou seja, só servem para uma viagem de ida e volta. São produzidas em série e devido ao seu projeto otimizado, mostraram-se o tipo de espaçonave tripulada de menor custo. A partir da década de 2000 agências espaciais de vários países têm anunciado o desenvolvimento de novas espaçonaves tripuladas. Algumas empresas da iniciativa privada também. Todas elas deverão, se tudo correr bem, estar totalmente operacionais até a próxima década. ÓRION, da Nasa A cápsula Órion é produto do projeto Contellation. Inicialmente concebido para o retorno à Lua, o projeto foi abandonado pela Nasa devido aos cortes de verba imposto pelo governo dos Estados Unidos. O retorno à Lua está por enquanto cancelado, mas a construção da espaçonave não. Projetada para cumprir múltiplas funções, a Órion poderia ser usada para missões em torno da Terra, incluindo o transporte da tripulação da Estação Espacial Internacional. Também estaria habilitada para missões em espaço mais profundo, incluindo viagens tripuladas na recuperação de asteroides, eventualmente a ASTRONÁUTICAASTRONÁUTICA SÉCULO 21SÉCULO 21 ESPAÇONAVES TRIPULADAS DO ESPAÇONAVES TRIPULADAS DO ÓRION

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uma nova tentativa de regressar à Lua, ir ao planeta Vênus e a Marte. Seu design lembra a cápsula Apollo, que chegou à Lua em 1969. Mas é bem maior. Tem altura de 3,3m e diâmetro de 5m. Sua massa é de 8.900kg. Poderá levar até 6 astronautas para missões na Estação Espacial Internacional, e até 4 para missões além da órbita da Terra. A eletricidade para operar virá de baterias internas e de painéis solares. Como sua antecessora lunar, pousará no mar com sistema de pára-quedas, onde equipe de resgate ficará à postos. No fim de 2014 a Nasa realizou com sucesso um teste não tripulado com a Órion. A cápsula seguiu uma trajetória elíptica de apogeu Órion acoplada ao módulo de serviço e painéis solares.Lançamento experimental da Órion pelo foguete Delta V. (altura máxima) de 5.800km. Completou duas órbitas e retornou no oceano pacífico. O lançamento foi feito no foguete Delta 5, mas quando estiver pronta a Órion contará com um lançador próprio, o SLS (Space Launch System). Atualmente esses poderosos foguetes de propulsão estão em fase de construção. A Órion dará autonomia de transporte aos astronautas da Nasa, que hoje "aluga" viagens da Roscosmos nas naves russas Soyuz. Além disso, pode significar uma nova fase na exploração humana do espaço. A Nasa pretende tornar a Órion totalmente operacional em 2021. SLS - Space Launch System Acomodação da cápsula Órion e do Módulo de serviço no topo do SLS Cápsula Órion 41 AstroNova . N.05 . 2015

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Cápsula CARE, da Índia A Agência Espacial da Índia (ISRO) tem desenvolvido seu próprio veículo espacial, o CARE (Crew Atmosferic Reentry Experiment). Trata- se de uma cápsula descartável cujo protótipo lembra muito o módulo de retorno da cápsula russa Soyuz. Tem cerca de 3.700kg e poderá transportar até três astronautas. No final de 2014 o CARE realizou um vôo suborbital de testes. Para tanto foi usado um novo foguete chamado GSLV Mark 3, um potente lançador também de fabricação da ISRO. O teste bem sucedido foi concluído com o pouso da cápsula no mar. A descida se deu por um sistema de pára-quedas. Tratou-se de um vôo suborbital, quando a nave não chega a completar uma volta na Terra. O apogeu foi de 126km. Todo o processo durou 19 minutos. O objetivo era testar o sistema de reentrada da cápsula. Tudo funcionou corretamente. O programa espacial indiano tem realizado progressos notáveis e sucessivos nos últimos anos. Já fazem lançamentos de satélite comerciais regularmente e em 2014 uma sonda lançada no ano anterior alcançou Marte. Esta missão a Marte teve um custo dez vezes menor que a equivalente MAVEN, dos EUA. Quando estiver pronta, a cápsula espacial tripulada da Índia será lançada ao espaço pelo foguete LVM3-X, hoje em desenvolvimento. Cápsula CARE sendo colocada no compartimento de carga do foguete GSVL Mark 3 CARE em órbita: concepção artística Recuperação da cápsula no mar Lançador GSVL Mark 3Cápsula com módulo de serviçoLVM3-X 42 AstroNova . N.05 . 2015

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