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Acervo textual da Revista AstroNova

Edição 07 — páginas 1 a 20

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Assuntos identificados: astronomia, saturno, anéis, sistema, terra, foguete, velocidade, nomenclatura, caminho, espacial.

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Entrevista Luis Felipe Longo Micchi, o estudante que descobriu uma supernova Entrevista Luis Felipe Longo Micchi, o estudante que descobriu uma supernova Ano 02 - Nº 07 - Agosto/2015 REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS CONHECENDO A ASTROBIOLOGIA ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS Relevos Planetários Critérios para uma nomenclatura extraterrestre Relevos Planetários Critérios para uma nomenclatura extraterrestre Tour pelo Sistema Solar Saturno, o senhor dos anéis Tour pelo Sistema Solar Saturno, o senhor dos anéis CONHECENDO A ASTROBIOLOGIA ASTRONOMIA INDÍGENA: PEABIRU NOSSO COSMOS! Astronáutica Introdução à Tecnologia Espacial Astronáutica Introdução à Tecnologia Espacial Relevos Planetários Critérios para uma nomenclatura extraterrestre Relevos Planetários Critérios para uma nomenclatura extraterrestre Tour pelo Sistema Solar Saturno, o senhor dos anéis Tour pelo Sistema Solar Saturno, o senhor dos anéis Astronáutica Introdução à Tecnologia Espacial Astronáutica Introdução à Tecnologia Espacial Entrevista Luis Felipe Longo Micchi, o estudante que descobriu uma supernova Entrevista Luis Felipe Longo Micchi, o estudante que descobriu uma supernova ASTRONOMIA INDÍGENA: PEABIRU NOSSO COSMOS!

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A revista AstroNova deste trimestre é lançada em meio a notícias negativas e positivas no universo da Astronomia. Negativas para a tecnologia espacial, que contabilizou falhas em um cargueiro Progress mês retrasado, e em julho com a explosão completa de um foguete Falcon9. A falha da menina dos olhos da empresa SpaceX ocorreu a quase 45km de altura e praticamente pulverizou o foguete, que levava uma cáspula Dragon com mantimentos e equipamentos para a ISS. As notícias (muito) positivas reportam-se à Missão New Horizons, da Nasa, que fotografou com sucesso nunca visto antes o mais famoso planeta anão do Sistema Solar, Plutão, e seu sistema de satélites naturais. Fraturas, manchas, abismos e montanhas foram vistos na variada geologia de Plutão e sua lua Caronte. Os dados que ainda estão sendo enviados pela sonda New Horizons deverá enriquecer as Ciências Planetárias nos próximos anos. A sonda Philae, da ESA, começou a enviar fotos in loco da superfície do cometa Churyumov-Gerasimeko, façanha tecnológica nunca realizada antes. Em meio a toda essa efervescência, esta edição traz um artigo introdutório sobre Tecnologia Espacial e outro acerca de como se faz a nomenclatura de relevos de planetas e luas do Sistema Solar. Nosso amigo Bruno Dias, coordenador do Nupesc, nos introduz à Astrobiologia, enquando Maico Zorzan trata das maravilhas do Cosmos. Maico também traz uma importante contribuição ao nosso conhecimento da astronomia indígena que está presente nos Caminhos do Peabiru. Como de costume iniciamos mais esta edição com o Tour pelo Sistema Solar, desta vez com o senhor do anéis, Saturno. Sem nos esquecermos do resumo das atividades da ISS e dos lançamentos espaciais deste trimestre. Boa leitura! Wilson Guerra/GCAA AstroNova . N.07 . 2015 Editores: Maico A. Zorzan maicozorzan@outlook.com Wilson Guerra wilsonguerra@gmail.com Redatores: Bruno L. Dias bruno.nupesc@gmail.com Maico A. Zorzan maicozorzan@outlook.com Rafael Junior eletrorafa@gmail.com Wilson Guerra wilsonguerra@gmail.com Revisão: Wilson Guerra wilsonguerra@gmail.com Arte e Diagramação: Wilson Guerra wilsonguerra@gmail.com Astrofotos: Adriano Facciole Alan Régis André Bertogna Augusto César Simon Ribeiro EXPEDIENTE EDITORIAL Wilson Guerra GCAA - Maringá/PR Wilson Guerra GCAA Capa Aglomerado estelar Westerlund 2: apod.nasa.gov/apod/ap150425.html

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SUMÁRIO Tour pelo Sistema Solar SATURNO, o senhor dos anéis 06 11 17 21 O meu, o seu, o nosso COSMOS Entrevista Luis Felipe Longo Micchi O que é a ASTROBIOLOGIA 25 Tecnologia Espacial Uma introdução Ano 2 | Edição nº 07 | 2015 33 Ciências Planetárias Nomeando relevos extraterrestres 39 Astronomia Indígena Os caminhos do Peabiru

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CHINACHINA Foguete: LONGA MARCHA 6 (CNSA) Carga: satélites de estudantes e de universidades da China Lançamento: Centro de Taiyuan Data prevista: setembro/2015Foguete: LONGA MARCHA 3B (CNSA) Carga: Beidou, satélite para sistema de posicionamento global Lançamento: Centro de Xichang Data prevista: agosto/2015 Principais Lançamentos do TrimestrePrincipais Lançamentos do Trimestre ASTRONÁUTICA Foguete: Soyuz (Roscosmos) Carga: Galileo 9 & 10, satélites europeus/posicionamento global Local: Espaçoporto de Kourou Data: 10/09/2015 RÚSSIARÚSSIA ÍNDIAÍNDIA EUROPA/ GUIANA FRANCESA EUROPA/ GUIANA FRANCESA Foguete: ATLAS 5 (Nasa) Carga: Morelos 3, satélite de comunicação do México Local: Base do Cabo Canaveral Data: 22/09/2015 Foguete: FALCON 9 (SpaceX) Carga: SES 9, satélite de comunicação Local: Base do Cabo Canaveral Data: agosto/2015 ESTADOS UNIDOS ESTADOS UNIDOS Foguete: SOYUZ FG (Roscosmos) Carga: Soyuz TMA-17M (Expedição ISS/44S) Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 02/09/2015 Foguete: PSLS (ISRO) Carga: Astrosat, satélite de pesquisas em astrofísica Local: Base de Sriharikota Data: outubro/2015 Foguete: DNEPR (Roscosmos) Carga: Iridium NEXT 1 & 2, satélites para comunicação móvel Local: Cosmódromo de Dombarovsky Data: outubro/2015 Foguete: VEGA (ESA) Carga: LISA Pathfinder, satélite p/ detecção de ondas gravitacionais Local: Espaçoporto de Kourou Data: 02/10/2015 Foguete: H-2B (Jaxa) Carga: cargueiro HTV leva suprimentos para a ISS Lançamento: Centro Espacial de Tanegashima Data prevista: 16/08/2015 JAPÃOJAPÃO Foguete: PSLS (ISRO) Carga: IRNSS 1E, satélite de navegação regional Local: Base de Sriharikota Data: setembro/2015

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Estação Espacial Internacional (ISS)Estação Espacial Internacional (ISS) ASTRONÁUTICA Membros da expedição 44, Scott Kelly, Gennady Padalka e Mikhail Kornienko celebram os 40 anos da Apollo-Soyuz, a primeira missão conjunta da história da humanidade Membros da expedição 44, Scott Kelly, Gennady Padalka e Mikhail Kornienko celebram os 40 anos da Apollo-Soyuz, a primeira missão conjunta da história da humanidade Astronautas da Nasa Scott Kelly (esquerda) e Terry Virts trabalham no Dispositivo Removedor de Dióxido de Carbono (CDRA) Astronautas da Nasa Scott Kelly (esquerda) e Terry Virts trabalham no Dispositivo Removedor de Dióxido de Carbono (CDRA) Principais atividades do período (maio a agosto/2015)Principais atividades do período (maio a agosto/2015) Próxima Expedição - Soyuz TMA-18M (02/09)Próxima Expedição - Soyuz TMA-18M (02/09)Tripulação atual - Expedição 44Tripulação atual - Expedição 44 Vários minissatélites da série Cubesat foram lançados a partir do módulo japonês Kibo. Vários minissatélites da série Cubesat foram lançados a partir do módulo japonês Kibo. Astronauta Scott Kelly realiza experimentos biomédicos a bordo do laboratório japonês Kibo. Ele e o cosmonauta Mikhail Kornienko estudam os efeitos da microgravidade no corpo humano. Astronauta Scott Kelly realiza experimentos biomédicos a bordo do laboratório japonês Kibo. Ele e o cosmonauta Mikhail Kornienko estudam os efeitos da microgravidade no corpo humano.

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SATURNO O senhor dos anéis Da Nasa Saturno, pai de Júpiter e deus da agricultura na mitologia romana, é o mais distante dos cinco planetas conhecidos pelos antigos observadores dos astros. Em 1610, o italiano Galileu Galilei foi o primeiro astrônomo a observar Saturno através de um telescópio. Para sua surpresa, ele viu um par de objetos em cada lado do planeta, que ele desenhou posteriormente como "alças de xícara" ligadas ao planeta em cada lado. Em 1659, os astrônomo holandês Christiaan Huygens anunciou que aquilo era um anel envolvendo o planeta. Em 1675, o astrônomo Jean Dominique Cassini, nascido na Itália, descobriu o intervalo entre o que agora 0506 são chamados anéis A e B. Como Júpiter, Urano e Netuno, Saturno é um gigante gasoso. Ele é composto principalmente de hidrogênio e hélio. Seu volume é 755 maior do que o da Terra. Os ventos na atmosfera superior atingem 500 metros por segundo na região equatorial. (Em comparação, os ventos mais fortes com força de furacão na Terra atingem, no máximo, cerca de 110 metros por segundo.) Esses ventos super rápidos, combinados com o calor que ascende de dentro do interior do planeta, provocam as faixas amarelas e douradas visíveis na sua atmosfera. O sistema de anéis de Saturno é o mais extenso e complexo do nosso sistema solar: ele se estende a centenas de milhares de quilômetros do planeta. Na verdade, Saturno e seus anéis se encaixariam na distância entre a Terra e a Lua. No início dos anos 80, as duas espaçonaves Voyager da Nasa revelaram que os anéis de Saturno são compostos em grande parte por gelo de água, e descobriram anéis "trançados", anéis pequenos e "spokes" - elementos escuros nos anéis que parecem circundar o planeta em uma velocidade diferente do que a do material do anel à sua volta.Algumas das pequenas luas também orbitam dentro do sistema de anel. O material nos anéis varia em tamanho de uns poucos Um Tour pelo Sistema Solar SISTEMA SOLAR

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micrômetros até várias dezenas de metros. Saturno tem 31 satélites naturais (luas) conhecidos. A principal, Titã, é um pouco maior do que o planeta Mercúrio. Titã é envolta em uma atmosfera espessa rica em nitrogênio, que pode ser semelhante à da Terra no passado. Maiores estudos dessa lua prometem revelar muito sobre a formação planetária e, talvez, sobre os primórdios da Terra. Além de Titã, Saturno tem muitos satélites gelados menores. De Encélado, que exibe evidência de mudanças na superfície, a Iapetus, com um hemisfério mais escuro que asfalto e outro tão brilhante quanto a neve, cada um dos satélites de Saturno é único. O planeta, os anéis e muitos dos satélites se encontram totalmente dentro da · Distância do Sol: 1.426.725.400 km 4 · Raio equatorial: 6,0268 x 10 km 14 3 · Volume: 8,2713 x 10 km 26 · Massa: 5,6851 x 10 kg 10 2 · Área: 4,3466 x 10 km 2 · Gravidade: 7,207 m/s · Temperatura: -178°C · Atmosfera:Hidrogênio (97%) e hélio (3%) SATURNO: dados mais relevantes enorme magnetosfera de Saturno, a região no espaço na qual o comportamento de partículas carregadas eletricamente é influenciado mais pelo campo magnético de Saturno do que pelo vento solar. Imagens recentes do Telescópio Espacial Hubble da Nasa mostram que as regiões polares de Saturno apresentam auroras semelhantes às Luzes do Norte e do Sul da Terra. As auroras ocorrem quando partículas carregadas mergulham em espiral na atmosfera do planeta acompanhando as linhas dos campos magnéticos. O próximo capítulo do nosso aprendizado sobre Saturno já está em andamento, com o início da jornada da espaçonave Cassini/Huygens a Saturno em outubro de 1997. Ela chegou à órbita de Saturno em 2004. A sonda Huygens desceu na atmosfera de Titã no final de 2004 e coletou dados sobre a atmosfera e a superfície desta lua. A sonda Cassini orbitou Saturno mais de 70 vezes durante um estudo de quatro anos do planeta, suas luas, anéis e magnetosfera. A Cassini/Huygens é uma missão conjunta da Nasa e da ESA, a Agência Espacial Européia. Os anéis de Saturno têm confundido os astrônomos desde que Galileu Galilei os descobriu com seu telescópio em 1610. Estudos detalhados das espaçonaves Voyager 1 e 2 nos anos 80 apenas aumentaram o mistério. OS ANÉIS DE SATURNO Há milhares de anéis compostos de bilhões de partículas de gelo e rocha. Em 2013 a sonda Cassini fotografou uma estrutura incrível no polo norte de Saturno: correntes e turbilhões de vento que fazem as nuvens se disporem em formato hexagonal. 07 AstroNova . N.07 . 2015

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Características principais dos anéis de Saturno NOMEDISTÂNCIA *LARGURAESPESSURAMASSAALBEDO D B A F G E 67.000 km 92.000 km 122.200 km 140.210 km 165.800 km 180.000 km ? 19 2,8.10kg 18 6,2.10kg ? 7 10 kg ? ? 0,65 0,60 ? ? ? 7.500 km 25.500 km 14.600 km 30 km 8.000 km 300.000 km ? 0,1 km 0,1 km 500 km 100 km 1.000 km * A distância é medida do centro do planeta até o início do anel. As partículas variam do tamanho de um grão de açúcar até o tamanho de uma casa. Acredita-se que os anéis sejam pedaços de cometas, asteróides ou luas despedaçadas que se desfizeram antes de atingirem o planeta. Cada anel orbita em uma velocidade diferente em volta do planeta. Informações da missão Cassini da Nasa ajudarão a revelar como se formaram, como eles se mantêm em suas órbitas e, acima de tudo, por que estão lá em primeiro lugar. Apesar dos outros três planetas gasosos do sistema solar -Júpiter, Urano e Netuno- terem anéis orbitando ao seu redor, os de Saturno são de longe os maiores e mais espetaculares. Com uma espessura de cerca de 1 quilômetro ou menos, eles chegam a até 282 mil quilômetros, cerca de três quartos da distância entre a Terra e sua Lua. Batizados alfabeticamente na ordem em que foram descobertos, os anéis estão relativamente próximos uns dos outros, com exceção da Divisão de Cassini, uma lacuna medindo 4.700 quilômetros. Os anéis principais são conhecidos, da direção do planeta para fora, como C, B e A. A Divisão de Cassini é a maior lacuna entre os anéis e separa os anéis B e A. Mais recentemente foram descobertos vários anéis mais tênues. O anel D é o mais tênue e mais próximo do planeta. O anel F é um anel estreito no lado externo do anel A. Além dos dois há anéis mais tênues chamados G e E. Os anéis exibem uma tremenda quantidade de estrutura em todas as escalas; parte desta estrutura está relacionada a perturbações gravitacionais provocadas pelas muitas luas de Saturno, mas grande parte permanece inexplicada. Para entrar na órbita de Saturno, a Cassini atravessará a fenda entre os anéis F e G, mais distante do planeta do que a Divisão de Cassini. Como medida de segurança, durante a travessia do plano dos anéis, instrumentos e câmeras a bordo da espaçonave serão desligados temporariamente. Mas a incrível travessia para a órbita de Saturno fornecerá informação, fotos e filmagens incríveis enquanto os instrumentos de bordo coletarão dados únicos capazes de responder às muitas perguntas sobre a composição dos anéis. www.nasa.gov Tradução: George El Khouri 08 AstroNova . N.07 . 2015

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EPAST 2015 http://epast2015.simplesite.com Mais informações:

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M101 - Galáxia do Cata-vento Astrofotógrafo: Simon Ribeiro 10/05/2015 Alto Bonito - Bonito/PE M101 - Galáxia do Cata-vento Astrofotógrafo: Simon Ribeiro 10/05/2015 Alto Bonito - Bonito/PE

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13 Lara Susan 3 premiações no concurso de Astrofotografia do 11º EPAST 11 Maico Zorzan maicozorzan@outlook.com A astronomia amadora, apesar de carregar o termo amador, muitas vezes associado a algo feito com desleixo ou improvisado, e algumas pessoas fora do nosso meio associam esse adjetivo com brincadeira e passatempo. Não deixa de ser um passatempo e uma brincadeira, mas que para uma boa parcela dos amantes do universo, essa brincadeira levada a sério resulta em fazer ciência. Quando discutimos esse limite entre hobby e paixão pelo universo podemos verificar que em alguns nichos da astronomia, a contribuição dos chamados amadores é fundamental e respondem até, em alguns deles, pela grande maioria das descobertas e dados colhidos para estudos científicos, como é o caso de caçadores e descobridores de cometas e asteroides, observação de estrelas variáveis, registros atmosféricos de planetas do sistema solar, observação de eclipses solares e lunares, ocultação de estrelas por asteroides ocultações de planetas e estrelas pela Lua, trânsito de planetas (Vênus e Mercúrio) pelo disco solar, observação de manchas solares e até mesmo a descoberta de exoplanetas. Astrônomos amadores, na grande maioria das vezes, bancam do próprio bolso seus equipamentos e materiais de pesquisa, assim como boa parte de seu conhecimento sobre o assunto necessita ser adquirido de forma autodidata, e também contamos com a experiência ASTRONOMIA AMADORA O meu, o seu, o nosso Cosmos! Porque quando eu crescer, quero ser astrônomo amador!

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AstroNova . N.07 . 2015 12 empírica de muitas noites em claro passando frio, sono e solidão. E esse aprendizado custa. Enquanto uma parcela da astronomia amadora gosta de atuar só, no fundo de seus quintais, observatórios privados ou áreas emprestadas para poder montar seus equipamentos, outra parcela se organiza em grupos e clubes de astronomia, dividindo equipamentos, conhecimento, tempo e estudos. Inclusive se olharmos para o cenário da astronomia amadora brasileira e usarmos um intervalo desde o começo dos anos 2000 até hoje, podemos dizer com propriedade que evoluímos muito no acesso a informação, equipamentos e interação entre a comunidade da astronomia em todo o país. Atribuímos a esse desenvolvimento, a facilidade (Ainda que com caríssimos impostos e pouquíssimo incentivo público) na importação de equipamentos, a facilitação do acesso à internet que permitiu a facilitação do contato entre amadores de regiões distantes e facilitou muito o acesso a informações que antes demoravam a chegar, e quando chegavam eram restritas ou resumidas, aos amantes do cosmos. Quem viveu a astronomia amadora no século passado, mesmo que nas últimas décadas (No meu caso vivenciei a última com interesse ao assunto), vai se lembrar que para se ter um telescópio no Brasil, ou se pagava uma pequena fortuna em algo limitado que vinha de fora, ou se construía no fundo do quintal seus espelhos e o colocava em tubo de PVC empoleirado em uma montagem dobsoniana, não tínhamos todas as opções, mesmo que ainda sobrecarregadas de tributos, que temos hoje. Astrofotografias eram feitas com filmes, e só se via o resultado de uma captura quando se revelava as fotos, isso se o estúdio não resolvesse cortar e jogar foras tais negativos com a justificativa que tinham queimado. Informações sobre eclipses, passagens de cometas, asteroides, chuvas de meteoros, e acontecimentos especiais, só eram possíveis para a grande maioria dos reles mortais quando saía na TV, ou publicado em revistas mensais como a Superinteressante (Em seus bons tempos). Se comunicar com amigos que tinham a astronomia como assunto comum, se morassem longe, só por cartas enviadas pelo Correio, e que muitas vezes demoravam semanas, ou até meses para chegar. Por outro lado, a internet também trouxe lendas urbanas, notícias falsas e teorias malucas que dão calafrios em gente séria. E muitas delas se perpetuam, mesmo com todos os desmentidos e após furarem por anos seguidos. Quem 12

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AstroNova . N.07 . 2015 não se lembra do Marte gigante que vem dar um oi pra Lua em agosto, os fins do mundo que já presenciamos várias vezes, seja por cometas, por calendários com produção descontinuada, asteroides, luas avermelhadas de vergonha por terem sido colocadas nessas lendas, e por aí vai? Mas praticar astronomia amadora, antes de qualquer coisa, é uma forma de praticar valores. Olhar para o céu estrelado é uma forma de apreciar aquilo que somos, buscar respostas de onde viemos e para onde vamos, entender onde estamos e o que somos e tentar compreender o universo do qual somos um ínfimo pedacinho. Quando começamos a entender que eu, você, meu cachorro, sua tartaruga, os extremistas que explodem coisas e pessoas, a água do Rio Amazonas, as árvores da sua rua, as paredes de sua casa, as luas de Marte, as manchas de Júpiter, os anéis de Saturno, a cauda do cometa Halley, as estrelas que vemos e tudo aquilo que já conhecemos no universo são feitos por átomos oriundos das estrelas, inclusive nós, nos damos conta que praticar astronomia é uma forma eficaz de conhecer a si próprio e a tudo que nos rodeia, além de ser uma imensa lição de humildade. Toda vez que você levanta 13

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a cabeça de olha para o céu durante a noite para observá-lo, estará sendo protagonista em uma viagem ao passado, observando "fantasmas" de mundos que já existiram (muitos nem existem mais), de onde aquele registro em forma de luz saiu a muito tempo. A cada segundo em que observamos o universo por nossos olhos, estamos vivenciando um momento único, que jamais foi visto, e que nunca mais será visto. Toda vez que olhar para céu, sempre será diferente da vez anterior, mesmo que constelações pareçam iguais, nebulosas componham a mesma astrofotografia e o brilho da estrelas pareça igual, aquela luz que chega aos seus olhos equivalem a um momento diferente do objeto de onde ela saiu. Imagine a luz que parte de uma estrela rodeada de exoplanetas, situada a milhares de anos-luz do nosso planeta, sabendo sua velocidade nessa viajem, já pararam para pensar (que mesmo que em se tratando de astronomia, um único dia seja muito pouco tempo), quando olharmos para o céu no primeiro dia e recebermos essa luz em nossos, estaremos recebendo fótons que saíram dessa estrela quando ela e seus planetas passavam por um determinado momento de suas histórias, com condições específicas para cada planeta, e que ao olhar para essa mesma estrela na noite seguinte, estará recebendo fótons de um outro momento, onde tais condições podem ter sofrido uma alteração considerável desde a sua observação na noite anterior. Assustador? Eu chamaria de magnífico. Somos parte do universo vivendo uma simbiose com o Cosmos, e praticar astronomia é uma forma de contato que nos faz entender essa relação. E praticar astronomia não é só observando o céu todas as noites com seu telescópio ou binóculo, quem tiver interesse em ser um astrônomo amador pode ser importante sem ter um equipamento, aliás, não enxergo uma escala de importância, pois desde o famoso caçador de cometas, até o iniciante que convida um vizinho para dar uma olhada nas crateras da Lua, estão sendo importantes, estão contribuindo para algo. A astronomia amadora quando feita por amor, não busca fama, status ou lucro. Ela é uma ferramenta que AstroNova . N.07 . 2015 14

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15 proporciona conhecimento, faz amizades, transmite valores e proporciona a aproximação de pessoas com a ciência. Em tempos de redes sociais e fácil aproximação virtual entre pessoas, vemos as vezes alguns oportunistas usando o fascínio que a população tem pela astronomia afim de garimpar likes , mas o resultado desse trabalho quase sempre são notícias sensacionalistas e com conteúdo embolado, e não podemos generalizar, pois temos também em redes sociais, gente muito competente, que ensina e transmite conhecimento de uma forma acessível. Já fora do mundo virtual, o trabalho dos amantes da astronomia proporciona acesso ao astros, para gente que jamais imaginou ter a oportunidade de colocar o olho em uma ocular e observar as crateras de Lua, ou os anéis de Saturno. Aliás, não existe pagamento melhor para um astrônomo amador, do que a emoção de uma criança ao observar um astro pela primeira vez, ou as lágrimas de um idoso que agradece por ter tido em uma observação pública, a chance de ver os anéis de Saturno, que acreditava ele, iria morrer sem ter uma oportunidade. Quem está começando a se aventurar na prática AstroNova . N.07 . 2015 astronômica, jamais deve se sentir acanhado ou inferior, pois todos aqueles hoje se destacam na astronomia amadora, já foram aprendizes e iniciantes. Aquele caçador de cometas famoso por ter seu nome naquele cometa tão esperado, provavelmente já teve dúvidas parecidas com a que você tem hoje, assim como o grande astrofotógrafo que hoje tem um equipamento de milhares de reais, e faz fotos fantásticas, não começou com esse equipamento e com toda certeza já borrou muitas imagens, aquele astrônomo amador bom de papo que junta uma rodinha de pessoas em torno dele, ou que frequenta palcos para dar palestra, já sentiu frio na barriga ao falar em público, e já ficou sem respostas para muita coisa. A única coisa que separa o iniciante do experiente é a prática, o conhecimento e a experiência adquirida com o tempo, e que você, caso persista, estude e pratique, conseguirá alcançar. Afinal, como parte do universo, você é parte da astronomia. E aproveite para olhar e apreciar o céu, é gratuito, único e importante. Maico A. Zorzan é astrônomo amador, graduado em Matemática (UEM)

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PELA PRODUÇÃO E DIFUSÃO CIENTÍFICAPELA PRODUÇÃO E DIFUSÃO CIENTÍFICA CEARÁ - BRASILCEARÁ - BRASIL

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17 VIDA NO UNIVERSO O que é a ASTROBIOLOGIA? Bruno Leonardo Dias bruno.nupesc@gmail.com A questão de como surgiu à vida na Terra e a possibilidade de existência de vida em outros lugares no Universo, é uma tarefa extremamente complexa que passa por questões teológicas, filosóficas e científicas. Através das descobertas dos primeiros planetas extrassolares no início dos anos 1990, essa possibilidade de existência de Vida em outros planetas passou a ter um interesse científico maior. Com isso inúmeras designações foram criadas, tais como bioastronomia, exobiologia, cosmobiologia e muitas outras, contudo o termo mais aceito desde 1998 para este novo campo de conhecimento é Astrobiologia. A Astrobiologia une as informações de diversas áreas do conhecimento tais como; astronomia, biologia, química, física e outras disciplinas, as quais nos ajudam e nos permitem entender melhor o desenvolvimento da vida na Terra e como a Vida poderia estar presente em outros lugares no Universo. Desta forma a questão da Vida começou a ter um contexto astronômico, o qual para a ciência moderna fez-se necessário passar a existir uma definição Universal  e características básicas do que é vida, para sabermos o que a Astrobiologia deve procurar. A resposta para saber o que é Vida e o entendimento sobre a Vida não é um tema recente. Empédocles (430 a.C) indagava que a vida era uma combinação dos quatro elementos terra, água, fogo e ar, formando um agregado de matéria chamado vida. Já para Demócrito (460 a.C) vida ou ser vivo seria tudo aquilo que possuísse psyche. No entanto, hoje em dia para a Astrobiologia para um organismo ser considerado possuidor de Vida, ele deve possuir organização em células, possuir a capacidade de adaptação, ser capaz de ASTROBIOLOGIA?

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18 AstroNova . N.07 . 2015 evoluir e se reproduzir através de mutação. É valioso lembrar que embora possa existir a possibilidade de formas de vida baseadas em diferentes tipos de compostos químicos, o carbono ainda é o elemento químico que conhecemos que possui características astrobiológicas mais interessantes para nós. Além da questão sobre a Vida a Astrobiologia também busca entender questões como: ! Nascimento e morte de estrelas e reciclagem dos elementos químicos; ! Formação de sistemas planetários; ! Evolução da Vida; ! Busca por bio-assinaturas extraterrestres; ! Planetas e satélites habitáveis dentro e fora do Sistema Solar; ! Geosfera, hidrosfera e atmosfera da Terra primitiva; ! Biosfera da Terra primitiva; ! Extinções em massa e diversidade da Vida; ! Evidências fósseis e geoquímicas de Vida primitiva; ! Vida em ambientes extremos; ! Proteção planetária. A astrobiologia com certeza traz fortes motivações e interesses aos jovens cientistas de hoje em dia, ainda que descoberta de vida extraterrestre possa parecer impossível para alguns ou que se demonstre distante de se acontecer. Só a possibilidade de existência de vida em outros planetas já é o suficiente, principalmente com todos os avanços tecnológicos que estamos tendo na época em que vivemos, além do aumento expressivo de informações sobre a nosso Sistema Solar e da vizinhança da nossa galáxia. Além disso, só o fato da nossa existência e a presença de outras espécies aqui na Terra é uma questão, já bastante instigante e intrigante, tenha sido ela ocorrida através de uma sopa primordial  e suas reações químicas ou devido à entrega de viajantes interestelares ao nosso precioso planeta propício a vida. Então a Astrobiologia mostra-se uma área extremamente promissora, nos trazendo a cada dia que passa novas descobertas, em que se abre ainda mais a questões hipotéticas, sobre a possibilidade de a vida poder existir ou ter existido em outros lugares no Universo. Assim a única certeza que podemos ter, é que o futuro nos trará um entendimento maior de como a Vida e o Universo podem estar interligados. Bruno L. Dias é graduado em Astronomia pela UFRJ. Atualmente é graduando em Física. Cursou Bachelor of Science na Monash University (Austrália) pelo programa CsF. É Coordenador do NUPESC. Referências: Damineli, A.; Damineli, D. S. C. Origens da vida. Revista Estudos avançados v.21, n.59 , 2007. Penteado, E. M., Evolução da abundância de biomoléculas no meio interestelar na fase gasosa. Dissertação de Mestrado. OV UFRJ, 2009 Paulino-Lima, I. G.; Lage, C. A. S. Astrobiologia: definição, aplicações, perspectivas e panorama brasileiro. Boletim da Sociedade Astronômica Brasileira v.29, n.1 , 2010. Já há cerca de 30 exoplanetas potencialmente habitáveis detectados. A Vida teria surgido em algum deles? - Imagem: www.planethunters.org

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Nebulosa Eta Carinae : / Astrofotógrafo Augusto César Afiliação:Grupo de Astronomia Perseu Câmera Nex-6Objetiva Vivitar FD 135mm f/ 2.8 | ISO 800 | 13 minutos e 18 segundos Empilhamento DSS(80 fotos) Tratamento LR Local: Cachoeira - CE Nebulosa Eta Carinae Astrofotógrafo: Augusto César Afiliação: Grupo de Astronomia Perseu Câmera Nex-6 / Objetiva Vivitar FD 135mm f/ 2.8 | ISO 800 | 13 minutos e 18 segundos Empilhamento DSS (80 fotos) Tratamento LR Local: Cachoeira - CE

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Término das inscrições 24/agosto (12h)

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