Ir para o conteúdo

Acervo textual da Revista AstroNova

Edição 13 — páginas 1 a 20

Esta página apresenta o texto extraído do PDF para tornar a edição pesquisável e acessível a leitores, navegadores e assistentes de IA. Consulte o PDF original para preservar diagramação, imagens, fórmulas e créditos.

Assuntos identificados: estação, venera, espacial, solar, eclipse, terra, superfície, pouso, sonda, órbita.

Página da ediçãoAbrir PDF completo

Página 1

REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS Tour pelo Sistema Solar Deimos e Fobos: as luas de Marte Tour pelo Sistema Solar Deimos e Fobos: as luas de Marte MISSÃO VENERA O pioneirismo interplanetário em Vênus MISSÃO VENERA O pioneirismo interplanetário em Vênus Tour pelo Sistema Solar Deimos e Fobos: as luas de Marte Tour pelo Sistema Solar Deimos e Fobos: as luas de Marte Ano 04 - Nº 13 - Fevereiro/2017 Eclipse Solar Porque ocorre e como observá-lo Eclipse Solar Porque ocorre e como observá-lo Eclipse Solar Porque ocorre e como observá-lo Eclipse Solar Porque ocorre e como observá-lo MISSÃO VENERA O pioneirismo interplanetário em Vênus MISSÃO VENERA O pioneirismo interplanetário em Vênus ESTAÇÕES ESPACIAIS: PASSADO, PRESENTE E FUTURO Evolução Humana Uma abordagem necessária nas aulas de Biologia do Ensino Médio Evolução Humana Uma abordagem necessária nas aulas de Biologia do Ensino Médio Evolução Humana Uma abordagem necessária nas aulas de Biologia do Ensino Médio Evolução Humana Uma abordagem necessária nas aulas de Biologia do Ensino Médio REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA ENTREVISTA: MYLENA PEIXOTO Ano 04 - Nº 13 - Fevereiro/2017

Ver esta página no PDF ↗

Página 2

Nesta edição a AstroNova inicia sua terceira volta em torno do Sol. É com alegria, e ao mesmo tempo com a consciência de que muito ainda precisa melhorar, que iniciamos o ano nesta edição de aniversário. Hoje começaremos nosso Tour pelo Sistema Solar conhecendo um pouco das "luas" de Marte. Deimos e Fobos não são como as luas tradicionais. Mas como veremos, tem seus charmes peculiares. Nesta edição veremos também como se desenvolveu a Missão Venera, a primeira e bem sucedida exploração robótica interplanetária que começou a desvendar os segredos do infernal planeta Vênus. Rafael Cândido nos conduz a esta aventura. Na primeira colaboração do professor Rogério Souza, trataremos de uma aplicação didática no Ensino Médio importante na formação científica de qualquer cidadão: A Evolução Humana. Rogério, que é biólogo, desenvolve réplicas de crânios de nossos ancestrais. E usa na sala de aula! Nesta edição veremos tudo sobre os eclipse solares. Dois deles ocorrerão este ano, começando pelo mês de fevereiro. Mesmo sendo parciais do Brasil, o fenômeno continua belíssimo. Vi um fenômeno deste "a long time ago", em 1993. Escrevo esta matéria, e "ansiedade define" a espera pelos eclipses de 2017! Também contibuo nesta edição com uma tomada geral sobre Estações Espaciais. Estes laboratórios do espaço, que levarão a humanidade a fixar-se no espaço cósmico, tem uma história gloriosa no passado, de sucesso no presente e promissora no futuro. Iniciamos, como de constume, com os resumos astronáuticos da Estação Espacial Internacional (ISS) e dos principais lançamentos orbitais do trimestre. Desejamos um ótmo começo de 2017 e uma merecida boa leitura a todos! Wilson Guerra GCAA AstroNova . N.13 . 2017 Editores: Maico A. Zorzan maicozorzan@outlook.com Wilson Guerra wilsonguerra@gmail.com Redatores: Rafael Junior eletrorafa@gmail.com Wilson Guerra wilsonguerra@gmail.com Rogério C. Souza rogercsouza@yahoo.com Arte e Diagramação: Wilson Guerra wilsonguerra@gmail.com Astrofotos: Carlos Domingues Augusto César Araújo EXPEDIENTE EDITORIAL Capa: Nebulosa N159 na Grande Nuvem de Magalhães, a 180.000 anos-luz de distância do centro da Via Láctea. Wilson Guerra GCAA Wilson Guerra GCAA Fonte: APOD NASA https://apod.nasa.gov/apod/ap170128.html

Ver esta página no PDF ↗

Página 3

SUMÁRIO Tour pelo Sistema Solar DEIMOS e FOBOS: as luas de Marte 07 23 31 35 ECLIPSES SOLARES Porque ocorrem e como observá-los ESTAÇÕES ESPACIAIS Passado, presente e futuro EVOLUÇÃO HUMANA NO ENSINO MÉDIO Uma proposta de prática pedagógica essencial Ano 4 | Edição nº 13 | 2017 11 PROGRAMA ESPACIAL "VENERA" A pioneira exploração planetária 53 ENTREVISTA: Mylena Peixoto A garota que descobriu 5 asteroides e ganhou uma viagem para a NASA

Ver esta página no PDF ↗

Página 4

Principais Lançamentos do TrimestrePrincipais Lançamentos do Trimestre ASTRONÁUTICA ESTADOS UNIDOS ESTADOS UNIDOS ÍNDIAÍNDIA Foguete: PSLV (ISRO) Carga: Cartosat 2D, satélite de observação da Terra & conjunto de nanossatélites Local: Base de Sriharikota Data: 14-15/02/2017 Foguete: GSLV Mk.3 (ISRO) Carga: GSAT 9, satélite de comunicação Local: Base de Sriharikota Data: março/2017 Foguete: SOYUZ (Roscosmos) Expedição 50S para a Estação Espacial Internacional Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 27/03/2017 Foguete: SOYUZ (Roscosmos) Carga: Kanopus-V-IK (sat. infravermelho) Zond (pesquisa solar) e pequenos satélites Local: Cosmódromo de Baikonur Data: março/2017 Foguete: Falcon 9 Carga: satélite de comunicação EchoStar 23 Local: Centro Espacial Kennedy Data: 28/02/2017 Foguete: ARIANE 5 Carga: Intelsat 32e/Sky Brasil 1 & Telkom 3S satélites de comunicação, TV e internet Local: Base de Kourou Data: 14/02/2017 EUROPAEUROPA Foguete: Longa Marcha 7 Carga: Tianzhou-1,nave cargueira com combustível para estação Tiangong2 Local: Base de Wenchang Data: abril/2017 CHINACHINA Foguete: Longa Marcha 2D Carga: HXMT, telescópio espacial em Raios-X Local: base de Jiuquan Data: abril/2017 Foguete: SOUYZ 2-1b Carga: SES 15 satélite de comunicação (Luxemburgo) Local: Base de Kourou Data: 04/04/2017 Foguete: Atlas 5 Carga: cargueiro Cygnus com mantimentos e equipamentos para ISS Local: Centro Espacial Kennedy Data: 05/03/2017 RÚSSIARÚSSIA

Ver esta página no PDF ↗

Página 5

Principais atividades - dezembro/2016 a janeiro/2017Principais atividades - dezembro/2016 a janeiro/2017 Próxima Expedição - Soyuz MS-04 (27/03/2017)Próxima Expedição - Soyuz MS-04 (27/03/2017)Tripulação atual (Expedição 51)Tripulação atual (Expedição 51) Estação Espacial Internacional (ISS)Estação Espacial Internacional (ISS) ASTRONÁUTICA Nanossatélite de nova tecnologia, chamado de STARS-C, é lançadO a partir da estação. Nanossatélite de nova tecnologia, chamado de STARS-C, é lançadO a partir da estação. O francês Thomas Pesquet (ESA) manipula o Minus Eighty Laboratory Freezer onde mantém amostras de sangue para pesquisas da medula. O francês Thomas Pesquet (ESA) manipula o Minus Eighty Laboratory Freezer onde mantém amostras de sangue para pesquisas da medula. Módulo "inflável" BEAM é ocupado pela primeira vez, pelos astronautas Peggy Whitson (NASA) and Thomas Pesquet (ESA) Módulo "inflável" BEAM é ocupado pela primeira vez, pelos astronautas Peggy Whitson (NASA) and Thomas Pesquet (ESA) Cargueiro japonês ATV-6 traz equipamento e mantimentos para a tripulação. Cargueiro japonês ATV-6 traz equipamento e mantimentos para a tripulação. O astronauta Shane Kimbrough a engenheira de vôo Peggy Whitson instalam sistemas elétricos na parte externa da estação. O astronauta Shane Kimbrough a engenheira de vôo Peggy Whitson instalam sistemas elétricos na parte externa da estação.

Ver esta página no PDF ↗

Página 6

Nebulosa do Cone - NGC2264 Astrofotógrafo: Carlos Domingues Observatório Estrela do Sul Sarandi - PR

Ver esta página no PDF ↗

Página 7

Deimos e Fobos As "luas" de Marte Da Nasa Asaph Hall estava pronto para desistir de sua frustrante busca por uma lua de Marte, certa noite de agosto em 1877, quando sua mulher Angelina insistiu em que ele continuasse. Ele descobriu Deimos na noite seguinte, e Fobos seis dias mais tarde. Noventa e quatro anos mais tarde, a sonda Mariner 9 da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa) dos Estados Unidos conseguiu observar de maneira muito mais clara as duas luas, quando estava orbitando o planeta Marte. A característica dominante de Fobos, descobriu a 05 espaçonave, era uma cratera de 10 quilômetros de diâmetro - mais ou menos a metade do diâmetro da lua em questão. A cratera foi batizada com o nome de solteira de Angelina - Stickney. Hall batizou as luas com os nomes mitólogicos dos filhos de Áries, o deus grego conhecido como Marte entre os romanos. Fobos significa medo ou Pânico (como em "fobia") e Deimos significa fuga (por exemplo, depois de uma derrota devastadora). Nomes muito apropriados para os filhos do deus da guerra. As luas de Marte estão entre as menores do Sistema Solar. Fobos é um pouco maior que Deimos e orbita a apenas 6.000 quilômetros da superfície marciana. Não se conhece qualquer outra lua que tenha órbita tão próxima ao seu planeta. O satélite circunda Marte três vezes por dia, enquanto Deimos, mais distante, leva 30 horas para completar uma órbita. Fobos está gradualmente aproximando sua órbita da superfície, em cerca de 1,8 metro por século. Dentro de 50 milhões de anos, a lua colidirá com o planeta, ou se estilhaçará e formará um anel de fragmentos em torno de Marte Para alguém posicionado em Um Tour pelo Sistema Solar SISTEMA SOLAR Um Tour pelo Sistema Solar 07

Ver esta página no PDF ↗

Página 8

Fobos, na face da lua que contempla Marte, o planeta ocuparia grande parte do céu. E pode ser que seres humanos um dia o façam. Os cientistas discutiram a possibilidade de usar uma das luas marcianas como uma base a partir da qual astronautas possam observar o planeta vermelho e lançar robôs para sua superfície, enquanto quilômetros de rochas os protegem contra os raios cósmicos e a radiação solar por praticamente dois terços de cada órbita. Como a Lua terrestre, Fobos e Deimos sempre apresentam a mesma face ao seu planeta. Ambas são recobertas de caroços, crateras e camadas de poeira e pedras soltas. Estão entre os objetos mais escuros do Sistema Solar. As luas parecem ser compostas de rochas ricas em carbono misturadas com gelo, e podem ser asteróides capturados. Fobos tem apenas um milésimo da atração gravitacional terrestre. Uma pessoa de 68 quilos pesaria 68 gramas, lá. Mas a espaçonave Mars Global Surveyor, da Nasa, mostrou indícios de deslizamentos de terra, rochedos e poeira que teriam caído de volta na superfície depois de serem arrancados da lua por meteoritos. Deimos Batizada em homenagem ao deus romano do medo, Deimos é a menor das duas luas marcianas. Com apenas 15 por 12 por 11 quilômetros de tamanho, Deimos circunda Marte a cada 30 horas. Como Fobos, Deimos tem um aspecto rugoso e muitas crateras. Mas as crateras lá em geral têm diâmetro inferior a 2,5 quilômetros, e não apresentam as estrias e as cristas vistas em Fobos. Tipicamente, quando um meteorito atinge a superfície, material depositado lá é expelido para fora da cratera resultante. O material em geral cai de volta em torno da cratera. Mas esses depósitos de ejeção não são vistos em Deimos, talvez porque a gravidade da lua seja tão baixa que o material ejetado consegue escapar para o espaço. Mas há indicações de que certos materiais tenham deslizado encosta abaixo. Deimos conta também com um espesso regolito, com talvez 100 metros de profundidade, formado quando meteoritos pulverizados golpearam sua superfície. Deimos é um corpo escuro que parece ser composto de materiais de superfície do AstroNova . N.13 . 2017 08 Deimos Superfície mais escura Mede 15km x 12km x 11km Possui uma gravidade muito baixa.

Ver esta página no PDF ↗

Página 9

AstroNova . N.13 . 2017 09 tipo C, semelhantes ao dos asteróides encontrados no cinturão de asteróides externo. Fobos Fobos, a maior das luas marcianas, marcada e quase dilacerada por uma imensa cratera de impacto e por milhares de impactos de meteoritos, está em curso de colisão com o planeta. Fobos, batizada em honra de um mensageiro do deus da guerra romano, é a maior das duas luas marcianas, medindo 27 por 22 por 18 quilômetros. O satélite circunda Marte três vezes por dia, e está tão perto da superfície do planeta que não pode ser visto, de alguns locais marcianos. Fobos está se aproximando de Marte ao ritmo de 1,8 metro a cada 100 anos; nesse ritmo, vai colidir com o planeta dentre de 50 milhões de anos, ou se romper em um anel de fragmentos. Sua marca característica é a cratera Stickney, de 10 quilômetros de diâmetro. O impacto causou enrugamento de toda a superfície da lua. A cratera foi avistada pela Mars Global Surveyor e está cheia de uma poeira fina, com indícios de que rochas deslizaram por suas encostas abaixo. Fobos e Deimos parecem ser compostas de rochas tipo C, semelhantes aos asteróides de condritos carbonáceos. As observações da Mars Global Surveyor indicam que a superfície desse pequeno corpo celeste foi pulverizada por eras de impacto de meteoritos, alguns dos quais causaram deslizamentos de terra que deixam trilhas escuras nas bordas das imensas crateras. Medições nos lados diurno e noturno de Fobos mostram extremos de temperatura, e o lado ensolarado da lua se assemelha a um dia de inverno ameno em Chicago, enquanto a alguns quilômetros de distância, no lado escuro, o clima é mais severo que o de uma noite antártica. As temperaturas mais altas em Fobos são de menos quatro graus, e as mais baixas de menos 112. Essa intensa perda de calor é provavelmente resultado da poeira fina na superfície do planeta, incapaz de reter o calor. Fobos não tem atmosfera. Pode ser um asteróide capturado, mas alguns cientistas encontraram indícios contrários a essa teoria. www.nasa.gov Tradução: Luiz Roberto Mendes Fobos Maior lua de Marte Mede 27km x 22km x 18km Possui uma grande cratera de impacto

Ver esta página no PDF ↗

Página 10

Coordenado por o colabora com os sites Universo Racionalista, Ciência e Astronomia, InfoEscola, SpaceToday e Núcleo de Pesquisa de Ciências (NUPESC), além das revistas online AstroNova e Planetária. Yara Laiz Souza Ciência em Pauta Acompanhe os canais do CIÊNCIA EM PAUTA www.youtube.com/cienciaempautaporyaralaizsouzawww.facebook.com/pautadaciencia

Ver esta página no PDF ↗

Página 11

Rafael Cândido Jr. eletrorafa@gmail.com É comum, mesmo entre as pessoas que acompanham a História da Astronáutica, que se recorde do primeiro satélite artificial (Sputnik 1 outubro/1957), do primeiro vôo tripulado (Vostok 1 abril/1961) ou da primeira missão tripulada que pousou na Lua (Apollo 11 julho/1969). Mas poucos se recordam da primeira sonda que pousou em um planeta e do programa a que pertencia. Neste artigo vamos conhecer uma CIÊNCIAS PLANETÁRIAS 11 odisseia para desvendar o Planeta Vênus. O programa espacial Venera começou a ser concebido logo após os voos dos primeiros satélites Sputnik. Enquanto uma parte do programa soviético tinha como meta o voo tripulado, outra parte ficou encarregada de planejar as sondas interplanetárias. Então, em 1959 tem início um dos maiores programas espaciais da História, denominado Venera (literalmente, Vênus em russo). As primeiras tentativas A primeira sonda construída para ir à Vênus foi denominada Venera 1VA e foi lançada em 04/02/1961. Porém uma falha no último estágio do foguete de lançamento fez com que esta sonda sequer deixasse a órbita da Terra. Como era comum na URSS, os fracassos eram escondidos e então este lançamento foi anunciado apenas como o lançamento de um satélite muito pesado (e de fato, pesava quase 645 kg). Assim, em 12/02/1961 foi O Planeta VÊNUS e o Programa Espacial VENERA O Planeta VÊNUS e o Programa Espacial VENERAVENERA

Ver esta página no PDF ↗

Página 12

lançado um satélite idêntico ao anterior, este sim com lançamento bem-sucedido. Finalmente, o Venera 1 estava a caminho do planeta Vênus. Sendo idêntico ao anterior, foi denominado pelos soviéticos de Venera 1VA Nº 2. A meta era fazer um fly- by, um voo rasante, sobre as nuvens de Vênus e coletar dados meteorológicos. Porém, ao chegar próximo ao planeta em 19/05/1961, o contato de rádio foi perdido. E assim perdeu-se a Venera 1, que entrou em órbita heliocêntrica. A figura 1 mostra uma réplica da sonda Venera 1. A Venera 2, denominada 3MV-4, foi lançada em 12/11/1965 e era ainda mais pesada que a versão anterior, tinha 963 kg. Tinha câmeras, magnetômetros detectores de raios cósmicos, contador Geiger entre outros equipamentos. A meta era realizar um voo a apenas 24000 km de distância da atmosfera de Vênus e isto ocorreu em 27/02/1966. A programação era realizar as medições durante o voo, arquivar os dados usando os gravadores de bordo e estes dados seriam transmitidos assim que se retornasse o contato com a Terra. Porém, este contato nunca se concretizou, ocorreu uma falha no sistema de rádio e a sonda foi declarada perdida em 04/03. Mudança de planos Com estas falhas nas Venera 1 e 2, o Comitê Central da URSS transferiu a construção das sondas da Corporação Korolev para a Corporação Lavochkin. Exceto a Venera 3, que pesava 960 kg; todas as naves passavam de 1 tonelada. A Venera 3 foi lançada em 16/11/1965 e tinha como missão o pouso em Vênus. Entretanto, a sonda perdeu seus sistemas de comunicação e em 01/03/1966, provavelmente a sonda entrou na atmosfera do planeta e impactou na sua superfície, tornando-se a primeira sonda a impactar outro planeta. (Figura 2) AstroNova . N.13 . 2017 12 Figura 1. Réplica da Venera 1 (Museu da Cosmonáutica - Moscou) A Venera 4, lançada em 12/06/1967, entrou na atmosfera venusiana em 18/10/1967 e conseguiu analisar sua composição, bem como as variações de pressão e de temperatura. A partir desta nave as sondas eram compostas de uma nave-mãe (bus) e uma sonda de pouso (lander). A figura 3 apresenta a Venera 4 em sua totalidade e a figura 4, a Figura 2. Réplica da Venera 3 (Museu da Cosmonáutica - Moscou)

Ver esta página no PDF ↗

Página 13

13 sonda de pouso. Durante a entrada o escudo de proteção alcançou 11000°C e o tempo total para alcançar a superfície foi de 93 minutos, porém não houve transmissão de dados da superfície. Na altitude de 26 km a temperatura alcançou 260°C e a pressão chegou a 22 atmosferas. Estes foram os últimos dados transmitidos. As Venera 5 e 6, lançadas respectivamente em 05/01/1969 e 10/01/1969 eram idênticas e tinham massa de 1130kg. A sonda de pouso da Venera 5 entrou na atmosfera em 16/05/1969. Já a sonda de pouso da Venera 6 entrou na atmosfera no dia seguinte. Ambas transmitiram dados durante a descida, porém, antes do pouso suas baterias já estavam no fim da carga. Sobrevivendo no inferno A Venera 7 foi a primeira sonda a ser construída para fazer um pouso suave e sobreviver às condições da superfície de Vênus. Em 15/12/1970 a sonda de pouso entrou na atmosfera, porém o paraquedas falhou antes do pouso e a sonda impactou a 17 m/s. Sobreviveu ao impacto e 1313 AstroNova . N.13 . 2017 Figura 4 - Réplica da sonda de pouso da Venera 4 (Museu da Cosmonáutica - Moscou). Figura 3. Réplica da Venera 4 (Museu da Cosmonáutica - Moscou). conseguiu transmitir, ainda que com sinal fraco, por 23 minutos, as condições da superfície: pressão, temperatura, velocidade do vento. Assim, a Venera 7 torou-se o primeiro artefato humano a transmitir dados da superfície de Vênus. A sonda Venera 8 (Figura 5) tinha na sua nave-mãe um detector de raios cósmicos, detector de vento solar e um espectrômetro de ultravioleta. A sonda de pouso entrou na atmosfera em 22/07/1972. Prévio a esta entrada, ela foi resfriada pelo sistema da nave-mãe de modo que isso prolongasse sua vida útil durante o descenso e pouso. Na instrumentação, uma

Ver esta página no PDF ↗

Página 14

AstroNova . N.13 . 2017 14 novidade: um sistema de fotômetros para medir a quantidade de luz na superfície. O pouso ocorreu a 500 km da linha de terminador (linha que separa o dia da noite) na manhã venusiana. Após o pouso, a nave enviou dados por 50 minutos. A temperatura de superfície foi confirmada em 470°C, pressão de 90 atmosferas e ao medir a intensidade luminosa, verificou-se que era suficiente para registrar fotografias da superfície. O espectrômetro de raios gama identificou que as rochas na superfície são similares ao granito. Novos tipos de sonda Conhecendo as particularidades da superfície de Vênus, a Corporação Lavochkin criou um novo tipo de design, agora não seria apenas uma nave-mãe e uma sonda de pouso; haveria um orbitador e uma sonda de pouso, que seria levada numa esfera resistente ao calor gerado na descida. A massa total do conjunto seria de quase 5 toneladas. O projeto previa que as sondas de pouso operassem por 30 minutos na superfície. (Figura 6) Além do novo design, as missões seriam lançadas com diferenças de poucos dias. Assim, as missões aconteciam em duplas: Venera 9 e 10 e Venera 11 e 12. Figura 6. Réplica da estrutura das Venera 9 a 12. A esfera superior carregava a sonda de pouso. (Museu da Cosmonáutica - Moscou) Figura 5. Uma rara foto da montagem da Venera 8, que era idêntica à Venera 7. A Venera 9 foi a primeira sonda a registrar fotos de outro planeta. Porém um problema na Venera 9, que também ocorreu na Venera 10, foi relativo às fotos panorâmicas. Esperava-se que a sonda conseguisse fazer fotos panorâmicas de 360°; porém as fotos conseguidas foram panorâmicas de apenas 180°. O cientista Don P. Mitchell, pesquisador do programa espacial soviético, teve acesso às imagens originais obtidas pelas Venera e as corrigiu usando softwares específicos. (Figuras 7 e 8)

Ver esta página no PDF ↗

Página 15

1315 AstroNova . N.13 . 2017 As cores de um novo mundo As sondas Venera 13 e 14 seguiam o mesmo design de orbitadores e de sondas de pouso que suas antecessoras 9 a 12. A diferença estava na instrumentação que carregavam. (Figura 9) Além do padrão das naves, seguiu-se o padrão de lançamento e assim como as anteriores, as Venera 13 e 14 praticamente eram uma missão em dupla. Nestas missões foram levados instrumentos de análise do solo. Um incidente ocorrido na Venera 14 foi que o protetor da lente da câmera foi ejetado e caiu exatamente onde o sistema de perfuração do solo deveria analisar. Figura 7. Imagem obtida pela Venera 9 em três etapas: original, correção em andamento e totalmente corrigida. Percebe-se pelas fotos as diferenças dos terrenos nos quais as sondas pousaram. A Venera 13 pousou num local onde se encontra um tipo de solo granulado. Já a Venera 14 pousou num local muito mais rochoso. Os calibradores de cor vistos no lado direito destas fotos permitiram que fossem feitas as correções na imagem e assim obter a cor real que deveria ser vista nas fotos. Mapeando um mundo nebuloso As Venera 15 e 16 não possuíam sondas de pouso. Eram orbitadores idênticos (Figura 14) que tinham como Figura 8. Correção aplicada às fotos obtidas pela Venera 10.

Ver esta página no PDF ↗

Página 16

AstroNova . N.13 . 2017 16 missão mapear a superfície de Vênus, a qual não se vê a olho nu porque o planeta é permanentemente coberto de nuvens. Assim como nas missões anteriores, estas duas foram lançadas muito próximas e mapearam o planeta ao mesmo tempo. Além da similaridade na estrutura, levavam a mesma instrumentação: detector de plasma solar, detector de raios cósmicos, espectrômetro infravermelho e radar altimétrico. As figuras 10 a 14 mostram fotos panorâmicas coloridas obtidas pelas sondas de pouso. Figura 9. Sonda de pouso e orbitador ao fundo. Praticamente todas as missões Venera de 9 a 14 tinham seguiam este padrão de naves. (Museu da Cosmonáutica - Moscou) Figura 10. Venera 13 câmera 1. O protetor da lente está entre o analisador de solo e o calibrador de cor. Figura 11. Venera 13 câmera 2. Figura 12. Venera 14 câmera 1. Nota-se o perfurador de solo sobre o protetor da lente. Figura 13. Venera 14 câmera 2. Figura 14. Réplica da estrutura utilizada para as Venera 15 e 16. (Museu Cosmonáutico da Rússia)

Ver esta página no PDF ↗

Página 17

1317 AstroNova . N.13 . 2017 Foram mapeados 25% da superfície do planeta, concentrando-se no hemisfério norte, como mostra a figura 15. Viagem ao cometa Halley via planeta Vênus Com a chegada do cometa Halley ao seu periélio em 1986, foi realizado um esforço mundial de várias naves estudarem o cometa. Esta ação, denominada Armada Halley, tinha a participação das naves Vega 1 e Vega 2. Estas sondas idênticas (Figura 16) iriam estudar o cometa Halley usando como caminho uma visita ao planeta Vênus para Figura 15. Topografia parcial de Vênus realizada pelas Venera 15 e 16. conseguir a velocidade necessária para ir rumo ao cometa (isso se denomina em Astronáutica de efeito estilingue gravitacional). Apesar do nome, em princípio nos remeter à estrela Vega, na verdade trata-se de um acrônimo, formado pelas palavras Venera (Vênus em russo) e Gallei (Halley em russo). Estas naves foram uma parceria firmada em 1984 pela União Soviética com os seguintes países: Áustria, Bulgária, Hungria, Alemanha Ocidental e Oriental (na época ainda não estavam unificadas), Polônia, Tchecoeslováquia (que eram um único país na época) e França. Durante a passagem por Vênus, a nave lançaria um módulo de pouso, semelhante ao construído nas Venera anteriores e também um balão atmosférico para pesquisar as nuvens. (Figura 17) Figura 16. Réplica das naves Vega localizada no Udvar-Hazy Center em Virginia, EUA.

Ver esta página no PDF ↗

Página 18

AstroNova . N.13 . 2017 18 Estes balões eram esferas pressurizadas com gás hélio. O diâmetro era de 3,54 m. A carga pesava 6,9 kg e estava pendurada ao balão por um cordame de 13 m de comprimento. A sonda de pouso da Vega 1 apresentou falhas e na sua descida foram retornados apenas os dados do espectrômetro de massa por 20 minutos após o pouso. Já a sonda de pouso da Vega 2 trouxe novos dados. A análise do solo do local de pouso encontrou anortosita- troctolita, um tipo de rocha muito raro na Terra e encontrado na Lua. Seu funcionamento durou 56 minutos. Para ambas as naves, o balão flutuou na altitude de 54 km e seus sistemas funcionaram pouco mais que 46 horas. Foi verificado que nesta altitude a atmosfera de Vênus tem pressão e temperatura semelhantes às da Terra (pressão de 1 atm e temperatura em torno de 27°C) porém com ventos de até 240 km/h e também confirmou o que outras naves da missão tinham detectado: a presença dos ácidos sulfúrico e clorídrico nas nuvens. O futuro em Vênus Há um projeto russo de retomada das missões, é o projeto Venera-D (Figura 18). A proposta é fazer observações altimétricas como nas Veneras 15 e 16 e ter uma sonda de pouso que suporte pelo menos 3 horas na superfície. A previsão é de lançamento em 2025. Conclusões finais O Programa Espacial Venera foi um grande desafio de Engenharia e Logística da União Soviética. Mesmo com poucos recursos, se comparado à NASA, as realizações que este programa espacial proporcionou foram Figura 17. Testes do balão utilizado nas missões Vega 1 e Vega 2 realizado nas instalações da Corporação Lavochkin. Figura 18. Concepção artística da nave Venera-D.

Ver esta página no PDF ↗

Página 19

Figura 19. Concepção artística de como pode estar hoje uma das sondas de pouso do programa Venera. Arte digital de RJWaterworth. 1319 AstroNova . N.13 . 2017 imensas. Percebe-se que os erros ajudaram a melhorar e muito as naves posteriores. Espera-se que a retomada com as Venera-D ocorra o mais breve possível para que possamos compreender mais o que aconteceu com o planeta que é também considerado o mundo gêmeo da Terra (Vênus é ligeiramente menor que a nosso planeta). Para finalizar, segue uma representação artística de como pode estar atualmente uma das naves na infernal superfície venusiana (Figura 19) e duas tabelas com alguns dados das missões Venera e Vega (tabelas 1 e 2). Missão Massa Total (kg) LançamentoAproximação Máx. Massa do pousador (kg) Data de pouso Tempo de operação (h:min) Venera 1644 12/02/196119/05/1961- - - Venera 2963 12/11/196527/02/1966- - - Venera 3960 16/11/1965 (1) 377 01/03/1966- Venera 41106 12/12/196718/10/1967383 18/10/1967(2) Venera 51130 05/01/196916/05/1969410 16/05/196900:53 Venera 61130 10/01/196917/05/1969410 17/05/196900:51 Venera 71180 17/08/197015/12/1970500 15/12/197000:23 Venera 81184 17/03/197222/07/1972495 22/07/197200:50 Venera 9493608/06/197520/10/1975 (3)1560 22/10/197500:53 Venera 10503314/06/197523/10/1975 (3)1560 25/10/197501:05 Venera 11 494009/09/197825/12/1978760 25/12/197801:35 Venera 12494014/09/197819/12/19781600 21/12/197801:50 Venera 13439830/10/198101/03/1982760 01/03/198202:07 Venera 14439504/11/198105/03/1982760 03/03/198200:57 Venera 15525002/06/198310/10/1983 (3)- - - Venera 16530007/06/198311/10/1983 (3)- - - MissãoData de lançamentoAproximação máximaData de pousoTempo de operação (h:min) Vega 115/12/1984 11/06/1985 11/06/198500:20; 46:32 Vega 221/12/1984 15/06/198515/06/198500:56; 46:30 Rafael Cândido Jr. é graduado e mestre em Engenharia Química pela USP e doutorando em Engenharia Aeroespacial pelo ITA Referências bibliográficas A página do cientista Don P. Mitchell tem excelentes informações sobre o Programa Espacial Venera, incluindo até informações da instrumentação e telemetria das naves: Russian Planetary Exploration Brian Harvey Springer Praxis. Tabela 1. Dados das missões do Programa Venera. (1) A Venera 3 não tinha sonda de pouso. A nave se desfez de algumas estruturas e entrou na atmosfera para impacto na superfície. (2) A sonda de pouso da Venera 4 falhou antes do pouso. (3) Estas naves entraram em órbita citereocêntrica, ou seja, órbita em torno de Vênus. A data refere-se à inserção orbital. Tabela 2. Dados das missões do Programa Vega. Os tempos de operação referem-se ao lander e ao balão. Sendo naves gêmeas, tem-se: massa total = 4942 kg, massa do lander = 1520 kg e massa do balão = 22 kg. http://mentallandscape.com/V_Venus.htm

Ver esta página no PDF ↗

Página 20

Nebulosa Helix Astrofotógrafo: Augusto César Araújo Agosto/2016 Cachoeira - Maranguape/CE Nebulosa Helix Astrofotógrafo: Augusto César Araújo Agosto/2016 Cachoeira - Maranguape/CE

Ver esta página no PDF ↗