Ir para o conteúdo

Acervo textual da Revista AstroNova

Edição 13 — páginas 21 a 40

Esta página apresenta o texto extraído do PDF para tornar a edição pesquisável e acessível a leitores, navegadores e assistentes de IA. Consulte o PDF original para preservar diagramação, imagens, fórmulas e créditos.

Assuntos identificados: estação, venera, espacial, solar, eclipse, terra, superfície, pouso, sonda, órbita.

Página da ediçãoAbrir PDF completo

Página 21

Educação científica 24 horas por dia! Biologia, Ecologia, Geologia, Astronomia, Evolução, Genética e muito mais! Educação científica 24 horas por dia! Biologia, Ecologia, Geologia, Astronomia, Evolução, Genética e muito mais! www.facebook.com/academiadecienciasnaturaiswww.facebook.com/academiadecienciasnaturais Academia de Ciências Naturais Academia de Ciências Naturais Academia de Ciências Naturais Academia de Ciências Naturais

Ver esta página no PDF ↗

Página 22

Nebulosa de Órion Astrofotógrafo: Augusto César Araújo 02/09/2016 Matureia - PB Nebulosa de Órion Astrofotógrafo: Augusto César Araújo 02/09/2016 Matureia - PB

Ver esta página no PDF ↗

Página 23

ASTRONOMIA AMADORA Dois deles ocorrerão em 2017 e ambos serão visíveis no Brasil! Dois deles ocorrerão em 2017 e ambos serão visíveis no Brasil! ECLIPSES SOLARESECLIPSES SOLARES Wilson Guerra wilsonguerra@gmail.com Desde a pré-história a espécie humana olhava muito para o céu. A ausência de poluição luminosa - luzes artificiais atuais - facilitava a contemplação do universo. Com o tempo, a necessidade por orientação e por um controle do calendário sazonal (para regular plantações e colheitas) trouxe um conhecimento empírico do céu. Isto passou a ser fundamental para as civilizações antigas. Perder a referência deste "relógio astronômico" significaria o caos. Esta é razão dos eclipses serem um evento tão dramático na vida de nossos ancestrais. O repentino e inesperado desaparecimento do Sol ou da Lua constituía um terrível pesadelo para os sábios do passado. Como a interpretação dos fenômenos disponível na época tinha origem mitológica, a solução para o problema era ritualizada. Ao ocorrer um eclipse os povos nórdicos entendiam que alguma divindade estaria engolindo o Sol ou a Lua. Sua tática para evitar tamanho "desastre" era um rito de muito barulho e gritaria, uma tentativa de espantar o "mal espírito" que atacava as divindades celestes. Da perspectiva deles isso funcionava, pois depois de algum tempo o astro aos poucos voltava a brilhar no céu. Os povos indígenas de nossa região também viam os eclipses com muita apreensão, e realizavam uma série de atividades ritualísticas com o intuito de interromper o fenômeno. Com o tempo, percebeu-se que havia uma certa regularidade para a ocorrência de eclipses. Ainda na antiguidade muitos estudiosos começaram a ver o fenômeno como algo natural. Passaram a sistematizar suas observações e com isso conseguiram prever eclipses 1323

Ver esta página no PDF ↗

Página 24

1 - Umbra: Eclipse Solar Total 2 - Penumbra: Eclipse Solar Parcial 3 - Sem sombra: não há eclipse 44 SOL TERRA LUALUA 1 Tipos de Eclipse Solar Figura 1 Astros sem escala Fragmentos da Máquina de Anticítera Réplica moderna da Máquina de Anticítera AstroNova . N.13 . 2017 24 solares e lunares. A máquina de Anticítera , encontrada por arqueólogos em barcos naufragados, era um complexo aparelho de engrenagens da grécia clássica que previa eventos astronômicos, incluindo eclipses. UMA COMPREENSÃO CIENTÍFICA O eclipse é um fenômeno em que um astro passa pela sombra de outro. Quando o Sol, a Terra e a Lua encontram-se quase ou perfeitamente alinhados, a Lua passa pela sombra da Terra: ocorre um eclipse lunar. Sem a iluminação direta da luz solar, a Lua quase desaparece. Os mais velhos denominam o fenômeno de "lua sangrenta" devido a sua coloração avermelhada durante o eclipse. Mas esse termo está em desuso. Já quando o alinhamento se dá na ordem Sol, Lua e Terra, ocorre um eclipse solar. Nesta configuração, a Lua obstrui os raios solares, projetando sua sombra em alguma região da superfície da Terra. A região de sombra total é chamada umbra. A região de sombra parcial é a penumbra (figura 1). Para quem está observando o fenômeno, ou seja, está aqui na superfície da Terra, há três possibilidades: Eclipse solar total: ocorre para o observador que fica na região de sombra total (umbra). A Lua "tapa" completamente o Sol. O dia se torna noite em minutos! A Natureza tem reações muito interessantes durante um eclipse solar total, e as vezes até engraçadas. É possível encontrar vídeos na internet (YouTube, etc) de galinhas entrando no galinheiro para dormir, durante um eclipse total. 2 2 3 3

Ver esta página no PDF ↗

Página 25

1325 AstroNova . N.13 . 2017 Quando o fenômeno acaba e a luz do dia retorna, elas saem do galinheiro novamente. Um eclipse solar total também é uma bela oportunidade para os pesquisadores. Com a Lua obstruindo a intensa luz solar, é possível estudar uma região em torno do Sol chamada "coroa solar" (figura 2). Esta região compõe uma espécie de atmosfera do Sol, com gás muito aquecido, (basicamente hidrogênio e um pouco de hélio). O hélio, inclusive, foi descoberto durante um eclipse solar, se tornando o único elemento químico encontrado primeiro no espaço para depois ser detectado também aqui na Terra. Daí seu nome, uma referência a Helios (Sol em grego). Foi em um eclipse total, visto a partir de Sobral no Ceará em 1919, que a medição do desvio aparente de uma estrela serviu como primeira evidência observacional da Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein. Sem o eclipse, as estrelas não seriam visíveis e a medição não poderia ser feita (figura 3). Eclipse solar parcial: é o que vê um observador que esteja na região de penumbra (pontos 2 da figura 2). Desta posição, a Lua cobre apenas parte do disco visível do Sol. Dependendo da porção do disco solar coberto pela Lua, o eclipse parcial pode tranformar a iluminação do ambiente em algo parecido com um fim de tarde - em pleno meio-dia! A figura 4 exibe uma astrofoto de um eclipse parcial. Eclipse anular: a órbita que a Lua descreve ao redor da Terra não é uma circunferência perfeita. É uma elipse de baixa excentricidade, ou seja, é "um pouco oval". Como a Terra não está exatamente no centro dessa "oval", há pontos em que a Lua está um pouco mais próxima de nosso planeta, e pontos onde está um pouco mais afastada (figura 5). Nestes pontos de maior afastamento, o diâmetro aparente da Lua Figura 2 - A região brilhante ao redor do Sol é a coroa solar. Por ser milhões de vezes menos brilhante que o Sol, só pode ser vista em um eclise solar total. Coroa Solar Figura 3: fotografia do eclipse solar total ocorrido em 29 de maio de 1919, visto da cidade de Sobral (CE). Em 1999 foi criado o Museu do Eclipse, uma exposição permanente, painéis contendo mapas e fotos da cidade de Sobral na época do Eclipse, dos integrantes das comissões brasileira e estrangeira para observação do fenômeno, instrumentos utilizados pelos cientistas e um telescópio adaptado com uma câmera digital de alta resolução, sendo este, considerado um dos aparelhos mais potentes do Norte e Nordeste do país. A luz de estrela distante sofre desvio pela gravidade do Sol e pode ser vista em um observatório na Terra, como previa a Teoria da Relatividade Geral proposta por Albert Einstein. Estrela distante Sol Lua Terra

Ver esta página no PDF ↗

Página 26

AstroNova . N.13 . 2017 26 (ou seja, o tamanho que a vemos no céu) fica ligeiramente menor. Claro, pois está mais afastada. Quando um eclipse solar acontece nessas condições, o diâmetro aparente da Lua pode não ser suficiente para cobrir todo o Sol. Ocorre então um eclipse solar anular, e as bordas do Sol continuam visíveis, formando a imagem de um anel brilhante (figura 6). Este tipo de eclipse solar é mais raro, pois precisa coincidir com posições da Lua próximas do apogeu - nome dado a posição da órbita mais longe da Terra. Quem observa um eclipse anular está em uma região de sombra parcial chamada anti-umbra (figura 7). É importante lembrar que a Lua se afasta da Terra a uma taxa de aproximadamente 4 centrímetros por ano. Isto significa que um dia a Lua Figura 4 - Eclipse solar parcial ocorrido em 2014. www.nasa.gov/content/goddard/how-to-safely-watch-the-october-23-partial-solar-eclipse/ Figura 6 - Eclipse solar anular ocorrido em 2003. https://stereo.gsfc.nasa.gov/classroom/eclipse.shtml estará afastada da Terra a tal ponto que não conseguirá mais cobrir todo o disco solar. E nunca mais ocorrerão eclipses solares totais; apenas parciais ou anulares! Eclipse solar híbrido, um caso especial: existem situações muito raras em que, durante o movimento da sombra da Lua pela superfície da Terra, observadores de pontos diferentes vêem tipos distintos de eclipses, de totais a anulares. Para determinados pontos, a distância até a Lua é menor, e a região fica totalmente coberta pela sombra da Lua (umbra). Nestes locais, observaríamos um eclipse solar total. Já em outros locais, a distância até a Lua é maior porque a superfície da Terra é curva (nosso planeta é praticamente uma esfera), pode acontecer que estas regiões acabem sendo cobertas pela sombra parcial da Lua, a anti-umbra. Um observador desta região, Figura 5 - O perigeu e o apogeu da Lua (fonte: Roscosmos) PERIGEU APOGEU

Ver esta página no PDF ↗

Página 27

portanto, veria um eclipse solar anular (veja figura 8). CONFIGURAÇÃO EM QUE UM ECLIPSE É POSSÍVEL O plano da órbita da Lua ao redor da Terra não coincide com o plano da órbita da Terra ao redor do Sol. Elas possuem uma diferença angular de 5 graus (figura 9). Desta forma, um eclipse só pode ocorrer quando o alinhamento entre Sol, Terra e Lua coincidir com a Lua em um ponto de sua órbita que toca o plano da órbita da Terra. É daí que vem o termo eclipse: o ponto de intersecção entre as eclípticas (linhas na esfera celeste que representam a trajetória do Sol e Lua em uma perspectiva geocêntrica). Se não existisse essa diferença angular nos planos orbitais da Lua e da Terra, haveriam eclipses todos os meses. Mas como os planos não coincidem, existem épocas do ano onde é possível a ocorrência de eclipses. Em todas as outras épocas não há como ocorrer eclipses pois qualquer alinhamento entre o Sol, a Terra e a Lua é impossível. É importante lembrar que Figura 9 Ângulo de 5º Sol Lua Terra Ângulo de 5ºÂngulo de 5º Ângulo de 5º Sol Plano orbital da Terra Plano orbital da Lua Em torno de agosto Em torno defevereiro Pontos onde a órbita da Lua intersecciona o plano orbital da Terra Pontos onde a órbita da Lua intersecciona o plano orbital da Terra 27 AstroNova . N.13 . 2017 44 SOL TERRA LUALUA ECLIPSE SOLAR ANULAR (Astros sem escala) umbraanti-umbra Figura 7 - Formação da anti-umbra durante um eclipse anular. (Astros sem escala) Figura 8 - Ocorrência de eclipse solar híbrido. Movimento da Lua Eclipse anular Eclipse total Maior distância Menor distância devido as interações gravitacionais com o Sol, a órbita da Lua gira lentamente e faz com que os meses das temporadas de eclipses se adiantem um pouco no decorrer dos anos. Neste ano de 2017, serão nos meses de fevereiro e agosto.

Ver esta página no PDF ↗

Página 28

AstroNova . N.13 . 2017 COMO OBSERVAR UM ECLIPSE SOLAR Não devemos olhar diretamente para o Sol. Isto provoca lesões irreversíveis na retina, levando perda parcial ou total da visão. Por isto, observar um eclipse solar requer alguns cuidados. Não é aconselhado usar "chapas de radiografia". Apesar da filtragem de grande parte da luz visível tornar a observação do Sol fácil, estas "chapas" não filtram os raios ultravioleta. Observar o Sol com uma delas é bompardear os olhos com estes raios. A longo prazo pode levar a cegueira. Para quem faz questão de observar o fenômeno diretamente o ideal é adquirir filtros adequados para isto. Uma alternativa é o vidro usado em máscaras de soldador. Eles são classificados por números de acordo com a espessura. Para observar o Sol, a mínima espessura recomendada é a de número 14. Outro método muito bom é usando o princípio da "câmara escura". Nela, a imagem do Sol é projetada em um anteparo branco colocado na face interior de uma caixa que deve ter um pequeno furo na face oposta, por onde entra a luz (fig. 10). Agora é torcer para que, nos dias dos eclipses, a meteorologia colabore e mantenha os céus limpos. Wilson Guerra é professor, graduou-se em Física (UEM), tem especialização em Astrobiologia (UEL) e atualmente é mestrando em Educação Científica (UEM). Referências: Astronomia - Guia Ilustrado Editora Zahar Astronomia Elementar Roberto Rosa, Editora EDUFU Área de abrangência do eclipse solar de fevereiro/2017. Clique na imagem para ver a animação. Área de abrangência do eclipse solar de agosto/2017. Clique na imagem para ver a animação. VISÍVEIS NO BRASIL Dois eclipses solares ocorrerão este ano. O primeiro no dia 26 de fevereiro e inicia-se por volta do meio dia. Será visível nos estados das regiões sul, sudeste, parte do centro- oeste e parte do nordeste. Quando mais ao sul, maior a área do disco solar que será encoberta pela Lua e mais intenso será o eclipse. O segundo ocorre dia 21 de agosto. Somente as regiões norte e nordeste, e parte da região centro-oeste poderá contemplar o fenômeno. O início do eclipse variará de próximo das 15h até as 18h, dependendo da região. Em ambos os casos, fevereiro e agosto, os eclipses solares vistos no Brasil serão apenas parciais. Astronomia e Astrofísica astro.if.ufrgs.br/eclipses/eclipse.htm 28 Figura 10 - Vendo um eclipse solar com o princípio da "câmara escura". Para uma imagem nítida é indicado manter a seguinte proporção: para um tamanho da câmara (L) de 50m, o furo na caixa deve ser de aproximadamente 5 milímetros. L uz ollsar folha branca furo

Ver esta página no PDF ↗

Página 29

Arcturus Clube de Astronomia do ABC Arcturus Clube de Astronomia do ABC Arcturus Clube de Astronomia do ABC Arcturus Clube de Astronomia do ABC www.facebook.com/arcturus.acaabcwww.facebook.com/arcturus.acaabc

Ver esta página no PDF ↗

Página 30

Faixa da Via Láctea Astrofotógrafo: Augusto César Araújo setembro/2016 Icapuí - CE Faixa da Via Láctea Astrofotógrafo: Augusto César Araújo setembro/2016 Icapuí - CE

Ver esta página no PDF ↗

Página 31

Rogério Correia de Souza rogercsouza@yahoo.com.br O tema que une toda a Biologia, a Evolução das Espécies comumente encontra obstáculos para ser exposta em sala de aula. Um desses principais obstáculos são os conhecimentos prévios de origem religiosa que alguns alunos podem trazer como bagagem sobre as origens da vida e do universo, pois todas as culturas possuem uma versão própria para estas origens. Em nosso país a versão usada é a proveniente do livro bíblico do Gênesis, EVOLUÇÃO HUMANAEVOLUÇÃO HUMANA fazendo com que ocorram conflitos entre Ciência e religião. Devido a isso, algumas abordagens diferentes podem ser usadas para que esses conflitos sejam amenizados ou mesmo extintos. Talvez a principal abordagem seja em usar na sala de aula, as evidências que dão sustentação aos conceitos científicos. Com estas evidências presentes a credibilidade aumenta muito, não dando margem a outras interpretações não científicas, especialmente em uma disciplina nada abstrata como a Biologia. No 4º bimestre do ano letivo de 2016, estudantes de 3º ano do ensino médio estadual em Guarulhos (SP) testaram uma nova metodologia no ensino em Evolução Humana. Diferente dos trabalhos bimestrais comuns, onde estavam acostumados a correr para pesquisar na internet, desta vez eles elaboraram estudos empíricos, o chamado trabalho de Análise Morfológica de Crânios de Hominídeos , usando metodologia comparativa, com réplicas em escala 1:1 1331 ANTROPOLOGIA BIOLÓGICA no ensino médiono ensino médio EVOLUÇÃO HUMANAEVOLUÇÃO HUMANA no ensino médiono ensino médio ANTROPOLOGIA BIOLÓGICA

Ver esta página no PDF ↗

Página 32

cedidas pelo professor (Chimpanzé bonobo, Australopithecus afarensis, Homo rudolfensis, Homo ergaster e Homo sapiens). Compararam umas com as outras, atentando-se a 4 tópicos na escala evolutiva humana: - Desenvolvimento do bipedalismo; - Desenvolvimento crânio / encefálico; - Desenvolvimento dentário; - Desenvolvimento tecnológico / cultural; Após os trabalhos comparativos em sala de aula, eles puderam tirar dúvidas na internet, mas somente para saber se o rumo da pesquisa estava correto com publicações e se a terminologia estava adequada. O principal foco desta atividade lúdica foi a importância em demonstrar as diferenças morfológicas em cada espécie durante os 3,2 milhões de anos estudados. Por exemplo, como um crânio com capacidade volumétrica de 400 cc, evoluiu para um de 1300cc de volume na nossa espécie. Os resultados obtidos foram além do esperado, mesmo entre os alunos com influência religiosa mais extrema. A presença da evidência evolutiva afasta as sombras  do misticismo, sendo que a capacidade empírica de encontrar respostas para os 4 tópicos evolutivos também foi aumentada com a curiosidade de uma nova atividade. Para o ano letivo de 2017 já está sendo preparada uma segunda etapa deste trabalho, que contará com o apoio do Prof. Dr. Walter Neves, do Instituto de Estudos Evolutivos Humanos da USP. Foi ele quem identificou Luzia , o crânio da mulher mais antiga das Américas. O prof. Walter Neves cederá mais 5 réplicas de crânios para que os alunos estendam os estudos até 6 milhões de anos no passado. Segundo ele essa atividade em sala de aula é inédita no Brasil. É lamentável que esta iniciativa partiu somente do professor, não possuindo qualquer apoio por parte da rede estadual de ensino do Estado de São Paulo nem por parte da gestão da escola. Estamos diante de uma preocupante institucionalização da deficiência do ensino há décadas. Isso é perigoso, pois deixa uma lacuna de formação que dá margem a interpretações de mundo que pode ser preenchida até pelo fanatismo religioso. Rogério C. Souza graduou-se em Ciências Biológicas pela UNG. É professor e coordenador da página Academia de Ciências Naturais. AstroNova . N.13 . 2017 2232

Ver esta página no PDF ↗

Página 33

www. RECURSOSdeFÍSICA .com.br Página que socializa produção de recursos de ensino adaptados à sala de aula e aos professores. Material produzido nas disciplinas do curso de Licenciatura em Física da UEM e em outros projetos coordenados pelo prof. Dr. Ricardo Francisco Pereira.

Ver esta página no PDF ↗

Página 34

Página destinada à notícias da Ciência e da Astronomia. www.youtube.com/user/cienciaeastronomia

Ver esta página no PDF ↗

Página 35

35 Wilson Guerra wilsonguerra@gmail.com Diferente das idas e voltas rápidas à Lua ou dos vôos tripulados com o ônibus espacial, uma verdadeira exploração espacial ao cosmo exige empreitadas de maior duração. Os aparatos de engenharia que permitirão esse monumental empreendimento são as estações espaciais, laboratórios orbitais que também servem como porto seguro no frio oceano cósmico. É nestes laboratórios que são realizados os estudos médicos e biológicos que irão nos permitir viagens confiáveis e cada vez mais longas para regiões mais afastadas no Sistema Solar. É neles também que experimentos especiais de física, química e engenharia podem ser realizados, uma vez que as estações são ambientes com uma propriedade única: a microgravidade, chamada erroneamente de "gravidade zero". Foi no ambiente tenso da Guerra Fria entre os Estados Unidos e a ex-União Soviética (URSS), hoje Rússia, que as estações espaciais apareceram. Apesar de darem continuidade a uma corrida espacial de cunho bélico, foram perdendo paulatinamente seu caráter militar, para no final ganharem uma louvável finalidade 100% científica. O PASSADO Soyuz-4 e 5: um prelúdio Em janeiro de 1969, as cápsulas espaciais soviéticas Soyuz-4 e Soyuz-5 realizaram um inédito acoplamento em Fonte: www.esa.int ESTAÇÕES ESPACIAIS Passado, Presente e Futuro ESTAÇÕES ESPACIAIS Passado, Presente e Futuro ASTRONÁUTICA

Ver esta página no PDF ↗

Página 36

AstroNova . N.13 . 2017 36 órbita da Terra (figura 1a). Na prática, elas formaram a primeira estação espacial experimental da História. As naves soyuz (figura 2) se tornaram o principal transporte espacial soviético na década de 1960, e são usadas até hoje pelos russos e por astronautas de outros países conveniados da atual Estação Espacial Internacional. O acoplamento das duas naves ocorreu dia 16 de janeiro de 1969 e durou quase quatro horas. Neste tempo os cosmonautas Aleksei Yeliseyev e Yevgeni Khrunov saíram da Soyuz-5 e se encontraram com Vladimir Figura 2 - Cápsula espacial Soyuz (Fonte: NYT) Aspecto Geral Externo Módulo orbital Contém mecanismos de encontro e acoplamento Módulo de retorno Capacidade de até três cosmonautas. É nele que os tripulantes voltam à Terra Módulo de propulsão Contém combustível, instrumentos de vôo e de guiamento da nave. Painéis Solares Figura 1a - Ilustração do acomplamento da Soyuz-4 com a Soyuz-5. Figura 1b - Cosmonautas reunidos na Soyuz-4. Emblemas da Soyuz-4 (acima) e da Soyuz-5. Shatalov, na Soyuz-4 (figura 1b). A transferência se deu por uma caminhada espacial, já que neste experimento o acoplamento das naves não contava com aberturas internas. Soyuz-4 vista da Soyuz-5. Modularidade

Ver esta página no PDF ↗

Página 37

37 AstroNova . N.13 . 2017 Estações Salyut e o pioneirismo soviético Depois de muito treino com outros acoplamentos (Soyuz 6, 7 e 8), a União Soviética lança de fato a primeira estação espacial da história, a Salyut (figura 3), que significa "saudação", em russo. As estações Salyut faziam parte do projeto Almaz, um programa de cunho militar espacial. Mas as outras versões que sucederam a Salyut foram aos poucos perdendo o projeto militar até se tornarem laboratórios científicos de fato. A Salyut foi lançada dia 23 de abril de Figura 3 - A Salyut-1 fotografada da nave Soyuz-10. Fonte: www.spacefacts.de 1971 por um foguete Proton. Como havia proposto o engenheiro russo Konstantin Tsiolkoviski, a estação foi lançada sem tripulação, que acoplou dias depois a bordo da nave Soyuz-10. A Salyut levava dois telescópios, um espectrógrafo e um sistema hidropônico para estudar e desenvolvimento de plantas na microgravidade. Os cosmonautas fizeram diversas observações biomédicas neles próprios para estudar os efeitos da microgravidade no corpo humano. A segunda tripulação veio na Soyuz-11. Nesta ocasião a estação foi pilotada, fazendo-se correções de órbita. Tragicamente, no retorno à Terra, a Soyuz-11 despressurizou-se e os seus 3 cosmonautas aterrissaram já mortos. A Salyut reentrou deliberadamente na atmosfera em 11 de outubro de 1971, desintegrando-se. A Salyut-2 foi lançada em 3 Figura 4 - Diagrama da Salyut-3, com uma nave Soyuz (esquerda) acoplada (Fonte: NASA) de abril de 1973 pelo foguete Proton. Tinha 18.600kg, trezentos a mais que sua antecessora. Sua finalidade militar foi mantida em segredo. Acredita-se que tenha sido usada para fotorreconhecimento da superfície da Terra. Houve problemas de funcionamento e foi detectada uma pequena explosão na Salyut-2. Mas ela cumpriu sua missão, trazendo informações importantes para o desenvolvimento das próximas estações. Ela foi sucedida por uma estação também militar de código Cosmos 557. Vários defeitos foram encontrados e com isso a estação seguinte teve seu lançamento adiado por mais de um ano. A Salyut-3 (figuras 4 e 5) foi a primeira da série que executou todas as suas operações. Foi lançada em 24 de junho de 1974. Tinha o mesmo peso da Salyut-2, mas houve modificações Figura 5 - Interior da estação espacial Salyut-3. Fonte: Roscosmos

Ver esta página no PDF ↗

Página 38

38 AstroNova . N.13 . 2017 com as versões anteriores, como realocação dos painéis solares, desta vez maiores. Havia também um sistema para ejetar cápsulas recuperáveis. Elas continham filmes fotográficos das atividades de reconhecimento militar. O sistema de regulação de temperatura foi aperfeiçoado e foi testado um mecanismo de reciclagem de água no espaço pela primeira vez. A Salyut-3 recebeu seus cosmonautas pela nave Soyuz-14. Além das atividades militares, os cosmonautas realizaram 400 experimentos de cunho totalmente científico. A Salyut-3 reentrou em 24 de agosto de 1975, permanecendo mais de 1 ano em órbita. A Salyut-4 foi lançada em 26 de dezembro de 1974 (figuras 6a e 6b). Como sua antecessora, tinha 18.600kg e foi carregada por um foguete Proton. Nela foi dado continuidade às pesquisas científicas em observações biomédicas e de recursos naturais da Terra. Em astronomia as pesquisas contaram com 3 tipos de telescópios: infravermelho, solar e de raios-x. Os painéis solares eram mais eficientes e se orientavam automaticamente para melhor captação de luz solar. Sua primeira tripulação veio na nave Soyuz-17, que permaneceu por um mês. A segunda, com a nave Soyuz-18, permaneceu mais de 2 meses a bordo. A Salyut-4 funcionou por mais de dois anos! Reentrou na atmosfera ao finalizar suas finalidades militares, em 2 de fevereiro de 1977. A Salyut-5 (figura 7) foi lançada ao espaço em 22 de junho de 1976. Também pesada 18.600kg e também foi levada ao espaço por um foguete Proton. Além das suas finalidades militares, esta estação começou a usar equipamentos para pesquisa em engenharia de materiais, o Splaw e o Kristall. Em biologia foram realizados experimentos com algas, peixes e plantas. Receberam duas tripulações, a da Soyuz- 21 (49 dias) e da Soyuz-24 (17 dias). A Salyut-5 ficou no espaço pouco mais de um ano, desintegrando-se na reentrada em 8 de agosto de 1977. Com ela a URSS realizou seu último projeto militar de estações espaciais. A Salyut-6 (figura 8) constituiu a primeira exemplar de uma segunda geração de estações espaciais. Lançada pelo foguete Proton em 29 de setembro de 1977, tinha 18.900kg. Com a experiência acumulada das estações anteriores, a Salyut-6 era muito mais aperfeiçoada. Figura 6a - Diagrama da estação Salyut-4 acoplada com uma nave Soyuz www.spacefacts.de Figura 6b - Estação Salyut-4 em construção. Figura 7 - Diagrama da estação Salyut-5 Fonte: www.spacefacts.de Salyut-5 Soyuz

Ver esta página no PDF ↗

Página 39

O cosmonauta Zhugderdemidiyn Gurragcha, (à direita) da Mongólia, na estação Salyut-6. O cosmonauta cubano Arnaldo T. Méndez, (centro) na estação Salyut-6. 39 AstroNova . N.13 . 2017 Contou pela primeira vez com um sistema para acoplamento automática de naves cargueiras chamadas Progress. O sistema e os cargueiros são até hoje essencialmente os mesmos usados na ISS. Com estes cargueiros, a tripulação poderia receber equipamentos, combustível e mantimentos, dando uma caráter de longa duração à permanência humana no espaço. Na Salyut-6 foram recebidas nada menos que 17 expedições. Foi nesta estação que também iniciou-se um Emblema das Expedições Interkosmos Fonte: www.spacefacts.de Diagrama da estação espacial Salyut-6 - Fonte: www.spacefacts.de programa espacial tripulado que contava com cosmonautas internacionais, as Expedições Interkosmos. Nelas, além da URSS claro, participaram Tchecoslováquia (hoje República Tcheca e Eslováquia são países distintos), Polônia, Alemanha Oriental (na época a Alemanha era dividida em duas), Bulgária, Hungria, Vietnam, Cuba, Romênia e Mongólia. Foi com a Salyut-6 que uma nova versão da espaçonave começou a ser usada para transportar cosmonautas: a Soyuz-T. A estação Salyut-6 foi desativada em 29 de julho de 1982, permancendo em órbita por quase cinco anos! Neste período inúmeros experimentos foram realizados em biomedicina, botânica, engenharia de materiais e na observação da Terra via espaço. Figura 8 - Estação Salyut-6 em órbita. Nave Soyuz Cargueiro rogressP Esaão Salyt-tç u6 O cosmonauta vietimanita Tuân Phan (centro) a bordo da Salyut-6.

Ver esta página no PDF ↗

Página 40

40 AstroNova . N.12 . 2016 Em 13 de maio de 1982 foi lançada a Salyut-7 (figura 9). Tinha 18.900kg como sua antecessora. Conectou módulos experimentais e deu continuidade às expedições Interkosmos, recebendo cosmonautas da França e da Índia. Também recebeu a segunda mulher a viajar no espaço, a cosmonauta Svetlana Savitskaya. A Salyut-7 passou por muitas atualizações e restaurações, incluindo na parte externa. Isso exigiu o trabalho de muitos cosmonautas na parte externa da nave, inclusive de Stelevana. Uma série de modificações permitiram mais conforto e higiene aos tripulantes. Isso permitiu que os cosmonautas pudessem permanecer Figura 9 - Estação Espacial Salyut-7 - Fonte: www.spacefacts.deMódulo experimental (em segundo plano) acoplado à Salyut-7. períodos mais longos no espaço. O acompanhamento médico melhorou, e eletrocardioagramas da tripulação já podiam ser transmitidos imediatamente e acompanhados pelos centros de controle em solo. O complexo, envolvendo a estação e dois veículos acoplados, atingia massa total de 32.900kg. Ao todo recebeu 21 cosmonautas. Em agosto de 1986 a Salyut-7 teve sua órbita elevada pelos motores do módulo Cosmos 1686 e já não era ocupada por cosmonautas. A intenção era estudar os efeitos de degradação da estrutura da estação nas condições do espaço. Em 6 de fevereiro de 1991 a estação Salyut-7 reentrou na atmosfera da Terra. Sua permanência no espaço totalizou quase 9 anos. Cosmonautas de várias expedições diferentes a bordo da Salyut-7. Ao centro a cosmonauta Stelevana Savitskaya. Diagrama mostra a estação espacial Salyut-7 acoplada a um módulo experimental Cosmos (esquerda) e uma nave Soyuz (direita).

Ver esta página no PDF ↗