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Acervo textual da Revista AstroNova

Edição 13 — páginas 41 a 56

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Assuntos identificados: estação, venera, espacial, solar, eclipse, terra, superfície, pouso, sonda, órbita.

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Skylab, uma estação espacial dos EUA Depois da chegada de astronautas à Lua, os Estados Unidos iniciaram seu próprio programa de estações espaciais na tentativa de competir com seus pares da URSS. Esta estação recebeu o nome de Skylab (laboratório celeste). A idéia era iniciar com estações científicas para, com o tempo, torná-las militarmente operacionais. Mas uma série de contratempos impediu que esse caminho fosse implementado. Depois de alguma confusão na nomenclatura das missões tripuladas, que se definiu posteriormente, a estação espacial dos EUA foi lançada em 14 de maio de 1973, dois anos depois da Salyut-1). Foi levada ao espaço já totamente equipada por um foguete Saturno, o mesmo das missões lunares, mas com adaptações. Vibrações muito fortes do foguete causaram danos estruturais e a Skylab não conseguir abrir os todos os painéis solares, salutares pra obtenção de energia elétrica necessário ao funcionamento de seus instrumentos. Depois de manobrada remotamente, os paineis abertos ficaram melhor orientados com o Sol minimizando o problema. A 41 AstroNova . N.13 . 2017 primeira tripulação de astronautas, que recebeu o nome de Skylab II, foram lançados somente em 25 de maio, por uma nave Apollo (as mesmas usadas para a viagem à Lua). Esta equipe ficou encarregada de sanar os defeitos restantes na Skylab. A segunda tripulação (missão Skylab III) subiu em 28 de julho, levando os astronautas Owen Garriot Alan Bean e Jack Lousma. A missão Skylab IV partiu em 16 de novembro do mesmo ano, levando os astronautas estreantes Gerald Carr, Estação Skylab em órbita - Fonte: www.nasa.gov Diagrama da estação Skylab. No extremo inferior esquedo, uma cápsula Apollo acoplada, usada para o envio e retorno dos astronautas.

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William Pongue e Edward Gibson, que se tornaram os primeiros homens a observar um cometa fora da atmofera da Terra - o cometa Kohoutek. A estação Skylab era muito maior e mais pesada que a série Salyut da URSS. O maior espaço interno também dava mais conforto aos astronautas. Mas as missões não foram bem planejadas e houve vários desentendimentos durante sua operação. Uma vídeo- conferência chegou a ser realizada para que os astronautas expusessem as dificuldades para que a equipe de solo revisse o cronograma e atividades a serem feitas. Por fim nem metade dos experimentos previstos foram realizados, totalizando assim 46 experiência em tecnologia espacial, astronomia, biomedicina e geociências. Chegou-se a cogitar uma nova tripulação para a Skylab, mas os custos foram considerados proibitivos e o projeto foi cancelado. Os últimos astronautas da Skylab retornaram à Terra em 8 de fevereiro de 1974, mas a estação permaneceu vazia em órbita até julho de 1979. No dia 11 daquele mês, reentrou na atmosfera. Seus detritos caíram no Oceano Índico e em território australiano. Para mais detalhes do programa Skylab, veja o artigo de Rafael Cândido na edição n. 5 da AstroNova. Estação Espacial Mir, um laboratório permanente Antes ainda de concluir a estação Salyut-7, os soviéticos iniciaram a terceira geração de estações espaciais que se tornou o paradigma definitivo para este tipo de engenharia. Uma estação modular, mandada ao espaço em partes e montada com um "lego". Esta estação recebeu o nome de Mir ("paz", em russo). A figura 10 mostra sua configuração finalizada. Sua massa total chegou a 130.000 kg, disponibilizando um espaço interno de quase 400m³. Foi projetada para funcionar por 4 anos, depois prorrogada para 9, mas operou por quase 15 anos! A grande inovação em relação às antecessoras Salyut foi seu sistema multimodular, que permitia acrescentar laboratórios inter- conectados (figura 11). O primeiro módulo da Mir foi lançado em 19/02/1986 e o último em 23/04/1996. Módulo central: era o principal, destinado ao 42 AstroNova . N.13 . 2017 Figura 10 - Versão final da estação espacial Mir (1996)

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43 AstroNova . N.13 . 2017 Figura 11 - Módulos da estação espacial Mir www.ecured.cu/Archivo:Mir_diagrama.png controle geral da estação. Também continha os dormitórios dos cosmonautas. Quant-1: módulo destinado a pesquisas em Astronomia, foi acoplado ao módulo central em 9/04/1987. Quant-2: módulo que acomodava os sistemas de suporte de vida. Foi acoplado em 6/12/1989. Kristall: laboratório de pesquisas em engenharia de materiais. Nele também se realizavam pesquisas em Geofísica e Astrofísica. Foi acoplano em 10/06/1990. Spektr: acoplado em 1/07/1995, era um laboratório de trabalhos conjuntos entre Rússia e Estados Unidos. Também servia de alojamento aos astronautas da NASA. Priroda: acoplado em 26/04/1996, Priroda (em russo, Natueza) era dedicado a pesquisas de recursos naturais da Terra e de sistemas de sensoriamento remoto. Na Mir concluído o programa Interkosmos, com visitas de cosmonautas do Afeganistão, Bulgária e Síria. No fim da década de 1980 a Mir precisou ser auto- financiada devido a dificulades econômicas do Estado Soviético. Iniciaram- se uma série de programas de cooperação onde astronautas estrageiros tinham suas estadias pagas pelas suas agências espaciais e outras entidades. Neste contexto o programa Euro- Mir levou 12 astronautas da Agência Espacial Européia à Mir. Também foi neste período o repórter japonês Toyohiro Akiyama passou uma semana na estação soviética. Depois do desmembramento da URSS em 1991, a Rússia entrou em uma grave crise econômica. As parcerias para manter a Mir passaram a ser fundamentais. Nesta época a NASA e a Roscosmos (agência espacial da Rússia) firmam o acordo Shuttle- Mir. Um adaptador foi instalado no módulo Kristall para acoplar os ônibus espaciais dos Estados Unidos. Dezenas de astronautas dos EUA trabalharam na estação russa. Essa cooperação foi o que possibilitou a concretização da atual Estação Espacial Ônibus espacial Atlantis (NASA) acoplado à Estação Espacial Mir em 1995.

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44 AstroNova . N.13 . 2017 Internacional. Ao longo de mais de uma década de funcionamento, a Mir trouxe muitos avanços na área de engenharia de materiais, indústria farmacêutica e biomedicina, avançando no entendimento de como o corpo humano se comporta no espaço. Também houve vários problemas, principalmente nos últimos anos de sua vida útil, agravados por conta da contenção de gastos do governo russo que atrasou a conclusão da estação para além de seu prazo de validade previsto. Uma colisão de um cargueiro progress danificou um painel solar do módulo Spektr em 1997. Antes, em 1994, uma cápsula Soyuz também colidiu com o módulo Kristall. Também em 1997, houve um mal funcionamento no sistema de produção química de oxigênio para os tripulantes. Em abril daquele ano ocorreu um perigoso vazamento de substância tóxica no interior da estação. Ainda assim, o acúmulo técnico-científico de experiência da Mir foi tão grande que levou a NASA a fazer questão de pegar carona na estação, um reconhecimento indireto ao indiscutível avanço soviético na astronáutica de estações espaciais. Finalmente a Mir foi foi desativada em 2001, e reentrou na atmosfera sobre o Oceano Pacífico dia 23 de março. Mir reentrando na atmosfera em março de 2001. O PRESENTE Estação Espacial Internacional (ISS) A Estação Espacial Internacional (ISS, sigla em inglês) é o maior empreendimento de engenharia já realizado. Atualmente são os 15 principais membro do consórcio: Estados Unidos, Rússia, Japão, Canadá e países da Agência Espacial Européia. A ISS começou com 16 membros, pois tinha a participação do Brasil. Mas os governos brasileiros não honraram com os compromissos estabelecidos e nosso país foi retirado do grupo. Em 2015 a China solicitou ingresso no projeto, mas uma anacrônica legislação dos EUA impediu a NASA de aprovar a entrada dos Figura 12 - Configuração atual da Estação Espacial Internacional. Fonte: www.nasa.gov/feature/the-international-space-station-is-a-unique-place

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chineses. Pelo acordo da ISS novos integrantes só entram por aprovação unânime dos países-membros. A ISS surgiu de um acordo bilateral Rússia-EUA que foi benéfica para ambas as partes. Os EUA não conseguiram desenvolver uma tecnologia suficientemente madura de estações espaciais com sua Skylab. Precisavam de um parceiro com esta experiência. A Rússia, de outro lado, tinha na manga o projeto da Mir-2, uma segunda estação espacial para dar continuidade ao sucesso da sua antecessora Mir. Poderia, portanto, aproveitar o projeto já existente da Mir-2 em uma colaboração internacional. E, é claro, a divisão dos custos aliviada o bolso de ambas as partes. Incluindo seus enormes painéis solares, a ISS ocupa uma área de 72m por 108m. Atualmente o espaço interno disponível para a tripulação chega a 930m³. Sua órbita é em torno de 405km de altura. Nesta altura a nave desenvolve uma velocidade de aproximadamente 28.000km/h! Assim completa uma volta na Terra a cada 90 minutos. Na parte americana da estação ainda faltam pequenos componentes para 45 AstroNova . N.13 . 2017 Esquema mostra todos as partes da Estação Espacial Internacional como está atualmente - Fonte: NASA - www.nasa.gov completá-la. No segmento russo ainda não foram lançados três módulos. Um deles, o laboratório Naúka ("Ciência" em russo) deverá ser acoplado ainda esse ano, segundo comunicado recente da Roscosmos. Os outros parceiros da ISS já concluíram e anexaram seus componentes à estação. Seu primeiro módulo, o Zayra ("aurora" em russo), foi lançado ao espaço em 20 de novembro de 1998 por um foguete Proton. Este módulo e responsável pela propulsão e guiamento da estação, e também fornecia a eletricidade nas fases iniciais da montagem do complexo. O módulo Unit, dos EUA, foi lançado em 6 de dezembro de 1998 a bordo o ônibus espacial Endeavour. Sua função é conectar o segmento russo com o segmento americano da estação. A ISS começou oficialmente quando os módulos Zarya e Unit foram acoplados, em 10 de dezembro de 1998 (figura 12). Os outros módulos da ISS são: - Zvezda: "estrela" em russo. Contém o sistema de navegação da estação e computador de borto. Inclui dormitório e contém suporte de vida para manter uma tripulação de até 6 pessoas. O futuro laboratório Naúka será conectado ao Zvezda. Figura 12 - Zarya (esquerda) e Unit acoplados.

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Figura 13 - Cupola internamente (acima) e externamente (abaixo). A geometria do Cupola lembra a cabine de controle da nave Millenium Falcon, de Star Wars. - Destiny: "destino" em inglês, é um laboratório de pesquisas dos EUA. - Quest: é um módulo que permite saída de astronautas ao espaço. Tem um regime de regulação de ar próprio. Também é usado para guardar trajes para caminhadas espaciais EMU (dos EUA) e Orlan (da Rússia). - Pirs e Poisk: como o Quest, permitem acesso à região externa da estação, mas pelo segmento russo. Também servem como pontos de acoplamento das naves Soyuz e Progress. - Tranquility: o "tranquilidade" é um módulo americano com sistema suplementar de suporte de vida (reciclagem de água e estoque de oxigênio). - Harmony: o "harmonia" providencia energia elétrica e carrega dados eletrônicos. Ele contém o sistemas para acoplar os cargueiros HTV, Dragon e Cygnus, e também se conectava aos ônibus espaciais para receber astronautas. As próximas naves tripuladas dos EUA deverão se acoplar à ISS por este módulo. - Columbus: homenagem ao navegador Cristóvão Colombo, é um laboratório geral de pesquisas europeu, onde se realizam experimentos em biologia, 46 AstroNova . N.13 . 2017 biomedicina e mecânica dos fluidos. - Kibo: módulo do Japão. Nele realizam-se experimentos em biologia, medicina, produção de novos materiais e em comunicações. - Rassvet: "aurora" em russo, é um mini laboratório onde também podem se acoprar naves Soyuz. - Leonardo: módulo multifuncional europeu, seu nome é uma homenagem a Leonardo da Vinci. - Cupola: é um conjunto de 7 janelas anexada ao módulo Tanquility. Permite observervação direta da Terra como nenhuma outra nave anterior já possuiu. Fotos feitos pela tripulação geralmente são tiradas a partir do Cupola (figura 13). Atualmente um módulo expansível chamado Beam, da empresa Bigelow, está acoplado à ISS, passando por testes de funcionamento. A primeira tripulação da ISS partiu dia 30 de outubro de 2000. Sua missão era de instalar dispositivos e deixar a estação funcionando para as próximas expedições. Desde então a ISS nunca ficou desabitada. Recebeu e recebe inúmeros astronautas de diversas nações. Experiências nas mais variadas áreas da Bela foto mostra um ônibus espacial (atualmente fora de uso) acoplado à ISS (esquerda). Na extremidade direita o cargueiro europeu ATV. Também é possível ver cápsulas Soyuz e Progress na parte mais central da estação.

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ciência são realizadas em seus laboratórios. Em 2006 recebeu o brasileiro Marcos Pontes, que ficou uma semana a bordo realizando experimentos didáticos, técnicos e científicos no âmbito da Missão Centenário. Na época o Brasil ainda fazia parte da ISS. Para mais detalhes sobre a Missão Centenário veja edição n.6 da AstroNova. Inicialmente as tripulações eram transportadas para a ISS com as cápsulas russas Soyuz e os ônibus espaciais dos EUA. Mas depois do acidente com o ônbus espacial Columbia, que matou seus sete tripulantes quando retornavam da ISS para a Terra, a NASA restringiu seu uso para finalmente tirá-los de funcionamento. Sua segurança cada vez mais complicada aliada aos altos custos determinaram a decisão. Atualmente somente as naves Soyuz são usadas para o transporte de astronautas e cosmonautas. A ISS é abastecida constantemente com mantimentos, combustível e equipamentos de pesquisa. Para isso usam-se naves cargueiras Progress (Rússia), ATV (Europa), HTV (Japão), Dragon (SpaceX) e Cygnus (Orbital Sciences Corp). Estas duas últimas operam em âmbito comercial da NASA com empresas do setor aeroespacial dos EUA. Os cargueiros Progress e ATV acoplam no segmento russo da estação, de modo totalmente automático por meio do software de navegação Kurs ("rota", e russo). Os outros se conectam na parte americana, e são feitos manualmente por meio do braço robótico CanadArm2, desenvolvido pela Agência Espacial do Canadá. Ele é similar ao CanadArm que existiam acoplados nos ônibus espaciais, mas com uma série de avanços. A agência canadense testa na ISS um braço robótico múltiplo (figura 14) 47 AstroNova . N.13 . 2017 Figura 14 - Dextre, da CNSA (Agência Espacial do Canadá). Figura 15 - Pallete Express. Originalmente sua estrutura seria fornecida pelo Brasil. No site da NASA este acordo ainda aparece (clique aqui: www.nasa.gov) Pausa para refeição. Como se vê, a dieta não é tão rigorosa como se imagina. Normalmente a ISS é ocupada por 6 tripulantes; ocasionalmente por mais, como nessa foto de 21/07/2009. Fonte: https://spaceflight.nasa.gov/gallery

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48 AstroNova . N.13 . 2017 chamado Dextre. Um dispostivo importante é o Express Pallet, uma plataforma onde se acomodam experimentos para estudo a exposição de materiais e vida nas duras condições do espaço exterior. A estrutura de suporte desta plataforma seria desenvolvida e fornecida pelo Brasil em acordo entre a NASA e a AEB (Agência Espacial Brasileira). Entretanto os constantes cortes de verbas impediu a AEB de cumprir sua parte do acordo. O Brasil acabou não fornecendo nenhuma peça para a ISS e, ainda que não formalmente, foi desligado do programa. A ISS teve seus contratos entre EUA e Rússia renovados até 2024, mas essa data é prorrogável (e provavelmente o será). Novas naves estão sendo desenvolvidas por agências espaciais de vários países e empresas privadas. Quando concluídas e operacionais, somando-se aos futuros laboratórios russos que estão a caminho, vão proporcionar ainda muita movimentação e pesquisa nesse gigantesco e único laboratório. Tiangong, a estação espacial da China O vigoroso programa espacial chinês tem alcançado êxitos rápidos, principalmente a partir da década passada. A CNSA (Agência Espacial da China) realizou seu primeiro vôo tripulado em 2006 com a Shenzhou ("nave divina"), muito parecida com a Soyuz. Seu primeiro taikonauta, como costumam denominar, foi Liwei Yang. Em 2012 a China colocou em prática seu projeto de estação espacial, a Tiangong ("palácio celeste"). Os taikonautas Haipeng Jing, Wang Liu e Yang Liu acoplaram na Tiangong-1 dia 18 de junho com a nave Shenzhou-9 (figura 14). Yang Liu é a primeira mulher chinesa no espaço. Permaneceram 12 dias na estação onde realizaram uma série de testes preliminares. A nave Shenzhou-11 acoplou na Tiangong-1 em 13 de junho de 2013 com os taikonautas Haisheng Nie, Xiaoguang Zhang e Yaping Wang. Realizaram testes médicos e tecnológicos a borto. A taikonauta Yaping Wang deu aulas transmitidas ao vivo para 60 milhões de estudantes de ensino médio da China (figura 15). Permaneceram 14 dias em órbita e Figura 14 - Ilustração mostra Tiangong-1 (canto esquerdo) e a nave Shenzhou. Na imagem à direita, foto da Tiangon-1 feita a partir da nave Shenzhou.

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Figura 16 - Acima, taikonautas a bordo da Tiangong-2. Abaixo, fotografia do complexo feita por nanossatélite. retornaram em segurança para a Terra em 16 de junho. A estação Tiangong-1 foi desativada em março de 2016 ficou vazia desde então, devendo reentrar na atmosfera este ano. No final de 2016 a China coloca em órbita a estação Tiangong-2. Os taikonautas Haipeng Jing (veterano, que já esteve na Tiangong-1) e Dong Chen ocuaram a estação dia 18 de outubro, ao acoplarem-se com a nave Figura 15 - Yaping Wang ministra aula transmitida da estação Tiangong-1. 49 AstroNova . N.13 . 2017 Shenzhou-11. Permaneceram um mês na estação, onde realizaram uma série de testes técnicos e experimentos científicos. Nesta estadia um nanossatélite lançado da própria Tiangong-2 fotografou a estação acoplada com a nave Shenzhou (figura 15). Os taikonautas permaneceram 1 mês na estação, e retornaram dia 18 de novembro do ano passado. A CNSA informou que prepara uma nave cargueira para a Tiangong-2. Deverá ser lançada no primeiro semestre deste ano. Isto indica que este segundo laboratório orbital deverá ter uma maior duração, e se vai ser abastecida, poderá receber nova tripulação. Tudo indica que a China segue um programa muito Figura 17 - Ilustração mostra possível aparência final da estação chinesa Tiangong. similar ao que a União Soviética desenvolveu com as estações Salyut. Segundo Zhou Jianping, um dos responsáveis pelo programa espacial, a China pretende construir uma estação espacial de tamanho "moderado". Estima-se que seja um complexo orbital semelhante a estação espacial russa Mir (veja ilustração da figura 17). Ainda segundo Jianping, os chineses pretentem estar com a versão final da Tiangong concluída e operando plenamente até 2020.

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O FUTURO Novas estações espaciais já estão sendo sugeridas para os próximos anos. Algumas ainda são especulações, outras estão avançando. No início de 2015 a Rússia propôs uma Estação Espacial conjunta dos países do BRICS. A delegação russa deverá convidar China e Índia, inicialmente. No começo de 2016, a empresa Bigelow lançou um projeto de estação espacial turística: um "hotel www.reallycoolblog.com/americas-future-in-leo-the-possibilities-and-challenges-facing-commercial-space-stations/ 50 AstroNova . N.13 . 2017 O hotel espacial "inflável". espacial". Segundo comunicado, a empresa pretende construir esta estação com uma concepção de módulos expansíveis ("infláveis"). Um protótipo deste módulo "inflável" está em testes atualmente na ISS. Naves tripuladas em desenvolvimento de empresas dos EUA poderiam transportar os turistas. A idéia seria lançar o "hotel espacial" em 2020. No fim de 2016 o anúncio da empresa Axiom Space animou os entusiastas do espaço. A companhia divulgou o projeto de uma estação espacial para fins comerciais. A empresa quer construir um laboratório orbital que seria alugado para quem quiser realizar pesquisas no ambiente único da órbita terrestre. Segundo o projeto, os módulos desta estação espacial comercial seriam lançados previamente como componentes adicionais da ISS. Lá, teriam sua construção finalizada e seus equipamentos e instrumentos de pesquisa seriam devidamente alocados. Concluída, esta estação comercial desacoplaria da ISS, seguiria sua órbita de maneira independente e já estaria disponível para ser alugada. Estima-se que, para o projeto se concretizar, a Axiom Space deveria começar a enviar os módulos de sua estação comercial para a ISS no máximo até 2021. Wilson Guerra é professor, graduou-se em Física (UEM), tem especialização em Astrobiologia (UEL) e atualmente é mestrando em Educação Científica (UEM). Referências: Nesta arte conceitual, a estação comercial da Axiom Space estaria conectada à ISS para ser finalizada. Concepção artística mostra a estação comercial da Axiom Space operando independentemente, depois de desacoplada da ISS. www.nasa.gov www.esa.int en.roscosmos.ru Leituras recomenadas:

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PELA PRODUÇÃO E DIFUSÃO CIENTÍFICAPELA PRODUÇÃO E DIFUSÃO CIENTÍFICA CEARÁ - BRASILCEARÁ - BRASIL

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14º EPAST14º EPAST EM 2017 O ENCONTRO PARANAENSE DE ASTRONOMIA SERÁ REALIZADO EM PATO BRANCO EM 2017 O ENCONTRO PARANAENSE DE ASTRONOMIA SERÁ REALIZADO EM PATO BRANCO Mais informações em:Mais informações em: www.pb.utfpr.edu.br/geastrowww.pb.utfpr.edu.br/geastro

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09 ENTREVISTAENTREVISTA CURRÍCULO: CINCO ASTERÓIDES DESCOBERTOS E UMA VIAGEM À NASA Mylena Peixoto Mylena visita o maior radiotelescópio móvel do mundo: Radio Observatório de Green Bank, na Virgínia Ocidental. Mylena Peixoto CURRÍCULO: CINCO ASTERÓIDES DESCOBERTOS E UMA VIAGEM À NASA Nesta edição vamos entrevistar Mylena Peixoto, a garota que descobriu 5 asteroides e ganhou uma viagem à NASA. Astronova: Olá Mylena! Seja bem-vinda à revista, apresente-se. Mylena: Olá pessoal, eu sou a Mylena Peixoto. Moro em Campos dos Goitacazes no interior do estado do Rio de Janeiro e completei 17 anos recentemente. A: Como começou seu interesse por Astronomia? Foi em casa? Na escola? M: Na verdade começou com meu amor aos estudos, principalmente de Ciências. Quando somos mais novos não temos a dimensão do que é participar de atividades científicas, tudo parece algo de ficção científica. Quanto eu tinha 6 anos, os professores na escola perceberam que eu tinha um aprendizado notável. Meu comportamento era diferente na sala de aula e assim pulei da 1ª série para a 2ª no mesmo ano. Nesta época, eu olhava o céu com inocência pois não tinha ideia do que era a Astronomia. A: Então como foi que você começou com o interesse por Astronomia? M: Foi em 2015. Eu estava no 2º ano de ensino médio integrado com o técnico e eu tinha muita dificuldade com a matéria de Física. Porém, eu me empenhava muito para entender. Além de estudar muito eu chegava a ajudar os colegas de classe com o pouco que eu sabia. Isto chamou a atenção do professor Barroso, que me

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54 AstroNova . N.13 . 2017 convidou para um projeto científico. A: Era algum projeto do tipo feira de Ciências? M: Não, era um projeto que me surpreendeu naquele momento. Consistia em analisar as imagens de um software que registrava as imagens de um telescópio. Assim que ele foi explicado, eu me senti insegura. Telefonei para o meu pai e contei sobre o projeto. A resposta dele foi: Aceita menina! Você nunca vai saber se vai dar certo se não tentar.  A: Quanto tempo durou este projeto? M: Cerca de um mês. Começou em setembro e em outubro já tínhamos os resultados. Foi aí que descobri os 5 asteroides! A: Antes de conhecer a Astronomia, o que você pretendia seguir carreira? M: Meus planos eram prestar vestibular para Medicina e seguir para a área de Pediatria. Com esse projeto eu descobri uma área muito diferente. Confesso que por um tempo pensei que seria uma paixão passageira pois eu comecei muito jovem, eu tinha 15 anos. A: E como você foi escolhida para ir à NASA? M: O convite veio pelo professor Marcelo Souza, do Clube de Astronomia Louis Cruls. Fui escolhida não só pelo fato dos asteroides, mas também pela dedicação ao estudo de Astronomia posterior a isso. Porém eu tiver de levantar fundos para viajar, assim fiz uma campanha na internet. Comecei pedindo ajuda financeira a familiares, depois a amigos e quando vi, várias pessoas estavam ajudando, mesmo com um pouquinho de dinheiro. Sou muito grata ao Rotary Club que me ajudou muito. A: Conte para nós como foi estar na NASA? M: Foi uma experiência sensacional, durante o voo eu estava ansiosa. Logo no início, ao visitar o Museu da Ciência, fiquei maravilhada com o apoio que eles dão à divulgação científica. Nesse mesmo dia, o da chegada, participei de um jantar com o gerente da Entrada da NASA. Registro do jantar na residência de Charles Lloyd, gerente da NASA. À direita, Charles Lloyd; à esquerda, o astronauta Richard Hieb.

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NASA e neste jantar estavam astronautas, cientistas, diretores. Fomos recebidos com entusiasmo. A: Por quanto tempo você ficou na NASA? Quais atividades foram desenvolvidas? M: Foram 10 dias com palestras na sede da NASA, almoço com astronautas, tivemos acesso à sala de transmissão da Apollo 11, ao módulo lunar e o centro de treinamento dos astronautas. Também fomos à Washington, para fazer um passeio turístico e por fim fomos à Virgínia, onde passamos 3 dias no alojamento do Rádio Observatório de Green Bank, o maior radiotelescópio do mundo. Lá fizemos um curso de análise de sinais e de operação dos radiotelescópios. A: E agora quais são seus planos para o futuro? M: Passar no vestibular do curso de Engenharia Aeroespacial do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica). Como venho de escola púbica sei que será difícil, terei de me dedicar muito. Ganhei uma bolsa de estudos de um cursinho especializado em preparar alunos para as instituições militares, porém é em outra cidade, bem longe de onde moro. Então estou me organizando para ter um local onde ficar. A: Gostaria de deixar uma mensagem para as pessoas que leem a revista? M: Sim, como o público da Revista AstroNova é variado, pessoas de várias idades e escolaridades, deixo como mensagem o ditado: Nunca desista dos seus sonhos. Sei que pode parecer algo repetitivo, mas siga isso, independente da realidade que você vive, da escola que estuda ou de que família provém. Temos sempre que olhar para nosso futuro. Deve-se ter o equilíbrio entre seus planos a não se tornar ambicioso, fazer tudo com amor. Se você luta por seus sonhos com amor, naturalmente as coisas virão como fruto do que você semeou. A: Mylena, agradecemos muito por dedicar seu tempo para a nossa entrevista. Ficam aqui os votos de sucesso de toda a equipe da revista para você. A equipe da Revista Astronova agradece também à colaboração de Cristian Reis Westphal, do canal Ciência e Astronomia no Youtube, durante esta entrevista. 55 AstroNova . N.13 . 2017 Visitando o centro de Washington.

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AstroNova é uma colaboração de estudantes, professores, astrônomos amadores e profissionais para a divulgação de Astronomia e Ciências da Natureza. Tem lançamento trimestral, é totalmente pública, gratuita e de direitos livres. Disponível em: www.caeh.com.br www.grupocentauro.org/astronova Acompanhe nossa página no Fabebook www.facebook.com/AstroNovaBrasil REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA

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