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Acervo textual da Revista AstroNova

Edição 14 — páginas 1 a 20

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Assuntos identificados: astronomia, cassini, terra, sistema, saturno, júpiter, solar, moléculas, ondas, formação.

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Açúcar Interestelar A doce formação de material pré-biótico nas nuvens moleculares Açúcar Interestelar A doce formação de material pré-biótico nas nuvens moleculares REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS Grand Finale O fim e o legado da sonda espacial Cassini Grand Finale O fim e o legado da sonda espacial Cassini Tour pelo Sistema Solar As luas de Júpiter Tour pelo Sistema Solar As luas de Júpiter Epigenética Darwin e Lamarck de mãos dadas? Epigenética Darwin e Lamarck de mãos dadas? Grand Finale O fim e o legado da sonda espacial Cassini Grand Finale O fim e o legado da sonda espacial Cassini REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA ENTREVISTA: AMANDA SILVA Ano 04 - Nº 14 - Maio/2017 O SUCESSO DO 2º ENASTRO RADIOTRANSMISSÃO IONOSFÉRICA

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Não são tempos fáceis para a Ciência. Nunca foram plenamente fáceis, na realidade. Este ano presenciamos um evento global denominado Marcha pela Ciência. O movimento também reverberou no Brasil. Nós, editores da AstroNova, reiteramos a importância da Marcha, entendendo que a Ciência e seu acesso são essenciais à formação humana. Cada edição da AstroNova é uma afirmação desta convicção e, em certa medida, um ato de resistência! Nesse espírito começaremos nosso Tour pelo Sistema Solar conhecendo um pouco das "luas" de Júpiter. Elas fascinaram Galileu há meio milênio e nos fascinam ainda hoje. Descobriremos com o artigo de Débora Figueiredo Uhdre que o universo, além de belo, está "mais doce". Débora trata de uma descoberta relativamente recente feita pelos radiotelecópios do ESO, que encontrou moléculas de açúcar em nuvens interestelares. O processo astroquímico é também de grande interesse em Astrobiologia. Já o professor Rogério Souza, traz uma introdução ao conceito de Epigenética e como isso pode implicar em nossa compreensão sobre detalhes dos mecanismos evolutivos. A NASA anunciou o fim da missão da sonda Cassini. A nave robótica enviou e ainda envia preciosas informações sobre o sistema saturniano: o planeta, seus anéis e suas luas. Em setembro ela deverá se desintegrar na pesada atmosfera de Saturno. Nesta edição trago uma breve descrição de suas principais descobertas, das belas imagens que nos transmitiu e de seu legado científico. Um resumo do 2o ENASTRO, encontro de astronomia amadora no Rio Grande do Sul, nos sintetiza o evento. Finalizamos com artigo de Rafael Cândido que descreve o fenômeno da deflexão de radiofrequências na ionosfera e sua relação com a astronomia, e uma entrevista com Amanda Silva. Uma ótima leitura a todos! Wilson Guerra GCAA AstroNova . N.14 . 2017 Editores: Rafael Cândido Junior eletrorafa@gmail.com Wilson Guerra wilsonguerra@gmail.com Redatores: Débora Figueiredo Uhdre figueiredo_uhdre@hotmail.com Rafael Cândido Junior eletrorafa@gmail.com Rogério Correia de Souza rogercsouza@yahoo.com Wilson Guerra wilsonguerra@gmail.com Arte e Diagramação: Wilson Guerra wilsonguerra@gmail.com Astrofotos: Carlos Domingues Augusto César Araújo EXPEDIENTE EDITORIAL Capa: Terra fotografada pela sonda Rosetta, da ESA Wilson Guerra GCAA Wilson Guerra GCAA Fonte: ESA www.esa.int

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SUMÁRIO Tour pelo Sistema Solar As luas de Júpiter 07 15 19 29 Astroquímica Açúcar nas nuvens interestelares 2º ENASTRO Tudo sobre o auge da astronomia amadora do RS Grand Finale A despedida da sonda Cassini Ano 4 | Edição nº 14 | 2017 11 Epigenética Darwin com um pouquinho de Lamarck? 35 Radiopropagação Ionosférica Quando a Natureza nos oferece um defletor global 40 Entrevista Amanda Silva

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Principais Lançamentos do TrimestrePrincipais Lançamentos do Trimestre ASTRONÁUTICA Foguete: SOYUZ (Roscosmos) Carga: Kanopus-V-IK, satélite de observação da Terra/infravermelho Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 29/06/2017 Foguete: PROTON (Roscosmos) Carga: EchoStar 21, satélite de comunicação para Europa Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 29/05/2017 Foguete: ARIANE 5 Carga: ViaSat 2 & Eutelsat 172B satélites de comunicação Local: Base de Kourou Data: 01/06/2017 EUROPAEUROPA Foguete: SOUYZ 2-1b Carga: SES 15 satélite de comunicação (Luxemburgo) Local: Base de Kourou Data: 18/05/2017 RÚSSIARÚSSIA ESTADOS UNIDOS ESTADOS UNIDOS Foguete: PSLV (ISRO) Carga: Cartosat 2E, satélite polar de observação da Terra (alta resolução) Local: Base de Dhawan, Sriharikota Data: 05/2017 Foguete: GSLV Mk.3 (ISRO) Carga: GSAT 9, satélite de comunicação geoestacionário Local: Base de Dhawan, Sriharikota Data: 06/2017 Foguete: Falcon 9 (SpaceX) Carga: satélite de comunicação Inmarsat 5 Local: Centro Espacial Kennedy Data: 15/05/2017 Foguete: Longa Marcha 5 Carga: Shijian 18, satélite de comunicação Local: Base de Wenchang Data: junho/2017 CHINACHINA Foguete: Longa Marcha 2D Carga: HXMT, telescópio espacial em Raios-X Local: base de Jiuquan Data: junhol/2017 Foguete: Falcon 9 (SapceX) Carga: cargueiro Dragon com mantimentos e equipamentos para ISS Local: Centro Espacial Kennedy Data: 31/05/2017 Foguete: H-2B (Jaxa) Carga: Michibiki 2, satélite para sistema de posicionamento regional Lançamento: Centro Espacial de Tanegashima Data: 31/05/2017 JAPÃOJAPÃO ÍNDIAÍNDIA

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Principais atividades - fevereiro a abril/2017Principais atividades - fevereiro a abril/2017 Próxima Expedição - Soyuz MS-05 (28/07/2017)Próxima Expedição - Soyuz MS-05 (28/07/2017)Tripulação atualTripulação atual Estação Espacial Internacional (ISS)Estação Espacial Internacional (ISS) ASTRONÁUTICA Astronauts Shane Kimbrough e Peggy Whitson fazem caminhada espacial para ligar conectores elétricos na parte externa da estação. Astronauts Shane Kimbrough e Peggy Whitson fazem caminhada espacial para ligar conectores elétricos na parte externa da estação. A astronauta Peggy Whitson trabalha com cristais desenvolvidos no espaço que poderão ser aplicados em tecnologia de detecção de radiações. A astronauta Peggy Whitson trabalha com cristais desenvolvidos no espaço que poderão ser aplicados em tecnologia de detecção de radiações. A astronauta Kate Rubins remove amostras do aparelho MELFI, cujo objetivo é estudar os efeitos das viagens espaciais em nosso sistema imunológico. A astronauta Kate Rubins remove amostras do aparelho MELFI, cujo objetivo é estudar os efeitos das viagens espaciais em nosso sistema imunológico. Astronauta Thomas Pasquet (ESA) com dois pacotes de sementes de tomate. Astronauta Thomas Pasquet (ESA) com dois pacotes de sementes de tomate. O experimento "Tomatosfera" estudará o cultivo de tomates na estação com acompanhamento de alunos na Terra. O experimento "Tomatosfera" estudará o cultivo de tomates na estação com acompanhamento de alunos na Terra.

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17º ENCONTRO DE ASTRONOMIA DO NORDESTE Neste ano de 2017 o 17º Encontro de Astronomia do Nordeste será realizado em Maceió, Alagoas. O 17º EANE está sendo organizado pela Liga Norte-Nordestina de Astronomia com apoio do Observatório Astronômico Genival Leite Lima da Secretaria da Educação do Estado de Alagoas, da Liga Norte-Nordestina de Astronomia, Clube de Astronomia de Maceió, e da Usina Ciência da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) 15 a 17 de junho/2017 INSCRIÇÕES ABERTAS www.doity.com.br/17eane

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As luas de Júpiter As luas de Júpiter possuem um lugar especial na história do conhecimento humano. A descoberta de Galileu Galilei, em 1610, de um "sistema solar" com Júpiter como seu centro ajudou a provar que a Terra não é o centro do Universo. Galileu observou as quatro maiores luas de Júpiter - Ganimedes, Io, Europa e Calisto- tornando-as os primeiros objetos celestiais descobertos com um telescópio. As naves gêmeas Voyager 1 e Voyager 2 e uma 05 batizada de Galileu nos deram visões em close destas luas "galileanas" e descobriram muitas mais. Atualmente existem 61 luas conhecidas orbitando Júpiter. Suspeita-se que Ganimedes, Calisto e Europa tenham oceanos de água líquida sob suas crostas de gelo. Se for verdade, Ganimedes e Calisto podem provavelmente agradecer à radioatividade natural de seus interiores rochosos por impedir o congelamento de sua água com gelo semiderretido. Como a mais próxima das três do gigante Júpiter, Europa tem uma fonte de calor adicional. Júpiter a as outras três luas grandes sujeitam Europa a um cabo- de-guerra gravitacional que estica e aperta o satélite quase da mesma forma com que a Lua da Terra provoca as altas das marés em nossos oceanos. Isto gera enorme calor dentro da lua, que pode manter seu oceano (se houver algum) em estado Um Tour pelo Sistema Solar SISTEMA SOLAR Um Tour pelo Sistema Solar 07

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líquido. Isto e onde suspeita- se que o oceano esteja localizado, a apenas poucos quilômetros abaixo da superfície gelada e suave, podem tornar Europa um dos primeiros alvos na busca por vida extraterrestre. Io, o mais interno dos satélites galileanos e ligeiramente maior do que a Lua da Terra, passa por uma pressão gravitacional ainda maior, com "marés' de até 100 metros em sua superfície de rocha sólida. O calor friccional resultante mantém a camada de rocha abaixo da superfície de Io derretida e pressurizada, constantemente pronta para alimentar os muitos vulcões da lua. Coberta em lava sulfurosa que a faz parecer uma pizza gigante, Io é o corpo mais ativo vulcanicamente no sistema solar. As Voyagers 1 e 2 viram nove erupções e a espaçonave Galileu avistou centenas de erupções menores. Nuvens de pó de enxofre vermelho e amarelo são lançadas 300 quilômetros no céu. Parte escapa de Io e pinta uma camada vermelha brilhante na pequena lua vizinha chamada Amaltea. Io também contribui com fogos de artifício em Júpiter, provocando poderosas transmissões de rádio e contribuindo com auroras à medida que o planeta de giro rápido faz seu poderoso campo magnético varrer o satélite natural. Ganimedes é a maior lua do sistema solar e é maior do que os planetas Mercúrio e Plutão. Ela apresenta dois tipos distintos de superfície - uma escura e acidentada, e outra suave e brilhante, com sulcos paralelos com AstroNova . N.14 . 2017 08 IO !Tipo: regular !Raio: 1.821,6 km !Característica principal: presença de vulcões ativos. GANIMEDES !Tipo: regular !Raio: 2.631,2 km !Característica principal: superfície marcada por crateras de impacto EUROPA !Tipo: regular !Raio: 1.560 km !Característica principal: fissuras na superfície, rachaduras de um oceano congelado. CALISTO !Tipo: regular !Raio: 2.410,3 km !Característica principal: superfície marcada por muitas crateras de impacto. Satélites Galileanos

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AstroNova . N.14 . 2017 09 centenas de metros de profundidade e milhares de quilômetros de comprimento. As áreas brilhantes mostram menos crateras de impacto, indicando um terreno bem mais novo, possivelmente recoberto pelos vulcões de gelo. Calisto, com aproximadamente o tamanho de Mercúrio, é a terceira maior lua do sistema solar (Titã de Saturno é a segunda) e é o mais externo dos satélites galileanos. Ela é completamente coberta por crateras, apresentando mais delas do que qualquer outra lua ou planeta no sistema solar. Diferentemente de outros corpos grandes, cujas superfícies foram ao menos parcialmente recobertas, Calisto permanece como era quando foi formada há quatro bilhões de anos, durante o período de intenso bombardeio de meteoróides sofrido por todo o sistema solar. Quatro "luas do anel" circundam Júpiter no interior da órbita de Io: Metis, Adrastea, Tebe e Amaltea, que é coberta de vermelho. À medida que meteoróides as atingem e explodem, eles soltam poeira e fragmentos de rocha que formam os anéis de Júpiter. Muitas outras luas menores circundam Júpiter no lado externo das órbitas dos quatro satélites galileanos. Na imagem acima há quatro delas: Amaltéia, Thebe, Métis e Adastréia. www.nasa.gov Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves Amaltéia !Tipo: satélite irregular !Raio: 134 km !Característica principal: superfície avermelhada pelas substâncias vindas das erupções de Io. Thebe !Tipo: satélite irregular !Raio: 49,3 km !Característica principal: presença de uma grande cratera de impacto. Métis !Tipo: satélite irregular !Raio: 21,5 km !Característica principal: superfície marcada por várias crateras. Adrastéia !Tipo: satélite irregular !Raio: 8,2 km !Característica principal: exótica superfície que lembra estrutura "esponjosa". Alguns satélites menores

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VENHA PARA O MAIOR ENCONTRO DE DO PARANÁ ASTRONOMIA 7 A 10 DE SETEMBRO/2017 Pato Branco - PR

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Rogério Correia de Souza rogercsouza@yahoo.com.br Jean-Baptiste Pierre Antoine de Monet, popularmente conhecido como o Conde de Lamarck foi um dos primeiros naturalistas a propor ideias diferentes do fixismo (criacionismo) predominante, um dos primeiros a sugerir que os seres vivos se transformavam em outros seres vivos com o passar do tempo, sendo assim um dos primeiros evolucionistas. Nós acabamos por conhecê- lo através da famosa lei do BIOLOGIA EVOLUTIVA 11 uso e desuso, onde a estrutura de um animal teria sua forma aumentada ou diminuída dependendo da intensidade do uso. Isso foi ilustrado com o famoso exemplo do pescoço da girafa: devido ao esforço as girafas iriam aumentando seu pescoço ao longo das gerações (figura 1). Uma proposta interessante, masque não durou muito. Bastava alguém lembrar que as girafinhas bebês já nascem com o pescoço longo em relação ao corpo. Mas será que realmente podemos descartar totalmente as ideias de Lamarck? Charles Darwin Após mais de 150 anos da publicação de A Origem das Espécies  por Charles R. Darwin, e várias re-edições onde o próprio Darwin fazia as correções necessárias, as evidências evolutivas abrangem não mais somente os registros fósseis ou a embriologia. Hoje talvez as maiores evidências provêm da genética, os estudos sobre o DNA das espécies do com um pouquinho de DARWIN LAMARCK? com um pouquinho de DARWIN LAMARCK?

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planeta são a maior prova do parentesco único entre todas elas. Quando Darwin imaginou as mudanças entre as gerações, faltavam quase cem anos para a descoberta do DNA por James Watson e Francis Crick. Assim Darwin não tinha a menor ideia do que eram as mutações no DNA responsáveis por introduzir novas características nos seres vivos. Mas ele sabia que essas características surgiam de pais para filhos. Uma geração possuindo características diferentes das dos pais e essas características sendo "peneiradas" pela Seleção Natural. Essa ideia, Darwin levou vinte anos para pôr no papel, sendo encorajado a publicar devido a uma cutucada  de Alfred Wallace, o naturalista que chegou às mesmas conclusões de Darwin, mas que não possuía tanto prestígio dentro da comunidade cientifica britânica da época. Na verdade, hoje sabemos, devido a uma novidade na genética que o ambiente pode influenciar algumas características, não só selecionando os seres adaptados ou não adaptados na Seleção Natural. A essa novidade na genética denomina-se Epigenética. O DNA Nosso DNA, assim como o de todos os seres vivos, são um conjunto de informações necessárias a um organismo vivo. Nele está codificado, por exemplo, como uma célula do pâncreas irá produzir insulina. O DNA humano é uma molécula enorme, possui cerca de 19 mil genes (como receitas para a fabricação de proteínas). Esta molécula enorme é guardada no núcleo das células, mais precisamente enrolada nos cromossomos (figura 2). A questão é: todos os genes podem ser codificados em proteínas? A resposta para essa pergunta nos faz lembrar até onde a influência ambiental pode interferir nos seres vivos, devido ao fato de que nem todos os genes podem ser codificados e expressados (transformados em proteínas). Por exemplo: alguns animais como uma AstroNova . N.14 . 2017 12 Figura 1 As mudanças herdadas por caracteres adquiridos pela lei do uso e desuso, segundo proposta de Lamarck.

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13 espécie de coelho do himalaia (figura 3) pode sofrer influência da temperatura na codificação e expressão dos genes responsáveis pela pigmentação dos pelos. Nas partes mais frias do corpo como orelhas e nariz o gene é ativado e a pigmentação é produzida. Nas partes quentes o gene não é expresso. Essa questão também está relacionada ao desenvolvimento de tumores e cânceres em seres humanos. A maior parte das pesquisas sobre epigenética provem dos estudos sobre o câncer, a forma que alguns genes não são expressos devido ao acúmulo de substâncias inibidoras da expressão dos genes. Devido a necessidade de conhecer melhor os segredos da epigenética, foi iniciado projeto de mapeamento epigenético. Até onde o ambiente pode regular a expressão dos genes humanos? Isso promete ir além do que foi o projeto genoma, já finalizado desde a década passada e que mapeou os nossos 19 mil genes. Mas e quanto a Lamarck? Da forma como o ilustre Conde publicou, realmente não há chances de um animal conseguir uma transformação tão drástica como no exemplo do pescoço da girafa, muito menos conseguir transmitir essa nova característica adquirida para seus gametas, fazendo que descendentes nasçam com essa nova característica. Mas estamos começando a 1313 AstroNova . N.14 . 2017 Figura 2: a "dupla hélice" da molécula de DNA contida em um cromossomo. compreender que o ambiente também pode influenciar a forma de um ser vivo. Se determinado gene não pode ser expresso por condições ambientais, pensar similarmente na lei do uso e desuso de Lamarck pode não estar tão errado! Se um gene que determina certa característica for impedido de ser expresso por condições ambientais (nutrição insuficiente por exemplo) um animal pode não desenvolver determinada estrutura, e isso podeia ser herdado aos descendentes que vivam no mesmo ambiente. As futuras descobertas prometem muitas novidades. Rogério C. Souza graduou-se em Ciências Biológicas. É professor e coordenador da página Academia de Ciências Naturais. Figura 3: um coelho do himalaia

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www.pb.utfpr.edu.br/geastro Gp x mruode Estudo, pesquisa eetensão em Astronoia

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1315 Débora Figueiredo Uhdre figueiredo_uhdre@hotmail.com Utilizando o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), astrônomos detectaram moléculas de glicoaldeído, no gás que circunda uma estrela binária jovem, com massa semelhante ao Sol, chamada IRAS 16293-2422. A estrela IRAS 16293-2422 situa-se a cerca de 400 anos-luz de distância, relativamente próxima da Terra, o que a torna num excelente alvo para os astrônomos que estudam as moléculas e a química em torno de estrelas jovens. O glicoaldeído (HCOCHOH) 2 é o açúcar mais simples (figura 1), e o primeiro intermediário do produto da reação que começa com formaldeído (HCO) e 2 conduz à formação (catalisada) de açúcares e finalmente a ribose, a espinha dorsal do RNA. A presença de glicolaldeído é, portanto, uma importante indicação de que os processos que conduzem à moléculas biologicamente relevantes estão ocorrendo. As nuvens de gás e poeira que colapsam para formar novas estrelas são extremamente frias, e muitos gases solidificam sob a forma de gelo sobre as A detecção de açúcar no espaço e as pistas sobre a origem molecular da Vida AÇÚCAR INTERESTELAR ASTROQUÍMICA AÇÚCAR INTERESTELAR

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AstroNova . N.14 . 2017 16 partículas de poeira, onde seguidamente se juntam para formar moléculas mais complexas. Mas assim que uma estrela se forma no meio de uma nuvem de gás e poeira em rotação, esta aquece as regiões internas da nuvem para cerca de uma temperatura ambiente, evaporando as moléculas quimicamente complexas e formando gases que emitem uma radiação característica em ondas rádio, ondas estas que podem ser mapeadas com a ajuda de potentes rádio telescópios, como o ALMA (Chile). O glicoaldeído já tinha sido observado anteriormente no espaço interestelar. No ano de 2000, ele foi detectado em uma grande nuvem de gás e poeira cerca de 26.000 anos-luz de distância, perto do centro da nossa galáxia, e no ano de 2008 foi detectado em uma região de formação estelar longe do centro galáctico e também a aproximadamente a 26.000 anos-luz da Terra. Mas no ano de 2012 foi a primeira vez que é descoberto tão perto de uma estrela do tipo solar, a distâncias comparáveis à distância de Urano ao Sol, no Sistema Solar. Esta descoberta mostra que alguns dos componentes químicos necessários à vida existiam neste sistema na altura da formação planetária. A formação do glicoaldeído e de outras moléculas pré-bióticas e as pistas sobre a origem molecular da Vida 1 - O material impulsionado de uma região de formação estelar ativa colide com uma nuvem interestelar próxima, provocando choque frontal. 2 - Átomos e moléculas pequenas revestem a superfície e são Figura 1: A molécula do glicoaldeído Imagem: www.nrao.edu/pr/2004/coldsugar/molecule.jpg H: hidrogênio O: oxigênio C: carbono Figura 2. A nuvem molecular de Sagittarius B2, em imagem obtida pelo radiotelescópio VLA, do Novo México, EUA.

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1317 AstroNova . N.14 . 2017 Figura 3. Formação do glicoaldeído e outras moléculas prébióticas, e sua distriuição na formação planetária. Fonte: www.nrao.edu/pr/2004/coldsugar/coldsugar.graphics.shtml incorporados no interior de pequenos grãos de poeira na nuvem interestelar. A alta energia do choque gera reações químicas que produzem moléculas como o glicoaldeído. 3 - O choque também fornece energia para liberar algumas moléculas dos grãos e ejetar essas moléculas envolta do gás. 4 - Essas condições de choques e formações de moléculas podem existir em sistemas solares, que ainda estão em formação. As moléculas pré-bióticas, como glicoaldeído podem ser formadas em regiões exteriores da nuvem desses jovens sistemas planetários. 5 - Cometas também se formam nas regiões exteriores das nuvens e mais tarde perto da órbita da estrela central do sistema planetário. Cometas podem colidir com planetas jovens, ou os planetas podem passar através da cauda do cometa. De qualquer forma as moléculas prébióticas formadas e carregadas por cometas podem ser depositadas nos planetas, cabendo à estrela o ponta-pé incial para o processo de formação da Vida. Débora Figueiredo Uhdre é formanda de bacharelado em Química pela UEM Referências JORGENSEN. J. K, et al. Detection of the simplest sugar, glycolaldehyde, in a solar-type protostar with ALMA. Disponível em: www.nrao.edu/pr/2004/coldsugar/ http://arxiv.org/pdf/1208.5498v1.pdf 4 - Tais condições permitem formação de moléculas pré-bióticas nos sistemas planetários jovens. 4 - Tais condições permitem formação de moléculas pré-bióticas nos sistemas planetários jovens. 3 - Choque também libera moléculas presas nos grãos de poeira 3 - Choque também libera moléculas presas nos grãos de poeira 2 - Moléculas são incorporadas nos grãos da poeira da nuvem e recebem energia para reações que produzem o glicoaldeído 2 - Moléculas são incorporadas nos grãos da poeira da nuvem e recebem energia para reações que produzem o glicoaldeído 5 - Cometas podem levar o material para regiões mais internas do sistema planetário, enriquecendo os planetas recém-formados com moléculas pré-bióticas. 5 - Cometas podem levar o material para regiões mais internas do sistema planetário, enriquecendo os planetas recém-formados com moléculas pré-bióticas. 1 - Material expelido pela formação estelar colide com nuvem molecular 1 - Material expelido pela formação estelar colide com nuvem molecular www.iram-institute.org/EN/news/ 2008/12.html www.nrao.edu/pr/2000/sugar/

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Nebulosas: Órion e Trífida Astrofotógrafo: Augusto César Araújo Maranguape - CE Nebulosas: Órion e Trífida Astrofotógrafo: Augusto César Araújo Maranguape - CE

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1319 O FIM E O LEGADO DA SONDA CASSINI GRAND GRAND FINALLE CIÊNCIAS PLANETÁRIAS Wilson Guerra wilsonguerra@gmail.com Depois de 13 anos de atividade junto ao belo planeta Saturno, a NASA anuncia o fim da missão da sonda espacial Cassini. Nomeada em homenagem ao estudioso italiano Giovanni Domenico Cassini, um longevo astrônomo e matemático do século XVII, a sonda foi projetada para estudar o sistema saturniano (o planeta, seus anéis e algumas luas, sobretudo Titã). Este incrível empreendimento tecnológico humano extendeu nossa visão para bilhões de quilômetros da Terra e trouxe muitas surpresas científicas. Além de novas e belas imagens, demonstrando como o Cosmos não cansa de nos surpreender. A VIAGEM Lançada em 15 de outubro de 1997 no topo de um foguete Titan, a sonda Cassini levava consigo uma série de instrumentos para estudar como nunca antes o sistema saturniano. Estava equipada com um longo magnetômetro, uma grande antena de radar, coletor de partículas, sensores e outros equipamentos de detecção. Seu funcionamento é garantido por uma bateria nuclear. Levava consigo também um pequeno amigo da Agência Espacial Europeia: a sonda de pouso Huygens. Sua missão era descer na superfície da mais intrigante lua de Saturno: Titã. O nome do pousador é uma homenagem a Christiaan Huygens, um estudioso neerlandes que se destacou em física,

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AstroNova . N.14 . 2017 20 matemática e astronomia no século XVII. Em 2004, a Cassini chega a Saturno, depois de uma viagem de sete anos. No percurso até o planeta dos anéis, a Cassini fez duas visitas a Vênus, uma "despedida" à Terra, passou pelo cinturão de asteróides e sobrevoou Júpiter (figura 1). Foi na passagem por Júpiter que dados enviados pela Cassini parecem ter revelado um segredo do gigante gasoso solar. A cor da chamada Grande Mancha Equipe técnica realiza testes no conjunto Cassini-Huygens, em 1996. Giovanni Domenico Cassini 1925 - 1712 Christiaan Huygens 1629 - 1695 Vermelha é produzida pelo efeito da radiação solar na atmosfera superior de Júpiter, e não de material avermelhado que viria das regiões mais profundas, como se acreditava até então (figura 2). A CHEGADA O planeta Saturno é um planeta gasoso, ou seja, o que vemos é apenas sua atmosfera. Estima-se que ele possua um núcleo rochoso semelhante a Terra, mas muito pequeno se comparado com o planeta inteiro. De fato Saturno tem uma composição gasosa tão predominante que sua densidade média é menor que da água. Em um hipotético "oceano cósmico", Saturno literalmente "boiaria". A sequência de imagens que a Cassini começou a enviar para o controle da missão da NASA são lindíssimas (figura 3). Uma delas é a que detalhou o polo norte. Ele apresenta uma forma hexagonal detectado pela Figura 1 A trajetória da Cassini, da Terra à Saturno. 1997: saída da Terra 1998: 1º sobrevôo por Vênus Histórico da trajetória (pelas cores das órbitas) 1999: 2º sobrevôo por Vênus 1999: sobrevôo pela Terra 2000: sobrevôo por Júpiter 2004: chegada a Saturno DA TERRA ATÉ SATURNO 20

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