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Acervo textual da Revista AstroNova

Edição 14 — páginas 21 a 40

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Assuntos identificados: astronomia, cassini, terra, sistema, saturno, júpiter, solar, moléculas, ondas, formação.

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1321 AstroNova . N.14 . 2017 Figura 2 A Imagem de Júpiter feita pela sonda Cassini em 2000. Análises demonstram que a colocaração da Grande Mancha Vermelha do planeta e resultado de processos químicos provocados pela luz solar (fonte: www.nasa.gov) Figura 4 A surpresa da região hexagonal no polo norte de Saturno. Figura 3 Na esquerda, Saturno projeta sua sombra em seus anéis. Na direita, belíssima imagem contra a luz solar. sonda Voyager em 1981. É maior que o diâmetro da Terra (figura 4), e revela uma dinâmica extremamente exótica que intriga os pequisadores até hoje. Conforme a sonda se aproxima do planeta em sua óbita elíptica, mais imagens tem revelado pequenos e inúmeros "turbilhões" e ondulações em sua atmosfera. Devemos ter em mente que, devido às dimensões de Saturno (cabem 770 "Terras" em seu interior), cada turbilhão desses é facilmente maior que muitos países. Anéis Os anéis de Saturno são constituídos de partículas e blocos de tamanho variados, em sua maior parte de gelo. Fotos dos anéis tem detalhado bastante sua estrutura. Em uma delas é possível ver que a pequena lua Dafne produz ondulações por interação gravitacional que molda regularmente o vão entre os anéis por onde ela passa, como se estivesse pincelando delicatamente em uma tela (figura 5). Dafne tem 8km e orbita Saturno em um espaço entre os anéis denominado falha de Keeler. Outra imagem mais recente mostra uma protuberância, como um "caroço", na borda externa dos anéis de Saturno (figura 6). Trata-se uma uma concentração maior de material. A perturbação pode ser indício de que uma

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AstroNova . N.14 . 2017 2022 nova lua esteja em pleno processo de formação! Luas, satélites naturais Tal como Júpiter, Saturno tem muitas luas orbitando ao seu redor. As menores são bastante irregulares, com formatos variados. As maiores são esféricas por razões hidrodinâmicas (corpos maiores tendem a se estabilizar em esferas). Em 2005 uma foto de Hyperion, uma das luas irregulares de Saturno, mostrou com detalhes sua superfície, que parece "esponjosa" (figura 7). Pandora é uma lua que parece uma "batata" e foi flagrada durante um sobrevôo da Cassini, revelado alguns detalhes de sua superfície (figura 8). Uma grande novidade da Cassini foram fotos de Pan Figura 5 Dafne moldando a falha de Keeler. Figura 6 Nova lua em formação?Figura 7 A lua irregular Hyperion e sua exótica superfície "esponjosa". Figura 8 Pantora, fotografada pela Cassini em 2016. (figura 9). Esta pequena lua irregular tem 28km de diâmetro e possui protuberâncias laterais, dando-lhe um formato único. Provavelmente essas protuberâncias são acúmulos de matéria vinda dos anéis de Saturno, uma vez que Pan orbita o planeta em um vão destes anéis. Das luas regulares, maiores e mais esféricas, Mimas tem uma peculiaridade: a enorme cratera Herschel, que faz a lua lembrar a Estrela da Morte da franquia cinematográfica de Star Wars. Essa característica já era conhecida, mas um sobrevôo da Cassini em 2010 permitiu obter imagens com muitíssimos mais detalhes (figura 11). Encélado é um belo mundo frio, recoberto por uma espessa crosta de gelo de água. Apresentando padrões azulados e esverdeados, Figura 9 Pan e seu formato peculiar. Figura 10 Mimas com sua superfície marcada por crateras de impacto. Uma delas, imensa, faz a lua lembrar a Estrela da Morte de Star Wars (Episódio 4 e Rogue One).

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1323 AstroNova . N.14 . 2017 crateras e fissuras extremamente longas. Abaixo dessa crosta congelada há um oceano de água líquida. Pelas fissuras sai matéria orgânica. A Cassini descobriu jatos de água e outros materiais expelidos constantemente da crosta de Encélado (figura 12). Isso indica que essa lua é muito mais ativa do que se pensava. Essa atividade vem das interações gravitacionais (chamadas de marés) com Saturno e outras luas. Isso poderia gerar fontes térmicas no fundo desses oceanos. Essas fontes são presentes no assoalho oceânico da Terra. Aqui em nosso planeta essas fontes de calor abrigam muitas formas de vida. É possível que isso também esteja ocorrendo em Encélado. Titã, uma lua especial Mas a maior lua de Saturno, Titã, era um alvo especial dos cientistas. Desde passagens rápidas de sondas por essa lua (a Pioneer e as duas Voyager), Titã de longe chamou a atenção. É a única lua com uma atmosfera expressiva, cerca de quatro vezes mais densa que a da Terra. Nos telescópios aparece apenas com uma esfera alaranjada, não sendo possível ver diretamente sua superfície (figura 13). Na década de 1980 descobriu-se que essa atmosfera continha alguns compostos orgânicos: metano (CH), etano (CH) e 4 26 propano (CH) e muito 38 nitrogênio (N). Na Terra 2 também predomina o gás nitrogênio! Com temperaturas muito negativas, cerca de -180ºC, a atmosfera de Titã poderia ser uma amostra conservada na geladeira de como foi a atmosfera da Terra no passado. Todos esses fatores geraram um fascínio tão grande que a Agência Espacial Européia (ESA) desenvolveu a pequena sonda de pouso Huygens (figura 14), que viajou acoplada na Cassini para, no momento certo, entrar na atmosfera de Titã e descer até sua superfície. Isso ocorreu em 2004. O procedimento foi um sucesso total, e Titã se tornou o primeiro objeto do Sistema Solar Exterior (ou seja, para além de Marte) visitado por um artefato humano. Figura 11 A cratera Herschel, em Mimas. Figura 12 A bela superfície de Encélado (esquerda) e seus poderosos jatos de gelo. Figura 13 Titã e sua cor alaranjada. É possível ver o halo de sua atmosfera.

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AstroNova . N.14 . 2017 Figura 14 Técnicos da ESA preparam a sonda Huygens em um escudo térmico. Na sua descida com pára- quedas, que durou 28 minutos, a Huygens revelou um mundo incrível. Fotografou relevos de gelo que são tão rígidos quanto rocha. Viu garoas, nuvens, rios, lagos e oceanos, ou seja, em Titã há um ciclo hidrológico como na Terra. Mas lá o ciclo não é de água, e sim de metano e etano líquidos (figura 15). A sonda Huygens pousou em uma região plana e firme comparada com uma "areia molhada". Rochas arredondadas evidenciam fluxo de líquidos, como as que ocorrem nos leitos dos rios terrestres (figura 16). A Huygens enviou dados para a Cassini, que os retransmitia para a Terra, por mais de duas horas! Orbitando Saturno, a Cassini usava onda de rádio e infravermelho para mapear a superfície de Titã. A figura 17 é uma composição de várias imagens. As regiões escuras mostram oceanos de hidrocarbonetos (metano e etano líquidos). Imagens mais detalhadas mostram rios e deltas desembocando em lagos e oceanos (figura 18). É interessante notar que há mais de 30 anos o astrobiólogo Carl Sagan já havia proposto uma dinâmica atmosfera e hidrosfera de hidrocarbonetos em Titã, imaginando ilhas e blocos de material congelado flutuando sobre os exóticos oceanos deste satélite. A Cassini revelou então que, essencialmente, Sagan previu corretamente o comportamento destes Figura 15 As primeiras imagens do pousador Huygens. Figura 16 Imagem enviada pela Huygens na superfície de Titã. Figura 17 Imagem infravermelho mostra oceanos de metano líquido em Titã. Figura 18 Rios e oceanos de hidrocarbonetos em Titã.

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1325 AstroNova . N.14 . 2017 O astrobiólogo Carl Sagan previu, corretamente, o exótico e rico comportamento da atmosfera e do ciclo hidrológico de Titã. À direta, um rascunho de seus estudos. aspectos de Titã. A Cassini também detectou criovulcões (vulcões de material gelado). Ao invés de magma, eles expelem água e amônia (figura 19 ). Isso revela que Titã também tem uma atividade geológica! Poderia haver vida nos lagos de Titã? Por se tratar de hidrocarbonetos, e não água, essa vida deveria ser muito diferente da vida daqui. Por outro lado há na Terra microorganismos extremófilos que retiram energia para seu metabolismo da degradação de compostos petrolíferos, ou seja, de hidrocarbonetos como de Titã. Seria possível haver vida com alguma similaridade à da Terra? Para mais detalhes sobre Titã, veja artigo de Rafael Cândido Jr. na edição n.11 da AstroNova. Figura 19 Modelagem 3D de criovulcão em Titã, que expele água e amônia. O GRAND FINALE O combusível da Cassini está no fim. Ela poderia cair em alguma lua com potencial de Vida e contaminá-la com microorganismos da Terra que talvez sobrevivam em sua estrutura. Assim a NASA realizou uma manobra de modo que a sonda cairá em Saturno, desintegrando-se na sua atmosfera em setembro. Enquanto resistir, enviará dados. Em 13 anos de funcionamento a Cassini foi a extensão de nossos olhos em Saturno. Ao queimar na sua atmosfera se unirá ao planeta. Trata-se de um reencontro, pois a matéria da nebulosa que originou nosso sistema era uma só, quando então foram separadas no berçário da formação planetária há 4,6 bilhões de anos. Movido pelo Cosmos dentro de nós, poeira estelar que pensa e sente, esse reencontro selará mais uma etapa no desejo de autoconhecimento desse mesmo Cosmos, expresso pela curiosidade científica de nossa breve existência. Wilson Guerra é professor. Tem graduação em Física (UEM), especialização em Astrobiologia (UEL) e atualmente é mestrando em Educação Científica. Referências Sistema Solar, Marcus Chown, 2016 Despedida Pálido ponto branco: a Terra fotografada pela Cassini entre os anéis de Saturno. www.esa.int www.nasa.gov/cassini

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Coordenado por o colabora com os sites Universo Racionalista, Ciência e Astronomia, InfoEscola, SpaceToday e Núcleo de Pesquisa de Ciências (NUPESC), além das revistas online AstroNova e Planetária. Yara Laiz Souza Ciência em Pauta Acompanhe os canais do CIÊNCIA EM PAUTA www.youtube.com/cienciaempautaporyaralaizsouzawww.facebook.com/pautadaciencia

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Galáxia do Catavento Astrofotógrafo: Carlos Aparecido Domingues Abril/2017 Sarandi - PR Galáxia do Catavento Astrofotógrafo: Carlos Aparecido Domingues Abril/2017 Sarandi - PR

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Nos dias 5 e 6 de junho acontece o 1º Workshop de Astronomia realizado pelo pessoal do Arcturus Clube de Astronomia do ABC. Fundado no final de 2015 por alunos da Universidade Federal do ABC, o Clube de Astronomia Arcturus passou por uma recente expansão. Hoje o clube está mais estruturado, contando com seções de Projetos, Divulgação e Administração. O clube estará presente na Semana de Integração Universitária (SIU), na qual os alunos ingressantes são recebidos com palestras e apresentações da Universidade. Esta ocorrerá entre os dias 22 e 26 de maio, isto decorre do fato dos cursos da UFABC serem quadrimestrais. O workshop tem como tema a Astronomia no Brasil: perspectivas acadêmicas e amadoras. Serão apresentadas 4 palestras e haverá o minicurso sobre o uso do software Stellarium. As inscrições para o evento estão abertas para todas as pessoas da região e maiores informações podem ser obtidas no site.

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Rafael Cândido Jr. eletrorafa@gmail.com O Encontro Rio Grandense de Astronomia ocorreu em dois dias, 21 e 22 de abril, na Universidade La Salle (Unilasalle) em Canoas. O evento foi organizado pelo divulgador científico Cristian Reis Westphal, coordenador do projeto Ciência e Astronomia e também colaborador da Revista AstroNova. Feita a solenidade de abertura do evento, seguiu- se o cronograma de palestras. A primeira foi apresentada pela professora Cristina Furlanetto, da UFRGS, com o tema: 1319 ASTRONOMIA AMADORA Formação e evolução das galáxias Logo depois, ocorreu a palestra sobre Lentes Gravitacionais, apresentada pela profa. Patrícia Spinelli, do Museu de Astronomia do Rio de Janeiro. Além de definir o que são as lentes gravitacionais e mostrar como elas são observadas, foi feito um experimento usando um laser e um cálice para mostrar a analogia da luz cósmica passando por uma lente. A terceira palestra foi Pessoal da recepção e cadastramento.

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apresentada pelo professor Magno Machado, da UFRGS, sobre o Large Hadron Collider (LHC). Nesta palestra foram apresentadas as sub-partículas que compõem os átomos e alguns resultados interessantes obtidos em experimentos do LHC. E o primeiro dia se encerrou com a palestra Água: da era do gelo aos nanotubos de carbono, apresentada pela professora Marcia Barbosa, também da UFRGS, na qual foram apresentados os comportamentos anômalos da água e como realizar a despoluição usando os nanotubos de carbono. AstroNova . N.14 . 2017 2230 Abertura do evento realizada por Cristian Reis Westphal. Professora Cristina Furlanetto e sua palestra sobre galáxias. Nos intervalos para o café, além dos tradicionais comes e bebes e das conversas sobre Astronomia, foram apresentados os trabalhos da Instrumentos Astronômicos, feitos pelo Ricardo e pela Cindy, alunos da UFSC. No primeiro dia, no intervalo entre as palestras, Ricardo apresentou mais detalhes sobre os instrumentos e as atividades do projeto A Astronomia e a Física vão à escola e à comunidade  da UFSC e do CNPq. O segundo dia do evento iniciou com a palestra sobre Poluição Luminosa, apresentada pelo professor Rafael Candido. Nesta apresentação ele comentou não apenas os efeitos que este tipo de poluição causa Os palestrantes do primeiro dia: Patrícia Spinelli, Cristina Furlanetto, Magno Machado e Marcia Barbosa. Astrolábios, esferas armilares, relógios solares e calendários construídos pelo pessoal de Instrumentos Astronômicos. Profa. Patrícia realiza o experimento didático ao final da palestra.

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1331 para as observações astronômicas, mas também os efeitos nocivos em fauna, flora e saúde pública. Logo a seguir, teve o workshop de Astrobiologia, apresentado pelo divulgador científico Bruno Dias, que é mais conhecido na blogosfera por Bruno Nupesc (Núcleo de Pesquisas em Ciências). Seguindo o caminho da Astrobiologia, Yara Souza, do Ciência em Pauta e também colaboradora da AstroNova apresentou a palestra Origens cósmicas da água. E no encerramento do 2º ENASTRO, ocorreu um painel de debates entre professores debatendo sobre o ensino e a popularização Ricardo apresentando mais informações sobre os instrumentos astronômicos. Havia também equipamentos didáticos para o ensino de Física. Na pausa para o café, as trocas de informações entre clubes de Astronomia, grupos de estudantes e palestrantes. de Ciências. Faziam parte da mesa: - Marina Valenzuela: graduada em Licenciatura em Física pela UFRGS e Conselheira da SARG. - César Schmidt: graduado e mestre em Física pela UFRGS. - César Gentil Bruscato: Mestre em Ensino de Física pela UFRGS, coordenador do Clube de Astronomia do Colégio Farroupilha e Professor Rafael, colaborador da Revista AstroNova e do Ciência e Astronomia, iniciando sua palestra. Bruno Nupesc apresentando as hipóteses de origem da vida na Terra. AstroNova . N.14 . 2017

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AstroNova . N.14 . 2017 2232 Yara apresentou sobre a água e sua importância na Astrobiologia. Na palestra houve também a participação especial de alguns fragmentos de meteoritos. responsável técnico pelo Observatório Astronômico Didático Capitão Parobé do Colégio Militar de Porto Alegre. A mediação foi realizada pela Yara Souza. Ao total, participaram do evento cerca de 350 pessoas vindas de cidades da Grande Porto Alegre e do interior do Rio Grande Sul. Também compareceram pessoas vindas de Santa Catarina. O ENASTRO se consolida como um dos importantes eventos regionais de divulgação de Astronomia. A lotação do evento nos dois dias mostra o grande interesse do público pelo assunto, seja de forma profissional ou amadora. Agradecemos ao Uma das fotos oficiais do evento. organizador, Cristian Reis, pelo excelente evento e por todo apoio dado à reportagem da Revista Astronova na cobertura. Certamente, no próximo ano estaremos cobrindo o evento. Até lá! Rafael Cândido Jr. é graduado e mestre em Engenharia Química pela USP e doutorando em Engenharia Aeroespacial pelo ITA César Gentil, Marina, Yara e César, que estava caracterizado como piloto de naves dos filmes Star Wars.

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www. RECURSOSdeFÍSICA .com.br Página que socializa produção de recursos de ensino adaptados à sala de aula e aos professores. Material produzido nas disciplinas do curso de Licenciatura em Física da UEM e em outros projetos coordenados pelo prof. Dr. Ricardo Francisco Pereira.

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Página destinada à notícias da Ciência e da Astronomia. www.youtube.com/user/cienciaeastronomia

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35 Rafael Cândido Jr. eletrorafa@gmail.com Neste artigo vamos apresentar um pouco do interessante mundo das ondas curtas e sua ligação com a Astronomia. Vamos viajar numa interessante aplicação das ondas do rádio. É comum atualmente as pessoas ouvirem rádios, seja da faixa de FM ou de AM, via internet, e até mesmo ouvir rádios estrangeiras através de sites. Mas há um modo de transmissão de rádio ainda existente e que durante muito tempo foi utilizado para ouvir rádios distantes: ondas curtas. Define-se ondas curtas como as ondas de rádio que apresentam comprimento de onda entre 100 a 10 m, ou seja, frequência entre 3000 kHz e 30.000 kHz (3 a 30 MHz). Como o comprimento de onda varia entre 100 m a 10 m, estas ondas são chamadas também de ondas de rádio decamétricas. Ao contrário de outras ondas de rádio, as ondas curtas não conseguem atravessar a ionosfera, sendo refletidas. E é assim que alcançam longas distâncias, chegando a um alcance direto de até 20 mil km da fonte emissora, dependendo da potência do sinal e do ângulo com a normal da ionosfera. (Figura 1). Nem todas as transmissões chegam a 20 mil km de alcance, existem transmissões que dependem de unidades retransmissoras para um alcance maior. (Figura 2) As ondas curtas são utilizadas para vários tipos de serviços de transmissão. Segue uma pequena lista de aplicações: - Transmissão radiofônica internacional e doméstica. No Brasil muitas transmissões são voltadas para cobrir o território da IONOSFÉRICA RADIOPROPAGAÇÃO ASTRONÁUTICA

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Figura 1. Reflexão das ondas curtas na camada da ionosfera, onde T = transmissor e R = receptor. Figura 3. Ao longo do dia as camadas ionosféricas alteram-se. AstroNova . N.14 . 2017 36 Amazônia. - Controle aéreo sobre oceanos. - Estações de serviços voltadas para controle de tráfego de embarcações, informações meteorológicas para aviões e navios (denominadas VOLMET), defesa civil e transmissão de mensagens diplomáticas criptografadas. - Radioamador em determinados comprimentos de onda: 80, 75, 60, 40, 30, 20, 17, 15, 12 e 10 metros. - Rádio relógio, ou em inglês time signal. Emissoras que transmitem a hora oficial do país a um determinado intervalo em segundos. No Brasil temos a transmissão do Observatório Nacional em 10000 kHz. - Radar, também denominado OTH (over-the- horizon). É um tipo de radar que permite rastrear além do horizonte visual. - Rádios clandestinas, muito comuns em regiões de conflito. Usadas também para transmissões relacionadas com espionagem. Dadas estas aplicações fica a questão: qual o vínculo deste assunto com a Astronomia? Tempestade 'cantando' no rádio Como vimos anteriormente, as ondas curtas refletem na ionosfera. Afinal, o que é a ionosfera mesmo? É a camada da atmosfera que possui uma densidade considerável de partículas eletrizadas, os íons; e plasma, que é gás eletrificado. Os raios-x e radiação ultravioleta proveniente do Sol são os agentes de formação de íons nesta parte da atmosfera. Assim, a densidade de íons presentes varia de acordo com a hora do dia, as estações do ano e com a intensidade das emissões solares. Figura 2. Transmissão por saltos múltiplos utilizando diferentes ângulos de reflexão.

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37 AstroNova . N.14 . 2017 A ionosfera é dividida em subcamadas, denominadas D, E e F. Estas variam em espessura e intensidade de reflexão conforme as horas do dia. (Figura 3) Desta forma, a ação do Sol torna a ionosfera mais ou menos reflexiva em relação às ondas curtas. Isto se reflete na qualidade do sinal que é recebido por uma estação receptora, que pode ser inclusive um pequeno rádio de ondas curtas analógico ou digital. (Figuras 4 e 5) Além dos tipos de emissoras citados anteriormente, há também estações de análise da espessura e refletividade da ionosfera. Estas estações, além de transmissoras são também receptoras, e assim são denominadas estações transceptoras, nome que também se dá aos aparelhos dos radioamadores. Há uma rede mundial de estações transceptoras que emitem sinais padrão para a análise da ionosfera. Estes sinais, denominados radio beacon são uma série de bips padronizados em duração e frequência. Geralmente estas estações são vinculadas a observatórios ou estações meteorológicas e possuem uma contínua troca de informações sobre a ionosfera. Com os dados levantados, faz-se um ionograma (Figura 6), a partir do qual é possível avaliar a intensidade de tempestades solares, sua correlação com as manchas solares e os efeitos que podem ocorrer em linhas de transmissão de energia elétrica ou sistemas de telecomunicações. Assim, obtém-se uma estimativa das correntes elétricas geradas na ionosfera. (Figura 7)O efeito mais comum percebido nas transmissões é o aumento do chiado (estática) nos períodos de maior atividade solar. Óbvio que os efeitos de uma tempestade solar não ficam restritos às transmissões de rádio que usam a ionosfera, mas são nelas que se tem os efeitos mais perceptíveis. Está no ar: Rádio Júpiter! Dado seu tamanho e sua constituição contendo hidrogênio metálico, o planeta Júpiter possui um campo magnético muito Figura 4. Rádio receptor de ondas curtas analógico.Figura 5. Rádio receptor de ondas curtas digital. Figura 6. Ionograma mostrando os resultados da reflexão de determinadas frequências das camadas ionosféricas E e F. 2

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38 AstroNova . N.14 . 2017 forte e extenso. Isso faz gerar tempestades elétricas que por sua vez geram os radio bursts, emissões extremamente fortes e não regulares de ondas de rádio decamétricas, ou seja, ondas curtas. É possível captá-las em um rádio de ondas curtas que tenha a faixa entre 18000 kHz a 24000 kHz. Porém é melhor utilizar um aparelho que permita o uso de uma antena externa, desta forma a recepção fica melhor e mais sensível a sinais fracos. Há inclusive uma seção da NASA específica para captar os radio bursts de ondas curtas emitidos por Júpiter. No Youtube encontramos vídeos que registram os radio bursts em receptores comuns de ondas curtas. Deve-se tomar cuidado pois há muitos vídeos pseudocientíficos que não tem nada a ver com o assunto. Assim, selecionamos o seguinte vídeo: Para aprender mais O site do DX Clube do Brasil disponibiliza um curso online e totalmente gratuito Figura 7. Correntes ionosféricas presentes no lado diurno. https://youtu.be/H6wkt_8a-6A sobre radio propagação, baseado numa apostila editada por Jim Vastenhoud da Radio Nederland nos anos 70. Logo no primeiro capítulo é apresentada a influência do Sol na ionosfera. Há também links muito interessantes sobre os radio bursts de Júpiter. O site Space Academy da Austrália explica a montagem de uma antena para captar estes sinais. A NASA mantém um site de radioastronomia solar e planetária voltado para as escolas e astrônomos amadores: Radio Jove. Ali encontram-se artigos sobre Júpiter, arquivos sonoros de radio bursts, construção de antenas e de radiotelescópios amadores. Rafael Cândido Jr. é graduado e mestre em Engenharia Química pela USP e doutorando em Engenharia Aeroespacial pelo ITA Space Academy - Austrália: www.spaceacademy.net.au/spacelab/ projects/jovrad/jovrad.htm NASA: https://radiojove.gsfc.nasa.gov/ Clique para acessar

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www.grupocentauro.org Grupo Centauro de Astronomia Amadora Dois Vizinhos - Maringá (PR) divulgando a beleza do Universo revelada pela Ciência H11 nosá A

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AMANDA SILVA ENTREVISTA Premiada pela NASA por artigo sobre a lua Encélado AMANDA SILVA Premiada pela NASA por artigo sobre a lua Encélado AstroNova: Olá Amanda! Seja bem-vinda à revista, apresente-se. Amanda: Eu sou Amanda Silva, de Mogi das Cruzes, cidade da Grande São Paulo e hoje (dia da entrevista, domingo de Páscoa) completei 16 anos. Estudo em uma escola técnica pública aqui na cidade. AN: Como começou seu interesse por Astronomia? A: Desde a infância a curiosidade sempre me moveu. E foi isso o que me levou até a Astronomia. Iniciei os estudos em 2013, com o pouco que é ensinado na escola pública. Complementei os estudos fazendo cursos gratuitos, presenciais ou disponíveis na internet na forma de vídeos. AN: Como foi o incentivo dos seus pais? A: Eles sempre me incentivaram muito. Em relação a esse concurso eu não tinha muitas condições de ir ao Rio e eles deram o melhor de si para me ajudar. AN: O primeiro concurso que você participou foi em 2016. Conte mais sobre ele. A: Participei de um concurso do Telescópio SOAR no qual escolhia-se um objeto para ser fotografado e ser divulgada a imagem. E também eu tinha que fazer uma redação sobre o objeto, no caso eu escolhi as galáxias de Antenas (NGC 4038 e 4039). AN: E sobre o prêmio Cientista por um dia? Como foi a participação no concurso? E a premiação? A: Eu descobri o concurso pela internet. E como tive interesse de participar, comuniquei minha professora de Biologia. Ela gostou da ideia, nos inscrevemos. O tema era escolher um dos três assuntos sobre a missão Cassini, escolhi as plumas de Encélado. Fiz as pesquisas sobre o assunto e mandei o texto em cima da hora, faltando 1 dia para o prazo limite. E depois de 3 dias ela recebeu email informando que eu fui uma das vencedoras do concurso. Foi uma emoção sem igual! 40

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