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Acervo textual da Revista AstroNova

Edição 16 — páginas 1 a 20

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Assuntos identificados: espacial, astronomia, terra, solar, órbita, satélites, tempo, ciência, palestra, guerra.

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Lixo Espacial Entulhos na órbita da Terra REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS Tour pelo Sistema Solar As luas de Urano Pespectiva A Arte na origem da Ciência Moderna A INFLUÊNCIA NA ASTRONOMIA NAS CULTURAS Tour pelo Sistema Solar As luas de Urano Ano 04 - Nº 16 - Dezembro/2017 Evolução Humana Uma gigantesca irmandade O 14º ENCONTRO PARANAENSE DE ASTRONOMIA Lixo Espacial Entulhos na órbita da Terra Pespectiva A Arte na origem da Ciência Moderna

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1º PRÊMIO DE RECONHECIMENTO E DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA Entre setembro e outubro, os internautas fizeram suas indicações. Agora você escolhe os vencedores em várias categorias da astronomia amadora brasileira. CLIQUE AQUI E VOTE

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Mais um ano se finaliza e temos a satisfação de lançar a 16a edição da AstroNova. Nela, começaremos o nosso Tour pelo Sistema Solar, conhecendo um pouco das "luas" de Urano. Em seguida, Rafael Cândido nos traz informações sobre o lixo espacial. Apesar de parecer um problema longínquo, já se pensa em como ocupação de artefatos orbitais podem afetar a astronáutica próxima da Terra. Dando sequência, trataremos de alguns fenômenos astronômicos que tem marcado a formação das culturas nas mais diferentes expressões mitológicas e religiosas. Nesta edição o prof. Rogério Souza trata sobre Evolução Humana. As pesquisas indicam que não fomos os únicos humanos que já ocuparam a superfície da Terra e, mais que isso, constituímos uma fraternidade global. Trato depois, rapidamente, sobre como um aspecto revolucionário da Arte da Renascença influenciou no desenvolvimento de uma nova forma da ver o mundo, culminando na Ciência Moderna. Os editores tratam ao final de uma visão geral sobre o 14o EPAST, o Encontro Paranaense de Astronomia, este ano realizado na cidade de Pato Branco sob organização do GEAstro. E antes de trazemos a nossa tradicional agenda de lançamentos de foguetes e os principais acontecimentos na Estação Espacial Internacional do trimestre, convido o leitor a participar da 1a Premiação AstroNova de Reconhecimento e Divulgação Científica. Nos meses anteriores foram colhidas indicações dos internautas. Agora chegou o momento de votar para conhecermos em breve os vencedores entre várias categorias da Astronomia Amadora. Você pode votar no link abaixo. E uma ótima votação e leitura a todos! Wilson Guerra GCAA AstroNova . N.16 . 2017 Editores: Rafael Cândido Junior [email protected] Wilson Guerra [email protected] Redatores: Rafael Cândido Junior [email protected] Rogério Correia de Souza [email protected] Wilson Guerra [email protected] Arte e Diagramação: Wilson Guerra [email protected] Astrofotos: Bruno Bonicontro Newton Cesar Florencio EXPEDIENTE EDITORIAL Capa: detalhe das nuvens superiores de Júpiter (sonda Juno) Wilson Guerra GCAA Wilson Guerra GCAA JUNO/NASA Clique aqui e vote

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SUMÁRIO Tour pelo Sistema Solar As luas de Urano 07 15 21 31 A influência dos fenômenos astronômicos em diferentes culturas Arte e Ciências A Perspectiva na formação da Ciência Moderna A Irmandade Humana Ano 4 | Edição nº 16 | 2017 11O problema do lixo espacial 35 O 14º EPAST Encontro Paranaense de Astronomia

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Principais Lançamentos do TrimestrePrincipais Lançamentos do Trimestre ASTRONÁUTICA Foguete: H-2A Carga: GCOM-C & SLATS obs. mudanças climáticas Lançamento: Centro de Tanegashima Data: 22ou23/12/2017 JAPÃOJAPÃO Foguete: PSLV (ISRO) obs. da Terra/sensoriamento remoto Local: Base de Dhawan, Sriharikota Data: janeiro/2018 Carga: Cartosat 2ER & NovaSAR-S ÍNDIAÍNDIA Foguete: Zenit 3F Carga: AngoSat - satélite de comunicação de Angola Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 26/12/2017 Foguete: PROTON Carga: Blagovest No. 12L satélite de comunicação Local: Cosmódromo de Baikonur Data: fevereiro/2018 RÚSSIARÚSSIA ESTADOS UNIDOS ESTADOS UNIDOS Foguete: Pegasus XL Carga: ICON, satélite da NASA para estudo da ionosfera Local: Ilhas Marshall Data: início de 2018 Foguete: Falcon9 (SpaceX) Carga: SES 12 satélite de comunicação Local: Cabo Canaveral Data: 09/12/2018

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Principais Lançamentos do TrimestrePrincipais Lançamentos do Trimestre ASTRONÁUTICA Foguete: ARIANE 5 Carga: SES 14 & Al Yah 3 satélites de comunicação Local: Base de Kourou Data: 18/01/2018 Foguete: ARIANE 5 Carga: Hylas 4 & Azerspace 2/Intelsat 38 satélites de comunicação Local: Base de Kourou Data: março/2018 Foguete: Longa Marcha 3B comunicações Local: Base de Xichang Data: 11/12/2017 Carga: Alcomsat1 (satélite de CHINACHINA NOVA ZELÂNDIA NOVA ZELÂNDIA Foguete: Electron (Rocket Lab) Carga: teste Local: península Mahia Data: 7ou8/12/2017 EUROPAEUROPA

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Principais atividades - Agosto a Novembro/2017Principais atividades - Agosto a Novembro/2017 Próxima Expedição - Soyuz MS-07 (17/12/2017)Próxima Expedição - Soyuz MS-07 (17/12/2017)Tripulação atualTripulação atual Estação Espacial Internacional (ISS)Estação Espacial Internacional (ISS) ASTRONÁUTICA 3 tipos de vegetais se desenvolvem nas estufas da ISS 3 tipos de vegetais se desenvolvem nas estufas da ISS Hora da pizza! Foi enviada à tripulação de surpresa.Hora da pizza! Foi enviada à tripulação de surpresa. Caminhada espacial para manutenção e atualização dos braços robóticos da ISS Caminhada espacial para manutenção e atualização dos braços robóticos da ISS

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As luas de Urano "Doce Lua", escreveu William Shakespeare em Sonhos de uma Noite de Verão. "Agradeço-te por teus raios ensolarados; agradeço-te, Lua, por brilhares agora tão forte." Séculos depois, as luas de Urano prestam homenagem ao famoso dramaturgo. Enquanto a maioria dos satélites em órbita de outros planetas recebe seus nomes da mitologia grega, as luas de Urano são originais por levarem nomes de personagens de Shakespeare, juntamente com alguns das obras de Alexander Pope. Oberon e Titânia (o rei e a rainha das fadas) são as maiores luas de Urano, e as primeiras a ser descobertas, por William Herschel em 1787. William Lassell, que foi o primeiro a enxergar uma 08 lua em órbita de Netuno, descobriu as duas seguintes de Urano, Ariel e Umbriel. Quase um século se passou antes que Gerard Kuiper descobrisse Miranda, em 1948. E foi tudo, até que um robô da Nasa chegou ao distante Urano. A espaçonave Voyager 2 visitou o sistema uraniano em 1986 e triplicou o número de luas conhecidas. A Voyager 2 descobriu outras dez, com diâmetros de apenas 26 a 154 quilômetros: Julieta, Puck, Cordélia, Ofélia, Bianca, Desdêmona, Pórcia, Rosalinda, Cressida e Belinda. Desde então, astrônomos utilizando o Telescópio Espacial Hubble e telescópios aperfeiçoados no solo elevaram para 27 o total de luas conhecidas. Localizar as luas depois da Voyager é uma façanha. Elas são pequenas - de 12 a 16 quilômetros de diâmetro - e pretas como piche. E, é claro, estão a quase 5 bilhões de quilômetros de distância. Todas as luas interiores de Urano (as que foram observadas pela Voyager 2) parecem ser, a grosso modo, metade água gelada e metade rocha. A composição das luas fora da órbita de Oberon continua desconhecida, mas provavelmente são asteróides capturados. Miranda, o mais interior e menor dos cinco satélites, tem uma superfície diferente de qualquer outra lua já vista. Ela tem cânions gigantescos com profundidade até 12 vezes Um Tour pelo Sistema Solar SISTEMA SOLAR Um Tour pelo Sistema Solar

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maior que a do Grande Cânion dos Estados Unidos, terraços em camadas, superfícies que parecem muito antigas e outras que parecem muito jovens. Ariel tem a superfície mais brilhante e possivelmente é a mais jovem de todas as luas de Urano. Ela tem poucas crateras grandes e muitas pequenas, indicando que colisões de baixo impacto relativamente recentes destruíram as grandes crateras que teriam sido deixadas por choques anteriores muito maiores. Vales entrecortados, pontilhados de crateras, marcam sua superfície. Umbriel é antiga e a mais escura das cinco grandes luas. Ela tem muitas grandes crateras e exibe um misterioso anel brilhante num dos lados. Oberon, a mais exterior das cinco grandes luas, é antiga, com muitas crateras e mostra poucos sinais de atividade interna. Um material escuro não identificado aparece no fundo de muitas crateras. Cordélia e Ofélia são luas pastoras que mantêm bem definido o anel "Epsilon" de Urano, o mais externo e fino. Entre elas e Miranda há oito pequenos satélites, AstroNova . N.16 . 2017 09 Oberon !Tipo: regular !Raio: 761,4 km !Característica principal: muitas crateras e poucos sinais de atividades sísmica Titânia !Tipo: relugar !Raio: 788,9 km !Característica principal: rochoso, com possível presença de água congelada. diferentes de qualquer outro sistema de luas planetárias. Essa região é tão densa que os astrônomos ainda não compreendem como as pequenas luas não se chocaram entre si. Elas podem ser pastoras dos dez anéis estreitos do planeta, e os cientistas acham que deve haver ainda mais luas interiores, ainda desconhecidas, para confinar as bordas dos anéis internos. "Bem brilhado, Lua", escreveu Shakespeare, "realmente, a Lua brilha com boas graças". www.nasa.gov Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves Ariel !Tipo: regular !Raio: 578,9 km !Característica principal: superfície marcada por muitas crateras Umbriel !Tipo: regular !Raio: 584,7 km !Característica principal: possui a superfície mais escuras das cinco maiores luas. Miranda !Tipo: regular !Raio: 235,8 km !Característica principal: superfície com canions gigantescos. Puck !Tipo: satélite interior !Raio: 81 km !Característica principal: formato um pouco irregular, como as demais luas internas. Cordélia !Tipo: satélite interior !Raio: 20,1 km !Característica principal: formato irregular Ofélia !Tipo: satélite interior !Raio: 21,4 km !Característica principal: formato irregular

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Centro da Via-Láctea / Saturno à direita em baixo Astrofotógrafo: Newton Cesar Florencio Julho de 2017 Centro da Via-Láctea / Saturno à direita em baixo Astrofotógrafo: Newton Cesar Florencio Julho de 2017

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ASTRONÁUTICA 11 LIXO ESPACIAL O problema do Rafael Cândido Jr. [email protected] Na Terra há vários tipos de poluição: atmosférica, aquática, do solo, radioativa, luminosa e até eletromagnética. Infelizmente a humanidade tem contaminado não só o meio ambiente em que vive, mas também o espaço em torno da Terra. Neste artigo vamos conhecer um pouco mais sobre o lixo espacial. O que é lixo espacial? Define-se lixo espacial como objetos artificiais que se encontram em órbita da Terra e que não possuem nenhuma utilidade. Podem ser satélites inteiros, restos de naves, ferramentas e até resíduos muito pequenos como parafusos e lascas metálicas. Com o tempo, e dependendo da órbita em que se encontram, estes resíduos podem reentrar na atmosfera. Entretanto, enquanto permanecem no espaço podem causar danos em satélites e naves funcionais. Breve histórico O primeiro satélite, Sputnik1, entrou em órbita no dia 4 de outubro de 1957. Continha um sistema de emissão de sinais de rádio na forma de bip-bip. As baterias duraram por 22 dias, após isso o Sputnik 1 não possuía mais nenhuma função. Porém, sua vida como lixo espacial durou até 4 de janeiro de 1958, ou seja, 3 meses após seu lançamento; quando reentrou na atmosfera e foi incinerado. O lixo espacial mais antigo que se conhece é o satélite Vanguard 1. Lançado em 17 de março de 1958, o satélite de apenas 1,5 kg operou durante 6 anos, tornando-se inativo em maio de 1964. Uma sondagem em 2007 confirmou que o mesmo permanece em órbita, com previsão de reentrada na atmosfera apenas no ano de 2198! Com o desenvolvimento dos satélites para comunicação, meteorologia e fins

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AstroNova . N.16 . 2017 12 militares; a quantidade de satélites que se tornaram inativos com o tempo cresceu. Além disso, pedaços de naves, detritos gerados por missões tripuladas e colisões entre objetos geraram ainda mais lixo espacial. Características do lixo espacial Em relação ao tamanho, estima-se que existam 170 milhões de detritos com até 1 cm de tamanho, 670 mil com tamanho entre 1 e 10 cm e a contagem para tamanhos maiores que 10 cm é de 30 mil. A massa total em órbita é avaliada em 5500 toneladas de lixo espacial. Quanto à localização, destacam os que se encontram em órbita baixa e os de órbita alta. A órbita baixa também é Concepção artística do voo do Sputnik 1. Concepção artística do satélite Vanguard 1 em órbita. denominada LEO (Low Earth Orbit). São muitas órbitas em vários planos e com altitudes variadas, algumas até passando sobre os polos.Os impactos podem ocorrer a velocidades muito altas, da ordem de 16 km/s, e nessas condições um detrito pequeno pode causar danos permanentes em satélites ou naves. Um outro problema que pode ocorrer é proposto pela definição da síndrome de Kessler. No final dos anos 1970, o astrofísico Donald J. Kessler propôs que caso o volume de detritos espaciais em órbita baixa fosse muito alto, poderiam ocorrer reações em cadeia com as colisões, ou seja, detritos gerando ainda mais detritos, tornando impossível o uso de satélites e impedindo o lançamento de naves. Este é o tema do filme Gravidade (Gravity, 2013). As missões com destino à Estação Espacial Internacional ocorrem em LEO, ou seja, abaixo de 400 km. Assim, a estação e as naves encontram-se vulneráveis a colisões com Dramatização dos efeitos da síndrome de Kessler no filme Gravidade.

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AstroNova . N.16 . 2017 Donald J. Kessler em caricatura sobre o lixo espacial. detritos. As órbitas altas para satélites são denominadas GEO, acrônimo em inglês para GeoestationaryOrbit. Esta órbita é muito utilizada para satélites de telecomunicações. Nesse caso o decaimento orbital pode demorar muito e as velocidades são menores que nas órbitas LEO, tendo no máximo 1,5 km/s. O que pode fazer os detritos descerem para órbitas mais baixas são as influências do vento solar, perturbação da gravidade da Lua e pequenas variações da gravidade da Terra. Nesta região, apesar das velocidades baixas, ainda podem ser observados estragos, principalmente em painéis solares. Em alguns casos, impactos podem ser prevenidos se os satélites forem desviados, porém para estas manobras se faz necessário que ainda exista propelentes no satélite. Quando o lixo volta pra Terra Os detritos em órbita baixa reentram na atmosfera e são incinerados pelo atrito. Porém há muitos casos em que, devido ao tamanho, chegam até a superfície terrestre. Seguem alguns casos interessantes: Satélite radioativo O satélite-espião soviético Kosmos 954 caiu no norte do Canadá em janeiro de 1978 espalhando material radioativo por milhares de quilômetros quadrados. Maior parte da região passou por descontaminação. Uma pancada do espaço No estado de Oklahoma, EUA, em 1997, uma mulher foi atingida no ombro por um pedaço de 10 x 13 cm de proteção térmica do tanque de propelente do foguete Delta II lançado 1 ano antes. Porém não ocorreu nenhum ferimento grave. Os pedaços do Columbia No acidente com o ônibus espacial Columbia, ocorrido em 2003, pedaços da nave chegaram ao solo e muitos equipamentos estavam 13 Áreas com risco de colisões com detritos na Estação Espacial Internacional. As áreas com maior probabilidade de colisões estão em vermelho.

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14 AstroNova . N.16 . 2017 intactos. Um alerta da NASA foi emitido por rádio e TV sobre o perigo da presença de compostos químicos perigosos. O avião que quase foi atingido Durante o voo do Airbus A340 da LAN Airlines em 27 de março de 2007 foram observados os restos de um satélite-espião russo enquanto voava sobre o Oceano Pacífico. Conforme informações obtidas de radares, os restos passaram a aproximadamente 10 km de distância da aeronave! Lixo espacial na montanha Em março de 2011 um alpinista do noroeste do Colorado encontrou um largo objeto esférico ainda quente. Ao contatar as autoridades militares descobriu-se que era um dos tanques do foguete russo Zenit-3 lançado em janeiro daquele ano. Existe solução para o problema? Estudiosos do assunto citam que existem fatores institucionais, políticos, legais, econômicos que impedem a limpeza das órbitas baixas. E também não há um incentivo comercial e os custos para esta operação seriam muito altos. Apesar de não existir um tratado internacional sobre o lixo espacial, o Comitê das Nações Unidas para Uso Pacífico do Espaço Exterior publicou guias sobre o assunto em 2007. Isto motivou que em 2013 a NASA e a ESA apresentassem suas propostas para atenuar o problema do lixo espacial. Dentre elas uma nave desenvolvida pela SpaceX Dano causado por uma lasca de alumínio na janela frontal do ônibus espacial Challenger em 1983 (STS-7). Pontos de impacto de detritos no Telescópio Espacial Hubble. Detrito de óxido de alumínio, resultante da combustão de propelente sólido. Simulação computacional da concentração do lixo especial nas órbitas altas (GEO) e baixas (LEO).

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1315 AstroNova . N.16 . 2017 para reabastecimento de alguns satélites com propelentes, e assim permanecer em sua órbita. No caso de satélites geoestacionários foi proposta uma órbita cemitério para a qual satélites ao final da vida útil seriam deslocados, ou tanques de propelentes seriam enviados aos satélites. Há também a proposta de se realizar uma coleta de lixo espacial. Para os fragmentos pequenos foi proposto o uso de naves contendo bolhas de aerogel para posterior reentrada na atmosfera. Outra proposta é o uso de naves com lasers muito potentes para vaporizar ou deslocar detritos para órbitas que possam prover uma queda muito rápida. Previsão do tempo: possível chuva de detritos. A estação espacial chinesa Tiangong-1 está com reentrada na atmosfera prevista entre novembro de 2017 a fevereiro de 2018. Espera-se que seja totalmente destruída na reentrada. Porém, como neste processo ocorre fragmentação de uma estrutura grande, alguns detritos podem não ser totalmente consumidos. Existe a possibilidade de que pedaços de tamanho considerável, de até mais de 100kg, possam atingir a Terra. Caso caiam em oceanos ou em áreas desabitadas não haverá problema. Mas ainda não há nenhuma garantia de que alguns desses pedaços não caiam numa área urbana ou rural, trazendo muitos prejuízos ou até mesmo uma catástrofe. Rafael Cândido Jr. é graduado e mestre em Engenharia Química (USP) e doutorando em Engenharia Aeroespacial (ITA) Parte do último estágio de um foguete lançador de satélites GPS caído no deserto da Arábia em 2001. LongDurationExposureFacility (LDEF), nave destinada a experimentos em microgravidade e testes em ambiente espacial. Um dos painéis de testes do LDEFmostrando os efeitos dos detritos espaciais. Representações artísticas da separação da nave Shenzhou da estação espacial Tiangong-1 (à esquerda) e da reentrada na atmosfera.

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Nebulosa da Eta Carina Astrofotógrafo: Bruno Bonicontro Março de 2016 Nebulosa da Eta Carina Astrofotógrafo: Bruno Bonicontro Março de 2016

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1317 AstroNova . N.16 . 2017 Wilson Guerra [email protected] Na antiguidade, o céu era visto como uma forma de comunicação com os deuses. Isso não se limitava a este ou aquele povo. Historiadores e antropólogos mostram que essa era uma prática universal de nossos antepassados. Muitas estórias e mitos têm origem de fenômenos astronômicos não compreendidos na época. Estas ocorrências facilmente se misturavam às crenças e marcaram muitas tradições em muitas culturas. Sem a Ciência Moderna, fenômenos de causas naturais muitas vezes eram interpretados pelos antigos como sinais, avisos, mensagens ou presentes divinos. Hoje, estrelas; antes, fogueiras O céu, geralmente tranquilo e passivo, por vezes também pode ser palco de poderosas forças da Natureza. Para a humanidade em seu longo estágio primevo, a fúria dos céus podiam ser facilmente intepretadas como a força de poderosos seres celestiais. É quase natural que os grupos de caçadores-coletores que nos antecederam há milhares de anos chegassem a essas conclusões ao ver raios, fortes tempestades, furacões, tornados... Em um didático exercício de antropologia, o astrônomo Carl Sagan especula da seguinte maneira o que poderia imaginar um ancentral nosso ao pensar sobre o céu: “Nós somos um povo caçador nômade. O fogo nos mantém aquecidos. Sua luz abre ‘buracos’ na escuridão. Ele afasta os animais famintos. Na claridade, podemos ver uns aos outros e conversar. Nós cuidamos da chama. A chama cuida de nós. As estrelas não estão próximas de nós. Quando subimos numa colina ou numa árvore elas não ficam mais próximas. Elas piscam com uma luz estranha, fria, distante. Muitas delas, todas pelo céu. Mas só a noite. Eu fico imaginando o que elas são. Uma vez eu pensei que as em diferentes FENÔMENOS ASTRONÔMICOS A influência dos CULTURAS

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AstroNova . N.16 . 2017 estrelas eram chamas. Elas davam pouca luz à noite, como o fogo. Talvez as estrelas são fogueiras que outros nômades acendem a noite. As estrelas dão muito menos luz do que as fogueiras, então devem estar muito distantes. Fico pensando se as nossas fogueiras parecem estrelas para as pessoas no céu. Mas porque aquelas fogueiras e os nômades que as fizeram não caem em nossos pés? Por que tribos estranhas não caem do céu? Aqueles seres do céu devem ser muito poderosos! Foi de pensamentos parecidos com essa descrição que evoluíram as crenças relacionando divindades às estrelas. Gregos: os deuses desenhando no céu Ao ver o céu a olho nu em uma noite sem Lua e longe da poluição luminosa, o PERIGEU APOGEU Na série original de Cosmos, Carl Sagan trata da forma como os povos pré-históricos imaginariam os céus. Em todas as culturas, crenças e religiões foram marcadas por fenômenos astronômicos pouco compreendidos em sua época. número de estrelas visível é estonteante. Estima-se que podemos ver em torno de 5 mil estrelas nestas condições. As mais brilhantes parecem formar conjuntos que lembram figuras. É como nos almanaques de liga-pontos. Estes conjuntos de estrelas que formam figuras são as constelações, e constituem nossos atuais mapas celestes. Para os gregos clássicos a figuras imaginadas das constelações eram um capricho dos deuses. Cada constelação tinha uma história mitológica. Segundo os historiadores, muitas delas foram incorporadas pelos gregos de culturas ainda mais antigas. Uma das mais conhecidas envolve Órion e o Escorpião, com várias versões. Em uma delas, Órion era um caçador apaixonado por Ártemis. O irmão dela, Apolo, não concordava com esta aproximação e enviou um escorpião gigante para matá- lo. Órion sempre conseguia fugir. Em uma das fugas pelo mar, Apolo engana Ártemis, exímia atiradora, ao desafiá-la acertar um ponto distante no oceano. O alvo era Órion. Arrasada ao descobrir que matou seu amor, Ártemis pede a Zeus para colocá-lo no céu, que concede seu desejo. Zeus faz 2018 Foto do céu com as estrelas que compôem a constelação de Órion (acima) e sua representação (abaixo). No destaque, o cinturão de Órion (”as 3 Marias”).

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19 AstroNova . N.16 . 2017 o mesmo com o escorpião, fixando-os em posições opostas. Por isto, quando a constelação do Escorpião surge no horizonte leste, Órion se põe no oeste. Hoje sabemos que as estrelas que formam uma constelação não estão ligadas entre si e raramente se encontram próximas umas das outras. Isso não era conhecido na antiguidade. Estrelas de uma constelação que estão muito distantes podem ter uma “vizinha” bem mais próxima de nós. Isto significa que ambas tem anos-luz de distância entre si. A impressão de estarem lado a lado é só um efeito de perspectiva da nossa posição de observação na Galáxia. A Estrela de Belém: supernova ou um cometa Os adeptos do cristianismo acreditam que no mundo antigo a humanidade testemunhou a presença de um messias: Jesus. Ele veio para salvar-nos do pecado. Seu local de nascimento teria sido indicado por uma estrela repentina e inesperada: a Estrela de Belém. Esta estrela guiou os três Reis Magos, que eram astrônomos de tribos antigas que constituíam o povo meda. A principal hipótese para a aparição da estrela de Belém é que, na realidade, se tratava de uma nova ou uma supernova. Uma nova é um fenômeno onde uma estrela passa repentinamente a brilhar milhares de vezes mais que o habitual. Se ela era inobservável a olho nu antes do fenômeno, durante sua ocorrência a estrela pode ser vista. É como se a estrela aparecesse subitamente no céu (mas na realidade estava lá o tempo todo). Já uma supernova faz a estrela brilhar milhões de vezes mais. Em ambos os casos o fenômeno pode durar dias ou até semanas. Baseados em registros muito precisos de astrônomos chineses antigos, pesquisadores britânicos afirmam que a Estrela de Belém provavelmente foi uma nova que ocorreu na primavera de 5 AEC. A data é compatível com o provável ano de nascimento de Jesus, entre 5 e 7AEC. segundo especialistas católicos. Outra hipótese menos provável mas que não deve ser desconsiderada é de que a Estrela de Belém fosse um cometa. Como as novas, os cometas não eram compreendidos na época e por esta razão podiam ser chamados de “estrelas”. Nos presépios, que são representações simbólicas do local humilde onde para os cristãos o Salvador nasceu, é comum ilustrar a Estrela de Belém como um cometa. É difícil que tenha sido o famoso cometa Halley. Mas dois outros cometas estão nos registros chineses: um em março de 5AEC e outro em abril de 4AEC. Mesmo mais afastadas da data da estrela nova, é importante lembrar que muitos eventos religiosos são estabelecidos a posteriori, muito depois da ocorrência, como lembra o famoso antropólogo e mitologista Joseph Campbell. Ilustração retrata os três Reis Magos seguindo a “Estrela de Belém”. É provável se tratava de uma explosão estelar do tipo nova ocorrida na antiguidade.

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Milhares peregrinando em Meca, a cidade sagrada dos muçulmanos. A estrutura cúbica no centro é a Caaba. Muçulmanos contemplando a Pedra Negra, que pode ser um meteorito. Islã: um meteorito em Meca? Meca é a cidade mais sagrada do mundo para os muçulmanos, adeptos da religião islâmica. Na antiguidade Meca foi um importante centro comercial. Em torno do ano 600 Maomé, o principal profeta dos muçulmanos e fundador do Islã, teria transformado um templo de deuses antigos em um local de adoração monoteísta, o deus único Allah. Uma estrutura cúbica foi construída no centro do que hoje é a Grande Mesquita, e foi denominada Caaba. Todos os anos milhões de muçulmanos fazem peregrinação para Meca e tentam se aproximar da Caaba. Em uma de suas arestas há uma rocha especial. Ela é chamada de Pedra Negra. Pela tradição muçulmana a Pedra Negra veio do céu, trazida por um anjo. Eles acreditam que ela era branca mas que se tornou escura com o tempo como resultado dos pecados humanos. O que para antigos foi um presente trazido do paraíso, hoje parece-nos muito com um meteorito. Os meteoritos são restos de rochas espaciais que entram na atmosfera da Terra em grande velocidade. A maioria se desintegra neste violento processo e são chamados de meteoros. Quando algum fragmento consegue chegar até a solo, recebe o nome de meteorito. Como os pesquisadores não tem acesso a Pedra Negra, ainda não há como detalhar sua composição e origem. Festas e calendários Eventos astronômicos notáveis também definem datas festivas e períodos de tempo. O Natal deriva do solstício de inverno (no hemisfério norte). Já era uma data festejada antes do cristianismo e simbolizava a esperança vinda com o findar do inverno. A duração da semana é baseada nos ciclos lunares, assim como o calendário judaico. De várias formas somos herdeiros do conhecimento das estrelas. Wilson Guerra é professor, graduou-se em Física pela UEM, tem especialização em Astrobiologia pela UEL e atualmente é mestrando em Educação Científica. Leitura Recomendada: O Livro de Ouro do Universo Rogério Mourão; Editora Zahar Astronomia nos Descobrimentos. A importância dos árabes e dos judeus nas descobertas Rogério Mourão, Lacerda Editora As transformações dos mitos através dos tempos Joseph Campbell; Editora Cultrix O tempo que o tempo tem A. Cherman; F. Vieira; Zahar Editor AstroNova . N.16 . 2017 2020

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