Acervo textual da Revista AstroNova
Edição 16 — páginas 21 a 40
Esta página apresenta o texto extraído do PDF para tornar a edição pesquisável e acessível a leitores, navegadores e assistentes de IA. Consulte o PDF original para preservar diagramação, imagens, fórmulas e créditos.
Assuntos identificados: espacial, astronomia, terra, solar, órbita, satélites, tempo, ciência, palestra, guerra.
Página 21
Coordenado por o colabora com os sites Universo Racionalista, Ciência e Astronomia, InfoEscola, SpaceToday e Núcleo de Pesquisa de Ciências (NUPESC), além das revistas online AstroNova e Planetária. Yara Laiz Souza Ciência em Pauta Acompanhe os canais do CIÊNCIA EM PAUTA www.youtube.com/cienciaempautaporyaralaizsouzawww.facebook.com/pautadaciencia
Página 22
Educação científica 24 horas por dia! Biologia, Ecologia, Geologia, Astronomia, Evolução, Genética e muito mais! Educação científica 24 horas por dia! Biologia, Ecologia, Geologia, Astronomia, Evolução, Genética e muito mais! www.facebook.com/academiadecienciasnaturaiswww.facebook.com/academiadecienciasnaturais Academia de Ciências Naturais Academia de Ciências Naturais Academia de Ciências Naturais Academia de Ciências Naturais
Página 23
A IRMANDADE HUMANA! Rogério C. Souza [email protected] Durante muito tempo, as pesquisas sobre evolução humana se concentravam em fósseis escassos, enterrados em locais de difícil acesso ou mesmo em regiões com conflitos políticos impedindo as pesquisas. Hoje o cenário mudou, as pesquisas sobre as origens genéticas dos seres humanos estão adicionando novas e espetaculares informações sobre nossas alvorada. A genética evolutiva Desde a descoberta do DNA em 1953, por Watson & Crick, os geneticistas tomaram conhecimento do principal mecanismo por trás da Evolução das Espécies, as mutações. Sendo feita desde então, a junção de duas grandes áreas da Biologia, a Genética e a Ecologia, dando origem á “Teoria Sintética da Evolução”, o principal aperfeiçoamento das ideias de Darwin desde então. Uma mutação ocorre quando algumas das bases nitrogenadas do DNA (Adenina, Timina, Citosina e Guanina) se invertem, são substituídas ou deletadas. Isso muda o código que produz uma proteína, podendo gerar alterações nas características de um ser vivo. Um fato interessante e fundamental sobre mutações naturais é que elas ocorrem com certa frequência, e esta frequência pode ser mensurada, levando-se em consideração a taxa de reprodução de uma determinada espécie. Por exemplo, nos seres humanos, uma geração dura em média 30 anos, cada geração é usada como parâmetro na contagem da passagem da mutação através das gerações. Outro ponto importante: as mutações são acumulativas. Pode ocorrer uma mudança de pares de bases em uma geração (A=T substitui C=G), e na geração seguinte, irá ocorrer outra mutação em Todos os seres humanos vivos atualmente são descendentes de um pequeno grupo de pessoas que viveram há aproximadamente 75 mil anos! EVOLUÇÃO HUMANA A IRMANDADE HUMANA!A IRMANDADE HUMANA! Todos os seres humanos vivos atualmente são descendentes de um pequeno grupo de pessoas que viveram há aproximadamente 75 mil anos! 23
Página 24
AstroNova . N.16 . 2017 24 outro seguimento do mesmo gene (muitas vezes essas mutações não alteram a proteína que será produzida), sendo somada a primeira em uma determinada população. Quando analisamos o perfil genético de um gene em duas populações diferentes é possível determinar quando as duas populações eram uma só, contando às mutações que as separam, retrocedendo assim o famoso “Relógio Molecular”. Fatores Evolutivos Como já visto, a Teoria Sintética da Evolução é a junção de duas grandes áreas da Biologia. Até aqui tratamos a Genética. Está na hora da Ecologia. Um grupo de indivíduos da mesma espécie forma uma população, que geralmente ocupa o mesmo nicho ecológico. Estes indivíduos se reproduzem entre si, fazendo ocorrer os fluxos de genes (fluxos gênicos). Já tratávamos de mutações, durante essa troca genética, as mutações podem se acumular em uma determinada população que não possui relações com outras populações, e com o tempo, ambas se diferenciam pelo acúmulo de mutações diferentes. Neste princípio, é possível rastrear qual seria a última mutação em comum para várias espécies, mesmo entre gêneros diferentes, como baleias e hipopótamos, ou humanos e chimpanzés, e perceber suas semelhanças familiares. No caso destes dois últimos, também é possível traçar um provável tempo de separação dos dois gêneros. A contagem das mutações em relação as espécies versus o tempo relativo das gerações chegou-se a idade de 7 milhões de anos. Há esse tempo, provavelmente, viveu o último ancestral comum entre humanos e chimpanzés. Essa idade é corroborada inclusive por evidências fósseis. Populações diferentes O gênero Homo existe há, aproximadamente, 2.5 milhões de anos. Neste período diversas espécies vagaram pela Terra. A que mais tempo permaneceu foram os Homo erectus em suas varias versões: Homo ergaster, Homo dmanisiensis, Homo erectuspekinensis, Homo erectusjavanicus). Nossa espécie, Homo sapiens, apareceu há aproximadamente 200 mil anos na região norte da África, tendo evoluído dos Homo heidelbergensis, descendentes dos Homo ergaster. DNA, a base bioquímica da Vida. Homo erectus (1 milhão de anos)
Página 25
1325 AstroNova . N.16 . 2017 Figura 11 A cratera Herschel, em Mimas. Os Homo heidelbergensis viveram entre 700 mil anos e 200 mil anos atrás, sendo os ancestrais de todos nós Homo sapiens e dos extintos Homo neanderthalensis. Espalharam-se por uma grande área (África, Europa e Ásia), e quando populações se distanciam geneticamente, houve especiação, ou seja, o surgimento de novas espécies como ocorreu. Na Ásia (mais precisamente em uma caverna na Sibéria), um grupo misterioso de hominídeos foi descoberto muito recentemente, os hominídeos de Denisova, identificados somente por um dente, uma falange e uma amostra de DNA, analisadas pelo Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva (Leipzig), que os evidenciou como nova espécie. A Europa só viu a chegada do Homo sapiens há 40 mil anos, os Homo neanderthalensis habitavam o continente desde 300 mil anos atrás. Anteriormente, os Homo sapiens haviam chegado somente até o oriente médio, representado pelas evidências fósseis encontradas em grutas de Israel, como os crânios Skhull V, de 100 mil anos de idade aproximada. Cataclismo global A época Pleistocena (entre 2.5 milhões de anos e 11 mil anos atrás) é muito bem documentada em termos de estudos sobre paleoclima, sendo marcado principalmente pelas várias eras glaciais que ocorreram nesse período de tempo. As eras glaciais ocorreram por vários fatores, como alterações na órbita terrestre, mudanças nas correntes marinhas, entre outras. Para nossa espécie, o evento mais marcante dessa época provavelmente foi o evento cataclísmico de Tobá, uma erupção vulcânica Homo neanderthalensis (30 mil anos) Homo heidelbergensis (700 mil anos) Uma estimativa do evento cataclísmico de Tobá.
Página 26
AstroNova . N.16 . 2017 26 ocorrida entre 70 e 80 mil anos atrás no lago de Tobá, em Sumatra, Indonésia. Esta erupção foi classificada como mega colossal no índice de explosividade vulcânica, tendo liberado energia equivalente a 1 giga toneladas de TNT. Foram lançadas à atmosfera cinzas que percorreram todo o globo, reduzindo a temperatura em até 5 graus e induzindo o planeta a uma era glacial. Essa era glacial produziu principalmente no hemisfério norte, grandes mudanças ambientais, fazendo com que muitas espécies se extinguissem por não se adaptarem às condições ambientais tão instáveis. Mas, como sabemos hoje, as grandes mudanças ambientais são um dos maiores motores da Evolução das Espécies: extingue espécies e abre novos nichos ecológicos para que novas espécies surjam. A “Eva” mitocondrial As mitocôndrias são as organelas celulares conhecidas como “usinas de força”, responsáveis também pela respiração celular (ciclo de Krebs). Um fato interessante das mitocôndrias é que elas possuem seu próprio DNA independentemente do núcleo da célula. Isso é explicado pela teoria de que as mitocôndrias eram organismos independentes e que foram absorvidos pelas células primitivas, trabalhando em simbiose desde então. O fato das mitocôndrias possuírem DNA também foi muito útil para os estudos sobre nossas origens. O trabalho intitulado “Eva Mitocondrial” usa as mitocôndrias para traçar o passado genético de todas as populações humanas, até encontrar um trecho em comum de todas as mitocôndrias das etnias humanas. O nome “Eva Mitocondrial” é devido ao fato das mitocôndrias serem passadas somente pelas mães, os espermatozoides não possuem mitocôndrias. Elas estão presentes somente nos óvulos. Dessa forma, a mulher portadora da última mutação em comum dos O Homo sapiens arcaico (arte de Tom Bjorklund) Homo sapiens idaltu (160.000 anos) Cro magnon (40 mil anos)
Página 27
Homo sapiens viveu há aproximadamente 200 mil anos, sendo a avó de todos nós. O nome “eva mitocondrial” foi sugerido por se tratar da primeira mulher portadora da mutação, uma metáfora sem nenhuma relação com a Eva descrita na Bíblia judaico- cristã. Hoje em dia essa nomenclatura vem enfrentando críticas pois vem sendo usada e distorcida por grupos religiosos fundamentalistas que não a compreendem como uma simples metáfora. O “Adão” cromossomial Da mesma forma que foi feita a contagem das mutações das mitocôndrias entre as etnias humanas atuais, foi possível traçar quem foi o “Adão” ou primeiro Homo sapiens, não através do DNA mitocondrial, mas através do cromossomo Y, portado e passado somente pela linhagem masculina. Segundo as contagens do “relógio molecular”, o Adão cromossomial e a Eva mitocondrial estariam separados por aproximadamente mil gerações, ou um intervalo de tempo aproximado de 30 mil anos, não tendo, portanto, se encontrado em nenhuma hipótese (já o encontro com a cobra no Éden parece menos provável ainda). O funil Desde 200 mil anos atrás, quando os metafóricos “Adões” e “Evas” perambulavam pela África, tudo corria em relativa monotonia. O Homo sapiens possui a maior capacidade de adaptação de todos os hominídeos que já existiram, e isso foi colocado à prova durante a erupção colossal do vulcão Toba. Os poucos grupos de Homo sapiens que já haviam saído da África (encontrados em Israel), não sobreviveram aos eventos climáticos que se seguiram. Somente os grupos de Homo sapiens que estavam na África resistiram. Esse evento construiu um grande funil populacional. Talvez somente poucos grupos de indivíduos (entre 10 mil e mil casais) tenham sobrevivido! Na Europa e Ásia os Neanderthais e Denisovanos também sobreviveram, talvez por já estarem adaptados aos climas extremos das eras glaciais. Durante 50 mil anos o planeta foi povoado por essas três espécies de homens. Os descendentes destes grupos sapiens de pouquíssimas pessoas se reproduziram, formaram novos clãs, aldeias, tribos, e se diversificaram. Alguns continuaram na África e iriam formar a atual população africana, enquanto outros grupos foram para o norte. Quando o rebaixamento do nível dos mares formavam pontes de terra, estes atravessaram e chegaram a Eurásia. Na Europa, os Homo sapiens se depararam com populações de neandertais, e ao contrário do que se pensava anteriormente, esse 1327 AstroNova . N.16 . 2017 Pinturas rupestres: cro magnon.
Página 28
encontro não foi tão belicoso. Foi muito mais amoroso, havendo traços de DNA neandertal nas populações europeias atuais, sugerindo uma miscigenação em algum momento. Na Ásia, os Homo sapiens tiveram encontros com os denisovanos, passando seus genes para as populações de polinésios e aborígenes australianos modernos. Os verdadeiros Homo sapiens Conhecendo esses fatos é quase impossível não pensarmos nas absurdas ideologias nazistas de eugenia. Pregando uma suposta superioridade racial dos europeus arianos “raças puras”, nunca estiveram tão errados, mesmo diante da vitória do velocista Jesse Owens nas Olimpíadas de 1936, onde Hitler passou vergonha pelo sucesso do atleta afro americano. As populações africanas nativas foram as únicas que não se miscigenaram com outras espécies de hominídeos (apesar da variação genética entre essas populações ser muito grande). Isso seria um tapa na cara dos adeptos da eugenia nazista, contrários até mesmo a casamentos entre “raças”. Raças? Um dos pilares da ideologia nazista, as raças dos seres humanos biologicamente não existem. As análises genéticas demonstram, mesmo com misturas com outras espécies, que todos os 7,6 bilhões de pessoas vivendo atualmente no planeta são incrivelmente semelhantes geneticamente. Não houve mais nenhum tipo de isolamento geográfico capaz de produzir uma nova “raça” ou nova espécie. Isso talvez só virá a ocorrer no futuro, se colonizarmos outros planetas. Mas se depender da crescente velocidade dos nossos transportes, nem assim conseguiremos ficar isolados ao ponto de especiarmos. Por tudo isto, parece correto considerar que a humanidade é constituída por bilhões de irmãos. Rogério C. Souza graduou-se em Ciências Biológicas. É professor e coordenador da página Academia de Ciências Naturais. AstroNova . N.16 . 2017 28 Glaciares como estes foram bem mais comuns há 70mil anos. Homo sapiens arcaico (100 mil anos)
Página 29
www.facebook.com/casastronomia.sarandi Sarandi / Paraná
Página 30
Faixa da Via Láctea Nebulosa da Lagoa na parte superior Astrofotógrafo: Bruno Bonicontro Julho de 2017 Faixa da Via Láctea Nebulosa da Lagoa na parte superior Astrofotógrafo: Bruno Bonicontro Julho de 2017
Página 31
31 A Arte como uma das fontes inspiradoras à Ciência Moderna Perspectiva Wilson Guerra [email protected] Durante a Renascença, um novo olhar na expressão artística da pintura viria a mudar para sempre a técnica e as ciênicas: a perspectiva. Antes as pinturas medievais eram criadas com aquilo que ficou conhecido como "espaço agregado". Não importava a distância ao observador; o tamanho dos objetos retratados variava conforme o grau de importância dada a eles de acordo com a hierarquia social da Idade Média da Europa. Também era comum durante o medievo, a representação do céu em cor dourada. O céu e a terra eram sempre separados, desconectados, remetendo a existência de um mundo da perfeição e um da corrupção. Essa era a influência da visão aristotélica dicotômica para os movimentos celestes e terrenos, adotada e desenvolvida por toda a Idade Média européia (figuras 1 e 2). Com o uso da perspectiva como técnica na arte da pintura, a partir da Renascença, uma nova concepção de espaço surgira. Empregaram o chamado ponto de fuga, uma Figura 1: A Última Ceia - Ugolino da Siena; Nesta pintura, os apóstolos sentados mais próximos ao observador são menores do que os que estão mais adiante. ARTE E CIÊNCIAARTE E CIÊNCIA
Página 32
32 AstroNova . N.03 . 2014 convergência imaginária para onde rumavam todas as retas paralelas da pintura para ele, do teto e do solo. Engenheiros e técnicos passaram a usar esse artíficio também em seus trabalhos. Nessa representação do tridimensional no plano, céu e terra se encontravam no infinito, e o espaço já não tinha limites (figuras 3 e 4). A nova forma de se representar a geometria do espaço nas artes, substituindo a visão particular da Idade Média influenciou, assim, a nova concepção de mundo que a Ciência Moderna viria revelar. Expressou-se pela unificação do céu e da terra, da mecânica celeste e da mecânica terrestre, iniciada por Galileu e mais tarde sintetizada maestralmente com Isaac Newton. A inédita concepção espacial adotada pela Ciência não viria, portanto, do interior da Filosofia Natural, e sim do riquíssmo mundo das artes que florescia. A própria Astronomia, que então passou a entender que os movimentos celestes e terrestres eram regidos por um mesmo princípio (a gravitação universal) foi herdeira de estudiosos e artistas que imaginaram e desenvolveram uma nova concepção de espaço. Wilson Guerra é professor, graduou-se em Física pela UEM, tem especialização em Astrobiologia pela UEL e atualmente é mestrando em Educação Científica. Leitura recomendada: Breve História da Ciência Moderna: Convergência dos Saberes (Idade Média): Marco Braga, Andreia Guerra, José Claudio Reis. Breve História da Ciência Moderna: Das máquinas ao universo-máquina (séc. XV a XVII): Marco Braga, Andreia Guerra, José Claudio Reis. Figura 2: Chegada de Cristo a Jerusalém: Pietro Lorenzetti Céu e terra estão nitidamente separados. A perspectiva adotada ainda é confusa. Os personagens e figuras representados têm suas dimensões definidas por grau de importância hierárquica, sem relação com sua localização espacial. Figura 3: A Última Ceia - Leonardo Da Vinci As retas paralelas do chão, das paredes, da mesa e do teto se projetam a um ponto imaginário comum. Nesse ponto de confluência não há separação entre o céu e a terra, que se encontram. Figura 4: O casamento da virgem: Rafael O quadriculado no chão reforça a idéia de perspectiva, um artifício muito usando pelos artistas da Renascença. A idéia de espaço não delimitado fica clara na obra, que também não separa elementos do céu e da terra. AstroNova . N.16 . 2017
Página 33
www.pb.utfpr.edu.br/geastro Gp x mruode Estudo, pesquisa eetensão em Astronoia
Página 34
Superfície da Lua Astrofotógrafo: Newton Cesar Florencio Julho de 2017 Superfície da Lua Astrofotógrafo: Newton Cesar Florencio Julho de 2017
Página 35
Os editores E mais uma vez o Paraná realiza um evento de astronomia que já ficou tradicional: o Encontro Paranaense de Astronomia - EPAST. Neste ano de 2017 a 14a edição do EPAST ocorreu na cidade de Pato Branco, de 07 a 10 de setembro no campus da UTFPR de Pato Branco. A organização deste EPAST foi de responsabilidade do GEAstro, Grupo de Estudos, pesquisa, extensão e inovação em Astronomia, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, no campus Pato Branco, sob coordenação geral da professora Tina Andreolla, que também é docente da UTFPR. Dividido nestes quatro dias, foram apresentadas palestras, seminários, minicursos, oficinas, além de uma observação astronômica. Neste ano, a novidade foi a realização de uma atividade a campo: uma visita à cratera de impacto de Vista Alegre, no município vizinho de Coronel Vivida. E para as crianças, houve o Epastinho, com brincadeiras relacionadas à Astronomia e o planetário inflável, com sessões apresentadas por Lucas Souza. O EPAST se estabelecesse como um dos eventos regionais mais importantes do país. A sinergia gerada pela organização com a participação da comunidade local, estudantes, pesquisadores e amantes da Astronomia tornaram o evento singular. Poderíamos considerar que seria o entusiasmo do reencontro de velhos amigos, mas também vem a alegria da primeira participação dos novatos, principalmente em encontrar pessoas com o O 14ºO 14º EVENTOS 35 EPASTEPAST ENCONTRO PARANAENSE DE ASTRONOMIAENCONTRO PARANAENSE DE ASTRONOMIA
Página 36
AstroNova . N.16 . 2017 36 mesmo amor pela Astronomia. Agradecemos profundamente à Professora Tina Andreolla e toda sua equipe, que ao final foi homenageada, por este maravilhoso acontecimento. Para 2018, vamos levar este entusiasmo para Sarandi, onde o Clube de Astronomia de Sarandi - CAS, já está se organizando para realizar mais um excelente EPAST. No que tange às palestras, os temas abordados foram: - Atividade Solar e sua influência no cotidiano (Dieinifer Camargo): Esta palestra tem como objetivo apresentaras definições e influências das atividades solares, e faz parte de um projeto de pesquisa e extensão desenvolvido pelo GEAstro. Atividades solares são fenômenos causados pelo campo magnético solar ser intenso e instável. Estes incluem manchas solares, proeminências, ejeção de massa coronal e o aumento da densidade do vento solar. A magnetosfera atua como um escuto protetor, que deflete as partículas recebidas do vento solar, porém quando as partículas são mais densas que o normal, como acontece após uma erupção solar, a intensidade e a direção do campo magnético sofrem alterações, o que permite que uma parte das partículas adentrem os polos. Nessas ocasiões, a radiação e as partículas ionizam na baixa atmosfera, surgindo assim, cargas elétricas isoladas que se descarregam causando interferências eletromagnéticas. Isso traz grandes consequências para o nosso planeta, já que toda a nossa tecnologia pode ser prejudicada. Telecomunicações podem ser comprometidas pois a tempestade solar faz com que a magnetosfera expanda e mude a altura ou retarde a órbita dos satélites. Outra possibilidade é a interferência nos sinais de TV, celulares, rádio e GPS. Inúmeros danos elétricos também podem ser causados, principalmente nas latitudes altas pois o fluxo magnético que adentra a magnetosfera pode provocar ondas de descargas elétricas nos cabos de transmissão de força, o que pode causar curto-circuito, panes em sistemas elétricos, variação de tensão. Anualmente, as empresas de transmissão de energia elétrica e as empresas responsáveis pelos satélites sofrem cerca de 1 bilhão de dólares em prejuízos por causa das tempestades solares. E é para evitar esses prejuízos que os especialistas estão tentandoprever as tempestades com o maior tempo de antecedência possível para que haja a possibilidade um blecaute preventivo, enquanto a tempestade durar. Palestra de Dieinifer Camargo: Atividade Solar.
Página 37
37 AstroNova . N.16 . 2017 - Materiais didáticos para o ensino da Astronomia: do comum ao incomum (Maurício José Kaczmarech): O ensino da Astronomia é uma tarefa que por suas particularidades de variedade de temas componentes e interdisciplinaridade, leva por um lado para certa dificuldade de ações do educador e por outro lado permite que tópicos muito variados possam ser utilizados nas práticas de ensino, isto porque, a Astronomia tem relações com praticamente todas as Ciências. Por exemplo, falando de asteroides, podemos falar de dinossauros; comentando sobre viagens à Lua podemos relacionar com a 2ª Guerra Mundial; citando planetas extrasolares, relacionamos com a vida na Terra; apresentando os cometas devemos falar das crenças das civilizações antigas; etc. Esta fácil correlação pode ser aproveitada pelos educadores astronômicos, isto buscando relacionar os tópicos da Astronomia com tópicos diversos, bem como, o caminho inverso é possível. Por isto, a utilização de materiais que tem potencial didático, utilizados da forma correta (fazendo as inter- relações entre as peças e os temas apresentados), dá acesso ao professor ou palestrante, a mais possibilidades de utilizar técnicas didáticas em suas aulas e palestras, bem como em outras atividades. Para ilustrar teórica e fisicamente a palestra podemos citar materiais de cunho histórico, como peças de foguetes e estações espaciais, dentre outras peças; Globo didático da Terra, utilizável para os temas dos satélites artificiais, distância da Lua e dos planetas da Terra; Máscara contra gases tóxicos, gorros e máscaras contra o frio, capacetes diversos; Minerais diversos, por exemplo, rochas terrestres podem ser apresentadas para dar uma boa noção, comparativamente às rochas encontradas na Lua e em Marte. A possibilidade da utilização de objetos utilizados como material didático depende da facilidade de obter-se tais peças. Algumas são comuns como os globos, outros, mais difíceis de obter ou mesmo, raros, também são utilizáveis e ainda tem um interessante valor agregado, por exemplo, o histórico. - Exploração não-tripulada do Sistema Solar (Ricardo Francisco Pereira): A Astronomia é uma Ciência Palestra de Ricardo Pereira: espaçonaves não-tripuladas. Palestra de Mauricio Jose Kaczmarech: materiais didáticos para o ensino de astronomia.
Página 38
que causa muita fascinação e gera muitas curiosidades nas pessoas. Nas escolas, em especial nas aulas de Ciências, geralmente os tópicos dessa Ciência são os que mais geram interesse por parte dos alunos. Ao ter a oportunidade de conhecê-la e também a sua história, vemos a importância que ela tem para a humanidade e o quanto ela ajudou no seu desenvolvimento. Dentro da Astronomia, um ramo que se destaca por sua grande importância, não só pelos conhecimentos adquiridos, mas em especial pelo desenvolvimento tecnológico gerado é a Astronáutica, que é a ciência que trata da construção e operação de veículos para a exploração do espaço. O tema central da palestra é mostrar algumas das principais espaçonaves não tripuladas da antiga União Soviética (URSS) e dos Estados Unidos (EUA), selecionadas por nós, que exploraram (e algumas ainda exploram) o Sistema Solar e também mostrar algumas de suas conquistas e a sua respectiva importância. Começaremos pelo Sputnik, lançado pela URSS em 4 de outubro de 1957, que representa o início da exploração espacial e na sequência, foram escolhidas 8 espaçonaves americanas e 8 espaçonaves soviéticas, que serão apresentadas na palestra conforme a data de seus respectivos lançamentos. A apresentação das espaçonaves soviéticas e americanas é a introdução, a parte principal é a apresentação do jogo Explorando o Sistema Solar, que envolve todas as informações apresentadas antes na palestra. O jogo em si é um recurso de apoio aos professores ou ministrantes de cursos, ou mesmo um recurso de divulgação científica, que possa gerar curiosidade e interesse pelo assunto em qualquer um que jogue ele. - Vida em Marte; da especulação à Astrobiologia (Wilson Guerra): O interesse científico por Marte cresceu enormemente nos últimos 100 anos. Hoje inúmeras sondas, de solo e em órbita, estudaram e ainda estudam o planeta vermelho. E as maiores agências espaciais do mundo desenvolvem projetos para enviar ainda mais equipamentos ao planeta. Esse crescente interesse se dá, sobretudo, pelas evidências de potenciais condições de abrigar vida que Marte teve em seu passado. As últimas informações coletadas pelas expedições robóticas mais recentes apontam para a possibilidade de ainda poder existir algum tipo de atividade biológica marciana. Por tudo isto Marte é o maior interesse imediato em Astrobiologia atualmente. Um breve histórico sobre as possibilidades de Vida no Sistema Solar em geral e em Marte em particular, e as mais recentes pesquisas sobre uma possível vida AstroNova . N.16 . 2017 38 Palestra de Wilson Guerra: Vida em Marte; da especulação à Astrobiologia.
Página 39
passada ou presente marcianas são os tópicos desta palestra. - Astroquímica: das estrelas aos cometas (Rafael Cândido Júnior): A palestra tem como meta apresentar a evolução histórica da Astroquímica desde a descoberta da análise espectrográfica do Sol aos dias atuais com as análises de atmosferas planetárias e de gases emanados da superfície de cometas. Serão apresentadas as três áreas da Astroquímica: observacional, teórica e experimental; com suas respectivas características e instrumentações tanto observações por telescópio quanto por observações realizadas por sondas espaciais. A palestra encerra com o assunto dos cometas dando ênfase nas descobertas realizadas na análise do cometa Halley, nos resultados recentes da missão Rosetta e o pouso da sonda Philae no cometa Churyumov-Gerasimenko. - Energia escura em buracos-negros e modelos cosmológicos (Carlos F. C. Brandt): os buracos negros chamam a atenção dos astrônomos com a descoberta dos quasares e com os quais foram imediatamente associados. O início da astrofísica de buracos negros é atribuído ao trabalho de Oppenheimer e Snyder (1939), que mostra uma nuvem de poeira (pressão nula) colapsada, a qual perde a comunicação com o resto do Universo na formação do horizonte de eventos, que corresponde ao chamado raio de Schwarzschild. Este horizonte de eventos “cobre” uma singularidade, isto é, uma região onde a densidade de matéria vai a infinito, enquanto o raio vai a zero. Conjectura-se que os colapsos que acontecem na natureza nunca produzam singularidades sem que estas estejam cobertas por um horizonte, isto é, um buraco negro (Censura Cósmica). A descrição do modelo que idealizamos para buraco negro é feita com a identificação da singularidade, região na qual a densidade de energia vai a infinito, e localizamos o chamado horizonte aparente como a fronteira do buraco negro “cobrindo” a singularidade, ou seja, aparecendo antes no espaço-tempo. 39 AstroNova . N.16 . 2017 Palestra de Rafael Cândido: Astroquímica; das estrelas aos cometas. Energia escura em buracos-negros: Carlos F. C. Brandt.
Página 40
AstroNova . N.16 . 2017 40 - Observação do eclipse solar em 26 de fevereiro de 2017 (Alexandre Amorin): este trabalho apresenta a campanha observacional do eclipse solar ocorrido em 26 de fevereiro de 2017 realizada por diversos integrantes do NEOA-JBS situados em localidades diferentes. Pelo menos quatro observadores utilizaram um método para medir duas dimensões nas imagens do Sol eclipsado, a saber: o diâmetro aparente do Sol e o tamanho da corda AA’ (definida como os dois pontos de intersecção dos discos lunar e solar). Com base em suas próprias medições esses observadores seguiram a sugestões apresentadas nas páginas 171-3 do Anuário Astronômico Catarinense 2017, permitindo obter os seguintes parâmetros: (a) o primeiro contato do eclipse, em Tempo Universal, (b) o vértice da curva que indica o instante máximo do eclipse, (c) o último contato do eclipse, (d) a duração do eclipse e (e) a magnitude máxima do eclipse. Para a obtenção dessesparâmetros utilizamos ferramentas de gráficos e cálculo tais como a variação do tamanho da corda em função do tempo, a determinação de equações de 2º e 3º graus para encontrar os instantes principais do eclipse e a variação da grandeza do eclipse em função do tempo. Três observadores acompanharam o eclipse em três municípios do Estado de Santa Catarina e um observador registrou todas as etapas do eclipse solar na faixa de anularidade em Camarones, Argentina. O trabalho apresenta os resultados obtidos pelos observadores usando métodos diferentes para a obtenção de suas respectivas medidas. Apresentamos também detalhes envolvendo a observação dos grãos de Baily durante a fase da anularidade. Discutimos a razão desse eclipse ser anular contrastando com diversas afirmações divulgadas na literatura astronômica. - Astronáutica das espaçonaves tripuladas: passado, presente e futuro (Wilson Guerra): Levar pessoas para fora do planeta Terra talvez seja uma das Palestra de Alexandre Amorin: a observação do eclipse solar de fevereiro de 2017. Palestra de Wilson Guerra: Astronáutica das espaçonaves tripuladas
