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Acervo textual da Revista AstroNova

Edição 19 — páginas 1 a 20

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Assuntos identificados: estrelas, estrela, cartas, astronomia, constelações, carta, sequência, jogos, planeta, constelação.

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REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS Tour pelo Sistema Solar CARONTE Ano 05 - Nº 19 - Setembro/2018 A Astronomia Poética Mitologia e Astronomia ESTRELAS da Sequência Principal EVOLUÇÃO A origem dos Primatas INICIANDO-SE NA OBSERVAÇÃO DO CÉU O LÚDICO, JOGOS E APRENDIZAGEM ESTRELAS da Sequência Principal A Astronomia Poética Mitologia e Astronomia

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Editores: Maico A. Zorzan [email protected] Wilson Guerra [email protected] Redatores: Maico A. Zorzan [email protected] Rogério Correa Souza [email protected] Rafael Cândido Junior [email protected] Ricardo Francisco Pereira [email protected] Wilson Guerra [email protected] Arte e Diagramação: Wilson Guerra [email protected] Astrofotos: Bruno Bonicontro Carlos Aparecido Domingues Cesar Augusto Rodrigo Guilherme Neste começo de setembro, lançamos mais uma edição de nossa revista com a detecção de água líquida em Marte, feita de maneira indireta porém inequívoca pela sonda MarsExpress, da ESA. É entusiasmante imaginar como, agora, agências espaciais e de pesquisa devem estar formulando ou redirecionando seu programa espacial para aquela região do planeta vermelho. Será que teremos uma descoberta astrobiológica que irá marcar a história humana em breve? Mas não é só Astrobiologia que nos fascina, e nossa edição deste mês explora muito mais. Nosso Tour pelo Sistema Solar inclui Caronte, a famosa lua de Plutão que, a poucos anos, nos mostrou “a cara” em alta resolução com fotos da sonda New Horizons. Continuo uma sequência de textos sobre iniciação à observação astronômica, com foco naqueles que querem começar a astronomia amadora. Desta vez trato um pouquinho sobre as constelações. Na mesma linha, mas por outro enfoque, Maico Zorzan trata um pouco da cultura humana espelhada nos céus e discorre sobre as estórias fabulosas que os antigos escreveram nas estrelas. Rafael Cândido dá continuidade a uma série de artigos sobre estrelas. Desta vez seu foco são as estrelas na Sequência Principal, ou, em outras palavras, como são as estrelas em sua “fase adulta”. A incrível jornada da Vida na Terra é tratado pelo biólogo Rogério Souza, que nos fala sobre a origem dos primatas - do qual nós, humanos, somos descendentes. Finalizamos com artigo do professor Ricardo Francisco Pereira sobre o lúdico na aprendizagem, concluindo com um jogo de astronomia de sua autoria. Uma ótima leitura a todos! Wilson Guerra GCAA AstroNova . N.19 . 2018 EXPEDIENTE EDITORIAL Capa: concepção artística de um dos planetas que orbitam a estrela anã vermelha TRAPPIST-1 Wilson Guerra GCAA Wilson Guerra GCAA Wilson Guerra GCAA

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SUMÁRIO Tour pelo Sistema Solar CARONTE: a maior lua de Plutão 08 19 23As estrelas da Sequência Principal Ano 5 | Edição nº 19 | 2018 11 27A origem dos Primatas A astronomia poética A mitologia na raiz da astronomia 33O lúdico, os jogos e a aprendizagem Iniciando-se na observação do céu As constelações

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Principais Lançamentos do TrimestrePrincipais Lançamentos do Trimestre ASTRONÁUTICA CHINACHINA Foguete: Longa Marcha 5 satélites de comunicação Local: Base de Wenchang Data: novembro/2018 Carga: Shijian 20 Foguete: Longa Marcha 2C oceanográfico Local: Base de Jiuquan Data: outubro/2018 Carga: CFOSAT - satélite Foguete: Delta 2 (ULA) Carga: ICESat 2 - satélite de observação do gelo na Terra Local: base de Vandenberg Data: 15/09/2018 Foguete: Falcon9 (SpaceX) Carga: Telstar 18 VANTAGE satélite de comunicação Local: Cabo Canaveral Data: 08-09/09/2018 ESTADOS UNIDOS ESTADOS UNIDOS Foguete: Soyuz (RKK Energiya) Carga: Progress 71P - mantimentos e equipamento para a ISS Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 30-31/10/2018 Foguete: Soyuz FG (RKK Energiya) Tripulação 56-S da Estação Espacial Internacional Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 11/10/2018 RÚSSIARÚSSIA

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Principais Lançamentos do TrimestrePrincipais Lançamentos do Trimestre ASTRONÁUTICA Foguete: PSLV Carga: NovaSAR-S & SSTL-S1 para observação da Terra Local: base de Sriharikota Data: 15/09/2018 Foguete: GSLV Mk.3 Carga: GSAT 29 - satélite de comunicação Local: base de Sriharikota Data: outubro/2018 Foguete: H-2B Carga: HTV 7 - cargueiro com equipamentos para ISS Lançamento: Centro de Tanegashima Data: 10/09/2018 JAPÃOJAPÃO Foguete: H-2A Carga: IGOSAT 2 & KhalifaSat monitoramento de gases estufa Lançamento: Centro de Tanegashima Data: 29/10/2018 Foguete: ARIANE 5 (ArianeSpace) Carga: Horizons 3e & Azerspace 2/Intelsat 38 satélites de comunicação Local: Base de Kourou Data: 18/09/2018 Foguete: Vega (ArianeSpace) Carga: BepiColombo - satélite de estudo do planeta Mercúrio Local: Base de Kourou Data: 18-19/10/2018 EUROPAEUROPA ÍNDIAÍNDIA

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Principais atividades - junho a agosto/2018Principais atividades - junho a agosto/2018 Tripulação atualTripulação atual Estação Espacial Internacional (ISS)Estação Espacial Internacional (ISS) ASTRONÁUTICA Astronautas Drew Feustel e Ricky Arnold (NASA) instalaram câmeras de alta resolução em pontos externos da Estação Espacial Internacional. Astronautas Drew Feustel e Ricky Arnold (NASA) instalaram câmeras de alta resolução em pontos externos da Estação Espacial Internacional. Próxima Expedição - Soyuz MS-10 (11/10/2018)Próxima Expedição - Soyuz MS-10 (11/10/2018) O astronauta Drew Feustel no experimento CASIS PCG 13, que melhora a maneira como cristais são cultivados em um ambiente de microgravidade. O astronauta Drew Feustel no experimento CASIS PCG 13, que melhora a maneira como cristais são cultivados em um ambiente de microgravidade. O astronauta Alexander Gerst (ESA) instalou o Espectrômetro de Imagens de Detecção de Terra, da Agência Espcial Alemã. O astronauta Alexander Gerst (ESA) instalou o Espectrômetro de Imagens de Detecção de Terra, da Agência Espcial Alemã. Cosmonautas O. Artemyev e S. Prokopyev instalaram antenas e cabos para o experimento Icarus, coletaram material científico que estava exposto no espaço e lançaram 4 nanossatélites, os SiriusSats. Cosmonautas O. Artemyev e S. Prokopyev instalaram antenas e cabos para o experimento Icarus, coletaram material científico que estava exposto no espaço e lançaram 4 nanossatélites, os SiriusSats.

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EPAST 2018 www.epast.com.br ORGANIZAÇÃO APOIOS 15º ENCONTRO PARANAENSE DE ASTRONOMIA 7 a 9 de Setembro - Sarandi O MAIS TRADICIONAL EVENTO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA DO PARANÁ INSCRIÇÕES E INFORMAÇÕES EM: O MAIS TRADICIONAL EVENTO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA DO PARANÁ

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Até o começo dos anos 2000 Caronte era a única lua conhecida de Plutão. Na verdade, talvez seja mais preciso chamar Plutão e Caronte de um sistema de planetas duplos. Com cerca de 1.186 quilômetros, o diâmetro de Caronte é pouco maior que a metade do de Plutão. Nenhuma outra lua planetária em nosso sistema solar tem tamanho tão semelhante ao 08 de seu planeta. Eles também são no sistema solar os únicos planeta e lua cuja gravidade os travou numa órbita mutuamente sincronizada, o que mantém um de frente para o outro, com o mesmo lado. Muitas luas - inclusive a nossa - mantêm o mesmo hemisfério de frente para seu planeta. Mas esse é o único caso em que o planeta sempre apresenta o mesmo hemisfério para sua lua. Se você estivesse num deles olhando para o outro, este pareceria pairar no mesmo lugar, sem se deslocar pelo céu. Na mitologia grega, Caronte era o barqueiro que carregava as almas dos mortos para o outro mundo - um reino que na mitologia romana era governado pelo Um Tour pelo Sistema Solar SISTEMA SOLAR CARONTE A maior lua de Plutão

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deus Plutão. James Christy, do Observatório Naval dos Estados Unidos, sugeriu o nome depois de descobrir a lua em 1978. Sete anos depois, Caronte e Plutão iniciaram um período de cinco anos de eclipses recíprocos do ponto de vista da Terra. Isso foi benéfico para nós, porque permitiu que os cientistas medissem os diâmetros e as massas de ambos os objetos conforme cada um passava na frente do outro. Caronte parece ser coberta de água gelada, diferentemente da superfície de Plutão, de nitrogênio, metano e dióxido de carbono congelados. Uma teoria é que os materiais que formaram Caronte explodiram para fora de Plutão em uma colisão. Isso AstroNova . N.19 . 2018 09 é muito semelhante à maneira como nossa própria Lua teria sido criada. A Nasa lançou a espaçonave "Novos Horizontes" para Plutão e Caronte em 2006, e ela passou pelo sistema em 2015, tornando-se a primeira espaçonave a visitá-los. As imagens revelaram uma superfície de formas e cores variadas, superando as expectativas mais imaginativas sobre essa fria lua do Sistema Solar. www.nasa.gov Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves, com atualizações Dados principais: !Distância de Plutão: 17,9 km !Raio equatorial: 593 km !Temperatura: em torno de -227 °C !Atmosfera: não tem. CARONTE Ilustração mostra a sonda New Horizons

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Lua Astrofotógrafo: Cesar Augusto Abril de 2018 Ceará

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Iniciando-se na Wilson Guerra [email protected] Na edição anterior entendemos como diferenciar, pelo menos preliminarmente, as estrelas dos planetas, e como se dá o movimento dos astros no céu no decorrer de um dia ou de uma noite. Abordaremos agora alguns termos e conceitos relacionados com a sistematização da esfera celeste. AS CONSTELAÇÕES As estrelas que podemos ver na esfera celeste, mesmo a olho nu, são simplesmente muitíssimas: um pouco mais de oito mil. Para por ordem neste aparente caos, as várias civilizações, de maneira totalmente independente, procederam da mesma forma: organizaram as estrelas mais visíveis e brilhantes em grupos. Estes agrupamentos são chamados de constelações. Os vários povos faziam esses agrupamentos desenhando imagens, como um liga- pontos, criando figuras imaginárias que representavam elementos de seu cotidiano e de sua cultura. Por exemplo, o que conhecemos aqui no Brasil por "As Três Marias" eram, para os gregos da antiguidade clássica, o cinturão de um caçador mitológico chamado Órion; na cultura árabe, eram a cintura de um conjunto maior chamado "O Gigante"; na China compunham a constelação das "Três Estrelas"; para o povo da Polinésia, no Oceano Pacífico, eram o centro da "Cama de Gato"; e para nossos índios Tupi-Guarani, representava uma das pernas da constelação do "Homem Velho". Mas independente "do que" os antigos viam, uma aplicação importante estava por trás desta prática: esta era uma maneira de organizar o céu e se localizar nele. As estrelas que compõem as constelações não possuem ligação entre si. As distâncias entre elas também variam muito: umas mais próximas de nós, outras muito mais distantes As constelações OBSERVAÇÃO DO CÉU 11 ASTRONOMIA AMADORA

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AstroNova . N.19 . 2018 (figura 1). A impressão de que as estrelas estão dispostas umas ao lado das outras sobre uma superfície esférica é uma aparência de perspectiva. A estrela mais brilhante de uma constelação é a alfa (a). A segunda mais brilhante, a beta (b), e assim por diante, seguindo as letras do alfabeto grego (a,b,g,d,e...). Por exemplo: a estrela mais brilhante da constelação de Cão Maior é a alfa de Cão Maior, também chamada de Sírius, a estrela mais brilhante do hemisfério sul. Em 1929 a União Astronômica Internacional adotou 88 constelações oficiais. Estas constelações englobam várias culturas, de seres mitológicos da grécia clássica, como a constelação do Centauro, até instrumentos científicos modernos, como a constelação do Microscópio. Todas as constelações foram definidas por Claudius Ptolomaeus(150 d.C.), Johann Bayer (1572-1625), Johannes Hevelius (1611- 1689) e Nicolas Louis de Lacaille (1713-1762). Cada constelação tem uma área delimitada, de modo que qualquer outra estrela ali presente faz parte daquela constelação. Dependendo do hemisfério da Terra que o observador se encontra, várias constelações do outro hemisfério não serão observáveis. A maioria de nós do Brasil, que vive no hemisfério sul, jamais verá por exemplo as constelações da Ursa Menor e de Cefeu. Já um observador nas altas latitudes do hemisfério http://astro.if.ufrgs.br/const.htm 1. 2. 3. 1. As estrelas que compõem a constelação de Órion; 2. A região da constelação de Órion; 3. A real disposição das estrelas que compõem Órion. Esfera celeste Constelações do Hemisfério Sul norte nunca verá o Cruzeiro do Sul. Apenas um observador localizado no equador (latitude zero grau) poderá ver praticamente todas as constelações, no decorrer de um ano. A concepção das constelações e as histórias mitológicas nelas envolvidas foram importantes para os navegadores. Ajudavam os marujos a localizarem-se no céu para poderem fazer as medições de interesse náutico a fim de descobrirem as coordenadas por onde navegavam. Na mitologia grega, por exemplo, Órion era um caçador que aterrorizada a floresta de uma deusa. Esta então enviou um escorpião gigante para picá-lo, iniciando uma longa perseguição. É por isso que Figura 1 12

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Marte Marte Lua Figura 2 Figura 3 A constelação de Órion. No centro as "três marias" formam seu cinturão. Foto de Lucas Souza. as constelações de Órion e Escorpião estão em posições opostas do céu. Quando o Escorpião surge, Órion se põe. Quando o Escorpião se põe, é Órion que surge. Portanto, reconhecer uma destas constelações já permite estimar onde está a outra, e assim se constroi uma rede de referências para as medições náuticas. AS CONSTELAÇÕES COMO REFERÊNCIA Tendo as constelações devidamente "mapeadas", podemos usá-las como referência para localizar outros astros ou determinar a posição de fenômenos. Vejamos algumas situações. No dia 6 de julho de 2014, próximo das 22h30min, o planeta Marte e a Lua se localizavam na constelação da Virgem (figura 2). Já na noite de 17 de agosto, no mesmo horário, Marte estará sobre a constelação de Libra, e a Lua sequer estará visível neste horário (figura 3). As chamadas "chuvas de meteoros" tem seus nomes derivados das constelações de onde parecem se originar. Na noite entre 21 e 22 de abril ocorreu o máximo de uma chuva de meteoros que, olhando no céu, pareciam vir da constelação da Lira. Por isso estes meteoros são chamados de lirídeas. Em 2013 uma estrela que Constelações do Hemisfério Norte 13 AstroNova . N.19 . 2018

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Andromeda, Andrômeda Antlia, Bomba de Ar Apus, Ave do Paraíso Aquarius, Aquário Aquila, Águia Ara, Altar Aries, Áries (Carneiro) Auriga, Cocheiro Boötes, Pastor Caelum, Buril de Escultor Camelopardalis, Girafa Cancer, Câncer (Caranguejo) Canes Venatici, Cães de Caça Canis Major, Cão Maior Canis Minor, Cão Menor Capricornus, Capricórnio (Cabra) Carina, Quilha (do Navio) Cassiopeia, Cassiopéia (mit.) Centaurus, Centauro Cepheus, Cefeu Cetus, Baleia Chamaeleon, Camaleão Circinus, Compasso Columba, Pomba Coma Berenices, Cabeleira Corona Austrina, Coroa Austral Corona Borealis, Coroa Boreal Corvus, Corvo Crater, Taça Crux, Cruzeiro do Sul Cygnus, Cisne Delphinus, Delfim Dorado, Dourado (Peixe) Draco, Dragão Equuleus, Cabeça de Cavalo Eridanus, Eridano Fornax, Forno Gemini, Gêmeos Grus, Grou Hercules, Hércules Horologium, Relógio Hydra, Cobra Fêmea Hydrus, Cobra macho Indus, Índio Lacerta, Lagarto AS 88 CONSTELAÇÕES OFICIALMENTE ADOTADAS PELA UNIÃO ASTRONÔMICA INTERNACIONAL, NA ORDEM ALFABÉTICA NOMES EM LATIM E EM PORTUGUÊS Leo, Leão Leo Minor, Leão Menor Lepus, Lebre Libra, Libra (Balança) Lupus, Lobo Lynx, Lince Lyra, Lira Mensa, Montanha da Mesa Microscopium, Microscópio Monoceros, Unicórnio Musca, Mosca Normai, Régua Octans, Octante Ophiuchus, Ofiúco (Caçador de Serpentes) Orion, Órion (Caçador) Pavo, Pavão Pegasus, Pégaso (Cavalo Alado) Perseus, Perseu Phoenix, Fênix Pictor, Cavalete do Pintor Pisces, Peixes Piscis Austrinus, Peixe Austral Puppis, Popa (do Navio) Pyxis, Bússola Reticulum, Retículo Sagitta, Flecha Sagittarius, Sagitário Scorpius, Escorpião Sculptor, Escultor Scutum, Escudo Serpens, Serpente Sextans, Sextante Taurus, Touro Telescopium, Telescópio Triangulum, Triângulo Triangulum Australe, Triângulo Austral Tucana, Tucano Ursa Major, Ursa maior Ursa Minor, Ursa Menor Vela, Vela (do Navio) Virgo, Virgem Volans, Peixe Voador Vulpecula, Raposa não era visível a olho nu repentinamente tornou-se dezenas de milhares de vezes mais brilhante. Este fenômeno é denominado pelos astrofísicos de Nova. Trata-se de uma estrela que absorve gravitacionalmente material de alguma estrela vizinha até um limite crítico onde reações adicionais de fusão termonuclear iniciam- se, conferindo um aumento extraordinário e repentino de seu brilho. Esta nova surgiu nos limites da constelação do Golfinho (Delphinus, em latim), e por isso foi chamada de Nova Delphinus. Devemos lembrar sempre que quando se diz que determinado astro ou fenômeno ocorre em uma certa constelação, isto não significa que o evento ocorreu fisicamente lá. No caso dos exemplos anteriores, Marte fica muitíssimo mais próximo da Terra (em nossa vizinhança planetária) do que as estrelas das constelações onde foi visto. Trata-se apenas um efeito de perspetiva: as estrelas da constelação estão muitíssimo ao fundo, e o planeta, à frente. No caso dos meteoros, mais ainda: meteoros são fenômenos que ocorrem dentro da atmosfera terreste, a apenas algumas dezenas de quilômetros de nós. 14 AstroNova . N.19 . 2018

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Somente no caso da Nova citado é que o fenômeno ocorreu no céu mais profundo, em uma estrela a anos-luz de distância (veja novamente a figura 1). AS CONSTELAÇÕES ZODIACAIS Como discutido na edição passada, alguns astros possuem movimento diferente do conjunto das estrelas. Os planetas, por exemplo, ocupam posições distintas em relação às estrelas no decorrer do tempo. O mesmo ocorre com o Sol. Assim, mais ou menos a cada mês o Sol nasce "em cima" de uma constelação diferente. É relativamente fácil perceber a constelação ocupada pelo Sol em uma determinada época observando a constelação presente na direção do Sol um pouco antes do nascente ou um pouco depois do poente. No decorrer do ano, esse movimento que o Sol faz descreve uma linha que representa sua trajetória: a eclíptica do Sol. A linha desta eclíptica "corta" 13 constelações. Isso os antigos já conheciam muito bem, e usavam essas observações para marcar a chegada das estações do ano. Doze das constelações atravessadas pela eclíptica são, por isso, chamadas de Constelações Zodiacais (ou do Zodíaco). A 13ª constelação é a de Ofiúco (ser mitológico grego), que por razões práticas não foi considerado no grupo do Zodíaco. As Constelações Zodiacais são: Aquário, Áries, Câncer, Capricórnio, Gêmeos, Leão, Libra, Peixes, Sagitário, Escorpião, Touro e Virgem. ALGUMAS DAS PRINCIPAIS CONSTELAÇÕES VISÍVEIS NO HEMISFÉRIO SUL Além das constelações zodiacais há um conjunto de fácil identificação no hemisfério sul. Esse reconhecimento é feito a olho nu, já que constelações ocupam grande área na esfera celeste e por isso o uso de instrumentos não é apenas desnecessário, mas até impossibilita a busca. Cruzeiro do Sul Junto com as estrelas alfa e beta do Centauro, formam o conjunto mais visível do hemisfério sul. Touro Sua estrela vermelha Aldebarã (a-Touro), forma a base de uma letra A. Órion As Três Marias, bastante conhecidas no Brasil, permite localizar falcilmente a constelação do caçador mitológico Órion. A estrela vermelha Beltelgeuse é a mais brilhante da constelação (a-Órion). Órion é visível no verão. Escorpião Uma grande constelação que em seu centro tem a estrela mais vermelha do céu, Antares (a-Escorpião). Escorpião é visível no inverno. a g d qe a e x m q h i i c l n s a b a b g d e Polo Celeste Sul Cruzeiro do Sul Alfa e Beta do Centauro a g b Aljunina d ex As 3 Marias 15 AstroNova . N.19 . 2018

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AstroNova . N.19 . 2018 INDO A CAMPO Se você não conhece os pontos cardeais, faça uso de uma bússola. Se conseguir localizar o Cruzeiro do Sul, oriente-se por ele, preferencialmente. A partir daí, para começar a reconhecer as constelações é aconselhável o uso de cartas celestes, disponíveis em muitos anuários impressos de astronomia divulgados em revistas especializadas ou sites que as disponibilizem para impressão. Para auxiliar a leitura faça uso de lanterna vermelha, cuja cor impacta menos na adaptação noturna de nossa visão. O uso de softwares de astronomia é uma ótima alternativa. O Stellarium (PC) pode ser instalado em um notebook e simula o céu local em qualquer horário ou época do ano. Basta apenas informar as coordenadas geográficas. Há também aplicativos para tablet e smartphone, como o Google Sky Maps ou o Star Chart. Estes últimos tem a vantagem de usar os recursos tecnológicos disponíveis no hardware instalado (sensores de movimentos) e permitem a reprodução em tempo real do céu local simplesmente movendo o dispositivo na direção desejada. Todos esses softwares também contam com sistema de visualização noturna (caracteres avermelhados) para melhor se adaptar à nossa visão em ambiente escuro. E a melhor parte: são gratuitos! Wilson Guerra é professor. Graduou-se em Física (UEM), tem especialização em Astrobiologia (UEL) e atualmente é mestrando em Educação Científica. Referências: Astronomia na Época dos Descobrimentos: Ronaldo Rogério de Freitas Mourão Manual do Astrônomo: Ronaldo Rogério de Freitas Mourão Enciclopédia Ilustrada do Universo: Edição Brasileira Astronomia e Astrofísica: http://astro.if.ufrgs.br Ambiente do aplicativo Google Sky Map. Ambiente do aplicativo Star Chart, ou Carta Celeste. Ambiente do simulador Stellarium, para PC. 16

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Nebulosa da Cabeça do Cavalo Astrofotógrafo: Rodrigo Guilherme Junho/2018 Ituitaba - MG

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Arcturus é uma estrela alaranjada a cerca de 37 anos-luz de distância de nós, localizada na constelação do Boieiro. O Clube de Astronomia Arcturus, fundado em 2015, está com uma nova identidade visual. Somos estudantes e professores da UFABC unidos por uma vontade em comum: divulgar Astronomia. Hoje somos focados na divulgação dessa ciência, e damos espaço a não-membros que queiram contribuir com conteúdo digital para a nossa página no facebook e site. Tem interesse em escrever sobre Astronomia? Fale conosco! facebook.com/clubearcturus clubearcturus.wordpress.com [email protected]

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19 A ASTRONOMIA POÉTICA Maico Zorzan [email protected] Quando olhamos para o céu a noite, além do belíssimo visual astronômico com suas estrelas cintilantes, planetas visíveis, Lua, nuvens e uma fatia visível do universo ao fundo, nos deparamos também com as crenças, lendas e mitos antigos imortalizados na abóboda celeste sobre nossas cabeças. Registros de uma era onde os homens olhavam muito mais para o espetáculo noturno no palco do firmamento que nossa geração faminta por tecnologia e insegura dentro das construções. Desde o nome dos corpos do sistema solar, as constelações conhecidas desde a antiguidade, o nome das estrelas, nossas crenças e lendas que se perpetuaram na mitologia, também se perpetuam na astronomia dando nome e referenciando nosso conhecimento em astronomia. Damos o nome de mito a uma narrativa de caráter simbólico-imagético, ou seja, o mito não é uma realidade independente, mas evolui com as condições históricas e étnicas relacionadas a uma dada cultura, que procura explicar e demonstrar, por meio da ação e do modo de ser das personagens, a origem das coisas. E estão presentes em todas as civilizações através de suas lendas, seus ritos e seu folclore. Na astronomia ocidental nos deparamos a todo momento com a mitologia greco- romana, mas não só ela molda nosso céu noturno, temos uma grande influência dos povos muçulmanos que muito fizeram pela astronomia antiga, povos ancestrais como maias, incas, tupi- CULTURA A mitologia na raiz da astronomia. A ASTRONOMIA POÉTICA A mitologia na raiz da astronomia. "As Plêiades", by Elihu Wedder (1885)

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20 AstroNova . N.18 . 2018 guarani, aborígenes, além da vasta mitologia asiática dos povos chineses, indiano e japonês por exemplo, que são tão ricas, ou até mais, que a greco-romana. A astrologia é um exemplo claro de como o homem tentou em sua história buscar uma correlação entre eventos astronômicos e a posição de astros na abóboda celeste aos acontecimentos humanos e principalmente as características humanas. Dando a isso um valor de crença, e orientando povos e nações por achismos nesse sentido.Constatação de relações entre fenômenos celestes e terrestres: o desenrolar das estações e o percurso do Sol, as fases lunares e a intensidade das marés. Pensando em termos causais, isso iria acabar dando origem a diversas crenças, e na astrologia. Desse olhar sobre o céu, o homem notou algumas regularidades, tais como os dias, estações e as fases da Lua, posição de asterismos. Disso, surgiram reflexões que levaram à busca de leis naturais, imutáveis; e também a “tentação” de colocar lá seres sobrenaturais e todo poderosos. Embora os grandes fenômenos astronômicos sejam periódicos, como as fases da Lua, por exemplo, algumas vezes ocorriam acontecimentos excepcionais: eclipses do Sol e da Lua, cometas, ou estrelas cadentes. A curiosidade latente na espécie humana sempre se perguntou o que eram aqueles pontos luminosos no firmamento, o que seriam as estrelas? Do que é feito o céu? Como se criou o universo? De onde viemos e para onde vamos? Essas perguntas sempre estiveram atuais em nossa sociedade, tendo ela buscado responde- las de acordo com o conhecimento de sua época, seja hoje com o advento da ciência moderna, seja com astrologia, alquimia, religião, filosofia ou folclore. Hoje sabemos o que são estrelas, quem são nossos planetas vizinhos, e até alguns planetas que orbitam algumas estrelas, entendemos os grandes icebergs sujos que são os cometas, estivemos na Lua e não nos assustamos mais com pequenas rochas espaciais que teimam em entrar em nossa atmosfera proporcionando o espetáculo dos meteoros, que antigos chamavam de estrela cadente. Imaginem o homem antigo, quando viu pela primeira vez um cometa? O que pensa uma criança ao ver um meteoro cruzando o céu em um risco de luz colorida, sem ter o conhecimento do que seja? O espanto de quem viu um eclipse quando o Sol deveria estar a pino no céu? Pois é, deve ter sido algo entre o magnifico e o aterrorizante, não acham? Ainda hoje a ciência moderna traz seus questionamentos sobre a origem da vida, de nosso planeta, por menores de nossa evolução. Estudamos e buscamos respostas sobre curiosidades que são pertinentes não a nossa geração, mas a toda a história da humanidade. A concepção heliocêntrica da tradição dos sinos do horóscopo a partir da posição do Sol sobre as constelações zodiacais.

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