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Acervo textual da Revista AstroNova

Edição 19 — páginas 21 a 40

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Assuntos identificados: estrelas, estrela, cartas, astronomia, constelações, carta, sequência, jogos, planeta, constelação.

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AstroNova . N.18 . 2018 21 Somos curiosos como espécie, e estamos longe de termos todas as respostas. Então da mesma forma que lá na origem dos povos carregávamos na mitologia algumas respostas, hoje ainda carregamos lendas e estórias modernas que muitos compram como verdade. Sem contar nosso folclore moderno, que não podemos considerar como mito dentro da definição do termo propriamente dita, mas que já fazem parte de nossas lendas modernas. Quem nunca ouviu alguém falando que a Terra é plana, ou que conhece alguém que viu um disco voador, que Marte vai dar espetáculo no céu tomando o protagonismo da Lua, de planetas fantasiosos como Nibiru e cia que estão vindo em direção a o nosso encontro, mas com voo sempre atrasado. Do gigante caçador Orion e sua obsessão pelas plêiades, sua amizade com Sirius e sua fuga do escorpião enviado para mata-lo. Da grande ema nos céus do Sul e que era vista pelos nossos índios. Da vá láctea surgida do leite derramado do seio de Hera ao amamentar Hércules, e que para outros povos era um caminho de aves místicas voadoras. A Lua e o São Jorge, que para outros é um coelho estampado na face lunar. A ursa maior, arado, caçarola, carruagem de Odin e tantos outros nomes dados ao mesmo asterismo presente no céu do Norte. Os deuses greco-romanos que passeiam pelo nosso sistema solar. Tudo é mitologia, e com belíssima narrativa nos permite aprendermos sobre os povos clássicos olhando para o espetáculo do nosso céu noturno. Mas falarmos disso tudo em um único momento seria não valorizar a história de nossa humanidade e desperdiçar toda uma era da nossa civilização. Portanto nesse texto a única intenção é instigar a busca por essa linda parte de nossa cultura e anunciar o início de uma nova série de artigos onde mostraremos em cada um deles um capítulo com curiosidades sobre partes da mitologia envolvida na astronomia. Nas próximas edições teremos: !Os planetas; !Constelações zodiacais; !Órion, Sirius e o escorpião; !Cometas; !A estrela de Belém; !Meteoros e o encanto das estrelas cadentes; !A Lua e seus encantos; !Eclipses; !Astronomia das arábias; !Astronomia indígena; !Astronomia aborígene; !A pedra negra do Islã; !A criação do mundo. Maico A. Zorzan é astrônomo amador. Graduou-se em Matemática pela UEM. Leitura recomendada: Schmidt, Joel; Dicionário de mitologia grega e romana; Editora 70-Brasil De acordo com o escritor grego Lucian (125–180 A.D.), o gigante cego Orion é mostrado direcionado para os raios de cura do sol por Cedalion, que anda de costas. Poussin deu à história um contexto meteorológico mostrando os vapores da terra subindo em direção à lua (onde Diana fica observando). Nicolas Poussin - 1658

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Nebulosa da Lagoa Astrofotógrafo: Bruno Bonicontro Processamento: Carolina Peruca Junho/2018 Maringá - PR

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1323 ASTROFÍSICA Rafael Cândido Jr. [email protected] Na edição número 10 da Revista Astronova, foi publicado um artigo sobre o Diagrama de Hertzsprung- Russell. Ali foi citada a importância e praticidade deste diagrama no estudo da Astrofísica estelar. Na figura 1 tem-se a luminosidade em função da temperatura. Notam-se também regiões nas quais se encontram estrelas de diferentes aspectos. A diagonal do diagrama, denominada sequência principal, é onde se encontra a maior parte das estrelas. Ela vai de estrelas vermelhas, que apresentam temperaturas de superfície da ordem de 2500 a 4000 K; a estrelas azuis, que chegam a 30.000 K. Quanto à luminosidade, as estrelas variam entre 0,0001 a 100.000 vezes a luminosidade do Sol, usada como referência. Devido à pressão gravitacional, no núcleo da estrela ocorrem reações de fusão de núcleos de hidrogênio formando o elemento hélio. É esta reação, denominada cadeia próton-próton, que será majoritária na vida da estrela. (Esta reação é citada no artigo Nucleossíntese estelar, publicado na edição número 17 da Revista Astronova). Todas as estrelas da sequência principal encontram-se no estado de equilíbrio hidrostático, que apesar do nome não tem nada a ver com água. Este é o equilíbrio entre a pressão gravitacional, causada pela massa da estrela e que tende a colapsá-la; e a pressão térmica, que ocorre devido à reação de fusão nuclear e tende a expandir a estrela. As estrelas da SEQUÊNCIA PRINCIPAL As estrelas da SEQUÊNCIA PRINCIPALSEQUÊNCIA PRINCIPAL

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24 A posição de uma estrela na sequência principal depende apenas da sua massa. Estrelas com maior massa apresentam maior pressão gravitacional, consequentemente a reação nuclear é mais intensa. Assim, estrelas de maior massa apresentam maiores temperaturas e luminosidades. Azul é a cor mais quente Nota-se na sequência principal que as estrelas também estão separadas por cores da sua superfície. As estrelas mais frias e menos luminosas são avermelhadas e as estrelas azuis são muito mais quentes e luminosas. Ao analisarmos o espectro luminoso (figura 2), as cores mais próximas do ultravioleta (UV), azul e violeta, apresentam menor comprimento de onda (entre 500 e 400 nm). A cor vermelha apresenta os maiores comprimentos de onda (entre 740 e 650 nm), aproximando-se do infravermelho (IR, do inglês, infrared). Da Mecânica Quântica, sabemos que um fóton de luz transporta uma quantidade de energia e esta depende do comprimento de onda. A equação abaixo foi deduzida por Einstein: E=h.c/l Onde E é a energia do fóton, h é a constante de Planck, c é a velocidade da luz e l é o comprimento de onda. A energia do fóton é inversamente proporcional ao comprimento de onda. Desta forma, o fóton de luz vermelha transporta menos energia que um fóton de luz violeta. Assim, a cor de uma estrela é também um importante fator de classificação pois está relacionada à sua temperatura. Isso permite classificar as estrelas por classes espectrais, denominadas pelas letras O B A F G K M. AstroNova . N.19 . 2018 Figura 1 Diagrama de Hertzsprung-Russell. Disponível em http://astro.if.ufrgs.br/estrelas/node2.htm

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AstroNOVA . N.2 . 2014 Desta forma, podemos afirmar que nas estrelas da sequência principal, os parâmetros temperatura, luminosidade, tamanho, cor e classe espectral estão totalmente relacionados à massa da estrela. A figura 3 apresenta uma comparação de diferentes estrelas a partir da classe espectral, cor e tamanho. Ao realizar a análise de espectro de estrelas de diferentes classes espectrais, é nítida a diferença nas intensidades de luz emitidas. As figuras 4, 5 e 6 mostram os espectros de uma estrela tipo O, tipo G e tipo M. O Sol, por exemplo, é uma estrela do tipo G5. Seu espectro é o apresentado na figura 5, compare com o espectro de uma estrela azul (com temperatura de superfície de 30.000 K) e com uma estrela vermelha (com temperatura de superfície de 3000 K). Transporte de energia dentro da estrela A energia gerada no núcleo estelar é transportada para a superfície por diferentes mecanismos de transferência de energia, podendo ser por convecção ou por radiação. No mecanismo de convecção, ocorre transferência de energia e de matéria. É equivalente ao que encontramos numa panela com água sendo aquecida, a água aquecida sobe e a fria, mais densa, desce para o fundo da panela. Na radiação, ocorre transferência apenas de energia, sem transferência de matéria. Diferentes tipos de estrelas da sequência principal apresentam diferentes mecanismos de transferência. (Figura 7) Estrelas vermelhas com menos da metade da massa do Sol apresentam apenas correntes de convecção em seu interior.Estrelas com massa variando entre 0,5 e 1,5 vezes a massa do Sol, apresentam transferência por radiação no núcleo e por correntes de convecção em sua camada mais externa.E para estrelas com massas maiores que 1,5 vezes a massa do Sol, o núcleo apresenta correntes de convecção e em sua camada mais externa, a transferência se dá por radiação. AstroNova . N.19 . 2018 2325 Figura 2. Espectro da luz visível (VIS) com os comprimentos de onda de cada cor. Figura 3. Variedade das estrelas da sequência principal mostrando a variação de tamanho conforme a cor e classe espectral.

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2026 Quanto tempo dura uma estrela? O tempo que uma estrela permanece na sequência principal também é dependente de sua massa. Estrelas mais massivas tem maior taxa de reação nuclear, ou seja, num intervalo de tempo acontecem muito mais reações de fusão numa estrela azul que numa estrela vermelha. Com isso, o hidrogênio numa estrela azul é consumido muito mais rapidamente, de modo que com o tempo, outras cadeias de reação nuclear acontecem. Assim, estrelas azuis permanecem na sequência principal por alguns de milhões de anos, as vermelhas ficarão por centenas de bilhões de anos. Como parâmetro de comparação, o Universo tem 'apenas' 15 bilhões de anos. É importante salientar que uma estrela na sequência principal não muda para outra região da sequência. Assim, uma estrela amarela não vai se tornar azul e vice- versa. O que ocorre é a saída da estrela da sequência principal quando a fusão nuclear de hidrogênio não é mais a forma preponderante de geração de energia. Ao sair da sequência principal, uma estrela segue um caminho que depende da sua massa, pode se tornar uma gigante vermelha, uma supernova, uma supergigante... mas esses caminhos são assuntos para próximos artigos. Rafael Cândido Jr. é membro fundador do grupo Arcturus. É graduado e mestre em Engenharia Química (USP) e doutorando em Engenharia Aeroespacial (ITA). Bibliografia recomendada: Fundamental Astronomy Hannu Karttunen, Springer AstroNova . N.19 . 2018 Figura 4. Espectro de uma estrela da classe espectral O, subtipo 5. Figura 5. Espectro de uma estrela da classe espectral G, subtipo 5. Figura 7. Mecanismos de transferência em função da massa da estrela relativas à massa do Sol. Figura 6. Espectro de uma estrela da classe espectral M, subtipo 6.

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2327 EVOLUÇÃO DA VIDA A ORIGEM DOS PRIMATAS A ORIGEM DOS PRIMATAS Rogério C. Souza [email protected] “Se os seres humanos evoluíram do macaco, de onde veio o macaco?” Algumas pessoas podem fazer esta pergunta em tom provocativo, mas ela é essencial para a compreensão dos fenômenos evolutivos que nossos ancestrais primatas mais longínquos passaram. Do ponto de vista zoológico, os seres humanos também são considerados um tipo de macaco, bípede, que começou a se distanciar do ancestral mais próximo há sete milhões de anos. Portanto não é de todo correto dizer que “evoluímos de macacos”. O mais preciso seria dizer que nos separamos dos outros macacos atuais. Os primeiros Os mamíferos surgiram quase que ao mesmo tempo em que os primeiros dinossauros, no período Triássico da era Mesozóica, como o Brasilitherium. Só que ao contrário dos dinossauros, os mamíferos não conseguiram se impor e conquistar os outros nichos ecológicos. Os dinossauros ocupavam todos os nichos terrestres, os pterossauros ocupavam os céus e os répteis aquáticos ocupavam os mares e oceanos. Por isso a era Mesozóica é chamada de “A Era dos Répteis”. Atualmente existem três grupos de mamíferos: os Monotremados como o ornitorrinco, que ainda carregam características de répteis, como botar ovos; já os Marsupiais como os cangurus e os saruês não botam ovos, mas possuem a gestação incompleta devido à ausência de placenta, o feto é obrigado a nascer muito antes para escapar do sistema imunológico da mãe; já o nosso grupo, os Placentários acabaram por dominar todos os ambientes e neles o filhote nasce pronto. Os Placentários surgiram no Período Jurássico, na Era Mesozóica. O mais antigo foi descoberto na China, o Juramaia, ou “mãe jurássica”. Carregava características dentárias que o identificam

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28 AstroNova . N.19 . 2018 como um dos primeiros mamíferos placentários. Durante 160 milhões de anos o planeta foi assim, centenas de milhares de espécies de dinossauros e outros répteis apareceram e se extinguiram, enquanto os mamíferos só conseguiam sobreviver devido ao pequeno tamanho (semelhante a um saruê ou gambá atual) e também por serem noturnos, onde era mais fácil escapar da caça dos dinossauros. A grande diferença ocorreu há 65 milhões de anos, onde um corpo celeste, provavelmente um meteorito com 10 quilômetros de diâmetro se chocou com a Terra, causando uma cascata de mudanças ambientais, não permitindo aos dinossauros desenvolverem capacidade de adaptação suficiente. Suas cadeias alimentares caíram, somente as aves, crocodilos, lagartos, serpentes, tartarugas, anfíbios e todos os grupos animais que existem hoje sobreviveram, junto com os pequenos mamíferos. Nesse momento os mamíferos obtiveram sua vitória sobre a “opressão dinossauriana” e estavam livres para evoluir e ocupar todos os nichos antes ocupados pelos répteis. A nossa Era Desde o fim do período Cretáceo (último dos três períodos da Era Mesozóica), há 65 milhões de anos, vivemos a Era Cenozóica, conhecida com a Era dos Mamíferos. Se iniciou com o período Paleógeno, passou pelo Neógeno e agora estamos no Quartenário. Neste tempo transcorrido vários grupos de mamíferos evoluíram e se diversificaram, alguns se extinguindo e não possuindo representantes vivos hoje. Do galho evolutivo que se originaram os primatas, também evoluíram os coelhos e roedores. A principal diferenciação ocorreu no crânio dos Braslitheriumriograndensis, um dos mais antigos mamíferos. Juramaiasinensis, a “mãe jurássica”, o mamífero placentário mais antigo já descoberto.

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1329 AstroNova . N.19 . 2018 primatas. Uma característica comum em animais predadores, foi o posicionamento das orbitas oculares totalmente para frente, o que é ótimo para a caça de insetos. Nossa Ordem zoológica, os Primatas, pode ser rastreada quase até a extinção dos dinossauros, o gênero Plesiadapis é considerado o mais antigo já encontrado. Vivia no hemisfério norte, da China até América do norte há 60 milhões de anos. Este gênero ainda não possuía todas as características de um primata, como as orbitas oculares voltadas para frente, permitindo uma visão binocular. Lembravam mais um esquilo e somente suas mãos que já eram parecidas com as dos macacos. Essa característica provavelmente favoreceu a adaptação ao ambiente arborícola. Cerca de 10 milhões de anos depois do Plesiadapis surgia um novo gênero, encontrado em rochas formadas em um antigo lago, proveniente da Alemanha, era o Darwiniusmasilae, apelidado de “Ida”, virou até doodle no Google, celebridade no momento em que foi descrito. O gênero Darwinius era semelhante a um grupo de primatas ainda vivo hoje em dia, os lêmures da animação Madagáscar, espécie do também famoso Rei Julien. A ilha de Madagáscar é um ótimo exemplo de isolamento geográfico. Os ancestrais dos primatas dessa ilha desembarcaram nela há muitos milhões de anos, ocuparam os nichos ecológicos que ainda existem, por isso não perderam as características dos primeiros primatas, ao contrário do continente onde os ambientes mudaram e as espécies de primatas também tiveram que mudar para se adaptar e acabaram se diferenciando dos ancestrais. Madagáscar tornou-se um santuário dos primeiros primatas. “Livres da opressão dinossauriana” Plesiadapis, considerado um dos primeiros primatas.

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30 AstroNova . N.19 . 2018 O Paleoambiente Primatas são animais essencialmente tropicais, poucas são as espécies que se adaptaram a viver em ambientes mais frios ou temperados, seu aparecimento ocorreu também em áreas tropicais, mas que não existem mais hoje, na antiga Europa e Ásia. A geografia do Planeta sempre mudou muito desde sua formação. Nos últimos 65 milhões de anos os continentes estavam caminhando para o que são hoje, quando os primeiros primatas surgiram ainda existiam um oceano chamado Thetis, ia da Indonésia até América do norte, o Mar Mediterrâneo que existe hoje é o que resta deste antigo oceano. Devido as correntes marinhas quentes, a Europa eram um local quente e úmido, cheio de ilhas, ambientes ótimos para o desenvolvimento de florestas tropicas cheias de frutos e estas florestas sendo povoadas por mamíferos arborícolas, como os primeiros primatas. Esse Oceano Thetis ocupava a faixa do trópico de câncer, mantinha o planeta quente através da circulação das correntes marinhas. Até que essas correntes foram interrompidas, o Oceano Thetis acabara de se transformar em Mar de Thetis, a América do Norte se dirigiu ao sul e a América Central se elevou um pouco mais, então o evento de maior impacto para o clima ocorreu, a Antártica ficou isolada do restante do “Ida”, apelido do Darwiniusmasilae, um dos primeiros primatas Reconstrução em vida do Darwiniusmasilae Primatas de Madagáscar, semelhantes aos primeiros primatas

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Terra Núcleo (rocha e gelos) 1331 AstroNova . N.19 . 2018 planeta, surgindo a Corrente Circumpolar Antártica, que isolou o continente em uma era glacial sem fim, esfriando e secando o planeta inteiro como consequência. Para os seres vivos restavam duas opções, ou se adaptavam ou se extinguiam, para as plantas tropicais da Europa não houve jeito, para os animais havia a possibilidade de migrarem para ambientes propícios, e para os primatas este ambiente estava mais ao sul, na África. E foi nos ambientes tropicais africanos que os primatas começaram a desenvolver as feições que conhecemos, nariz mais curto, visão colorida ao contrário dos ancestrais que eram noturnos e não enxergavam cores, dessas linhagens sairiam aquelas que iriam originar os grandes símios e também a todos nós, humanos. Rogério C. Souza graduou-se em Ciências Biológicas. É professor e coordenador da página Academia de Ciências Naturais. Bibiografia recomendada: O Elo; Colin Tudge McKenna, M. C, and S. K. Bell Classification of Mammals Above the Species Level; Columbia University Press Welsh, Jennifer (24 August 2011). "Skinny 'Shrew' Is Oldest True Mammal". LiveScience. Retrieved 5 December 2017. Geografia do Planeta na época da extinção dos Dinossauros Planeta na época do surgimento dos primeiros primatas Geografia do planeta muito semelhante à atual

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Inscrições: https://doity.com.br/enast2018

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EDUCAÇÃO CIENTÍFICA Ricardo Francisco Pereira [email protected] O ato de jogar é tão antigo quanto o próprio homem, em essência, não é absurdo dizer que nossa sociedade é um jogo no qual nós, os personagens (jogadores), temos que sobreviver. Para Huizinga (1990), “o jogo é anterior à cultura e esta surge a partir do jogo. O jogo, propicia a aculturação e a socialização ao ensinar a dialética da liberdade das regras, das convenções livremente aceitas, levando ao cerne de toda a civilização” (p.7). Considera ainda que o jogo e o espírito lúdico têm papel essencial na história das sociedades e das culturas, como forma específica de atividade e como função social. O LÚDICO, JOGOS E APRENDIZAGEM 1333 Huizinga (1990) explicita que a noção de jogo “como um fator distinto e fundamental, presente em tudo o que acontece no mundo [...] é no jogo e pelo jogo que a civilização surge e se desenvolve” (p.15). Para ele, o jogo faz parte da cultura e gera a própria cultura. Jogos de cartas ou de tabuleiro podem acomodar várias pessoas ao mesmo tempo enquanto quase todas as formas de entretenimento eletrônico são individualizadas. Por isso são importantes na formação humana porque gera momentos de incerteza, tensão, tristeza, alegria, desafio e capacidade de enfrentar problemas, dentre outros. Apesar disso, o ambiente é geralmente amistoso e cordial, muito diferente daquele de uma disputa de videogame ou computador. Uma das características mais importantes dos jogos de cartas ou tabuleiro é a sua separação da vida cotidiana, constituindo-se em um espaço fechado com regras próprias definidas, mas mutáveis, onde os participantes atuam de forma descompromissada em uma espécie de “bolha lúdica”, que durante o jogo não tem consequências no mundo exterior, porém, essa experiência enriquecedora é absorvida pelos participantes e podem refletir no mundo exterior de maneira muito positiva (PEREIRA, 2006). O LÚDICO, JOGOS E APRENDIZAGEM

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36 AstroNova . N.19 . 2018 A atividade de jogar deve tornar-se uma alternativa de realização pessoal que, além de possibilitar a expressão de sentimentos e emoções, propiciam a aprendizagem de comportamentos adequados e adaptativos, aumentando a possibilidade de êxito na aprendizagem e oportunizando a descoberta de soluções para os mais variados problemas, através do estabelecimento de estratégias e implicações, encorajando os estudantes a resolvê-los. É uma atividade rica e de grande efeito que responde às necessidades lúdicas, intelectuais e afetivas, estimulando a vida social e representando, assim, importante contribuição na aprendizagem. Santos (1998) afirma que as atividades lúdicas podem contribuir significativamente para o processo de construção do conhecimento e que o jogo é uma fonte de prazer e descoberta. Através do jogo se revela a autonomia, a originalidade, a possibilidade de ser livre, de inventar e de poder expressar o próprio desejo convivendo com as diferenças. Outro aspecto importante é aprender a fazer escolhas e aceitar as consequências dessas escolhas. Aceitar e aprender a lidar com a vitória ou a derrota, sabendo que se pode tentar vencer, mas correndo o risco de perder. Exercita-se, assim, para o enfrentamento dos acontecimentos acidentais do cotidiano. Em um ambiente educacional, a importância dos jogos ocorre quando a diversão se torna aprendizagem e experiências cotidianas, conforme Lopes (2001): É muito mais eficiente aprender por meio de jogos e, isso é válido para todas as idades, desde o maternal até a fase adulta. O jogo em si, possui componentes do cotidiano e o envolvimento desperta o interesse do aprendiz, que se torna sujeito ativo do processo, e a confecção dos próprios jogos é ainda muito mais emocionante do que apenas jogar. (LOPES, 2001, p. 23). Quando se entende que o conhecimento é resultante de trocas, da interação entre sujeito e meio, o jogo passa a ser uma ferramenta importante nos processos de desenvolvimento e aprendizagem. Ele se baseia no interesse pelo lúdico (diversão) que independe da faixa etária e podem promover ambientes de aprendizagem atraentes e gratificantes, constituindo- se num recurso poderoso de estímulo para o desenvolvimento integral do aluno. Segundo Rizzo (1999), os jogos desenvolvem a atenção, disciplina, autocontrole, respeito a regras e habilidades perceptivas e motoras relativas a cada tipo de jogo oferecido. Infelizmente, no Brasil, o uso de jogos no ambiente escolar/educacional ainda é muito pouco aproveitado, especialmente no Ensino Fundamental 2 (do 6º ao 9º ano) e no Ensino Médio e são 2 os motivos principais para isso: 1) não há muitos jogos

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que são produzidos para serem usados no ambiente formal de aprendizagem (em especial a sala de aula); 2) desconhecimento geral (e não é exagerado dizer que seja um preconceito) sobre o uso do lúdico e jogos na educação. Ainda domina uma visão tradicionalista de que o lúdico e aprendizagem não combinam na escola. Outro ponto relevante é a necessidade que sejam ofertados cursos de formação continuada e que também seja trabalhada a questão do lúdico e jogos na formação inicial de professores, especialmente os de Ciências, Física, Química e Biologia, para que eles entendam melhor essa questão e comecem a inseri- la em sua prática pedagógica. Sou professor da disciplina de Estágio Supervisionado em Física III no curso de Licenciatura em Física da Universidade Estadual de Maringá e uma parte importante da formação que proporciono é relacionada a metodologias e recursos diferenciados do tradicional, dentre eles, lúdico e jogos. Discutimos a questão do lúdico e do uso dos jogos, meus alunos jogam alguns jogos de Física (de tabuleiro e de cartas) que eu produzi e depois em grupos eles são instigados a produzirem seus próprios jogos de Física (alguns desses jogos podem ser encontrados no meu site Recursos de física: www.recursosdefisica.com.b r, na página jogos educativos e na subpágina Jogos de Física). É uma das atividades mais importantes e prazerosas de trabalhar na disciplina. A mensagem mais importante que quero deixar com esse texto é que os jogos fazem parte de nossa vida, de nossa cultura e de nossa sociedade. É também uma “válvula de escape” de nossa realidade onde podemos, por algum tempo, deixar de lado nossos problemas, relaxar e divertir com os amigos. No âmbito educacional, é necessário mostrar que que Ciência e diversão não são terrenos excludentes, mas amalgamados na gênese de todo o conhecimento: a curiosidade! Sem curiosidade não há interesse, sem interesse eles não aprendem e se eles não aprendem, não conseguem se apaixonar pela Ciência, em especial pela Astronomia que tanto amamos e os jogos é um facilitador para que isso aconteça. Uma das coisas que mais gosto de fazer é produzir recursos de ensino, em especial, jogos (cartas e tabuleiro) de Física e de Astronomia. Nos últimos 2 anos venho desenvolvendo vários deles e chegou o momento de socializar esses recursos. Então, começando por esta edição da AstroNova e nas próximas estarei divulgando e disponibilizando vários jogos para quem queira se divertir e para quem queira aproveitá-los no Ensino de Astronomia. Inicio pelo jogo a seguir. 1335 AstroNova . N.19 . 2018

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36 AstroNova . N.19 . 2018 BATALHA DO SISTEMA SOLAR Este jogo não foi desenvolvido para ser um jogo educativo, mas sim para ser um jogo de entretenimento (diversão) que envolve a temática do Sistema Solar, entretanto, como não é necessário ter conhecimento de Astronomiapara jogar, ele pode servir como catalisador para uma eventual discussão e/ou abordagem do assunto em uma sala de aula ou em um curso. Também pode ajudar a despertar o interesse dos jogadores pelo assunto. O jogo comporta entre 3 (mínimo) até 6 jogadores (máximo) e possui 99 cartas de jogo, mais 6 cartas “Como jogar”, que explica resumidamente os passos de como jogar, mais 3 cartas “Objetivo”, que apresenta resumidamente o objetivo do jogo e mais alguns marcadores. O objetivo de cada jogador é conseguir coletar todas as 8 cartas de Planetas na sequência correta, começando pela carta “Mercúrio” até a carta “Netuno”. Essa sequência deve ser montada na mesa, na frente do jogador e à vista de todos os outros jogadores. Cada jogador tentará montar a sua sequência e dificultar que os outros jogadores montem suas respectivas sequências. O jogo completo - regras e cartas - pode ser baixado no site Recursos de Física em www.recursosdefisica.com.br na página “Jogos Educativos” e subpágina “Jogos de Astronomia”. Como jogar Uma ordem precisa ser estabelecida entre os jogadores para jogarem (quem inicia e sentido horário ou anti-horário); As cartas precisam ser bem embaralhadas, distribuídas 5 cartas para cada jogador e o resto das cartas deve compor o monte de compras e ficarem viradas para baixo; Quando as cartas forem descartadas, elas deverão ficar uma em cima da outra e viradas para cima, compondo o monte de descarte; Na vez de jogar de cada jogador, inicialmente ele deve comprar uma carta do monte de compra ou pegar a primeira carta do monte de descarte, mas somente se ela for uma carta de planeta; Cada jogador pode realizar somente 1 ação por jogadae existe 3 opções de ações para os jogadores: 1) Jogar uma carta de planeta em sua respectiva sequência. 2) Usar o efeito de uma carta; 3) Descartar qualquer carta. Não é permitido um jogador realizar 2 ações na mesma

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37 AstroNova . N.19 . 2018 vez de jogar a não ser um efeito de uma carta; Cada jogador precisa terminar a sua vez de jogar com 5 cartas nas mãos.Isso é importante; Nenhum jogador pode sofrer o efeito de 2 cartas ao mesmo tempo; Cartas de efeito podem ser usadas contra qualquer jogador desde que obedeçam às condições indicadas nas cartas; A sequência correta das cartas de planetas para ganhar o jogo é: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno(como na imagem abaixo). Não é possível iniciar com outro planeta. A carta Vênus só pode ser jogada na mesa quando a carta Mercúrio já tiver sido jogada. A carta Terra só pode ser jogada quando a carta Vênus já tiver sido jogada e assim por diante até que o jogador tenha a oportunidade de jogar a carta Netuno; Ganha o jogo o jogador que primeiro conseguir jogar a carta “Netuno” em sua sequência. Efeitos das cartas Todas as cartas de jogo têm um efeito, inclusive a dos planetas e a descrição e/ou a condição para a ativação do efeito estão informados nas próprias cartas. Cada carta de planeta tem um efeito cuja aplicação é automática quando ela é jogada na mesa em sua sequência. Os efeitos precisam ser executados na hora ou quando o jogador for jogar na próxima rodada. As condições de quando serão aplicados estão descritas nas próprias cartas. Quando um jogador é afetado por um efeito e ele tem duração de 1 uma ou 2 rodadas, use as fichas para marcar a duração do efeito. Por exemplo: se um jogador é afetado pela carta “Asteroide”, ele ficará 2 rodadas sem jogar. Essas 2 rodadas são indicadas por 2 fichas que devem ficar na frente do jogador afetado. Ao passar a primeira rodada sem jogar, 1 ficha é retirada e ao passar a segunda rodadas sem jogar, a última ficha também é retirada e o jogador fica livre do efeito. Carta Sol (3 cartas): essa é uma carta especial porque ela é um Coringa que substitui quase todas as cartas de planetas, ela só não pode substituir a carta “Netuno”, a última da sequência. Efeito especial da carta “Sol” (optativo): ela também tem um efeito especial que permite o jogador realocar a carta “Sol” na sequência dos planetas com o custo de ficar 2 rodadas sem jogar (usando as fichas para marcar essas rodadas), entretanto, esse efeito especial só pode ser usado uma vez por cada carta “Sol”. Por exemplo: um jogador usou a carta “Sol” para substituir a carta “Terra”. Conforme corre o jogo e não importa que esse jogador já tenha jogado outras cartas de planetas em sua sequência, se ele consegue uma carta “Terra”, na próxima vez de jogar, ele pode colocar essa carta no lugar onde estava a carta “Sol” e realocar a carta “Sol” para o lugar do próximo planeta necessário na sequência. Cartas de planetas duplicadas: um jogador deve descartar o mais rápido possível se ele possuir 2 ou mais cartas do mesmo planeta ou cartas de um planeta que ele já tenha jogado. Monte de compras: quando acabarem as cartas do monte de compras, pegue o monte de descarte, embaralhe as cartas, vire ele para baixo, use-o como novo monte de compras.

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38 AstroNova . N.19 . 2018 Sugestão em relação ao número de participantes: o número ideal (e máximo) de participantes é de 6 jogadores, caso tenha menos que isso, recomendamos diminuir o número de cartas de planetas conforme as indicações a seguir: 3 jogadores: Exclua 3 cartas de cada planeta (24 no total). 4 jogadores: Exclua 2 cartas de cada planeta (16 no total). 5 jogadores: Exclua 1 carta de cada planeta (8 no total). 6 jogadores: Não exclua nenhuma carta. Dicas para impressão do jogo · Para que as cartas durem mais, recomendo que sejam impressas em papel de gramatura maior, entre 180 e 210 g/m3 ou maior (se a impressora conseguir imprimir). Como comparação, uma folha de sulfite comum tem gramatura de 75 g/m3; · Outro parâmetro é o tipo de papel: fosco ou brilhante. Impressas no papel fosco, as cartas são melhores para manusear, mas a qualidade da impressão é menor. Impressas em um papel brilhante, a qualidade da impressão é bem maior, mas as cartas são mais lisas e um pouco mais difíceis de manusear; · Para quem decidir imprimir em papel brilhante, esse tipo de papel é diferente para impressora laser e para impressora jato de tinta. Para impressora laser é o papel Couchê Brilhante e para impressora jato de tinta é o papel fotográfico do tipo Glossy. Ricardo Francisco Pereira é professor do departamento de Física da UEM. Graduou-se em Física e doutorou-se em Educação para a Ciência e a Matemática pela mesma instituição. Mantém o site Recursos de Física. Referências HUIZINGA, J. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 2.ed. Trad. João Paulo Monteiro. São Paulo: Perspectiva, 1990. LOPES, M. da G. Jogos na Educação: criar, fazer e jogar, 4º Edição revista, SãoPaulo: Cortez, 2001. PEREIRA, R. F. Os jogos na educação. In: NEVES, M. C. D.; PEREIRA, R. F. (org.) Divulgando a ciência: de brinquedos, jogos e do vôo humano, Maringá: Massoni, 2006. RIZZO, G. Alfabetização Natural.Rio de Janeiro:Editora Bertrand Brasil Ltda, 3a edição, 1999. SANTOS, C. A. Jogos e Atividades Lúdicas na Alfabetização. Rio de Janeiro: Sprint, 1998. Estrutura das cartas Veja também: www.recursosdefisica.com.br

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Nebulosa Trífida, M20 Astrofotógrafo: Carlos A. Domingues 29 e 30 de agosto/2018 Sarandi - PR

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AstroNova é uma colaboração de estudantes, professores, astrônomos amadores e profissionais para a divulgação de Astronomia e Ciências da Natureza. É trimestral, com divulgação pública e gratuita. Disponível em: www.grupocentauro.org Acompanhe nossa página no Fabebook www.facebook.com/AstroNovaBrasil REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA

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