Acervo textual da Revista AstroNova
Edição 35 — páginas 1 a 20
Esta página apresenta o texto extraído do PDF para tornar a edição pesquisável e acessível a leitores, navegadores e assistentes de IA. Consulte o PDF original para preservar diagramação, imagens, fórmulas e créditos.
Assuntos identificados: cometa, cometas, astronomia, núcleo, halley, solar, programa, missão, sistema, projeto.
Página 2
2 EXPEDIENTE Conselho editorial: Adriane Casteleira [email protected] Maico A. Zorzan [email protected] Rafael Cândido Jr. [email protected] Wilson Guerra [email protected] Arte e Diagramação: Adriane Casteleira Equipe da Revista AstroNova Adriane Casteleira João Pimenta Luiz Otávio Nacamura Maico Zorzan Mateus Leal Castanheira Rafael Cândido Jr. Ricardo Francisco Pereira Wilson Guerra Contato: [email protected] Wilson GuerraWilson Guerra Revista AstroNovaRevista AstroNova EDITORIALEDITORIAL Chegou a Primavera no He- misfério Sul, mais uma esta- ção defi nida por datas astro- nômicas notáveis: hoje o dia e a noite duram o mesmo tem- po. Essa mesma condição no Hemisfério Norte marca o Ou- tono. E para o planeta inteiro, corresponde a publicação de mais uma edição da Revista As- troNova :) Uma boa novidade para o ensino e a educação em Astro- nomia é a inauguração do Polo Astronômico Rodolfo Caniato, na cidade de Campo Mourão, no Paraná. Os professores Mi- chel Corci e Oscar Rodrigues dos Santos, do Departamento de Física da UTFPR, escrevem nessa edição da AstroNova so- bre esse importante centro re- gional que vai da divulgação de astronomia à formação de pro- fessores da Educação Básica. Nosso amigo Rafael Cândi- do une História e Astronomia com seu artigo bastante abran- gente e completo sobre os co- metas, esses objetos celestes que viajam pelo Sistema Solar e impressionam a humanidade desde seus primórdios. Dando continuidade à edi- ção anterior, Adriane Castelei- ra faz um compilado das pri- meiras e principais imagens e descobertas feitas com o teles- cópio espacial James Webb. O telescópio que demorou mais de uma década para fi car pron- to carrega uma tecnologia de imageamento no infraverme- lho que nenhum telescópio es- pacial tem hoje. Esse é o início de muitas surpresas. Eu, de certa forma, tam- bém dou continuidade a edi- ção anterior, tratando de mis- sões lunares, mas dessa vez me concentro ao programa ameri- cano Artemis. A Nasa está im- plementando ultimamente grande parte da indústria aero- espacial e de tecnologia do seu país nessa que deve ser a mis- são lunar para ir e fi car! E dessa vez, é fazer Ciência para valer. Além das agendas em as- tronáutica e de eventos astro- nômicos, esta edição inaugura a sessão COMEÇANDO NA AS- TRONOMIA, onde um tópico básico é tratado bem sintetica- mente, ideal para quem quer começar na encantadora Ciên- cia do Universo! Tenha uma boa leitura!
Página 3
3 SUMÁRIO Pólo Astronômico Rodolpho Caniato Artemis: A Nasa volta à Lua para fi car! As primeiras imagens do James Webb Começando na Astronomia: SOL A epopéia dos cometas ...........................................09 ......................................17 ................................................26 ..............................................30 ....................................35
Página 4
4
Página 5
5
Página 6
6
Página 7
7
Página 8
8 M27 - Nebulosa do Haltere LOCAL: Maringá/PR DATAS: 01/07/2022 DETALHES: HOO (H:5h O:7h) AUTOR: Bruno Bonicontro
Página 9
9 POLO ASTRONÔMICO RODOLPHO CANIATO O Polo Astronômico é um espaço destinado ao en- sino, divulgação e popu- larização da Astronomia e, como uma homenagem, recebe o nome do professor Rodolpho Caniato por conta de toda a contribuição já prestada por ele ao ensino da Astronomia. O Polo Astronômico Rodolpho Caniato da Universida- de Tecnológica Federal do para- ná (UTFPR), campus Campo Mou- rão será ofi cialmente inaugurado no dia 3 de novembro de 2022, durante a abertura do VII Simpó- sio Paranaense de Ensino de Físi- ca e Astronomia (SPEFA - https:// spefautfpr.webnode.page/), re- alizado presencialmente nas de- pendências da UTFPR em Campo Mourão. O Polo Astronômico congrega uma série de atividades que já a algum tempo são realizadas pelo grupo de professores do departa- mento de Física e que serviram de alicerce para a constituição ofi cial do Polo. Michel Corci Batista [email protected] Coordenador do Polo Astronômico Oscar Rodrigues dos Santos [email protected] Vice-coordenador do Polo Astronômico O Polo Astronômico Rodolpho Caniato congrega uma série de atividades realizadas pelo grupo de professores do departamento de Física da UTFPR.
Página 10
10 Um caminhar em direção ao Polo Astronômico Rodolpho Caniato Desde 2010 a Universidade Tecno- lógica Federal do Paraná (UTFPR) campus Campo Mourão conta com o grupo GEPA (Grupo de En- sino e Pesquisa em Astronomia) ligado ao departamento acadê- mico de Física e desenvolvendo o projeto noites astronômicas que permite a população observar o céu (noturno e diurno) a partir de um telescópio. Esse projeto ocor- re dentro da Universidade em da- tas pré-agendadas e divulgada nas mídias sociais da instituição bem como itinerante em locais e datas também pré-agendadas (a escolha desses locais sempre se deu pelo IDEB da região). Além desse projeto, outras ações de extensão universitária foram realizadas, sempre em parceria com os Núcleos Regionais de Edu- cação dos municípios de Campo Mourão, Maringá e Cianorte aten- dendo a demanda de aproxima- damente 70 municípios com for- mação continuada de professores de Ciências e Física para o ensino da Astronomia. Também foram realizadas sessões astronômicas abertas à comunidade, nas quais uma vez por mês foram ministra- das palestras relacionadas a área de Astronomia e palestras nas es- colas de Educação Básica para crianças e adolescentes. A fim de atender as demandas e necessidades institucionais, em 2018 foi criado um programa ins- titucional para o desenvolvimento do ensino de Ciências e Astrono- mia, vinculado ao departamento acadêmico de Física e um grupo de pesquisa específico para essa demanda, grupo LADECA (Labora- tório para o desenvolvimento do ensino de Ciências e Astronomia), vinculado ao mestrado profissio- nal em ensino de Física, ambos com potencialidade para desen- volver produtos educacionais para a divulgação e popularização da Astronomia. Identificando que no estado do Paraná existiam apenas 8 Plane- tários fixos cadastrados na Asso- ciação Brasileira de Planetários, sendo 3 em Londrina (no qual um deles é particular), 3 em Curitiba, 1 em Ponta Grossa e 1 em Foz do Iguaçu, o grupo LADECA resolveu escrever uma proposta para im- plementação de um planetário fixo na UTFPR de Campo Mou - rão, entendendo que este poderia contribuir de maneira significativa com o ensino e divulgação da As- tronomia num espação não for- mal de ensino. O projeto foi sub- metido em 2019 para a apreciação de um Deputado Federal e visto o potencial da proposta, ele desti- nou uma emenda parlamentar de 220.000,00 (duzentos e vinte mil reais) para o projeto. A construção do planetário se deu durante o ano de 2020. Neste mes- mo ano, o Parque Tecnológico da Itaipu decidiu por encerrar todas as suas atividades ligadas ao en- sino, pesquisa e divulgação de As- tronomia no conhecido Polo As- Cerimônia de inauguração do planetário do Polo Astronômico Rodopho Caniato, realizada no dia 21 de junho de 2021.
Página 11
11 tronômico Casimiro Montenegro Filho e, com o fim das atividades, a UTFPR de Campo Mourão na figu- ra do grupo LADECA foi procura- da para continuar desenvolvendo algumas atividades de formação e educação em Astronomia. Foi en- tão estabelecida uma parceria en- tre a UTFPR de Campo Mourão e a União Astronômica Internacional para a realização de um curso de formação de professores para o ensino da Astronomia, curso NASE (Network for Astronomy School Education) e ainda em 2020 curso NASE foi ofertado no Brasil de ma- neira on-line (devido a pandemia da COVID 19) pelo grupo de pro- fessores do departamento acadê- mico de Física envolvidos com en- sino e divulgação da Astronomia. Em 2021 o curso foi novamente ofertado on-line juntamente com um ciclo de palestras para a divul- gação de Astronomia realizado em parceria com a revista Astro- Nova em seu canal do Youtube. Neste ano de 2022 construímos nas dependências da UTFPR um relógio de Sol analemático (para estudo da Astronomia de posição) nele o visitante é o ponteiro do re- lógio, ou seja, ele é totalmente in- terativo. Também foi construído um observatório indígena para se divulgar e popularizar a Astrono- mia cultural. Nesse cenário de atividades re- alizadas em prol da divulgação e popularização da Astronomia a UTFPR de Campo Mourão insti- tuiu um Polo Astronômico que re- cebeu o nome de Polo Astronômi- co Rodolpho Caniato. Esse agrega todas as ações voltadas para o en- sino, pesquisa, divulgação e popu- larização da Astronomia e, com o retorno às atividades presenciais neste ano de 2022, o Polo Astro- nômico passou a receber visitas agendadas de escolas e a realizar sessões abertas à comunidade e tem a previsão de encerrar o ano de 2022 tendo atendido cerca de 6000 pessoas. Ressaltamos que, ao saber da da homenagem feita pelo grupo de trabalho da Universidade Tecno- lógica Federal do Paraná campus Campo Mourão, o professor Ca- niato ficou muito feliz e por ser uma pessoa muito querida, aten- ciosa, preocupada em fazer sem- pre o seu melhor em prol dos que estão à sua volta, presenteou o Polo Astronômico com um acervo contendo alguns objetos produzi- dos por ele durante sua caminha- da acadêmica na área de Ensino da Astronomia, para que esses materiais permaneçam em expo- sição, ou seja, trata-se do início de um novo projeto do Polo Astronô- mico na busca pela implantação de um museu de Astronomia. Domo do planetário do Polo Astronômico, capaz de comportar até 40 pessoas
Página 12
12 1. NASE NASE (Network for Astronomy School Education) é um programa da IAU (International Astronomical Union) a fim de qualificar professores. O curso NASE tem por objetivo ensinar astronomia aos professores e formar professores para o ensino de astronomia; A NASE também pode ser utilizada como um curso introdutório de nível universitário. Em fevereiro de 2020 a UTFPR campus Campo Mourão se tornou a instituição embaixadora da NASE no Brasil e o Professor Dr. Michel Corci Batista o coordenador do programa NASE no Brasil. A Presidente da NASE junto a IAU é a Professora Dra. Rosa M. Ros da Universidade Politécnica da Catalunha – Espanha e a vice-presidente é a Beatriz García da Universidade Tecnológica Nacional - Mendoza, Argentina. ATIVIDADES DO POLO 2. FORMAÇÃO CONTINUADA A UTFPR campus Campo Mourão (Polo Astronômico Rodolpho Caniato) possui uma parceria com o Núcleo Regional de Educação (NRE) de Campo Mourão, sendo responsável por viabilizar a formação continuada dos professores de Ciências dos anos finais do Ensino Fundamental e Física do Ensino Médio dos 16 municípios jurisdicionados ao NRE de Campo Mourão, por meio de um curso intitulado “Fundamentos teórico – metodológicos para o ensino da Astronomia”.
Página 13
13 3. COMPETIÇÃO DE FOGUETES A competição de foguetes acontece anualmente durante o Empreend Week, o maior evento de Ciência, Tecnologia, Inovação e Empreendedorismo do centro-oeste do Paraná. O principal objetivo da competição de foguetes é despertar o interesse dos estudantes pela Astronáutica, Física e Astronomia, através de uma metodologia lúdica e cooperativa. 4. PLANETÁRIO O planetário é um local onde ocorrem apresentações sobre Astronomia, simulando o céu, sobretudo noturno, de acordo com a data e local de observação. É constituído por uma abóbada ou cúpula e por uma máquina colocada no seu centro, que projeta os diferentes objetos celestes.
Página 14
14 5. NOITES ASTRONÔMICAS O projeto consiste na observação do céu noturno de Campo Mourão com objetivo de estimular e despertar em alunos tanto dos cursos superiores quanto do ensino técnico integrado da UTFPR, além da comunidade interna e externa, vocações científicas e aumentar o conhecimento e o interesse em Astronomia. 6. VISITAS AGENDADAS Sempre que possível o Polo Astronômico prepara visitas em escolas para levar noções básicas de Astronomia para as crianças, sempre objetivando divulgar e popularizar essa linda Ciência, bem como despertar a curiosidade delas. 7. EstrELAS: DIVULGAÇÃO, POPULARIZAÇÃO E INCENTIVO DA PARTICIPAÇÃO FEMININA NA ASTRONOMIA Esse projeto visa promover ações de divulgação, popularização e incentivo da participação de meninas e mulheres na Astronomia, através da produção de material midiático, didático, oficinas para a comunidade escolar, e promoção/ participação em eventos na área.
Página 15
15 NOSSOS CANAIS DE COMUNICAÇÃO: CONHEÇA ALGUMAS PRODUÇÕES DO GRUPO BATISTA, M. C.; ALMEIDA JUNIOR, E. R. B.; MENEZES, L. P. G.; MARTINS, V. C.; VIEIRA, T. F.; MAGALHAES JUNIOR, C. A. O. Astronomia Básica em Perspectiva: Um Guia sobre as Estações do Ano. 1. ed. Ponta Grossa: Atena Editora, 2020. Disponível em: https://www.atenaeditora.com.br/catalogo/ebook/astronomia- basica-em-perspectiva-um-guia-sobre-as-estacoes-do-ano VIEIRA, T. F.; BATISTA, M. C.; RAMOS, F. P. Ensino remoto intencional, sala de aula invertida e interdisciplinaridade: Possibilidades para um ensino de astronomia no ensino médio. 1. ed. Ponta Grossa: Atena Editora, 2021. Disponível em: https://www.atenaeditora.com.br/catalogo/ebook/ ensino-remoto-intencional-sala-de-aula-invertida-e-interdisciplinaridade- possibilidades-para-um-ensino-de-astronomia-no-ensino-medio Para agendamentos de visitas, entrar em contato via Whatsapp com o professor Michel Corci Batista: (44) 98805-6242; ou pelo e-mail: [email protected]. instagram.com/poloastronomico_rcaniato www.poloastronomicorcaniato.com.br
Página 16
16 V e X Lunar LOCAL: Munhoz - MG DATAS: 04/08/2022 EQUIPAMENTOS: Esprit 150mm, Asi 6200mc AUTOR: Fernando Oliveira de Menezes Autor organizador do livro Astrofotografi a Amadora no Brasil https://clubedeautores.com.br/livro/astrofotografi a- amadora-no-brasil ARTEMIS A NASA VOLTA À LUA PARA FICAR!
Página 17
17 ARTEMIS A NASA VOLTA À LUA PARA FICAR! N a mitologia grega, Artemis é a irmã de Apolo, nome do deus usado para designar o programa espacial americano dos anos 1960. Hoje, com o fi m da Guerra Fria (disputa militar e ide- ológica entre EUA e a ex-URSS), fi - cou claro que o programa Apolo ti- nha um viés mais de propaganda geopolítica do que de Ciência. Isto já era claro para o astrobiólogo Carl Sagan, que se posicionou des- favorável ao programa por consi- derá-lo militar. Sagan só foi apoiar as viagens à Lua a partir da mis- são Apolo-17, quando fi nalmente um cientista fez parte da tripula- ção, o geólogo Harrison Smith. Jus- por: Wilson Guerra [email protected] tamente aí, o governo americano cancelou o programa, confi rman- do a premissa de Carl Sagan. Uma longa caminhada Agora, tudo indica, o contexto é outro e Carl Sagan certamente fi - caria entusiasmado se estivesse vivo. A Nasa quer voltar à Lua para fi car, para fazer Ciência e até mo- vimentar a indústria. A proposta da agência espacial americana de retornar à Lua foi iniciada a duas décadas mas contou com mui- tos problemas organizacionais. Uma competição partidária in- terna bastante contraproducen- te do ponto de vista técnico impe- diu que a Nasa pudesse se focar num projeto central. Cada novo presidente eleito do país defi nia uma prioridade diferente. Além dos atrasos, cada mudança envol- via mais dinheiro para adaptar os projetos anteriores, o que foi en- carecendo o programa junto às empresas americanas contrata- das pela Nasa, principalmente a Boeing e a Lockheed Martin (hoje da Northrop Grumman). A administração do ex-presiden- te George W. Bush criou nos anos 2000 o programa Constellation, que tinha como objetivo enviar astronautas dos EUA à Lua em EXPLORAÇÃO LUNAR
Página 18
18 2020. O projeto foi cancelado em 2011 pelo então presidente Barak Obama, depois de bilhões de in- vestimentos. A prioridade do pro- grama espacial tripulado na Nasa seria a partir de então o projeto Asteroid Redirect Mission (ARM), que desenvolveria capacidades de desviar e até trazer asteroides à órbita terrestre para fins cientí- ficos e comerciais (mineração). O novo projeto usaria algumas das estruturas propostas no Cons- tellation, como a cápsula espacial Órion, e poderia preparar cami- nho para futuras viagens tripula- das para o planeta Marte. Com desafios enormes e orça- mentos ainda maiores, a adminis- tração Trump encerrou definitiva- mente o programa ARM em 2017 (anos antes já haviam vários in- dícios de que o projeto não con- tinuaria). A Nasa assim pôde fo- car definitivamente na Lua. Surgiu então o atual programa Artemis. Toda uma nova e cara adaptação dos projetos anteriores levaram a concepção e construção do super foguete SLS, cujo primeiro exem- plar está pronto. O programa Artemis Em linhas gerais, a Nasa define como objetivo do Artemis a cons- trução de instalações permanen- tes de pesquisa na Lua com ob- jetivos científicos e econômicos. Também há grande destaque no Veículos lançadores do projeto Constellation, cancelado em 2011. A nave Órion, projetada para a missão Constellation, seria usada para o programa Asteroid Redirect Mission (ARM). O ARM, por sua vez, foi cancelado em 2017. A cápsula Órion no Kennedy Space Center. Será capaz de transportar até 4 astronautas e uma série de equipamentos. O módulo de serviços com os “motores” da nave foi fornecido pela ESA (Europa), que contratou a francesa Aribus para sua construção.
Página 19
19 que pretende que seja a primei- ra missão com uma mulher pisan- do na superfície lunar. O nome da irmã de Apolo não foi escolhido por acaso. Por fim, espera-se que os passos dados no programa Ar- temis ajude a pavimentar o cami- nho para futuras missões tripula- das ao planeta Marte. Para colocar tudo isso em prática a Nasa defi- niu três eixos principais: uma esta- ção espacial, um sistema de pouso lunar e uma base de operações na superfície. Estação Gateway A Gateway (“portal”) será uma es- tação espacial orbitando a Lua, que dará suporte à missões na su- perfície tanto automáticas quan- to tripuladas. Seu objetivo é servir como um entreposto e, no futuro, talvez até como “trampolim” para viagens à Marte. Inicialmente a Gateway teria participação dos países membros da Estação Es- pacial Internacional (ISS), mas não houve acordo entre Estados Uni- dos e Rússia quanto ao peso de de- cisões sobre a estação. Os russos queriam um acordo idêntico ao da ISS, onde todos os membros do consórcio tem o mesmo poder de voto nas decisões comuns acerca do complexo. Já os EUA queriam uma certa primazia no poder de- cisório. Com o impasse, os russos anunciaram em 2020 que não par- ticipariam do projeto, mas pode- riam desenvolver módulos e equi- pamentos como um fornecedor comercial comum, pagos pelo ser- viço. Com as atuais sanções eco- nômicas impostas pelo governo Biden contra a Rússia, não pare- ce que esse tipo de acordo comer- cial continuará. Porém, o caráter internacional da estação Gateway continua: Europa, Canadá e Japão já fazem parte projeto. A Gateway vai orbitar a Lua numa configuração muito especial cha- mada de NRHO (abreviação em inglês para Órbita em Halo Quase Retilínea). É uma órbita bastante elíptica que combina estabilidade O SLS (Space Launch System) é o foguete que lançará a nave Órion a partir do complexo de lançamentos 39B modernizado no espaçoporto do Kennedy Space Center. É o principal lançador do programa Artemis, construído pela Boeing e Lockheed Martin a pedido da Nasa.
Página 20
20 com pontos otimizadas de acopla- mento de espaçonaves. Quando a estação estiver no ponto mais afastado da Lua, poderá rece- ber naves e cargas vindas da Ter- ra. Quando estiver no ponto mais próximo, poderá liberar e receber naves para e da superfície da Lua. A Gateway também ajudará, logo de início, a estudar os efeitos das radiações cósmicas e solares, já que a região não se encontra sob a proteção do campo geomagnéti- co do nosso planeta. Não há muitos detalhes da Ga- teway ainda, mas a Nasa já fechou contrato com a SpaceX para lançar seus primeiros módulos por meio de um foguete Falcon Heavy no se- gundo trimestre de 2024. Os mó- dulos PPE (propulsão e energia) e Halo (habitável) deverão partir já integrados. O PPE é construído pela empresa Maxar Technologies e o Halo, pela Northrop Grumman. O PPE contará com propulsão elé- trica (iônica), mesmo sistema já usado atualmente pela estação espacial chinesa Tiangong (CSS). A Gateway completa, contudo, é modesta e não deverá superar o tamanho da CSS, por exemplo. Atualmente um cubesat chamado Capstone está a caminho da órbita lunar para circundar a Lua na con- figuração NRHO, a mesma projeta- da para a Gateway. Assim, o satéli- te poderá fazer medições e enviar informações desta órbita. Se tudo Configuração inicial da estação Gateway: módulos Halo (primeiro plano) e PPE. Configuração final da estação Gateway, em renderização atualizada da Nasa.
Página 21
21
