Acervo textual da Revista AstroNova
Edição 35 — páginas 41 a 54
Esta página apresenta o texto extraído do PDF para tornar a edição pesquisável e acessível a leitores, navegadores e assistentes de IA. Consulte o PDF original para preservar diagramação, imagens, fórmulas e créditos.
Assuntos identificados: cometa, cometas, astronomia, núcleo, halley, solar, programa, missão, sistema, projeto.
Página 42
42 varia entre algumas dezenas de metros a dezenas de quilômetros, porém a coma alcança milhares e, dependendo, até alguns milhões de quilômetros em torno do nú- cleo. Devido à pressão de radiação e o vento solar, a coma é dispersa for- mando a enorme cauda caracte- rística dos cometas. Como a água constitui até 90% do material vo- látil presente na coma e na cauda, as moléculas de água sofrem dois processos de destruição: fotodis- sociação, que é um processo foto- químico; e fotoionização, causado pelas partículas do vento solar. Embora seja muito grande, ao passar pela órbita de Marte (cer- ca de 1,5 UA do Sol) o vento solar aumenta de intensidade de modo que ocorre um aumento da cauda devido à formação de íons, poden- do alcançar a extensão de 1 UA ou mais! A coma e a cauda tornam-se visí- veis por dois processos. Um é a reflexão da luz solar pela poeira dispersada nestas duas regiões, outro é o brilho gerado no proces- so de ionização dos voláteis. A abertura da cauda dos cometas ocorre porque a poeira e o gás for- mam caudas separadas entre si e que apontam para direções ligei- ramente diferentes. Enquanto a cauda de poeira é deixada para Cauda iônica (tipo I) à esquerda e mais azulada e cauda de poeira (tipo II) à direita e mais difusa. Cometa Neowise, 19/julho/2020. Foto tirada no Deserto de Gobi, Região da Mongólia Interior, China. Foto de Zixuan Lin. trás seguindo a direção da órbita do cometa, formando muitas ve- zes uma cauda curva, a cauda de gases ionizados sempre aponta no sentido contrário ao Sol, pois sen- do um gás fortemente ionizado, é mais afetado pelo vento solar. Es- tas caudas recebem a denomina- ção de tipo I para cauda formada por gases ionizados e tipo II para caudas formadas de poeira. Em alguns casos extremos, pode ocorrer um aquecimento desigual no núcleo, havendo uma região muito mais aquecida que outra na
Página 43
43 aproximação solar de modo que pode ocorrer a emissão de gases na forma de um gêiser, ocasionan- do a rotação do núcleo cometário. Com essa rotação, surgem ten- sões em determinadas regiões do núcleo que podem causar a frag- mentação do núcleo. Tipos de cometas A partir da segunda metade do século XVIII ocorreu um aumento significativo de astrônomos volta- dos à busca de cometas. Conco- mitante às descobertas de gran- des cometas, o desenvolvimento de telescópios permitiu o avista- mento de cometas que não eram observáveis a olho nu. E, nos ca- sos em que os cometas encontra- dos eram vistos quase ao mes- mo tempo, com diferença de dias (evento que se tornou comum no século XIX após a invenção do te- légrafo) haviam muitas disputas para nomear o cometa (em geral, e até hoje, há cometas com nomes dos seus descobridores). Porém, a União Internacional de Astrono- mia não podia registrar os come- tas apenas por seus nomes, pois poderiam ocorrer redundâncias. Por exemplo, se houvessem dois cometas distintos descobertos por dois astrônomos de sobre- nome Smith (sobrenome comum na língua inglesa), como seria di- ferenciá-los? E outra coisa impor- tante, chamar um cometa pelo seu nome não nos fornece infor- mações importantes sobre ele. Então, foi preciso criar uma codi- ficação que fosse simples e forne- cesse informações fundamentais sobre o cometa. Assim, foram criadas 4 categorias baseadas na periodicidade e na órbita: Cometas periódicos: São come- tas que possuem período orbital menor ou igual a 200 anos ou que já foi observado em mais de uma única passagem de periélio (pon- to da órbita mais próxima ao Sol). Recebem o código P, exemplos: 1P/Halley, P/2014 L2 (Neowise), P/2016 WM48 (Lemmon). Muitos cometas recebem o nome de seu descobridor, mas em alguns ca- sos, recebem o nome de quem cal- culou suas órbitas: 2P/Encke, 27P/ Crommelin. Cometas não-periódicos: São denominados em inglês de near parabollic comets, ou seja, come- tas com órbita próxima à parabó- lica. Como o nome diz, apresen- tam órbitas elípticas com valores tão altos de excentricidade (acima de 0,98) que a curva da órbita no periélio é muito próxima de uma parábola, apresentando periodi- cidades na ordem de milhares a até milhões de anos. Estes come- tas são provenientes da nuvem de Oort, uma região do Sistema So- lar entre 10000 e 50000 UA. São os cometas mais complicados de se calcular seus parâmetros orbi- tais porque sendo órbitas de lon- go prazo, os desvios causados por pequenas perturbações gravita- cionais acumulam-se ao longo do tempo, podendo o cometa não ter mais uma órbita elíptica e sim pa- rabólica ou hiperbólica. Recebem o código C, exemplos (com nome e a periodicidade): C/1965 S1-B (Ikeya-Seki, 1060 anos), C/1952 Q1 (Harrington, 8210 anos), C/1996 Q1 (Tabur, 22000 anos), C/2017 D2 (Barros, 51000 anos), C/1910 A1 (Grande cometa de 1910, 4.142.890 anos!). E há cometas com periodicidades maiores! Cometas de órbitas hiperbóli- cas: Existem duas possibilidades de origem deste cometas. Uma é a nuvem de Oort, que envolve todo o Sistema Solar e não ape- nas o plano onde este se encontra (como acontece com o Cinturão de Kuiper). A outra possibilidade é que alguns destes cometas pos- sam ter origem interestelar, ou seja, podem ser provenientes de outros sistemas solares. Em am- bas estas possibilidades, o come- ta pode chegar no Sistema Solar não só pelo plano da eclíptica (o plano médio onde ficam as órbi- tas de Mercúrio até Netuno) mas também acima ou abaixo deste plano. Como a trajetória destes cometas nas proximidades do Sis- tema Solar interno é hiperbólica, o cometa passará apenas uma vez no periélio e, com o Sol atuando
Página 44
44 como um estilingue gravitacional, é enviado para fora do Sistema Solar, exceto se ocorrer alguma interação gravitacional que alte- re a trajetória. Recebem o código X quando não se tem uma órbita bem calculada, no caso de come- tas históricos, e quando se tem da- dos confiáveis sobre a órbita, são codificados com a letra C. Para es- tes cometas não se define periodi- cidade, apenas a data do periélio, exemplos (com nome, se houver, e data de periélio): X/-2287 (2288 AEC), X/-341 (Aristóteles, 341 AEC), C/-43 K1 (Cometa de César, 25/05/43 AEC), X/-5 E1 (05/05/05 AEC), X/1106 C1 (Grande cometa de 1106, 10/02/1106), X/1987 A2 (McNaught-Hartley, 01/01/1987). Quanto ao cometa X/-5 E1, alguns pesquisadores de Arqueoastro- nomia citam que pode ter sido este cometa que influenciou o re- gistro da Estrela de Belém. Cometas perdidos: São come- tas que foram descobertos e que deixaram de ser observados pou- co tempo após sua passagem pelo periélio. Um cometa pode ser perdido por vários motivos: perturbação orbital causada pe- los gigantes gasosos (Júpiter, por exemplo) que pode ejetar o co- meta para fora do Sistema Solar, perda total dos materiais voláteis tornando-se um cometa extinto muito parecido com um asteróide e a desintegração total do cometa durante a passagem pelo periélio ou em outros pontos de sua órbi- ta. Recebem o código D, exemplos (com nome, data de periélio e data da última observação): D/1770 L1 (Lexell, 14/08/1770, 03/10/1770), D/1894 F1 (Denning, 09/02/1894, 05/06/1894), D/1977 C1 (Skiff- -Kosai, 03/08/1976, 12/03/1977), D/1978 R1 (Haneda-Campos, 09/10/1978, 29/11/1978). Há um caso interessante de um come- ta que tinha órbita e periodicida- de definidas e desapareceu, pos- sivelmente por sua destruição. O cometa Biela foi visto pela primei- ra vez em 1772, registrado como periódico em 1826 pelo astrôno- mo alemão Wilhelm von Biela e em setembro de 1852, logo após pas- sar pelo periélio, foi observado se dividindo em dois e desapareceu, O Cinturão de asteróides e o cinturão de Kuiper estão no mesmo plano do Sistema Solar. A Nuvem de Oort envolve o Sistema Solar acima e abaixo do plano da eclíptica. é muito provável que foi desinte- grado por completo. Outras letras também são usadas na classificação, I é aplicado a ob- jetos interestelares que possuem uma órbita fortemente hiperbó- lica, exemplos: 1I/2017 U1 Ou- muamua e 2I/2019 Q4 Borisov. E a letra A é usada para um objeto que foi erroneamente identifica- do como um cometa, entretanto foi verificado posteriormente não possuir atividade cometária. Armada Halley Desde o final da década de 70 e o início da década de 80 eram pla- nejadas missões para aproxima- ção com o cometa Halley, que teria sua maior aproximação do Sol em
Página 45
45 1986. Assim, várias agências espa- ciais coordenaram esforços para o envio de sondas que se aproxi- massem do cometa Halley. Esse esforço levou a construção de 5 sondas espaciais que ficaram co- nhecidas como Armada Halley. As sondas construídas para alcançar o cometa foram as japonesas Saki- gake e Suisei, a europeia Giotto e as soviéticas Vega 1 e Vega 2. As sondas japonesas Sakigake e Suisei eram idênticas e diferiam apenas nos aparelhos que leva- vam. A sonda Sakigake, pioneira em japonês, foi construída pela Agência Nacional de Desenvolvi- mento Espacial do Japão, que na época era denominada NASDA. Foi a primeira sonda interplane- tária (ou seja, que não orbitaria em torno da Terra) construída por um país que não fosse os EUA ou a URSS. Lançada em 8 de janeiro de 1985 por um foguete M-3SII-1 do Centro Espacial de Kagoshima transportava um medidor de es- pectro de plasma, medidor de íons do vento solar e um medidor de in- tensidade do campo magnético in- terplanetário. A sonda Suisei, cometa em japo- nês, foi construída pelo Instituto de Ciências Espaciais e Astronáuti- cas, ISAS, que existe até hoje, mas com a criação da JAXA teve novas atribuições. Lançada pelo mesmo foguete e no mesmo centro de lançamento no dia 18 de agosto de 1985 tinha um sistema de pro- cessamento de imagens para ima- gens em ultravioleta e um siste- ma de medição de intensidade do vento solar. Ambas as sondas foram constru- ídas para testar as tecnologias ja- ponesas para missões em espaço profundo: comunicações via rá- dio, controle de voo espacial e ob- tenção de dados científicos. A aproximação máxima da Saki- gake com o Halley ocorreu no dia 11 de março de 1986, a 7 milhões de quilômetros do cometa e da Suisei ocorreu em 8 de março de 1986, a 152.400 km do cometa, ob- tendo imagens em UV do núcleo e da cauda. A sonda Giotto, construída pela Agência Espacial Europeia (ESA) para estudar o cometa Halley, re- cebeu este nome em homenagem ao pintor renascentista citado no começo deste artigo. Quando esta missão foi planejada, no início dos anos 80, esperava-se a participa- ção conjunta da NASA, porém os EUA estavam passando por um governo de contenção de despe- sas, de modo que essa coopera- ção não ocorreu. Assim, a Giotto foi construída para levar 10 instrumentos científicos para a análise e obtenção de ima- gens coloridas do cometa. Dentre os instrumentos, destacam-se o sistema detector de impacto de poeira, para medir o tamanho, a massa e analisar a natureza quí- mica das partículas presentes na cauda do cometa, um compara- As sondas Sakigake e Suisei eram idênticas, a diferença estava nos instrumentos que carregavam.
Página 46
46 dor de íons para avaliar a propor- ção entre os íons do vento solar e os íons da cauda do cometa e um sistema de captação de imagens com a melhor definição possível da época. Foi lançada pelo foguete Ariane 1 em 2 de julho de 1985 a partir da base de Kourou na Guiana France- sa. A máxima aproximação com o cometa ocorreu em 13 de março de 1986 a apenas 596 km de seu núcleo. Na época do projeto da missão, acreditava-se que a son- da não estaria operacional após passar tão próxima do núcleo de- vido aos impactos das partícu- las em velocidade muito alta. No entanto, ao se afastar do núcleo, a sonda estava funcionando nor- malmente o que levou à intercep- tação de outro cometa posterior, o Grigg-Skjellerup. A partir dos dados obtidos pela Giotto, verificou-se que o núcleo do Halley tem 15 km de extensão por 7 a 10 km de largura. Somente 10% de sua superfície é ativa, ou seja, apresenta emissão de volá- teis. Sua idade é de aproximada- mente 4,5 bilhões de anos (pro- vavelmente formado na nebulosa planetária que originou o Sistema Solar). Do material ejetado tem- -se a seguinte proporção: 80% de água, 10% de monóxido de carbo- no, 2,5% de uma mistura de meta- no e amônia e 7,5% é composto de hidrocarbonetos, ferro e traços de Foto do núcleo do cometa Halley feita pela sonda Giotto em sua maior aproximação de 596 km. sódio. A superfície do núcleo é rica em carbono. As soviéticas Vega 1 e Vega 2 ti- nham esse nome porque eram uma missão dupla, mas não ti- nham nada a ver com a estrela Vega. O nome é uma junção das palavras Venera, nome do planeta Vênus em russo, e Gallei, que é as- sim que se pronuncia o nome Hal- ley em russo. Estas sondas praticamente idênti- cas entre si passariam por Vênus para ganhar velocidade para al- cançar o cometa e aproveitariam a viagem para deixar sondas de pouso e um balão para pesquisas na atmosfera venusiana. A principal construtora da missão foi a União Soviética, fornecendo o foguete de lançamento e a son- da. Os instrumentos científicos embarcados foram desenvolvidos na maior cooperação espacial até aquele momento reunindo os se- guintes países: Áustria, Bulgária, França, Hungria, Polônia, Repúbli- ca Democrática Alemã, República Federal da Alemanha (que eram duas nações distintas) e Tchecos- lováquia (Chéquia e Eslováquia eram uma nação unida na épo- ca), sendo que a França e a Alema- nha Federal já eram membros da ESA, de modo que estas duas na- ções estavam envolvidas em dois projetos espaciais ao mesmo tem- po: Giotto e Vega. Concomitante às contribuições tecnológicas, foi acordado com a URSS o comparti- lhamento dos dados obtidos pelas Vega com os institutos de pesqui- sas destas nações.
Página 47
47 Os lançamentos foram no Cosmó- dromo de Baikonur nos dias 15 e 21 de dezembro de 1984, para a Vega 1 e Vega 2, respectivamente. O foguete utilizado nos dois lan- çamentos foi o Proton 8K82K (se você quiser saber mais detalhes sobre as sondas Vega em Vênus, leia a edição nº 13 da Revista As- troNova). Em relação ao cometa Halley, a maior aproximação da Vega 1 ocorreu em 6 de março de 1986, a 8890 km do núcleo, e da Vega 2 ocorreu em 9 de março de 1986, a 8030 km do núcleo. Em ambas as sondas, logo após a máxima apro- ximação transcorreram 3 horas de intensa atividade de análise. Medidas de parâmetros físicos do núcleo como dimensões, formato, temperatura, propriedades da su- perfície e estrutura e dinâmica da coma, composição do gás nas pro- ximidades do núcleo, composição e distribuição da massa de poei- ra em função da distância ao nú- cleo e interação do cometa com o vento solar retornaram extensivas quantidades de dados. Além dis- so, as duas sondas retornaram um total de 1500 imagens fotográficas do cometa Halley. Algumas semanas após o encon- tro com o cometa, as sondas Vega foram desativadas e hoje encon- tram-se em órbita heliocêntrica. Núcleo do cometa Halley, imagem obtida pela sonda Vega 2. Missão Rosetta A missão Rosetta foi desenvol- vida pela ESA e foi uma das mis- sões contemporâneas de outras desenvolvidas pela NASA para o estudo de cometas. Porém, con- forme o projeto desta missão, o objetivo iria além de apenas uma passagem por algum cometa, a meta era ter duas sondas, uma que orbitasse um cometa e outra que pousasse na superfície do nú- cleo. O cometa escolhido para ser ana- lisado foi o 67P/Churyumov-Ge- rasimenko, descoberto em 1969 pelos astrônomos soviéticos Klim Ivanovych Churyumov e Svetlana Ivanovna Gerasimenko. Este co- meta tem origem no cinturão de Kuiper com uma periodicidade de 6,45 anos. Lançada em um foguete Ariane 5 no dia 2 de março de 2004 a par- tir de Kourou, Guiana Francesa, a missão Rosetta era composta de um orbitador com o mesmo nome da missão e uma sonda de pouso denominada Philae. Durante 10 anos a sonda permaneceu desli- gada, mantendo apenas o siste- ma de comunicação com a Terra em stand-by. Com a aproximação do cometa, foi reativada em 7 de maio de 2014, iniciando os pro- cedimentos para entrar em órbi- ta em torno do núcleo do cometa. Em 6 de agosto de 2014, a Rosetta
Página 48
48 torna-se a primeira sonda a orbi- tar um cometa. Até então, as son- das tinham apenas sobrevoado o núcleo. Após o mapeamento so- bre possibilidade de local de pou- so, a sonda Philae faz um pouso suave na superfície do cometa em 12 de novembro de 2014. Como a gravidade na superfície do cometa é muito fraca, a son- da ao pousar poderia ser rebati- da pela superfície e ser lançada de volta para o espaço (como uma bola quicando). Assim, o sistema de pouso da Philae utilizava dois arpões para conseguir se fixar na superfície. Porém os arpões não funcionaram como o esperado e a Philae acabou alojada na som- bra de um tipo de ravina. Inicia- va-se então uma corrida contra o tempo, estando numa região do cometa sem acesso à luz solar, o tempo de operação da bateria da Philae deveria ser utilizado para todas as análises possíveis. Enquanto conseguiu operar, a Phi- lae enviou muitos dados e a pri- meira imagem da superfície de um cometa. A orbitadora Rosetta per- maneceu funcionando até setem- bro de 2016, quando impactou na superfície do cometa. Dentre as descobertas realizadas, está a do campo magnético gera- do pelo núcleo do cometa, mes- mo com pouca intensidade, apre- senta uma oscilação em intervalos de 20 a 25 segundos. Foi verifica- do também que a água presen- te no núcleo tem uma proporção isotópica entre deutério e hidro- gênio diferente da água na Terra (o que diminui a possibilidade de origem cometária da água da Ter- ra). Também foram obtidos mais detalhes do mecanismo de fotoio- nização do vapor de água forman- do a coma. É importante frisar que entre a Ar- mada Halley e o pouso da Philae, existiram outras missões que tam- bém tinham como meta a análise de núcleos cometários. A lista a seguir cita alguns cometas, a mis- são e o ano em que foi realizada a aproximação: - 19P/Borrely (Deep Space, 2001) - 81P/Wild 2 (Stardust, 2004) - 9P/Tempel 1 (Deep Impact, 2005) - 103P/Hartley 2 (Deep Impact/ EPOXI, 2010) O futuro... E chegamos ao fim desta aventura pelos cometas. Vimos que os co- metas são observados desde os primeiros tempos da humanidade e sempre nos fascinaram de dife- rentes formas ao longo do tempo. Hoje, conseguimos pousar uma nave na superfície de um come- ta e encontrar muitas respostas, mas ainda há muitas perguntas Detalhe da superfície do cometa Churyumov-Gerasimenko.
Página 49
49 PARA SABER MAIS: a serem feitas. Atualmente, exis- tem missões planejadas para as- teroides. Uma é a missão da ESA ainda sem nome que pretende en- viar uma sonda para pouso em um cometa de longo período. Outra é a missão da CNSA denominada Zheng He, planejada para alcan- çar o cometa 133P. Certamente, vamos ter muitas respostas e novas questões vão surgir. De modo que agora os co- metas nos fascinam não apenas por sua aparição no céu, mas tam- bém pelo conhecimento que ad- quirimos no seu estudo. Fotos dos núcleos de cometa visitados por uma espaçonave. A literatura sobre cometas está mais fundamentada em artigos científi cos publicados em revistas especializadas. Entretanto, há livros de divulgação científi ca que nos trazem muitas informações sobre o assunto. Cometa, de Carl Sagan e Ann Druyan Introdução aos Cometas, de Ronaldo Rogério de Freitas Mourão Rosetta: a notável história do explorador europeu de cometas Site da UFRGS com informações didáticas sobre cometas: www. if.ufrgs.br/ast/solar/portug/comet.htm Rafael Cândido Jr. é graduado e mestre em Engenharia Química (USP). Integra o grupo de astronomia Arcturus, da UFABC.
Página 50
50
Página 51
51 Projeto Céu Profundo twitter.com/CeuProfundo youtube.com/ceuprofundo instagram.com/ceuprofundo
Página 52
52
Página 53
53
Página 54
54
