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18 de Julho, 2025

Edição 46

Capa da Edição 46 da Revista AstroNova
Preparando a revista…
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Conteúdo textual — Edição 46

Página 1

R E V I S T A D E D I V U L G A Ç Ã O D E A S T R O N O M I A E C I Ê N C I A S D A N A T U R E Z A
ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL TIANGONG
AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS
ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL
Ano 12 - Nº 46 - Julho/2025
R E V I S T A D E D I V U L G A Ç Ã O D E A S T R O N O M I A E C I Ê N C I A S D A N A T U R E Z A
ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL TIANGONG
AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS
ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL
A FASCINANTE HISTÓRIA DA
RADIAÇÃO CÓSMICA DE FUNDO
POR QUE É IMPORTANTE
ENSINAR ASTRONOMIA NAS ESCOLAS?
ASTEROID DAY NO
OBSERVATÓRIO ESTRELA DO SUL
COSMO-UEL:
DO PARANÁ AO UNIVERSO
A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Página 2

Conselho editorial:
Adriane Casteleira
Maico A. Zorzan
Rafael Cândido Jr.
Wilson Guerra
Redatores desta edição:
Adriane Casteleira
Luiz Felipe Demétrio
Maico Zorzan
Rafael Cândido Jr.
Ricardo Francisco Pereira
Sanderson C. Ribeiro
Arte e Diagramação:
Wilson Guerra
Astrofotos:
Adriane Casteleira
Bruna Mayato
Micheli Trindade Moura
Finalmente a equipe da
AstroNova traz a edição n.
46 da revista neste inverno
de 2025.
Começamos esta edição
com uma matéria do
engenherio Rafael Cândido
Jr., que nos conta com
precisão a história da
Radiação Cósmica de
Fundo, uma descoberta
fundamental na
Cosmologia do século XX.
Em seguida, o prof.
Ricardo Francisco Pereira
faz uma análise sobre a
importância da Astronomia
na Educação Básica,
refletindo sobre as
propostas sobre o tema
vindas com o Novo Ensino
Médio. O NEM passou por
reformulação que em 2026
já serão aplicadas em todo
o Brasil.
O físico Luiz Felipe
Demétrio, doutorando em
Cosmologia, junto com
Sanderson Carlos Ribeiro,
da mesma pós-graduação,
nos trás um panorama
bastante completo do
Grupo de Cosmologia da
UEL, Universidade
Estadual de Londrina,
onde estudam atualmente.
É um momento
interessante de tratar
sobre pesquisa
institucional com o público
leitor da AstroNova.
O matemático Maico
Zorzan nos traz alguns
aspectos da Inteligência
Artificial, mostrando que,
depois do hype inicial, o
balanço geral é muito
mais positivo que
negativo.
Por fim, a professora e
astrônoma amadora
Adriane Casteleira resume
o Asteroid Day ocorrido na
Observatório Estrela do
Sul (Sarandi/PR). Ela
esteve no evento, que já é
tradição na região e
aberto ao público em
geral.
Mas como sempre,
iniciamos com a agenda
de lançamentos espaciais
e um resumo das
atividades nas estações
espaciais Internacional e
Tiangong.
Uma boa leitura!
AstroNova . N.46 . 2025
EXPEDIENTE
EDITORIAL
Capa:
Lado oposto da Lua
09/07/2025
Orbitador Chang'e-6 (China)
Wilson Guerra
GCAA
Wilson Guerra
GCAA

Página 3

SUMÁRIO
09
23
Ano 12 | Edição nº 46 | 2025
17
A FASCINANTE HISTÓRIA DA
RADIAÇÃO CÓSMICA DE FUNDO
COSMO-UEL:
DO PARANÁ AO UNIVERSO
POR QUE É IMPORTANTE
ENSINAR ASTRONOMIA NAS ESCOLAS?
33 A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
37
ASTEROID DAY NO
OBSERVATÓRIO ESTRELA DO SUL

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PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE
Foguete: Falcon 9 (SpaceX)
Satélites Starlink
Local: base de Vandenberg
Data: 18/07/2025
Foguete: Falcon 9 (SpaceX)
Crew Dragon: tripulação Crew-11 para ISS
Local: cabo Canaveral
Data: 31/07/2025
Foguete: Antares (NG)
Cápsula Cygnus com mantimentos
para ISS
Local: Wallops Island
Data: 09/2025
Foguete: Soyuz 2 (Roscosmos)
SatéliteS Ionosfera-M 1 e 2
Local: Cosmódromo de Vostochny
Data: 25/07/2025
RÚSSIA RÚSSIA
Foguete: Soyuz 2 (Roscosmos)
Progress MS-32; mantimentos para ISS
Local: Cosmódromo de Baikonur
Data: 11/09/2025
Foguete: Soyuz 2 (Roscosmos)
Satélite Bion-M n.2
Local: Cosmódromo de Baikonur
Data: 20/08/2025
Foguete: New Glenn (Blue Origin)
Missão para recuperação do 1o estágio
Local: cabo Canaveral
Data: 15/08/2025
EUA EUA

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PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE
Foguete: GSLV-II (ISRO)
Satélite NI-SAR observação da Terra por radar
conjunto Nasa/Isro
Local: Centro Espacial Satish Dhawan
Data: 30/07/2025
Foguete: Long March 12 (CNSA)
Rede SatNet de satélites (CASC)
Local: centro espacial de Taiyuan
Data: 09/2025
Foguete: Long March 8 (CNSA)
Satélite polar da CASC
Local: base de Wenchang
Data: 08/2025
Foguete: Ariane 6 (Ariane Space)
Metop-SG A1 - satélite meteorológico
Local: Guiana Francesa
Data: 08/2025
EUROPA EUROPA
ÍNDIA ÍNDIA
CHINA CHINA

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Principais atividades:
abril a junho/2025
Principais atividades:
abril a junho/2025
ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL
Soyuz MS-28: Roscosmos (27/11/2025) Soyuz MS-28: Roscosmos (27/11/2025)
Próximas Expedições Próximas Expedições
Crew-11: SpaceX (07/2025) Crew-11: SpaceX (07/2025)
Tripulação atual Tripulação atual
A astronauta Nichole Ayers coloca amostras de sangue em
unidade de ambiente criogênico.
A astronauta Nichole Ayers coloca amostras de sangue em
unidade de ambiente criogênico.
Cápsula Dragon desacopla da ISS, voltando para a Terra
com tripulação da missão comercial da AxiomSpace.
Cápsula Dragon desacopla da ISS, voltando para a Terra
com tripulação da missão comercial da AxiomSpace.
Astronautas da missão comercia da AxiomSpace
descaregam material de pesquisa.
Astronautas da missão comercia da AxiomSpace
descaregam material de pesquisa.

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Estação Espacial Tiangong Estação Espacial Tiangong
Principais atividades: abril a junho/2025 Principais atividades: abril a junho/2025
Tripulação atual (Shenzhou-19) Tripulação atual (Shenzhou-19)
Taikonautas Chen Dong e Chen Zhongrui concluem
instalação de proteção contra detritos espaciais.
Taikonautas Chen Dong e Chen Zhongrui concluem
instalação de proteção contra detritos espaciais.
Tripulação descarregando material de pesquisa. Tripulação descarregando material de pesquisa.

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Página 9

09
Rafael Cândido Jr.
[email protected]
Utilizando um telescópio
óptico padrão, observamos o
espaço entre estrelas e
galáxias quase
completamente escuro. No
entanto, um radiotelescópio
suficientemente sensível
detecta um brilho de fundo
tênue, quase uniforme, que
não está associado a
nenhuma estrela, galáxia ou
outro objeto. Esse brilho é
mais intenso na região das
micro-ondas do espectro
eletromagnético e é
denominado radiação
cósmica de fundo. Neste
artigo, vamos conhecer um
pouco mais sobre este
fenômeno.
Do ferro em brasa à Física
moderna
Desde quando a
humanidade conseguiu
trabalhar metais, sabe-se
que com o aquecimento
destes ocorre a emissão de
uma certa luminosidade.
Este conhecimento tão
antigo só foi explicado no
início do século XX e envolve
conceitos de Mecânica
Quântica.
De forma simplificada, toda
matéria em uma
determinada temperatura
tem máxima densidade de
energia espectral em um
determinado comprimento
de onda. Assim, o ferro em
brasa, em uma temperatura
de 1200°C, por exemplo,
RADIOASTRONOMIA
A FASCINANTE HISTÓRIA DA
RADIAÇÃO CÓSMICA DE FUNDO
A FASCINANTE HISTÓRIA DA
RADIAÇÃO CÓSMICA DE FUNDO

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obedece a Lei de Wien, desde
a água em um copo ao
plasma de uma estrela azul.
Assim, se esta lei é válida em
todo o universo, a matéria
que não está em um corpo
celeste, ou seja, que esteja
dispersa, teria uma
temperatura extremamente
baixa e sua densidade de
energia espectral máxima
ocorreria em um
comprimento de onda muito
alto, ou seja, na região das
ondas de rádio.
Ruído em todas as direções
A primeira especulação
sobre uma radiação
remanescente do universo
primitivo foi proposta em
1931 pelo astrônomo belga
Georges Lemaitre. Em 1934,
o físico-matemático
estadunidense Richard
10
AstroNova . N.46 . 2025
emite luz porque sua
máxima densidade de
energia espectral ocorre em
um comprimento de onda
de luz visível.
Da mesma forma, o corpo
humano e de vários animais,
tem máxima densidade de
energia espectral
aproximadamente em 312 K
(aproximadamente 38°C),
cujo comprimento de onda
corresponde ao
infravermelho.
Esta relação entre
temperatura e o
comprimento de onda da
máxima densidade de
energia espectral é definido
pela Lei de Wien e é mais
facilmente entendido na
forma de um gráfico.
Toda matéria existente
Chace Tolman demonstrou
que a expansão do universo
esfriaria a temperatura desta
radiação, de modo que o
universo primitivo deveria
ser muito mais quente que o
atual.
A radiação cósmica de fundo
(RCF) recebeu este nome em
um artigo científico de 1948
escrito por Ralph Alpher e
Robert Herman. Em uma
revisão que prepararam para
o orientador de doutorado
de Alpher, George Gamow,
foi estimada a temperatura
desta radiação em 5 K, de
forma que o comprimento
de onda da radiação estaria
na faixa de micro-ondas.
A primeira consideração
sobre a detecção da RCF foi
citada em um artigo escrito
pelos cientistas soviéticos
Andrei Doroshkevich e Igor
Novikov (ambos ainda vivos
no momento da escrita deste
artigo) em abril de 1964.
Gráfico da Lei de Wien.
Nota-se que o pico da curva, para
diferentes temperaturas, ocorre
em diferentes comprimentos de onda.
Luminosidade emitida pelo ferro em brasa na temperatura de 1200°C.

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11
Na mesma época, Robert H.
Dicke, Jim Peebles, Peter Roll
e David Wilkinson,
astrofísicos da Universidade
de Princeton, preparavam-se
para procurar radiação de
micro-ondas. Dicke e seus
colegas concluíram que o
Big Bang deve ter espalhado
não apenas a matéria que se
condensou nas galáxias, mas
também liberado uma
tremenda explosão de
radiação. Com a
instrumentação adequada,
essa radiação deveria ser
detectável, ainda que sendo
micro-ondas, estas deveriam
estar com um enorme desvio
para o vermelho (conceito
definido por Edwin Hubble
no começo do século XX).
Enquanto isso, dois
funcionários dos
Laboratórios Bell Telephone,
os físicos Arno Penzias e
Robert Woodrow Wilson,
trabalhando nas instalações
da colina Crawford, nas
proximidades do município
de Holmdel, Nova Jérsei,
localizada a apenas 60 km
de distância da universidade
de Princeton; utilizaram a
estrutura de uma antena do
tipo corneta de 6 metros de
extensão originalmente
construída em 1959 para dar
suporte ao Projeto Echo, no
qual a NASA utilizava
grandes balões de plástico
aluminizado na estratosfera
como refletores para refletir
sinais de rádio de um ponto
da Terra para outro.
Para medir as fracas ondas
de rádio, eles tiveram que
eliminar toda a
interferência no seu
receptor. Desta forma,
removeram efeitos de sinais
de radar, de transmissões de
rádio e suprimiram até
mesmo o calor gerado no
circuito do receptor,
utilizando resfriadores
especiais com hélio líquido
(cuja temperatura é de -269
°C, ou seja, temperatura de
4 K).
Quando Penzias e Wilson
analisaram seus dados,
encontraram um ruído
baixo, constante e misterioso
que persistia em seu
receptor. Esse ruído residual
era 100 vezes mais intenso
do que eles esperavam e
estava presente dia e noite e
era uniformemente
distribuído pelo céu.
Chegaram até mesmo a
remover alguns ninhos de
pombos na antena e limpar
os excrementos acumulados
e o ruído permaneceu.E
assim verificaram que a
radiação detectada tinha o
comprimento de onda de
7,35 centímetros (4.080 MHz)
não era proveniente da Terra
ou do Sol; porém não
imaginavam qual seria a
origem daquele ruído.
Ao comentar sobre este
ruído com seu amigo
Bernard Burke, professor de
Física do MIT e descobridor
das emissões de rádio
decamétricas de Júpiter;
Penzias soube que havia um
pré-artigo escrito pelo
cientista canadense Jim
Peebles sobre a possibilidade
de se encontrar a radiação
remanescente do Big Bang.
Assim, Penzias e Wilson
Richard C. Tolman e Albert Einstein em uma aula na Caltech, 1932
AstroNova . N.46 . 2025

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12
Figura 9
12
começaram a perceber a
importância do ruído que
haviam descoberto. As
características da radiação
detectada por Penzias e
Wilson se encaixavam
exatamente na radiação
prevista por Robert H. Dicke
e seus colegas da
Universidade de Princeton.
Penzias ligou para Dicke em
Princeton, que
imediatamente lhe enviou
uma cópia do artigo de
Peebles, ainda não
publicado. Penzias leu o
artigo e ligou para Dicke
novamente realizando um
convite para que Dicke e sua
equipe viesse observar a
antena e ouvir o ruído
encontrado. Dicke, Peebles,
Wilkinson e Roll
interpretaram essa radiação
como a “assinatura” do Big
Bang.
Para evitar potenciais
conflitos acadêmicos,
decidiram publicar seus
resultados em conjunto.
Duas notas foram enviadas
às pressas para o
AstrophysicalJournalLetters.
Na primeira, Dicke e seus
associados destacaram a
importância da radiação
cósmica de fundo como
comprovação da Teoria do
Big Bang. Em uma segunda
nota, assinada
conjuntamente por Penzias
e Wilson, intitulada “Uma
medição do excesso de
temperatura da antena a
4080 megaciclos por
segundo”, eles relataram a
existência de um ruído de
fundo residual de 3,5 K,
permanecendo após
contabilizar um
componente de absorção do
céu de 2,3 K e um
componente instrumental
de 0,9 K, e atribuíram uma
explicação possível dada por
Dicke em sua carta
A antena corneta de Holmdel com Penzias e Wilson em 1964.
Arno Penzias (1933-2024) e Robert Woodrow Wilson (1936) perante a
antena em 2014, nas comemorações dos 50 anos da descoberta da
radiação cósmica de fundo.
AstroNova . N.46 . 2025

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13
complementar.
Em 1978, Penzias e Wilson
receberam o Prêmio Nobel
de Física por sua descoberta
conjunta. Eles dividiram o
prêmio com o cientista
soviético Pyotr Kapitsa, que
o recebeu por um trabalho
sobre Física de temperaturas
extremamente baixas. Em
2019, Jim Peebles também
recebeu o Prêmio Nobel de
Física pelas descobertas
teóricas em cosmologia
física.
A estrutura da antena utilizada por Penzias e Wilson continua de pé na
colina Crawford e é tombada pelo NationalHistoricLandmark. Porém, não
é mais utilizada a muito tempo. (Foto realizada em 3 de junho de 2023 por
Jonathan Schilling)
Medindo a radiação no espaço
As inúmeras dificuldades
experimentais para a
medida da RCF na Terra,
levaram ao desenvolvimento
de satélites específicos para
esta pesquisa. O primeiro
satélite construído para isso
foi o soviético Prognoz 9,
lançado em 1 de julho de
1983 com o experimento
RELIKT-1 verificou que a RCF
não estava tão
uniformemente distribuída
como se pensava. A essas
diferenças de distribuição
dá-se o nome de
anisotropias.
O satélite Explorador de
Fundo Cósmico (Cosmic
Background Explorer, COBE)
da NASA, que orbitou a Terra
entre 1989 e 1996, detectou
e quantificou as anisotropias
em larga escala no limite de
sua capacidade de detecção.
A equipe que analisou os
dados obtidos recebeu o
Prêmio Nobel de Física de
2006 por esta descoberta.
Em junho de 2001, a NASA
lançou um segundo satélite
para explorar a RCF.
Denominado WMAP
(Wilkinson
MicrowaveAnisotropyProbe;
Sonda de anisotropia de
micro-ondas Wilkinson), este
satélite realizou medições
muito mais precisas das
anisotropias em larga escala
em todo o céu. Os resultados
obtidos são amplamente Representação artística da sonda COBE.
AstroNova . N.46 . 2025

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consistentes com a teoria do
Big Bang com inflação
cósmica.
Uma terceira missão
espacial, a Planck Surveyor,
da Agência Espacial
Europeia (ESA), foi lançada
em maio de 2009 e realizou
uma investigação ainda
mais detalhada até ser
desativada em outubro de
2013. A Planck mediu a
radiação cósmica de fundo
com uma precisão maior
que a WMAP; produzindo as
medições mais precisas até o
momento.
Em 21 de março de 2013, a
equipe responsável pela
Planck Surveyordivulgou o
mapa da RCF do céu
completo. A partir deste
14
Uma comparação das sensibilidades do WMAP, do COBE e
da antena corneta de Penzias e Wilson (dados simulados).
Anisotropia da radiação cósmica de fundo no céu obtida pela Planck
Surveyor. As manchas azuis mais intensas representam a
temperatura de 0,26 K. As manchas alaranjadas mais intensas
representam a temperatura de 9,66K.
mapa, verificou-se que o
universo é um pouco mais
antigo do que os
pesquisadores esperavam e
que as flutuações sutis de
temperatura da RCF
começaram quando o
cosmos tinha cerca 370.000
anos. Com base nos dados de
2013, o universo contém
4,9% de matéria comum,
26,8% de matéria escura e
68,3% de energia escura. Em
5 de fevereiro de 2015, novos
dados foram divulgados e
atualmente, tem-se que a
idade do universo é de
13,799 ± 0,021 bilhões de
anos e a constante de
Hubble (taxa de expansão do
universo) foi medida em
67,74 ± 0,46 (km/s)/Mpc.
Rafael Cândido Jr. é graduado
e mestre em Engenharia
Química. Integra o grupo de
astronomia Arcturus, da UFABC.
Para saber mais:
AstroNova . N.46 . 2025

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Região de Touro e as Plêiades
01/01/2025
Campina da Logoa - PR - Brasil
Astrofotógrafa: Micheli Trindade Moura
Região de Touro e as Plêiades
01/01/2025
Campina da Logoa - PR - Brasil
Astrofotógrafa: Micheli Trindade Moura

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POR QUE É IMPORTANTE
ENSINAR ASTRONOMIA NAS ESCOLAS?
Ricardo Francisco Pereira
www.recursosdefisica.com.br
Olhando para o céu em uma
noite escura, podemos ver
um grande número de
estrelas. Um pouco mais de
5000 objetos entre as mais
de 200 bilhões de estrelas
que habitam somente a
nossa galáxia, a Via Láctea.
Nossa curiosidade vai
aumentando à medida que
observamos com cuidado o
céu que nos parece envolver.
Nele, podemos distinguir
muitos objetos
completamente diferentes.
Alguns são brilhantes,
outros são difusos, alguns
cintilam, há estrelas com
diferentes cores, algumas
regiões parecem indicar
falta de estrelas, mostrando-
se muito escuras, já outras
regiões são muito mais
brilhantes, em algumas
épocas, um cometa aparece
no céu, com sua cauda,
subitamente, um risco
luminoso no céu chama
nossa atenção. Há muitos
mistérios e uma simples
observação a olho nu nos
mostra uma variedade tão
grande de objetos a serem
estudados. Imagine o que é
revelado quando usamos os
potentes telescópios de hoje!
Em todo o Universo, seja
qual for a distância
considerada, encontramos
objetos celestes com
propriedades diferentes.
Esta enorme riqueza da
Astronomia que nos
incentiva a estudar os vários
objetos celestes com
equipamentos e técnicas
cada vez mais sofisticadas e
completamente diferentes.
Cada objeto apresenta uma
pergunta, cada pergunta
uma surpresa e cada
surpresa, a certeza de que
ainda sabemos muito pouco.
A beleza da Astronomia
reside nesse ponto, na
grandeza dos objetos
celestes e nas suas
estranhezas com o que
consideramos o “normal” no
nosso planeta. No Sistema
Solar, existem oito planetas,
alguns planetas-anões e, fora
do Sistema Solar, já foram
detectados quase 6000
exoplanetas orbitando
outras estrelas, formando
outros sistemas estelares.
Cada sistema estelar e seus
planetas possuem
características próprias.
Conhecer essas
características nos mostra
como nosso planeta é frágil
e um grãozinho de areia
frente à imensidão do
Cosmos.
A Astronomia é a mais
EDUCAÇÃO

Página 18

antiga Ciência desenvolvida
pela civilização humana e
tem fascinado e ajudado as
pessoas desde muito tempo
atrás. Além do fascínio,
várias outras sensações
podem surgir ao observar o
céu, tais como: imensidão,
solidão, beleza, mistério,
curiosidade e até mesmo
sentimentos românticos.
Toda essa introdução é para
mostrar que a Astronomia
faz parte do nosso dia a dia
há muito tempo e o quão
fascinante ela é. Entretanto,
quando falamos dela nas
escolas, há muito mais
problemas do que
gostaríamos que existissem.
Por mais que conteúdos de
Astronomia sempre
estiveram nas componentes
curriculares do Ensino
Fundamental II, ela sempre
foi, muitas vezes, deixada de
lado pelos professores, e há
um motivo principal para
isso. Até pouco tempo atrás,
os cursos de licenciatura em
Ciências e Biologia não
tinham uma disciplina de
Astronomia em sua grade
curricular, então esses
professores nunca tiveram
contato com a Astronomia
durante as suas respectivas
formações. Por isso, a
Astronomia nunca foi bem
trabalhada nas escolas.
Porém, na atualidade, para
quem realmente se interessa
por essa Ciência, há muita
Astronomia no meio da
divulgação científica nas
redes sociais, em especial no
YouTube. Há muita
cobertura de lançamento de
foguetes e notícias em geral,
mas em especial envolvendo
os telescópios espaciais
Hubble e o James Webb. Por
causa disso, há muito
conteúdo de Astronomia e
com facilidade de acesso, o
que na minha modesta
opinião, compensa a falta de
Astronomia nas escolas. Mas
é uma pena que a
Astronomia é mais
conhecida pela internet do
que na escola.
Apresenta-se a seguir alguns
pontos importantes a favor
do ensino da Astronomia
nas escolas, seja no Ensino
Fundamental, seja no Novo
Ensino Médio:
1. Despertar o interesse pela
Ciência: Por despertar a
curiosidade nas pessoas
sobre assuntos como:
Cometas, Asteroides,
Planetas, Estrelas, Buracos
Negros, busca de vida fora
da Terra e Galáxias, por
exemplo, pode-se aproveitar
essa curiosidade nas várias
disciplinas escolares.
Basicamente é aproveitar o
que gera interesse nos
alunos para apresentar e
discutir os conteúdos
respectivos de cada
disciplina;
2. Promove o pensamento
crítico e científico: Como a
Astronomia é a Ciência que
estuda o Universo e a grande
maioria dos objetos de
estudo estão muito longe de
nós, é importante entender
como funciona a Ciência e o
método científico para
entender como a
Astronomia consegue
estudar o Universo e tentar
entender como ele funciona.
18
AstroNova . N.46 . 2025
Telescópio Espacial James Webb. Fonte: ClickRBS

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Cometa C/2023 A3 Tsuchinshan ATLAS
Astrofotógrafo: Felipe Sérvulo
17/09/2024
Taperoá - PB
19
A partir disso, pode-se
trabalhar a questão sobre
conhecimento científico,
desenvolvendo assim, um
senso crítico diante de
tantas informações, crenças
e pseudociências;
3. Contextualiza
conhecimentos e
tecnologias: grande parte
das pessoas não tem a
menor ideia das
contribuições da Astronomia
para o conhecimento e as
tecnologias que fazem parte
do nosso dia a dia e que
poderiam ser usadas como
um “gancho” para
contextualizar a relação da
Astronomia com as
disciplinas escolares, por
exemplo: as câmeras digitais
dos smartphones, roupa de
bombeiros, termômetro
auricular (infravermelho),
detectores de fumaça,
antenas de TV por satélite,
filtros de água e
purificadores de ar, espuma
viscoelástica (travesseiros e
colchões), tênis de corrida
(que absorve impactos),
termômetro em cápsula
(ingerível), comida enlatada
enriquecida (com alto valor
nutricional), tecnologia de
compressão (digital) de
vídeos, equipamentos
wireless, isolantes térmicos,
o GPS, satélites de
comunicação,
processamento de imagens
médicas, baterias
recarregáveis de longa
duração, roupas esportivas,
previsão do tempo e
monitoramento ambiental,
software de análise de
grande quantidade de dados,
dentre muitas outras coisas;
4. Contribui para a educação
ambiental: Estudar o planeta
Terra, por exemplo, pode
ajudar os alunos a
compreenderem a
fragilidade do nosso
ambiente e a importância de
preservá-lo, especialmente
quando estudamos as
condições ambientais dos
demais planetas do Sistema
Solar e suas respectivas luas
e vemos que as condições
ambientais em nosso
planeta são únicas e
impossíveis de serem
recriadas nesses outros
corpos celestes.
5. Incentiva a imaginação e a
criatividade: Ao estudar o
Universo, seu
funcionamento, seus
diversos objetos e seus
respetivos mistérios que
Buraco Negro da galáxia M87. Primeira fotografia de um Buraco Negro.
Fonte: Olhar Digital
Sistema estelas Trappist 1.
Fonte: http://e.glbimg.com/og/ed/f/original/2020/07/31/239035_web.jpg
AstroNova . N.46 . 2025

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Cometa C/2023 A3 Tsuchinshan ATLAS
Astrofotógrafo: Felipe Sérvulo
17/09/2024
Taperoá - PB
20
ainda não sabemos explicar,
como por exemplo: a
matéria escura, a energia
escura e possíveis outras
formas de vida, podem
estimular a imaginação e a
criatividade nos alunos e o
desejo de descobrir e/ou
entender os mistérios do
Universo. Isso pode ser a
fonte de inspiração de
futuros cientistas e
engenheiros.
6. Valoriza a História da
Ciência: os primeiros
registros astronômicos
detalhados sobre
observações do céu datam de
pôr volta do ano 3500 antes
de cristo, pelos sumérios e
depois os babilônios, na
antiga Mesopotâmia, onde
hoje é o Iraque. Eles usavam
tábuas de argila gravadas
com escrita cuneiforme.
Todas as grandes civilizações
antigas, os chineses, os
egípcios, os gregos, os maias
e os indus, como exemplo,
utilizavam observações
regulares do céu para
orientações, elaborar
calendários, definir épocas
de plantação e colheita e
rituais diversos. Estudar
essas contribuições ajuda a
valorizar o patrimônio
cultural humano e a
entender como a Ciência foi
construída ao longo do
tempo.
Então voltamos a pergunta
do título, “Por que é
importante ensinar
Astronomia nas escolas?”
Por ser fascinante, a
Astronomia tem a
capacidade de despertar a
curiosidade nas pessoas ao
conectá-las ao Universo,
podendo promover uma
visão mais ampla da
realidade onde elas vivem e
na escola. Pode-se
potencializar essa
curiosidade com os alunos
recebendo um ensino
formal sobre esse conteúdo.
Outra grande vantagem é
que a Astronomia é uma
Ciência interdisciplinar com
ramificações em várias
outras áreas, por exemplo:
na Biologia com a
Astrobiologia, na Física com
a Astrofísica, na Química
com a Astroquímica.
Também há ligações com
disciplinas como a
Matemática, a Geografia, a
História, Artes e a Filosofia.
Assim, a Astronomia pode
ser a ponte que facilita a
integração entre várias
disciplinas, o que tem o
potencial de tornar o
aprendizado mais
interessante e significativo,
algo que precisamos
urgentemente que aconteça
em nosso péssimo sistema
educacional.
Ricardo Francisco Pereira é
professor do Departamento de Física
da UEM. Graduado em Física, é
mestre e doutor em Educação para a
Ciência e Matemática. Mantém a
página Recursos de Física .
Para saber mais:
Guia Mangá do Universo
(Editora Novatec), de Kenji
Ishikawa, Kiyoshi Kawabata e
Verte Corp.
Guia ilustrado Zahar:
Astronomia (Editora Zahar), de
Ian Ridpath
O ABCD da Astronomia e
Astrofísica (Editora Livraria da
Física), de J. E. Hovarth
Astrofísica para apressados
(Editora Planeta), de Neil
deGrasse Tyson
Lançamento de foguete. Fonte: Olhar Digital
AstroNova . N.46 . 2025

Página 21

www.
RECURSOSdeFÍSICA
.com.br
Página que socializa produção de recursos de ensino adaptados à
sala de aula e aos professores. Material produzido nas disciplinas do
curso de Licenciatura em Física da UEM e em outros projetos
coordenados pelo prof. Dr. Ricardo Francisco Pereira.

Página 22

Constelações do Centauro, Cruzeiro do Sul e Mosca
27/05/2025
Itaúnas - Conceição da Barra/ES
Astrofotógrafa: Bruna Mayato
Constelações do Centauro, Cruzeiro do Sul e Mosca
27/05/2025
Itaúnas - Conceição da Barra/ES
Astrofotógrafa: Bruna Mayato

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ACADÊMICO
Luiz Felipe Demétrio &
Sanderson Carlos Ribeiro
Na edição 42 da AstroNova
foi respondida a pergunta
“O que é Cosmologia?”.
Embarcamos em uma
jornada — ao infinito e além
— pelo Cosmos, desvendando
os conceitos fundamentais
dessa ciência que estuda a
origem, a estrutura e a
evolução do Universo desde
o “Big Bang”. Nesta edição
surge uma pergunta natural:
quem são as mentes que se
dedicam a responder esses
questionamentos tão
profundos?
Para entender a importância
dessa busca, vale lembrar as
palavras do célebre
cosmólogo brasileiro Mário
Novello, para quem
“A cosmologia deve ser pensada
como algo mais que sua
caracterização como uma física
de grandes dimensões para
poder ser tratada como a
ciência da totalidade,
recuperando, dessa maneira,
sua formulação original.”
— Mario Novello em “O que é
Cosmologia?” [1].
É justamente essa visão da
Cosmologia como uma
"ciência da totalidade" que
inspira pesquisadores em
todo o mundo. E, engana-se
quem pensa que essa busca
acontece apenas em
observatórios ou em grandes
institutos internacionais. A
ciência que estuda o
Universo como um todo
também tem um endereço
local, na região norte do
Paraná. Neste texto, vamos
dar um rosto e um lar a essa
investigação, apresentando o
Grupo de Cosmologia
(Cosmo-UEL) da Universidade
Estadual de Londrina (UEL).
Conheceremos a história,
atividades e contribuições
de uma equipe que tem se
empenhado para desvendar
os segredos do Universo,
mostrando como a ciência
global se constrói a partir da
excelência local.
Mas como, exatamente, um
grupo paranaense participa
dessa ciência global? A
resposta está conectada com
23

Página 24

a revolução da internet, que
transformou a vida humana
e o trabalho, redefinindo
também a ciência, em
especial a Cosmologia. A
capacidade de analisar
gigantescos volumes de
dados — os mesmos que
alimentam tecnologias
como o ChatGPT —
inaugurou a chamada era da
Cosmologia de Precisão. O
nome é autoexplicativo e
usado por diversos autores
[2]: com mais dados, a
ciência que estuda o
Universo alcança resultados
cada vez mais rigorosos e
detalhados.
A era da Cosmologia de
Precisão é global e mudou a
forma como se faz pesquisa,
exigindo grandes
colaborações para analisar
os gigantescos volumes de
dados. Nesse sentido, o
Grupo de Cosmologia da
UEL não ficou de fora, com
seus integrantes sendo
membros de várias
colaborações internacionais.
Essa inserção no cenário
mundial, no entanto, não
aconteceu da noite para o
dia: ela é o fruto de uma
semente plantada há mais
de uma década. Portanto,
antes de detalharmos os
projetos de ponta de hoje,
vamos voltar à sua origem
para entender como os
alicerces dessa história de
sucesso foram construídos.
1. História do Cosmo-UEL
A história do Grupo de
Cosmologia da UEL começa
no dia 08 de junho de 2010,
mesmo dia da posse do
Professor Thiago dos Santos
Pereira no Departamento de
Física. Idealizador e membro
fundador do grupo, o
professor iniciou as
atividades do Cosmo-UEL
com o objetivo de consolidar
uma linha forte e inovadora
em Cosmologia e áreas
correlatas no Paraná.
Reconhecido pelo Diretório
1
de Grupos de Pesquisa do
2
CNPq , o Grupo de
Cosmologia da UEL,
atualmente, pode ser
considerado como o maior —
não só em quantidade de
integrantes, como também
em qualidade dos trabalhos
— grupo de Cosmologia do
Sul do Brasil.
Desde então, o grupo passou
por sua própria "expansão
cósmica", crescendo em
escopo e número. Hoje,
reúne mais de 23
participantes, entre
pesquisadores de iniciação
científica, mestrado,
doutorado e docentes;
formando um ambiente
ativo de pesquisa e formação
acadêmica com um único
objetivo em comum:
compreender o Universo
como um todo — sua
organização, composição e
evolução. Dentre os
docentes/orientadores atuais
do grupo estão, além do
Professor Thiago já
mencionado, os Professores
Sandro Dias Pinto Vitenti e
Oton Henrique Marcori; e as
Professoras Mariana Penna
Lima Vitenti e Rita de Cássia
dos Anjos. Todos esses
profissionais e seus
estudantes colaboram de
diversas formas para a
fluidez dos trabalhos na
área de Cosmologia. Esse
trabalho colaborativo se
organiza em torno de três
frentes principais, que
formam os pilares de
atuação do grupo.
2. Os 3 pilares presentes no
Grupo de Cosmologia
Em perfeita sintonia com a
missão da universidade
pública, o Cosmo-UEL
fundamenta suas atividades
nos três pilares que a
sustentam: Ensino, Pesquisa
e Extensão. Esses elementos
não atuam de forma isolada;
pelo contrário, são
interligados para sustentar a
missão do grupo de
promover o avanço do
conhecimento científico,
formar profissionais
qualificados e estabelecer
24
1 Link: http://dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/4777503125117910 .
2 Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento.
AstroNova . N.46 . 2025

Página 25

25
vínculos produtivos com a
comunidade acadêmica e a
sociedade em geral.
O Ensino é valorizado
através da participação dos
membros do grupo em
monitorias, auxílio em
disciplinas e na oferta de
minicursos especializados. A
Pesquisa concentra-se em
temas de fronteira da
Cosmologia, gravitação e
astrofísica, envolvendo
abordagens teóricas,
observacionais e
computacionais. Já a
Extensão busca aproximar a
ciência do público,
promovendo divulgação,
eventos e atividades que
contribuem para a
popularização do
conhecimento e a formação
de novos talentos.
Embora tenhamos
apresentado os três pilares
na ordem tradicional de
Ensino, Pesquisa e Extensão,
vamos detalhar as atividades
em uma sequência um
pouco diferente. Iniciaremos
pelo Ensino e pela Extensão,
e deixaremos a Pesquisa por
último — não por ser menos
importante, mas, pelo
contrário, por ser o "prato
principal". Como atividade
central que define o grupo,
daremos a ela um destaque
especial ao final.
a) Ensino
As atividades de Ensino do
grupo refletem o
compromisso com a
formação sólida e
qualificada dos seus
integrantes e outros
estudantes. Nesse contexto,
os participantes do grupo
atuam como monitores em
disciplinas fundamentais,
como Relatividade Geral,
Mecânica Quântica e Física
Matemática, além de
colaborarem como
auxiliares dos professores(as)
do Departamento de Física.
Essas atividades contribuem
para o desenvolvimento do
aprendizado dos estudantes,
aproximando-os dos
conceitos avançados da
Física Teórica e
proporcionando, também,
uma valiosa experiência em
docência.
Para complementar essa
formação, o grupo organiza
regularmente minicursos
em temas relevantes,
incluindo programação em
Python, análise de dados e
Relatividade Geral. Essas
iniciativas promovem o
desenvolvimento de
competências técnicas
essenciais para a pesquisa
científica, ampliando a
preparação dos alunos para
os desafios acadêmicos e
profissionais.
Em nome do grupo,
estendemos um convite a
docentes, coordenadores e
diretores de colégios e
instituições de ensino
superior. Caso tenham
AstroNova . N.46 . 2025

Página 26

26
interesse em levar
minicursos, palestras ou
workshops sobre Cosmologia
e temas correlatos para seus
estudantes, estamos à
disposição. Para discutir
formatos, temas e
possibilidades, basta entrar
em contato através do nosso
perfil no Instagram,
.
b) Extensão
No âmbito da Extensão
Universitária, o Grupo de
Cosmologia busca levar o
conhecimento científico
para além dos muros da
@cosmologia.uel
universidade, aproximando
a sociedade das descobertas
e debates da Física e
Cosmologia. Por meio de
palestras, workshops,
eventos de divulgação
científica e participação em
feiras, o grupo promove a
popularização da ciência e
estimula o interesse de
jovens e da comunidade em
geral pela área.
Uma das iniciativas de
maior destaque foi a estreia
do grupo no Pint of Science
2025 — o maior festival
mundial de divulgação
científica, que aproxima
pesquisadores e o público
em ambientes descontraídos
— gerando grande
visibilidade para o grupo. A
edição de 2025 foi notável: o
Brasil foi o país com mais
cidades participantes no
mundo (169), e Londrina — a
casa do grupo — brilhou ao
registrar o maior
engajamento nacional.
Durante os três dias desta
edição, foram:
- 60 palestrantes;
- 70 voluntários;
- 8 instituições de ensino;
- 28 temas diferentes;
- 10 locais: 8 bares + 2
cafeterias
- público de mais de 1300
pessoas
A noite dedicada à
Cosmologia, apresentada
pelos membros do grupo, foi
um dos pontos altos,
atraindo um público de mais
de 130 pessoas interessadas
em desvendar os segredos do
Universo; até a Rede Globo
esteve presente, e o Grupo
apareceu em destaque na
reportagem da RPC TV [3]
sobre o sucesso do evento
em Londrina.
Além disso, o grupo
contribuiu com publicações
em revistas de divulgação
científica, como o Newston
3
Jornal da UEM, um projeto
que atualmente se encontra
Minicurso de Introdução à Relatividade Geral ministrado pelo
Grupo de Cosmologia na Semana da Física 2024 da UEL.
AstroNova . N.46 . 2025

Página 27

26
em hiato, e a AstroNova (que
você, caro leitor, lê nesse
exato momento), ampliando
o alcance de temas
relacionados à Física e
Cosmologia para um público
mais amplo. A participação
em eventos regionais como o
Paraná Faz Ciência e a Feira
das Profissões da UEL reforça
o compromisso com a
formação e orientação de
jovens interessados em
seguir carreira científica.
O diálogo com a sociedade é
um pilar fundamental para
o grupo. Essa atuação se dá
tanto em espaços físicos,
com palestras em
instituições culturais como a
Academia de Letras, Ciências
e Artes de Londrina (ALCAL),
quanto no ambiente digital.
Nesta frente online, o grupo
mantém um perfil ativo no
Instagram, o
@cosmologia.uel, que
funciona como um canal
direto com o público. Por lá,
são divulgadas desde
discussões de artigos no
Journal Club da Cosmologia
— um espaço de debate
gratuito e aberto a todos —
até novidades da área,
curiosidades e memes para
engajar a comunidade.
Olhando para o futuro, a
intenção é ampliar ainda
mais essa presença em todas
as frentes, com projetos para
levar a Cosmologia à
Biblioteca Pública e para
ocupar novos espaços na
mídia, como rádio, podcasts,
jornais e TV.
c) Pesquisa
Como um grupo de pesquisa
reconhecido pelo CNPq, as
principais atividades do
Cosmo-UEL se referem à
pesquisa. No caso, devido à
grande quantidade de
pesquisadores — tanto
efetivos quanto de pós-
graduação — o Cosmo-UEL
tem atuado nas mais
diversas linhas de pesquisa.
Seguindo a divisão
tradicional, podemos
agrupá-las em três grandes
frentes. Para visualizar como
nossas pesquisas se
organizam, preparamos o
diagrama acima. Nele, você
encontrará as subáreas da
Cosmologia que exploramos,
uma explicação simples de
cada uma e uma seleção dos
temas que mais nos
fascinam.
Aqui, seria ambicioso
demais explicar cada uma
destas linhas de pesquisa,
então nos limitamos a
Da Esquerda para a Direita: Marcelo Klug,
William Araújo, Sanderson C. Ribeiro, Luiz
Felipe Demétrio e Gustavo Barreto, integrantes
do Cosmo-UEL.
3 Edições disponíveis em: newston.com.br ou pelo drive:
https://drive.google.com/drive/folders/1FbL4MqIMpF6chux5QbDVhHFrDrhzHxMa?usp=sharing. Chamamos atenção
para a última coleção — “História do Universo” — desenvolvida por Luiz Felipe Demétrio.
AstroNova . N.46 . 2025

Página 28

À esquerda, visualização do efeito de lenteamento gravitacional:
objetos massivos desviam a trajetória da luz. À direita, um mapa
dos céus feito usando dados cosmológicos — cada ponto azul é um
aglomerado de galáxias no céu.
Logotipo da biblioteca NumCosmo.
28
mencioná-las: elas ficam
para textos futuros. Faremos
então um panorama geral
das linhas de pesquisa,
detalhando um pouco mais
aquelas com as quais
trabalhamos, pois são as que
estamos mais familiarizadas.
Vamos fazer o caminho
inverso do diagrama.
Nas implementações de
ferramentas numéricas,
provavelmente o maior
resultado do grupo tem sido
o desenvolvimento da
Numerical Cosmological
Library — NumCosmo (link:
https://github.com/NumCos
mo/NumCosmo). A
biblioteca reúne diversas
ferramentas que podem ser
usadas por outros
cosmólogos, com a maior
parte dos membros do grupo
atuando como
desenvolvedores. A maioria
dos programas usados nas
outras linhas de pesquisa
são também implementados
para uso de outras equipes
mundo afora. E mais ainda:
ao ser comparada com
outras bibliotecas — como a
4
muitíssimo usada CLMM —
a NumCosmo tem exibido
resultados promissores,
sendo mais rápida e precisa,
exibindo alto potencial de
ser usada em grandes
colaborações. Menções
honrosas incluem o
algoritmo APES de análises
estatísticas; a biblioteca
AniClass
(https://github.com/CyrilPitr
ou/aniclass/wiki) para
análises de RCF em modelos
anisotrópicos; e o uso de
vetores de multipolo —
biblioteca polyMV, ver
[email protected]:oliveirara/p
olymv.git — também para
RCF.
No setor observacional,
chamamos atenção para os
trabalhos relativos a análises
de dados de aglomerados de
galáxias, considerados
objetos importantíssimos
para entender nosso
universo. Isso se deve a
vários fatores, com destaque
para o lenteamento
gravitacional — um efeito de
lente causado pela
gravidade. Assim como o seu
óculos desvia a luz para você
enxergar, a gravidade afeta o
percurso da luz, gerando
este efeito engraçado (ver
Figura abaixo). Ele então
pode ser usado para criar
mapas de nosso universo:
onde há mais objetos, há
mais massa: mais
lenteamento. Além disso, os
aglomerados podem ser
4 CLMM: Core cosmological library.
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Página 29

29
usados para testar a
expansão acelerada do
Universo, ajudando a
entender propriedades da
Energia Escura — uma forma
de energia cuja natureza
ainda é um mistério. Aqui,
cabe ressaltar que
integrantes do grupo estão
filiados a projetos de
análises desses objetos nas
colaborações internacionais
LSST-DESC e J-PAS, melhor
discutidas na próxima seção.
Isso ressalta o papel do
Cosmo-UEL na ciência
paranaense e sua conexão
com a ciência global,
destacando suas
contribuições de pesquisa de
ponta.
Fechamos então com a parte
teórica. Nosso grupo tem
atuado principalmente em
modelos para o universo
primordial — de mais de 13
bilhões de anos atrás. Devido
à expansão do universo, ele
era muito “menor” nessa
época, e a cosmologia
precisa então lidar com os
efeitos das coisas muito
pequenas: os efeitos
quânticos. Estes geram
consequências
interessantíssimas, como a
formação de Buracos Negros
Primordiais. Estes são
modelados usando o que
chamamos de Teoria
Quântica de Campos em
Espaços Curvos, exigindo
formalismos matemáticos
muito avançados, nos quais
o grupo tem atuado. E não
só isso: também
desenvolvemos diversos
trabalhos tentando resolver
o chamado Problema da
Singularidade Primordial,
que se refere ao fato de que,
em certo ponto do passado,
não se pode mais descrever o
Universo usando a teoria da
Relatividade Geral de
Einstein. Esses modelos são
conhecidos como Modelos
6
de Universo Eterno , nos
quais o grupo já publicou
diversos trabalhos. E claro,
todos os modelos teóricos
precisam ser validados por
dados observações, que por
sua vez usam os programas
desenvolvidos, exibindo a
interconexão entre as
frentes de pesquisa do
grupo.
Essa dependência de dados
de alta precisão — tanto para
estudar o Universo mais
recente quanto o primordial
— nos leva a uma pergunta
fundamental que o leitor
pode estar se fazendo: como
um grupo paranaense
consegue acesso a volumes
tão gigantescos de
informação e participa
dessas análises de ponta? A
resposta está em um dos
aspectos mais importantes
da ciência moderna.
3. Colaborações internacionais
Estes projetos maiores são
feitos em conjunto com as
grandes colaborações
internacionais das quais o
grupo participa. Essas
cooperações também
oferecem outros recursos
usados eventualmente pelo
grupo, como o uso de
7
supercomputadores e
financiamentos para
participação em congressos
científicos.
O principal papel das
grandes colaborações é
organizar os pesquisadores
em equipes para analisar
dados de telescópios e/ou
observatórios. Cada uma
analisa um tipo de
informação do universo,
com as principais que o
grupo participa sendo:
1. Large Survey of Space Time -
Dark Energy Science
Collaboration — LSST-DESC
( /) : dados
relativos a aglomerados de
https://lsstdesc.org
5 “APES”, vem do inglês “macacos”, se referindo à forma de alguns gráficos, que lembram bananas,
https://arxiv.org/pdf/2303.13667.
6 Também conhecidos como modelos de Bounce, do inglês “ricochete”. A expressão se refere ao fato de que esses
modelos assumem que, antes do Big Bang, o universo passou por uma fase de contração até fazer um ricochete
(bounce) e se conectar com o Big Bang.
7 No caso, os integrantes do grupo têm acesso ao National Energy Research Scientific Computing Center (NERSC) e
ao supercomputador do Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (LIneA), ambos acessados online.
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30
galáxias;
2. Javalambre Physics of the
Accelerating Universe
Astrophysical Survey — J-PAS
( ):
galáxias, estrelas,
supernovas, quasares;
3. Collaboration for
Observations, Models and
Predictions of Anomalies and
Cosmic Topology — COMPACT
(
) : foco em
análises do formato de nosso
Universo;
4. Observatório Pierre Auger
( ):
dados de raios cósmicos;
5. Observatório Cherenkov
Telescope Array - CTA
( ):
observações dos chamados
raios gama.
Os pesquisadores do grupo
então desenvolvem e testam
https://www.j-pas.org/
https://github.com/Compact
Collaboration
https://www.auger.org/
https://www.ctao.org/
ferramentas para serem
usadas nessas colaborações
— deixando tudo pronto
para quando os dados
chegarem. A NumCosmo,
por exemplo, tem sido usada
para validar a biblioteca de
cosmologia CLMM, obtendo
resultados promissores em
comparação com a última.
Ambas as bibliotecas
atuarão como ferramentas
essenciais para a
colaboração LSST-DESC —
aliás, é nesta colaboração
que o Cosmo-UEL tem o
maior número de
integrantes. As observações
do LSST-DESC serão
realizadas no moderno
Observatório Vera C. Rubin,
no Chile; com sua primeira
8
luz sendo coletada no dia
23 de junho de 2025.
A estratégia de colaboração
do grupo se desenvolve em
duas frentes paralelas. De
um lado, a participação em
grandes organizações
internacionais; de outro, a
manutenção de parcerias
mais diretas com
pesquisadores para o avanço
de projetos específicos. Estas
normalmente estão
associadas a trabalhos de
Física teórica. No caso, o
trabalho de buracos negros
primordiais
foi publicado em
parceria com o pesquisador
Xuan Ye, da University of
Electronic Science and
Technology of China (
link
e
com o pesquisador Nelson
Pinto Neto do Centro
Brasileiro de Pesquisas F
sicas CBPF
localizado no Rio de
Janeiro sendo um
colaborador recorrente do
grupo Outras parcerias
incluem pesquisadores da
França, principalmente do
Institut d’Astrophysique de Paris
(IAP, ),
como o pesquisador Patrick
Peter e o físico Cyril Pitrou.
É claro, com tantas
colaborações, os membros
do grupo têm a necessidade
de viajar para discutir com
seus colaboradores, assim
como fazer eventuais cursos
https://arxiv.org/abs/2405.00
207
https en uestc edu cn
https www gov br cbpf pt
br
https://www.iap.fr/
Mapa medieval. Os monstros simbolizam a ignorância humana. De
forma similar, se as discussões anteriores se referiam às “águas
rasas”, o setor teórico do grupo lida com as águas mais profundas:
os aspectos do Universo que ainda desconhecemos.
8 Esse termo é usado por astrônomos para designar as primeiras observações feitas por um telescópio/observatório.
AstroNova . N.46 . 2025

Página 31

de aprimoramento — sendo
estes necessários para
realizar pesquisa de
fronteira com qualidade.
Vamos então conversar sobre
os eventos nacionais e
internacionais dos quais os
integrantes já participaram.
O Cosmo-UEL mantém
presença ativa em eventos
científicos de destaque de
Cosmologia e áreas
correlatas, contribuindo
tanto como ouvintes quanto
como apresentadores, seja
por meio de palestras,
seminários, comunicações
orais ou apresentação de
pôsteres. Essas experiências
são fundamentais para o
intercâmbio de
conhecimentos, atualização
acadêmica e fortalecimento
das redes de colaboração.
Entre os eventos que o grupo
participou, destacam-se:
Brazilian School of Cosmology
and Gravitation (BSCG),
realizada pelo CBPF; Escolas
e Congressos organizados
pelo ICTP ; e edições da mais
recente Escola de
Cosmologia e Gravitação,
organizada no âmbito da
iniciativa Cosmos &
Contexto liderada pelo
Professor Mário Novello
(CBPF). Nessas escolas, os
integrantes tiveram a
oportunidade de aprofundar
conceitos teóricos e discutir
temas atuais da área com
pesquisadores de renome
nacional e internacional.
Além disso, o grupo tem se
envolvido ativamente na
organização do IV Workshop
Paranaense de Astronomia e
Astrofísica 2025, — tendo
participado de todas as
edições anteriores com
palestras e apresentações de
pôsteres — que será realizado
em Londrina sob sua
coordenação, em parceria
10
com o NAPI Fenômenos
Extremos do Universo. Essa
31
O Observatório Vera Rubin tem a maior câmera digital do mundo.
9 International Centre for Theoretical Physics. Fundado pelo ganhador do prêmio Nobel Abdus Salam, este órgão tem
o objetivo de financiar e estimular a Física em países em desenvolvimento.
10 Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação — organizado pelo governo do Paraná, com uma das idealizadoras sendo a
professora Rita de Cássia dos Anjos, do grupo.
Integrantes do grupo no evento Second School on Origin of Matter
Domination in the Universe. Foto reproduzida do ICTP: https://www.ictp-
saifr.org/omdu2023/. Na fileira da frente, constam pesquisadores de
renome internacional, incluindo Mikko Laine e Mikhail Shaposhnikov,
ambos da área de física de partículas na Cosmologia.
AstroNova . N.46 . 2025

Página 32

iniciativa promove a
integração da comunidade
científica paranaense e
estimula a troca de ideias e
projetos entre
pesquisadores, docentes e
estudantes. A participação
em eventos como a Semana
da Física da UEL voltadas
tanto para a graduação
quanto para o Ensino Médio
— em suas edições recentes
— reforça o compromisso do
grupo com o diálogo
científico e a divulgação dos
resultados de pesquisa.
Aproveitamos para nos
colocar à disposição para
participar de futuros
eventos, seja como
palestrantes, apresentadores
ou colaboradores, caso os
organizadores tenham
interesse em contar com a
contribuição do Grupo de
Cosmologia da UEL.
Considerações Finais
Ao percorrer a história, as
pesquisas e as diversas
atividades do Grupo de
Cosmologia da UEL,
retornamos ao nosso ponto
de partida: a busca pela
ciência da totalidade. Vimos
que essa busca não é uma
abstração, mas uma
atividade concreta,
construída dia a dia sobre os
3 pilares do Ensino, da
Pesquisa e da Extensão. É um
trabalho que conecta o
Paraná às maiores
colaborações científicas do
mundo e os enigmas do
universo primordial ao
nosso presente.
Enfatizamos a vontade de
alguns integrantes do grupo
de contribuírem ainda mais
para a Extensão
Universitária através da
divulgação científica — algo
do qual este próprio texto é
evidência. Agradecemos a
leitura e, a seguir,
disponibilizamos os links de
alguns artigos do grupo. É
de nossa vontade escrever
textos sobre alguns destes
temas aqui na AstroNova em
futuras edições. Encerramos
nosso texto com as belas
palavras de Primach:
“Uma pessoa sem Cosmologia é
como uma pedrinha no topo de
uma grande montanha…
ignorante à majestosa vista
abaixo .”
— Primack & Abrams em The
view from the center of the
universe :
discovering our extraordinary
place in the cosmos (2006, p. 84)
[4],
tradução livre.
Alguns links de acesso para
artigos publicados com
integrantes do Cosmo-UEL:
https://arxiv.org/abs/2207.08270
https://arxiv.org/abs/2405.00207
https://arxiv.org/abs/2004.07655
https://arxiv.org/abs/1801.04534
https://arxiv.org/abs/1505.01883
https://arxiv.org/abs/2411.08087
https://arxiv.org/abs/2303.13667
https://arxiv.org/abs/1810.04251
11 Original: “A human without a cosmology is like a pebble lying near the top of a great mountain… but oblivious to its
stupendous view”.
32
Referências
[1] NOVELLO, Mario. O que é
cosmologia. São Paulo: Brasiliense,
2009. (Coleção Primeiros Passos).
[2] TURNER, Michael S. The road to
precision cosmology. Annual Review
of Nuclear and Particle Science, v.
72, n. 1, p. 1–35.
[3] PINT of Science leva
pesquisadores para bate-papo
descontraído em bares de Londrina.
Boa Noite Paraná. RPC, Londrina,
20 maio 2025. Globoplay. Disponível
em:
https://globoplay.globo.com/v/136169
93/. Acesso em: 16 jun. 2025.
AstroNova . N.46 . 2025

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TECNOLOGIA
A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Maico Zorzan
[email protected]
Nesse turbilhão de
tecnologia que vivemos, a
inteligência artificial (IA)
está sempre nos holofotes.
Tem quem tema que ela
roube empregos, como uma
máquina fria tomando nosso
lugar. Outros a veem apenas
como uma ferramenta mal
usada. Mas a verdade é mais
inspiradora: quando bem
aplicada, a IA está se
revelando um dos maiores
aliados da ciência moderna.
Um parceiro poderoso, não
um substituto.
Pense na IA assim, ela não é
um ser pensante. É como um
conjunto de algoritmos
33
superespertos, que
aprendem com toneladas de
dados e realizam tarefas
específicas com uma
velocidade e precisão que
nos deixam de queixo caído.
Para os cientistas, que
navegam diariamente em
um oceano de informações,
isso é um superpoder!
Vamos conhecer alguns
campos do conhecimento
em que a IA está
revolucionando:
Na Medicina: Velocidade que
Salva Vidas
Imagine sistemas de IA
treinados com milhões de
radiografias, ressonâncias e
tomografias. Eles
conseguem identificar
padrões de doenças como
câncer, AVC ou fraturas em
segundos, com uma
agilidade quase impossível
para o olho humano.
Facilitando diagnósticos,
salvando vidas, e
melhorando a qualidade de
vida de milhares de
pacientes e familiares.
Mas a IA, como conhecemos
hoje, ela não substitui o
médico. Ela não tem a
empatia, a experiência de
anos no consultório ou o
julgamento crítico do
profissional. Ela não enxerga
a humanidade do paciente,
oque ela oferece é um
"segundo olhar", uma ajuda
A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Não uma ameaça, mas um superpoder para a ciência Não uma ameaça, mas um superpoder para a ciência

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valiosa para que médicos
tomem decisões mais
rápidas e certeiras. Em
emergências, essa agilidade
pode literalmente salvar
vidas.
Explorando o Cosmos:
Descobertas na Velocidade da
Luz
A astronomia também
ganhou um ajudante turbo
com a IA. Buscar
exoplanetas, aqueles
planetas distantes, fora do
nosso sistema solar, era um
trabalho de formiguinha:
astrônomos analisavam
manualmente o brilho de
milhares de estrelas,
procurando minúsculas
quedas que indicassem um
planeta passando. Hoje,
algoritmos de IA fazem isso
em minutos, vasculhando
dados de telescópios como o
Kepler ou o TESS e
apontando candidatos com
uma precisão incrível.
O mesmo vale para a caça a
asteroides e cometas, pois a
IA pode examinar
montanhas de imagens do
espaço profundo, flagrando
objetos em movimento que
escapariam ao nosso olhar.
Isso é crucial para monitorar
potenciais ameaças à Terra.
Além disso, ela ajuda a
classificar galáxias,
identificar possíveis buracos
negros e processar sinais
cósmicos, liberando os
34
cientistas para focar no que
humanos fazem melhor, que
é interpretar, teorizar e
fazer descobertas profundas.
Ciência em Todos os Campos:
Novas Fronteiras
O impacto da IA como
ferramenta científica vai
muito além da medicina e
do espaço. Aliadas em o
conhecimento existente, e
outras tecnologias, a IA é
sem dúvidas, uma aliada
que veio para ficar. Vejamos
algumas áreas onde essas
tecnologias podem mudar a
forma como vemos a
informação:
Agricultura:Analisa imagens
de satélite, drones ou
terrestres para detectar
pragas, prever colheitas e
otimizar o uso da água na
irrigação, e a aplicação mais
eficiente de fertilizantes.
Pecuária: Sensores e IA
monitoram a saúde dos
animais em tempo real,
prevenindo doenças e
aumentando o bem-estar e a
produção de carne e leite e
derivados.
Geologia: Ajuda a ler e
interpretar sinais de radar,
imagens de satélite, e sinais
de rádio, enxergando
formações subterrâneas,
auxiliando na mineração e
na previsão de desastres
como terremotos e
deslizamentos em áreas
urbanas.
Antropologia: Reconstrói
rostos de crânios antigos,
identifica padrões em
artefatos e decifra textos
históricos com uma
Telescópio espacial TESS.
AstroNova . N.46 . 2025

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Cometa C/2023 A3 Tsuchinshan ATLAS
Astrofotógrafa: Adriane Casteleira
01/10/2024
Mandaguari - PR
velocidade que deixaria
qualquer pesquisador
boquiaberto.
A IA na Sala de Aula
No ensino, especialmente de
ciências e astronomia, a IA
também brilha, pois ela
transforma o aprendizado
em algo mais interativo,
visual e acessível. Professores
e alunos podem contar com
ferramentas incríveis, como:
Explicadores: ChatGPT,
Khanmigo (Khan Academy),
Explainpaper,
SciSpaceCopilot e Perplexity
AI, que tiram dúvidas,
simplificam conceitos
complexos e ajudam a
entender artigos científicos.
Exploradores do
Espaço:Stellarium(Que em
breve deve estar conectado a
IA, fica a minha previsão) e o
NASA's AI Toolkit, diversas
tecnologias que a Nasa
possui, que já usa IA com
dados espaciais reais e
trazem o universo para perto
na sala de aula, mesmo que
essa não seja tão simpática
ao usuário final, mas que
em breve poderá estar mais
acessível.
Assistentes de
Pesquisa:Copilot for
Education e You.com AI
ajudam a buscar e organizar
informações confiáveis.
Criatividade
Visual:Leonardo.Ai gera
imagens impressionantes de
planetas, espaçonaves e
fenômenos, deixando as
aulas mais cativantes.
O Presente é Inteligente e
Colaborativo
A inteligência artificial não
é o futuro da ciência, ela é o
presente. Quando usada
com responsabilidade e
criatividade, ela amplia
nossas capacidades
humanas de uma forma
extraordinária, acelerando
descobertas que antes
levariam uma vida. O
segredo está em entender
que a IA não vem para
substituir o cientista, o
médico ou o professor. Ela
vem para ser a nossa aliada
mais poderosa, a chave que
pode destrancar uma nova
era de conhecimento e
progresso e que cabe a nós
aprendermos a usar essa
ferramenta com sabedoria.
OBS: Para contrapor, criar
um quadro dentro do artigo,
onde vou tratar dos pontos
negativos da IA, que segue
abaixo:
O Custo Escondido do
Progresso Científico
A inteligência artificial está
revolucionando a ciência,
isso é inegável. Algoritmos
que devoram montanhas de
dados aceleram descobertas
em genética, astronomia e
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AstroNova . N.46 . 2025

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medicina de um jeito que
era impensável há poucos
anos. Mas essa revolução
tem um lado menos
glamouroso, que costuma
ficar fora dos holofotes, o
seu impacto no planeta e
nas nossas escolhas éticas.
Por trás de toda essa magia
digital, existe um consumo
voraz. Treinar um único
modelo de IA avançada exige
tanta energia que pode gerar
centenas de toneladas de
CO é como se dezenas de 2
carros ficassem rodando um
ano inteiro só pra isso. Os
data centers que sustentam
essas tecnologias são
verdadeiros glutões de
eletricidade. E não é sópara
não superaquecerem, esses
servidores gigantes bebem
água em quantidades
absurdas, pressionando
regiões que já sofrem com
escassez.
Na pesquisa científica, outro
perigo ronda incautos, a
tentação de acreditar
cegamente na IA. Muitos
modelos funcionam como
caixas-pretas que nem
mesmo seus criadores
entendem completamente
como chegam a certas
conclusões. Isso pode
detonar a confiabilidade dos
estudos, especialmente
quando algoritmos
reproduzem e ampliam
preconceitos escondidos nos
dados. Imagine o estrago em
áreas como saúde pública ou
políticas sociais. É
preocupante!
E tem o uso... digamos,
menos nobre. Enquanto a IA
poderia estar curando
doenças ou desvendando o
Cosmos, muita gente a usa
só pra criar memes, fazer
perguntas absurdas ao
ChatGPT ou testar até onde
o robô aguenta nossa
estupidez. Parece
inofensivo? Cada uma dessas
brincadeirinhas consome os
mesmos recursos
computacionais e
ambientais que uma
pesquisa séria. Aquele meme
engraçadinho? Tem um
custo real para o planeta.
A inteligência artificial é
uma ferramenta incrível,
mas precisamos usá-la com
consciência. Vale mesmo
gastar tanta energia e água
do planeta só por um
entretenimento fugaz? O
caminho é claro, devemos
reduzir o uso supérfluo,
focar em aplicações que
realmente mudem o mundo
e investir pesado em
tecnologias mais verdes. Só
assim a inovação andará de
mãos dadas com um futuro
sustentável.
Maico Zorzan é graduado em
Matemática e em Tecnologia da
informação, pós graduado em
Segurança da informação, em
Inteligência artificial e em
Aprendizagem de máquinas
Para saber mais:
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Introdução à Inteligência
Artificial: uma abordagem não
técnica; Tom Taulli
Um data center de IA.
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ASTEROID DAY
OBSERVATÓRIO ESTRELA DO SUL REALIZA MAIS
UM EVENTO VINCULADO AO “ASTEROID DAY”
OBSERVATÓRIO ESTRELA DO SUL REALIZA MAIS
UM EVENTO VINCULADO AO “ASTEROID DAY”
O evento já se tornou tradição no observatório e até já recebeu reconhecimento internacional O evento já se tornou tradição no observatório e até já recebeu reconhecimento internacional
Adriane Casteleira
[email protected]
O Observatório Estrela do
Sul (Sarandi-PR) realizou
mais um evento vinculado
ao Asteroid Day, promovido
pelo Clube de Astronomia de
Sarandi (CAS) e contou
contou com a participação
de um público recorde de,
aproximadamente, cento e
cinquenta participantes que
puderam participar da
programação que contava
com palestras sobre o tema,
observação solar com
equipamentos
especializados e observação
de diversos objetos do
hemisfério austral, como
aglomerados e nebulosas.
Tudo isso em um clima
aconchegante de Festa
Junina, com fogueiras e
pratos típicos.
O evento teve início na tarde
de sábado, 28 de junho, com
observação do Sol,
coordenada por Bruno
Bonicontro (CAS/BRAMON) e
Ricardo Túlio Barros (CAS),
que dispuseram um
telescópio coronado
(específico para observação
solar) e um telescópio
refrator equipado com filtro
adequado para a observação
do Sol. No início da noite, o
público pôde aprender mais
sobre o Asteroid Day com
Bruno Bonicontro, que
apresentou o evento, sua
história e importância, e
curiosidades sobre
asteroides e defesa
planetária em uma breve
palestra. Em seguida, Rafael
Cândido de Lima Júnior
(CAEH/Revista
AstroNova/Arcturus-UFABC)
apresentou o tema
“Asteroides, cometas,
meteoritos e astrobiologia”
apresentando a relevância
desses objetos na
disseminação da química
orgânica que originou a vida
como a conhecemos. Depois
dessas apresentações, Maico
Zorzan (CAEH/Revista
Astronova) conduziu os
participantes em uma
oficina interativa de
orientação usando as
estrelas, enquanto Carlos
Domingues (CAS),

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coordenador do
observatório, recebia os
participantes na cúpula para
observações. Outros
telescópios também estavam
disponíveis no espaço para
observações guiadas de
diversos objetos celestes. Os
participantes puderam
apreciar o fabuloso céu que
ostentou, durante o
primeiro momento da noite,
uma bela Lua crescente e
aprender mais sobre defesa
planetária, astrobiologia e
reconhecimento do céu
noturno.
O que é Asteroid Day?
Idealizado e co-fundado pelo
astrofísico e músico Brian
May (da banda Queen), o
Asteroid Day (Dia do
Asteroide) é uma data
comemorativa, sancionada
pelas Nações Unidas, para a
conscientização pública
sobre os riscos de impactos
de asteroides. É
comemorado anualmente
em 30 de junho e possui a
missão de “educar o público
sobre os riscos e
oportunidades dos
asteroides durante todo o
ano, organizando eventos,
fornecendo recursos
educacionais e
comunicações regulares
para nosso público global
em diversas plataformas
digitais.”
Os eventos em comemoração
ao “Asteroid Day” são, em
grande parte, organizados
de forma independente por
universidades, clubes de
astronomia, educadores e
entusiastas em todo o
mundo, voltados para o
grande público. Os eventos
variam de palestras e
concursos de contos a shows
ao vivo e eventos
comunitários mais amplos,
presencial ou on-line.
O engajamento do OES ao
Asteroid Day
O Observatório Estrela do
Sul e o CAS estão engajados
ao Asteroid Day desde 2017,
quando membros do CAS
souberam da iniciativa por
meio da internet. Desde
então, o evento faz parte da
programação anual do OES e
do CAS por meio dessa
parceria.
Esta foi a sexta edição deste
evento dedicado
exclusivamente à discussão
sobre asteroides, tendo,
inclusive, reconhecimento
internacional da
organização do Asteroid Day.
Ano passado, uma matéria
foi publicada no site oficial
do Asteroid Day sobre a
relevância do evento
promovido em Sarandi.
Link da matéria no site
oficial do Asteroid Day sobre
a colaboração do CAS e do
OES:
https://asteroidday.org/updat
es/event-updates/asteroid-
enthusiasts-the-journey-of-
sarandi-astronomy-club/
Adriane Casteleira (GAMA,
GEDAL), é astrônoma amadora
e membro da equipe da Revista
AstroNova.
Referências: asteroidday.org
38
Tem vontade de participar de um
evento como este? Quer conhecer
o observatório? Siga o OES no
instagram:
www.instagram.com/
observatorioestreladosul
AstroNova . N.46 . 2025

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A Rocket Design ganhou o 1º lugar na categoria de 3km de
apogeu com motor sólido, em uma competição de foguetes nos
EUA! Esta é uma conquista inédita para a equipe da UFABC e
orgulha todo o Brasil! A equipe da revista AstroNova
parabeniza, com entusiasmo, a Rocket Design!

Página 40

REVISTA DE DIVULGAÇÃO
DE ASTRONOMIA
E CIÊNCIAS DA NATUREZA
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É trimestral, com divulgação gratuita. É permitida sua
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