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Acervo textual da Revista AstroNova

Edição 46 — páginas 1 a 20

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Assuntos identificados: grupo, cosmologia, universo, astronomia, pesquisa, ciência, física, radiação, https, dados.

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REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL TIANGONG AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL Ano 12 - Nº 46 - Julho/2025 REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL TIANGONG AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL A FASCINANTE HISTÓRIA DA RADIAÇÃO CÓSMICA DE FUNDO POR QUE É IMPORTANTE ENSINAR ASTRONOMIA NAS ESCOLAS? ASTEROID DAY NO OBSERVATÓRIO ESTRELA DO SUL COSMO-UEL: DO PARANÁ AO UNIVERSO A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

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Conselho editorial: Adriane Casteleira Maico A. Zorzan Rafael Cândido Jr. Wilson Guerra Redatores desta edição: Adriane Casteleira Luiz Felipe Demétrio Maico Zorzan Rafael Cândido Jr. Ricardo Francisco Pereira Sanderson C. Ribeiro Arte e Diagramação: Wilson Guerra Astrofotos: Adriane Casteleira Bruna Mayato Micheli Trindade Moura Finalmente a equipe da AstroNova traz a edição n. 46 da revista neste inverno de 2025. Começamos esta edição com uma matéria do engenherio Rafael Cândido Jr., que nos conta com precisão a história da Radiação Cósmica de Fundo, uma descoberta fundamental na Cosmologia do século XX. Em seguida, o prof. Ricardo Francisco Pereira faz uma análise sobre a importância da Astronomia na Educação Básica, refletindo sobre as propostas sobre o tema vindas com o Novo Ensino Médio. O NEM passou por reformulação que em 2026 já serão aplicadas em todo o Brasil. O físico Luiz Felipe Demétrio, doutorando em Cosmologia, junto com Sanderson Carlos Ribeiro, da mesma pós-graduação, nos trás um panorama bastante completo do Grupo de Cosmologia da UEL, Universidade Estadual de Londrina, onde estudam atualmente. É um momento interessante de tratar sobre pesquisa institucional com o público leitor da AstroNova. O matemático Maico Zorzan nos traz alguns aspectos da Inteligência Artificial, mostrando que, depois do hype inicial, o balanço geral é muito mais positivo que negativo. Por fim, a professora e astrônoma amadora Adriane Casteleira resume o Asteroid Day ocorrido na Observatório Estrela do Sul (Sarandi/PR). Ela esteve no evento, que já é tradição na região e aberto ao público em geral. Mas como sempre, iniciamos com a agenda de lançamentos espaciais e um resumo das atividades nas estações espaciais Internacional e Tiangong. Uma boa leitura! AstroNova . N.46 . 2025 EXPEDIENTE EDITORIAL Capa: Lado oposto da Lua 09/07/2025 Orbitador Chang'e-6 (China) Wilson Guerra GCAA Wilson Guerra GCAA

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SUMÁRIO 09 23 Ano 12 | Edição nº 46 | 2025 17 A FASCINANTE HISTÓRIA DA RADIAÇÃO CÓSMICA DE FUNDO COSMO-UEL: DO PARANÁ AO UNIVERSO POR QUE É IMPORTANTE ENSINAR ASTRONOMIA NAS ESCOLAS? 33A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL 37 ASTEROID DAY NO OBSERVATÓRIO ESTRELA DO SUL

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PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTREPRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE Foguete: Falcon 9 (SpaceX) Satélites Starlink Local: base de Vandenberg Data: 18/07/2025 Foguete: Falcon 9 (SpaceX) Crew Dragon: tripulação Crew-11 para ISS Local: cabo Canaveral Data: 31/07/2025 Foguete: Antares (NG) Cápsula Cygnus com mantimentos para ISS Local: Wallops Island Data: 09/2025 Foguete: Soyuz 2 (Roscosmos) SatéliteS Ionosfera-M 1 e 2 Local: Cosmódromo de Vostochny Data: 25/07/2025 RÚSSIARÚSSIA Foguete: Soyuz 2 (Roscosmos) Progress MS-32; mantimentos para ISS Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 11/09/2025 Foguete: Soyuz 2 (Roscosmos) Satélite Bion-M n.2 Local: Cosmódromo de Baikonur Data: 20/08/2025 Foguete: New Glenn (Blue Origin) Missão para recuperação do 1o estágio Local: cabo Canaveral Data: 15/08/2025 EUAEUA

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PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTREPRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE Foguete: GSLV-II (ISRO) Satélite NI-SAR observação da Terra por radar conjunto Nasa/Isro Local: Centro Espacial Satish Dhawan Data: 30/07/2025 Foguete: Long March 12 (CNSA) Rede SatNet de satélites (CASC) Local: centro espacial de Taiyuan Data: 09/2025 Foguete: Long March 8 (CNSA) Satélite polar da CASC Local: base de Wenchang Data: 08/2025 Foguete: Ariane 6 (Ariane Space) Metop-SG A1 - satélite meteorológico Local: Guiana Francesa Data: 08/2025 EUROPAEUROPA ÍNDIAÍNDIA CHINACHINA

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Principais atividades: abril a junho/2025 Principais atividades: abril a junho/2025 ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONALESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL Soyuz MS-28: Roscosmos (27/11/2025)Soyuz MS-28: Roscosmos (27/11/2025) Próximas ExpediçõesPróximas Expedições Crew-11: SpaceX (07/2025)Crew-11: SpaceX (07/2025) Tripulação atualTripulação atual A astronauta Nichole Ayers coloca amostras de sangue em unidade de ambiente criogênico. A astronauta Nichole Ayers coloca amostras de sangue em unidade de ambiente criogênico. Cápsula Dragon desacopla da ISS, voltando para a Terra com tripulação da missão comercial da AxiomSpace. Cápsula Dragon desacopla da ISS, voltando para a Terra com tripulação da missão comercial da AxiomSpace. Astronautas da missão comercia da AxiomSpace descaregam material de pesquisa. Astronautas da missão comercia da AxiomSpace descaregam material de pesquisa.

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Estação Espacial TiangongEstação Espacial Tiangong Principais atividades: abril a junho/2025Principais atividades: abril a junho/2025 Tripulação atual (Shenzhou-19)Tripulação atual (Shenzhou-19) Taikonautas Chen Dong e Chen Zhongrui concluem instalação de proteção contra detritos espaciais. Taikonautas Chen Dong e Chen Zhongrui concluem instalação de proteção contra detritos espaciais. Tripulação descarregando material de pesquisa.Tripulação descarregando material de pesquisa.

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09 Rafael Cândido Jr. [email protected] Utilizando um telescópio óptico padrão, observamos o espaço entre estrelas e galáxias quase completamente escuro. No entanto, um radiotelescópio suficientemente sensível detecta um brilho de fundo tênue, quase uniforme, que não está associado a nenhuma estrela, galáxia ou outro objeto. Esse brilho é mais intenso na região das micro-ondas do espectro eletromagnético e é denominado radiação cósmica de fundo. Neste artigo, vamos conhecer um pouco mais sobre este fenômeno. Do ferro em brasa à Física moderna Desde quando a humanidade conseguiu trabalhar metais, sabe-se que com o aquecimento destes ocorre a emissão de uma certa luminosidade. Este conhecimento tão antigo só foi explicado no início do século XX e envolve conceitos de Mecânica Quântica. De forma simplificada, toda matéria em uma determinada temperatura tem máxima densidade de energia espectral em um determinado comprimento de onda. Assim, o ferro em brasa, em uma temperatura de 1200°C, por exemplo, RADIOASTRONOMIA A FASCINANTE HISTÓRIA DA RADIAÇÃO CÓSMICA DE FUNDO A FASCINANTE HISTÓRIA DA RADIAÇÃO CÓSMICA DE FUNDO

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obedece a Lei de Wien, desde a água em um copo ao plasma de uma estrela azul. Assim, se esta lei é válida em todo o universo, a matéria que não está em um corpo celeste, ou seja, que esteja dispersa, teria uma temperatura extremamente baixa e sua densidade de energia espectral máxima ocorreria em um comprimento de onda muito alto, ou seja, na região das ondas de rádio. Ruído em todas as direções A primeira especulação sobre uma radiação remanescente do universo primitivo foi proposta em 1931 pelo astrônomo belga Georges Lemaitre. Em 1934, o físico-matemático estadunidense Richard 10 AstroNova . N.46 . 2025 emite luz porque sua máxima densidade de energia espectral ocorre em um comprimento de onda de luz visível. Da mesma forma, o corpo humano e de vários animais, tem máxima densidade de energia espectral aproximadamente em 312 K (aproximadamente 38°C), cujo comprimento de onda corresponde ao infravermelho. Esta relação entre temperatura e o comprimento de onda da máxima densidade de energia espectral é definido pela Lei de Wien e é mais facilmente entendido na forma de um gráfico. Toda matéria existente Chace Tolman demonstrou que a expansão do universo esfriaria a temperatura desta radiação, de modo que o universo primitivo deveria ser muito mais quente que o atual. A radiação cósmica de fundo (RCF) recebeu este nome em um artigo científico de 1948 escrito por Ralph Alpher e Robert Herman. Em uma revisão que prepararam para o orientador de doutorado de Alpher, George Gamow, foi estimada a temperatura desta radiação em 5 K, de forma que o comprimento de onda da radiação estaria na faixa de micro-ondas. A primeira consideração sobre a detecção da RCF foi citada em um artigo escrito pelos cientistas soviéticos Andrei Doroshkevich e Igor Novikov (ambos ainda vivos no momento da escrita deste artigo) em abril de 1964. Gráfico da Lei de Wien. Nota-se que o pico da curva, para diferentes temperaturas, ocorre em diferentes comprimentos de onda. Luminosidade emitida pelo ferro em brasa na temperatura de 1200°C.

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11 Na mesma época, Robert H. Dicke, Jim Peebles, Peter Roll e David Wilkinson, astrofísicos da Universidade de Princeton, preparavam-se para procurar radiação de micro-ondas. Dicke e seus colegas concluíram que o Big Bang deve ter espalhado não apenas a matéria que se condensou nas galáxias, mas também liberado uma tremenda explosão de radiação. Com a instrumentação adequada, essa radiação deveria ser detectável, ainda que sendo micro-ondas, estas deveriam estar com um enorme desvio para o vermelho (conceito definido por Edwin Hubble no começo do século XX). Enquanto isso, dois funcionários dos Laboratórios Bell Telephone, os físicos Arno Penzias e Robert Woodrow Wilson, trabalhando nas instalações da colina Crawford, nas proximidades do município de Holmdel, Nova Jérsei, localizada a apenas 60 km de distância da universidade de Princeton; utilizaram a estrutura de uma antena do tipo corneta de 6 metros de extensão originalmente construída em 1959 para dar suporte ao Projeto Echo, no qual a NASA utilizava grandes balões de plástico aluminizado na estratosfera como refletores para refletir sinais de rádio de um ponto da Terra para outro. Para medir as fracas ondas de rádio, eles tiveram que eliminar toda a interferência no seu receptor. Desta forma, removeram efeitos de sinais de radar, de transmissões de rádio e suprimiram até mesmo o calor gerado no circuito do receptor, utilizando resfriadores especiais com hélio líquido (cuja temperatura é de -269 °C, ou seja, temperatura de 4 K). Quando Penzias e Wilson analisaram seus dados, encontraram um ruído baixo, constante e misterioso que persistia em seu receptor. Esse ruído residual era 100 vezes mais intenso do que eles esperavam e estava presente dia e noite e era uniformemente distribuído pelo céu. Chegaram até mesmo a remover alguns ninhos de pombos na antena e limpar os excrementos acumulados e o ruído permaneceu.E assim verificaram que a radiação detectada tinha o comprimento de onda de 7,35 centímetros (4.080 MHz) não era proveniente da Terra ou do Sol; porém não imaginavam qual seria a origem daquele ruído. Ao comentar sobre este ruído com seu amigo Bernard Burke, professor de Física do MIT e descobridor das emissões de rádio decamétricas de Júpiter; Penzias soube que havia um pré-artigo escrito pelo cientista canadense Jim Peebles sobre a possibilidade de se encontrar a radiação remanescente do Big Bang. Assim, Penzias e Wilson Richard C. Tolman e Albert Einstein em uma aula na Caltech, 1932 AstroNova . N.46 . 2025

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12 Figura 9 12 começaram a perceber a importância do ruído que haviam descoberto. As características da radiação detectada por Penzias e Wilson se encaixavam exatamente na radiação prevista por Robert H. Dicke e seus colegas da Universidade de Princeton. Penzias ligou para Dicke em Princeton, que imediatamente lhe enviou uma cópia do artigo de Peebles, ainda não publicado. Penzias leu o artigo e ligou para Dicke novamente realizando um convite para que Dicke e sua equipe viesse observar a antena e ouvir o ruído encontrado. Dicke, Peebles, Wilkinson e Roll interpretaram essa radiação como a “assinatura” do Big Bang. Para evitar potenciais conflitos acadêmicos, decidiram publicar seus resultados em conjunto. Duas notas foram enviadas às pressas para o AstrophysicalJournalLetters. Na primeira, Dicke e seus associados destacaram a importância da radiação cósmica de fundo como comprovação da Teoria do Big Bang. Em uma segunda nota, assinada conjuntamente por Penzias e Wilson, intitulada “Uma medição do excesso de temperatura da antena a 4080 megaciclos por segundo”, eles relataram a existência de um ruído de fundo residual de 3,5 K, permanecendo após contabilizar um componente de absorção do céu de 2,3 K e um componente instrumental de 0,9 K, e atribuíram uma explicação possível dada por Dicke em sua carta A antena corneta de Holmdel com Penzias e Wilson em 1964. Arno Penzias (1933-2024) e Robert Woodrow Wilson (1936) perante a antena em 2014, nas comemorações dos 50 anos da descoberta da radiação cósmica de fundo. AstroNova . N.46 . 2025

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13 complementar. Em 1978, Penzias e Wilson receberam o Prêmio Nobel de Física por sua descoberta conjunta. Eles dividiram o prêmio com o cientista soviético Pyotr Kapitsa, que o recebeu por um trabalho sobre Física de temperaturas extremamente baixas. Em 2019, Jim Peebles também recebeu o Prêmio Nobel de Física pelas descobertas teóricas em cosmologia física. A estrutura da antena utilizada por Penzias e Wilson continua de pé na colina Crawford e é tombada pelo NationalHistoricLandmark. Porém, não é mais utilizada a muito tempo. (Foto realizada em 3 de junho de 2023 por Jonathan Schilling) Medindo a radiação no espaço As inúmeras dificuldades experimentais para a medida da RCF na Terra, levaram ao desenvolvimento de satélites específicos para esta pesquisa. O primeiro satélite construído para isso foi o soviético Prognoz 9, lançado em 1 de julho de 1983 com o experimento RELIKT-1 verificou que a RCF não estava tão uniformemente distribuída como se pensava. A essas diferenças de distribuição dá-se o nome de anisotropias. O satélite Explorador de Fundo Cósmico (Cosmic Background Explorer, COBE) da NASA, que orbitou a Terra entre 1989 e 1996, detectou e quantificou as anisotropias em larga escala no limite de sua capacidade de detecção. A equipe que analisou os dados obtidos recebeu o Prêmio Nobel de Física de 2006 por esta descoberta. Em junho de 2001, a NASA lançou um segundo satélite para explorar a RCF. Denominado WMAP (Wilkinson MicrowaveAnisotropyProbe; Sonda de anisotropia de micro-ondas Wilkinson), este satélite realizou medições muito mais precisas das anisotropias em larga escala em todo o céu. Os resultados obtidos são amplamente Representação artística da sonda COBE. AstroNova . N.46 . 2025

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consistentes com a teoria do Big Bang com inflação cósmica. Uma terceira missão espacial, a Planck Surveyor, da Agência Espacial Europeia (ESA), foi lançada em maio de 2009 e realizou uma investigação ainda mais detalhada até ser desativada em outubro de 2013. A Planck mediu a radiação cósmica de fundo com uma precisão maior que a WMAP; produzindo as medições mais precisas até o momento. Em 21 de março de 2013, a equipe responsável pela Planck Surveyordivulgou o mapa da RCF do céu completo. A partir deste 14 Uma comparação das sensibilidades do WMAP, do COBE e da antena corneta de Penzias e Wilson (dados simulados). Anisotropia da radiação cósmica de fundo no céu obtida pela Planck Surveyor. As manchas azuis mais intensas representam a temperatura de 0,26 K. As manchas alaranjadas mais intensas representam a temperatura de 9,66K. mapa, verificou-se que o universo é um pouco mais antigo do que os pesquisadores esperavam e que as flutuações sutis de temperatura da RCF começaram quando o cosmos tinha cerca 370.000 anos. Com base nos dados de 2013, o universo contém 4,9% de matéria comum, 26,8% de matéria escura e 68,3% de energia escura. Em 5 de fevereiro de 2015, novos dados foram divulgados e atualmente, tem-se que a idade do universo é de 13,799 ± 0,021 bilhões de anos e a constante de Hubble (taxa de expansão do universo) foi medida em 67,74 ± 0,46 (km/s)/Mpc. Rafael Cândido Jr. é graduado e mestre em Engenharia Química. Integra o grupo de astronomia Arcturus, da UFABC. Para saber mais: AstroNova . N.46 . 2025

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Região de Touro e as Plêiades 01/01/2025 Campina da Logoa - PR - Brasil Astrofotógrafa: Micheli Trindade Moura Região de Touro e as Plêiades 01/01/2025 Campina da Logoa - PR - Brasil Astrofotógrafa: Micheli Trindade Moura

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17 POR QUE É IMPORTANTE ENSINAR ASTRONOMIA NAS ESCOLAS? Ricardo Francisco Pereira www.recursosdefisica.com.br Olhando para o céu em uma noite escura, podemos ver um grande número de estrelas. Um pouco mais de 5000 objetos entre as mais de 200 bilhões de estrelas que habitam somente a nossa galáxia, a Via Láctea. Nossa curiosidade vai aumentando à medida que observamos com cuidado o céu que nos parece envolver. Nele, podemos distinguir muitos objetos completamente diferentes. Alguns são brilhantes, outros são difusos, alguns cintilam, há estrelas com diferentes cores, algumas regiões parecem indicar falta de estrelas, mostrando- se muito escuras, já outras regiões são muito mais brilhantes, em algumas épocas, um cometa aparece no céu, com sua cauda, subitamente, um risco luminoso no céu chama nossa atenção. Há muitos mistérios e uma simples observação a olho nu nos mostra uma variedade tão grande de objetos a serem estudados. Imagine o que é revelado quando usamos os potentes telescópios de hoje! Em todo o Universo, seja qual for a distância considerada, encontramos objetos celestes com propriedades diferentes. Esta enorme riqueza da Astronomia que nos incentiva a estudar os vários objetos celestes com equipamentos e técnicas cada vez mais sofisticadas e completamente diferentes. Cada objeto apresenta uma pergunta, cada pergunta uma surpresa e cada surpresa, a certeza de que ainda sabemos muito pouco. A beleza da Astronomia reside nesse ponto, na grandeza dos objetos celestes e nas suas estranhezas com o que consideramos o “normal” no nosso planeta. No Sistema Solar, existem oito planetas, alguns planetas-anões e, fora do Sistema Solar, já foram detectados quase 6000 exoplanetas orbitando outras estrelas, formando outros sistemas estelares. Cada sistema estelar e seus planetas possuem características próprias. Conhecer essas características nos mostra como nosso planeta é frágil e um grãozinho de areia frente à imensidão do Cosmos. A Astronomia é a mais EDUCAÇÃO

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antiga Ciência desenvolvida pela civilização humana e tem fascinado e ajudado as pessoas desde muito tempo atrás. Além do fascínio, várias outras sensações podem surgir ao observar o céu, tais como: imensidão, solidão, beleza, mistério, curiosidade e até mesmo sentimentos românticos. Toda essa introdução é para mostrar que a Astronomia faz parte do nosso dia a dia há muito tempo e o quão fascinante ela é. Entretanto, quando falamos dela nas escolas, há muito mais problemas do que gostaríamos que existissem. Por mais que conteúdos de Astronomia sempre estiveram nas componentes curriculares do Ensino Fundamental II, ela sempre foi, muitas vezes, deixada de lado pelos professores, e há um motivo principal para isso. Até pouco tempo atrás, os cursos de licenciatura em Ciências e Biologia não tinham uma disciplina de Astronomia em sua grade curricular, então esses professores nunca tiveram contato com a Astronomia durante as suas respectivas formações. Por isso, a Astronomia nunca foi bem trabalhada nas escolas. Porém, na atualidade, para quem realmente se interessa por essa Ciência, há muita Astronomia no meio da divulgação científica nas redes sociais, em especial no YouTube. Há muita cobertura de lançamento de foguetes e notícias em geral, mas em especial envolvendo os telescópios espaciais Hubble e o James Webb. Por causa disso, há muito conteúdo de Astronomia e com facilidade de acesso, o que na minha modesta opinião, compensa a falta de Astronomia nas escolas. Mas é uma pena que a Astronomia é mais conhecida pela internet do que na escola. Apresenta-se a seguir alguns pontos importantes a favor do ensino da Astronomia nas escolas, seja no Ensino Fundamental, seja no Novo Ensino Médio: 1. Despertar o interesse pela Ciência: Por despertar a curiosidade nas pessoas sobre assuntos como: Cometas, Asteroides, Planetas, Estrelas, Buracos Negros, busca de vida fora da Terra e Galáxias, por exemplo, pode-se aproveitar essa curiosidade nas várias disciplinas escolares. Basicamente é aproveitar o que gera interesse nos alunos para apresentar e discutir os conteúdos respectivos de cada disciplina; 2. Promove o pensamento crítico e científico: Como a Astronomia é a Ciência que estuda o Universo e a grande maioria dos objetos de estudo estão muito longe de nós, é importante entender como funciona a Ciência e o método científico para entender como a Astronomia consegue estudar o Universo e tentar entender como ele funciona. 18 AstroNova . N.46 . 2025 Telescópio Espacial James Webb. Fonte: ClickRBS

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Cometa C/2023 A3 Tsuchinshan ATLAS Astrofotógrafo: Felipe Sérvulo 17/09/2024 Taperoá - PB 19 A partir disso, pode-se trabalhar a questão sobre conhecimento científico, desenvolvendo assim, um senso crítico diante de tantas informações, crenças e pseudociências; 3. Contextualiza conhecimentos e tecnologias: grande parte das pessoas não tem a menor ideia das contribuições da Astronomia para o conhecimento e as tecnologias que fazem parte do nosso dia a dia e que poderiam ser usadas como um “gancho” para contextualizar a relação da Astronomia com as disciplinas escolares, por exemplo: as câmeras digitais dos smartphones, roupa de bombeiros, termômetro auricular (infravermelho), detectores de fumaça, antenas de TV por satélite, filtros de água e purificadores de ar, espuma viscoelástica (travesseiros e colchões), tênis de corrida (que absorve impactos), termômetro em cápsula (ingerível), comida enlatada enriquecida (com alto valor nutricional), tecnologia de compressão (digital) de vídeos, equipamentos wireless, isolantes térmicos, o GPS, satélites de comunicação, processamento de imagens médicas, baterias recarregáveis de longa duração, roupas esportivas, previsão do tempo e monitoramento ambiental, software de análise de grande quantidade de dados, dentre muitas outras coisas; 4. Contribui para a educação ambiental: Estudar o planeta Terra, por exemplo, pode ajudar os alunos a compreenderem a fragilidade do nosso ambiente e a importância de preservá-lo, especialmente quando estudamos as condições ambientais dos demais planetas do Sistema Solar e suas respectivas luas e vemos que as condições ambientais em nosso planeta são únicas e impossíveis de serem recriadas nesses outros corpos celestes. 5. Incentiva a imaginação e a criatividade: Ao estudar o Universo, seu funcionamento, seus diversos objetos e seus respetivos mistérios que Buraco Negro da galáxia M87. Primeira fotografia de um Buraco Negro. Fonte: Olhar Digital Sistema estelas Trappist 1. Fonte: http://e.glbimg.com/og/ed/f/original/2020/07/31/239035_web.jpg AstroNova . N.46 . 2025

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Cometa C/2023 A3 Tsuchinshan ATLAS Astrofotógrafo: Felipe Sérvulo 17/09/2024 Taperoá - PB 20 ainda não sabemos explicar, como por exemplo: a matéria escura, a energia escura e possíveis outras formas de vida, podem estimular a imaginação e a criatividade nos alunos e o desejo de descobrir e/ou entender os mistérios do Universo. Isso pode ser a fonte de inspiração de futuros cientistas e engenheiros. 6. Valoriza a História da Ciência: os primeiros registros astronômicos detalhados sobre observações do céu datam de pôr volta do ano 3500 antes de cristo, pelos sumérios e depois os babilônios, na antiga Mesopotâmia, onde hoje é o Iraque. Eles usavam tábuas de argila gravadas com escrita cuneiforme. Todas as grandes civilizações antigas, os chineses, os egípcios, os gregos, os maias e os indus, como exemplo, utilizavam observações regulares do céu para orientações, elaborar calendários, definir épocas de plantação e colheita e rituais diversos. Estudar essas contribuições ajuda a valorizar o patrimônio cultural humano e a entender como a Ciência foi construída ao longo do tempo. Então voltamos a pergunta do título, “Por que é importante ensinar Astronomia nas escolas?” Por ser fascinante, a Astronomia tem a capacidade de despertar a curiosidade nas pessoas ao conectá-las ao Universo, podendo promover uma visão mais ampla da realidade onde elas vivem e na escola. Pode-se potencializar essa curiosidade com os alunos recebendo um ensino formal sobre esse conteúdo. Outra grande vantagem é que a Astronomia é uma Ciência interdisciplinar com ramificações em várias outras áreas, por exemplo: na Biologia com a Astrobiologia, na Física com a Astrofísica, na Química com a Astroquímica. Também há ligações com disciplinas como a Matemática, a Geografia, a História, Artes e a Filosofia. Assim, a Astronomia pode ser a ponte que facilita a integração entre várias disciplinas, o que tem o potencial de tornar o aprendizado mais interessante e significativo, algo que precisamos urgentemente que aconteça em nosso péssimo sistema educacional. Ricardo Francisco Pereira é professor do Departamento de Física da UEM. Graduado em Física, é mestre e doutor em Educação para a Ciência e Matemática. Mantém a página Recursos de Física. Para saber mais: Guia Mangá do Universo (Editora Novatec), de Kenji Ishikawa, Kiyoshi Kawabata e Verte Corp. Guia ilustrado Zahar: Astronomia (Editora Zahar), de Ian Ridpath O ABCD da Astronomia e Astrofísica (Editora Livraria da Física), de J. E. Hovarth Astrofísica para apressados (Editora Planeta), de Neil deGrasse Tyson Lançamento de foguete. Fonte: Olhar Digital AstroNova . N.46 . 2025

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www. RECURSOSdeFÍSICA .com.br Página que socializa produção de recursos de ensino adaptados à sala de aula e aos professores. Material produzido nas disciplinas do curso de Licenciatura em Física da UEM e em outros projetos coordenados pelo prof. Dr. Ricardo Francisco Pereira.

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Constelações do Centauro, Cruzeiro do Sul e Mosca 27/05/2025 Itaúnas - Conceição da Barra/ES Astrofotógrafa: Bruna Mayato Constelações do Centauro, Cruzeiro do Sul e Mosca 27/05/2025 Itaúnas - Conceição da Barra/ES Astrofotógrafa: Bruna Mayato

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