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Conteúdo textual — Edição 50
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R E V I S T A D E D I V U L G A Ç Ã O D E A S T R O N O M I A E C I Ê N C I A S D A N A T U R E Z A
Ano 13 - Nº 50 - Junho/2026
ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL TIANGONG
AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS
ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL
O BALÉ DAS
ESTELAS BINÁRIAS
UMA "ENTREVISTA" COM GALILEU GALILEI
ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL TIANGONG
AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS
ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL
UMA "ENTREVISTA" COM GALILEU GALILEI
POR QUE ENSINAR
ASTROBIOLOGIA
NAS ESCOLAS?
NUCLEOSSÍNTESE
ESTELAR
O PROGRAMA
ESPACIAL VENERA
Página 2
SUMÁRIO
09
19
Ano 13 | Edição nº 50 | 2026
14
35
Conselho editorial:
Adriane Casteleira
Maico A. Zorzan
Rafael Cândido Jr.
Wilson Guerra
Redatores desta edição:
Rafael Cândido Jr.
Ricardo Francisco Pereira
Wilson Guerra
Diagramação:
Wilson Guerra
Astrofotos:
Cristóvão Jacques
EXPEDIENTE
Capa:
Lua Crescente
Newton Cesar Florencio
O BALÉ DAS
ESTRELAS BINÁRIAS
POR QUE ENSINAR ASTROBIOLOGIA
NAS ESCOLAS?
NUCLEOSSÍNTESE
ESTELAR
UMA "ENTREVISTA" COM GALILEU GALILEI
PRIMEIRA PARTE
26
O PROGRAMA ESPACIAL
VENERA
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PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE
Foguete: Falcon 9 (SpaceX)
Satélites Starlink
Local: base de Vandenberg
Data: 21/06/2026
Foguete: Falcon 9 (SpaceX)
Teste com cápsula cargueira Starfall
Local: cabo Canaveral
Data: 23/06/2026
Foguete: Soyuz 2 (Roscosmos)
Soyuz MS-29 (tripulação para ISS)
Local: Cosmódromo de Baikonur
Data: 14/07/2026
Foguete: Atlas 5 (ULA)
Satelites de comunicação Leo Atlas 08
Local: cabo Canaveral
Data: 02/07/2026
Foguete: Soyuz 5 (Roscosmos)
Satélite comercial Kinosputnik
Local: Cosmódromo de Vostochny
Data: 02/09/2026
RÚSSIA RÚSSIA
EUA EUA
Foguete: Falcon 9 (SpaceX)
Starlink
Local: base de Vandenberg
Data: 25/06/2026
Foguete: Soyuz 2 (Roscosmos)
Satélites Rassvet-2
Local: Cosmódromo de Plesetsk
Data: 06/2026
Foguete: Soyuz 2 (Roscosmos)
Progress MS-35 (mantimentos para ISS)
Local: Cosmódromo de Baikonur
Data: 09/09/2026
Página 4
PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE PRINCIPAIS LANÇAMENTOS DO TRIMESTRE
Foguete: GSLV-II (ISRO)
Satélite Gisat-2, imageamento da Terra
Local: Satish Dhawan Space Centre
Data: 06/2026
ÍNDIA ÍNDIA
CHINA CHINA
Foguete: Não confirmado
Satélite da CASC
Local: base de Wenchang
Data: 22/06/2026
Foguete: Electron (RocketLab)
Satélite japonês Synspective
Local: Base da península Mahia
Data: 06/2026
NOVA ZELÂNDIA NOVA ZELÂNDIA
Foguete: Não confirmado
Satélite da CASC
Local: lançamento marítimo
Data: 06/2026
Foguete: Electron (RocketLab)
Satélite japonês da empresa iQPS
Local: Base da península Mahia
Data: 06/2026
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Atividades de
abril a junho/2026
Atividades de
abril a junho/2026
Soyuz MS-30: Roscosmos (14/07/2026) Soyuz MS-30: Roscosmos (14/07/2026)
Astronautas Jack Hathaway e Jessica Meir durante
experimentos em microbiologia.
Astronautas Jack Hathaway e Jessica Meir durante
experimentos em microbiologia.
O cosmonauta Sergey Ryzhikov na extremidade do braço
robótico europeu, trabalha na instalação de uma câmera
de alta resolução.
O cosmonauta Sergey Ryzhikov na extremidade do braço
robótico europeu, trabalha na instalação de uma câmera
de alta resolução.
A astronauta Sophie Adenot com o OCT, dispositivo de
imagem usado para exames oftalmológicos que permite
monitorar a visão dos astronautas.
A astronauta Sophie Adenot com o OCT, dispositivo de
imagem usado para exames oftalmológicos que permite
monitorar a visão dos astronautas.
Próximas Expedições Próximas Expedições
Crew-13: SpaceX (13/09/2026) Crew-13: SpaceX (13/09/2026)
Tripulação atual Tripulação atual
ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL
Principais atividades: abril a junho/2026 Principais atividades: abril a junho/2026
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Estação Espacial Tiangong Estação Espacial Tiangong
Principais atividades: abril a junho/2026 Principais atividades: abril a junho/2026
Tripulação atual (Shenzhou-23) Tripulação atual (Shenzhou-23)
Hora da refeição. Hora da refeição.
Troca de tripulação. Troca de tripulação.
Os taikonautas iniciam testes com nova tecnologia
mais eficiente de painéis solares.
Os taikonautas iniciam testes com nova tecnologia
mais eficiente de painéis solares.
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Nebulosa de Órion (M42)
22/04/2026
Belo Horizonte/MG - Brasil
Astrofotógrafo: Cristóvão Jacques
Nebulosa de Órion (M42)
22/04/2026
Belo Horizonte/MG - Brasil
Astrofotógrafo: Cristóvão Jacques
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www.
RECURSOSdeFÍSICA
.com.br
Página que socializa produção de recursos de ensino adaptados à
sala de aula e aos professores. Material produzido nas disciplinas do
curso de Licenciatura em Física da UEM e em outros projetos
coordenados pelo prof. Dr. Ricardo Francisco Pereira.
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09
Rafael Cândido Jr.
[email protected]
Ao observamos as estrelas do
céu noturno a olho nu,
vemos pontinhos luminosos
com maior ou menor
intensidade. Alguns desses
pontinhos são sistemas de
duas estrelas. Neste artigo
vamos conhecer um pouco
mais sobre estes pares
estelares.
Definição
Uma estrela binária,
também denominada por
sistema estelar binário, é um
sistema de duas estrelas
gravitacionalmente ligadas,
ou seja, ambas orbitam em
torno de um centro de
gravidade que pode estar
externo ou interno a uma
das estrelas.
Sistemas binários são
objetos muito importantes
no estudo de Astrofísica
porque permitem a medição
direta das massas estelares.
Como não são observáveis a
olho nu, os sistemas binários
necessitam de equipamentos
como telescópios ou
radiotelescópios para serem
detectados.
As primeiras observações
ocorreram após a invenção
do telescópio e foram
denominadas de estrelas
duplas. Atualmente, essa
denominação é aplicada a
um par de estrelas que,
visualmente, parecem
próximas no céu quando
vistas da Terra através de um
telescópio óptico, porém não
estão ligadas
gravitacionalmente.
É a partir da observação do
movimento relativo entre as
estrelas que se distingue
entre estrelas duplas e
estrelas binárias. Porém, a
ASTROFÍSICA
O BALÉ DAS O BALÉ DAS
ESTRELAS BINÁRIAS ESTRELAS BINÁRIAS
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encontrar uma estrela
próxima emparelhada com
uma estrela distante para
que pudesse medir a
mudança de posição da
estrela próxima à medida
que a Terra orbitava o Sol,
ou seja, medir sua paralaxe.
Isso permitiria calcular a
distância até a estrela
próxima.
Em 1803, Herschel havia
observado mudanças nas
posições relativas de cerca
de 700 estrelas duplas desde
as suas primeiras
observações. Concluiu que
não eram mudanças da
paralaxe da órbita da Terra e
sim uma estrela orbitando a
outra, propondo a expressão
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observação de estrelas
binárias de longo período
pode ser difícil de distinguir
de estrelas duplas,
necessitando de técnicas de
observação mais acuradas.
Descoberta
As primeiras observações,
ainda denominadas de
estrelas duplas, foram
realizadas por Giovanni
Battista Riccioli, em 1650, ao
observar a estrela Mizar na
constelação da Ursa Maior e
pelo padre francês Jean de
Fontenay, em 1685, ao
observar a estrela Acrux da
constelação do Cruzeiro do
Sul.
A evidência de que os pares
de estrelas eram mais do
que simples alinhamentos
ópticos surgiu em 1767,
quando o clérigo inglês John
Michell se tornou a primeira
pessoa a aplicar a
matemática da estatística ao
estudo das estrelas. Ele
concluiu que as estrelas
emalguns sistemas estelares
duplos poderiam ser
atraídas umas pelas outras
pela força gravitacional,
fornecendo assim a primeira
evidência da existência de
estrelas binárias e
aglomerados estelares, como
as Plêiades.
Em 1779, William Herschel
começou a observar estrelas
duplas na esperança de
estrelas binárias para
diferenciar de estrelas
duplas.
A primeira órbita de uma
estrela binária foi calculada
em 1827 pelo astrônomo
francês Felix Savary. Anos
depois, descobriu-se que a
estrela estudada por ele, Xi
Ursae Majoris (a 14ª estrela
mais brilhante da
constelação da Ursa Maior;
pois a 14ª letra do alfabeto
grego é a Xi, lida como csi) é
um sistema de múltiplas
estrelas.
Classificação dos sistemas
binários
Há várias classificações para
Sistema binário de Alfa Centauri, o mais próximo do
Sistema Solar. Fotografia do Telescópio Espacial Hubble.
AstroNova . N.50 . 2026
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as estrelas binárias indo
desde a forma como é
observada a até qual a
natureza das estrelas
constituintes do sistema.
Conforme a observação
A tabela 1 apresenta a
classificação das estrelas
binárias de acordo com o
método pelo qual foi
descoberta.
Alguns sistemas binários
podem apresentar mais de
AstroNova . N.50 . 2026
um método de observação.
Isto ocorre porque diferentes
observatórios podem
realizar o registro de um
determinado sistema
binário utilizando um
método diferente. Por
exemplo, várias binárias
espectroscópicas também
são binárias eclipsantes.
Conforme a transferência
de gás estelar
Outra classificação baseia-se
na transferência de gás
estelar entre as estrelas que
constituem o sistema
binário.
Binária separada : é um
sistema binário onde cada
estrela está dentro do seu
lóbulo de Roche, ou seja, a
área onde a atração
gravitacional da própria
estrela é maior do que a da
outra componente.
Enquanto as estrelas estão
na Sequência Principal da
evolução estelar, elas não
possuem uma grande
influência uma sobre a
outra e, desta forma,
evoluem separadamente. A
maioria das binárias
pertence a esta classe.
(figura 1)
Binária semi-separada : é um
sistema binário no qual uma
das estrelas preenche o seu
lóbulo de Roche e a outra
não. Neste tipo, o gás da
superfície da componente
que preenche o lóbulo de
Roche (denominada estrela
doadora) é transferido para a
outra estrela. A
Figura 1. Modelo de binária separada.
Figura 2. Modelo de binária semi-separada.
À esquerda, estrela doadora e à direita,
estrela acretora.
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Figura 9
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Representação artística de uma variável cataclísmica.
transferência de massa
domina a evolução do
sistema (figura 2). A estrela
que recebe o gás da outra
forma um disco de acreção
em torno de si, sendo
denominada estrela
acretora.
Conforme a natureza de
uma das componentes
Quando um sistema binário
tem como componente uma
estrela compacta (anã
branca, estrela de nêutrons
ou buraco negro); o gás da
estrela doadora pode ser
atraído em direção ao objeto
compacto. Este processo faz
com que o gás seja aquecido
e emita radiação.
Quando a estrela compacta é
uma anã branca, o sistema
binário recebe o nome de
variável cataclísmica. E
quando é uma estrela de
nêutrons ou um buraco
negro, o sistema binário é
denominado binária de
raios X, devido à radiação
emitida pelo gás aquecido.
Nomenclatura
De forma simplificada, as
estrelas componentes do
sistema binário são
identificadas pelos sufixos A
e B acrescentados à
designação do sistema.
Assim, o sistema binário de
Alfa Centauri pode ser
denominado Alfa Centauri
AB, que consiste da estrela
Alfa Centauri A e da estrela
Alfa Centauri B.
As componentes de um
sistema binário também
podem ser designadas
conforme a sua temperatura
de superfície, sendo uma
estrela denominada
companheira quente e a
outra denominada
companheira fria. Como
exemplo tem-se a estrela
Antares, que é uma
supergigante vermelha com
temperatura de superfície de
3500 K, denominada Antares
A. Sua companheira é uma
estrela azul, com
temperatura de superfície de
18500 K chamada Antares B.
AstroNova . N.50 . 2026
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Sistemas planetários em
binárias
Observações feitas por
telescópios espaciais
mostram que apenas um
terço dos sistemas binários
possuem planetas. Isto pode
ser resultante da dificuldade
de detecção de planetas nos
sistemas binários.
Representação artística de um planeta ofuscado pelas estrelas de um sistema binário.
A figura 4 apresenta duas
possibilidades de órbitas
planetárias em sistemas
binários. A órbita do tipo S
aplica-se a planetas que
orbitam uma das estrelas do
sistema e a órbita do tipo P,
que orbitam o centro de
rotação de ambas as estrelas.
Na ficção científica
encontramos referências a
planetas orbitando sistemas
binários, ternários ou até
múltiplos (cita-se o
magnífico Nightfall de Isaac
Asimov, no qual o planeta
orbitava um sistema de seis
estrelas).
Na realidade, certas faixas
orbitais são impossíveis por
razões dinâmicas; o planeta
poderia ser ejetado para fora
do sistema ou, poderia ser
“engolido” por uma estrela.
Outro problema seria o
planeta manter uma
biosfera pois, ao estar em
um sistema binário, este
planeta pode apresentar
variações extremas de
temperatura de sua
superfície ao longo de sua
órbita.
Rafael Cândido Jr. é graduado
e mestre em Engenharia
Química. Integra o grupo de
astronomia Arcturus, da UFABC.
Para saber mais:
Physics of binary star evolution.
Thomas M. Tauris.
AstroNova . N.50 . 2026
Figura 4. Tipos de órbitas planetárias
em sistemas binários.
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Ricardo Francisco Pereira
www.recursosdefisica.com.br
O que é Astrobiologia?
A Astrobiologia é um ramo
interdisciplinar da Ciência
que se dedica ao estudo da
origem, evolução e futuro da
vida no Universo. Sua
origem remonta à
necessidade de compreender
a vida não apenas como um
fenômeno isolado em nosso
planeta, mas integrando
conhecimentos de diversas
áreas, como Biologia,
Química, Física, Astronomia,
Geologia e Filosofia. Essa
integração é fundamental
EDUCAÇÃO
POR QUE ENSINAR
ASTROBIOLOGIA
NAS ESCOLAS?
para superar a fragmentação
do conhecimento nas
escolas.
O objetivo central da
Astrobiologia é responder as
perguntas fundamentais
que acompanham a
humanidade há muito
tempo: Como a vida surge
na Terra? O que torna um
mundo habitável? Existe
vida em outros lugares do
Universo? Como detectamos
vida fora da Terra? Quais são
as condições mínimas
necessárias para o
surgimento de vida? Qual é
o futuro da vida na Terra e
no espaço?
Os conceitos centrais da
Astrobiologia são:
habitabilidade, que envolve
a identificação de zonas
habitáveis nas estrelas, que é
uma região do espaço que
um eventual planeta ou
satélite natural possa ter
água líquida em sua
superfície, além da análise
de mundos oceânicos, como
as luas Europa (de Júpiter) e
Encélado (de Saturno), o
estudo de atmosferas
planetárias e das condições
mínimas para o surgimento
da vida.
POR QUE ENSINAR
ASTROBIOLOGIA
NAS ESCOLAS?
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A busca por vida
extraterrestre baseia-se na
identificação de
biomarcadores ou
bioassinaturas, que são
assinaturas químicas ou
espectroscópicas indicativas
de atividade biológica, como
a presença de oxigênio,
metano ou clorofila em
exoplanetas (planetas
orbitando outras estrelas).
Além disso, o estudo de
extremófilos (organismos
capazes de sobreviver em
condições extremas na
Terra) serve como análogo
para entender os limites da
vida e as possibilidades de
sua existência em outros
ambientes planetários, além
de também investigar a
origem da vida na Terra.
No contexto educacional, a
Astrobiologia pode atuar
como uma poderosa
ferramenta de integração
entre diferentes áreas. Ela
ajuda a superar a
fragmentação do
conhecimento escolar,
conectando disciplinas que
tradicionalmente são
ensinadas de forma isolada.
Para complementar, por ser
um tema fascinante, possui
um grande potencial para
engajar os estudantes no
aprendizado de Ciências,
despertando a curiosidade e
o pensamento crítico.
Ensino de Astrobiologia:
Desafios e Justificativas
A inserção da Astrobiologia
nas escolas no Ensino
Fundamental II (disciplina
de Ciências) e Ensino Médio
(disciplina de Biologia), é
justificada por seu imenso
potencial motivador e
contextualizador. Questões
como "estamos sozinhos no
Universo?" atrai
naturalmente a atenção dos
alunos, permitindo uma
discussão de Ciência
permeada por incertezas e,
de momento, sem respostas.
A Astrobiologia favorece a
alfabetização científica e o
desenvolvimento do
pensamento crítico, pois
integra diferentes escalas (de
átomos e moléculas e ao
Universo) e tempos
profundos (da atualidade ao
início do Universo),
facilitando a compreensão
de sistemas complexos e da
interconexão entre a Terra e
o espaço. Apesar de ser um
campo em crescente
evolução e importância,
impulsionada por missões a
Marte, luas geladas (de
Júpiter e Saturno) e
descobertas do telescópio
James Webb, a Astrobiologia
ainda possui pouca inserção
curricular formal no Brasil.
Os professores enfrentam
diversos obstáculos para
ensinar Astrobiologia,
incluindo a falta de
formação docente adequada
para abordar um tema tão
integrado, currículos
fragmentados (onde a
Biologia ignora a geologia
planetária e a Astronomia
ignora a química orgânica),
visões distorcidas sobre vida
extraterrestre
(frequentemente associada a
humanoides verdes) e a
escassez de materiais
AstroNova . N.50 . 2026
Europa, lua de Júpíter (esquerda) e Encélado, lua de Saturno (direita).
Fonte: https://canaltech.com.br/espaco/europa-ou-encelado-qual-lua-
tem-mais-chances-de-abrigar-vida-microbiana-118632/
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didáticos de qualidade,
acessíveis e de baixo custo.
O impacto científico da
Astrobiologia vai além da
exploração espacial; ela
contribui para o avanço do
conhecimento em várias
áreas e nos ajuda a entender
nossa "identidade terrena",
situando a vida na Terra em
um contexto cósmico.
Alinhamento com Documentos
Curriculares
A abordagem da
Astrobiologia está prevista
nos documentos
curriculares brasileiros,
como a Base Nacional
Comum Curricular (BNCC) e
os Referenciais Curriculares
Paranaenses.
Na BNCC, a Astrobiologia
alinha-se às Competências
Gerais 1, 3, 4 e 7, na área de
Ciências da Natureza, no
eixo "Terra e Universo".
No 9º Ano do Ensino
Fundamental, a habilidade
EF09CI16 propõe selecionar
AstroNova . N.50 . 2026
Ambientes extremos na terra. Fonte: https://olhardigital.com.br/2026/01/07/ciencia-e-espaco/o-que-sao-
animais-extremofilos-e-como-eles-desafiam-os-limites-da-vida/
Telescópio Espacial James Webb.
Fonte: https://clickpetroleoegas.com.br/james-webb-opera-longe-da-terra-
flpc96/
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17
argumentos sobre a
viabilidade da sobrevivência
humana fora da Terra, com
base nas condições
necessárias à vida e nas
características dos planetas.
Do 6º ao 9º anos, outras
habilidades focam na
composição do Sistema Solar
(EF09CI14) e na evolução das
estrelas, fornecendo a base
física para entender onde a
vida poderia surgir.
No Ensino Médio, a
Astrobiologia está prevista
na Competência Específica
2, que trata da análise de
modelos e teorias sobre a
dinâmica da Vida, da Terra e
do Cosmos. Relacionados a
esse competência, temos as
habilidades EM13CNT201
(Analisar e discutir teorias
sobre o surgimento e a
evolução da Vida, da Terra e
do Universo) e EM13CNT202
(Analisar as diversas formas
de manifestação da vida e as
condições ambientais
favoráveis ou limitantes a
elas).
Nos Referenciais
Curriculares Paranaenses,
na disciplina de Biologia
(Ensino Médio), a
Astrobiologia se insere na
Unidade Temática III:
Origem e evolução da Vida,
abordando teorias e modelos
sobre a origem da vida e a
vida primitiva (Habilidades
EM13CNT201 e
EM13CNT209) e ideias
evolucionistas (Habilidade
EM12CNT201). Para a
disciplina de Ciências
(Ensino Fundamental II) não
há menções explícitas sobre
Astrobiologia, contudo, a
temática acaba sendo
contemplada por tópicos
interdisciplinares que estão
relacionados com a área,
como por exemplo:
1.Unidade Temática - Terra e
Universo (9º Ano): Vida
Humana fora da
Terra/Condições de vida no
Universo e Evolução Estelar.
2.Unidade Temática - Vida e
Evolução (7º e 9º Ano):
Origem da Vida e Teorias
Evolutivas (9º Ano) e
Diversidade de Seres Vivos e
Adaptações (7º Ano).
Considerações finais
O ensino da Astrobiologia
nas escolas justifica-se por
sua capacidade única de
integrar diversas áreas do
conhecimento em torno de
questões fundamentais que
despertam uma curiosidade
natural dos estudantes. Ao
contrário do ensino
tradicional de Ciências, que
muitas vezes fragmenta o
conhecimento em
disciplinas isoladas, a
Astrobiologia exige uma
abordagem interdisciplinar,
na qual a Biologia, a
Química, a Física, a Geologia
AstroNova . N.50 . 2026
Competências Gerais da BNCC.
Fonte: https://www.researchgate.net/figure/Figura-1-As-10-competencias-gerais-da-
BNCC-BRASIL-2018_fig1_374181076
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18
e a Filosofia convergem para
explicar fenômenos
complexos, como a origem
da vida e a habitabilidade
planetária. Essa integração
pode permitir que os alunos
desenvolvam uma visão
sistêmica da Ciência,
compreendendo que é de
vital importância a
colaboração entre diferentes
campos de estudo.
Além do benefício
educacional, a Astrobiologia
pode ajudar a desenvolver
um pensamento crítico e
científico. Ao investigar a
vida em ambientes extremos
ou analisar dados de missões
espaciais, os alunos podem
ser incentivados a formular
hipóteses, interpretar
evidências e lidar com a
incerteza inerente à
fronteira do conhecimento
humano. Esse processo não
apenas ajuda a preparar os
alunos para carreiras nas
áreas de Ciência e
Tecnologia, mas também
forma cidadãos mais aptos a
discernir informações e a
compreender a importância
do investimento em
pesquisa e inovação. A
Astrobiologia atua
transformando o fascínio
pelo espaço em um
engajamento ativo com o
aprendizado.
Por fim, vale a pena ensinar
Astrobiologia devido ao
profundo impacto ético e
social que a disciplina pode
promover ao estudar a
fragilidade da biosfera
terrestre em comparação
com o ambiente hostil do
espaço. Os alunos são
levados a refletirem sobre a
singularidade do nosso
planeta e a urgência de sua
preservação. Essa
consciência ambiental,
fundamentada em dados
científicos e em uma visão
ampliada do Universo,
contribui para a formação
de uma geração mais
responsável e comprometida
com a sustentabilidade.
Ensinar Astrobiologia é, em
última análise, educar para
a humildade, para o
deslumbramento diante da
natureza e para o
reconhecimento de que a
vida, em todas as suas
formas, é um fenômeno
extraordinário que merece
ser compreendido e
protegido.
Ricardo Francisco Pereira é
professor do Departamento de Física
da UEM. Graduado em Física, é
mestre e doutor em Educação para a
Ciência e Matemática. Mantém a
página Recursos de Física .
Para saber mais:
(Livro) Astrobiologia: uma
ciência emergente. Douglas
Galante (org). São Paulo: Tiknet
edição. IAG/USP, 2016.
(Livro) Astrobiologia: uma
ciência híbrida contemporânea.
São Paulo: Livraria da Física,
2005.
(Youtube) [LIVE] Minicurso de
Astrobiologia - Sociedade
Brasileira de Astrobiologia -
https://www.youtube.com/watch
?v=Q-EifZqF32g
(Youtube) Astrobiologia - O
Estudo da Vida no Universo -
https://www.youtube.com/watch
?v=8gGkMOmhnDw
Pensamento crítico.
Fonte: https://eseg.edu.br/blog/o-que-e-pensamento-critico/
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19
Wilson Guerra
[email protected]
Observe tudo que nos cerca:
o solo, os minerais, os
objetos que manipulamos;
as páginas dos livros que
estamos foleando, a tela do
computador ou do
smartphone. Pense na água
que mata nossa sede, que
corre nos rios, que enche
oceanos e regularmente cai
do céu na forma de chuva.
Pense nos seres vivos, os
animais silvestres ou
domésticos. A própria
humanidade, nossos amigos
e até você mesmo! É incrível,
mas tudo isso que está a
nossa volta é composto de,
no máximo, 92 elementos
básicos. São os elementos
químicos .
O que diferencia o mineral
dos seres vivos, o orgânico
do inorgânico, o natural de
um artefato feito por
humanos são apenas as
proporções e,
principalmente, a forma em
como esses elementos estão
organizados entre si.
No final do século XIX o
estudioso e químico russo
Dmitri Ivanovich
Mendeleyev notou que
grupos destes elementos
tinham propriedades
parecidas. Mais que isto,
estas propriedades pareciam
se repetir periodicamente.
Mendeleyev então organizou
os elementos químicos de
acordo com esta
periodicidade e deu origem
assim à Tabela Periódica dos
Elementos. Hoje se sabe que
há mais de 92 elementos na
tabela periódica, mas os
últimos são criados
A FABRICAÇÃO CÓSMICA DOS
ELEMENTOS QUÍMICOS
NUCLEOSSÍNTESE ESTELAR
ASTROQUÍMICA
NUCLEOSSÍNTESE ESTELAR
A FABRICAÇÃO CÓSMICA DOS
ELEMENTOS QUÍMICOS
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Figura 1: Tabela Periódica dos Elementos.
Cada elemento é simbolizado com até duas letras de seu nome em Latim.
O número superior é chamado de Número Atômico, e diz a quantidade de
prótons que existe no núcleo do átomo deste elemento químico.
É o número de prótons que diferencia um elemento do outro.
artificialmente, não têm
muita estabilidade e logo se
transmutam em outros mais
convencionais (figura 1).
É curioso que até
praticamente a metade do
século XX, ou seja, há pouco
mais de 50 anos, não se
sabia a origem destes
elementos químicos. Até
então os cientistas apenas
aceitavam suas existências, o
que é bem razoável. Mas a
Ciência não é um
empreendimento intelectual
estático. E em pouco tempo
descobrimos que a resposta
de onde os elementos
químicos se originavam
estava em todo o Universo.
Átomo: a unidade química
elementar
A menor estrutura que a
matéria se conforma,
mantendo as propriedades
químicas dos elementos é o
átomo . A idéia de átomo
vem de Grécia Clássica, mas
foi abandonada por toda a
Idade Média e só foi
resgatada com o
desenvolvimento da Ciência
Moderna.
Na matéria, os átomos por
sua vez são agregados
devidamente organizados de
três partículas menores: os
elétrons, mais externos, e os
nêutrons e os prótons,
coesos internamente no
núcleo. Desde os
experimentos de Rutherford
no começo do século XX, é
didático entender que a
conformação destas
partículas para a formação
dos átomos é semelhante ao
Sistema Solar (figura 2). Os
elementos diferenciam-se
quimicamente entre si pelo
número de prótons que há
nos núcleos de seus átomos.
O elemento Hidrogênio (H)
tem apenas 1 próton em seu
núcleo (número atômico
igual a 1, ou Z=1). O átomo
do elemento Hélio (He) tem
dois prótons no núcleo (Z=2).
O elemento Lítio (Li) tem
três prótons (Z=3). O
elemento Carbono (C),
essencial para a Vida como a
conhecemos, tem Z=6. O
Oxigênio (O) tem Z=8. O
Neônio (Ne), gás nobre usado
em painéis luminosos, tem
Z=10. O Cálcio (Ca), presente
em nossos ossos, tem Z=20.
O Ferro (Fe), essencial no
nosso sangue, tem Z=26. O
Cobre (Cu), importante na
composição de circuitos
elétricos, tem Z=29. O
cobiçado Ouro (Au) tem
Z=79. O Urânio (U), usando
nos reatores nucleares para
produção de eletricidade,
tem Z=92!
Figura 2: um modelo didático de
átomo. Os elétrons compõem a
parte mais externa, girando na
“elestrosfera”. Os elétrons têm
carga elétrica negativa. O núcleo
é composto de prótons e
nêutrons. Os prótons têm carga
elétrica positiva e o nêutrons não
têm carga.
elétron
nêutron
próton
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Nucleossíntese primordial
Os elementos mais simples e
leves já estavam presentes
há muito tempo, pouco
depois da fase ultradensa e
quente do Universo segundo
o modelo do Big Bang . O
Hidrogênio, praticamente
todo o Hélio e um pouco de
Lítio vem dessa fase inicial
do atual ciclo do Universo.
Esse processo é denominado
Nucleossíntese Primordial.
Mas e quanto aos quase 90
outros elementos químicos
conhecidos na Natureza? A
energia disponível da
nucleossíntese primordial
não seria capaz de produzir
a Tabela Periódica inteira! A
resposta viria por volta da
década de 1930.
A energia do Sol
No fim do século XIX muitos
estudiosos tentaram
entender como o Sol (ou
qualquer estrela) produz sua
energia. Quase todas as
hipóteses supunha queima
tradicional, como se o Sol
fosse uma gigantesca esfera
de algo pegando fogo
constantemente. É que até
então não se conheciam
outros processos de geração
de luz e calor que não
fossem algo parecido com o
fogo.
Apenas em 1937 que a
proposta de Hans Albrecht
Bethe deu conta da
produção de energia do Sol:
a fusão termonuclear .
Basicamente sua descoberta
era de que a cada quatro
núcleos de Hidrogênio (ou
seja, 4 prótons) se fundem,
depois de uma cadeia de
processos, em um núcleo do
átomo de Hélio. Neste
evento uma grande
quantidade de energia é
liberada, conferindo toda a
fonte de luz e calor de nossa
estrela (figura 3).
Notemos que, nesse
processo, partiu-se do
núcleo de um elemento
químico (o simples
Hidrogênio, com apenas um
próton) e obteve-se outro
elemento químico, o Hélio,
cujo núcleo é maior e tem
dois prótons e dois
nêutrons.
Figura 3 : quatro prótons iniciam processo
que, por fim, libera energia na forma de
raios gama e forma um núcleo de Hélio
(2 prótons e 2 nêutrons).
Próton
Nêutron
Pósitron
g
n
Raio Gama
Neutrino
O Sol então, como qualquer
outra estrela, produz novos
elementos químicos em seu
interior enquanto irradia
sua energia. Os subprodutos
dessas reações podem ser
usados em novos processos,
sintetizando núcleos de
elementos mais pesados. Eis
a Nucleossíntese Estelar .
Nucleossíntese estelar
Como os prótons têm cargas
elétricas iguais (positiva),
são necessárias grandes
velocidades para que eles
vençam a repulsão
eletrostática entre si e
possam se fundir. Por isso as
energias necessárias para
que o processo se inicie são
altas, exigindo que o núcleo
das estrelas estejam muito
quentes, na ordem de pelo
menos milhões de graus.
Conforme a fusão do
hidrogênio gera hélio, o
próprio hélio pode entrar
em novos processos para
formar, então, núcleos de
elementos mais pesados,
como o Berílio e o Carbono
(figura 4). Há também
reações que usam Carbono e
Nitrogênio como
Figura 4 : reação triplo-alfa (triplo- a ): a partir do
Hélio, inicia-se síntese de novos elementos.
O produto final é Carbono (Z=6).
Próton
Nêutron
g Raio Gama
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Próton
Nêutron
Pósitron
g
n
Raio Gama
Neutrino
“catalizadores” (facilitadores
das reações), num processo
chamado ciclo CNO (figura
5). Esse processo é
predominante em estrelas
com mais massa que o Sol.
Quanto maior a massa da
estrela, maior a
temperatura de seu núcleo.
Com isso novas fusões
podem acontecer,
sintetizando elementos
químicos mais pesados. Em
reações de captura de Hélio,
o Carbono se funde com um
Héilo e forma o Oxigênio
(figura 6a). O Oxigênio por
sua vez, ao capturar um
núcleo de Hélio, forma o
Neônio (figura 6b). E o
Neônio ao sofrer fusão com
outro núcleo de Hélio forma
o Magnésio (figura 6c).
Em estrelas gigantes, de
grande massa, os núcleos
estelares são tão quentes que
Figura 5 : ciclo do carbono,
ou ciclo CNO.
Figura 6 : reações de captura de Hélio
Figura 6a Figura 6b Figura 6c
Figura 7 : outras reações de fusão
Figura 7a Figura 7b Figura 7c
outras reações de fusão
ocorrem, sintetizando
elementos químicos ainda
mais pesados, como Silício
(figura 7a), o Enxofre (figura
7b) e o Ferro (figura 7c). São
nestas estrelas maiores que
todos os elementos químicos
da Tabela Periódica são
efetivamente sintetizados.
Em todas estas reações há
liberação de energia na
forma de fótons (radiação
eletromagnética, luz e
calor).
Para além do Ferro
A partir do Ferro (Z=26) as
reações passam a consumir
energia. Elementos químicos
de número atômico maior
são sintetizados por
processos de captura de
nêutrons e decaimento beta
( b -). Como os nêutrons não
têm carga elétrica, eles se
fundem com mais facilidade
aos núcleos atômicos. Se o
núcleo formado é instável, o
nêutron pode sofre um
decaimento, gerando um
próton e um elétron. O
elétron escapa na forma de
radiação beta e o próton fica
no núcleo, aumentado Z em
uma unidade e assim
gerando um novo elemento
químico.
Estrutura das estrelas de
grande massa
Acima de 25 massas solares,
conforme a estrela consome
seu “combustível nuclear”,
os novos elementos mais
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pesados são sintetizados e se
distribuem em camadas, do
tipo “cebola” (figura 8).
Como o núcleo é sempre
mais quente, os novos
elementos são sintetizados
do centro para fora.
Nas estrelas de baixa massa,
o aumento da temperatura
interna expulsa as camadas
superiores para o espaço
interestelar, formando as
chamadas nebulosas
planetárias (figura 9).
Para estrelas de grande
massa, com mais de 25
massas solares, com sua
reserva de “combustível
nuclear” quase se esgotando,
a estrutura de camadas se
configura como na figura
8a. Entre uma camada e
outra é onde predominam
os processos de fusão e a
síntese de novos elementos
químicos.
Supernova: presente químico
para o Universo
Diferente das estrelas de
baixa massa como o Sol,
cujo fim é sinalizado com
uma bela nebulosa
planetária, as estrelas de
grande massa tem um
destino bem mais extremo:
uma explosão supernova !
Como já citado, a partir do
Ferro as reações no núcleo
da estrela passam a ser
endoérgicas (consomem
energia ao invés de produzi-
la). A pressão resultante de
sua temperatura interna
começa a perder a queda de
braço para o peso da colossal
estrela sobre si mesma.
O núcleo ou “caroço” passa a
ser pressionado pela estrela,
que entra em colapso.
A matéria mais externa “cai”
no caroço, recocheteia e
recebe ondas de choque de
processos violentos do seu
interior. Estas ondas de
choque reverberam até as
camadas mais superficiais
Figura 9 : nebulosa Dumbble, a primeira
nebulosa planetária, descoberta em 1764
(fonte: Hubble Telescope - NASA/ESA)
Hidrogênio e Hélio (H, He)
Hélio, Carbono e Oxigênio (He, C, O)
Carbono e Neônio (C, Ne)
Neônio e Oxigênio (Ne, O)
Oxigênio e Silício (O, Si)
Silício e Níquel (Si, Ni)
Ferro e Níquel (Fe, Ni)
Figura 8 A estrutura em camadas com material sintetizado nas estrelas, já quase esgotando seu “combustível” nuclear.
Figura 8a - Estrela de grande massa Figura 8b - Estrelas de pequena massa
H
He
H
He
C
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que iniciam a explosão de
supernova. Isso aumenta as
temperaturas destas
camadas a novas fusões
termonucleares ocorrem,
denominadas queimas
nucleares explosivas .
Num processo conhecido de
processo-r (”r” de “rápido”),
muitos nêutrons são
produzidos nas regiões da
altas temperaturas do caroço
central. Uma sequência
muita grande de capturas de
nêutrons acontece (mais
rápidas que os decaimentos
beta). O Ferro no caroço é o
principal “combustível”
dessas reações. É neste
processo extremo e rápido
que se produz todo o
restante de elementos da
Tabela Periódica, até o
número atômico do Urânio
(Z=92) e provavelmente além
dele também!
Nesta explosão de supernova
toda a matéria química
sintetizada no interior da
estrela por milhões de anos
é expelida para o espaço,
enriquecendo
quimicamente as nuvens
interestelares!
Poeira das estrelas
Toda a riqueza química
expelida pela supernova
preencherá nuvens de gás e
poeira que formarão outra
geração de estrelas. Mas
desta vez história é
diferente. Com uma
diversidade química tão
grande, a formação de
planetas em torno das novas
estrelas poderá ser (e tudo
indica que é) inevitável.
Novos sistemas planetários
se formarão, com planetas
tão belos como Marte e
outros, quem sabe, com
condições semelhantes às da
Terra.
Nós somos herdeiros de
supernovas de mais de 5
bilhões de anos atrás. Os
átomos que constituem tudo
que vemos, tudo que nos
cerca e a nós mesmos
vieram do coração de
estrelas gigantes. Na Terra
essa matéria encontrou
condições de expressar uma
propriedade muito especial:
a Vida. Nossa galáxia está
cheia de nuvens
interestelares enriquecidas
quimicamente por
supernovas antigas e atuais.
A todo momento estas
regiões são reabastecidas,
inclusive com a química da
Vida. Será que a Vida que
presenciamos aqui se
formou ou está se formando
em outros locais do
Universo? É possível, pois
não somos só nós que somos
feitos da poeira das estrelas.
Wilson Guerra é professor.
Graduou-se em Física, tem
especialização em Astrobiologia e
mestrado em Educação para a
Ciência e a Matemática.
Bibliografia:
Introdução à Física Nuclear
Schechter, Bertulani; Editora UFRJ
Astronomia e Astrofísica
Oliveira; Saraiva; Livraria da Física
Link recomendado:
http://astro.if.ufrgs.br/evol/node42.htm
A Nebulosa do Carangueijo são os restos
de uma supernova ocorrida em 1054. (Fonte: ESO)
O sistema Eta Carinae (na verdade um sistema duplo) está
prestes a explodir, provavelmente em uma supernova. Muito
da matéria das estrelas do sistema já foi ejetada. (fonte: NASA)
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V E N E R A
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Rafael Cândido Jr.
[email protected]
É comum, mesmo entre as
pessoas que acompanham a
História da Astronáutica,
que se recorde do primeiro
satélite artificial (Sputnik 1
– outubro/1957), do primeiro
voo tripulado (Vostok 1 –
abril/1961) ou da primeira
missão tripulada que
pousou na Lua (Apollo 11 –
julho/1969). Mas poucos se
recordam da primeira
missão que pousou em um
planeta e do programa a que
pertencia. Neste artigo
vamos conhecer a odisseia
para desvendar o Planeta
Vênus.
As primeiras tentativas
O programa espacial Venera
começou a ser concebido
logo após os voos dos
primeiros satélites Sputnik.
Enquanto uma parte do
programa soviético tinha
como meta o voo tripulado,
outra parte ficou
encarregada de planejar as
sondas interplanetárias.
Então, em 1959 tem início
um dos maiores programas
espaciais da História,
denominado Venera
(literalmente, Vênus em
russo).
A primeira sonda construída
para ir à Vênus foi
denominada Venera 1VA e
foi lançada em 04/02/1961.
Porém uma falha no último
estágio do foguete de
lançamento fez com que esta
sonda sequer deixasse a
órbita da Terra. Como era
comum na URSS, os
fracassos não eram
divulgados e então este
lançamento foi anunciado
apenas como o lançamento
de um satélite muito pesado
(e de fato, pesava quase 645
kg).
Assim, em 12/02/1961 foi
lançado um satélite idêntico
ao anterior, este sim com
lançamento bem-sucedido.
Finalmente, o Venera 1
PESQUISA ESPACIAL
PROGRAMA ESPACIAL
V E N E R A
PROGRAMA ESPACIAL
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AstroNova . N.50 . 2026
estava a caminho do planeta
Vênus.
Sendo idêntico ao anterior,
foi denominado pelos
soviéticos de Venera 1VA
Nº2. A meta era fazer um fly-
by, um voo rasante, sobre as
nuvens de Vênus e coletar
dados meteorológicos.
Porém, ao chegar próximo
ao planeta em 19/05/1961, o
contato de rádio foi perdido.
E assim perdeu-se a Venera 1,
que entrou em órbita
heliocêntrica. A figura 1
mostra uma réplica da
Venera 1.
A Venera 2, denominada
3MV-4, foi lançada em
12/11/1965 e era ainda mais
pesada que a versão anterior,
tinha 963 kg. Tinha câmeras,
magnetômetros detectores
de raios cósmicos, contador
Geiger entre outros
equipamentos. A meta era
realizar um voo a apenas
24000 km de distância da
atmosfera de Vênus e isto
ocorreu em 27/02/1966.
A programação era realizar
as medições durante o voo,
arquivar os dados usando os
gravadores de bordo e estes
dados seriam transmitidos
assim que se retornasse o
contato com a Terra. Porém,
este contato nunca se
concretizou, ocorreu uma
falha no sistema de rádio e a
sonda foi declarada perdida
em 04/03.
Mudança de planos
Com estas falhas nas Venera
1 e 2, o Comitê Central da
URSS transferiu a
construção das sondas da
Corporação Korolev para a
Corporação Lavochkin.
Exceto a Venera 3, que
pesava 960 kg; todas as
naves passavam de 1
tonelada.
A Venera 3 foi lançada em
16/11/1965 e tinha como
missão o pouso em Vênus.
Entretanto, a sonda perdeu
seus sistemas de
comunicaçãoe em
01/03/1966, provavelmente a
sonda entrou na atmosfera
do planeta e impactou na
sua superfície, tornando-se a
primeira sonda a impactar
outro planeta. (figura 2)
A Venera 4, lançada em
12/06/1967, entrou na
atmosfera venusiana em
18/10/1967 e conseguiu
analisar a composição da
atmosfera, bem como as
variações de pressão e de
temperatura na mesma. A
partir desta nave as sondas
Figura 1. Réplica da Venera 1.
(Museu da Cosmonáutica - Moscou)
Figura 2. Réplica da Venera 3. (Museu da Cosmonáutica - Moscou)
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eram compostas de uma
nave-mãe (bus) e uma sonda
de pouso (lander). A figura 3
apresenta a Venera 4 em sua
totalidade e a figura 4, a
sonda de pouso.
Durante a entrada o escudo
de proteção alcançou
11000°C e o tempo total para
alcançar a superfície foi de
93 minutos, porém não
houve transmissão de dados
da superfície. Na altitude de
26 km a temperatura
alcançou 260°C e a pressão
chegou a 22 atmosferas.
Estes foram os últimos dados
transmitidos.
As Venera 5 e 6, lançadas
respectivamente em
05/01/1969 e 10/01/1969 eram
idênticas e tinham massa de
1130kg.
A sonda de pouso da Venera
5 entrou na atmosfera em
16/05/1969. Já a sonda de
pouso da Venera 6 entrou na
atmosfera no dia seguinte.
Ambas transmitiram dados
durante a descida, porém,
antes do pouso suas baterias
já estavam no fim da carga.
Sobrevivendo no inferno
A Venera 7 foi a primeira
sonda a ser construída para
fazer um pouso suave e
sobreviver às condições da
superfície de Vênus.
Em 15/12/1970 a sonda de
pouso entrou na atmosfera,
porém o paraquedas falhou
antes do pouso e a sonda
impactou a 17 m/s.
Sobreviveu ao impacto e
conseguiu transmitir, ainda
que com sinal fraco, por 23
minutos, as condições da
superfície: pressão,
temperatura, velocidade do
vento. Assim, a Venera 7
tornou-se o primeiro
artefato humano a
transmitir dados da
superfície de Vênus.
A sonda Venera 8(figura 5)
tinha na sua nave mãeum
detector de raios cósmicos,
detector de vento solar e um
espectrômetro de
ultravioleta.A sonda de
pouso entrou na atmosfera
em 22/07/1972. Prévio a esta
entrada, ela foi resfriada
pelo sistema da nave mãede
modo que isso prolongasse
sua vida útil durante o
descenso e pouso. Na
instrumentação, uma
novidade: um sistema de
fotômetros para medir a
quantidade de luz na
superfície.
O pouso ocorreu a 500 km
da linha de terminador
(linha que separa o dia da
noite) na manhã venusiana.
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Figura 4. Réplica da sonda de pouso da Venera 4
(Museu da Cosmonáutica - Moscou).
Figura 3. Réplica da Venera 4
(Museu da Cosmonáutica - Moscou).
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Após o pouso, a nave enviou
dados por 50 minutos. A
temperatura de superfície
foi confirmada em 470°C,
pressão de 90 atmosferas e
ao medir a intensidade
luminosa, verificou-se que
era suficiente para registrar
fotografias da superfície. O
espectrômetro de raios gama
identificou que as rochas na
superfície são similares ao
granito.
Novos tipos de sonda
Conhecendo as
particularidades da
superfície de Vênus, a
Corporação Lavochkin criou
um novo tipo de design,
agora não seria apenas uma
nave mãe e uma sonda de
pouso; haveria um orbitador
e uma sonda de pouso, que
seria levada numa esfera
resistente ao calor gerado na
descida. A massa total do
conjunto seria de quase 5
toneladas. O projeto previa
que as sondas de pouso
operassem por 30 minutos
na superfície. (figura 6)
Além do novo design, as
missões seriam lançadas
com diferenças de poucos
dias. Assim, as missões
aconteciam em duplas:
Venera 9 e 10 e Venera 11 e
12.
A Venera 9 foi a primeira
sonda a registrar fotos de
outro planeta. Porém um
problema na Venera 9, que
também ocorreu na Venera
10, foi relativo às fotos
panorâmicas. Esperava-se
que a sonda conseguisse
fazer fotos panorâmicas de
360°; porém as fotos
conseguidas foram
panorâmicas de apenas
180°.
O cientista Don P. Mitchell,
pesquisador do programa
espacial soviético, teve
acesso às imagens originais
obtidas pelas Venera e as
corrigiu usando softwares
específicos. (figuras 7 e 8)
As Venera 11 e 12 tinham
sistemas para tirar fotos
coloridas, porém a proteção
usada na lente não foi
ejetada após o pouso e
assim, não foram
conseguidas fotos nessas
missões.
As cores de um novo mundo
As sondas Venera 13 e 14
seguiam o mesmo design de
Figura 5. Uma rara foto da montagem
da Venera 8, que era idêntica
à Venera 7, sendo montada.
Figura 6. Réplica da estrutura das Venera 9 a 12. A esfera superior carregava
a sonda de pouso. (Museu da Cosmonáutica - Moscou)
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AstroNova . N.50 . 2026
orbitadores e de sondas de
pouso que suas antecessoras
9 a 12. A diferença estava na
instrumentação que
carregavam. (figura 9)
Além do padrão das naves,
seguiu-se o padrão de
lançamento e assim como as
anteriores, as Venera 13 e 14
praticamente eram uma
missão em dupla.
Nestas missões foram
levados instrumentos de
análise do solo. Um
incidente ocorrido na
Venera 14 foi que o protetor
da lente da câmera foi
ejetado e caiu exatamente
onde o sistema de
perfuração do solo deveria
analisar.
As figuras 10 a 14 mostram
fotos panorâmicas coloridas
obtidas pelas sondas de
pouso.
Percebe-se pelas fotos as
diferenças dos terrenos nos
quais as sondas pousaram. A
Venera 13 pousou num local
onde se encontra um tipo de
solo granulado. Já a Venera
14 pousou num local muito
mais rochoso.
Os calibradores de cor vistos
no lado direito destas fotos
permitiram que fossem
feitas as correções na
imagem e assim obter a cor
real que deveria ser vista nas
fotos.
Figura 7. Imagem obtida pela Venera 9 em
três etapas: original, correção em
andamento e totalmente corrigida.
Figura 8. Correção aplicada às fotos obtidas
pela Venera 10.
Figura 9. Sonda de pouso e orbitador ao fundo. Praticamente todas
as missões Venera de 9 a 14 tinham seguiam este padrão de naves.
(Museu da Cosmonáutica - Moscou)
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Mapeando um mundo nebuloso
As Venera 15 e 16 não
possuíam sondas de pouso.
Eram orbitadores idênticos
(figura 14) que tinham como
missão mapear a superfície
de Vênus, a qual não se vê a
olho nu porque o planeta é
permanentemente coberto
de nuvens.
Assim como nas missões
anteriores, estas duas foram
lançadas muito próximas e
mapearam o planeta ao
mesmo tempo. Além da
similaridade na estrutura,
levavam a mesma
instrumentação: detector de
plasma solar, detector de
raios cósmicos,
espectrômetro
infravermelho e radar
altimétrico.
Foram mapeados 25% da
superfície do planeta,
concentrando-se no
hemisfério norte, como
mostra a figura 15.
Viagem ao cometa Halley via
planeta Vênus
Com a chegada do cometa
Halley ao seu periélio em
1986, foi realizado um
esforço mundial de várias
naves estudarem o cometa.
Esta ação, denominada
Armada Halley, tinha a
participação das naves Vega
1 e Vega 2.
Estas sondas idênticas
(figura 16)iriam estudar o
cometa Halley usando como
caminho uma visita ao
planeta Vênus para
conseguir a velocidade
necessária para ir rumo ao
cometa (isso se denomina
em Astronáutica de efeito
estilingue gravitacional).
Apesar do nome, em
princípio nos remeter à
estrela Vega, na verdade
trata-se de um acrônimo em
russo, formado pelas
palavras Venera (Vênus em
russo) e Gallei (Halley em
russo).
Figura 14. Réplica da estrutura utilizada
para as Venera 15 e 16.
(Museu da Cosmonáutica, Moscou)
Figura 10. Venera 13 – câmera 1. O protetor da lente está entre o analisador
de solo e o calibrador de cor.
Figura 11. Venera 13 – câmera 2.
Figura 13. Venera 14 – câmera 2.
Figura 12. Venera 14 – câmera 1. Nota-se o perfurador
de solo sobre o protetor da lente.
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Figura 15. Topografia parcial de Vênus realizada pelas Venera 15 e 16.
Figura 17. Testes do balão utilizado nas
missões Vega 1 e Vega 2 realizado nas
instalações da Corporação Lavochkin.
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AstroNova . N.50 . 2026
Estas naves foram uma
parceria firmada em 1984
pela União Soviética com os
seguintes países: Áustria,
Bulgária, Hungria,
Alemanha Ocidental e
Oriental (na época ainda não
estavam unificadas),
Polônia, Tchecoeslováquia
(que eram um único país na
época) e França.
Durante a passagem por
Vênus, a nave lançaria um
módulo de pouso,
semelhante ao construído
nas Venera anteriores e
também um balão
atmosférico para pesquisar
as nuvens. (figura 17)
Estes balões eram esferas
pressurizadas com gás hélio.
Figura 16. Réplica das naves Vega localizada no Udvar-Hazy Center
em Virginia, EUA.
O diâmetro era de 3,54 m. A
carga pesava 6,9 kg e estava
pendurada ao balão por um
cordame de 13 m de
comprimento.
A sonda de pouso da Vega 1
apresentou falhas e na sua
descida foram retornados
apenas os dados do
espectrômetro de massa por
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AstroNova . N.49 . 2026
Figura 18. Concepção artística da nave Venera-D.
20 minutos após o pouso. Já
a sonda de pouso da Vega 2
trouxe novos dados. A
análise do solo do local de
pouso encontrou anortosita-
troctolita, um tipo de rocha
muito raro na Terra e
encontrado na Lua. Seu
funcionamento durou 56
minutos.
Para ambas as naves, o balão
flutuou na altitude de 54
km e seus sistemas
funcionaram pouco mais
que 46 horas. Foi verificado
que nesta altitude a
atmosfera de Vênus tem
pressão e temperatura
semelhantes às da Terra
(pressão de 1 atm e
temperatura em torno de
27°C) porém com ventos de
até 240 km/h e também
confirmou o que outras
naves da missão tinham
detectado: a presença dos
ácidos sulfúrico e clorídrico
nas nuvens.
O futuro em Vênus
Há um projeto russo de
retomada das missões, é o
projeto Venera-D (figura 18).
A proposta é fazer
observações altimétricas
como nas Veneras 15 e 16 e
ter uma sonda de pouso que
suporte pelo menos 3 horas
na superfície. A previsão é
de lançamento em 2031.
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AstroNova . N.50 . 2026
Figura 19. Concepção artística de como pode estar
hoje uma das sondas de pouso do programa Venera.
Arte digital de RJWaterworth, disponível em:
http://rjwaterworth.deviantart.com/art/Venus-Venera-373745255.
Conclusões finais
O Programa Espacial Venera
foi um grande desafio de
Engenharia e Logística da
União Soviética. Mesmo com
poucos recursos, se
comparado à Nasa, as
realizações que este
programa espacial
proporcionou foram
imensas. Percebe-se que os
erros ajudaram a melhorar e
muito as naves posteriores.
Esperamos que a retomada
com as Venera-D ocorra o
mais breve possível para que
possamos compreender mais
o que aconteceu com o
planeta que é também
considerado o mundo gêmeo
da Terra (Vênus é
ligeiramente menor que a
Terra).
Para finalizar, segue uma
representação artística de
como pode estar atualmente
uma das naves na infernal
superfície venusiana (figura
19) e duas tabelas com
alguns dados das missões
Venera e Vega (tabelas 1 e 2).
Rafael Cândido Jr. é graduado
e mestre em Engenharia
Química. Integra o grupo de
astronomia Arcturus, da UFABC.
Referências bibliográficas
A página do cientista Don P.
Mitchell tem excelentes
informações sobre o Programa
Espacial Venera, incluindo até
informações da instrumentação
e telemetria das naves:
http://mentallandscape.com/V_V
enus.htm
Russian Planetary Exploration –
Brian Harvey – Springer Praxis.
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Ricardo Francisco Pereira
www.recursosdefisica.com.br
Essa “entrevista” com
Galileu Galilei foi gerada
fazendo a IA Manus
responder as questões do
entrevistador o mais
próximo possível de como o
próprio Galileu responderia.
Essa entrevista será dividida
em 2 partes. Aqui está a
primeira parte e a parte 2 e
final será publicada na
próxima edição da Revista
Astronova (edição 51).
Ricardo: Sr. Galileu, muito
obrigado por se
disponibilizar a conversar
conosco.
Galileu Galilei: O prazer é
inteiramente meu. É uma
satisfação encontrar alguém
HISTÓRIA DA CIÊNCIA
ENTREVISTA COM GALILEU GALILEI (VIA MANUS)
PRIMEIRA PARTE
tão interessado nas verdades
que a natureza, em sua
infinita sabedoria, escreveu
no grande livro do Universo,
livro este que, como sempre
defendi, está escrito em
linguagem matemática.
Ricardo: A história nos
contou que o senhor ouviu
falar sobre um instrumento
“para ver mais longe”
produzido por um holandês
e aí criou a sua própria
versão. Nos conte um pouco
sobre como isso aconteceu e
porque se interessou por
esse instrumento.
Galileu Galilei: Ah, uma
excelente pergunta para
começarmos! De fato, os
rumores chegaram aos meus
ouvidos em 1609, enquanto
eu estava em Veneza. Ouvi
falar de um certo "vidro de
espionagem" inventado por
um flamengo, Hans
Lippershey, ao que parece,
que permitia ver objetos
distantes como se estivessem
próximos. Muitos viram
naquilo apenas um
brinquedo ou, no máximo,
uma ferramenta militar
para avistar navios inimigos
no horizonte. Mas, para
mim, a notícia soou como
um chamado da própria
Verdade. Eu não tive o
instrumento holandês em
mãos; o que fiz foi aplicar os
meus conhecimentos de
óptica e geometria para
reconstruir o conceito.
Trabalhei incansavelmente,
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moendo minhas próprias
lentes, até que consegui algo
muito superior ao original:
um instrumento que não
apenas aproximava as coisas
três vezes, mas dez e depois
vinte vezes!
Ricardo: O aprimoramento
do telescópio foi um divisor
de águas na História da
Ciência. Poderia nos
descrever o momento em
que o senhor decidiu
apontar este novo
instrumento para o céu
noturno? O que o fez pegar o
telescópio e apontar para o
céu? Qual era a sua
expectativa inicial e qual foi
a sensação ao ver os corpos
celestes muito diferentes do
que se acreditava na época?
Galileu Galilei: Ah, você toca
no cerne do mistério e da
maravilha! O que me fez
apontar o telescópio para o
céu não foi um mero acaso,
mas uma fome de certeza.
Naquela época, ensinava-se
que os céus eram o reino da
perfeição absoluta,
compostos por esferas de
cristal imaculadas, mas a
razão, essa centelha divina
em nós, sempre me dizia
que a natureza não se
importa com os nossos
dogmas. Minha expectativa
inicial era, confesso,
modesta. Eu esperava ver as
estrelas um pouco maiores,
talvez confirmar o que os
antigos diziam, mas o que
senti ao encostar o olho na
lente foi como se um véu
tivesse sido rasgado diante
de mim.
A primeira vez que foquei na
Lua, meu coração quase
parou. Eu esperava ver uma
superfície lisa e polida,
como uma pérola celestial.
Em vez disso, vi montanhas
majestosas cujas sombras se
alongavam conforme o Sol
as atingia; vi vales
profundos e crateras vastas.
A Lua não era uma esfera
perfeita, ela era um mundo,
tão rugoso e imperfeito
quanto a nossa própria
Terra! Foi uma sensação de
espanto absoluto, misturada
com uma clareza gelada:
Aristóteles estava errado.
E quando apontei para a Via
Láctea? Onde o olho
humano via apenas uma
mancha esbranquiçada e
nebulosa, meu instrumento
revelou uma multidão
infinita de estrelas, tão
pequenas e distantes que a
mente mal conseguia
processar. Senti-me, ao
mesmo tempo, o homem
mais privilegiado do mundo
por ser o primeiro a
testemunhar tamanha
grandeza e o mais
insignificante diante da
vastidão que se abria.
Mas nada se comparou à
noite de 7 de janeiro de
1610, quando encontrei
Júpiter. Vi três pequenas
estrelas próximas a ele,
alinhadas de forma curiosa.
Nas noites seguintes, elas
haviam mudado de posição,
mas continuavam
acompanhando o planeta.
Foi quando a verdade me
atingiu como um raio: elas
não eram estrelas fixas,
eram mundos orbitando
outro mundo! Naquele
momento, compreendi que a
Terra não era o único centro
de movimento no Universo.
A sensação não era apenas
de triunfo científico, mas de
uma profunda reverência.
Eu estava lendo as palavras
originais de Deus, escritas
na própria estrutura do
cosmos, sem os filtros das
interpretações humanas de
AstroNova . N.50 . 2026
Imagem 1: Perspicillum (telescópio)
de Galileu. Fonte: clique aqui
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dois mil anos. Foi
aterrorizante e libertador ao
mesmo tempo. Eu sabia que,
a partir daquele momento, o
mundo nunca mais seria o
mesmo.
Diga-me, você consegue
imaginar o peso de carregar
uma verdade que ninguém
mais no mundo ainda
conhece?
Ricardo: Com certeza não e
deve ter sido um momento
realmente incrível.
Voltaremos a falar de Júpiter
mais adiante. Os filósofos
aristotélicos da sua época
tinham a certeza de que o
céu era perfeito e imutável e
muitos se recusaram a olhar
pelo seu telescópio. Como
você lidou com isso na época
e como o senhor lidou com
as suas observações
contradizerem séculos de
pensamento estabelecido?
Galileu Galilei: Ah, você toca
em uma ferida que ainda
arde! Lidar com esses
"filósofos de papel", como eu
costumava chamá-los, foi
uma das provações mais
frustrantes da minha vida.
Imagine só: eu oferecia a
eles a oportunidade de ver a
verdade com os próprios
olhos, e eles respondiam
citando parágrafos de
Aristóteles! Houve quem se
recusasse terminantemente
a encostar o olho na lente.
Um deles, o respeitado
Cesare Cremonini, chegou a
dizer que olhar pelo
telescópio lhe dava dor de
cabeça. Outros afirmavam
que o instrumento era uma
fraude, que as lentes
criavam ilusões e que as luas
de Júpiter estavam "dentro
do tubo" e não no céu. Eu ria
para não chorar! Como eu
lidei com isso? Com uma
mistura de sarcasmo e uma
fé inabalável na evidência.
Eu lhes dizia: "Se Aristóteles
estivesse aqui hoje e visse o
que eu vejo, ele mesmo
mudaria de opinião, pois ele
valorizava a observação
acima de tudo!" Mas eles não
amavam a Aristóteles; eles
amavam o seu próprio
conforto intelectual.
Sobre contradizer séculos de
pensamento estabelecido, foi
um fardo pesado, mas não
tive escolha. A verdade não é
filha da autoridade, mas sim
filha do tempo e da
observação. Eu não buscava
destruir a tradição por
capricho, eu estava
simplesmente relatando o
que Deus escreveu na
natureza. Eu sabia que
estava certo, mas sabia
também que estava
derrubando as colunas que
Imagem 2: Galileu explicando a topografia da Lua aos céticos.
Fonte: National Geographics Brasil
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sustentavam o mundo deles
e quando você derruba o
teto de alguém, não deve
esperar que essa pessoa lhe
agradeça. Eu estava
preparado para a
controvérsia, mas talvez não
estivesse preparado para a
cegueira voluntária daqueles
que preferiam a escuridão
dos seus livros à luz das
estrelas.
Ricardo: Suas observações da
Lua revelaram uma
superfície com montanhas e
crateras, desmistificando a
ideia de um corpo celeste
liso e perfeito. Qual foi a
reação inicial das pessoas a
essas descobertas sobre a
Lua? Houve ceticismo ou
aceitação imediata?
Galileu Galilei: Ah, a nossa
vizinha prateada! A reação
às minhas observações
lunares foi um verdadeiro
espetáculo de negação e
assombro. Imagine a cena:
por dois milênios, a
humanidade acreditou
piamente que a Lua era uma
esfera perfeita, lisa como
um espelho de cristal e
composta por uma
substância divina e
imutável. Quando publiquei
os meus desenhos no
Sidereus Nuncius,
mostrando uma Lua "áspera,
desigual e cheia de
cavidades", foi como se eu
tivesse jogado lama no rosto
de uma divindade. O
ceticismo não foi apenas
comum; foi institucional. Os
defensores da perfeição
celestial ficaram
horrorizados.
Para o povo comum, a
sensação era de que o céu
estava se aproximando. A
Lua deixava de ser um
símbolo abstrato de
perfeição para se tornar um
lugar real, um mundo com
geografia própria, mas para
os doutores das
universidades, eu era um
perturbador da ordem. Eles
temiam que, se a Lua fosse
imperfeita como a Terra,
então a Terra poderia ser um
planeta como a Lua e isso,
meu caro, levava direto ao
heliocentrismo de
Copérnico, o que era o
verdadeiro medo deles.
Ricardo: A descoberta das
quatro maiores luas de
Júpiter foi uma forte
evidência para o modelo
heliocêntrico. Poderia nos
explicar como você concluiu
que os objetos próximos de
Júpiter estavam orbitando-o?
Qual foi a reação imediata
da comunidade científica e
religiosa?
Galileu Galilei: Ah, os meus
"planetas errantes" ao redor
de Júpiter! Essa foi, talvez, a
prova mais contundente que
a natureza me ofereceu
contra a ideia de que a Terra
era o centro único de todo o
movimento universal.
Deixe-me contar como a
lógica se impôs sobre os
meus olhos. Na noite de 7 de
janeiro de 1610, quando
apontei meu telescópio para
Imagem 3: Primeiros desenhos da Lua
feitos por Galileu. Fonte: Reddit
Imagem 4: Anotações de Galileu das
posições das luas de Júpiter.
Fonte: clique aqui
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Júpiter, vi três pequenas
estrelas, muito brilhantes,
dispostas em uma linha reta
que atravessava o planeta.
Duas estavam a leste e uma a
oeste. Imaginei que fossem
apenas estrelas fixas que,
por acaso, estavam ali. Mas
na noite seguinte, 8 de
janeiro, por um impulso da
curiosidade, olhei
novamente. Para meu
espanto, a configuração
havia mudado! Agora todas
as três estavam a oeste de
Júpiter e mais próximas
umas das outras. Ora, se
Júpiter estivesse se movendo
de acordo com os cálculos
astronômicos da época, ele
deveria ter se afastado delas
de uma forma
completamente diferente.
Continuei observando noite
após noite, com o coração
batendo forte. No dia 10,
uma delas desapareceu,
concluí que estava escondida
atrás do disco de Júpiter. No
dia 13, vi finalmente as
quatro juntas! Percebi que
elas nunca abandonavam a
vizinhança de Júpiter. Elas
dançavam ao redor dele, ora
à frente, ora atrás, ora
escondidas. A conclusão era
inevitável para qualquer
mente matemática: elas
estavam orbitando Júpiter,
exatamente como a Lua
orbita a Terra. Chamei-as de
Sidera Medicea (Estrelas
Mediceias) em honra ao
Grão-Duque Cosimo II de
Médici, meu antigo aluno e
patrono. Foi uma escolha
política, admito, mas a
descoberta era puramente
científica.
A reação foi um verdadeiro
terremoto! Na comunidade
científica, o choque foi
imenso. Muitos astrônomos
ficaram paralisados. Se
Júpiter tinha quatro luas,
então a Terra não era
especial por ter uma. Mais
do que isso, o argumento
principal contra Copérnico
era que, se a Terra se
movesse, ela "perderia" a Lua
para trás. Mas ali estava
Júpiter, movendo-se
claramente pelo zodíaco e
carregando quatro luas
consigo sem dificuldade
alguma! O grande Johannes
Kepler, embora inicialmente
surpreso, foi o primeiro a
me apoiar publicamente, o
que foi um bálsamo para
minha alma.
Na comunidade religiosa, o
desconforto foi profundo,
embora mais silencioso no
início. O problema não era
apenas teológico, mas
filosófico. A Igreja e os
seguidores de Aristóteles
acreditavam que todos os
corpos celestes deveriam
girar em torno da Terra para
manter a harmonia divina.
A existência de um "sistema
solar em miniatura" ao
redor de Júpiter quebrava
essa exclusividade. Eles
começaram a perceber que,
se o centro do movimento
pudesse estar em Júpiter, por
que não poderia estar no
Sol?
Foi nesse momento que as
primeiras sombras da
Inquisição começaram a se
projetar sobre o meu
trabalho. Eles sentiram que
eu não estava apenas
descobrindo astros, mas
derrubando a arquitetura do
mundo que eles haviam
construído sobre textos
antigos.
Continua na próxima edição!
Para Saber Mais:
(livro) Galileu Galilei: explorador
do céu. Annalisa Strada. Paulus
Editora, 2025.
(livro) Galileu Galilei: Um
revolucionário e seu tempo. Atle
Naess. Editora Zahar, 2015.
(e-book) Galileu Galilei: A
curiosa vida de um dos maiores
gênios da história. Peter Scott.
Editora Book Brothers, 2019.
(Youtube) Galileu Galilei Gênios
da Ciência:
https://www.youtube.com/watch
?v=l34nCRuSK2k
(Youtube) A história de Galileu
Galilei:
https://www.youtube.com/watch
?v=ryjvN6s5SPE
(Youtube) 50 fatos sobre Galileu
Galilei:
https://www.youtube.com/watch
?v=YeyRDP-nEoI
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REVISTA DE DIVULGAÇÃO
DE ASTRONOMIA
E CIÊNCIAS DA NATUREZA
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